domingo, 13 de janeiro de 2019

Santa Neosnadia, ou Neomaye, Virgem – 14 de janeiro

  


     Nascida perto de Loudun, na diocese de Poitiers, talvez em Monterre-Silly, Neosnadia não deixou de sua vida, que terminou no século V, outro traço que a reputação de uma grande virtude e uma grande humildade. Ela é objeto de um culto local e popular na região de Poitiers, onde numerosas capelas e uma paróquia são dedicadas a ela.
      Um recente Próprio da diocese a comemora em 17 de janeiro e é nesta data ela e lembrada pela Bibliotheca Sanctorum.
      Na França, a festa de Santa Neomaye (ou Noemoise ou Neomoye) du Poitou é realizada em 14 de janeiro.





A vila de Sainte-Neomaye
     A legenda diz que Sainte-Neomaye leva o nome de uma jovem muito virtuosa, Neomaye, que foi prometida, contra sua vontade, a um feio senhor local. Ao invés de aceitar o casamento, e a fim de manter sua virtude, ela pediu que seu pé fosse mudado em uma perna de ganso, e foi cumprida depois que ela mergulhou em uma fonte. Esta fonte ainda hoje tem a fama de algum poder mágico
     Sainte-Neomaye é famosa pela sua Feira dos Burros (La Foire aux Mules) desde o século XVIII. Hoje em dia, esse evento social ainda acontece na maravilhosa praça central da vila, mas é menos um evento comercial e mais um entretenimento.
     Nesta ocasião, uma corrida, "Les Chemins du Roy", acontece ao redor da aldeia, através de pequenos caminhos usados, há muito tempo, por comerciantes de jumentos. 


    Sainte-Neomaye está localizado no sudeste de Deux-Sèvres. Fica a 14 km a leste de Niort, 60 km a sudoeste de Poitiers. A cidade é atravessada por vários rios. O mais importante é o Sèvre Niortaise. Está localizada muito próximo de Poitiers e seus shoppings e universidades (60 km), e La Rochelle e do Oceano Atlântico.


Fontes:
http://www.santiebeati.it/dettaglio/91613
https://en.wikipedia.org/wiki/Sainte-Néomaye

quinta-feira, 10 de janeiro de 2019

Beata Ana Maria Janer Anglarill, Fundadora - 11 de janeiro

Fundadora do Instituto das Irmãs da Sagrada Família de Urgell
     
     Tu, Senhor, me darás a graça para ser uma esposa fiel, que te ama muito e te serve na pessoa dos doentes, dos deficientes”, dizia a Serva de Deus.
    No dia 11 de janeiro de 1885, em Talarn, histórica vila situada junto à cidade de Tremp, Ana Maria Janer Anglarill, pouco antes de entregar sua alma a Deus, expressou seu último desejo: morrer sobre o solo nu como penitente por amor a Cristo "que por mim expirou cravado na cruz", disse a Beata. Terminava assim uma trajetória de provada santidade, de correspondência fiel ao amor de Deus.
     Ana Maria nasceu no dia 18 de dezembro de 1800 em Cervera (Lérida, Espanha). Entrou como Irmã de Caridade no hospital de Cervera, onde se entregou ao cuidado dos doentes e à educação de meninas, em momentos especialmente difíceis, marcados pelas chamadas guerras civis que ensanguentaram a história da Espanha no século XIX.
     Em 1833, quando eclodiu a primeira guerra carlista e o hospital de Castelltort se tornou hospital militar, “a situação em que se encontrou Madre Janer no campo de batalha não foi fácil, e embora não tivesse os meios suficientes, soube organizar e infundir serenidade naquelas pessoas, dar-lhes alívio, consolá-las”, conforme depoimento de Irmã Cecília. Os feridos de guerra chamavam-na “a mãe” porque “fazia de tudo para cuidar de seus ferimentos e os ajudava a morrer pacificados com Deus e consigo mesmos”, disse aquela Irmã.
     Mas, em 1836 a junta do hospital expulsou as Irmãs. Naquele ano o governo liberal decretou a supressão das ordens religiosas, o confisco dos bens eclesiásticos e a expulsão das comunidades religiosas das obras sociais e educativas que até então sustentavam. A História é rica em atropelos deste gênero.
     Terminada a guerra, Ana Maria conheceu o exílio na França até 1844. Em 1849, Ana Maria se ofereceu como voluntária para trabalhar como Irmã na Casa de Misericórdia de Cervera. Durante dez anos atendeu amorosamente os órfãos daquela casa, as crianças de famílias muito pobres, os jovens sem capacitação e os anciãos. Em sua entrega tornava realidade a presença constante da Igreja de Jesus Cristo na vida dos mais pobres.
     A partir de 1850, a junta do hospital de La Seu d'Urgell queria estabelecer uma comunidade de irmãs de caridade, mas várias circunstâncias haviam impedido a formação de uma comunidade estável. Em 1853, o Bispo José Caixal tomou posse da diocese e um de seus propósitos era revitalizar o serviço oferecido pelo hospital aos doentes e aos pobres. Assim, em 1858 os administradores deste centro iniciaram os contatos para que Ana Maria Janer assumisse o estabelecimento como superiora.
     No final de junho de 1859, obtido o consentimento dos administradores do hospital Castelltort e da Casa de Misericórdia e a autorização do vigário geral de Solsona e do bispo de Urgell, Madre Janer viaja para Seu acompanhada de duas postulantes, Concepcion Descárrega e Josefa Selva. Em 1º de julho, conforme registrado em uma ata do Hospital de la Seu, Ana Maria Janer compareceu perante a diretoria para expressar sua profunda motivação para aceitar a tarefa:
     Que ela tinha vindo aqui com o propósito de encarregar-se da direção interna do estabelecimento por espírito de caridade, e não de interesse, contentando-se que se mantenham a ela e às outras irmãs saudáveis ​​e doentes com a decência correspondente à sua classe e que para sapatos e roupas seja dada a cada uma das irmãs a quantidade de cento e sessenta reais anuais e ao mesmo tempo que à sua morte lhe seja feito funeral segundo a vontade da junta, dando a favor dela tudo que ganhar com o seu trabalho".
     A partir dali sabemos bem o que aconteceu: apresentação e aprovação da regra de vida do Instituto chamado então "Irmãs da Caridade" e também sob o patrocínio da Virgem Imaculada, de São Vicente de Paulo e de São Luís Gonzaga. Suas duas finalidades ficaram bem definidas: assistência aos pobres e doentes, e educação das meninas. A primeira comunidade do hospital de Urgell formada pela Madre Janer, e as duas postulantes que a acompanharam, e Maria Viladomat, crescerá de tal maneira, que em breve o hospital ficará pequeno e o convento de Santo Domingo deverá ser solicitado para o noviciado da congregação nascente.

     Desnecessário dizer, o Instituto recebeu durante os primeiros anos o impulso das mãos da Madre Janer que, incansável, apesar de sua idade, não vai deixar de fundar aqui e ali escolas, instituições de caridade e hospitais: Cervera, Tremp, Oliana, Bellver, Sant Andreu, Organia, Castellciutat, Llívia, Les Avellanes. De acordo com as crônicas mais antigas das fundações, nestes foi ela pessoalmente para estabelecer as comunidades. No caso das escolas, a tática era sempre a mesma: conseguir que as irmãs obtivessem os cargos oficiais de professoras.
     O período revolucionário compreendido entre 1868 e 1875 representou um duro golpe para as obras da Madre Janer. Entre 1874 e 1880 ela enfrentou também outros tipos de lutas e provas em que manifestou seu grande sentir com a Igreja, seu silêncio e obediência.
     Em 1879, Mons. Casañas, novo Bispo de Urgell, posteriormente nomeado Cardeal, reorganizou a vida do Instituto e Madre Janer, aos oitenta anos, como merecido reconhecimento foi nomeada primeira superiora geral. Passou seus últimos anos na casa de Talarn sendo exemplo de luminosa caridade.
     Madre Janer tinha um amor especial pela cruz. Contemplar Cristo Crucificado se tornou para ela a base que lhe permitia ser sinal e testemunha clara dAquele que nos amou primeiro, dAquele que nos ama até dar a própria vida.
     Atualmente o Instituto das Irmãs da Sagrada Família de Urgell está presente na Espanha, Andorra, Itália, Argentina, Paraguai, Uruguai, Chile, Colômbia, México, Peru e Guiné Equatorial.
     Madre Janer foi beatificada no dia 8 de outubro de 2011, durante o pontificado de Bento XVI.  A primeira mulher a ser beatificada na Catalunha durante séculos.

Fontes: 

Publicado pela 1ª vez em 10 de janeiro de 2014

quarta-feira, 9 de janeiro de 2019

Beata Alix (Alice) Le Clerc, Cofundadora - 9 de janeiro

    
     Uma das grandes obras da Contra-Reforma foi ter começado a preocupar-se com a educação das meninas. Em 1535, Santa Ângela de Merici fundou a Congregação das Ursulinas com este fim. Santa Joana de Lestonnac fundou, em 1606, a Congregação das Religiosas de Nossa Senhora. Por sua vez, São Pedro Fourier fundou as Canonisas Regulares de Santo Agostinho da Congregação de Nossa Senhora, obra na qual Alix (Alice) Le Clerc, ou Madre Maria Teresa de Jesus, cooperou como cofundadora.
     Alix nasceu em Remiremont, ducado da Lorena, em 2 de fevereiro de 1576. Seu pai, Jean Le Clerc (1550-1602) era um rico comerciante muito culto; sua mãe, Anne Sagay (1560-1609), era oriunda de uma honrada família de Épinal Sua família ocupava uma posição de destaque, mas pouco se sabe da vida de Alix até os dezessete anos. Era então uma jovem alta e bela, loura, de constituição delicada, atraente e inteligente.
     Outro relato, escrito por ela mesma, nos informa que se distinguia na música e na dança, que era muito popular e que tinha muitos admiradores. Alix deixa entender que se envaidecia com isto, o que é provável. Entretanto, lembremo-nos que os santos tendem a exagerar seus defeitos. Por outro lado, Alix mostra que não deixava de ter seriedade: “Em meio a tudo isto, meu coração estava triste”. Pouco a pouco a frivolidade de sua vida se lhe tornou insuportável.
     Por razões de saúde, seu pai teve que mudar-se para Hymont e isto alegrou Alix. Ela diria mais tarde: “Isto me alegrou, o retirar-se do mundo, que me aborrecia sem saber qual a causa”. Alix tinha então 19 anos. Foi então que ela teve um primeiro sonho que mudou sua vida. Ela se viu em uma igreja, próximo do altar, a seu lado se encontrava Nossa Senhora vestida com um hábito religioso desconhecido, que lhe falava: "Vem, minha filha, que eu mesma vou te dar as boas-vindas".
    Em Hymont a jovem encontrou São Pedro Fourier (1565-1640), que era vigário de uma paróquia de Mattaincourt, nas redondezas. São Pedro Fourier foi um dos pioneiros da Reforma Católica e um pioneiro em matéria de educação. Um dia em que assistia à Missa nessa paróquia, Alix ouviu um ruído de tambor e viu o demônio que fazia os jovens dançar “ébrios de alegria". Nesse instante se deu a conversão de Alix, que relatou: "Ali mesmo resolvi não me misturar com semelhante companhia".
     Alix trocou seus vestidos finos pelas roupas das camponesas e pouco saia de sua casa. Sob a prudente direção de São Pedro Fourier, procurou descobrir qual a vontade de Deus a seu respeito, o que lhe causou grandes sofrimentos espirituais. Tanto seu pai como São Pedro Fourier lhe aconselharam que entrasse em um convento. Ao que ela não concordava, pois no sonho lhe fora revelado que não existia nenhuma forma de vida religiosa adaptável à sua vocação.
     Alix confiou a São Pedro Fourier que estava obcecada pela ideia de fundar uma congregação ativa. Este se mostrou cético, mas aconselhou-a a procurar outras jovens que compartilhassem de suas ideias, coisa muito difícil em um povoado afastado. Alix porém conseguiu encontrar companheiras.
     Na Missa de Natal de 1597, Alix Le Clerc, Ganthe André, Isabel e Joana de Louvroir se consagraram publicamente a Deus. Quatro semanas depois, São Pedro Fourier convenceu-se de que elas eram chamadas a fundar uma comunidade sob sua direção.
     Uma solução inesperada: a quatro quilômetros de Mattaincourt havia uma abadia de canonisas seculares. Era uma comunidade de ricas e aristocráticas damas que levavam uma vida conventual. Uma dessas senhoras, Judith d'Aspremont, decidiu proteger Alix e suas três companheiras. Mas pouco tempo depois as damas do Capítulo, todas de boa nobreza, começaram a hostilizar o pequeno grupo. A Sra. d’Aspremont então deu-lhes para morar uma casa que ela adquirira em Mattaincourt. As jovens se instalaram ali na véspera de Corpus Christi de 1598.
     Ao terminar um retiro, declararam unanimemente a São Pedro Fourier que se sentiam chamadas a fundar uma nova congregação, já que esta era a vontade de Deus para elas. A finalidade do novo instituto era "ensinar as meninas a ler, a escrever e a costurar, mas sobretudo a amar e servir a Deus". A esta santa ocupação deviam se dedicar, sem distinguir entre pobres e ricos, e sem cobrar um centavo, "porque isto agrada mais a Deus".
     Em 1601, São Pedro Fourier e a Beata Alix fundaram uma segunda casa em Saint-Mihiel, seguida pelas de Nancy, Pont-à-Mousson, Saint-Nicolas-du-Port, Verdun e Chalons-sur-Marne. Esta última, estabelecida em 1613, foi a primeira fundação fora da Lorena.
     Alix e uma das companheiras foram enviadas por São Pedro a um convento das Ursulinas de Paris para que se documentassem sobre a vida monástica e os métodos de ensino. A beata fez numerosas viagens entre as diferentes comunidades que ela havia fundado, se dedicando exaustivamente em edificá-las, se aconselhando com outras obras já constituídas.
     Em 1616, duas bulas da Santa Sé concederam afinal a desejada aprovação da Congregação. Com base nisso, o Bispo de Toul aprovou as Constituições. Pela primeira vez treze religiosas vestiram o hábito que a Virgem revelara na visão a Alix, e iniciaram o ano de noviciado.
     Como as bulas papais somente mencionassem o convento de Nancy, a Beata Alix teve que renunciar ao cargo de superiora da Congregação a favor da Madre Ganthe André, “sem a qual, explica São Pedro Fourier, nossa congregação não teria podido ser fundada”, apesar de Madre André e de Alix não estarem de acordo sobre a organização.
     Além dessa provação, a beata atravessava um período de crise espiritual conhecido por “noite escura da alma”. Atualmente é reconhecido o título de cofundadora das Canonisas de Nossa Senhora, mas isto não acontecia durante sua vida e São Pedro Fourier era o primeiro a negar a ela este título, “para mantê-la em seu lugar”.
     Em 1621, a Beata obteve permissão para renunciar ao cargo de superiora local de Nancy, pois estava doente já algum tempo. Os médicos a declaram incurável, diagnóstico que desconsolou toda Nancy, desde o duque e a duquesa da Lorena até as alunas e os mendigos. Ela recebeu numerosas visitas, entre as quais personagens eminentes que vinham solicitar sua ajuda espiritual.
     São Pedro Fourier foi para Nancy e a ouviu em confissão e a preparou para a morte. Alix se despediu solenemente da comunidade no dia da Epifania, exortando suas religiosas ao amor e a união. “Eu me lembrarei de vós todas diante de Deus. De vossa parte, conservai-vos sempre na mais inteira união, usando da caridade umas com as outras, porque a caridade e a união são os meios para manter vossa Ordem”.
     O desfecho chegou no dia 9 de janeiro de 1622, depois de uma longa agonia. A Beata não havia feito 46 anos de idade. Durante três dias seu corpo permaneceu exposto, os guardas colocados à porta da igreja são obrigados a ceder lugar à multidão que quer se aproximar dela. A duquesa e os príncipes, bem como as damas da Corte, assistiram ao seu enterro.
     Por ordem do Bispo de Toul, Jean de Maillans de Porcelets, e contrariando seu pedido de ser enterrada no cemitério, seu corpo foi colocado em um caixão de jumbo sob o altar do coro das religiosas. Foi gravado sobre o túmulo: “Aqui repousa o corpo da B. Mère Alix Leclerc, fundadora e primeira religiosa da Congregação de Nossa Senhora, primeira superiora do mosteiro de Nancy, primeiro erigido pela mencionada Congregação”.
     Logo todos a aclamaram como santa e imediatamente se começou a recolher testemunhos para introdução de sua causa, mas a guerra impediu que o processo fosse adiante e ela somente foi beatificada em 1947.
     Em 1666, o convento de Nancy publicou uma vida da Beata Alix Le Clercq, que é na realidade uma coleção de documentos valiosos sobre a beata. O bispo de Saint-Dié introduziu, em 1885, a causa de beatificação, baseando-se em um exemplar dessa biografia, que havia caído em mãos do Conde Gandélet. A primeira biografia propriamente dita foi publicada em Nancy, em 1773; existe o manuscrito de outra, escrita em 1766; em 1858 veio à luz outra biografia, e a partir de então se multiplicaram os livros sobre a Beata.
     Há ainda a mencionar as vidas de São Pedro Fourier, escritas por Bedel (1645), Dom Vuillemin (1897), e o Pe. Rogie. O autor do prefácio da biografia inglesa da Beata Alix, fala dos excelentes métodos de educação empregados pelas canonisas. São Pedro Fourier ensinava pedagogia a suas religiosas.
     Muitos mosteiros têm seu nome na Bélgica, no Brasil, nos Países Baixos. Atualmente há filhas de Alix Le Clerc em 43 países. Em outubro de 2007, as relíquias da Beata foram solenemente transferidas para a Catedral de Nossa Senhora da Anunciação de Nancy.



Publicado pela 1ª vez em 9 de janeiro de 2013

domingo, 6 de janeiro de 2019

Santa Talulla ou Tuililatha de Kildare, Virgem e Abadessa – 6 de janeiro

   
Catedral de Sta. Brígida em Kildare, Irlanda
      6 de janeiro é o dia da festa de um grupo de três mulheres, conhecidas coletivamente como as "Filhas de Nadfrac". Acontece com frequência que nesses grupos de santas não temos os nomes individuais que o compõem, mas, neste caso, as fontes preservam as identidades de três mulheres santas distintas - Muadhnat, Tuililatha e Osnat -, mas todas elas são comemoradas no mesmo dia.
     As três irmãs estão associadas a fundações monásticas em diferentes partes da Irlanda. Canon O'Hanlon começa com Santa Muadhnat, mas quando nos deparamos com mais algumas pesquisas sobre esta santa, começarei com a irmã do meio, Santa Tuililatha (também conhecida como Tuilach e mais recentemente, Tuilclath), uma sucessora de Santa Brígida como abadessa de Kildare.
     No final de sua pequena obra, Canon O'Hanlon segue a autoridade do hagiólogo do século XVII, Padre John Colgan, ao nos dizer que ela floresceu por volta do ano 590, tendo ficado um pouco menos impressionado com o antiquário anglicano do século XVIII, Mervyn Archdall, autor da famosa pesquisa de casas religiosas irlandesas, Monasticon Hibernicum (1786).

Santa Tallulla ou Tuililatha, Virgem e Abadessa de Kildare, Condado de Kildare. [século VI]

      A esposa de Cristo deixa sua casa com seus confortos, suas alegrias e associações felizes, como o pássaro deixa a terra sob ele, subindo em direção aos céus, onde se sente exposto a menos perigo e goza de mais verdadeira liberdade.
     Uma irmã da santa virgem acima mencionada [i.e. Santa Muadhnat] foi Santa Tallulla ou Tulilach. Por Archdall ela é incorretamente chamada Falulla, e aparentemente sem autoridade ele atribui sua eleição de superiora de uma comunidade em 580 d.C.
     Tallulla, abadessa de Cill-Dara, ou Kildare, é mencionada nos Martirológios de Marianus O'Gorman e de Donegal, neste dia. O epíteto ‘virgem’, é afixado em uma menção quase similar no Martirológio de Tallagh no dia 6 de janeiro. Aqui ela é chamada Tuililatha.
     Não se pode determinar se ela precedeu ou sucedeu a Santa Comnat no governo de freiras em Kildare, pois só tomamos conhecimento de que a presente santa abadessa floresceu no ano de 590.

Fontes:
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Etimologia: Talulla, um nome irlandês que constitui uma forma anglicizada do Tuilelaith gaélico; este é composto de tuile (abundância) e flaith (princesa), e pode, portanto, ser interpretado como "princesa da abundância" ou "mulher frutífera".

Festa dos Santos Reis - 6 de janeiro

(continuação)


A estrela que os guiou 
     O referido manuscrito estava na Biblioteca Vaticana havia pelo menos 250 anos, mas não se sabe mais nada de sua proveniência.
     Está escrito em siríaco, língua falada pelos primeiros cristãos da Síria e ainda hoje, bem como do Iraque e do Irã.
     O Prof. Landau acredita que no apócrifo entra muita imaginação. Mas, há uma muito longa descrição das supostas práticas, culto e rituais dos Reis Magos.
     Feitos, pois, os devidos descontos no apócrifo, lemos nele que Set, terceiro filho de Adão, transmitiu uma profecia, talvez recebida de seu pai, de que uma estrela apareceria para sinalizar o nascimento de Deus encarnado num homem.
Prêmio a uma fidelidade de séculos
     Gerações de Magos teriam aguardado durante milênios até a estrela aparecer, confiantes no aviso de Set.
     Mistérios da fidelidade! Milênios aguardando, gerações morrendo na esperança e transmitindo aos filhos o anúncio de um dia remoto em que o mundo receberia o Salvador!
     Segundo o Prof. Landau, o apócrifo diz que a estrela no fim “transformou-se num pequeno ser luminoso de forma humana que foi Cristo, na gruta de Belém”.
     A afirmação não é procedente se a interpretarmos ao pé da letra. Mas, levando em conta o estilo altamente poético do Oriente, poderíamos supor que o brilho da estrela de Belém convergiu no Menino Jesus e desapareceu.
     E, de fato, depois de encontrar o Menino Deus, os Magos não mais viram a estrela. Alertados por um anjo, voltaram por outro caminho às suas terras, como ensina o Evangelho de São Mateus, que não mais menciona a estrela no retorno.
Anúncio dos profetas e juízo de Padres e Doutores da Igreja
     A festa da adoração dos Reis Magos ao Menino Jesus recebeu o nome de Epifania do Senhor. Epifania vem do grego: πιφάνεια que significa “aparição; fenômeno miraculoso”.
     A festa se comemora no dia 6 de janeiro, ou seja, doze dias após o Natal, ou 2 domingos após o Natal, dependendo do calendário litúrgico usado.
     “Andaram as gentes na tua luz e os reis no esplendor do teu nascimento”, profetizou Isaías (Is 60, 3).
     E São Tomás de Aquino explica: ‘Os Magos foram as primícias dos gentios que acreditaram em Cristo. E neles se manifestou, como um presságio, a fé e a devoção das gentes que vieram a Cristo das mais remotas regiões’.
     Santo Agostinho sublinha que eles procuraram com fé mais ardente Àquele que punham de manifesto o clarão da estrela e a autoridade das profecias.
     São João Crisóstomo completa dizendo: “porque buscavam um Rei celeste, embora nada descobrissem nele denotador da excelência real, contudo, contentes com o só testemunho da estrela, adoraram-no”.

Fonte:

Urna dos Reis Magos, Catedral de Colônia, Alemanha

Dado essencial: houve o fenômeno astronômico denominado “estrela de Belém”

     No post anterior referimos a tese do astrônomo Mark Thompson, da Royal Astronomical Society de Londres e apresentador científico da BBC, noticiada por "The Telegraph". Cabe ponderar que essa tese não é a única nos meios científicos.
     Há anos, Werner Keller, num livro muito divulgado e que é digno de uma atualização com as novas descobertas científicas (Werner Keller, “E a Bíblia tinha razão”) recolhe afirmações avalizadas de cientistas de fama universal.
     Pouco antes do Natal, no dia 17 de dezembro de 1603, o famoso matemático imperial e astrônomo da corte, Johannes Kepler, estava em Praga observando, com seu modesto telescópio, a “conjunção” de Saturno e Júpiter na constelação de Peixes.
     Kepler lembrou que segundo o rabino Abarbanel (1437-1508) para os astrólogos judeus o Messias viria por ocasião de uma conjunção de Saturno e Júpiter na constelação dos Peixes.
     Após muitos cálculos, Kepler decidiu-se pela ideia que aquela “conjunção” aconteceu no ano 6 a.C. Mas, a época de Kepler era a dos “filósofos das Luzes”, laicistas e agnósticos, que recusavam a priori tudo o que falasse em favor do cristianismo, e não prestou ouvidos à hipótese do cientista.
     Em 1925, o assiriólogo alemão Paul Schnabel decifrou as anotações cuneiformes da escola astrológica de Sippar, na Babilônia. Nelas encontrou uma nota sobre a conjunção de Júpiter e Saturno cuidadosamente registrada durante cinco meses no ano 7 antes do nascimento de Cristo!
     Para os caldeus, Peixes representava Ocidente e para a tradição judaica, simbolizava Israel e o Messias. Júpiter foi considerado por todos os povos e em todos os tempos a estrela da sorte e da realeza.
     Segundo a velha tradição judaica, Saturno deveria proteger Israel; Tácito comparava-o ao Deus dos judeus. A astrologia babilônia considerava o planeta dos anéis como astro especial das vizinhas Síria e Palestina.
     Uma aproximação esplendorosa de Júpiter com Saturno, protetor de Israel, na constelação do “Ocidente”, do Messias, significava o aparecimento de um rei poderoso no Ocidente, na terra de Israel. E esse foi o motivo da viagem dos magos do Oriente, conhecedores das estrelas! Assim como eles podiam prever os futuros eclipses do Sol e da Lua, souberam prever com exatidão a data da “conjunção” seguinte: o 3 de outubro, data da festa judaica da propiciação.
     Os magos devem ter entrado em Jerusalém em fins de novembro.
     “Onde está o rei dos judeus, que nasceu? Porque nós vimos a sua estrela no Oriente, e viemos adorá-lo. E, ouvindo isso, o Rei Herodes turbou-se, e toda a Jerusalém com ele” (Mateus 2.2, 3).
     Para os conhecedores dos astros do Oriente, essa devia ser a primeira e natural pergunta, e era lógico que produzisse espanto em Jerusalém.
     Herodes era um tirano odiado, fora posto no trono pelos romanos, não era propriamente judeu, e sim idumeu. O anúncio de um rei recém nascido fê-lo temer pela sua soberania.
     O historiador judeu Flávio Josefo informa que, por essa época, correu entre o povo o rumor de que um sinal divino anunciara o advento de um soberano judeu.
     Herodes consultou os príncipes dos sacerdotes e os escribas do povo para indagar onde havia de nascer o Cristo. Estes encontraram no livro do profeta Miquéias:
     “E tu, Belém Efrata, tu és pequenina entre milhares de Judá; mas de ti é que me há de sair aquele que há de reinar em Israel...” (Miquéias 5.2).
     Ouvindo isso, Herodes mandou chamar os magos “e enviou-os a Belém” (Mateus 2.4 a 8).
     Como em 4 de dezembro Júpiter e Saturno se reuniram pela terceira vez na constelação de Peixes, eles “...ficaram possuídos de grandíssima alegria” e partiram para Belém, “e eis que a estrela, que tinham visto no Oriente, ia adiante deles” (Mateus 2.10 e 9).
     Na terceira conjunção, Júpiter e Saturno pareciam fundidos numa grande e rutilante estrela e, no crepúsculo do anoitecer, apareciam no sul, isto apontando o caminho de Jerusalém para Belém. Desta maneira, tinham a brilhante estrela sempre diante dos olhos, e, como diz o Evangelho, a estrela ia “adiante deles”.
     Afinal, temos vontade de perguntar: com o que foi a conjunção de Júpiter: com Saturno, como diz Kepler, ou com Regulus, como diz Thompson?
     A pergunta só poderá ser respondida em definitivo pelos cientistas.
     O mesmo pode se dizer sobre a relativa disparidade das datas. As avançadas hoje por Mark Thompson têm em seu favor a precisão de computadores que Kepler e os astrônomos da Babilônia não dispunham.
     Nós, como simples leigos, entretanto, tiramos uma certeza: é que segundo o que a ciência pôde apurar, uma grande conjunção de astros formou a famosa “estrela de Belém” que conduziu os três Reis até Belém como narra o Evangelho.
     A fé fica pois confortada pela ciência.
     Sobre se foi Saturno ou Regulus, e se os babilônios, Kepler ou os computadores acertaram melhor as datas, os cientistas algum dia se porão de acordo.
     Mas, qualquer que for a solução final, não mudará o fato histórico essencial: a estrela existiu bela e esplendorosa apontando para o local onde o Salvador do mundo haveria de nascer.

Fonte:

Adoração dos Magos, Museu do Vaticano
Sarcófago dos primórdios do Cristianismo


Festa dos Santos Reis - 6 de janeiro



Quem foram os Reis Magos?
     Um antigo documento conservado nos Arquivos Vaticanos lança uma certa luz, embora indireta e sujeita a caução, sobre a pessoa dos Reis Magos que foram adorar o Menino Jesus na Gruta de Belém. A informação foi veiculada por muitos órgãos de imprensa e páginas da internet.
     O documento é conhecido como “A Revelação dos Magos”. Provavelmente seja algum “apócrifo”, nome dado aos livros não incluídos pela Igreja Católica na Bíblia. Portanto, não são “canônicos”, apesar de poderem ser de algum autor sagrado.
     “Canônico” deriva de “Cânon”, que é o catálogo de Livros Sagrados admitidos pela Igreja Católica e que constituem a Bíblia. Este catálogo está definitivamente encerrado e não sofrerá mais modificação.
     Há uma série de argumentos profundos que justificam esta sábia decisão da Igreja.
     Entretanto, uma extrema ponderação em apurar a verdade faz com que a Igreja não recuse em bloco esses “apócrifos” e reconheça que pode haver neles elementos históricos ou outros que ajudem à Fé.
     Por isso mesmo, o Vaticano conserva a maior coleção mundial desses “apócrifos”, e os põe à disposição dos críticos de todas as religiões que queiram estudá-los.
     A Igreja não tem medo de que possa sair qualquer coisa que desdoure a integridade e a santidade da Bíblia. Antes bem, deseja ardentemente encontrar qualquer dado que possa ajudar a melhor compreendê-la.
     O apócrifo “A Revelação dos Magos” aparenta ser um relato de primeira mão da viagem dos Reis do Oriente para homenagear o Filho de Deus. Só recentemente foi traduzido do siríaco antigo. O mérito é do Dr. Brent Landau, professor de Estudos Religiosos da Universidade de Oklahoma, EUA, que dedicou dois anos para decifrar o frágil manuscrito.
     Trata-se de uma cópia feita no século VIII a partir de algum original perdido que, por sua vez, fora transcrito meio milênio antes. Portanto, a fonte original desse apócrifo dos Reis Magos remonta a menos de um século depois do Evangelho de São Mateus.
     O documento levanta questões em extremo interessantes: quem foram ao certo os Reis Magos? Foram três? Quais eram seus nomes? De onde vieram? Por quê?
     Vejamos primeiro o que nos diz a única fonte digna de fé religiosa, o Evangelho de São Mateus:
     “1. Tendo, pois, Jesus nascido em Belém de Judá, no tempo do rei Herodes, eis que magos vieram do oriente a Jerusalém.
     “2. Perguntaram eles: Onde está o rei dos judeus que acaba de nascer? Vimos a sua estrela no oriente e viemos adorá-lo.
     “3. A esta notícia, o rei Herodes ficou perturbado e toda Jerusalém com ele.
     “4. Convocou os príncipes dos sacerdotes e os escribas do povo e indagou deles onde havia de nascer o Cristo.
     “5. Disseram-lhe: Em Belém, na Judéia, porque assim foi escrito pelo profeta:
     “6. E tu, Belém, terra de Judá, não és de modo algum a menor entre as cidades de Judá, porque de ti sairá o chefe que governará Israel, meu povo (Miq 5,2).
     “7. Herodes, então, chamou secretamente os magos e perguntou-lhes sobre a época exata em que o astro lhes tinha aparecido.
     “8. E, enviando-os a Belém, disse: Ide e informai-vos bem a respeito do menino. Quando o tiverdes encontrado, comunicai-me, para que eu também vá adorá-lo.
     “9. Tendo eles ouvido as palavras do rei, partiram. E eis que e estrela, que tinham visto no oriente, os foi precedendo até chegar sobre o lugar onde estava o menino e ali parou.
     “10. A aparição daquela estrela os encheu de profunda alegria
     “11. Entrando na casa, acharam o menino com Maria, sua mãe. Prostrando-se diante dele, o adoraram. Depois, abrindo seus tesouros, ofereceram-lhe como presentes: ouro, incenso e mirra.
     “12. Avisados em sonhos de não tornarem a Herodes, voltaram para sua terra por outro caminho”.(São Mateus, cap. 2, 1ss)
     A narração de São Mateus contém tudo o que é necessário para a Fé. Mas com o beneplácito e a aprovação da Igreja a piedade popular acrescentou muitos outros pormenores, que foram transmitidos por tradição oral e que são aceitos sem contestação.
Caravana dos Reis Magos, Benozzo Gozzoli, detalhe
O que diz a Tradição sobre seu número, condição, proveniência e destino?
     É aqui que entra o papel do grande São Beda, o Venerável (673-735), Doutor da Igreja e monge beneditino nas abadias de São Pedro e São Paulo em Wearmouth, e na de Jarrow, na Nortumbria, Inglaterra.
     São Beda é uma das máximas autoridades dos primeiros tempos da Idade Média pelo fato de ter recolhido relatos transmitidos oralmente pelos Apóstolos aos seus sucessores, e destes aos seguintes.
     São Beda é também considerado como fonte de primeira mão da história inglesa, sendo muito respeitado como historiador. Sua História Eclesiástica do Povo Inglês (Historia Ecclesiastica Gentis Anglorum) lhe rendeu o título de Pai da História Inglesa.
     No tratado “Excerpta et Colletanea”, o Doutor da Igreja assim recolhe as tradições que chegaram até ele: “Melquior era velho de setenta anos, de cabelos e barbas brancas, tendo partido de Ur, terra dos Caldeus. Gaspar era moço, de vinte anos, robusto e partira de uma distante região montanhosa, perto do Mar Cáspio. E Baltasar era mouro, de barba cerrada e com quarenta anos, partira do Golfo Pérsico, na Arábia Feliz”.
     É, pois, São Beda quem por primeira vez escreveu o nome dos três. Nomes com significados precisos que nos ajudam a compreender suas personalidades.
     Gaspar significa “aquele que vai inspecionar”; Melquior quer dizer: “Meu Rei é Luz”, e Baltasar se traduz por “Deus manifesta o Rei”
     Para São Beda – como para os demais Doutores da Igreja que falaram deles – os três representavam as três raças humanas existentes, em idades diferentes.
     Neste sentido, eles representavam os reis e os povos de todo o mundo.
     Também seus presentes têm um significado simbólico. Melquior deu ao Menino Jesus ouro, o que na Antiguidade queria dizer reconhecimento da realeza, pois era presente reservado aos reis. Gaspar ofereceu-Lhe incenso (ou olíbano), em reconhecimento da divindade. Este presente era reservado aos sacerdotes. Por fim, Baltasar fez um tributo de mirra, em reconhecimento da humanidade. Mas como a mirra é símbolo de sofrimento, veem-se nela preanunciadas as dores da Paixão redentora. A mirra era presente para um profeta. Era usada para embalsamar corpos e representava simbolicamente a imortalidade. 
Adoração por Andrea Montegna
   
Desta maneira, temos o Menino Jesus reconhecido como Rei, Deus e Profeta pelas figuras que encarnavam toda a humanidade.
     Em coerência com essa visão, a exegese católica interpreta a chegada dos Reis Magos como o cumprimento da profecia de David:
     “Os reis de Társis e das ilhas lhe trarão presentes, os reis da Arábia e de Sabá oferecer-lhe-ão seus dons. 11. Todos os reis hão de adorá-lo, hão de servi-lo todas as nações”. (Sl. 71, 10-11) (P.S.: na numeração das traduções direto do hebraico, é o Sl. 72, 10-11).
     Alguns especularam que talvez pelo menos um deles veio da terra de Shir (não identificada nos mapas modernos), na antiga China.
     Em livro – escrito a título pessoal, portanto não sendo documento do magistério eclesiástico – Joseph Ratzinger (S.S. Bento XVI) comenta que “a promessa contida nestes textos [N.R.: Salmo 72,10] estende a proveniência destes homens até ao extremo Ocidente (Tarsis, Tartessos em Espanha), mas a tradição desenvolveu posteriormente este anúncio da universalidade aos reinos de que eram soberanos, como reis dos três continentes então conhecidos: África, Ásia e Europa”, segundo informou “Religión Digital” de Espanha.
     A amplidão do leque de possibilidades geográficas fica patente neste comentário.
     Tarsis ou Tartessos ficaria na Andaluzia, Espanha, especificamente em “algum lugar compreendido entre Cádiz, Huelva e Sevilha”. Segundo o “ABC” de Madri, os sevilhanos acham que se Melquior, Gaspar e Baltasar fossem andaluzes teriam se manifestado mais alegremente, teriam cantado “sevilhanas” e levado pandeiros. A reação popular suscita um amável sorriso.
O que foi depois dos Reis Magos?
     De acordo com uma tradição acolhida por São João Crisóstomo, Padre da Igreja, os três Reis Magos foram posteriormente batizados pelo Apóstolo São Tomé e trabalharam muito pela expansão da Fé (Patrologia Grega, LVI, 644).
     A fama de santidade dos Reis Magos chega até os nossos dias. Seus restos são venerados na nave central da Catedral de Colônia, Alemanha, em magnífica urna de ouro e de pedras preciosas que extasia os visitantes.
     As relíquias deles foram descobertas na Pérsia pela imperatriz Santa Helena e levadas a Constantinopla, capital do Império Romano de Oriente.
     Depois foram transferidas a outra capital imperial no Ocidente – Milão –, até que foram guardadas definitivamente na Catedral de Colônia em 1163 (Acta SS., I, 323).
Por que eram "Magos"?
     O nome “mago” era sinônimo de “sábio”. O tratamento dado a eles como grandes eruditos, prudentes e judiciosos, provinha do fato de os sacerdotes da Caldeia serem muito voltados para a consideração dos astros com uma sabedoria que surpreende até hoje.
     A eles devemos o início da ciência astronômica. Sem dúvida, seu caráter de “magos”, reconhecido pelo Evangelho de São Mateus, aponta para a área da civilização caldeia (cujo epicentro foi no atual Iraque, mas incluiu diversos países vizinhos, entre eles o Irã).
     Com a decadência moral, os “magos” caldeus viraram uma espécie de bruxos, divulgadores de toda espécie de superstições.
     Os Três Reis Magos teriam sido os últimos sacerdotes honrados daquele mundo pagão que aspiravam sinceramente conhecer o Salvador.
     Neste caso, foram exemplos arquetípicos do pagão de boa-fé que deseja conhecer a verdadeira religião, e que assim que a encontra adere a ela sem demoras nem restrições.
Foram "Reis"?
     Discute-se também em que sentido podem ser chamados de “Reis”, pois não se lhes conhece a procedência e menos ainda a localização do reino.
     Porém, na Antiguidade, os patriarcas, ou chefes de grandes clãs, ou grupos étnico-culturais, governavam com poderes próprios de um rei, sem terem esse título ou equivalente. E seu reinado se concentrava sobre sua hoste, por vezes nômade.
     São João Damasceno não recusava que eles fossem descendentes de Set, terceiro filho de Adão. E este pormenor nos leva de volta ao “apócrifo” do Vaticano.

(continua)