terça-feira, 14 de abril de 2020

Santa Liduina (ou Ludovina) de Schiedam, Virgem - 14 de abril


       Santa Liduína (Ludovina, Lydwina) de Schiedam, cuja vida foi escrita no começo do século XX por J. K. Huysmans, é uma vítima expiatória. Esse conhecido escritor francês, convertido no final do século XIX dos mais profundos antros da anti-Igreja – como ele próprio o narra em seu livro “Là-Bas” – descreveu a vida dessa santa, apoiando-se em biografias escritas pouco depois de sua morte, por três religiosos que a conheceram muito de perto e acompanharam a impressionante ascensão de sua vida espiritual.
     Sem as mencionadas fontes – bastante fidedignas –, dado o teor tão extraordinário da existência de Santa Liduína, dificilmente se conceberia a série de catástrofes físicas, de intervenções sobrenaturais e preternaturais que semearam a vida dessa virgem holandesa. Pareceu-nos oportuno focalizar aqui alguns aspectos da vida dessa alma expiatória, infelizmente pouco conhecida até mesmo nos ambientes católicos.
     É, pois, baseado duas fontes (*) que apresentaremos traços dessa vida extraordinária.
     O período que decorreu entre o fim da Idade Média até o precipitar-se da Europa “nessa cloaca desenterrada do paganismo, que foi a Renascença” (Huysmans, op. cit., pág. 51), consistiu numa das eras mais conturbadas da História.
     As consequências religiosas e políticas desse estado de coisas foram catastróficas. Três Pontífices, em determinado momento, eleitos cada qual por um grupo de Cardeais, lançavam-se reciprocamente excomunhões e anátemas, dilacerando a unidade do Corpo Místico de Cristo, sendo apoiados por reis e senhores, na medida em que serviam aos interesses de cada um.
     Entrementes, pretendentes a uma mesma coroa, se entre digladiavam, recorrendo a todos os meios – inclusive aos assassinatos mais monstruosos e às alianças mais desonrantes – para atingir seus objetivos. E, à semelhança dos líderes espirituais e civis, os subordinados lutavam entre si em sangrentas guerras fratricidas.
     Para contrapor-se a tal situação apocalíptica, a Providência suscitou vários santos, entre os quais São Vicente Ferrer, Santa Catarina de Siena, Santa Brígida. E, como que pregada, durante 38 anos em seu leito de dor, Santa Liduína de Schiedam.
     Schiedam é uma simpática cidadezinha da Holanda, próxima ao local onde o Rio Mosa se espraia no Mar do Norte. Foi ela escolhida, no Domingo de Ramos de 1380, para ser o berço de um dos mais gloriosos florões da hagiografia católica, Santa Liduína.
     Liduína nasceu nessa pequena cidade, em 18 de março de 1380, um Domingo de Ramos. Como um costume dos tempos antigos, a menina foi batizada no mesmo dia, tendo recebido dos pais, Pedro e Petronília, o nome de Liduína, que significa sofrer largamente, um anúncio da grande missão que teria durante a vida.
     Liduína era a única mulher entre oito irmãos de uma família pobre, mas humilde e temente a Deus. Seus pais a educaram dentro de um grande amor a Deus e à Igreja e desde cedo se manifestou na menina a devoção à Nossa Senhora. 
     Conta-se que uma imagem da Virgem seria transportada de Schiedam para outra cidade e sendo muito pesada, os mais robustos marinheiros não a conseguiram embarcar no navio. Todos os que viram esse prodígio perceberam que Deus não queria que a imagem fosse retirada dali. Sendo colocada em uma Igreja, todos os dias a menina Liduína ia visitá-la passando longas horas, o que chegava a afligir sua mãe.
     Um dia, tendo demorado mais que o costume, sua mãe aflita a repreendeu por sua longa ausência e ela disse: “Mãezinha, não te zangues, fui saudar Nossa Senhora, ela me sorriu e me saudou também”. Um dos mais belos sinais de predileção e amor que essa jovem já alcançara de Deus e da Virgem Maria.
     A jovem crescia em estatura e encantadora beleza, o que atraiu muitos pretendentes da região, que procuraram seu pai para pedi-la em casamento. Não é de admirar, pois, que seu pai a quisesse desposar com algum pretendente abastado, o que poderia ser de auxílio ao guarda noturno, cuja única riqueza consistia de sua imensa prole. Mas a jovem Liduína já possuía no coração o desejo ardente de entregar-se somente a Deus e só a Ele possuir como esposo. Ela já consagrara a Deus sua virgindade.
     Percebendo que sua aparência seria um contínuo obstáculo aos seus desejos, recorreu ao seu Celeste Esposo suplicando-lhe arrebatasse a beleza física para afastar os pretendentes. Suas preces foram ouvidas muito além do que ela pedira. Em breve contraiu moléstia que a tornou cadavérica, olhos fundos, pele macilenta e esverdeada. Começava assim para Liduína o sublime martírio que duraria até o fim de sua vida.
Vítima reparadora
     Não é possível narrar, nos limites de um artigo, todos os tormentos físicos, morais e espirituais de Santa Liduína. Para se ter uma ideia, foi ela atingida por todas as moléstias conhecidas então, com exceção da lepra, considerada infamante por privar os que dela se contagiassem do convívio humano. E Liduína deveria ser apóstola em seu leito de dor.
     Nenhum dos mais famosos médicos de seu tempo pode explicar a causa das diversas doenças que tomaram o corpo da pobre santa. Um espetáculo de horrores foi o que se transformou seu corpo, coberto de chagas, de vermes, de feridas que causavam dores horríveis e assim o Corpo de Cristo foi glorificado através dos inúmeros casos de milagres que se realizaram através de sua santa intercessão.
     Um dos mais célebres médicos de seu tempo afirmou: “Não há médico no mundo que cure esta doença, porque ela é obra de Deus. Deus operará tais maravilhas nesta criatura, que eu daria o peso de ouro pela cabeça dela, para ser pai de semelhante filha”.
     Com o corpo roído por vermes, transformado numa imensa pústula – que, atestando sua origem sobrenatural, emanava suave perfume – padeceu ela durante 38 anos. Nos primeiros quatro anos de suas doenças, Liduína gemeu sob o peso dos sofrimentos, sem consolações e sem compreender sua razão. Desejava fugir deles, e perguntava a Deus porque a tratava tão duramente.
     Um sacerdote veio então em seu auxílio, ensinando-a a oferecer seus sofrimentos em reparação pelos pecados do mundo. Nesse sentido, deveria ela meditar continuamente os mistérios de nossa Redenção, fazendo companhia a Nosso Senhor.
     A partir de então, uma vida nova abriu-se para ela. Compreendeu que sua missão era a de ser vítima expiatória, e que deveria reparar a Justiça Divina pelas graves e imensas ofensas contra Ela cometidas.
     Mais tarde, o próprio Nosso Senhor far-lhe-ia compreender melhor sua missão, apresentando-lhe a situação da Europa naquele momento. ...
     “Vê”, disse-lhe Cristo. “E, sobre um fundo de incêndios, percebeu ela, debaixo da conduta de loucos coroados, a matilha solta dos povos. Eles se massacravam e se pilhavam sem piedade. Mais ao longe, em regiões que pareciam pacíficas, ela considerava os claustros transtornados pelas intrigas de monges infiéis, o clero que traficava com a Carne de Cristo, que vendia em leilão as graças do Espírito Santo. Ela surpreendeu as heresias, os sabbats nas florestas, as missas negras”.
     Em contrapartida, para que Liduína compreendesse não estar só, mostrou o Redentor uma falange de santos que por toda a parte se sacrificava, pregava e reformava, procurando restaurar a integridade do Corpo Místico de Cristo e a Cristandade, como São Bernardino de Siena, São Lourenço Justiniano, São Nicolau de Flue, Santa Joana D`Arc, São João de Capistrano e tantos outros.
     Os sofrimentos passaram a ser para ela uma necessidade. O que importavam seus males, se com eles reparava a Deus e evitava que um número maior de pessoas se precipitasse no inferno?
     A par dos crescentes sofrimentos, começou ela a gozar graças místicas tão assinaladas, que exclamava: “As consolações que sinto são proporcionais às provações que suporto, e eu as acho tão requintadas, que não as trocaria por todos os prazeres da terra”.
     Algumas dessas graças consistiram na marca dos sagrados estigmas de Nosso Senhor em sua carne, e em padecer com Ele os tormentos da Paixão. As visitas celestes se lhe tornaram familiares, bem como a visão contínua de seu Anjo da Guarda, que não só a levava em espírito aos lugares da terra santificados pela presença de nosso Divino Salvador, ou em que se passassem fatos marcantes para a vida da Igreja, mas também ao Purgatório e mesmo ao inferno. Levada igualmente ao Paraíso, foi muitas vezes obsequiada pela Santíssima Virgem, convivendo com Anjos e Santos.
     A santa só se alimentava da Sagrada Comunhão e assim viveu durante os 17 últimos anos de sua vida, mesmo sangrando através das feridas do seu corpo, a ausência de água e comida não a prejudicavam, pois se alimentava do Corpo de Cristo. E sua vida foi exemplo de paciência e caridade, doando seus poucos bens aos pobres e indigentes, oferecendo tudo que a ela doavam, como sinal de grande virtude e caridade. Até sua cama deu aos pobres, tendo passado os últimos dias sobre uma tábua coberta de palhas.
     Embora todo seu corpo, com exceção da cabeça e do braço esquerdo, estivesse paralisado, movia ela, não só pelo sofrimento, mas também por palavras, parte da História de seu tempo. Seu humilde quarto, onde jazia imóvel sobre um leiro de palhas, recebeu a visita de inúmeras autoridades civis e eclesiásticas, de religiosos e de seculares de todas as camadas sociais. Sua casa tornou-se não só um local de peregrinação, mas um verdadeiro hospital para as almas. Deus a favoreceu com o dom de milagres e com o espírito profético.
     Até que chegou o dia em que o inverno da provação passou e a primavera da eternidade aparece e ilumina as terríveis dores de Santa Liduína. Jesus a chama: “Vem, esposa minha, já passou o inverno; já se foram as chuvas; eis a primavera. Vem que serás coroada no alto do Sanir e do Hermom”. Quando a roseira estivesse totalmente florida, chegaria o dia em que Santa Liduína cantaria o aleluia com os anjos no céu.
O último milagre
     Santa Liduína faleceu em 1432, aos 53 anos de idade. Antes de começar sua agonia, apareceu-lhe Nosso Senhor Jesus Cristo acompanhado da Santíssima Virgem, dos doze Apóstolos e de uma multidão de Anjos e Santos. Servido pelos Anjos, o Divino Salvador tomou os santos óleos e ministrou-lhe a Extrema Unção. Depois, tomando uma vela que um Anjo Lhe apresentou, colocou-a nas mãos de Liduína, apresentando-lhe também o crucifixo, que ela osculou amorosamente, suplicando ao Salvador que lhe permitisse, até o momento em que sua alma se desligasse do corpo, sofrer tudo o que fosse necessário para que ela, então, pudesse ir contemplá-Lo face a face no Céu.
     Essa graça lhe foi concedida. Dois dias depois expirou, assistida apenas por seu sobrinho de 12 anos. Catarina Simon, sua fiel enfermeira, viu sua alma ser recebida por Nosso Senhor no Paraíso Celeste.
     Enquanto isso, na terra, seu corpo consumido pelas moléstias e pelos sofrimentos, readquiria, no momento da morte, o frescor e a beleza que Liduína possuíra aos 15 anos de idade.
     Seu sepulcro foi durante muitos anos lugar de romarias e peregrinações. Até que se iniciaram as terríveis perseguições protestantes, e o corpo da Santa foi transportado para o Carmelo de Bruxelas, onde está até hoje. Algumas relíquias estão em Schiedam, para a visitação dos peregrinos.
     Em 1890, o Papa Leão XIII elevou Santa Liduína ao altar e autorizou o seu culto para o dia da sua morte. Pequena flor no clássico país das flores, a Holanda, Santa Liduína é o exemplo daqueles que querem completar em seu corpo as chagas e as dores que faltavam no Corpo de Jesus. Assim como Jesus, no Horto das Oliveiras, exclamou ao Pai: “Afasta de mim este cálice! Contudo, não se faça o que eu quero, senão o que tu queres”. E partilhando desse intenso desejo, Santa Liduína amou, sofreu e viveu para Seu Amado.

(*) em “Saint Lydwine de Schiedam” (Libraire Plon, Lon-Nourrit et Cie., Imprimeurs-É-diteurs, Paris, 1901) e “Histoire Universelle de l`Église Catholique”, do Abbé Rohrbacher (Gaume Frères, Libraires, Paris, 1845, tomo XXI),
Fonte: Jornal Catolicismo – Janeiro de 1981, pág. 2

Postado neste blog em 12 de abril de 2012 (outra versão)

sábado, 11 de abril de 2020

Beata Helena Guerra, Fundadora - Festejada 11 de abril

   
      A cidade de Lucca na Etrúria (Itália) orgulha-se de ter sido o berço de Santa Gema Galgani (também comemorada hoje) e da Beata Helena Guerra. Ali veio ela ao mundo aos 23 de junho de 1835 em parto prematuro.
      Seus pais, Antônio Guerra e Faustina Francheschi, ilustres por nascimento e muito mais por suas virtudes, colocaram a filha sob a proteção de Santa Zita, honra insigne da mesma cidade, e procuraram incutir-lhe a verdadeira piedade desde os mais tenros anos. Foi educada em casa com professores particulares para que o límpido espelho da sua alma não fosse embaciado por possíveis más companhias.
      A 5 de julho de 1845 recebeu o sacramento da Confirmação. O Espírito Santo tomou posse daquela alma infantil, infundindo-lhe os seus dons. É que nos desígnios divinos esta menina estava predestinada para ser uma grande apóstola da devoção à Terceira Pessoa da Santíssima Trindade. Com efeito, impulsionada pelo mesmo Espírito Santo, dedicou-se a estudar latim para poder ler a Sagrada Escritura e os Santos Padres.
      Reuniu um grupo de amigas e com elas formou a associação das "Amizades espirituais" com o fim de se ajudarem mutuamente no caminho da virtude e se dedicarem à salvação das almas. Fundou, ademais, os "Jardins de Maria", isto é, uma associação em que as jovens do campo cultivassem com empenho uma determinada virtude para oferecer como flor à Mãe de Deus. Deu a essa associação o nome de Filhas de Maria.
      Levada do desejo de cuidar dos pobres, filiou-se às Conferências de S. Vicente de Paulo. E quando a cólera-morbo atacou as redondezas de Lucca, ela não deixou de atender as vítimas da peste.
     Em abril de 1870, Helena participa de uma peregrinação pascal em Roma juntamente com seu pai, Antônio. Entre outros momentos marcantes, a visita às Catacumbas dos Mártires confirma nela o desejo pela vida consagrada. Em 24 de abril, assiste na Basílica de São Pedro a terceira sessão conciliar do Vaticano I, na qual vinha aprovada a Constituição “Dei Filius” sobre a Fé. A visita ao Papa Pio IX a comoveu de tal maneira que depois de algumas semanas, já em Lucca, no dia 23 de junho, fez a oferta de toda a sua vida pelo Papa.
      No ano de 1871, depois de uma grande noite escura, seguida de graças místicas particulares, reuniu na própria casa um grupo de jovens que, depois de muitos sofrimentos e contratempos, deram começo, em 1882, à Congregação das Irmãs de Santa Zita, dedicada a educação cultural e religiosa da juventude, que mais tarde tomou o nome de Oblatas do Espírito Santo, pois a vocação da Beata era praticar e difundir a devoção ao Divino Paráclito. É neste período que Santa Gema Galgani se tornará “sua aluna predileta”.
     Em 1886, Helena sentiu o primeiro apelo interior a trabalhar de alguma forma para divulgar a devoção ao Espírito Santo na Igreja.
     De 1895 a 1903, movida pelo Espírito Santo, ela recorreu ao Papa Leão XIII, escrevendo-lhe doze cartas confidenciais pedindo uma renovação da pregação sobre o Espírito Santo. Nos seus diferentes escritos ao Sumo Pontífice, ela exortava-o a convidar os fiéis a redescobrir o que é uma vida vivida sob a ação do Espírito Santo. Na sua oração, ela pedia uma renovação da Igreja, a unidade dos cristãos, uma renovação da sociedade e por isso mesmo "uma renovação da face da terra".
     O Papa Leão XIII, amavelmente solicitado pela mística de Lucca, dirigiu à toda Igreja alguns documentos que são como uma introdução à vida segundo o Espírito Santo e que podem ser considerados também como o início do “retorno ao Espírito Santo” dos tempos atuais: o breve “Provida Matris Charitate” de 1895; a Encíclica “Divinum Illud Munus” em 1897 e a carta aos bispos “Ad fovendum in christiano populo”, de 1902.
     Em outubro de 1897, Helena foi recebida em audiência por Leão XIII, que a encorajou a prosseguir o apostolado pela causa do Espírito Santo e autorizou também a sua Congregação a mudar de nome, para melhor qualificar o carisma próprio na Igreja: Oblatas do Espírito Santo.
     No seu coração, havia a ideia de um Pentecostes permanente. Dizia ela: “O Pentecostes não terminou; de fato é sempre Pentecostes em todos os tempos e em todos os lugares, porque o Espírito Santo deseja ardentemente dar-se a todos os homens e, aqueles que o desejam, podem recebê-lo sempre; portanto não temos nada a invejar aos Apóstolos e aos primeiros cristãos; nós só temos que nos dispor, como eles, a recebê-lo bem e Ele virá a nós como veio a eles”.
     Para pedir esta renovação, a Beata Helena teve também a ideia de um movimento mundial de oração segundo o modelo do Cenáculo de Jerusalém, onde Jesus celebrou a última Ceia. Ela declarava: "Oh, se de todos os lugares da Cristandade se pudesse elevar ao Céu uma oração tão unânime e fervorosa como a do Cenáculo de Jerusalém, para reacender o fogo do Espírito Divino!"
     A Beata tinha cumprido sua missão. Mas antes de partir, no dia 11 de abril de 1914, teve que se associar de perto aos sofrimentos e humilhações de Cristo. Caluniaram-na de tal forma, que foi forçada a abandonar o cargo de Superiora da Congregação que fundara, e ficar reduzida ao silêncio durante anos. Verificou-se nela a sentença do Mestre: "Se o grão de trigo, caindo na terra, não morrer, fica só, mas se morre, dá muito fruto".
      Aceitou a humilhação com paciência e espírito de fé. A glorificação tinha que vir rapidamente. Assim sucedeu com a beatificação a 26 de abril de 1959. O Papa João XXIII a definiu “Apóstola do Espírito Santo dos tempos modernos”, assim como Santa Maria Madalena foi a apóstola da Ressurreição e Santa Maria Margarida Alacoque a apóstola do Sagrado Coração.
      “A vinda do Espírito Santo no Cenáculo foi como o beijo da reconciliação dado por Deus à humanidade redimida no sangue de Jesus” (Beata Helena Guerra)

Fontes: Santos de cada dia, Pe. José Leite, S.J., 3a. ed. Editorial A.O. - Braga;

Publicado neste blog em 10 de abril de 2012

quinta-feira, 9 de abril de 2020

Maria I da Inglaterra: na Quinta-feira Santa, dia do Lava-pés, ela lava os pés das pobres


     ... e na Quinta-feira Santa, às 3 horas da tarde, a rainha mais serena realizou a Cerimônia de Lava-pés, assim: Sua Majestade sendo acompanhada pelo reverendo e pelo Conselho, entrou em um grande salão, cuja cabeça era o Lorde Bispo de Ely como Decano dos capelães da rainha, com os coristas da capela de sua majestade. Ao redor deste salão, de ambos os lados, estavam sentados em bancos, com os pés em banquetas, muitas mulheres pobres, no número de quarenta e um, sendo esse o número dos anos da rainha mais serena. Então, um dos servos da Corte lavou o pé direito de cada uma dessas pessoas pobres, e essa função também seria desempenhada pelo Under Almoner, e também pelo Grand Almoner, que é o Bispo de Chichester, em seguida sua Majestade deu início à cerimônia da seguinte maneira:
     Na entrada do salão havia um grande número de damas principais e nobres damas da corte, e elas se prepararam vestindo um avental de linho comprido que chegava ao chão e, em volta do pescoço colocaram uma toalha, nas duas pontas das quais pendiam pendentes em toda a extensão de cada lado, cada uma delas carregando um jarro de prata e tinham flores nas mãos, a rainha também sendo organizada da mesma maneira. Sua Majestade ajoelhou-se diante da primeira das mulheres pobres e pegando na mão esquerda o pé direito da mulher, lavou-o com a mão direita, secando-o muito bem com a toalha que pendia do pescoço, e depois de assinalá-lo com a cruz, ela beijou o pé com tanto fervor que parecia beijar algo muito superior. Ela fez o mesmo com todas as mulheres pobres e todas elas, uma a uma, que cada uma das damas atendentes lhe deram, por sua vez sua bacia, jarro e toalha, e juro que em todos os seus movimentos e gestos ela parecia agir assim, não apenas dentro da cerimônia, mas com grande sentimento e devoção. Entre essas manifestações, houve uma notável: ao lavar os pés, ela percorreu toda a extensão daquele longo corredor, de um extremo ao outro, sempre de joelhos.
     Depois de terminar e de se levantar, ela voltou ao salão principal e começou a dar a cada uma das mulheres pobres uma grande travessa de madeira, com comida suficiente para quatro pessoas, cheia de grandes pedaços de peixe salgado, dois pães grandes, e assim ela foi pela segunda vez distribuir essas esmolas.
      Em seguida, ela voltou pela terceira vez, para recomeçar dando a cada uma das mulheres uma tigela de madeira cheia de vinho, após o que, pela quarta vez, ela voltou e deu a cada uma dessas pessoas pobres um tecido da mistura real para roupas.
     Depois, retornando pela quinta vez, deu a cada uma um par de sapatos e meias; pela sexta vez, deu a cada uma delas uma bolsa de couro contendo quarenta e um centavos, de acordo com o número de seus próprios anos, e que em valor pode chegar a mais da metade de uma coroa de ouro italiana; finalmente, voltando pela sétima vez, ela distribuiu todos os aventais e toalhas que tinham sido usados por aquelas damas e nobres damas, no número quarenta e um, dando cada um com sua própria mão.
     Sua Majestade então saiu do salão para tirar o vestido que ela usava, e meia hora depois ela voltou, sendo precedida por um atendente carregando o referido vestido, e assim ela passou duas vezes pelo salão, examinando de perto todas as mulheres pobres uma a uma, e depois retornando pela terceira vez, ela deu o dito vestido àquele que era de fato a mais pobre e a mais velha de todas; e este vestido era do melhor tecido púrpura, forrado com pelo de marta e com mangas tão compridas e largas que chegavam ao chão.
     Durante esta cerimônia, os coristas cantaram o Miserere, com alguns outros salmos, recitando a cada verso as palavras: “In diebus illis mulier quæ erat in civitate peccatrix”.

Calendário de Documentos e Manuscritos de Estado Relativos a Assuntos Ingleses, existentes nos Arquivos e Coleções de Veneza: e em Outras Bibliotecas do Norte da Itália, vol. 6, parte 1, pág. 434 - 435.
A história acima do Lava-pés [da rainha Mary I] de 1556 é apresentada em parte em uma carta datada de 3 de maio de 1556. Foi escrita por Marco Antonio Faitta, secretário do Cardeal Reginald Pole (então legado papal na Inglaterra e que deveria ser seu último primaz católico romano), ao Dr. Ippolite Chizzola, um Doutor em Divindade, em Veneza.


Rainha Maria tocando os doentes com a moeda dourada chamada anjo. A ilustração data do reinado da Rainha Maria


     Maria I da Inglaterra (1516-1558) foi a primeira rainha da Inglaterra a reinar por direito próprio. Buscando restaurar o catolicismo na Inglaterra, ela perseguiu centenas de protestantes.
     Maria I da Inglaterra ou Maria Tudor nasceu no Palácio de Placentia, em Greenwich, Inglaterra, no dia 18 de fevereiro de 1516. Foi a única filha de Henrique VIII com sua primeira esposa, Catarina de Aragão a chegar à vida adulta. Era neta de Henrique II, fundador da Dinastia Tudor.
     Educada por sua mãe e instrutores, ela se dedicou ao estudo da música e da linguagem. Em 1525, com 9 anos, foi proclamada Princesa de Gales e foi enviada para morar na fronteira Galesa, época em que seu pai já tentava negociar um casamento para a filha.
     Em 1527, quando Henrique VIII solicitou a anulação de seu casamento com Catarina para se casar com Ana Bolena, na esperança de ter um filho varão, Maria foi declarada bastarda, e privada de usufruir do título de princesa. Maria jamais admitiu sua ilegitimidade da dinastia e se negou a entrar para um convento.
     Depois de três anos casado com Ana Bolena, com quem teve mais uma filha, Elizabeth, e ainda sem um filho varão, Henrique VIII acusa Ana Bolena de adultério e manda executá-la. Oferece perdão a Maria, com a condição de que ela o reconhecesse como chefe da Igreja da Inglaterra. Maria aceitou a exigência, aconselhada por seu primo Carlos V da Espanha. Desse modo, obteve o direito de sucessão depois do filho varão do pai.
     Após a morte de Henrique VIII, em 1547, herdou o trono, Eduardo VI, com apenas 9 anos, filho de Henrique VIII e Jane Saymor, sua terceira esposa. A regência do trono fica nas mãos de seu tio Eduard Seymour. O rei Eduardo VI permaneceu no trono entre 1547 e 1553.
     Ainda em 1547, foram introduzidas novas reformas na liturgia eclesiástica, como a substituição do latim pelo inglês. Maria não aceitou as novas reformas e sofreu perseguições, só escapando graças à intervenção de Carlos V.
     Com a morte de Eduardo VI, os nobres ingleses tentaram impor ao trono Lady Jane Grey, a neta da irmã mais nova de Henrique VIII, conforme acordo secreto de Eduardo e seus assessores. Mas a rebelião foi dominada e Maria proclamada rainha da Inglaterra e Irlanda, a primeira rainha reinante e por direito próprio.
     No início, Maria I reconheceu o dualismo religioso estabelecido por seu pai, mas com forte formação católica, Maria I desejava restabelecer o catolicismo na Inglaterra. Iniciou abolindo várias leis promulgadas por seu meio-irmão Eduardo VI. Mandou prender alguns bispos protestantes, mesmo à custa de cruéis perseguições, quando 300 protestantes foram queimados, o que lhe valeu o cognome de “Maria a Sanguinária”.
     Em 1554, com 37 anos, para assegurar a restauração religiosa, e precisando de um herdeiro católico, para evitar que o trono caísse nas mãos de sua meia-irmã e protestante Elizabeth, Maria I casa-se com o sobrinho e rei católico, Filipe II da Espanha, filho de Carlos V. O casamento de Maria I com um rei católico indignou os ingleses.
     O casamento com o rei espanhol não deixou herdeiros, e o rei passou pouco tempo na Inglaterra. Desastrosamente Filipe II aboliu o comércio inglês com as colônias portuguesas e espanholas. Declarou guerra à França e arrastou a Inglaterra para o conflito militar, o que custou para a Inglaterra a área de Calais, o último vestígio de possessões continentais da Inglaterra.
     Sem filhos, aflita e doente, Maria I faleceu em St. James Palace, em Londres, no dia 17 de novembro de 1558. Foi sepultada na Abadia de Westminster. Foi sucedida por sua meia-irmã Elizabeth I.


segunda-feira, 6 de abril de 2020

Venerável Madre Maria Teodora Voiron


“Façamos o maior bem que pudermos, da maneira mais oculta possível”.

     Há 185, no dia 6 de abril de 1835, nascia Luísa Josefina Voiron – o nome de batismo da Madre Maria Teodora Voiron – em Chambéry, França. Era a filha mais velha do casal Cláudio Voiron e Catarina Héritier, simples agricultores que deram uma esmerada educação católica aos seus cinco filhos.
     Com apenas dez anos, sofreu a primeira grande perda, com o falecimento de sua mãe. Abraçou a grande responsabilidade de ajudar seu pai a criar os irmãos menores. O pai, preocupado com a educação das meninas, resolveu matriculá-las no Instituto que as Irmãs de São José tinham acabado de fundar. Luísa Josefina logo despertou a atenção das religiosas pela bondade com que tratava a todos.
     Aos quinze anos, sentiu um forte chamado para a vida religiosa e resolveu buscar ajuda junto à Madre Superiora Maria Felicidade Veyrat, que a orientou a rezar e pedir ao Espírito Santo que confirmasse sua decisão. Dois anos depois, no dia 17 de dezembro de 1852, Luísa entrou para o noviciado da Congregação das Irmãs de São José, adotando o nome Irmã Maria Teodora.
     Em 1854, a região de Sabóia foi infectada pela cólera morbus. Irmã Maria Teodora, juntamente com outras irmãs, ajudou os doentes como voluntária. Durante dois meses elas passam por muitas dificuldades, o medo de se contaminar era grande, mas a fé era maior e nenhuma irmã adoeceu.
     Dom Antônio Joaquim de Mello, Bispo de São Paulo, ituano, desejava ter um colégio para educação das famílias paulistas. Entrou em contato com Madre Maria Felicidade, na França, e esta ficou encarregada de escolher as religiosas para uma tão importante missão no Brasil. Em 1858, designou sete Irmãs, tendo como superiora Madre Maria Basília. A viagem era árdua e a Madre faleceu dois dias antes de chegar ao Brasil, sendo seu corpo lançado ao mar.
     As seis primeiras Irmãs chegaram a São Paulo no dia 30 de julho de 1858. No dia 4 de outubro, após uma viagem penosíssima num carro de boi, chegaram a Itu, sendo recebidas com grande entusiasmo pelo povo. As Irmãs se instalaram temporariamente no prédio da Santa Casa de Misericórdia de Itu até que fossem concluídas as obras do colégio.
     Irmã Maria Teodora foi escolhida para substituir Madre Basília, e no dia 29 de março de 1859 começava a viagem. No dia 24 de maio chegava à Baía da Guanabara, e a Itu na tarde de 15 de junho de 1859. Muito bem acolhida por todas as irmãs, ela só não agradou ao bispo, que a achava jovem demais para ser superiora, pois contava apenas 24 anos, e decidiu que Madre Justina seria superiora.
     Passados alguns meses, D. Antônio procurou Irmã Maria Teodora e lhe confiou o cargo de superiora. Isso aconteceu no dia 13 de novembro, dia da festa de Nossa Senhora do Patrocínio, e dia da inauguração do colégio que recebeu este nome.
     Madre Maria Teodora Voiron teve grande importância no campo da educação na cidade e no país. Trabalhou muito pelo ensino através do Colégio Nossa Senhora do Patrocínio, que foi a primeira instituição de educação católica feminina da Província de São Paulo.
     Madre Maria Teodora não entendia a escravidão no Brasil, e querendo quebrar as barreiras do preconceito da sociedade na época, realizou um enorme prodígio abrindo uma escola gratuita, no próprio Colégio Patrocínio, para as meninas escravas. Cuidou também da formação religiosa das escravas adultas.
Igreja de Na. Sra. do Patrocinio
     Durante 62 anos Madre Voiron esteve à frente das obras das Irmãs de São José no Brasil, no início como superiora e depois como Provincial. Ela abraçou numerosas obras de caridade como: orfanatos, asilos, hospitais, leprosários, escolas para meninas pobres, enviando suas religiosas para várias cidades do interior de São Paulo, como Campinas, Taubaté, Franca, Piracicaba, Jaú, Guapira, inclusive a capital, São Paulo, onde fundou o Colégio São José.
     Em 1871, enviou para São Paulo um grupo de Irmãs para assumirem a missão da saúde na Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, e para o Seminário de Educandas Na. Sra. da Glória, uma escola pública que cuidava de alunas órfãs e pobres.
     No decorrer dos anos muitas jovens brasileiras também ingressaram no Instituto e se dedicaram às obras tão necessárias neste imenso País.
     A Madre enfrentou momentos difíceis, como intrigas, calúnias e até perseguições. Chegaram até a enviar notícias falsas para a Superiora Geral na França. Durante a “questão religiosa” no Brasil, no final do Império, aprisionaram Frei Dom Vital que tinha sido Capelão do Colégio do Patrocínio. Em uma viagem à França, Madre Voiron fez questão de ir visitá-lo na prisão, apesar das autoridades virem-na com maus olhos por causa disto.
Na. Sra. do Patrocínio
     Aos 85 anos Madre Voiron teve o fêmur fraturado em consequência de uma queda. A partir daí, a cadeira de rodas foi seu único meio de locomoção. Mas, não deixou de participar cotidianamente dos atos religiosos. No ano seguinte, 1921, pediu e obteve demissão do cargo de Provincial.
     Madre Voiron faleceu em 17 de julho de 1925 com 90 anos. Seus restos mortais encontram-se sepultados no interior da Igreja do Patrocínio, onde são visitados por milhares de pessoas.
     Logo após sua morte, vários milagres foram relatados. Mais de 30 mil cartas já chegaram à comunidade do Patrocínio testemunhando casos de cura, sucesso no trabalho, proteção contra acidentes, encontro de pessoas desaparecidas etc. Mas ainda não há uma documentação oficial de nenhum destes casos. O processo de beatificação de Madre Teodora já está em Roma, necessitando apenas de uma graça comprovada por médicos e pela Santa Igreja, para que ela seja beatificada.
    Em 1989, João Paulo II concedeu a Madre Teodora o título de Venerável.
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     “Dom Antônio Joaquim de Mello escreveu à Madre Geral alguns meses depois de ter reconhecido nessa “jovem... em circunstâncias tão delicadas... que sua maturidade, sua discrição e sua prudência eram a toda prova”. (¹)
     “O Capelão de Itu, em 1894, escreveu à Madre Geral: ‘Seu (de suas Irmãs do Brasil) Anjo visível foi, desde longos anos, e ainda é, Madre Maria Teodora... É uma das mulheres mais sábias que conheço, respeitadas por todos’...” (²)
     “Durante muito tempo, a questão econômico-financeira foi um pesadelo para Madre Maria Teodora; após longos procedimentos, o Padre Hubbaner, Redentorista, conseguiu fazer aprovar uma Sociedade de Educação Popular e Beneficência, dotada de personalidade jurídica, da qual Madre Voiron foi presidente até o fim do seu Provincialato. No ano de 2011, esta Sociedade completou 100 anos. Madre Maria Teodora foi prudente na escolha das suas colaboradoras. Amadurecia por muito tempo suas decisões. Ela consultava antes de agir. ‘Depois de ter refletido e rezado, decidi assim. Sou lenta para tomar uma decisão, mas quando a tomei, não volto atrás’, dizia ela. Foi sempre feliz em seus empreendimentos. Graças à sua prudência, as Obras da Província nunca estiveram em perigo”. (³)

(¹) Cf. Vozes do Patrocínio, ano 63, Itu 2010, nº 162; (²) idem; (³) idem.

Postado neste blog em 5 de abril de 2011

sábado, 4 de abril de 2020

Santa Etelburga de Kent, rainha e abadessa – 5 abril

  

     5 de abril é o aniversário da morte de Etelburga, filha de Etelberto, rei de Kent, o primeiro rei anglo-saxão a aceitar o Cristianismo. Etelburga desempenhou um papel importante na história da Inglaterra anglo-saxã, porque foi por seu casamento com Edwin, rei da Nortúmbria, que a missão cristã trazida por Santo Agostinho e seus companheiros de Roma começou a se espalhar para o norte. É assim que o Venerável Beda conta a história na Historia Ecclesiastica, Livro II:
     Neste momento, a nação dos nortumbrianos, isto é, a nação dos Anglos que viviam no lado norte do rio Humber, com seu rei, Edwin, recebeu a fé através da pregação de São Paulino. A ocasião desta nação abraçar a fé foi quando o rei citado, sendo aliado dos reis de Kent, enviou seus embaixadores ao rei Etelberto, rei de Kent, levando seu pedido de casamento com a filha de Etelberto, Etelburga, também chamada Tate. Seu irmão Eadbaldo, que então reinou em Kent, respondeu: "Não era legal casar uma virgem cristã com um marido pagão, para que a fé e os mistérios do rei celestial fossem profanados por sua convivência com um rei completamente estranho à adoração do verdadeiro Deus". Diante desta resposta trazida à Edwin por seus mensageiros, este prometeu de forma alguma agir em oposição à fé cristã que a virgem professava, mas daria licença a ela, e a todos que viessem com ela, homens ou mulheres, padres ou ministros, para seguir sua fé e adoração segundo o costume dos cristãos. Não negou, mas disse que abraçaria a mesma religião se, sendo esta examinada por pessoas sábias, fosse encontrada mais santa e mais digna de Deus.
     A partir de então, a virgem foi prometida, e enviada para Edwin, e de acordo com o que havia sido acordado, São Paulino, um homem amado de Deus, foi ordenado bispo, para ir com ela, e por exortações diárias, e celebrando os mistérios celestiais, confirmá-la e a seus acompanhantes... Mas sua mente estava totalmente empenhada em conduzir a nação para a qual ele estava sendo enviado, para o conhecimento da verdade; ao entrar naquela província, ele trabalhou muito, não só para manter, com a ajuda de Deus, aqueles que o acompanharam que não deveriam abandonar a fé, mas, se pudesse, converter alguns dos pagãos ao estado de graça por sua pregação.
     São Paulino foi membro da segunda missão enviada de Roma pelo Papa Gregório, o Grande; ele foi sagrado como Bispo de York em 625 por Justus, quarto Arcebispo de Cantuária. Quando o Venerável Beda descreve São Paulino trabalhando para fazer da Nortúmbria uma noiva para Cristo (a alusão de São Paulo em 2 Coríntios 11:2), ele traça um paralelo implícito com o casamento de Etelburga com Edwin. O pai de Etelburga, Etelberto fora atraído para a conversão por sua rainha cristã franca Santa Berta e claramente pretendia-se que o processo fosse replicado pelo casamento de Etelburga.
     Numa noite sagrada do Domingo de Páscoa, a rainha Etelburga deu à luz sua filha Eanfleda. O rei, na presença do Bispo Paulino, agradeceu aos seus deuses pelo nascimento de sua filha; e o bispo, por outro lado, deu graças a Cristo pelo nascimento da criança. O rei entregou a filha a São Paulino para ser consagrado a Cristo. Ela foi a primeira batizada da nação, em Whitsunday, com doze outros de sua família.
     Aquele domingo de Páscoa foi uma noite importante para a família real nortumbriana: assim, Etelburga e sua filha desempenharam um papel fundamental na conversão de Edwin. Entretanto o rei hesitaria algum tempo antes de se converter; ele recebeu cartas do Papa Bonifácio IV instando-o a se converter (que São Beda cita), e Etelburga também recebeu uma carta.
     Edwin finalmente concordou em aceitar o Cristianismo, e foi batizado em York no Domingo de Páscoa do ano 627. Quase quinhentos anos depois, quando os anglo-saxões já eram cristãos por quase meio milênio, a Crônica Anglo-Saxã citou o mesmo versículo bíblico que o Papa cita a Etelburga, aqui em referência a Santa Margarida da Escócia: "Muitas vezes o marido incrédulo é santificado e salvo por meio da esposa justa, e da mesma forma a esposa através do marido fiel".
     Margarida, membro da família real inglesa exilada pela Conquista Normanda, casou-se com Malcolm, rei da Escócia, e levou o Cristianismo para seu marido e seu reino do norte, assim como Etelburga tinha feito à Nortúmbria.
     O autor da Crônica Anglo-Saxã do século XI provavelmente estava familiarizado com a narrativa de São Beda, e talvez ele viu um paralelo entre essas duas mulheres inglesas - filhas reais e rainhas, portadoras do Cristianismo para seus maridos pagãos. De Etelburga a Margarida, com muitas outras no meio, os cinco séculos de Cristianismo anglo-saxão foram alimentados por algumas mulheres notáveis.
Poço de Sta. Etelburga em Lyminge
     Além da primogênita, Eanfleda, Etelburga e seu esposo tiveram os seguintes filhos: Wuscfrea, Etelhun, Etelryt, Edwen de Llanedwen, Anglesey. Eanfleda e Edwen foram canonizados.
     Após a morte de seu esposo na Batalha de Hatfield Chase em 633, Etelburga foi para Kent, com sua filha Eanfleda e São Paulino.
     Com a volta de Etelburga para Kent, Eadbaldo deu a sua irmã uma vila romana em ruínas em Lyminge, próximo de Folkestone, Kent, onde ela fundou uma abadia. Esta foi provavelmente o primeiro mosteiro beneditino da Inglaterra, e acredita-se que ele tenha sido antes um santuário religioso para homens e mulheres (Etelburga foi sucedida no posto de abadessa por pessoas de ambos os sexos). Ela viveu como abadessa governando várias religiosas, ensinando medicina às mulheres e cuidando de doentes. Ela morreu ali e suas relíquias foram preservadas na Igreja do Colegiado em Cantuária até o período da Dissolução dos Mosteiros por Henrique VIII.
     Os restos prováveis da antiga abadia ainda existem próximos da moderna igreja (de Santa Maria e Santa Etelburga). Há também um poço sagrado que ainda pode ser visto no gramado da vila e que foi batizado em sua memória.

A rosa que tem o nome da Rainha e Santa Etelburga

Fontes:

quinta-feira, 2 de abril de 2020

Beata Isabel Vendramini, Fundadora - 2 de abril


Virgem Fundadora do Instituto das Irmãs Isabelas da Ordem Terceira de São Francisco

     Isabel Vendramini, filha de Francisco Vendramini e Antônia Ângela Duodo, nasceu em Bassano del Grappa no dia 9 de outubro de 1790. Desde menina, como ela mesma escreve de si, foi presenteada com as mais seletas bênçãos. A 1ª. Comunhão e a Confirmação foram etapas decisivas em sua vida. Por algum tempo foi aluna das Irmãs Agostinianas, que a formaram em seu itinerário espiritual.
     Jovem brilhante, ela gostava de se vestir bem e era centro de interesse. Era amante da solidão e com frequência se retirava no campo para rezar. Depois de seis anos de noivado, às vésperas das bodas, o Senhor a fez ver com clareza que a chamava, o que para ela foi uma verdadeira conversão.
     Consagrada ao Senhor pelas vias de São Francisco, de uma fé ativa e consciente, empreendedora segundo o Evangelho a serviço dos mais pobres num programa de vida tendo Cristo como centro, encontramos em seus escritos as etapas do itinerário da elevada espiritualidade seráfica e apostólica.
     Em 17 de setembro de 1817, festa dos Estigmas de São Francisco, percebeu claramente que era chamada a uma vida de consagração. Desde então com alegria começou a levar uma vida de austera penitência e caridade. Assistia aos doentes e se dedicava inteiramente à educação das jovens de um orfanato. Em 1821 se tornou terceira franciscana. O Senhor a guiava para caminhos mais elevados.
     Em 1º de janeiro de 1827, deixou Bassano e se mudou para Pádua. Três dias depois foi contratada pela “Casa dos Expostos” para a formação das jovens. Ali se encontrou com Dom Luigi Moran, que se tornou seu diretor espiritual e colaborador na fundação que Isabel pretendia levar a cabo. Madura na experiência educativa, de apostolado, de graças e de carismas, em 4 de outubro de 1830 teve início a nova congregação das primeiras Irmãs Terceiras Franciscanas Isabelinas, com a vestição e a profissão religiosa no ano seguinte.
     Deus abençoou esta instituição e o número de religiosas cresceu; receberam uma sólida formação sob a direção inspirada da Madre Isabel Vendramini.
     Em 1834 foram chamadas à “Casa das Indústrias”. Em 1836 foram encarregadas da instrução das meninas órfãs, hóspedes do colégio do Beato Peregrino. Mais tarde foram chamadas para a assistência dos idosos nas casas de repouso e para os doentes em casas de saúde e hospitais. Nos anos de epidemia de cólera, Isabel e suas isabelinas se prodigaram com heroica dedicação na assistência dos enfermos.
     O desenvolvimento do instituto se dava sob a vigilante e maternal direção da Madre. Por 32 anos ela foi a Superiora amada e venerada de sua congregação, à qual ela deu a fisionomia franciscana e o ímpeto caritativo e missionário que hoje conta com 1.500 religiosas na Europa, África, Oriente Médio e América Latina.
     A Fundadora faleceu antes da aprovação de sua obra. Cheia de mérito e virtudes expirou no dia 2 de abril de 1860 aos 70 anos. Seu túmulo desapareceu depois de 1872, durante os trabalhos de reestruturação do cemitério de Pádua. Joao Paulo II a beatificou em 4 de novembro de 1990.

Fontes: es.catholic.net/op/.../isabel-vendramini-beata.html ; www.santiebeati.it

Postado neste blog em 2 de abril de 2015