terça-feira, 10 de setembro de 2019

Beata Maria Celeste Crostarosa, Monja, Fundadora - 11 de setembro

   
     A Beata Maria Celeste Crostarosa transformou em realidade o projeto contemplativo redentorista. Uma mulher ao mesmo tempo forte e terna, devorada pelo fogo do Espírito Santo. Contemplar a ação de Deus em sua vida é uma verdadeira parábola de sabedoria.
     Ela nasceu em Nápoles no dia 31 de outubro de 1696, décima dos doze filhos de José Crostarosa, magistrado e descendente de uma nobre família de Abruzzo, e de Paula Battistini Caldari. Foi batizada no dia 1º de novembro na igreja de São José Maior, com o nome de Júlia Marcela Santa.
     Precoce em inteligência e capacidade de raciocinar, dotada de um caráter decidido e extrovertido, a infância e adolescência de Júlia transcorreu na serenidade abastada de sua casa. Iniciou o aprofundamento de sua vida espiritual, mas não foi isenta de crise; aconselhada pelo Pe. Bartolomeu Cacace conseguiu superar aquela fase.
     Em 1716, aos 20 anos, acompanhou com sua mãe a irmã, Úrsula, ao mosteiro carmelita, recentemente fundado, de Santa Maria das 7 Dores em Marigliano, na província de Nápoles. Decidiu também ficar naquele mosteiro, já que há 3 anos fizera voto de castidade. Em 21 de novembro de 1718 as duas irmãs vestiram o hábito carmelita e iniciaram o noviciado, terminado no ano seguinte. Júlia tomou o nome de Irmã Cândida do Céu.
     Quando o mosteiro foi fechado por causas de força maior, as duas irmãs foram obrigadas a deixar Marigliano, em 16 de outubro de 1723. Depois de uma breve permanência na família, aceitaram o convite do Pe. Tomás Falcoia, das Obras Pias, que havia fundado dois anos antes o mosteiro da Santíssima Conceição em Scala, província de Salermo, ao qual dera a regra da Visitação. Elas se transferiram para lá em janeiro de 1724; Júlia assumiu o nome de Irmã Maria Celeste do Santo Deserto e foi seguida em breve por outra irmã, Joana.
A Beata jovem
     Em 25 de abril de 1725, depois da Comunhão, ocorreu o primeiro dos acontecimentos extraordinários dos quais seria protagonista. Foi revelado a ela como, por seu intermédio, o Senhor introduziria no mundo um novo instituto religioso. Por obediência à mestra de noviças redigiu o texto “Instituto e Regras do Santíssimo Salvador contidos nos Santos Evangelhos”.
     A aprovação foi alcançada depois de um atento exame por parte de um conselho de teólogos napolitanos, solicitado pelo Pe. Falcoia, e em seguida a não poucas dificuldades por parte dos superiores e de algumas coirmãs. Foi determinante, para a solução da contenda, a contribuição de um sacerdote napolitano, Pe. Afonso Maria de Liguori (o santo e doutor da Igreja).
     Em 13 de janeiro de 1731 teve início a Ordem do Santíssimo Salvador, que com a aprovação pontifícia, em 1750, mudará o título para “do Santíssimo Redentor”. Os religiosos são geralmente conhecidos como “Redentoristas”.
     A tantas graças logo sucederam momentos difíceis para Irmã Maria Celeste. Não poucas incompreensões surgiram entre ela, o Pe. Falcoia e a comunidade religiosa. A questão tornou-se mais complicada quando o novo bispo de Scala impôs à fundadora firmar uma nova versão da Regra, não ter mais como diretor espiritual o Pe. Falcoia e não se relacionar com um leigo, Tosquez. De fato, ela foi isolada da comunidade e privada da Eucaristia.
     Devido ao clima pesado que se criara, no mês de maio sua irmã Joana escreveu ao pai: desejava deixar o mosteiro. O Pe. Jorge Crostarosa, jesuíta, foi então para Scala e sugeriu que ela interrompesse seu relacionamento com Tosquez, mas não assinasse as Regras remanejadas, e se contentasse com o confessor ordinário do mosteiro. A conclusão do dissídio chegou no dia 14 de maio de 1733: Irmã Maria Celeste foi expulsa e com ela, voluntariamente, saíram as suas duas irmãs.
     Por 10 dias, de 26 de maio em diante, elas foram hóspedes do mosteiro beneditino da Santíssima Trindade de Amalfi. No mês de junho se retiraram no conservatório dominicano da Santíssima Anunciada em Pareti di Nocera (hoje Nocera Inferior, província de Salermo). Irmã Maria Celeste se tornou superiora e o reformou, exercendo o bem seja dentro como fora dos muros do claustro. O seu novo diretor espiritual, depois de 5 anos, foi Pe. Bernardino Sommantico.
     A pedido do Duque Ravaschieri de Roccapiemonte, em 7 de novembro de 1735 partiu novamente para uma tentativa de fundação. A sua comunidade se transferiu para o novo conservatório do Santíssimo Salvador em 4 de outubro de 1739, onde, em 26 de março de 1742, ocorreu a vestição de oito jovens. Finalmente Irmã Maria Celeste podia atuar segundo o que lhe fora inspirado, guiando as coirmãs, mas também as jovens que vinham ser educadas no mosteiro com equilíbrio e responsabilidade.
     Para ela a vida das monjas devia ser uma perfeita imitação da vida de Cristo; em consequência, a comunidade religiosa era concebida como “viva memória” de Seu amor redentor. O critério fundamental que as devia inspirar era a essência bebida na familiaridade com o Evangelho e concretizada no doar-se sem reserva ao próximo, como escrito na Regra. 
    Além da estima de Santo Afonso Maria de Liguori, Irmã Maria Celeste gozava da amizade do jovem irmão redentorista Gerardo Maiella (ele também canonizado, conhecido entre nós como São Geraldo Magela) e de todo o povo de Foggia, que a chamava “a santa priora”. Por volta de 1750, aconselhada por seu diretor espiritual escreveu sua autobiografia, fonte de numerosos detalhes sobre sua história pessoal.
     Sua existência terrena se encerrou em 14 de setembro de 1755 no mosteiro de Foggia, enquanto o sacerdote que a assistia, lendo a Paixão segundo São João, chegara às palavras “Consummatum est” – “Está consumado”.
     Além da autobiografia, Madre Maria Celeste deixou um substancioso epistolário que completa o quadro de sua personalidade e permite observar sua vida interior. Como resultado de suas 14 obras ascéticas é considerada uma das maiores místicas italianas do século XVII.
     Na realidade, Madre Maria Celeste é uma grande desconhecida, entretanto, por sua obra e seus escritos merece um lugar de destaque na história da espiritualidade católica. Fundadora da Ordem do Santíssimo Redentor (Comunidades Contemplativas Redentoristas) em 1731, e inspiradora da Congregação do Santíssimo Redentor (Missionários Redentoristas) fundada por Santo Afonso Maria de Liguori em 1732, as comunidades redentoristas se expandiram pelo mundo todo, levando seu canto, louvor e serviço.
     A Beata dava uma importância extraordinária ao Evangelho como fonte primeira de inspiração tanto para o Instituto como para sua vida espiritual. Meditações sobre o Advento, Natal e Quaresma são valiosa ajuda para nos aproximar do Mistério de Cristo através da contemplação dos mistérios de Sua vida. Madre Maria Celeste vai percorrendo os textos do Evangelho e comentando os parágrafos para nos ajudar a aprofundá-lo e a nos encontrarmos com Deus, o Deus encarnado em Jesus Cristo por amor de nós.
     Graças a sua fama de santidade, de 9 de julho de 1879 ao 1º de julho de 1884, foi introduzido um processo informativo, seguido pelo decreto da Congregação dos Ritos em 11 de agosto de 1901. A validade jurídica do processo apostólico foi reconhecida em 21 de maio de 1999.
     Os cardeais e bispos membros da Congregação para a Causa dos Santos, na sessão ordinária de 7 de maio de 2013, reconheceram que a Serva de Deus exerceu em grau heroico as virtudes teologais, cardeais e anexas. Em 3 de junho de 2013 o papa Francisco autorizou a promulgação do decreto sobre a heroicidade das virtudes.
     Em 14 de dezembro de 2015 foi promulgado o decreto sobre o milagre ocorrido pela intercessão de Madre Maria Celeste. A beatificação foi celebrada no dia 18 de junho de 2016, em Foggia, conduzida pelo Cardeal Amato como enviado do papa.
     A memória litúrgica da Beata Maria Celeste Crostarosa, para as monjas redentoristas e os padres redentoristas fundados por Santo Afonso, é o dia 11 de setembro.

http://es.catholic.net/op/articulos/6078/cat/171/maria-celeste-crostarosa.html

As Filhas da Beata no Brasil
     Duas jovens brasileiras transpuseram os mares para ingressar no Mosteiro Redentorista de Bruges, Bélgica:  Helena Isnard (Irmã Maria Tereza do Menino Jesus) e Irmã Maria Luiza do Coração de Jesus. Elas regressaram ao Brasil no dia 14 de junho de 1921; o grupo das fundadoras desembarcou no Rio de Janeiro:  Madre Maria Clemente, Irmã Maria Verônica, Irmã Maria Tereza do Menino Jesus, Irmã Maria Luiza do Sagrado Coração de Jesus.
     Inicialmente as religiosas se instalaram em Vassouras – RJ e se transladaram para Itu – SP em fevereiro de 1924.
     Em março de 1952, a Irmã Maria Letícia da Virgem Misericordiosa, com outras irmãs oriundas de Itu, fundou o Mosteiro do Imaculado Coração de Maria na cidade de Belo Horizonte – MG.
     Em 22 de maio de 1969, Madre Letícia fundou, com algumas irmãs, o Mosteiro da Santa Face e do Puríssimo e Doloroso Coração de Maria, em Diamantina, que foi transladado em 1970 para Campos, onde chegaram em 26 de julho; por fim, este Mosteiro foi transladado para São Fidélis – RS, onde as Irmãs chegaram no dia 28 de dezembro de 2003.
     Para maiores detalhes sobre Madre Maria Letícia, vide post deste blog em 2 maio 2015.

Postado neste blog em 10 de setembro de 2017

sábado, 7 de setembro de 2019

Natividade de Nossa Senhora - 8 de setembro

    

     Do nascimento da gloriosíssima Mãe de Deus, Maria, Senhora nossa, a Santa Igreja tem, em uma antífona, estas palavras: “Vossa natividade, ó Virgem e Mãe de Deus, trouxe gozo e alegria ao mundo inteiro. Porque de vós nasceu o Sol de justiça, Cristo nosso Deus, o qual, desfazendo a maldição (debaixo da qual estávamos compreendidos), lançou sua copiosa bênção sobre nós e, vencendo e matando a morte, nos deu a vida sempiterna e perdurável”. Com efeito, “festejando solenemente o nascimento da Virgem Maria, a Igreja canta a aurora da Redenção, a aparição, no mundo, daquela que devia ser a Mãe do Salvador”.
     Recordando tudo o que anunciava este nascimento, a Igreja exulta e pede a Deus um aumento de graças de paz, trazidas aos homens pelo mistério da Encarnação” (Missal romano quotidiano, D. Gaspar Lefebvre).
Onde nasceu Nossa Senhora?
     Essa pergunta, versando sobre tema muito caro aos católicos, por diversas razões não encontra fácil resposta.
     Para entender a escassez de informações nos primeiros séculos da Igreja, sobre a vida de Nossa Senhora, convém levar em conta as particularidades daquela época.
     O mundo pagão, por efeito da decadência em que se encontrava, era politeísta, ou seja, os homens adoravam simultaneamente vários deuses. Os pagãos não achavam ilógico nem absurdo que houvesse várias divindades, ou que elas não fossem perfeitas. Pior ainda. Consideravam normal que os deuses dessem exemplo de devassidão moral, sendo, por exemplo, adúlteros, ladrões ou bêbados. Obviamente, nem todos os deuses eram apresentados como subjugados por esses vícios, mas o fato de haver vários deles nessas condições tornava imensamente árduo para os pagãos entender a noção católica do verdadeiro e único Deus, de perfeição infinita.
     Por isso a primitiva Igreja teve muito cuidado ao apresentar Nossa Senhora como Mãe de Deus, pois aqueles povos, com forte influência do paganismo, rapidamente tenderiam a transformá-la numa deusa. Somente após a queda do Império Romano do Ocidente e a sucessiva cristianização dos povos começou a Igreja – que nunca negou a importância fundamental da Virgem Santíssima na história da salvação – a colocar Nossa Senhora na evidência que lhe compete e a exaltar suas maravilhas. E com isso, a fazer um bem indescritível às almas dos fiéis.
     É fácil compreender por que nesse longo período, cerca de 400 anos, muitas informações a respeito da Santíssima Virgem tenham se perdido e outras se encontrem em fontes não inteiramente confiáveis. Não obstante, a Tradição da Igreja conservou fielmente aqueles atributos d’Ela que eram necessários para a integridade da fé dos católicos. O essencial foi transmitido, e, para um filho que ama sua Mãe, qualquer dado a respeito d’Ela é importante.
     Entre esses dados, sobre os quais um véu de mistério permaneceu, está o local em que nasceu Nossa Senhora.
Belém, Seforis ou Jerusalém
     Três cidades disputam a honra de ter sido o local de nascimento da Mãe de Deus. (1) A primeira é Belém. Deve-se essa tradição ao fato de Nossa Senhora ser de estirpe real, da casa de Davi. Sendo Belém a cidade de Davi, foi essa a razão pela qual São José e a Virgem Santíssima – ambos descendentes do Profeta-Rei – dirigiram-se àquela localidade, por ocasião do censo romano que ordenava a todos registrarem-se no lugar originário de suas famílias. Por isso, o Menino Jesus nasceu em Belém, e é aclamado, no Evangelho, como Filho de Davi. O principal argumento dos que sustentam a tese de que Nossa Senhora nasceu em Belém encontra-se num documento intitulado De Nativitate S. Mariae, incluído na continuação das obras de São Jerônimo.
     Outra tradição assinala a pequena localidade de Seforis, poucos quilômetros ao norte de Belém, como o local do nascimento da Virgem. Tal opinião tem como base que, já na época do Imperador Constantino, no início do século IV, foi construída uma igreja nessa localidade para celebrar o fato de ali terem residido São Joaquim e Santa Ana, pais de Nossa Senhora. Santo Epifânio menciona tal santuário. Os defensores de outras hipóteses assinalam que o fato de os genitores da Virgem Santíssima terem morado lá não indica necessariamente que Nossa Senhora haja nascido naquela localidade.
     A hipótese que congrega maior número de adeptos é a de que Ela nasceu em Jerusalém. São Sofrônio, Patriarca de Jerusalém (634-638), escrevendo no ano 603, afirma claramente ser aquela a cidade natal de Maria Santíssima. (2) São João Damasceno defende a mesma posição.
A festa da Natividade
     Na Igreja católica celebramos numerosas festas de santos. Havendo, felizmente, milhares de santos, comemoram-se milhares de festas. Ocorre que não se celebra a data de nascimento do santo, mas sim a de sua morte — correspondendo ao dia da entrada dele na vida eterna. Somente em três casos comemoram-se as festas no dia do nascimento: Nosso Senhor Jesus Cristo (Natal); o nascimento de São João Batista; e a natividade da Santíssima Virgem.
     A festa da Natividade era celebrada no Oriente católico muito antes de ser instituída no Ocidente. Segundo uma bela tradição, tal festa teve início quando São Maurílio a introduziu na diocese de Angers, na França, em consequência de uma revelação, no ano 430. Um senhor de Angers encontrava-se na pradaria de Marillais, na noite de 8 de setembro daquele ano, quando ouviu os anjos cantando no Céu. Perguntou-lhes qual o motivo do cântico. Responderam-lhe que cantavam em razão de sua alegria pelo nascimento de Nossa Senhora durante a noite daquele dia. (3)
     Em Roma, já no século VII, encontra-se o registro da comemoração de tal festa. O Papa Sérgio tornou-a solene, mediante uma grande procissão.
     Posteriormente, Fulberto, Bispo de Chartres, muito contribuiu para a difusão dessa data em toda a França. Finalmente, o Papa Inocêncio IV, em 1245, durante o Concilio de Lyon, estendeu a festividade para toda a Igreja.
Comemoração na atualidade
     Por uma série de motivos curiosos, a festa da Natividade é celebrada muito especialmente na Itália e em Malta. Sendo o povo italiano muito vivo e propenso a celebrações familiares, não surpreende esse fato.
     Em Malta, a principal comemoração da festa consiste numa solene procissão na localidade de Xaghra. (4)
     Na cidade de Florença, no dia da festa, numerosas crianças dirigem-se ao rio Arno levando pequenas lanternas, que são colocadas na água e lentamente vão atravessando a cidade.
     Na Sicília, na localidade de Mistretta, a população celebra a festa representando um baile entre dois gigantes. À primeira vista, pareceria que isto nada tem a ver com o fato histórico. Mas ele corresponde a uma tradição: foi encontrada uma imagem de Santa Ana com Nossa Senhora ainda menina. Levada à cidade, a imagem misteriosamente retornou ao local onde havia sido achada, e os habitantes julgaram que só poderia ter sido levada por gigantes. Proveio dessa lenda o costume.
     Em Moliterno, ao contrário, existe o lindo e pitoresco costume de as meninas da localidade fixarem pequenas candeias nos chapéus de seus trajes típicos. Em determinado momento desaparecem as outras luzes e só permanecem as das meninas, que executam uma dança regional.
     Curiosamente, em muitas localidades as luzes desempenham papel determinante na festa. Podemos conjeturar uma razão para o fato: a Natividade de Nossa Senhora representou o prenúncio da chegada ao mundo da Luz de Justiça, Nosso Senhor Jesus Cristo.
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Notas:
1. www.enciclopediacatolica.com  
2. Nuevo Diccionario de Mariologia, Ediciones Paulinas.
3. La fête angevine N.D. de France, IV, Paris, 1864, 188.
4. http://www.gozo.gov.mt/generalactivity (The Nativity of Our Lady in Xaghra 
Fontes: www.catolicismo.com.br - Valdis Grinsteins;
https://ipco.org.br/08-09-natividade-de-nossa-senhora/



sexta-feira, 6 de setembro de 2019

Alta nobreza na atitude de uma mulher

    
     Um desses exemplos me caiu recentemente nas mãos, com a leitura das memórias da Grã-duquesa Maria Pavlovna da Rússia (*), prima-irmã do último czar Nicolau II. Nascida em 1890, ela viveu durante o auge da crise do Império Russo, passando pela Primeira Guerra Mundial, e finalmente pelas trágicas convulsões da revolução comunista. Com muita dificuldade ela conseguiu escapar da Rússia, ao mesmo tempo que os bolcheviques massacravam os membros da nobreza, inclusive seu próprio pai.
     O período que nos interessa compreende a grande guerra de 1914-18. Como muitas mulheres da mais alta nobreza, a grã-duquesa Maria se engajou como voluntária para o serviço de enfermaria das tropas russas. Exerceu essa função com máximo empenho, durante quase todos os quatro anos do terrível conflito. No início, como simples auxiliar de enfermagem, e depois como enfermeira, procurando ocultar sua identidade para poder trabalhar em qualquer tarefa que lhe fosse requisitada, além de evitar lisonjas ou louvores. Depois, como seu prestígio e experiência aumentassem, assumiu o comando de um importante hospital de campanha.
     Um pequeno episódio revela como, apesar de ser prima do imperador, Maria não procurava ostentar sua posição diante das tropas. No início da guerra, em uma aldeia perto do front de batalha, acabara de chegar um oficial com a mão ferida. Ao ver o grupo de enfermeiras, das quais uma era a princesa, ele perguntou:
     — Irmãzinhas, não tereis por acaso uma atadura limpa para trocar o meu curativo?
     O oficial não distinguiu a grã-duquesa entre as enfermeiras. O tratamento que ele usou (irmãzinhas) para se dirigir a elas se explica pelo fato de as enfermeiras se trajarem à maneira de freiras. Maria se ofereceu de imediato para trocar o curativo. Enquanto o fazia, outro militar se aproximou sem que ela percebesse, e perguntou:
     — Vossa Alteza Imperial permite que eu a fotografe?
     Confusa, a princesa-enfermeira voltou-se, reconheceu o militar, e suplicou:
    — Não, não faça isso, pelo amor de Deus!
    Logo ela notou que a mão ferida da qual cuidava começou a tremer. O oficial ferido examinava-lhe atentamente o rosto, abaixando o olhar mais de uma vez, antes que o curativo estivesse concluído. A princesa permanecia em silêncio.
     — Permite-me agora que lhe pergunte quem é? Indagou o oficial.
     Maria não via mais motivos para ocultar seu nome, e após a revelação, o ferido outra vez lhe perscrutou o rosto em silêncio, e repentinamente ajoelhou-se na calçada, diante de todos, tomou nas mãos a barra do vestido da princesa e o osculou. Ela mesma conta que ficou perturbadíssima; e sem olhar para o oficial, sem despedir-se, fugiu em direção à farmácia.
     Este belo fato revela muito mais do que a manifestação do respeito e admiração dos russos pelos membros da nobreza. Também não se trata apenas de um episódio no qual a força militar — a força física, diríamos — reconhece a superioridade de uma frágil enfermeira. Há no episódio algo mais revelador da mentalidade do russo, que a própria grã-duquesa explicita em suas memórias:
     “A atitude dos soldados em relação a nós [enfermeiras] era profundamente tocante. Dir-se-ia que personificávamos para eles tudo o que lhes era caro, tudo o que lhes tocava o coração. Com nossas toucas brancas, representávamos de certo modo esse ente feminino superior, no qual se reúnem as qualidades de mãe e de esposa completadas pelas de religiosa, concepção especialmente apreciada pelo povo russo”.
     Aí está! A superioridade feminina se expressa justamente naquilo que ela tem de autêntico. Superioridade essa invariavelmente rejeitada pelas feministas radicais de hoje. 


(*) Memórias, Maria, grã-duquesa da Rússia, Livraria José Olympio Editora, Rio de Janeiro, sem data de publicação.

Fonte: 




terça-feira, 3 de setembro de 2019

Beata Angela Maria (Jeanne) Littlejohn, Virgem e mártir - 3 de setembro



     Jeanne Littlejohn nasceu em Túnis, Tunísia, em 22 de novembro de 1933, filha de Guillaume Littlejohn, de origem maltesa, que se casara em segundas núpcias com a italiana Viola Simone. Quando seu pai morreu em 1941, ela e seus irmãos foram recebidos no colégio interno: o único homem nas Filhas da Caridade, as três mulheres nas Irmãs Missionárias de Nossa Senhora dos Apóstolos, em Túnis.
     Ao completar quinze anos, em 28 de maio de 1948, ela recebeu a Confirmação na paróquia do Sagrado Coração de Túnis. Algum tempo depois, Jeanne voltou às irmãs que ela já conhecia, para ser uma delas. Para verificar a genuinidade de sua vocação, ela foi enviada por um ano para Lourdes, em 1956. No final desse período, foi admitida no postulado na casa mãe de Vénissieux, perto de Lyon. Na profissão religiosa ela mudou seu nome para Irmã Angèle-Marie.
     Irmã Angèle-Marie permaneceu na casa-mãe até os votos temporários, emitidos em 8 de setembro de 1959. Foi então enviada para Bouzaréah, nos arredores de Argel, onde as Irmãs mantinham um orfanato e um colégio para jovens: ela cuidava das alunas mais jovens e ensinava as mais velhas, já tendo se tornado particularmente hábil nas rendas tradicionais da Argélia, que ela ensinava às meninas.
     Em 1964, quando a Escola de Artes de Argélia em Belcourt foi aberta, por causa dessa habilidade ela foi admitida como instrutora de bordados, ali permanecendo até sua morte. No ano seguinte, 8 de setembro de 1965, ela fez os votos perpétuos. Juntamente com as duas irmãs da pequena comunidade da qual ela fazia parte, visitava as famílias das estudantes, preocupando-se com as suas ausências e garantia que durante o exame as meninas fossem julgadas corretamente.
     Ela era circunspecta, mas, se necessário, sabia expressar sua alegria como as mulheres argelinas, que muitas vezes a convidavam para as festas de casamento e a viam dançando com elas. Paciente, íntima e simples com as meninas, ela desejava incutir nelas o amor pela arte, por um trabalho bem feito; ela falava na língua delas. A Irmã Angèle-Marie se sentia profundamente ligada à Argélia, aos seus habitantes, à sua missão, compartilhando com este povo as alegrias e as tristezas.
     As ameaças aos estrangeiros, entretanto, tornavam-se cada vez mais frequentes. Diante dos riscos que se prenunciavam, a Irmã Angèle-Marie reagiu com a oração, como escreveu: "Estou triste, desamparada, rezo a Nossa Senhora dos Apóstolos na missa cotidiana, na oração, no Rosário e na amizade de pessoas".
     O Padre Bonamour, sacerdote da paróquia, falava do perigo. A superiora geral das Irmãs Missionárias de Nossa Senhora dos Apóstolos perguntou às suas irmãs na Argélia se elas queriam sair ou ficar. Irmã Angèle-Marie escolheu a segunda opção: “Para testemunhar a Jesus. Não tenho medo, porque estou com Ele e com a Santa Virgem. No final desses dias de oração e reflexão escolhi ficar”.
     Afinal, as pessoas do bairro as amavam: "Bom dia, mamães", saudavam quando passavam na rua para ir ao mercado. Elas respondiam com um sorriso: "Bom dia, filhinhos!".
     No dia 3 de setembro de 1995, a Irmã Angèle-Marie e sua superiora, Irmã Bibiane Leclercq, foram à missa nas freiras salesianas. À uma irmã que manifestou seu medo da violência, Irmã Angèle-Marie responde: "Não devemos ter medo. Só temos que viver bem no momento presente... O resto não nos pertence". Às 19h15, elas deixaram a capela das freiras e voltavam para casa. Chegando à altura do número 92 da Via Benlouzaïd, na qual moravam no número 105, foram atingidas por tiros. Elas haviam tomado as precauções necessárias, mas era óbvio que alguém as perseguira.
     As duas Irmãs Missionárias de Nossa Senhora dos Apóstolos foram incluídas na causa que contava dezenove candidatos aos altares, todos religiosos, mortos de 1994 a 1996, durante os chamados "anos negros" da Argélia. Seu inquérito diocesano ocorreu em Argel, de 5 de outubro de 2007 a julho de 2012.
     Em 26 de janeiro de 2018, o Papa Francisco autorizou a promulgação do decreto relativo ao martírio dos dezenove religiosos. Sua beatificação foi celebrada em 8 de dezembro de 2018 no santuário de Nossa Senhora de Santa Cruz em Oran, presidida pelo cardeal Angelo Becciu, prefeito da Congregação para as Causas dos Santos, como enviado especial do Santo Padre.
     A memória litúrgica de todo o grupo foi marcada para 8 de maio, o dia do nascimento no céu dos dois primeiros mortos, Irmão Henri Vergès e Irmã Paul-Hélène Saint-Raymond.

Argel, capital da Argélia

     Argel, com uma população de mais de um milhão de habitantes, ao norte da África é a capital da Argélia, o segundo maior país da África. No século IV havia neste país entre 600 e 700 bispos católicos.
    Santo Agostinho, um dos maiores santos da Igreja, era argelino. Os árabes aí impuseram a religião islâmica a partir do século VII. Hoje o Islamismo é a religião do estado, praticada por 98% da população. Nas quatro dioceses argelinas não há mais que cerca de 60.000 católicos.
    Em Argel encontra-se um célebre santuário mariano dedicado à Nossa Senhora da África. Duas mulheres foram as idealizadoras deste templo: Margarida Bergezio e Anna Cuiquien, francesas, de origem italiana. Elas acompanharam o bispo Dom Pavy, em 1846, para dedicarem-se às obras sociais que o mesmo bispo fundara na Argélia. Quando ali chegaram as missionárias não encontraram nenhum santuário mariano. Por isso colocaram uma pequena imagem da Virgem sob uma oliveira nas proximidades de Argel. Pouco a pouco o lugar se transformou num centro de peregrinação por parte de numerosos devotos de Nossa Senhora. As piedosas mulheres recolheram dinheiro e construíram uma capela provisória em 1857.
    O atual santuário foi concluído em 1872 sobre um promontório que domina o mar e a cidade de Argel. Numerosos são os peregrinos que o visitam. Há milhares de ex-votos espalhados nas paredes. Não apenas católicos, como também muçulmanos, especialmente as mulheres, vêm de todas as partes para rezar ante à imagem da Santíssima Virgem, chamada em árabe de “Lalla Mariam”.

Escola de bordado árabe Luce Ben Aben I, Argel, Argélia 
    Esta impressão fotocrômica do interior de uma escola de bordado em Argel é parte das “Imagens de pessoas e lugares na Argélia”, do catálogo da Detroit Publishing Company (1905).
     Em 1845, a francesa Eugénie Luce (1804 a 1882) abriu uma escola para garotas muçulmanas em Argel que tinha como objetivo educar as jovens locais nos moldes europeus. Ela incluiu o ensino de bordado no currículo, assim como francês e outras disciplinas. 
     Em 1861, a administração franco-argelina retirou o financiamento da escola. A ênfase da escola passou então de educação geral para bordado e treinamento para o comércio. O artesanato tradicional feminino na Argélia, assim como a tecelagem, o bordado e a fabricação de tapetes, havia sofrido com a concorrência dos produtos importados feitos à máquina; a Escola Luce Ben Aben buscou trabalhar contra os efeitos dessa tendência. Em 1880, a neta de Madame Luce, Madame Ben-Aben, dirigia a escola.

Vista parcial de Bouzaréah
Fontes:
https://www.santiebeati.it/
https://19martyrs.jimdo.com/mgr-claverie-et-ses-18-compagnons/qui-sont-ils/jeanne-littlejohn-sœur-angèle-marie/

domingo, 1 de setembro de 2019

Santa Colomba, Eremita – 1° de setembro

    
Santa Colomba representada junto à Nossa Senhora, tendo a esquerda seu irmão S Berardo
     Muito impressiona aos hagiógrafos o elenco de famílias inteiras de santos, desde o início da expansão do Cristianismo e mais especialmente os nobres e os governantes no período glorioso da Idade Média; o fenômeno é mais evidente nos países anglo-saxões, mas também na Itália houve muitos casos.
     Um dos casos mais famosos é o da família dos condes de Pagliara, próximo de Castelli, na província de Teramo. Eram desta família São Berardo, bispo de Teramo e padroeiro da cidade, sua irmã é Santa Colomba e seus irmãos os santos Nicolau e Egídio.
     Os Pagliara tinham o título de conde, talvez herdado dos antigos condes Marsi e eram os senhores do Vale Siliciano, que abrangia um vasto território no Grand Sasso, Itália.
     Berardo, já monge beneditino e sacerdote em Montecassino, se retirou no famoso Mosteiro de São João em Venere, Abruzzo, e dali foi chamado para a sede episcopal de Teramo.
     De seus irmãos, Nicolau e Egídio, só se sabe que eles são mencionados em uma breve citação, juntamente com Santa Colomba, por estudiosos hagiográficos, como os Bollandistas, constituídos pelo jesuíta belga Jean Bolland (1596-1665) para compilar o 'Acta Sanctorum'.
     Na mesma citação, no dia 1º de setembro, Santa Colomba é lembrada como uma jovem condessa de Pagliara que nasceu em 1100; retirou-se jovem para viver como ermitã nas encostas do Monte Infornace (Grand Sasso).
     A caverna onde ela viveu e morreu está localizada a meio caminho de um penhasco, no qual está esculpido um sinal dizendo "pente de Santa Colomba", em memória do uso pela jovem de um pente para manter seus longos cabelos; nas proximidades existe a impressão de uma mão na rocha, que recorda o fato da Santa ter se apoiado ali ao escalar a montanha íngreme.
     Os dois "sinais" estão ligados ao culto das pedras, ainda florescente em Abruzzo, incluindo a presença de um buraco milagroso, existente sob o altar da igreja dedicada a Santa Colomba, construída pelo Bispo Berardo, seu irmão, após sua morte ocorrida no inverno de 1116, então tinha apenas 16 anos; os devotos acreditam que ao introduzir a cabeça no buraco podem ser curados de algumas doenças.
     A capela foi abençoada em 1216 por Santo Atanásio, bispo de Penne. No dia 1º de setembro comemora-se a sua festa.

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     A Ermida de Santa Colomba está situada a 1250 metros acima do nível do mar, no sopé do Monte Infornace. Tem acesso por Pretara através de um bom caminho. Segundo a tradição, neste lugar, no século XII, Santa Colomba, filha dos condes de Pagliara e irmã de São Berardo, abandonando o conforto do castelo, se retirou em oração e penitência.
     Entre as legendas que cercam a vida da santa, as mais comuns são as que falam da impressão de sua mão em uma rocha, que pode ser encontrada no caminho até o eremitério e o do chamado "pente de Santa Colomba" que, para alguns, seria uma série de incisões paralelas (como os dentes de um pente) sobre uma rocha plana na vizinhança da Ermida.
     Santa Colomba morreu, amorosamente assistida por seu irmão, o futuro bispo de Teramo. Em 1595 seus restos mortais foram transferidos para a Igreja de Santa Lúcia e só em 1955 a imagem de Santa Colomba, e os seus restos sagrados, foram transferidos para a capela de Pretara.
     A igreja, recentemente restaurada, possui uma alvenaria de pedra calcária coberta com gesso cimentício de grão grande e uma torre sineira à vela posicionada na linha do telhado de duas águas. Dentro da base do altar e do afresco com a imagem da Madona e do Menino Deus devem ser observados.
     O interior é de forma trapezoidal, com o presbitério elevado em dois degraus. No altar, está a imagem de Santa Colomba e ao lado dela está uma abertura que abrigava as relíquias do Santa.
     A igreja foi restaurada recentemente. Em uma placa colocada em uma parede, lê-se "ANNO DOMINI MDCXXXXVII SACERDOS D. ROMANO DUS TATTONUS INSULANUS CARITATE SUIS MANIBUS FECIT HOC OPUS. FR. IO. PATRIMÔNIO MINISTÉRIO”. Do lado de fora, acima da porta da frente, outra placa diz: "À SANTA COLOMBA, CONDESSA DE PAGLIARA E IRMÃ DE SÃO BERARDO BISPO DE TERAMO, O POVO DE PRETARA EM RECORDAÇÃO DO CENTENÁRIO DO ENCONTRO DOS RESTOS MORTAIS DA SANTA RAINHA DAS NOSSAS MONTANHAS. PRETARA 1º DE SETEMBRO DE 1992. H. MT.1234".
    Em 1º de setembro ocorre a festa da Santa e a igreja se torna um local de encontro de muitos devotos que vêm homenageá-la. Muitos vêm para admirar, segundo uma lenda antiga, a rocha onde está estampado o pente da Santa, outros para descansar a cabeça no buraco que tira a dor de cabeça, outros para admirar as maravilhosas e milagrosas cerejeiras que a Santa fez florescer em pleno inverno para homenagear seu irmão São Berardo.

                                                                                                             
http://www.santiebeati.it/dettaglio/92314.

Postado neste blog em 1º de setembro de 2015

sexta-feira, 30 de agosto de 2019

Beata Catarina Francisca Cerona de Novara, Clarissa – 31 de agosto


    

     A Beata Catarina Francisca também é chamada de Cerona ou Clarinha de Novara. Viveu entre os séculos XIV e XV; desde sua juventude ela amava o silêncio e o afastamento do mundo.
     Depois de fazer um voto de virgindade absoluta, ela entrou na Ordem das filhas de Santa Clara, em um mosteiro das Clarissas Pobres do Piemonte.
     Sabemos que ela morreu em 31 de agosto de 1455 com fama de santidade, tanto que seus biógrafos, conhecendo a reputação que possuía na cidade, não hesitaram em chamá-la de "beata".
     A Beata é lembrada no dia de sua festa, marcada para 31 de agosto.



Fonte: https://www.santiebeati.it/

quinta-feira, 29 de agosto de 2019

Santa Sabina (ou Sabrina), Mártir – 29 de agosto

    
      Patrícia do século II, foi decapitada por causa da Fé.  
     No século II, a perseguição aos cristãos foi atenuada durante o reinado de Trajano, política seguida por seu sucessor Adriano. Somente quando denunciados os cristãos eram martirizados.
     A serva de Sabina, Seráfia, convertera ao Cristianismo sua senhora, que era filha de Herodes Metalário e viúva do senador Valenciano. Com esta, à noite, Sabina ia às catacumbas onde os cristãos se reuniam clandestinamente para fugir das perseguições imperiais.
     Seráfia foi denunciada e, como era costume, deveria prestar homenagem aos deuses romanos. Como ela se recusasse, foi entregue a dois homens para que a violassem. Ela foi preservada por uma intervenção divina que causou súbita doença em seus algozes, o que fez com que Seráfia fosse denunciada por bruxaria e depois apedrejada até a morte. Sabina recuperou seus restos e os fez enterrar no mausoléu da família, o local onde ela própria esperava ser enterrada.
     Denunciada, Sabina foi acusada de ser cristã por um tal Elpídio, prefeito, sofrendo o martírio por volta do ano 125 d.C., na cidade de Vindena, na região da Úmbria, Itália.
     As relíquias das duas mártires, junto com as de Alessandro, Evenzio e Teodulo, se encontram na Basílica de Santa Sabina all’Aventino, fundada em 425 d.C. por Pietro d’Illiria, sobre os escombros de um antigo "Titulus Sabinae" (talvez a santa, além de ser patrona, foi também fundadora e protetora).
     Em 1219, São Domingos fundou no local a sua Ordem. Ainda se pode ver sua cela transformada em capela. No claustro do convento se pode admirar o pé de laranja que o Santo plantou quando da fundação da Ordem dos Pregadores. Até o mais célebre dos dominicanos ensinou nesse convento.
     Santa Sabina é representada com um livro, a palma e a coroa. Com estes dois últimos atributos aparece em uma das primeiras representações (século VI) na Igreja de Sant’Apollinare Nuovo em Ravenna.
     Sua festa passou a ser celebrada em 29 de agosto, data tradicional de sua morte.


Basílica de Santa Sabina
     É uma igreja histórica localizada no Monte Aventino, em Roma, Itália. É a basílica menor titular e igreja mãe da Ordem dos Pregadores, conhecidos como Dominicanos.
     A Basílica de Santa Sabina está situada bem acima do rio Tibre, ao norte, e do Circus Maximus, a leste. Fica ao lado do pequeno parque público Giardino degli Aranci ("Jardim das Laranjas"), que possui um terraço panorâmico com vista para Roma. Fica a uma curta distância da sede dos Cavaleiros de Malta
     Santa Sabina é a mais antiga basílica romana existente em Roma que preserva sua original planta retangular com colunatas e estilo arquitetônico. Suas decorações foram restauradas para seu design original. Outras basílicas, como Santa Maria Maggiore, geralmente são decoradas de maneira pesada e vistosa. Devido à sua simplicidade, Santa Sabina representa a passagem de um fórum romano coberto para as igrejas da Cristandade. É especialmente famosa por suas portas de madeira esculpida no século V, com um ciclo de cenas cristãs (18 atualmente restantes) que é uma das primeiras a sobreviver.
     Santa Sabina foi construída por Pedro de Ilíria, entre 422 e 432, perto de um templo de Juno no Monte Aventino, em Roma. A igreja foi construída no local das primeiras casas imperiais, uma das quais se diz ser de Sabina, a matrona romana originária de Avezzano, na região de Abruzzo, na Itália. Sabina foi decapitada sob o imperador Vespasiano, ou talvez Adriano, porque havia sido convertida ao cristianismo por sua serva Seráfia, que foi apedrejada até a morte. Mais tarde, ela foi declarada santa cristã.
     No século IX, foi fechada em uma área de fortificação. O interior foi amplamente renovado por Domenico Fontana em 1587 e por Francesco Borromini em 1643. O arquiteto e historiador de arte italiano Antonio Muñoz restaurou a aparência medieval original da igreja (que servia como lazaretto desde 1870). A torre sineira foi construída no século X e refeita no período barroco.
     A igreja foi sede de um conclave em 1287, embora os prelados tenham deixado a igreja depois que uma praga matou seis deles. Eles retornaram à igreja somente em 1288, em fevereiro, elegendo Nicolau IV como papa.


Fontes:
http://www.santiebeati.it/