segunda-feira, 4 de abril de 2022

Beata Aleth ou Aliete, Mãe de S. Bernardo de Claraval - 4 de abril

   
     Aleth (ou Aliete) nasceu na segunda metade do século XI, por volta de 1070; era filha do Conde Bernardo, Senhor de Montbard (Côte d’Or), da nobre família descendente dos duques de Borgonha, e de Umberga (Umbelina) de Ricey.
     Destinada à vida religiosa, ela foi educada em uma escola monástica onde aprendeu a ler e a escrever o latim e o grego, a cantar os Salmos, a conhecer perfeitamente as Escrituras. Mas, por razões de alianças, ela foi dada em casamento aos 15 anos ao Senhor de Chatillon sur Seine, Tescelin, chamado o Vermelho, homem de grande virtude.
     Aleth era doce, benevolente e reservada. Seus cabelos louros em tranças caiam ao lado da face. Tescelin era um nobre cavaleiro a serviço do Duque da Borgonha, Eudes 1º, que apreciava seus conselhos e sua bravura. O duque lhe confiou a fortaleza de Fontaines-lez-Dijon que ele tinha construído em 1080 para defender a cidade de Dijon.
     Foi ali que Aleth viveu, no castelo do qual ainda restam elementos que foram restaurados recentemente. Ali nasceram seus sete filhos (Guido, Gerardo, Bernardo, André, Bartolomeu, Nivaldo, Umbelina).
     Em 1090, nasceu o terceiro, Bernardo, futuro Abade de Claraval, o grande Santo, Pai da Igreja, fundador de 70 mosteiros cistercienses, a maior figura da Cristandade da Idade Média. O quarto onde ele nasceu foi transformado em capela no século XV, confiada à congregação dos Feuillants (cistercienses reformados) de Dijon.
     Desde o nascimento Aleth ofereceu seu filho Bernardo a Deus na capela que mandara construir no castelo em honra a São Ambrosiniano, bispo e mártir armênio cuja relíquia lhe fora trazida da Armênia por um peregrino. Em 1619 no local foi inaugurado um santuário que incluía a capela. A Revolução Francesa provocou a ruína do castelo e a destruição do santuário. No século XIX o conjunto foi restaurado.
     Desde o início da gravidez de Bernardo Aleth via em sonhos um pequeno cão branco e preto que latia com força e lhe profetizava que sua criança seria um grande orador e um pregador poderoso. Aleth tomou para si os cuidados da primeira educação de seus filhos. No castelo ela cumpria conscienciosamente suas obrigações domésticas e levava socorro e consolo aos pobres e aos doentes da vizinhança. Ela exigia de sua família uma disciplina litúrgica estrita e desejava ardentemente que todos seus filhos se dedicassem ao serviço de Deus.
     Muito culta, Aleth tinha um estreito relacionamento com o Abade de São Benigno, Jarenton, personagem célebre, antigo prior do Mosteiro de Chaise Dieu, bispo de Landres e legado do papa para numerosas missões. O Mosteiro de São Benigno de Dijon era à época “Cabeça” de quarenta mosteiros na França e Guilherme de Volpiano havia mandado construir uma Abacial majestosa que o Abade Jarenton restaurou.
     Era para esta abacial que Aleth levava o pequeno Bernardo para assistir às cerimônias e escutar o canto gregoriano, ou para rezar na cripta dos santos sob as famosas “rotondas” sobre o túmulo de São Benigno, ou na capela da Virgem. Somente esta cripta subsiste da abacial daquela época.
     Aleth foi esposa e mãe exemplar, fez de seus filhos cristãos perfeitos e excelentes gentis-homens. Grande era sua caridade com os pobres: ia de casa em casa à procura dos mais necessitados e dos doentes, que socorria generosamente não desprezando os serviços mais humildes.
A Beata, seu
esposo e
S. Bernardo
     No dia da festa de São Ambrosiniano, patrono da vila, Aleth convidava todos os sacerdotes para uma festa em seu castelo. E foi exatamente na festa daquele Santo, no dia 1º de setembro de um ano impreciso entre 1105 e 1110, que Aleth, ainda jovem, entregou sua bela alma a Deus. Seu corpo foi solenemente transferido pelo Abade Jarenton para a cripta de São Benigno, pois ela já tinha fama de santidade.
     Seu túmulo foi cercado de uma grande devoção durante mais de cem anos. No final do século XII, seu túmulo apresentava esculturas representando seus 6 filhos que se tornaram monges cistercienses seguindo o irmão, Bernardo. Sua filha, Umbelina, também ingressou na Ordem em 1132 e tornou-se abadessa do mosteiro cisterciense de Jully les Nonnains e foi declarada Santa. Seu esposo, Tescelin, também se retirou no fim da vida no Mosteiro de Citeaux. Em 1250 o Abade de Claraval fez transferir os restos da Bem-aventurada Aleth para seu mosteiro, colocando-os ao lado do túmulo de São Bernardo.
     A morte da mãe afetou muito o jovem Bernardo, à época com 16 anos, mas mesmo após sua morte Aleth manteve uma grande influência sobre seu filho: no momento de ele decidir entrar como monge na Abadia de Citeaux ela lhe apareceu, toda vestida de branco, para confirmar que “Deus o havia escolhido” para uma grande vocação e que ele devia arrastar seus irmãos para a vida monástica.
     A Beata Aleth é festejada no dia 4 de abril. Este nome e seus assimilados ou derivados como Alete, Aliete, Alethia, Alithia, Alice, têm por origem o nome grego “alétheia”, que significa “a verdade”, bem como o adjetivo latino “alitis”, que significa “que tem asas”.
Castelo de Montbard (Côte d'Or)

Fontes (excertos): http://www.santiebeati.it/dettaglio/94506
A. CHENAL,
http://iconesalain.free.fr/Presentations/34.Sainte.Aleth.Presentation.htm
Ref Bibliogr.: - St. BERNARD du P. André PHILBEE (Ed. Cerf ); - St. BERNARD de Claude CLEMENT ( Ed. F. Lanore et F.Sorlot)
 
Postado neste blog em 3 de abril de 2014

sábado, 2 de abril de 2022

Beata Isabel Vendramini, Virgem, Fundadora - 2 de abril


Virgem Fundadora do Instituto das Irmãs Isabelas da Ordem Terceira de São Francisco
 
     Isabel Vendramini, filha de Francisco Vendramini e Antônia Ângela Duodo, nasceu em Bassano del Grappa no dia 9 de outubro de 1790. Desde menina, como ela mesma escreve de si, foi presenteada com as mais seletas bênçãos. A 1ª. Comunhão e a Confirmação foram etapas decisivas em sua vida. Por algum tempo foi aluna das Irmãs Agostinianas, que a formaram em seu itinerário espiritual.
     Jovem brilhante, ela gostava de se vestir bem e era centro de interesse. Era amante da solidão e com frequência se retirava no campo para rezar. Depois de seis anos de noivado, às vésperas das bodas, o Senhor a fez ver com clareza que a chamava, o que para ela foi uma verdadeira conversão.
     Consagrada ao Senhor pelas vias de São Francisco, de uma fé ativa e consciente, empreendedora segundo o Evangelho a serviço dos mais pobres num programa de vida tendo Cristo como centro, encontramos em seus escritos as etapas do itinerário da elevada espiritualidade seráfica e apostólica.
     Em 17 de setembro de 1817, festa dos Estigmas de São Francisco, percebeu claramente que era chamada a uma vida de consagração. Desde então com alegria começou a levar uma vida de austera penitência e caridade. Assistia aos doentes e se dedicava inteiramente à educação das jovens de um orfanato. Em 1821 se tornou terceira franciscana. O Senhor a guiava para caminhos mais elevados.
     Em 1º de janeiro de 1827, deixou Bassano e se mudou para Pádua. Três dias depois foi contratada pela “Casa dos Expostos” para a formação das jovens. Ali se encontrou com Dom Luigi Moran, que se tornou seu diretor espiritual e colaborador na fundação que Isabel pretendia levar a cabo. Madura na experiência educativa, de apostolado, de graças e de carismas, em 4 de outubro de 1830 teve início a nova congregação das primeiras Irmãs Terceiras Franciscanas Isabelinas, com a vestição e a profissão religiosa no ano seguinte.
     Deus abençoou esta instituição e o número de religiosas cresceu; receberam uma sólida formação sob a direção inspirada da Madre Isabel Vendramini.
     Em 1834 foram chamadas à “Casa das Indústrias”. Em 1836 foram encarregadas da instrução das meninas órfãs, hóspedes do colégio do Beato Peregrino. Mais tarde foram chamadas para a assistência dos idosos nas casas de repouso e para os doentes em casas de saúde e hospitais. Nos anos de epidemia de cólera, Isabel e suas isabelinas se prodigaram com heroica dedicação na assistência dos enfermos.
     O desenvolvimento do instituto se dava sob a vigilante e maternal direção da Madre. Por 32 anos ela foi a Superiora amada e venerada de sua congregação, à qual ela deu a fisionomia franciscana e o ímpeto caritativo e missionário que hoje conta com 1.500 religiosas na Europa, África, Oriente Médio e América Latina.
     A Fundadora faleceu antes da aprovação de sua obra. Cheia de mérito e virtudes expirou no dia 2 de abril de 1860 aos 70 anos. Seu túmulo desapareceu depois de 1872, durante os trabalhos de reestruturação do cemitério de Pádua. Joao Paulo II a beatificou em 4 de novembro de 1990.

 
Postado neste blog em 2 de abril de 2015
 
Fontes: es.catholic.net/op/.../isabel-vendramini-beata.html ;
http://www.santiebeati.it/dettaglio/51050

quarta-feira, 30 de março de 2022

Beata Joana de Toulouse, Carmelita - 31 de março

 
     Poucos elementos biográficos são conhecidos com certeza sobre Joana de Toulouse. Sua data de nascimento parece desconhecida, sua data de morte varia de fonte para fonte. Existem erros de impressão e/ou confusões em determinados sites que contêm biografias curtas. Para aumentar a confusão, em Toulouse, nesse período do século XIII, várias mulheres adotaram o mesmo nome de Joana de Toulouse.
     Uma tradição indica que após a fundação de um mosteiro carmelita em Toulouse em 1240, Joana descobriu a espiritualidade carmelita. São Simão Stock (1), passando por Toulouse em 1264, a conheceu e aceitou seu pedido para seguir a regra do Carmelo, e assim ela se tornou a "primeira Carmelita da Ordem Terceira". Joana, permanecendo virgem, então se empenhou em seguir todos os requisitos da Regra do Carmelo. Ela vai em socorro da comunidade carmelita da cidade e atende os doentes e os pobres. Ela também encoraja os leigos de Toulouse a ajudar a servir e ajudar os pobres.
     Outra fonte faz dela a filha de Balduíno de Toulouse e Alix de Lautrec. Tendo seu pai sido assassinado por seu irmão, o Conde Raimundo VI de Toulouse, Joana, em reparação pelo crime de seu tio, teria sido enclausurada em uma pequena casa adjacente à catedral de Santo Estevão. Através de uma pequena janela ela tinha uma visão do altar e adorava o Santíssimo Sacramento dia e noite. Ela viveu ali como reclusa até sua morte.
     Segundo a fonte biográfica mais confiável, escrita pelo religioso carmelita Jean Bale, que visitou Toulouse em 1527, Joana vinha de uma família nobre do Reino de Navarra. Tendo uma grande devoção à Virgem Maria, Joana decidiu viver como reclusa perto do convento carmelita em Toulouse. Ela então escolheu viver em grande austeridade. “Ela gostava de conversar sobre assuntos espirituais com os jovens irmãos carmelitas e orava muito por eles, o que lhes trazia grande benefício espiritual”.
     Joana de Toulouse não aparece na lista de santos da Ordem publicada por João Grossi (+1437), que era membro da província carmelita de Toulouse. É por isso que, tendo em conta os outros elementos bibliográficos conhecidos, Joana parece ter vivido no início do século XV, na melhor das hipóteses pouco antes (outro sítio do Carmelo propõe como data da morte "por volta de 1380").
      Joana é citada ao mesmo tempo como terciária e como monja carmelita; não é de se excluir que tenha professado a regra carmelitana, como fizeram outras mulheres "conversas" suas contemporâneas.  Após sua morte, os fiéis atribuíram a sua intercessão numerosos milagres.
      Entre 1452 e 1474, o Arcebispo de Toulouse, Bernardo Yvest de Roserge (+1474), mandou exumar as suas relíquias e depositou-as numa urna, colocada na capela do convento carmelita da cidade., exumou o corpo de Joana colocando-o em uma urna que foi colocada em uma capela da igreja carmelitana da cidade. Na ocasião, concedeu uma indulgência de quarenta dias aqueles que visitassem as suas relíquias.
     Em 1656, um convento espanhol solicitou algumas relíquias da Beata. O Prior Geral da Ordem, Henrique Silvio, aproveitou uma viagem à Espanha para levar-lhes o braço e a mão direita da santa. Escritos datados de 1688 indicam que nessa data também faltavam no ossuário de Toulouse a mão esquerda e alguns dentes.
     Foram feitos reconhecimento de suas relíquias nos anos de 1616, 1656 e 1688. Depois da Revolução Francesa, durante a demolição da igreja carmelitana de Toulouse, em 1805, os restos de Joana foram encontrados em uma parede, junto com o documento de reconhecimento de 1688 (documentos colocados por ocasião do exame das relíquias realizado na sequência do processo de beatificação) e algumas orações que a Beata recitava habitualmente.
      Levados para a igreja metropolitana de Santo Estevão, os seus despojos foram sepultados na capela de São Vicente de Paulo, até que em 1895, por ocasião da beatificação, foi novamente exumado e colocado em um relicário de forma ogival.
Catedral de Sto Estevão
Beatificação
     O pedido de beatificação de Joana de Toulouse foi feito durante o Capítulo Geral da Ordem do Carmo em Nápoles em 1510. O exame foi aberto em 1616, depois relançado em 1656 e 1688.
      A Beata Joana de Toulouse foi oficialmente beatificada por Leão XIII em 1895.
O culto da bem-aventurada
     Após sua morte, vários milagres foram atribuídos a ela por seus contemporâneos. Seu culto foi oficialmente autorizado em meados do século XV pelo bispo Bernardo du Rosier.
     A sua memória é celebrada no dia 31 de março, ao mesmo tempo que Ana de Toulouse, também freira de clausura ligada ao Carmelo e que viveu reclusa no mesmo período que Joana. Considerada santa e celebrada na Ordem do Carmelo antes de sua beatificação, a última reforma litúrgica retirou sua festa do calendário dos santos da Ordem do Carmelo.
 
(¹) São Simão Stock, comemorado dia 16 de maio. Era natural do condado de Kent, Inglaterra. Geral da Ordem do Carmo, recebeu da Santíssima Virgem o Escapulário com a promessa de que quem com ele piedosamente morresse não padeceria as penas do inferno. Em 1264, ele presidiu ao Capítulo Geral em Toulouse, França. Faleceu em 1265 na cidade de Bordeaux, França, onde até hoje se encontram seus restos mortais.
 
Postado neste blog em 30 de março de 2012
 
http://coisasdesantos.blogspot.com/2018/03/31-de-marco-beata-joana-de-toulouse.html
https://fr.wikipedia.org/wiki/Jeanne_de_Toulouse_(carm%C3%A9lite)
 

segunda-feira, 28 de março de 2022

Aparição de São José em Cotignac, França - 7 de junho de 1660


“EU SOU JOSÉ: LEVANTA ESTA ROCHA E TU BEBERÁS”
 
Conheça a história da única vez que São José apareceu sozinho e da única aparição do Santo reconhecida pela Igreja
 
     No dia 21 de fevereiro de 1660, o Rei Luís XIV viajava em direção a Saint Jean de Luz (confins com a Espanha), cidade onde, no dia 9 de junho, se uniria em matrimônio a Marie-Thérèse, infanta da Espanha. No caminho, fez uma parada em Cotignac, para testemunhar seu reconhecimento a Nossa Senhora das Graças, a quem devia o seu milagroso nascimento.
     No dia 7 de junho, após o encontro com os reis da França e da Espanha, na fronteira comum, Marie-Thérèse foi acolhida com honras, na França, aonde chegava para desposar Luís XIV, como previa o Tratado dos Pirineus, restabelecendo assim a paz entre os dois países assim como no interior da própria França.
     Neste mesmo dia, no Monte Bessillon, em Cotignac, Gaspar Ricard, um jovem pastor de ovelhas, esgotado pelo trabalho, parou para descansar, e sedento ao menos por um gole de água, não tinha como saciar a sua sede, quando viu surgir diante de si um homem de altura imponente, que lhe mostrou um rochedo, dizendo: "Eu sou José: levanta esta rocha e tu beberás".
     A pedra era pesada; oito homens juntos poderiam apenas empurrá-la, mas como poderia o pobre Gaspar erguê-la? O venerável ancião - segundo os relatos da época - reiterou a sua ordem e o pastor obedeceu, empurrando a pedra - não se sabe com que força - e viu surgir, diante de seus olhos, um jorro de água fresca que passou a correr. Imediata e avidamente, ele se ajoelhou e bebeu daquela fonte. Ao se levantar, a aparição desaparecera. Gaspar corre ao povoado para contar o que lhe tinha acontecido e os curiosos vieram constatar o ocorrido. Apenas três horas passadas, naquele local conhecido por todos como árido, e desprovido de qualquer fonte, uma água abundante começara a correr.
     
Os habitantes da região começaram a construir uma capela no local da aparição, para onde iam muitos doentes que voltavam “curados ou confortados diante de seus sofrimentos”. A capela foi concluída em 1663 e confiada pelo bispo de então aos Padres Oratorianos, que construíram um santuário ao redor da fonte. O lugar foi transformado num Santuário Consagrado a São José. Multidões começaram a visitar o local e a terem suas graças alcançadas. Até hoje, há no local uma inscrição tirada do livro de Isaías: “Vós tirareis com alegria água das fontes de salvação”.
    
No dia 19 de março, após a aparição de São José, em Bessillon (Cotignac), e o surgimento repentino da fonte de água, Luís XIV decretou como legal, festivo e feriado, o dia de São José. Um sermão do escritor francês, Bossuet, o felicitaria por este gesto.
 
https://www.sites.google.com/site/asaparicoesdejesusmariaejose/aparicao-de-sao-jose-em-cotignac-franca


A fonte de São José

domingo, 27 de março de 2022

Beata Panaceia de Muzzi, Virgem e mártir - 27 de março

   
     Panaceia, conforme o dicionário, é “o remédio pretensamente eficaz para todos os males, físicos e morais”. Quem traz este nome estranho é uma jovenzinha que viveu na segunda metade do século 13, cuja existência histórica e cujo martírio são bem documentados a partir de registros antiquíssimos, e que ao longo dos séculos tem estimulado a imaginação de artistas e escritores, entre os quais certamente se destaca Silvio Pellico.
     Panaceia nasceu em Quarona (cidadezinha entre Borgosesia e Varallo), em 1368, e logo perdeu a mãe. O pai, Lorenzo Muzio, se casou novamente com uma certa Margarida Gabotto, também ela viúva com uma filha, e para a pequena começaram os problemas. A madrasta e a meia-irmã se coligaram contra ela, reservando-lhe os trabalhos mais duros e humildes, zombando dela por sua piedade, contestando seus atos de caridade.
     As biografias de fato concordam em descrever Panaceia como uma jovem que reza muito, cuida dos doentes e socorre os pobres: uma autêntica cristã, portanto, que além disso suporta com paciência heroica os maus tratos com que é recebida todos os dias ao voltar para casa. Panaceia é vítima de um ciúme familiar ou de uma simples antipatia.
     Contra essa jovenzinha que vive com simplicidade, mas também com intensidade, a sua fé, se desencadeia uma verdadeira perseguição "doméstica" que atingiu o seu clímax em uma noite de primavera de 1383. Panaceia, que tem 15 anos, naquela noite não voltou do local de pastagem do rebanho com a pontualidade que a madrasta reivindicava. Com raiva no coração e o ressentimento de sempre, esta última foi procurá-la e encontrou-a nas pastagens que circundam Quarona e a sua ira se desencadeou ao observar que Panaceia estava rezando na ermida de São João.
     A raiva é sempre má conselheira. A mulher passou facilmente das palavras aos atos, batendo repetidamente na jovem com um objeto pontiagudo, possivelmente um fuso ou um pedaço de pau encontrado no local, até matá-la. Talvez não tenha sido realmente um homicídio intencional, isso é demonstrado pelo fato de que a madrasta, levada pelo desespero, após o ocorrido foi imediatamente cometer suicídio pulando de um barranco nas proximidades.
     Atraídos pelos sinos que espontaneamente começaram a tocar, ecoando pelos campos, o pai de Panaceia e os habitantes de Quarona se dirigiram ao local do crime com o pároco Pe. Rocco, mas não conseguiram erguer o corpo de Panaceia do solo. O pároco informou ao então bispo de Novara, Oldrado Maineri, que chegou acompanhado do clero que testemunhou o milagre. O bispo ordenou ao corpo de Panaceia que se deixasse erguer. Depois, o cadáver foi levado por um veículo puxado por terneiros, e passou por várias pequenas aldeias até que, chegando a Ghemme, com os sinos começando a tocar espontaneamente, se deteve no cemitério adjacente da Igreja de Santa Maria. O bispo, o clero e várias pessoas do povo, que haviam acompanhado a trajetória, compreenderam que Panaceia deveria ser enterrada ali, o que ocorreu. Ela foi sepultada em 1º de maio de 1383, primeira sexta-feira do mês. Sua mãe, falecida há anos, ali também se encontrava sepultada.
Panorama de Ghemme
     Nesse túmulo, porém pouco restou, porque as suas relíquias foram logo levadas para a igreja, cercadas de veneração e meta de peregrinações. Para Panaceia iniciou-se uma devoção popular, porque as pessoas viam na sua morte um verdadeiro martírio.
     No princípio do século XV dois oratórios dedicados à beata foram construídos: um no local do martírio, chamado Beata al Monte, e outro no local onde se encontram suas relíquias, denominado Beata al Piano. O corpo de Panaceia se encontra atualmente numa urna de cristal na igreja de Ghemme, onde é objeto de peregrinação.
     Na igreja se pode observar o antigo sepulcro onde a beata permaneceu desde o ano de sua morte até 1666, quando o antigo cemitério de Ghemme foi desmantelado e transladado para outro lugar devido à ampliação da igreja.
     A devoção por Panaceia atravessou os séculos e se transformou em culto popular que recebeu a confirmação papal em 1867.
Santuário em honra à Beata 
     Embora o martírio tenha ocorrido em 27 de março, Panaceia é honrada a cada 5 de maio pela Diocese de Novara, e no vicariato de Valsesia sua festa é celebrada na primeira sexta-feira do mês.
Em todo o Vale do Sesia ela é indicada simplesmente como "a Beata", sendo comemorada com cerimônias religiosas e festas seculares, enquanto os bispos indicam Panaceia como um modelo de santidade de uma leiga, enfatizando sua fé vivida no dia a dia, capaz de superar adversidades e incompreensões, fé que é alimentada pela oração e testemunhada pela caridade.

 
 
Postado neste blog em 27 de março de 2014



quinta-feira, 24 de março de 2022

Beata Bertranda de Laon, Mãe de S. Carlo Magno - 24 de março


    
Enquanto o filho, depois de tantos e tantos séculos, ainda é muito célebre, a mãe caiu no esquecimento da História. Trata-se da Beata Bertranda (ou Berta) de Laon, mãe do imperador São Carlos Magno.
     Tendo nascido em 726, foi esposa de Pepino, o Breve, e Rainha dos Francos. Ela faleceu em 12 de julho de 783 e foi enterrada em Saint-Denis, junto com o esposo, onde o seu túmulo, mandado restaurar pelo rei francês São Luís IX, leva como única inscrição "Berta, mater Caroli Magni".
     Os historiadores dizem que o grande imperador nutria uma ternura respeitosa por sua mãe e que ouvia os seus conselhos com certa deferência.
     Não sabemos nada de certo sobre as origens de Bertranda: segundo alguns era a filha de Cariberto, Conde de Laon, enquanto outros defendem que ela era filha de um imperador de Constantinopla.
     Porém, é do conhecimento de todos os historiadores como os reis dos Francos se preocupavam pouco com as origens mais ou menos ilustres de suas esposas; ninguém nunca se ocupou em descobrir verdadeiramente de onde veio a Rainha Berta, já que até mesmo a antiga poesia heroica e as várias legendas também deixam de fora a questão.
     Seu culto como "beata" tem um caráter estritamente local. Às vezes ela é conhecida como "Berta, a Piedosa".
     A Beata Berta é considerada padroeira das fiadeiras. “Do tempo em que a Rainha Berta fiava”. Este adágio, que remonta aos nossos avós, demonstra qual era a veneração que eles tinham por Berta, que permanecera em suas lembranças como um tipo de perfeição real e feminino. Este renome que atravessou os séculos é, entretanto o pouco que nos restou da Beata Berta.
     Sua festa é celebrada em 24 de março.
Dados Históricos
     Ela era filha de Cariberto, Conde de Laon, cuja mãe, Bertranda de Prüm, co-fundadora do Mosteiro de Prüm, talvez fosse filha do rei merovíngio Thierry III; e de Gisele da Aquitânia.
     O casamento de Bertranda com Pepino coloca uma série de problemas. A documentação contemporânea, estudada pelo historiador Leo Levillain (1870-1952), retomada depois por Christian Settipani, cita Bertranda como única esposa de Pepino, o Breve.
     Alguns escritos indicam, entretanto, que Pepino fora casado primeiro com Leutburgie ou Leutberga, com a qual ele teria tido cinco filhos, totalmente desconhecidos em outros lugares. Esta legenda de uma primeira esposa talvez tenha erroneamente origem no Li Roumans de Berte aus grans piés (A história de Berta dos pés grandes), em que o autor dá uma primeira esposa, chamada Leutburgie, à Pepino.
    A data de seu casamento também é objeto de discussão. Os Anais de Prüm mencionam 743 ou 744 e os Anais de Saint-Bertin, escritos cem anos mais tarde, indicam 749. Em qualquer caso, Pepino era então prefeito do palácio.
     A data de nascimento de Carlos Magno também é controvertida. De acordo com Einhard em sua Vita Caroli, Carlos Magno tinha 72 anos quando de sua morte em 814. Mas o seu testemunho é incerto. Os Anais Petaviani dão a data de 747, mas eles também afirmam que Carlos Magno nasceu após a ida de seu tio Carlomano à Roma, num evento que ocorreu após 15 de agosto de 747, ocasião em que Carlomano assinou uma carta a favor da Abade Anglinus, de Stavelot-Malmédy. Além disso, em 747 a Páscoa caiu em 2 de abril e os colunistas não teriam deixado de notar a coincidência. É por estas razões que o nascimento de Carlos Magno é provavelmente considerado no dia 2 de abril de 748, e o casamento de seus pais em 743 ou 744.
     Bertranda deu à luz a Carlomano em 751, ano em que Pepino tornou-se rei dos Francos após a deposição do último rei merovíngio Childerico III. Ela foi coroada com o marido em Soissons.
     Em julho de 754, por ocasião da sagração do marido em Saint-Denis, ela recebeu a bênção do Papa Estevão II, bem como seus filhos Carlos e Carlomano.
     Após cerca de 10 anos de casamento, Pepino tentou se separar de Berta, mas o papa persuadiu-o com firmeza a mantê-la como esposa; ela lhe deu sete filhos dos quais três atingiriam a idade adulta: Carlos Magno (748-814 ou 742); Carlomano (751-771); Gisele, abadessa de Chelles (757-811).
     Dotada de uma personalidade doce e afável, Berta era muito ativa durante o reinado de seu marido, a quem ela muitas vezes dava conselhos.
     Após a morte de Pepino (768), Carlos e Carlomano tornam-se reis dos Francos, tendo o reino sido dividido entre eles, de acordo com os costumes francos. Bertranda se esforçou para manter alguma influência sobre eles. Ela inclusive tratou do casamento de Carlos, em 770, com Désirée da Lombardia, mas ele a repudiou em 771. Ela também tentou manter a harmonia entre os dois irmãos.
     Com a morte de seu irmão em 771, Carlos apossou-se de seus territórios em detrimento de seus sobrinhos. Ele afasta sua mãe, que deixa a corte para se retirar na Abadia de Choisy-au-Bac, local de sepultamento de alguns reis merovíngios (na Igreja de Sto. Estevão), perto de Compiègne, onde ela morreu em 783.
    Ela foi sepultada na Abadia de Saint-Denis, junto ao esposo Pepino, o Breve.
Inspiração literária
     Berta inspirou o trovador Adenet le Roi, que escreveu, em 1270, Li Roumans de Berte aus grans piés. Neste poema ele narra uma suposta substituição no casamento de Pepino, que foi enganado e desposou uma falsa rainha, surpreendentemente parecida com sua noiva Berta, princesa húngara. Esta última foi finalmente reconhecida pelo comprimento dos pés.
     Berta dos pés grandes também é citada na Balada das damas de outrora de François Villon. Em 21 de outubro de 2014, Rémi Usseil publicou Berthe au grand pied, uma canção épica moderna vagamente baseada no poema de Adenet le Roi.

Fontes: fr.wikipedia.org/wiki/Bertrade_de_Laon
http://www.santiebeati.it/dettaglio/94440
 
Postado neste blog em 24 de março de 2015


terça-feira, 22 de março de 2022

Santa Léia (ou Lea), Viúva – 22 de março

     
     Esta grande dama romana fazia parte, como Marcela, Melânia e outras, do círculo aristocrático de Roma a quem São Jerônimo dirigia e dava aulas sobre a Sagrada Escritura no século IV.
     Os poucos dados sobre Santa Léia estão contidos numa carta escrita por São Jerônimo a Santa Marcela quando soube da sua morte, em 384.
     Léia era uma rica romana que ao ficar viúva ainda jovem recusou um novo casamento, como era o costume da época, para se juntar à Marcela e outras mulheres, em um mosteiro criado na própria residência desta, em Aventino, Roma.
     Léia havia recusado ninguém menos que Vécio Agorio Pretestato, cônsul romano, que lhe proporcionaria uma vida ainda mais luxuosa pelo prestígio e privilégios que envolviam aquele cargo. Teria uma vila inteira como moradia e incontáveis criados para atendê-la. Entretanto, Léia preferiu viver numa cela pequena, fria e escura, com simplicidade e dedicada à oração, à caridade e à penitência. Curiosamente, Léia morreu em Roma no mesmo ano em que faleceu Vécio, o cônsul rejeitado por ela.
     A presença pagã ainda era forte no Império quando Léia nasceu. Havia decorrido pouco mais de uma década do Edito de Milão (ano 313), pelo qual Constantino tirou a Igreja das catacumbas, permitindo sua expansão. Este imperador ao falecer em 337, dividiu o Império Romano entre seus três filhos, Constantino II, Constante e Constâncio. Com a morte dos dois primeiros, Constâncio ficou o único imperador. Ganho pela heresia ariana, ele faleceu em 361 de rápida doença, sendo batizado em seu leito de morte por um bispo herege. Assim sendo, Santa Léia viveu parte de sua vida durante o reinado deste Imperador favorecedor da heresia.
     Por outro lado, a Cidade Eterna, no tempo de Santa Léia, já não era mais a orgulhosa cidade que causava inveja a todos os povos. Com a divisão do Império e a importância que adquiriu Bizâncio ao se tornar Constantinopla, Roma perdeu muito de sua grandeza. Mesmo os Imperadores posteriores a Constantino pouco nela ficaram, transferiram-se para outras cidades do Império, como Milão e Ravena.
     Pelo que a orgulhosa Roma passou a ser cobiçada como possível presa pelos vários povos bárbaros. Assim, em 408, por duas vezes, Alarico, rei dos visigodos, a sitiou. Mas o Senado, pressionado por uma minoria de pagãos, tratou com o invasor, depôs o imperador Honório, e pôs Atalus no trono. Mas isso foi só uma medida temporária, pois, dois anos depois, o mesmo Alarico retornou invadindo e saqueando a cidade a ferro e fogo.
     Nada sabemos da vida de Santa Léia antes de ela juntar-se a Santa Marcela em seu convento do Aventino. Desprezando proposta de casamento muito vantajosa, consagrou-se inteiramente a Deus. A isso ajudou-a muito ter encontrado, no seio da sociedade corrompida de Roma, uma outra sociedade de igual nobreza, formada por viúvas e virgens pertencentes às primeiras famílias da Cidade Eterna, que levavam vida de piedade e boas obras sob a direção de Santa Marcela. Era o Cristianismo que, pela graça de Deus, vicejava nas mais altas classes sociais do Império.
     Como surgiu esse convento do nobre bairro do Aventino, na Cidade Eterna? Ocorrera que, no ano de 382, o Imperador Teodósio – com razão chamado “o Magno” – e o papa São Damaso resolveram convocar um sínodo em Roma para combater as heresias que pululavam principalmente no Oriente. Adoecendo Santo Ambrósio, que deveria ser o secretário do Sínodo, São Damaso nomeou São Jerônimo para substituí-lo. Este Santo desincumbiu-se tão bem do cargo, que o Papa o nomeou depois seu secretário particular.
     Um grupo de matronas e virgens romanas da mais alta aristocracia pôs-se então sob sua direção espiritual. Elas tinham sido reunidas e dirigidas, por sua vez, por Santa Marcela, e entre elas destacam-se Santa Paula e suas filhas Paulina, Santa Estóquia, Blesila e Rufina; Albina, Asela, Leia e outras. Para elas transformou o palácio de Santa Marcela, no Aventino, em convento.
     Acontece que, até essa época, nenhuma grande dama da Cidade Eterna tinha feito profissão de vida monástica. Era mesmo ignominioso e degradante aos olhos das classes mais elevadas só o pensar em tal ideia. A primeira a fazê-lo, Santa Marcela, teve que desafiar todo o ambiente mundano que a cercava, sendo assim a primeira grande dama romana a professar abertamente a vida de devoção. Entretanto, bela, rica, de alta linhagem, muito culta, perfeitamente ao nível de tudo o que Roma encerrava de mais refinado e erudito, ninguém se atrevia a desconsiderá-la. O mesmo ocorreu com as outras que lhe seguiram.
     Com isso tiveram origem as “reuniões do Aventino”, onde São Jerônimo fazia conferências sobre teologia e estudos bíblicos para essas novas monjas. Eram muito atentas as aristocráticas alunas ao ensinamento de São Jerônimo, de modo que ele exclama: “O que eu via nelas de espírito, de penetração, ao mesmo tempo que de encantadora pureza e virtude, não saberei dizer”.
     A notícia que temos de Santa Léia é dada pelo seu diretor espiritual, São Jerônimo em carta que escreveu de Belém, na Palestina, onde vivia após sofrer perseguições em Roma, a Santa Marcela, em Roma, depois da morte da primeira. Diz ele:
     Quem renderá a bem-aventurada Léia os louvores que merece? Renunciou a pintar o rosto e a adornar a cabeça com pérolas brilhantes. Trocando ricos atavios por vestido de saco, deixou de dar ordens aos outros para obedecer a todos; viveu num canto com alguns móveis; passava as noites em oração; ensinava as companheiras mais com o exemplo do que com admoestações ou discursos; esperou a chegada ao Céu para ser recompensada pelas virtudes que praticou na terra.
     Acontece que Santa Léia faleceu ao mesmo tempo que Vécio, cônsul romano muito popular, que levava vida bastante irregular. Por isso, como veremos, São Jerônimo, sem nenhuma cerimônia, o lança no inferno. Continua o Santo:
     É lá [no céu] que ela gozará, daqui em diante, da felicidade perfeita. Do seio de Abraão, onde está com Lázaro, olha para o nosso cônsul, outrora coberto de púrpura e agora revestido de ignomínias, pedindo em vão uma gota de água para matar a sede. Embora ele tivesse subido ao Capitólio entre os aplausos da população e a sua morte enlutasse toda a cidade, é em vão que sua mulher proclama imprudentemente que ele foi para o Céu e lá ocupa um grande palácio. A realidade é que foi precipitado nas trevas exteriores, ao passo que Léia, que queria passar na terra por insensata, foi recebida na casa do Pai ao festim do Cordeiro.
     São Jerônimo termina com um conselho espiritual às suas discípulas:
     Por isso vos peço, com lágrimas nos olhos, que não procureis os favores do mundo e que renuncieis a tudo o que é da carne. Em vão se procuraria seguir ao mesmo tempo o mundo e Jesus. Vivamos na renúncia de nós mesmos, porque o nosso corpo em breve se converterá em pó e o resto não durará também muito.
 
Etimologia: Léia é um bonito nome de origem hebraica, que quer dizer “abrigo”, “resguardo”. Este nome pode aparecer como uma variante feminina de “leo”, “leoa” no latim, ou ainda com os significados de “fatigada”, “ativa”, “trabalhadeira” ou “bonita”. É uma variação do nome Leah, de origem hebraica, e significa "mulher delicada". Na Bíblia, Leah ou Lea foi a primeira esposa de Jacó e mãe de seus seis filhos e uma filha, Diná.
 
Medalha de Santa Leia


Postado neste blog em 22 de março de 2018
 
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