segunda-feira, 20 de junho de 2011

Beata Margarida Ball, mãe de família e mártir - Festejada 20 de junho

Durante a perseguição de Elizabeth I da Inglaterra, hospedava sacerdotes e religiosos em sua casa. Denunciada por seu próprio filho, foi presa em Dublin e morreu vítima de torturas atrozes
 
     Ser a mãe do prefeito de Dublin para ela não foi fonte de orgulho ou de prestígio, mas foi causa de enormes sofrimentos que a levaram a morte, ou certamente a apressaram. A vida e o martírio da irlandesa Beata Margarida Ball deve ser enquadrada no clima de perseguição religiosa que se seguiu ao cisma anglicano iniciado na Inglaterra por Henrique VIII.
     Os laços estreitos que ligam a causa sócio-político britânica com a Irlanda resultaram que em 1536, ou seja, cinco anos após o "ato de supremacia" famoso, que proclamou que o rei era chefe supremo da Igreja da Inglaterra, e depois de apenas dois de sua excomunhão e do interdito lançado contra a Inglaterra pelo Papa Clemente VII, o parlamento de Dublin também reconhecesse Henrique VIII como chefe da igreja irlandesa, determinando desta forma a separação da Igreja de Roma.
     Margarida tinha 21 anos nesse período, tendo nascido em 1515, na bem sucedida família Berminghan. Aos 16 anos, casou-se com Bartolomeu Ball e deu a luz a mais de 20 filhos, dos quais apenas alguns atingiram a idade adulta. Eles formavam um casal muito unido, profundamente religioso, com uma sólida posição econômica, e o marido gozava de prestígio indiscutível, que o levou a ser prefeito de Dublin.
     Embora eles não estivessem alheios à situação político-religiosa dominante, eles se comportavam como verdadeiros católicos, continuando a reconhecer o primado do Papa. Em seu palácio vivia um capelão, que celebrava a Missa normalmente, sua casa estava aberta a encontros de catequese e oração. Valendo-se da reputação de seu marido, Margarida chegou a abrir em sua propriedade uma escola católica.
     Bartolomeu morreu em 1568 e Margarida, além da tristeza pela perda de um ente querido, também fica privada da proteção e do apoio com que ele garantia que ela professasse e defendesse a Igreja Católica. Apesar de tudo, ela continuou em seu compromisso, dando hospitalidade em sua casa aos sacerdotes e religiosos, mesmo quando se tornava extremamente arriscado.
     Em 1570, Elizabeth I, que desde que ascendera ao trono permitira que uma feroz perseguição se acendesse na Inglaterra, especialmente contra os padres católicos, e que se espalhara rapidamente na Irlanda, foi excomungada. No final dos anos setenta Margarida foi presa sob a acusação de ter permitido a realização de uma missa em sua casa, mas logo foi libertada sob fiança.
     Enquanto isso, o seu filho Walter, alimentando o desejo de se tornar prefeito de Dublin, se adaptou às exigências para o cargo que era negar sua fé e reconhecer a supremacia religiosa da rainha da Inglaterra.
     Margarida cumpriu inteiramente o seu dever de mãe, tentando fazer seu filho entender que nenhum cargo político, de prestígio, pode ser negociado com a fé. O filho não se convenceu, mas, o que é pior, viu nela a maior inimiga e o maior obstáculo para alcançar os seus anelos políticos.
     Pouco depois de sua eleição como prefeito, mandou prender a própria mãe sob a acusação de ter dado hospitalidade em sua casa aos sacerdotes perseguidos.
     Margarida, na idade de quase 70 anos, foi levada em uma carroça pelas ruas de Dublin, exposta ao escárnio e zombaria de toda a cidade. Uma cela suja, gotejando umidade, sem ar, a espera, o que inevitavelmente prejudicou a sua saúde.
     Precisamente por causa de sua saúde precária, uns anos depois lhe ofereceram a liberdade em troca de uma negação pública da sua fé. Receberam a resposta negativa desta mulher forte e corajosa, que escolheu terminar seus dias na prisão, mártir da Eucaristia e do Primado Pontifício.
     Ela morreu em sua cela numa data incerta do ano de 1584 e, juntamente com dezesseis outros fieis (incluindo quatro bispos, seis padres, um irmão religioso e cinco leigos), ela, a única mãe de família do grupo, foi beatificada por João Paulo II em 27 de setembro de 1992.
 
 
NOTA
     A Irlanda está convidando o mundo inteiro para o Congresso Eucarístico Internacional, que se realizará em Dublin de 10 a 17 de junho de 2012.
     O Cardeal Sean Brady, arcebispo de Armagh, afirmou que espera que "o Congresso de 2012 possa ajudar a renovar a Igreja Católica na Irlanda, refletindo sobre a centralidade da Eucaristia em nossa comunidade, cada vez mais diversificada, e que dê um novo impulso à vida de fé".
     Os padroeiros para o Congresso de 2012 são: São Columbano, Santa Maria MacKilop e a Beata Margarida Ball.

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Beata Osana Andreasi de Mântua - Festejada 18 de junho

     A Beata Osana Andreasi nasceu no magnífico palácio de uma nobilíssima família italiana (sua mãe é uma Gonzaga). Aos cinco anos, enquanto caminhava nas margens do Pó, ouviu distintamente uma voz clara e firme que lhe diz: "A vida e a morte consistem em amar a Deus". A criança entra em êxtase e sente-se levada até o Céu por um esplêndido anjo. Este lhe mostra a hierarquia do Céu e diz: "Para entrar no Céu é necessário que a Deus muito se ame. Vê, todas as coisas cantam-lhe a glória e proclamam aos homens: ama-O, ama-O, Ele a tudo  criou para que O amem!"
     A partir dessa experiência, nasce nela um grande desejo de estudar teologia. O pai se opõe como algo que não é adequado para uma criança. Mas Osana reza. Em resposta às suas orações a Nossa Senhora, esta começa a aparecer em pessoa e da-lhe aulas. Então Osana aprende latim e adquire um grande conhecimento das Escrituras Sagradas. Cita de memória até mesmo os comentários dos Padres da Igreja.
     Por fim, seu pai se convenceu. Permite que ela dedique sua vida à teologia, não se case aos quinze anos e use o hábito de terciária dominicana. Mas Osana também assume responsabilidades políticas, incluindo a regência provisória do Ducado de Mântua
     Quando Osana tinha 28 anos de idade, recebeu estigmas na sua cabeça, no lado e nos pés, embora fossem visíveis para terceiros apenas em certos dias da semana especialmente às sextas-feiras e durante a Semana Santa. Osana relatou a sua vida espiritual e experiências místicas ao seu biógrafo e orientador espiritual, o beneditino Jerônimo de Monte Oliveto.
     Ajudava os pobres e serviu como diretora espiritual de muitas pessoas, gastando grande parte da fortuna da sua família para auxiliar os mais necessitados. Manifestava frequentemente a sua repulsa pela decadência e criticava a aristocracia pela ausência de moralidade. Foi amiga da Beata Columba de Rieti e recebeu apoio espiritual da Beata Estefânia Quinzani.
     A sua casa era um autêntico centro de ação social e caritativa em benefício dos mais necessitados, bem como um local habitual de reunião e discussão sobre temas espirituais e vida da Igreja. Uma das principais causas de sofrimento de Osana no seu tempo foi a degradação da Igreja sob o pontificado do Papa Alexandre VI.
     Osana passou os últimos 37 anos da vida na corte de Mântua. Em 1478, os soberanos de então, o Duque Francisco II e sua mulher, Isabel d’Este, fizeram dela superintendente da sua Casa. Depressa compreenderam que era um anjo que tinham debaixo do teto. Quando ela estava para morrer, ajoelhados junto do leito, pediram-lhe a bênção; ela respondeu que pertencia ao sacerdote presente abençoá-los. Foi preciso que este tomasse a mão dela para Ihes traçar na testa o sinal da cruz. Francisco II isentou de contribuições, por vinte anos, todos os membros da família dela. E a duquesa Isabel ergueu-lhe um belo mausoléu, que ainda agora se vê na Catedral de Mântua.
     Dotada de dons proféticos, com suas orações protegeu o Duque Francisco na batalha de Fornovo de 1495, predisse a derrota de César Bórgia e, em 1500, o tão suspirado nascimento do primeiro filho de Isabel d’Este, Frederico II, “filhinho da oração”. Falou também de um flagelo que cairia sobre a Itália corrupta, profetizando o saque de Roma, obra dos Lanzichenecchi, em 1527.
     A ''Vida da Beata Osana'' foi escrita em 1507, pouco depois da sua morte. Fr. Jerônimo juntou traduções em latim das 24 cartas recebidas de Osana, acompanhadas de documentos certificando a sua autenticidade. A biografia tem um caráter de relatório detalhado das suas conversas com Osana.
     Uma outra biografia, publicada em 1505 é da autoria de Fr. Francisco Silvestre de Ferrara, um dos mais relevantes teólogos tomistas e que veio a ser Mestre Geral da Ordem dos Pregadores.
     Osana faleceu a 18 de junho de 1505. O seu corpo incorrupto encontra-se em exposição sob o altar de Nossa Senhora do Rosário na Catedral de Mântua, Itália.
 
* * *
 
     Gostaria de meditar sobre o fato maravilhoso - referido por seu confessor e biógrafo - que aconteceu quando ela tinha cinco anos de idade. Sabemos que o estudo da teologia - e da filosofia, que necessariamente a acompanha - é muito profundo e requer uma aplicação vigorosa da razão. São estudos normalmente adequados a pessoas maduras: quanto mais madura é a pessoa, mais adequado é o estudo deste tipo. Esta é a regra: a vida da Beata Osana é a exceção.
     Olhemos uma menininha de cinco anos que caminha ao lado de um rio muito bonito, o Pó. Eu mesmo tive a oportunidade de apreciar a beleza do Pó em uma viagem de Milão a Veneza. A menina está admirando o rio quando um anjo aparece. Um anjo magnífico que fala do amor a Deus e como toda a criação canta e proclama a Sua glória. A essência desta mensagem é que Deus criou todas as coisas para ser amado por meio delas.
     Por que um anjo apareceu para esta menina? E como é que o anjo faz para abrir a alma de uma criança para a contemplação de Deus na Criação? A menina provavelmente já estava preparada pela sua natureza a considerar com admiração a paisagem à sua frente. É comum entre as crianças que conservam sua inocência original colocar-se numa posição de admiração diante das belezas da natureza. Mas aqui aparece um anjo e se torna a coisa mais bela que ela já tinha visto. Percebemos isto pelo relato de seu confessor e biógrafo, que o deve ter contado muitas vezes.
     O anjo, movendo-se em uma espécie de auge da beleza, a ergue desta Terra e mostra a ela a hierarquia celeste, ou seja, a hierarquia angélica no Paraíso, onde os tronos dos anjos caídos permanecem vazios e são gradualmente ocupados por homens e mulheres santos. Assim é mostrada a Osana a mais bela realidade que existe, todo o Reino Celeste. Depois de ter mostrado toda esta beleza, o anjo lhe diz para observar como todas as coisas criadas por Deus são intrinsecamente boas e dignas de serem amadas. É a conclusão natural: ame as criaturas e ame o Seu Criador, a fim de tornar-se santa e ir para o Céu para ocupar o lugar preparado para você.
     Deus, por meio de seu anjo, convida uma menina a compreender o esplendor da criação e a magnificência do Criador, algo que vai muito além da capacidade de percepção natural dos sentidos. Deus a convida a elevar-se acima das limitações humanas e a concentrar a sua alma sobre as realidades espirituais que são imperceptíveis aos nossos sentidos, mas que são mais reais do que a realidade material. Mostra-lhe também um anjo e a hierarquia angelica composta por seres puramente espirituais. No vértice da hierarquia está Nossa Senhora e, acima dEla, o Rei dos reis, Nosso Senhor Jesus Cristo.
     Com este convite único Deus está formando uma pessoa cuja vida inteira será dedicada à reflexão. Enquanto o anjo mostra para Osana todas estas coisas, está implicitamente dizendo a ela para fazer um esforço de inteligência para conhecer Deus. O anjo indica, já aos seus cinco anos, a estrada que lhe é destinada para se santificar: se estas coisas são tão belas, como Deus deve ser mais belo. E ela começa a meditar sobre estas coisas. [...]
Autor: Plinio Corrêa de Oliveira
Casa da Beata Osana atualmente centro cultural e museu com seus pertences
Fontes: http://www.santiebeati/; pt.wikipedia.org

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Santa Lutgarda, Mística Cisterciense de Aywières, Bélgica - Festejada 16 de junho

     Nasceu em Tongres, Holanda, em 1182. Aos doze anos de idade foi recomendada às monjas beneditinas do Convento de Santa Catarina, próximo de Saint-Trond, não por piedade, mas porque o dinheiro para seu dote matrimonial havia sido perdido por seu pai. Era o costume da época.
      Lutgarda era bonita e gostava de divertir-se sadiamente e de vestir-se bem. Não aparentava ter vocação religiosa; vivia no convento como uma espécie de pensionista, livre para entrar e sair.
     Um dia, porém, enquanto conversava com umas pessoas amigas, teve uma visão de Nosso Senhor Jesus Cristo que lhe mostrava suas feridas e lhe pedia que amasse somente a Ele. Lutgarda naquele dia descobriu o amor de Jesus e o aceitou no mesmo instante como seu Prometido. Desde aquele momento sua vida mudou. Algumas monjas, que observaram a mudança em Lutgarda, vaticinaram que aquilo não duraria. Enganaram-se, pois seu amor por Jesus crescia. 
     Ao rezar, Lutgarda O via com seus olhos corporais, falava com Ele de forma familiar. Quando a chamavam para algum serviço ela dizia a Jesus: "Espere-me aqui, meu Senhor; voltarei logo que termine esta tarefa". Teve também visões de Santa Catarina, a padroeira de seu convento, e de São João Evangelista.  Às vezes durante seus êxtases erguia-se um palmo do solo ou sua cabeça irradiava luz.
     Participava misticamente dos sofrimentos de Jesus quando meditava sobre a Paixão. Nessas ocasiões apareciam em sua fronte e em seus cabelos minúsculas gotas de sangue. Seu amor se estendia a todos de maneira que sentia como próprias as dores e penúrias alheias.
     Depois de doze anos no Convento de Santa Catarina, sentiu-se inspirada a abraçar a regra cisterciense que é mais estrita. Seguindo o conselho de sua amiga Santa Cristina, que era do seu convento, ingressou no Convento Cisterciense de Aywières. Ali só se falava o francês, idioma que ela desconhecia, mas era para ela uma forma de maior desapego do mundo.
     Certa ocasião, quando rezava oferecendo veementemente sua vida ao Senhor, arrebentou-se uma veia que lhe causou uma forte hemorragia. Foi-lhe revelado que no Céu aquilo fora aceito como um martírio.
     Tinha o dom de cura de enfermos, de profetizar, de entender as Sagradas Escrituras, de consolar espiritualmente. Segundo a Beata Maria de Oignies, Lutgarda é uma intercessora sem igual para os pecadores e as almas do purgatório.
 
Visões do Sagrado Coração de Jesus
     Em uma ocasião, Nosso Senhor lhe perguntou que presente ela desejava. Ela respondeu: "Quero Teu Coração", ao que Jesus respondeu: "Eu quero teu coração". Aconteceu então algo sem precedentes conhecidos: Nosso Senhor misticamente trocou corações com Lutgarda.
     Onze anos antes de morrer Santa Lutgarda perdeu a visão, fato que recebeu com gozo, como uma graça para desprender-se mais de tudo. Mesmo cega jejuava severamente. O Senhor lhe apareceu para anunciar sua morte e as três coisas que devia fazer para preparar-se:
1 - dar graças a Deus sem cessar pelos bens recebidos;
2 - rezar com a mesma insistência pela conversão dos pecadores;
3 - em tudo confiar unicamente em Deus.
     Sua morte ocorreu na noite do sábado posterior à Festa da Santíssima Trindade, precisamente quando começava o oficio noturno do domingo. Era o dia 16 de junho de 1246.
     Foi beatificada e o seu túmulo, no coro de Aywières, foi objeto de grande devoção.
     No dia 4 de dezembro de 1796, para escapar às conseqüências da Revolução Francesa, a comunidade de refugiou em Ittre com as relíquias da Santa, exumada no século XVI.
     Em 1870 os preciosos despojos tornaram-se propriedade da igreja paroquial e, sete anos depois, passaram para Bas-Ittre.

terça-feira, 14 de junho de 2011

Santa Germana Cousin, Padroeira das crianças vítimas de maus tratos - Festejada 15 de junho

A descoberta
     Numa fria manhã de dezembro de 1644, Guilherme Cassé, coveiro e sineiro da igreja de Pibrac, pequena cidade francesa, e seu ajudante, Gaillard Baron, iniciaram os trabalhos de escavação de um túmulo para enterrar uma defunta. 
     Eles golpeavam o solo diante do altar, quando estarrecidos descobrem o corpo de uma jovem de uns vinte anos, conservado em sua mortalha um tanto escurecida. O corpo parecia ter sido colocado no túmulo há poucos dias. A jovem apresentava cicatrizes no pescoço e sua mão direita era deformada. Quem seria aquela jovem? Após se acalmarem, levaram o caso ao conhecimento do Pároco e de seu assistente, que não souberam identificar o cadáver.
     A notícia rapidamente se espalhou pela pequena Pibrac. Dois anciãos, Pedro Pailhès e Joana Salères, reconheceram-na como sendo Germana Cousin, falecida em 1601.
     O corpo foi instalado num caixão perto do púlpito da igreja paroquial, e o povo, que a tinha em conta de santa, logo afluiu para contemplá-la. Outros ridicularizam os ingênuos que ali vão e exigem que o caixão seja transferido para outro lugar. Entre estes estava Maria de Clément Gras, esposa do nobre Francisco de Beauregard.
     Pouco tempo depois, esta senhora foi surpreendida por um câncer no seio, e a criança que ela amamentava ficou doente e esteve às portas da morte. O esposo então se lembrou do desprezo que ela demonstrara pela pobre Germana, e comentou com ela se Deus não ficara ofendido e quisera puni-la. Maria de Clément Gras foi então para junto do corpo de Germana e pediu perdão por sua atitude, suplicando também a sua cura e a de seu filho, prometendo oferecer à igreja um caixão de chumbo para colocar seu corpo.
     Na noite seguinte, ela foi despertada por uma grande claridade em seu quarto: Germana lhe aparece e prediz a cura de seu filho! Após a visão, a chaga do seu seio estava quase fechada. Ela fez vir seu filhinho: ele estava são e sugou longamente o leite que ele recusava há tempos.
     A cura da Sra. Beauregard e de seu filho foram atribuídas à intercessão de Germana. O fato é reconhecido como o primeiro milagre realizado pela intercessão da jovem após a descoberta de seus despojos.
Feia, escrofulosa e aleijada
     Germana Cousin foi a última filha de Lourenço Cousin, pequeno e honrado proprietário agrícola de Pibrac, e de sua terceira esposa, Maria Laroche, mulher piedosa e de saúde frágil. Mestre Lourenço chegou a ser alcaide de Pibrac em 1573 e em 1574.
     A data de nascimento de Germana não é precisa, mas ela provavelmente veio ao mundo no ano de 1579. Talvez devido a avançada idade dos pais, ela nasceu com um corpo débil e repleto de escrófulas, além de uma deformação na mão direita. Não chegou a conhecer a mãe, que faleceu pouco tempo depois de seu nascimento. Mais ou menos dois anos após seu nascimento, perdeu também o pai.
     Hugo, seu irmão mais velho, filho do primeiro casamento paterno, tornou-se o herdeiro dos bens de Mestre Lourenço e acolheu a pequena órfã. Esse irmão era casado com Armanda Rajols, uma mulher de péssimo caráter, que não poupava maus tratos à pequena. Dava-lhe pouco alimento e pouco zelava por sua saúde, deixando-a aos cuidados de uma criada, Joana Aubian. Essa boa mulher tratava das feridas da criança, dividia com ela a comida e a cama.
     Mais tarde, Germana foi obrigada a dormir no paiol. Seu leito era de palhas e de ramagem de vinhedo; o único aquecimento nas noites frias de inverno eram as ovelhas que ali dormiam também. No verão ela ficava alojada num pequeno compartimento sob a escada da casa. Ninguém na família parecia notar sua inteligência. Não lhe ensinaram a ler e a escrever, nem mesmo a fazer os trabalhos domésticos.
     Quando Germana completou nove anos, Armanda achou que ela já estava na idade de poder prestar algum serviço: encarregou-a do pastoreio do rebanho da família. Era também uma forma de mantê-la longe da vista, pois ela passaria o dia todo com o rebanho nas pastagens à margem do rio Courbet.
Uma alma admirável num corpo disforme
     A França enfrentava então uma guerra de religião entre católicos e huguenotes, como eram chamados os protestantes franceses. Era uma trágica crise em que se via a aristocracia dividida em dois partidos: a Casa de Valois e a Casa de Guise. O conflito se estendeu pelos séculos XVI e XVII. Havia saques e conflitos por toda parte.
     Germana enfrentava uma situação difícil dentro e fora de casa, pois horríveis sacrilégios eram cometidos pelos hereges nas igrejas da vizinhança. Ela rezava, fazia sacrifícios em reparação, confiava em Deus e em Nossa Senhora.
     Felizmente Joana Aubian, que velara pelos primeiros anos de Germana, era uma excelente e piedosa mulher que lhe incutiu os fundamentos da religião e, em alto grau, a virtude da caridade.
    Freqüentando a igreja paroquial de Pibrac, o zeloso Pároco viu naquela criança inocente uma alma escolhida por Deus. Graças àquele virtuoso sacerdote, Germana conseguiu ter uma boa instrução religiosa que aprimorou os primeiros ensinamentos dados por sua boa ama.
     Correspondendo às graças que recebia, Germana cumpria à risca os deveres de estado. Mostrava-se em tudo um modelo de simplicidade, modéstia, doçura e paciência. Revelou-se uma ótima catequista. Ensinava doutrina às crianças pobres, que ouviam atentas suas histórias.
     Vivendo ela mesma apenas de pão e água, com freqüência levava pão para as crianças e os pobres, pois era grande a miséria causada pela guerra civil.
     Santa Germana tinha um amor ardente pela Sagrada Eucaristia, que recebia com freqüência, e uma devoção especial pela Santa Missa, que assistia diariamente.
O Bom Pastor
     Germana logo se adaptou ao seu ofício de pastora. Ela aproveitava o tempo do pastoreio de suas ovelhas para pensar e rezar. Ao invés de se sentir só, ela encontrou um amigo em Deus Nosso Senhor. Nessa escola de pobreza, sofrimento do corpo e da alma, Germana aprendeu bem cedo a prática da paciência e da humildade. A vida solitária tornou-se para ela uma fonte de luz e de bênçãos. Ela foi agraciada por um maravilhoso senso da presença de Deus.
     Ela não tinha conhecimentos de teologia - ela havia adquirido apenas os conhecimentos básicos do Catecismo - mas possuía um Rosário feito de nós numa corda... Na meditação dos mistérios do Rosário ela se unia a Mãe de Deus e ao Divino Redentor, e desta contemplação advinha a sua sabedoria.
     As pessoas notavam que ao se aproximar uma festa de Nossa Senhora a piedade de Germana aumentava. Sua devoção pelo Ângelus era tão grande, que ao primeiro toque dos sinos ela costumava cair de joelhos aonde quer que se encontrasse, mesmo atravessando algum córrego.
     Os seus únicos bens materiais eram o cajado de pastora e a roca com a qual fiava lã.
     A fim de atender ao apelo do Rei dos reis, que a atraía para a Santa Missa, sem se descuidar de seu dever de cuidar das ovelhas, Germana usava um método singular: apenas ouvia o sino soar chamando para a Missa, ela cravava o seu cajado de pastora no solo e ordenava às ovelhas que dele não se afastassem.
     Seu rebanho era o mais bem tratado da região e embora as pastagens ficassem próximas da floresta de Bouconne, onde havia muitos lobos, nunca um só dos seus animais foi atacado por eles. O rebanho era cuidado pelo Bom Pastor, enquanto a sua humilde pastora rendia-Lhe suas homenagens na igreja paroquial.
Glorificação da rejeitada
     Numa noite de junho de 1601, um sacerdote da diocese de Auch, que seguia de viagem para Toulose, e dois religiosos que tinham encontrado asilo nas ruínas de um antigo castelo próximo de Pibrac, afirmaram que em meio à noite foram despertados pelo som de uma música maravilhosa. Eles olharam ao redor, e viram o céu iluminar-se e um cortejo celeste de virgens descer sobre uma casa rural das redondezas de Pibrac. Em seguida, o mesmo cortejo subiu para o céu acompanhado de uma jovem vestida de luz e coroada de flores silvestres.
     Ao amanhecer, entrando no povoado, eles relataram o maravilhoso fato aos habitantes de Pibrac, e estes constataram que se tratava da casa onde pouco antes fora encontrada morta uma pobre pastora chamada Germana Cousin.
     Naquela manhã de verão, percebendo que ela não se levantara no horário costumeiro, seu irmão foi chamá-la. Ele encontrou-a morta no seu humilde refúgio sob a escada. Ela morrera sem ruído, sozinha, tal como havia vivido.
     Seu corpo foi sepultado na Igreja de Santa Madalena e tudo parecia esquecido... Na memória do povo ela ficou esquecida, mas não nos planos de Deus!
Fatos posteriores a descoberta de seu corpo
     Em 22 de setembro de 1661, o Vigário Geral da Arquidiocese de Toulouse, Jean Dufour, foi a Pibrac. Ele ficou admirado ao ver uma urna funerária na sacristia e mandou que a abrissem. O corpo de Germana permanecia intacto! Ele fez uma declaração oficial do fato.
     Depoimentos de médicos especialistas evidenciaram que o corpo não havia sido embalsamado, e testes mostraram que a preservação não se devia a qualquer propriedade do solo. O vigário mostrou-lhe um relatório de inúmeras curas milagrosas atribuídas a Germana.
     Em 1739, um conjunto de documentos foi confiado a um missionário apostólico, para que ele o entregasse à Sagrada Congregação de Ritos na sua passagem por Roma. Tal documentação deve ter-se extraviado, pois nunca chegou ao seu destino.
     Em 1793, durante a sangrenta Revolução Francesa, os membros do "comitê de salvação pública" levaram a cabo um desígnio sacrílego de subtrair o precioso cadáver à devoção das multidões: o caixão foi profanado por um revolucionário de nome Toulza, fabricante de estanho.
     Acompanhado de três cúmplices, Toulza retirou o corpo do caixão e nem à vista do milagre de um corpo incorrupto aqueles corações endurecidos se comoveram: enterraram-no na sacristia, jogando cal e água sobre ele. O caixão de chumbo foi enviado para Toulouse para ser usado na fabricação de balas. Os revolucionários foram atacados por dolorosas deformações: dois arrependeram-se e invocaram o auxílio da Santa e foram ouvidos.
     Depois da Revolução Francesa, a pedido da população o prefeito de Pibrac, Jean Cabriforce, mandou procurar o local onde os revolucionários haviam enterrado o corpo de Germana. Uma vez mais Germana foi descoberta: seu corpo estava quase intacto, apesar de ter permanecido durante anos sob a ação da cal viva.
     Em janeiro de 1845, os documentos que compunham o processo de beatificação foram entregues. Eles atestavam mais de 400 milagres ou graças extraordinárias, além de 30 cartas de Bispos e Arcebispos da França, dirigidas a Santa Sé, pedindo a beatificação de Germana.
     Gregório XVI assinou a aprovação dos trabalhos da Comissão apostólica. Mas, foi o Beato Pio IX quem proclamou, no dia 7 de maio de 1854, a beatificação de Germana. E em 29 de junho de 1867, foi ele quem a colocou entre as virgens santas.
 
Fontes: 1) Les Petits Boullandistes, Vie des Saints, d'aprés de Père Giry, Bloud et Barral, Paris, 1882, t. VII; 2) José Leite, S.J., Santos de Cada Dia, Edit. A. O. - Braga

segunda-feira, 13 de junho de 2011

13 de junho de 1917, segunda aparição de Nossa Senhora em Fátima

Jesus quer estabelecer no mundo a devoção ao Imaculado Coração de Maria 
 
     Nessa aparição Nossa Senhora disse aos Pastorinhos:
 
Lúcia: “Queria pedir-lhe para nos levar para o Céu”.
 
Nossa Senhora: “Sim. A Jacinta e o Francisco, levo-os em breve. Mas tu, ficas cá mais algum tempo. Jesus quer servir-se de ti para me fazer conhecer e amar. Ele quer estabelecer no mundo a devoção ao Meu Imaculado Coração. A quem a abraçar, prometo a salvação. E serão queridas de DEUS estas almas, como flores postas por Mim a adornar o Seu trono ”.
 
Lúcia: “Fico cá sozinha?
 
Nossa Senhora: “Não filha. E tu sofres muito? Não desanimes. Eu nunca te deixarei. O meu Imaculado Coração será o teu refúgio, e o caminho que te conduzirá até Deus”. 

sábado, 11 de junho de 2011

Beata Mercedes Maria de Jesus, Fundadora - Festejada 12 de junho

     O povo católico do Equador e a Igreja universal podem venerar com alegria duas “flores” nascidas naquele país: a «Açucena de Quito», Santa Mariana de Jesus, e a “Rosa de Guayas”, como carinhosamente é conhecida a Beata Mercedes de Jesus. O perfume de santidade dessas duas flores, de poderosa intercessão celestial, é exemplo e estímulo para uma autêntica vida católica.
     Mercedes se destaca não só por seus dotes espirituais e religiosos, mas também por suas qualidades de grande dama, transmitidos por meio de uma vida ativa e profundamente contemplativa, institucionalizados pelo cumprimento de sua missão de fundadora de uma família religiosa na Igreja do Equador, as Irmãs Marianitas, e por seu legado: “ser amor misericordioso aonde há dor humana”.
      Mercedes Molina de Ayala nasceu no dia 20 de fevereiro de 1828, em Baba, então Departamento de Guayaquil. Era a quarta filha do casal Dom Miguel Molina y Arbeláez e da Sra. Rosa de Ayala y Olvera, família abastada, proprietária de grandes extensões de terra, com plantações de cacau e frutos tropicais. Recebeu as águas batismais na cidade de Pueblo Viejo, em 5 de março do mesmo ano, e sua Primeira Comunhão, bem como sua Confirmação, recebeu das mãos de Mons. Francisco Javier de Garaicoa, em 19 de maio de 1839.
     Sua respeitável mãe ficou viúva quando Mercedes tinha somente dois anos de vida. Ela se consagrou totalmente ao cuidado de seus filhos, lhes ensinando firmeza nos bons propósitos, a justiça, a solidariedade, e que em seus lábios sempre habitasse a verdade.
     “Mercedita, menina de beleza nada comum, nascida em um lar respaldado por uma fortuna apreciável, era modelo de virtudes singulares”.
     No ano de 1841, era uma bela jovenzinha que atraía pretendentes, quando também morre Dona Rosa. A perda de sua mãe foi uma dor indizível. Mercedes ficava órfã de pai e mãe, em companhia de seus irmãos, Maria e Miguel Molina de Ayala.
     Após uma grave queda de cavalo, Mercedes passou por uma conversão, resolvendo levar uma vida de piedade e penitência. Em 1849, quando acabava de cumprir vinte e um anos, renunciou a um brilhante matrimônio, e resolveu se dedicar à ação social e apostólica em um asilo de órfãos. Repartiu todos os bens que havia herdado de seus pais, que tinham provido seus filhos não apenas de dinheiro, mas de uma esmerada educação intelectual e artística.
     Ela se dedicou então aos órfãos em Guayaquil, depois em Cuenca. Foi justamente por essa época que ela conheceu Santa Narcisa de Jesús Martillo Morán, com quem compartilhou sua casa por muito tempo para se ajudarem mutuamente no caminho da cruz, e praticarem juntas a virtude, a oração e a penitência.
     Mercedes viveu inicialmente consagrada a Deus no mundo, sob a direção de sacerdotes insignes. Desta maneira buscava identificar–se com Cristo crucificado, a quem havia elegido acima de qualquer outro amor humano, pela oração e pela penitência.
     Em 1862, começou a levitar quando rezava, perdia os sentidos e tinha êxtases depois de comungar. No ano seguinte, sua fama de beata se estendeu por toda cidade ocasionando os mais variados comentários.
     Grande devota de Santa Mariana de Jesus se propôs seguir seu exemplo de santidade e à chegada do Padre Garcia, designado Superior da Comunidade Jesuíta de Guayaquil em 1863, fez votos de pobreza, obediência e castidade.
     Naqueles dias, duas damas tinham reunidos numerosas crianças pobres do bairro às quais ensinavam, vestiam e davam de comer em uma casa chamada orfanato "A Beneficência".
     Na noite do dia 1º de fevereiro de 1867, aos 39 anos de idade, Mercedes de Jesus tomou a resolução mais importante de sua vida. Furtivamente escapou da casa de sua única irmã, aonde vivia, e passou a madrugada no interior da Igreja de São José, absorta em oração. Ao amanhecer, ouviu Missa, comungou, e com algumas poucas peças de roupa no braço, foi para o orfanato, aonde a receberam com imenso júbilo. Sua irmã Maria se encolerizou tanto, que levou muitos anos para perdoá–la e voltar a falar com ela.
     No orfanato passou alguns meses se adestrando no serviço de seus semelhantes, até que o Padre Garcia, que estava em Gualaquiza fundando uma missão, a mandou chamar para que ela o ajudasse em sua obra. Grande foi a surpresa de Mercedes de Jesus ao receber a carta, porém cumpriu a ordem imediatamente e viajou para aquela região dos índios jibaris em 1870, perdendo peso em dez meses de trabalhos rudes e cansativos.
     Em maio de 1871, voltou para Cuenca, fundou o Beatério de Santa Mariana e deu aulas a numerosas meninas. Anos depois, quando seu processo de beatificação foi instaurado, várias velhinhas se apresentaram declarando que haviam sido suas alunas, e que conservavam gratas recordações dela, por ser carinhosa com todas.
     Em janeiro de 1873 Mercedes transferiu–se para Riobamba, fundou outro Colégio e caiu gravemente doente. O médico que a assistiu pensou que ela morreria e assim o disse, mas a Beata, com toda calma lhe disse: "Não é verdade, porque tive uma visão. Vi um roseiral muito frondoso e florido que representa a Congregação e esta ainda não cresce, por isso eu viverei o suficiente e muitos anos mais". E sarou em seguida. È por este motivo que ela ficou conhecida como “a Rosa de Guayas”.
     Todos esses trabalhos providencialmente iam acrisolando sua vocação de fundadora.
     Finalmente, na segunda-feira de Páscoa, dia 14 de abril de 1873, recebeu a aprovação do Bispo de Riobamba. Nasceu então, oficialmente, a Congregação das Religiosas de Santa Mariana de Jesus, as Marianitas, nome de sua escolha por ter assumido desde sua juventude a espiritualidade da Santa equatoriana.
     A Beata Mercedes Maria de Jesus Molina é a Fundadora do primeiro Instituto Religioso na Igreja do Equador. O Instituto tinha como meta o atendimento aos órfãos, dar asilo às convertidas e às jovens em perigo, a assistência às prisões. O Instituto tinha e tem uma espiritualidade missionária.
     A Beata Mercedes é pioneira na educação da mulher equatoriana, pois no início do século XIX as escolas destinadas à educação feminina eram quase desconhecidas. É a mulher genial que abre caminho em um lugar geográfico e em um momento histórico em que ninguém então pensava neles. É a criadora de sua própria pedagogia baseada no método direto, prático e integral. Tem metas claras, concretas e precisas; sua preocupação constante não foi elaborar metas teóricas, mas práticas, caracterizadas por uma ação direta, persistente e maternal; sempre equânime e serena, amável e acessível, firme e segura, respeitosa.
     Por três anos a Beata exerceu “o ofício de mãe terna, servindo–os nas enfermidades, cheia de caridade e bondade com todos”, enquanto trabalhava no asilo de órfãos. E assim continuou levando uma vida exemplar, de amor ao próximo e de sacrifício até o heroísmo. Devido aos jejuns e às penitências, seu corpo foi se debilitando pouco a pouco, até que a morte a surpreendeu, em odor de santidade, no dia 12 de junho de 1883, no seu Instituto de Riobamba, aos 55 anos de idade..
      Seus restos foram venerados por horas e ao ser sepultado se constatou que a mão esquerda, que sustentava um crucifixo, estava endurecida e por mais esforços que se fizesse, não a puderam dobrar, impedindo fechar a tampa do ataúde; porém o resto do corpo estava flexível.
     A Madre Superiora então se dirigiu a ela, dizendo: "Mercedes, você que foi tão obediente em vida, obedeça morta e abaixe o braço". Imediatamente o braço abaixou deixando perplexos os presentes, a ponto de o Padre Redentorista que oficiava a Missa pedir para abençoar a multidão com o mesmo braço da defunta, o que foi feito em seguida.
     Seus restos descansam na cidade de Riobamba, na mesma casa onde fundou a Congregação das Marianitas.
     Três anos depois de sua morte foi iniciado o primeiro processo para a sua beatificação, que se interrompeu por um longo tempo por causas políticas e por obra de pessoas contrárias ao seu Instituto.
     O processo foi retomado em 1929; a causa foi introduzida pelo Papa Pio XII em 8 de fevereiro de 1946. O decreto de suas virtudes foi expedido em 27 de novembro de 1981; um milagre atribuído a sua intercessão foi reconhecido em 9 de junho de 1984. No dia 1º de fevereiro de 1985, “a Rosa de Guayas” foi beatificada durante a visita pastoral de João Paulo II ao Equador.
     Em 1948, nas bodas de diamante da Congregação fundada pela Beata, a Santa Sé aprovou os estatutos redigidos por ela em Gualaquiza, embora com algumas reformas.
     Essa educadora e missionária, católica exemplar, a primeira fundadora de uma congregação equatoriana, merece toda nossa veneração. Essa “Rosa” plantou um imenso roseiral, segundo seu sonho e sua inspiração, que se estendeu às diversas nações, espalhando seu perfume apostólico na Igreja da América Latina.
 
 
Sólo para padecer
pido a Dios que me dé vida
hasta que toda sumida
en penas me pueda ver.
No tengo, no, otro querer
y anhela mi razón
amar la tribulación,
la pena y el desconsuelo
con amor, con fe, con celo
y humildad de corazón
Así lo desea y quiere:
Mercedes de mi Jesús.
Guayaquil, Mayo 12 de 1866.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Beata Ana Maria Taigi, Padroeira das mães de família - Festejada 9 de junho

     Ana Maria Antonia Gesualda nasceu na bela cidade toscana de Siena, na Itália, em 29 de maio 1769. Era filha única de um conceituado farmacêutico de Siena. Quando os negócios pioraram, a família foi obrigada a emigrar para Roma em busca de melhores condições de vida. Os pais de Ana trabalharam no serviço doméstico em casas particulares, enquanto a menina era internada em uma instituição que se encarregava da educação de crianças sem recursos.
     Durante dois anos ela permaneceu nas Mestras Pias Filipinas, mas apenas conseguiu rudimentos de leitura e escritura. Na idade de treze anos, Ana começou a ganhar o pão com seu trabalho. Durante algum tempo esteve empregada em uma fábrica de tecidos de seda e depois trabalhou no palácio dos Chigi, onde já estavam empregados seus pais.
     Mas a vida mundana de luxo fácil que a cidade eterna proporcionava chegou a tentar esta jovem. Conseguiu passar ilesa porque se casou, aos vinte e um anos, com Domingos Taigi, servidor do palácio Chigi. Ele era um homem piedoso, mas de caráter difícil e grosseiro, que nunca compreendeu os dons especiais da esposa.
     Vivendo no ambiente da corte, o casal acabou buscando a felicidade fútil das festas, vaidades, diversões e fortuna. Depois de três anos ela viu o vazio de sua vida familiar e o quanto estava necessitada de Jesus. Foi a uma igreja e fez uma confissão profunda com um sacerdote que se tornou seu diretor espiritual. Foi então que ocorreu sua conversão.
     Ana Maria iniciou uma nova vida dedicada aos deveres cristãos e a procura da santificação. Ela quis se entregar a duras penitências, mas o padre a fez compreender que seu sacrifício consistia no amor e fidelidade ao sacramento do casamento e no papel de mãe.
     Por 49 anos ela, finíssima no trato, teve a oportunidade de exercitar continuamente a paciência e a caridade. Conhecendo todo o valor do casamento e considerando-o como uma altíssima missão recebida do céu, a Beata transformou a sua casa em um verdadeiro santuário, onde Deus tinha o primeiro lugar. Dócil ao marido, fazia com que nada faltasse à família e o pouco que tinha era sempre dividido com os pobres e doentes que nunca deixou de ajudar.
     A sua família foi crescendo com a chegada de sete filhos, três dos quais morreram ainda pequenos, e dos seus velhos pais. Mas ela encontrava tempo para ajudar nas despesas da casa costurando sob encomenda. Mais tarde, quando a filha Sofia ficou viúva com seis filhos, foi Ana Maria que os acolheu e criou dando-lhes uma formação reta.
     Ana Maria era devotíssima da Ssma. Trindade, de Jesus Sacramentado e da Paixão de Nosso Senhor; tinha uma terníssima devoção por Nossa Senhora. Em 26 de dezembro de 1808, ingressou na Ordem Secular Trinitária e tornou-se fervorosa serva e adoradora da SSma. Trindade.
     Favorecida com dons especiais da profecia, tornou-se conhecida por seus conselhos no meio do clero. Ana Maria se tornou muito respeitada durante todos os quarenta e sete anos em que "um sol luminoso aparecia diante dos olhos, onde via os acontecimentos do mundo, os pensamentos e as almas das pessoas", como ela mesma descrevia.
     Foi conselheira espiritual de vários sacerdotes, hoje todos Santos, como Vicente Pallotti, Gaspar Del Búfalo, Vicente Maria Strambi, de nobres e outras personalidades eclesiásticas ilustres.
     Na sua declaração juramentada, e que pode ser consultada no processo de beatificação de Ana Maria, o Cardeal Pedicini se refere aos portentos que ele presenciou nessa mulher extraordinária. Diz o citado Cardeal que Ana Maria Taigi via os pensamentos mais secretos das pessoas presentes ou ausentes; os acontecimentos dos séculos passados, e a vida que levavam as mais importantes personagens. Este dom era o conhecimento de todas as coisas em Deus, na medida em que a inteligência humana é capaz de conhecê-lo nesta vida. E acrescenta o Cardeal: "Me sinto impotente para descobrir as maravilhas de quem fui confidente durante 30 anos".
     A Beata Ana Maria faleceu em 9 de junho de 1837. O Papa Bento XV a beatificou em 1920, designou sua celebração para o dia de sua morte e a declarou padroeira das mães de família. O decreto de beatificação a aponta como: "prodígio único nos fastos da santidade". O corpo da Beata Ana Maria Taigi, que prodigiosamente se conservou incorrupto, está guardado na Igreja de São Crisógono, em Roma, numa Capela a ela dedicada.

Revelações de Deus à Beata Ana Maria Taigi
     Deus enviará ao mundo duas espécies de castigos. Primeiro virão vários castigos terrenos: vão ser muito maus, mas serão mitigados e encurtados pelas orações e penitências das almas santas.  Haverá grandes guerras nas quais morrerão pelo ferro milhões de pessoas (as duas Grandes Guerras do séc. XX?). Mas depois destes castigos terrenos virá o celeste que será dirigido aos impenitentes. Este castigo será muito mais horroroso e terrível, não será mitigado por coisa alguma, atuará em todo seu rigor e será universal. Contudo, em que este castigo consistirá Deus não o revelou a ninguém, nem mesmo aos Seus mais íntimos amigos.
     Trevas excessivamente espessas se espalharão pelo mundo inteiro e envolverão a terra durante três dias e três noites. Durante essas trevas será absolutamente impossível distinguir-se qualquer coisa. O ar ficará empestado pelos demônios que aparecerão sob todas as formas, as mais odiosas. Essa pestilência atingirá não exclusivamente, mas bem principalmente, os inimigos da religião, ocultos ou conhecidos, com exceção de alguns poucos que Deus converterá logo depois.
     Enquanto durarem as trevas será impossível a luz natural. Aquele que por curiosidade abrir as janelas, olhar para fora, ou sair pela porta, cairá morto instantaneamente. Durante esses dias devemos ficar em casa rezando o Rosário e invocando a misericórdia de Deus. As velas bentas preservarão da morte, assim como a invocação a Maria e aos Anjos.
                                                           (das Atas de Beatificação de Ana Maria Taigi)

     Em outra ocasião Nosso Senhor comunicou a Beata o grande e próximo triunfo de Sua Igreja. Nosso Senhor disse-lhe: “Primeiro cinco grandes árvores têm de ser cortadas, a fim de que o triunfo possa vir. Essas cinco grandes árvores são cinco grandes heresias”. A Serva de Deus disse então: “Duzentos anos apenas serão suficientes para que tudo isto aconteça?” Nosso Senhor respondeu: “Não levará tanto tempo quanto tu julgas”.


     Obs. Para contemplar o corpo incorrupto da Beata Ana Maria Taigi, acessar o site abaixo: