sábado, 8 de fevereiro de 2014

Santa Apolônia, Virgem e mártir - 9 de fevereiro


     O martírio de Santa Apolônia é relatado pelo historiador Eusébio de Cesareia (265-340), que na sua Historia Ecclesiastica, escrita no terceiro século, transcreve um trecho da carta do bispo São Dionísio de Alexandria († 264), endereçada a Fábio de Antioquia, na qual ele narra alguns episódios de que fora testemunha.
     O governo de Felipe o Árabe (243-249) foi um período em que praticamente houve uma trégua nas perseguições anticristãs, mas, em 248, eclodiu em Alexandria do Egito uma sublevação popular contra os cristãos instigada por um adivinho alexandrino.
     Muitos seguidores de Nosso Senhor Jesus Cristo foram flagelados e lapidados; nem os mais débeis escaparam do massacre. Os pagãos entravam em suas casas saqueando tudo e devastando a habitação.
     Durante este furor sanguinário dos pagãos, foi aprisionada a virgem Apolônia, já anciã, definida por Eusébio “parthenos presbytès”, mas que na iconografia sagrada, como todas as santas virgens, é apresentada como uma jovem.
     Os perseguidores arrancaram seus dentes com uma tenaz. Depois, levaram-na fora da cidade, acenderam uma fogueira e ameaçaram lançá-la viva nela se não pronunciasse uma palavra de impiedade contra Deus. Apolônia pediu para deixaram-na livre por um momento e, obtido isto, se lançou rapidamente no fogo, sendo reduzida a cinzas.
     O fato ocorreu no fim do ano 248 e início de 249. Na sua carta São Dionísio afirma que sua vida fora digna de toda admiração e, devido sua conduta exemplar e pelo apostolado que desenvolvia, a fúria dos pagãos caíra sobre ela com uma crueldade particular.
     O gesto de Apolônia de lançar-se no fogo a fim de não cometer um pecado grave, suscitou entre os cristãos e os pagãos de então uma grande admiração e nos séculos seguintes foi objeto de considerações doutrinárias.
     Eusébio e Dionísio não acenam com nenhuma reprovação ao seu gesto, que pode ser considerado suicídio, mas de fato a virgem estava condenada de qualquer forma ao fogo se não abjurasse a Fé. Quiçá ela quis livrar-se de torturas posteriores que poderiam quebrantar sua vontade e que isto a fez decidir por se lançar nas chamas.
     Santo Agostinho, na sua De civitate Dei, se põe perguntas sobre o problema se é lícito dar-se voluntariamente a morte para não renegar a Fé e diz: “Não é melhor fazer uma ação vergonhosa da qual é possível se livrar com o arrependimento, do que um delito que não deixa espaço a um arrependimento que salva?” Mas o suicídio voluntário de algumas santas mulheres que em “tempo de perseguição se jogavam em um rio para fugir de quem tentava corromper a sua castidade” o deixava perplexo: e se não fora Deus mesmo que inspirara o gesto? Então não teria sido um erro, mas uma obediência. Santo Agostinho não se decide por uma posição sobre o argumento.
     Seja como for, o culto pela mártir da Alexandria se difundiu primeiro no Oriente e depois no Ocidente. Em várias cidades europeias surgiram igrejas dedicadas a ela; em Roma havia uma, hoje desaparecida, perto de Santa Maria em Trastevere. A sua festa, desde a Antiguidade, é celebrada no dia 9 de fevereiro.
     Na Idade Média era tão grande a devoção a esta santa mártir, protetora dos dentes e das doenças a eles relacionadas, que se multiplicaram os dentes-relíquia milagrosos, o que fez com que o Papa Pio VI (1775-1799), que era muito rígido nestas formas de culto, mandasse recolher todos os dentes que eram venerados na Itália. Este episódio nos ajuda a compreender quanta impressão e admiração o martírio desta santa suscitava no mundo cristão.
 

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Santa Adelaide de Colônia, Abadessa - 5 de fevereiro


     Adelaide nasceu por volta de 970 e faleceu em Colônia, Alemanha, no dia 5 de fevereiro de 1015. Ela era filha de Megingoz, Conde de Guelders, e de Gerberga de Metzgau, uma neta de Carlos o Simples, rei dos Francos. Muito jovem ingressou no convento de Santa Úrsula, Nossa Senhora de Capitol, fundado por seus pais em Colônia, que seguia a Regra de São Jerônimo.
     Quando em 980 seus pais fundaram o convento de Villich, localizado na cidade de Bonn, na confluência dos rios Reno e Sieg, Adelaide tornou-se abadessa daquele novo convento. Inicialmente este convento foi estabelecido como uma comunidade de cônegos. Os cônegos eram anexados ao convento a fim de celebrar a Missa. Depois de algum tempo Adelaide introduziu a Regra de São Bento na abadia, pois ela julgava esta Regra mais rigorosa do que a de São Jerônimo. Ela exigia que as monjas sob sua direção aprendessem a ler o Latim, para que entendessem a Missa.
     A fama de sua santidade e o seu dom de fazer milagres logo atraíram a atenção de Santo Herberto, Arcebispo de Colônia, que desejou que ela fosse abadessa do convento de Santa Maria, em Colônia, para suceder sua irmã, Berta, que havia falecido no ano 1000. O Imperador Oto III reafirmou as imunidades de Villich das interferências eclesiásticas e concedeu o direito de escolher sua abadessa, o que permaneceu somente durante a existência da família dos fundadores. Estas ações fizeram com que Adelaide aceitasse a nova dignidade.
     Além de Abadessa de Santa Maria, Adelaide continuou a ser Abadessa de Villich. Ela faleceu em seu convento de Colônia, em 1015, mas foi sepultada em Villich, onde sua festa é celebrada no dia 5 de fevereiro, dia de sua morte. Seu túmulo logo atraiu peregrinos.
 
Fonte: RANBECK, Calendário Beneditino (London, 1896); LECHNER, Martirológio das Ordens Beneditinas (Augsburg, 1855); STADLER, Heiligen-Lexikon (Augsburg, 1858); MOOSMUELLER, Die Legende, VII, 448. MICHAEL OTT (Enciclopédia Católica).

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Santa Joana de Valois, Rainha e Fundadora - 4 de fevereiro


Fundadora da Ordem das Anunciadas
 
     Joana de Valois nasceu no dia 23 de abril de 1464 no Castelo Plessis-les-Tours; era filha de Luís XI, rei da França e da rainha Carlota de Saboia, irmã do Beato Amadeu IX. Luís, que ansiosamente esperava pelo nascimento do herdeiro do trono, não disfarçou o seu desapontamento quando ela nasceu, ainda mais quando soube que a criança era coxa.
     Por uma ordem despótica do rei a menina foi afastada da mãe: com 5 anos foi entregue aos cuidados do Barão François de Linières e sua esposa Anne de Culan que, no Castelo de Linières, dispensaram à princesinha uma cuidadosa educação. O casal não tinha filhos e se dedicou a ensinar a ela leitura e poesia, escrita e aritmética, desenho e pintura, bordado e tapeçaria, bem como os fatos históricos de seus ancestrais. Muito católicos, eles deram a ela uma sólida fé. Muito cedo Joana se voltou para Deus e para a Virgem Maria. Os mistérios da Anunciação e da Encarnação eram seu prazer.
     Tendo chegado à idade de 12 anos, Luís XI contratou o casamento de Joana com seu primo, Duque de Orleans, de 14 anos, que não fazia segredo da profunda antipatia que tinha por sua noiva. O casamento foi celebrado em 8 de setembro de 1476 no Castelo de Montrichard, na presença do Bispo de Orleans.
     Em pouco tempo Joana se convenceu da impossibilidade de convivência com um marido dissoluto e perverso. Com maior dedicação entregou-se aos exercícios de piedade e às obras de caridade, tudo em completa conformidade com a santa vontade de Deus.
     Tendo um dia notícia da grave enfermidade do seu esposo, pressurosa correu para junto dele em Bourges, oferecendo-lhe sua assistência de solícita enfermeira. Porém, recebeu apenas ingratidão, insultos e declarações injuriosas, suportando-as e dando provas de paciência heroica e humildade.
     Em 1483 o rei Luís XI faleceu, sucedendo-o seu filho Carlos VIII. Anos depois o Duque de Orleans sucedeu-o no trono como Luís XII. O marido de Joana repudiou-a então e fez anular canonicamente o seu casamento com ela para se unir à filha do Duque de Bretanha. Joana suportou isto também com serenidade cristã. O matrimônio de Joana com o rei foi declarado nulo pelo Papa Alexandre VI.
     Em 26 de dezembro de 1498 foi feita Duquesa de Berry, recebendo a província para governar. Indo viver em Bourges, a capital do ducado, Joana administrou-o com sabedoria e se devotou ao bem estar dos súditos. Pondo-se a serviço do povo, irrestritamente trabalhou para sua própria santificação sob a direção de São Francisco de Paula. Durante a peste eclodida de 1499 - 1500 ela demonstrou quão grande era sua caridade.
     Joana era devotíssima de Nossa Senhora e foi uma das primeiras figuras entre as veneradoras do puríssimo Coração de Maria, cujo imenso amor ao gênero humano lhe foi revelado em uma celestial visão.
     Livre de outras obrigações, Joana sentiu ressurgir a ideia que concebia desde a infância de fundar uma Congregação dedicada às virtudes da SS. Virgem. Pôs mãos à obra e já em maio de 1500, onze noviças, primícias da Anunciada, eram visitadas pela duquesa que a elas se associava nas devoções.
     No dia de Pentecostes de 1504 as primeiras monjas pronunciaram votos dando início à Ordem das Monjas da Bem-Aventurada Virgem Maria, ditas da Anunciada, cuja Regra teve a aprovação dos Papas Alexandre VI e Leão X. A fundadora construiu um convento para a Ordem.
     Joana fez a profissão a titulo privado em 26 de maio de 1504, mas permanece no mundo, fiel ao seu soberano. Em 3 de dezembro de 1503, Luís XII havia aprovado a fundação da “sua caríssima e amadíssima sobrinha Joana de França, Duquesa de Berry”, tomando o convento sob sua “proteção e salvaguarda especial”.
     Era intensão da fundadora de confiar a sua obra aos Frades Menores da Observância: no dia 21 de novembro de 1504 as religiosas entram na clausura.
     Joana rezava incessantemente pelo marido, e deixou como orientação à Ordem rezar pela alma dele, pela de seu irmão e pela de seu pai.
     Em 22 de janeiro de 1505, atacada de um grave mal-estar, Joana mandou fechar a porta de comunicação de sua cela com o convento; no dia 2 de fevereiro não conseguia se comunicar e depois de uma existência cheia de sacrifícios, provações e sofrimentos, mas não menos de uma vida dedicada à oração, Joana faleceu em 4 de fevereiro de 1505, na idade de 41 anos. Pessoas próximas a ela afirmaram terem visto a cabeça da falecida rodeada de uma luz misteriosa.
     O povo venerava Joana como santa. Milagres se sucederam após sua morte, e em 1514 o papa Leão X permitiu às Anunciadas honrarem-na por um ofício especial.
     Nas perseguições religiosas no século XVI seu túmulo foi  profanado. Fanáticos queimaram o corpo da Santa e atiraram as cinzas ao ar.
     A Congregação das Anunciadas se espalhou: antes da Revolução Francesa as Anunciadas contavam com 45 casas pela França, Bélgica e Inglaterra. Destas casas permanecem ainda hoje os mosteiros de Thiais e de Villeneuve-sur-Lot.
     A causa de Joana de Valois foi introduzida por Urbano VIII em 3 de maio de 1632; ela foi beatificada por Bento XIV em 18 de junho de 1742; em 28 de maio de 1950, Dia de Pentecostes, por ocasião do Ano Santo, o Papa Pio XII elevou-a às honras dos altares, canonizando-a. Sua festa é celebrada em 4 de fevereiro.

sábado, 1 de fevereiro de 2014

Apresentação do Menino Jesus no Templo e Purificação de Nossa Senhora - 2 de fevereiro

 

     O Evangelho de São Lucas narra que depois do nascimento de Nosso Senhor, e decorrido o prazo que a Lei mosaica estabelecia para a purificação das mulheres que davam à luz, Nossa Senhora e São José levaram o Menino Jesus ao Templo para O apresentarem a Deus, conforme também prescrito na Lei. Na ocasião, Maria Santíssima ofereceu ao Senhor o sacrifício ritual de dois pombinhos, estabelecido para a purificação de mulheres pobres. Jesus e Maria não estavam sujeitos à Lei, mas quiseram observá-la por amor à humildade e para nos dar o exemplo.
     A festa da Purificação é também chamada das Candeias, comemorando o dia em que Maria Santíssima, em obediência à Antiga Lei, apresentou seu Divino Filho no Templo 40 dias após seu nascimento.
     Ela foi saudada pelo velho Simeão que lhe predisse as Sete Dores que haveria de sofrer e que o Menino seria um sinal de contradição. 
Evangelho de São Lucas capítulo 2. versículos 25 a35
            25. Ora, havia em Jerusalém um homem chamado Simeão. Este homem, justo e piedoso, esperava a consolação de Israel, e o Espírito Santo estava nele.
            26. Fora-lhe revelado pelo Espírito Santo que não morreria sem primeiro ver o Cristo do Senhor.
            27. Impelido pelo Espírito Santo, foi ao templo. E tendo os pais apresentado o menino Jesus, para cumprirem a respeito dele os preceitos da lei,
            28. tomou-o em seus braços e louvou a Deus nestes termos:
            29. Agora, Senhor, deixai o vosso servo ir em paz, segundo a vossa palavra.
            30. Porque os meus olhos viram a vossa salvação
            31. que preparastes diante de todos os povos,
            32. como luz para iluminar as nações, e para a glória de vosso povo de Israel.
            33. Seu pai e sua mãe estavam admirados das coisas que dele se diziam.
            34. Simeão abençoou-os e disse a Maria, sua mãe: Eis que este menino está destinado a ser uma causa de queda e de soerguimento para muitos homens em Israel, e a ser um sinal que provocará contradições,
            35. a fim de serem revelados os pensamentos de muitos corações. E uma espada transpassará a tua alma. 
     O encontro do Senhor com Simeão e Ana no Templo enfatiza o aspecto sacrificial da celebração e da comunhão de Maria com o sacrifício de Cristo, pois quarenta dias depois de sua maternidade divina a profecia de Simeão a faz ter um vislumbre das perspectivas de seu sofrimento: "Uma espada traspassará a tua alma".
     Maria, graças à sua íntima união com a pessoa de Cristo, é associada ao sacrifício do Filho. Não é de admirar, então, que à festa de hoje tenha sido dada tanta proeminência que induziu o Imperador Justiniano decretar feriado o dia 2 de fevereiro em todo o Império do Oriente.
     Roma adotou a festividade em meados do século VII. O Papa Sérgio I (687-701) estabeleceu a mais antiga das procissões penitenciais romanas, que começava na Igreja de Santo Adriano e terminava em Santa Maria Maggiore.
     O rito da bênção das velas, do qual há evidência já no século X, é inspirado nas palavras de Simeão: "Meus olhos viram a vossa salvação, que preparastes diante de todos os povos, como luz para iluminar as nações". A partir deste simbólico rito se originou o nome popular de festa das Candeias, ou a "Candelária". 
 
"Cada dia tem seu santo”, Revista Catolicismo, Bíblia Ave Maria

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Santa Eustáquia Esmeralda Calafato, Abadessa Clarissa - 29 de janeiro


    Eustáquia Calafato (nome religioso de Esmeralda Calafato) nasceu em Messina no dia 25 de março de 1434, sendo a sexta dos seis filhos de Bernardo Calafato e de Mascalda Romano, nobres e abastados. O pai tinha uma embarcação com a qual exercia o comércio.
     A pequena Esmeralda passou os primeiros anos de sua infância sem sobressaltos nem acontecimentos notáveis em sua casa paterna, confiada aos cuidados da mãe, fervorosa católica.
     O principal animador e expoente do movimento de reforma da Ordem Franciscana na Itália foi São Bernardino de Siena (1444), junto ao qual, e seguindo seu exemplo, floresceu todo um conjunto de espíritos seletos, insignes por sua santidade, doutrina e atividade social.
     Na Sicília o movimento observante pode datar-se a partir de 1425, quando o Beato Mateus de Agrigento, que foi seu eficaz organizador, obteve do papa Martinho V a faculdade de fundar três novos conventos para os frades que desejavam viver segundo o espírito da nova reforma. O primeiro destes conventos foi aberto em Messina, onde o Beato Mateus, pregador afamado e admirado, havia suscitado entre o povo, com sua palavra ardente, um grande entusiasmo e uma viva participação na reforma espiritual que ele propugnava.
     Mascalda assistiu aos sermões daquele fervoroso franciscano, então jovem esposa de dezoito anos, e, conquistada pelas palavras do pregador, se inscreveu nas fileiras da Ordem Terceira Franciscana, consagrando-se a uma vida de oração intensa e de ásperas penitências, e dedicando parte de seu tempo e de seus bens ao próximo necessitado. Ela infundiu seus sentimentos e aspirações à pequena Esmeralda, iniciando-a desde pequenina na piedade e no exercício das virtudes cristãs, obtendo frutos que superaram as mais nobres expectativas da virtuosa mãe.
     Em dezembro de 1444, quanto Esmeralda tinha onze anos, seu pai, sem consultá-la, segundo o costume daquele tempo, prometeu-a em casamento a um viúvo da mesma condição social e econômica. A morte repentina do prometido esposo em julho de 1446 desfez o possível casamento. A morte de seu prometido impulsionou suave e fortemente Esmeralda a considerar à luz do sobrenatural a vaidade das coisas terrenas e dos prazeres mundanos. E as reiteradas pressões dos familiares para que considerasse novas propostas de casamento foram firmemente recusadas, pois se decidira a consagrar-se a Deus na vida religiosa, decisão amadurecida por volta dos 14 anos.
     Quando o pai faleceu de repente numa viagem comercial, em meados de 1448, os obstáculos pareciam ter se dissipado. Mas somente em finais de 1449 Esmeralda pode ingressar no mosteiro das Clarissas de Santa Maria de Basicó, em Messina, onde foi-lhe imposto o nome de Irmã Eustáquia.
     A jovem noviça se distinguiu por sua piedade e virtudes. Era incrível o empenho, ímpeto e entusiasmo com que Irmã Eustáquia vivia sua vocação, dedicando-se à oração, à meditação assídua da Paixão de Cristo, à mortificação, ao serviço das doentes. Seus progressos foram tão evidentes, que atraíram a admiração, a estima e a veneração das Irmãs.
     Além do aperfeiçoamento pessoal, Irmã Eustáquia desejava ardentemente que todo o mosteiro resplandecesse pela observância da Regra. Infelizmente a abadessa, Irmã Flos Milloso, havia tirado a direção espiritual do mosteiro dos franciscanos observantes e não seguia uma estrita observância.
     As Irmãs mais sensíveis e fervorosas, entre as quais se destacava Irmã Eustáquia, procuraram em outro lugar o que faltava em Basicó e se propuseram a fundar um novo mosteiro segundo o genuíno espírito da pobreza franciscana e sob a direção espiritual dos Irmãos Menores da Observância.
     Obtida a necessária autorização pontifícia, com os meios que lhe foram proporcionados por sua mãe e sua irmã, e a colaboração da nobre Bartolomea Ansalone, apoiada moralmente por uma monja do mosteiro de Basicó, Irmã Jacoba Pollicino, superando imensos obstáculos, suportando violentas adversidades e contradições internas e externas, em 1460, Irmã Eustáquia se transladou para um velho hospital adaptada para mosteiro. Sua irmã Mita (Margarida) e uma jovem sobrinha a seguiram.
     Logo outras mulheres se juntaram ao pequeno grupo. As dificuldades materiais e morais se foram acumulando, o que fez com que as monjas tivessem que deixar o velho hospital e encontraram hospitalidade na casa de uma congregação da Ordem Terceira Franciscana, localizada no bairro Montevergine de Messina, para onde se mudaram no começo de 1464.
     Com a ajuda de benfeitores, a nova residência pode ser ampliada e adaptada para mosteiro. E assim teve origem o Mosteiro de Montevergine, no qual logo inúmeras almas nobres e generosas, entre elas a mãe de Esmeralda, solicitaram o ingresso para viver uma vida pobre e evangélica.
     Esmeralda tornou-se a mãe espiritual daquelas mulheres: as instruiu, educou e formou na vida franciscana, estimulando-as à meditação da Paixão de Cristo, comunicando-lhes os frutos de sua experiência ascética, infundindo em seus corações o amor às virtudes, que ela mesma praticava com admirável constância e heroísmo.
     Irmã Eustáquia morreu no Mosteiro de Montevergine em 20 de janeiro de 1485, deixando uma comunidade religiosa fervorosa de cerca de 50 monjas, o perfume de suas virtudes e a fama de sua santidade.
     Dias após seu sepultamento, fenômenos extraordinários se manifestaram em seu túmulo e em seu corpo, que deram origem a uma grande devoção popular por ela. Seu corpo incorrupto pode ser venerado ainda hoje.
     Atendendo pedidos de personalidades eclesiásticas e civis, as monjas de Montevergine escreveram uma biografia de sua venerada mãe e fundadora, enquanto a fiel companheira de Eustáquia, Irmã Jacoba Pollicino, em duas cartas dirigidas à Irmã Cecília Coppoli, abadessa do Mosteiro de Santa Lucia de Foligno, descrevia traços comovedores e admiráveis da Santa, e confirmava ou completava quanto de mais interessante e virtuoso havia notado nela.
     O povo de Deus, por outro lado, experimentava de diversos modos e em várias circunstâncias que Irmã Eustáquia tinha uma eficaz intercessão diante do Altíssimo.
     Em 1782, Pio VI aprovou o culto imemorial que se tributava a ela. Em 11 de junho de 1988, João Paulo II a canonizou em Messina.

domingo, 26 de janeiro de 2014

Beata Maria de la Dive, Viúva, mártir da Rev. Francesa - 26 de janeiro


     Maria de La Dive nasceu em Saint-Crespin-sur-Moine (hoje no Maine-et-Loire), no dia 18 de maio de 1723. Ela era viúva de M. du Verdier de La Sorinière. Aristocrata, ela foi condenada à guilhotina por sua Fé e sua fidelidade à Igreja.
     Maria de La Dive vivia em sua propriedade de Champ-Blanc, próximo de Longeron, com suas duas filhas: Catarina de La Sorinière, de 35 anos, e Maria-Luísa de La Sorinière, 28 anos. Sua cunhada, Rosália du Verdier de La Sorinière, 49 anos, religiosa beneditina do Mosteiro de Nossa Senhora do Calvário de Angers (em religião Madre Santa Celeste), se refugiara junto a ela após a dispersão de sua comunidade pelas leis revolucionárias. Rosália nascera em Saint-Pierre de Chemillé, no dia 12 de agosto de 1745.
     Seu filho, Henrique Carlos Gaspard, que combatia junto com os Vandeanos contra os revolucionários, havia sido executado em 25 de outubro de 1793.
     As quatro mulheres foram aprisionadas em 19 de janeiro de 1794 e interrogadas pelo comitê revolucionário de Cholet. Suas duas filhas foram fuziladas no dia 10 de março junto com uma serviçal, Maria Fonteneau. A Beata Madre Santa Celeste foi guilhotinada no dia 27 de janeiro (memória litúrgica naquele dia).
     Maria de La Dive sofreu o martírio no dia 26 de janeiro de 1794 perto de Angers, e foi beatificada por João Paulo II em 19 de fevereiro de 1984, junto com Madre Celeste e um grupo de 99 mártires da Diocese de Angers dirigidos pelo sacerdote Guilherme Repin, todos eles vítimas da mesma perseguição.

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Beata Teresa Grillo Michel, Fundadora - 25 de janeiro

 

     Teresa Grillo nasceu em Spinetta Marengo, província de Alessandria, em 25 de setembro de 1855, quinta e última filha de José Grillo, médico chefe do Hospital de Alessandria e de Maria Antonieta Parvopassu, descendente de uma antiga e ilustre família daquela região; foi batizada no dia seguinte na igreja paroquial de Spinetta, recebendo o nome de Madalena.
     Dotada de um temperamento inclinado à caridade, alimentado por um ambiente rico em espírito cristão, em 1º de outubro de 1867 recebeu a Confirmação na catedral de Alessandria e cinco anos depois, quando ainda se encontrava no colégio, fez a Primeira Comunhão. Após terminar a escola elementar, que frequentou em Turim, para onde sua mãe se trasladara para acompanhar os estudos universitários de seu filho Francisco, em 1867, depois da morte de seu pai, foi matriculada como aluna interna no colégio das Damas Inglesas, em Lodi, onde se formou com a idade de 18 anos.
     Terminado o colégio, regressou para Alessandria, onde, sempre sob a direção materna, começou a frequentar as famílias aristocráticas da cidade. Foi precisamente neste ambiente que conheceu seu futuro esposo, o culto e brilhante capitão de infantaria, João Batista Michel. Celebrada as bodas em 2 de agosto de 1877, mudou-se primeiro para Caserta, logo para Acireale, Catania, Portici e finalmente para Nápoles, lugares para os quais seu esposo fora transferido. Nesta última cidade, em 13 de junho de 1891, uma fulminante insolação durante um desfile militar levou à morte o Capitão Michel. Teresa caiu em uma profunda depressão que quase chegou ao desespero.
     Sua recuperação ocorrida quase de improviso, devido em parte à leitura da vida do Venerável Cottolengo e à ajuda de seu primo sacerdote, Mons. Prelli, resultou na opção de abraçar a causa dos pobres e necessitados. Teresa abriu as portas de sua própria casa senhorial às crianças pobres e às pessoas abandonadas e necessitadas de ajuda. Ao final do ano 1893, porque “os pobres aumentam a mais não poder e eu quisera poder alargar os braços para acolher a todos sob as asas da Divina Providencia”, vendeu a grande casa Michel e adquiriu um velho edifício na Rua Faa de Bruno. Ali deu início aos trabalhos de reestruturação e ampliação, construindo um piso superior e comprando algumas pequenas casas vizinhas. Surgiu assim o “Pequeno Abrigo da Divina Providência”.
     A obra dirigida por Teresa não ficou livre de adversidades: elas apareceram por parte das autoridades civis e sobretudo por parte de seus amigos e familiares. Especialmente diante da incompreensão daqueles, se tornou evidente a solidariedade e o afeto dos pobres, das pessoas generosas e de suas colaboradoras. Com a aprovação das autoridades eclesiásticas, em 8 de janeiro de 1899, vestindo o hábito religioso na capelinha do Pequeno Abrigo, Teresa Grillo, com oito de suas colaboradoras, deu vida à Congregação das Pequenas Irmãs da Divina Providência.
     Nos próximos 45 anos sua prioridade foi difundir e consolidar o Instituto. Quase imediatamente depois de realizada a fundação, a Obra começou a ter casas em diversos lugares do Piemonte, desenvolvendo-se rapidamente inclusive nas regiões do Vêneto, Lombardia, Liguria, Puglia e Lucania. A partir de 13 de junho de 1900, o Instituto se estendeu ao Brasil e desde 1927, por solicitude de São Luís Orione, fundou inclusive casa na Argentina.
     Sem medir esforços, Teresa inspirava e encorajava suas Irmãs com sua carismática e solícita presença nas comunidades. Em seis oportunidades atravessou o oceano para chegar até a América Latina, onde, como frutos de sua caridade, surgiram numerosas fundações com asilos, orfanatos, escolas, hospitais e asilos para idosas. Em 1928, com a idade de 73 anos, Madre Teresa fez a sua oitava viajem.
     Em 8 de junho de 1942, a Santa Sé concedia a aprovação apostólica à Congregação das Pequenas Irmãs da Divina Providência.
     A Beata Teresa Grillo faleceu em Alessandria no dia 25 de janeiro de 1944, aos 89 anos de idade. Seu Instituto contava então com 25 casas na Itália, 19 no Brasil e 7 na Argentina.
     Por ocasião da exposição do Santo Sudário em Turim, no dia 24 de maio de 1998, João Paulo II a beatificou. Sua memória foi colocada no Martirologio Romano no dia 25 de janeiro.
(Fonte: EWTN)