terça-feira, 10 de maio de 2022

Nossa Senhora da Estrela – Spoleto, Itália

 
     Os séculos foram passando e a capelinha de São Bartolomeu foi esquecida, só sobraram suas ruínas, mas... A parede com a imagem da Virgem e o Menino Jesus ficou inteira. Em torno da pintura a hera, uma trepadeira, formou uma moldura verde.
     Estamos agora no ano de 1946 e os camponeses que passam pelas ruínas da capela, a caminho do trabalho na roça, saúdam a “Nossa Senhora da Estrela”. Nesse mesmo ano Pio IX é eleito Papa.
     Enquanto isso, desde 1859, começaram a circular boatos de canções suaves vindas das ruínas ao redor da capela de São Bartolomeu. Ninguém sabia dizer algo preciso, mas, criou-se um sentimento de medo do lugar... Será que são fantasminhas cantando? Diziam os camponeses.
     Em 1860 uma mulher muito querida de todos que depois se tornou Santa, Dona Bonifazi, já muito doente, mandou dizer para o pároco que Nossa Senhora queria ser homenageada na igreja da Estela e, que por isso, deveria ser restaurada, mas esse padre não acreditou nela e disse que, se Nossa Senhora queria restaurar a capela, teria que fornecer os meios necessários.
     Algum tempo depois uma pessoa que vendia antiguidades pediu a pintura para o Bispo. Foi lá nas ruínas com uns pedreiros para tentar tirá-la do lugar, mas uma grande serpente saiu dos escombros e todos saíram correndo…
A SENHORA DE VESTIDO VERMELHO
     
Não longe do local da igreja vivia a família de um pobre agricultor. Um dos seus filhos, de cinco anos, chamava-se Federico Cionchi, apelidado de “Righetto”. Ele costumava brincar com sua irmãzinha junto às ruínas da Igrejinha. Ele contou: “Eu tinha cerca de 5 anos. Um dia em torno da periferia da capela de São Bartolomeu, ouvi chamar-me: “Righetto”. Fui até a capela e vi que era uma senhora vestida de vermelho, muito bonita. Ela sorriu, veio até mim e, com a mão direita, pegou a minha mão. Disse-me coisas que eu não consigo dizer, apenas lembro: “Righetto, seja bom”.
     Sua irmã Rosa não viu nada e em casa ninguém deu importância. Todas as manhãs, Righetto dizia: “Mãe, estou indo ver a Nossa Senhora”.
     A notícia de que na Igreja de São Bartolomeu a Nossa Senhora foi vista foi espalhada imediatamente. As pessoas lembraram do que disse Santa Bonifazi e muitos acreditaram. Tudo isto aconteceu entre os últimos meses de 1861 e no início dos anos 1862.
     Um dia, em meio a multidões sobre a colina de São Bartolomeu, Righetto entre peregrinos viu um sacerdote Passionista. A criança aproximou dele, e apontando para o local onde mais tarde surgiu o Santuário, disse: “Vocês devem ser os que ficarão aqui.”
     Um dia, o Giovanni Estrelani jovem tuberculoso de 30 anos, doente terminal que lutava com a morte estava numa viagem de peregrinação a Spoleto, onde é venerada a Nossa Senhora. Mas passando pela aldeia de São Lucas, sentiu-se desmaiar. Uma boa mulher o levou para casa e sabendo o motivo da visita, disse: “Por que ir tão longe quando temos a Nossa Senhora a poucos passos?” E lhe falou da imagem nas ruínas de Bartolomeu. O jovem então foi levado até as ruínas. Ele contou: “Bastou colocar-me em pé ali e eu parecia estar no paraíso, me senti outro, em mim circulou um sangue novo para a vida, recuperei as forças e voltei sem ajuda, sozinho”. A notícia do milagre se espalhou.
     O Arcebispo Arnaldi de Spoleto foi pessoalmente a São Bartolomeu. Ficou chocado com a visão de milhares de pessoas se reunindo em oração, e chorou de emoção. E no dia 25 de maio, voltou lá em solene procissão. No primeiro domingo de abril, o monte de São Bartolomeu estava repleto de peregrinos que vinham até mesmo de Foligno, Perugia, Spoleto e Terni.
     As lágrimas do arcebispo tinham sua razão: a Igreja passava por muitos sofrimentos e perseguições. Foi a época da unificação da Itália, que ainda não tinha um governo só, era dividida em estados cada um independente do outro, um governado por um rei, outro era uma república e outro pelo Papa. O estado governado pelo papa era o mais próspero, porque as pessoas não tinham que pagar altos impostos como nos outros e tinham uma vida mais tranquila, por isso o povo que vivia no estado pontifício não queria a unificação. Pior, o papa bem tentou um acordo, mas ninguém queria ceder, começaram as revoluções. Nessa época, Dom Bosco colocou todos os seus meninos para orarem muito pelo Papa.
     
O governo piemontês, já desligado do domínio temporal da Santa Sé, permitiu a peregrinação porque não tinha como segurar o povo, mas colocou a polícia cercando o local. Fizeram de tudo para desacreditar a aparição em seus jornais: “fantasia, enfermidade, fanatismo”. E por fim prenderam o Arcebispo Arnaldi por 10 meses, dizendo que ele inventou essas aparições para apoiar o Papa.
     E o povo? Não davam ouvidos às autoridades: começaram a construir uma nova Igreja ao redor da pintura, um santuário e, a pedido do Arcebispo, acrescentaram ao título da imagem milagrosa da Nossa Senhora da Estrela, o título litúrgico de “Auxilium Christianorum” (Auxílio dos Cristãos).
     O Papa Pio IX ficou muito feliz em saber disso tudo, porque ele disse: “Nos momentos em que a Igreja passa por grandes sofrimentos, Nossa Senhora sempre vem em nosso auxílio”. E em 24 de maio, em Roma, o Papa Pio IX presidiu uma grandiosa celebração em honra de Maria Auxiliadora, na Igreja de Santa Maria. Dom Bosco, em Turim, em apoio ao Papa, consagrou a Igreja que estava construindo à Nossa Senhora Auxiliadora.
     O Santuário de Nossa Senhora da Estrela “Auxílio dos Cristãos” é lindo. E aqueles que vão para vê-lo, dizem: “Aqui sentimos verdadeiramente a presença de Deus!”
 
http://www.madonnadellastella.eu/index.php
 
E Righetto?
     
Ele ficou órfão ainda menino e ganhou uma bolsa de estudos do Papa Pio IX para estudar em Roma. Em 1 de janeiro de 1870, aos 13 anos, fez sua primeira comunhão. Em 1878, entrou na Congregação dos Padres Somascos em Roma, como um irmão leigo, trabalhando num orfanato como assistente de carpintaria. Em 1883, o irmão Righetto foi chamado para fazer parte da comunidade religiosa de Santa Maria Maggiore (Santa Maria Maior), de Treviso, onde permaneceu por 40 anos, como um sacristão do Santuário. Todos diziam dele: “É Um homem de grande inocência e humildade, contínua oração e muito trabalhador. Sua aparência é reservada. Tem muita paciência com todos e sempre foi aberto às necessidades dos outros, sempre com seu sorriso”. Já velhinho, muito doente, nunca se queixou e a quem perguntava sobre sua doença, ele respondia com um sorriso. Morreu em 31 de maio de 1923. E está em processo de beatificação Ele fez o que Nossa Senhora lhe pediu: “Seja bom”.
     Pietro Donadel, de Treviso, entre seis e 14 anos de idade, até 1920, conviveu com o irmão Righetto. Ele testemunhou: “Eu era menino e minha família era muito pobre. Minha mãe disse: ‘Hoje não há nada para comer’ e ela me deu um pote de barro e me enviou à Igreja de Santa Maria Maggiore pedir comida. Me acolheu o Irmão Righetto. Sempre sorrindo, foi dizendo: “Você está aqui” e eu encheu o pote com muita bondade, fazendo de tudo para diminuir a minha vergonha e gagueira, em pedir esmolas.
     Eu voltei lá muitas vezes com o pote e sua maneira de dar esmolas era para mim uma verdadeira satisfação e um bom incentivo. Voltava para casa com grande alegria e dizia à minha mãe: ‘Eu encontrei Don Federico e ele encheu bem o pote e olha quantos pães ele me deu!’ Para atender às necessidades da família, comecei a trabalhar aos dez anos, mas continuei a assistir à Missa na Igreja de Santa Maria Maggiore. ainda mantenho a memória do Irmão Righetto, sacristão muito ativo, sempre bom para todos, na perseverança, em oração ajoelhando-se na capela de Nossa Senhora”.

sábado, 7 de maio de 2022

Santa Rosa Venerini, Fundadora - Festejada 7 de maio

     
Rosa Venerini nasceu em Viterbo, na Itália, no dia 9 de fevereiro de 1656, em uma família muito religiosa e recebeu dos seus pais uma boa formação cristã e uma boa educação. Seu pai, Gofredo, exerceu brilhantemente a profissão de médico. De seu casamento com Marcia Zampichetti, de antiga família de Viterbo, nasceram 4 filhos: Domingos, Maria Madalena, Rosa e Horácio.
     Rosa era dotada de inteligência e de sensibilidade humana não comuns. A educação recebida em família permitiu que ela desenvolvesse numerosos talentos de mente e de coração. Segundo seu primeiro biógrafo, Pe. Jerônimo Andreucci S.I., na idade de 7 anos ela fez voto de consagrar a Deus a sua vida.
     Rosa viveu um conflito: um jovem queria desposá-la, mas o seu desejo era consagrar-se a Deus. Na época havia poucas opções para uma jovem: casamento ou clausura na vida religiosa.
     No outono de 1676, Rosa entrou no mosteiro dominicano de Santa Catarina, em Viterbo, com a perspectiva de ali realizar seu voto. Entretanto permaneceu no mosteiro por pouco tempo devido a morte prematura de seu pai, o que a obrigou a voltar para junto de sua mãe. Nos anos seguintes, Rosa enfrentou graves eventos na sua família: seu irmão Domingos, de apenas 27 anos, falece; em seguida, falece sua mãe devido a todos estes sofrimentos. Como Maria Madalena havia se casado, ficaram em casa somente Horário e Rosa que tinha 24 anos.
     Desejosa de fazer algo de grande por Deus, em maio de 1684, ela passou então a convidar as jovens da vizinhança para rezar o Rosário em sua casa. Foi convivendo com essas pessoas que Rosa descobriu o grave estado de ignorância religiosa e intelectual que atingia a juventude da época. Ficou profundamente impressionada com a pobreza e a ignorância das jovens do povo e assim começou a pensar que talvez fosse melhor realizar algo em prol delas do que viver em um convento.
     Um padre jesuíta, Ventura Bandinelli, percebendo a sua vocação natural para a religiosidade e para o ensino abriu-lhe as portas da vida religiosa. Rosa não perdeu a oportunidade e deu o primeiro passo indo viver em comunidade.
     Em 30 de agosto de 1685, com a aprovação do Bispo de Viterbo, Urbano Sacchetti, e com a colaboração de duas companheiras, Jerônima Coluzzelli e Porzia Bacci, Rosa deixou a casa paterna para dar início à sua primeira escola, projetada segundo um desenho original que havia maturado na oração e na busca da vontade de Deus.
     O primeiro objetivo era o de dar às jovens do povo uma formação católica completa e prepará-las para a vida civil. Sem grandes pretensões, Rosa abriu a primeira “Escola pública feminina na Itália”.
     Porém as oposições não tardaram a aparecer. Alguns padres acharam que a obra de Rosa agredia a sua autoridade no ensino religioso. Os nobres se posicionavam contra o ensino gratuito para os pobres. Rosa enfrentava uma batalha em nome de Deus e de um ideal. Felizmente, o Bispo de Montefiascone, D. Marco Antonio Barbarigo, interveio e a convidou para fundar em sua diocese uma nova escola. Para lá Rosa Venerini se dirigiu com uma colaboradora muito especial: a futura Santa Lúcia Filippini.
     As escolas se expandiram e chegaram a muitas cidades, inclusive Roma. Mas os problemas apareceriam novamente. Rosa teve de enfrentar discussões dolorosas, ambições e divisões dentro de sua instituição, problemas provocados pela inveja e ganância das pessoas.
     No ano de 1713, Rosa abriu uma escola em Roma e, em 24 de outubro de 1716, o Papa Clemente XI fez-lhe a honra de uma visita. O Papa ficou uma manhã inteira na escola, juntamente com oito cardeais, ouvindo a lição de catecismo e interrogando as alunas. No final, chamou Rosa e as suas companheiras, agradeceu-lhes o precioso trabalho, conferiu-lhes uma medalha de prata e disse-lhes: “Senhora Rosa, vós fazeis o que Nós não podemos; Nós vos agradecemos muito porque com estas escolas santificareis Roma. Desejo que estas escolas se propaguem em todas as nossas cidades”.
     Foi o reconhecimento do valor de sua obra. O apoio do papa foi um fator importante para o desenvolvimento de sua instituição, agora chamada "Mestras Pias Venerini". Em pouco tempo escolas foram abertas em todas as regiões.
     O fim de sua vida foi marcado por uma doença que a consumiu por quatro anos. Rosa veio a falecer no dia 7 de maio de 1728. Tinha aberto mais de 40 escolas. Em 1909, foi fundada a primeira Casa nos Estados Unidos. O reconhecimento canônico para essas professoras chegou apenas em 1941, quando, finalmente, se tornam uma Congregação.
     O papa Pio XII proclamou-a bem-aventurada em 1952, quando a Congregação já operava em muitos países do mundo todo. Suas relíquias estão guardadas na capela da Casa mãe da Congregação em Roma.
     Santa Rosa Venerini não impunha nem a si nem às suas filhas longas orações, mas recomendava que a vida das mestras, no exercício do precioso ministério educacional, fosse um contínuo falar com Deus, de Deus e para Deus. Com o olhar voltado para o Crucifixo ela sentia sempre mais forte em si a paixão pela salvação das almas.
     Em 15 de outubro de 2006, Rosa Venerini foi proclamada Santa na Praça de São Pedro. O milagre que a levou aos altares teve lugar em Ebolowa, nos Camarões: Serge, uma criança do leprosário de ‘Ngalan, foi curada milagrosamente por intercessão de Santa Rosa, a Santa que sempre amou os pequeninos, dedicando-lhes a sua vida e continuando a protegê-los. 
 
Postado neste blog em 6 de maio de 2012
 
http://www.santiebeati.it/dettaglio/52250

quinta-feira, 5 de maio de 2022

Nossa Senhora das 3 espigas – Aparição de 3 de maio de 1491

     
     Nossa história começa em 3 de maio de 1491, com a aparição da Virgem Maria a um ferreiro de Orbey, chamado Thierry Schoéré, que ia ao mercado de Niedermorschwihr comprar trigo.
     O local chamado "Habthal", "Vale do Gavião", era bem conhecido pelos habitantes do local. De fato, o caminho vindo de Labaroche se ramificou em direção a Turkheim, Niedermorschwihr e Ammerschwihr. Em 1465, uma imagem piedosa foi fixada em um grande carvalho, após um trágico acidente: um camponês que havia se ferido gravemente com sua foice foi encontrado morto, por falta de poder ser resgatado. Este lugar foi chamado o lugar do "homem morto".
     Estamos em 3 de maio de 1491. Um ferreiro de Orbey, Thierry Schoéré, ia ao mercado Niedermorschwihr, perto de Colmar. Ao passar diante de um carvalho, viu ali depositada uma imagem sagrada, segundo o costume da época, e convidava os transeuntes a rezar por um homem que acabara de falecer naquele local alguns dias antes.
     Apeando de seu cavalo, Thierry Schoéré ajoelhou-se diante da imagem piedosa e começou a rezar fervorosamente pelo descanso eterno da alma do infeliz camponês, quando de repente foi maravilhado por um raio de luz deslumbrante, no meio do qual apareceu uma forma delicada e vaporosa. Era a Virgem Maria, envolta em longos véus brancos. A Virgem Maria segurava três espigas de trigo na mão direita e um pequeno cubo de gelo na mão esquerda. Nossa Senhora diz com grande gentileza a Thierry:
     “Levante-se, bom homem, e ouça. Olhe para essas espigas. Elas são o símbolo da abundância das belas colheitas que virão recompensar as pessoas virtuosas e generosas, e trazer bem-estar e felicidade aos lares dos fiéis cristãos. Quanto a este cubo de gelo, significa que granizo, geada, inundação, fome e todo cortejo de desolação e infortúnio virão para castigar os incrédulos cuja gravidade dos pecados foi capaz de cansar a misericórdia divina. Vá, bom homem, desça às aldeias e anuncie a todos os habitantes o significado dessas profecias”.
     A aparição milagrosa desapareceu e Thierry Schoéré retomou sua jornada. Ele foi para a aldeia, mas temendo ser ridicularizado, decidiu ficar em silêncio sobre o que havia acabado de acontecer com ele. Quando chegou ao mercado, comprou um saco de trigo, mas, curiosamente, nem ele nem ninguém conseguia erguê-lo. A bolsa parecia de chumbo e presa ao chão. Os camponeses reunidos se preocuparam com a força mágica e misteriosa que assim prendia a bolsa no chão. Este fenômeno inexplicável atormentava os espíritos e alguns começaram a acusar o infeliz ferreiro de feitiçaria.
     Então Thierry Schoéré compreendeu o significado desta advertência: ele havia desobedecido à Santa Virgem e não havia cumprido a missão que Ela lhe havia confiado. Thierry se ajoelhou na frente da multidão repentinamente silenciosa, pediu perdão a Nossa Senhora e, finalmente cumprindo sua missão sagrada, contou aos habitantes atentos a aparição celestial; ele explicou o simbolismo do gelo e as três espigas.
     Espantados, admirados, os habitantes ouviram respeitosamente a história. A plateia ficou profundamente comovida e ninguém questionou a sinceridade do honesto ferreiro de Orbey. Até os incrédulos foram vencidos; eles mostraram arrependimento sincero e juraram fazer as pazes com Deus.
     A partir daí, aliviado e feliz, Thierry Schoéré voltou à misteriosa bolsa. Curiosamente, assim que agarrou o pesado saco de trigo, levantou-o sem esforço e imediatamente o carregou em seu cavalo. Depois disso, em meio a arrebatamentos de alegria da plateia, Thierry Schoéré, o mensageiro da Virgem, retornou alegremente à sua aldeia natal.
     Em 1493 os habitantes construíram no local da aparição uma pequena capela de madeira que foi abençoada em 1495 por Nicolas Frisus, bispo coadjutor de Basileia. No século XVI, a peregrinação começou e uma nova capela foi construída em pedra. Foi ampliada várias vezes para acomodar os fiéis. Destruída durante a Guerra dos Trinta Anos, foi erguida uma nova capela, tendo ao seu lado, a partir de 1650, um convento que albergava muitas comunidades religiosas: os cônegos regulares de Santo Agostinho de 1652 a 1655, os padres cistercienses de Paris de 1655 a 1661, os Antoninos de Issenheim de 1661 a 1777, a Ordem de Malta de 1777 a 1779 e os Capuchinhos de 1779 a 1791.
     Fechado durante a nefasta Revolução Francesa, o santuário voltou ao culto em 1804.
Em julho de 1912, os Missionários Redentoristas se estabeleceram em Trois-Epis e, desde então, têm assegurado a continuidade da mensagem de Maria. Em 20 de junho, 1940, os alemães fecharam o juvenato. Em julho de 1941, metade do convento tornou-se um hospital militar que recebia doentes e feridos da frente russa. Em 3 de março de 1952, Dom Weber, bispo de Estrasburgo, instituiu a adoração perpétua feminina. Em 1967 foi inaugurada a Igreja da Anunciação. Em 1991, por ocasião do 5º centenário, foi erguida uma seta tripla simbolizando as três espigas.
***
Gravura antiga representando
uma procissão a igreja
de Na Sra das 3 espigas
     
Há outra versão das palavras de Nossa Senhora retiradas da revista Historia. A Virgem Maria teria dito a Thierry:
     – Meu filho, os habitantes desta região, por seus inúmeros crimes, acenderam a ira divina contra eles. Este cubo de gelo que você vê brilhando na minha mão esquerda é o símbolo das chuvas de granizo, fomes, doenças e outros castigos que lhes sobrevirão. No entanto, minhas orações, por efeito de uma misericórdia muito especial, até agora retiveram o braço de meu Filho, já levantado para puni-los. Se os culpados se corrigirem e fizerem penitência, Deus os perdoará e enviará bênçãos e fertilidade à terra. Isto é o que significa este talo de trigo adornado com três espigas, que eu seguro na minha mão direita. Em nome desses dois símbolos, vá a Morviller, relate aos habitantes o que você acabou de ver e ouvir. Exorte-os a fugir do pecado. Que rezem, que por sua vez exortem as populações à conversão. Caso contrário, os castigos do céu não tardarão a chegar.
     O ferreiro então disse à Virgem:
     - Mãe querida, temo que essas pessoas más não acreditem em minhas palavras.
     - A maioria vai [acreditar], responde a Santíssima Virgem, se você explicar a eles o significado deste pingente de gelo e dessas espigas.
     Chegado a Morviller, o ferreiro perdeu o ânimo. Ninguém vai acreditar, vão rir dele. Então ele não diz uma palavra sobre a aparição. Tendo comprado um saco de trigo, ele começou a carregá-lo em seu cavalo. Mas ele não conseguia levantá-lo um centímetro. Os transeuntes riram de sua fraqueza. Um, dois, três homens vieram ajudá-lo. Eles não podiam mover a bolsa um centímetro. As risadas diminuíram e o ferreiro entendeu a lição. Ajoelhou-se e revelou a mensagem da Virgem. Acreditaram nele e as peregrinações começaram, os milagres aconteceram e as previsões foram cumpridas.
     Em 24 de fevereiro de 1495, um santuário dedicado à Nossa Senhora das Três Espigas foi erguido no local da aparição e solenemente consagrado.
 
Fonte: Paulette Leblanc
http://nouvl.evangelisation.free.fr/leblanc_notre_dame_trois_epis.htm
 

quarta-feira, 4 de maio de 2022

Santa Antonina de Niceia, Mártir - 4 de maio

     
Hoje festejamos a santa mártir Antonina, que morreu em Niceia, na Bitínia, atual Turquia, no final do século III. No Martirológio Romano, ela foi citada três vezes: dia 1º de março, 4 de maio e 12 de junho, e cada vez de maneira diferente, como se fossem três pessoas distintas. Vejamos o porquê.
     No século XVI, o cardeal e bibliotecário do Vaticano, César Baronio, unificou os calendários litúrgicos da Igreja, a pedido do papa Clemente VIII, com os santos comemorados em datas diferentes no mundo cristão. A Igreja dos primeiros séculos foi exclusivamente evangelizadora. Para consolidar-se, adaptava a liturgia e os cultos dos santos aos novos povos convertidos. Muitas vezes as tradições se confundiam com os fatos, devido aos diferentes idiomas, mas assim mesmo os cultos se mantiveram.
     O trabalho de Baronio, o conhecido Martirológio Romano, uma espécie de dicionário dos santos da Igreja de Cristo de todos os tempos, ao lidar com os calendários egípcio, grego e siríaco, que comemoravam Santa Antonina em datas diferentes, não se deu conta de que as celebrações homenageavam sempre a mesma pessoa. Isto porque o nome era comum e os martírios descritos de maneira diversa entre si. O calendário grego dizia que ela foi decapitada; o egípcio, que foi queimada viva; e o siríaco, que tinha morrido afogada.
     Mais tarde, o que deu luz aos fatos foi um Código Jeronimiano do século V, confirmando que apenas uma mártir com este nome tinha morrido em Niceia.
     Antonina sofreu o martírio no século IV, durante o governo do sanguinário imperador Diocleciano, na cidade de Niceia. Antonina foi aprisionada por ordem do prefeito Prisciliano Ela foi denunciada como cristã, presa e condenada à morte. Mas antes a torturaram de muitas maneiras: ela foi golpeada com varas, suspensa no cavalete, teve seu flanco ferido; com ferros em brasa, queimaram-lhe as mãos e os pés. É também mencionado em alguns códices do Jeronimiano que ela foi morta pela espada.
     Voltando ao tribunal, não renegou sua fé. Foi, então, fechada dentro de um saco e jogada no fundo de um lago pantanoso na periferia de Niceia. Era o dia 4 de maio de 306, data que foi mantida para a veneração de Santa Antonina, a mártir de Niceia.
     De acordo com o Martirológio Siríaco e muitos códices do Martirológio Jeronimiano, o martírio teria ocorrido em Nicomédia, enquanto outros códices colocam o martírio em Niceia, Bitinia, e esta menção, segundo Delehaye, é a de se preferir.
 
Etimologia: Antonina é o feminino do antigo nome latino Antonius, derivado, provavelmente, do grego Antionos, que significa "nascido antes". É um dos nomes mais difundidos entre os povos latinos, que ganhou muitos adeptos entre os cristãos. Mas, antes de Cristo, era muito comum também.
 
Fontes: www.santiebeati/it
Paulinas - Santo do Dia - OpenBrasil.org
 
Postado neste blog em 3 de maio de 2014

segunda-feira, 2 de maio de 2022

Madre Maria Letícia da Virgem Misericordiosa, Fundadora - 2 de maio

     Maria Julieta da Gama Cerqueira era descendente de ilustre e tradicional estirpe mineira. Nasceu em Belo Horizonte no dia 10 de março de 1900; consagrou-se desde cedo à vida religiosa, ingressando na Congre­gação das Servas do Espírito Santo, em Juiz de Fora. Naquela cidade dedicou-se à forma­ção da juventude feminina, tendo depois atuado em Belo Horizonte, São Paulo e Rio de Janeiro.
     Desejosa de uma vida mais contemplativa, a então Irmã Maria Letícia da Virgem Misericordiosa transfe­riu-se para o Mosteiro das Irmãs Redentoristas, em Itu. Em março de 1952, com outras irmãs oriundas de Itu, fundou o Mosteiro do Imaculado Coração de Maria na cidade de Belo Horizonte – MG.
     Trasladou-se da capital mineira para Diamantina (MG) e em 22 de maio de 1969, fundou naquela cidade, com algumas irmãs, o Mosteiro da Santa Face e do Puríssimo e Doloroso Coração de Maria, o qual foi transladado em 1970 para Campos (RJ), aonde chegaram em 26 de julho. Nesta im­portante cidade fluminense Madre Letícia foi Superiora daquele mosteiro até seu falecimento.
     Dotada de excecional inteligência e rara firmeza de vontade, Madre Letícia discerniu, desde seus primórdios, a crise progressista que hoje assola a Igreja. Assim, por seus conselhos, seus exemplos, sua extra­ordinária influência pessoal, consti­tuiu-se, desde logo, num dos baluar­tes da defesa da sã doutrina.
     Principalmente por suas orações e por seus sacrifícios, Madre Letícia, dotada de profunda piedade eucarística, devoção a Nossa Senho­ra e à Santa Igreja, tudo fez para ob­ter da divina clemência que abrevias­se a tormenta que hoje se abate sobre o mundo católico. Neste sentido, ofe­receu com resignação e constância edificantes os longos padecimentos da moléstia que acabou por vitimá-la.
     Madre Letícia foi ardorosa simpatizante da TFP (IPCO), dispensando àquela entidade seu contínuo apoio, preces e sacrifícios.
     Quando sobre ela caiu o veredicto terrível do câncer, permaneceu firme, decidida, olhava para a morte com tranquilidade, não desejando deixar de batalhar pela glória de Deus e salvação das almas, mas disposta a fazer a vontade de Deus. Após alguns meses de intenso sofrimento, ela morreu rezando. Duas pessoas que a assistiam, a amparavam; ela estava sentada na cama, às vezes parava um pouco de rezar devido à falta de ar; depois, refeita, retomava as orações. Em determinado momento a religiosa que a acompanhava disse para o sacerdote presente: “Padre, a Madre morreu!” A Providência a tinha chamado.
     Seu faleci­mento ocorreu no dia 2 de maio de 1974, aos 74 anos de idade. Atendendo ao seu pedido, o corpo foi sepultado no jazigo da TFP (IPCO) no Cemitério da Consolação, na capital de São Paulo.
Uma alma calorosa, ardorosa
Madre Letícia com uma
 irmã do mosteiro
     Madre Leticia era muito decidida. Estando para entrar no convento, dirigiu-se para lá de trem. Entretanto, havia hora para entrar. Como o trem estivesse passando perto do convento muito lentamente, e ao ver que não daria tempo para esperar que ele chegasse à estação, ela não teve dúvidas: jogou sua mala e pulou do trem, para espanto geral dos passageiros.
     Uma de suas grandes alegrias foi ter feito uma peregrinação a Fátima, Portugal. Ela contava cenas tocantes da devoção do povo português por Nossa Senhora. Dizia que as promessas de Nossa Senhora em Fátima iam cumprir-se muito brevemente.
     Ela era muito alegre, possuía a verdadeira alegria que não se abate mesmo no meio das adversidades. Durante sua doença ela procurava animar as Irmãs dizendo coisas engraçadas para distraí-las. Em Portugal, divertia-se imitando o sotaque português, o que fazia de modo tão perfeito, que a Irmã que a acompanhava não podia conter o riso.
     Em carta de 1971 a uma de suas dirigidas leigas, Madre Letícia recomendava: “No vendaval tremendo por que está passando a Santa Igreja, é preciso não só proteger a Fé, mas ainda guerrear para mantê-la, e ainda torná-la cada vez mais intensa, brilhante”. ... “A mulher hoje perdeu completamente a noção de dignidade, do pudor; tornou-se escrava da moda por mais indecorosa que seja. Você precisa velar com especial cuidado sobre esta tentação terrível que vem arrebanhando meninas, moças e senhoras”.
Madre Letícia com irmãs

     Em 27 de dezembro de 1973, antes de uma cirurgia, Madre Letícia escreveu uma pungente carta aos seus irmãos, da qual é este edificante trecho: 
“Minha vida e minha morte estão nas mãos de Nossa Senhora, Ela que é sempre a ‘Causa da minha Alegria”. A Ela me consagrou nossa mãe, como aliás consagrou todos os filhos. Embora cheia de infidelidades, procurei sempre a Ela me dar. Como temer neste momento? Estou em Seus braços. Se continuar a viver, vou esforçar-me por servi-La melhor e amá-La mais; se morrer, banhando minha alma no mar infinito da misericórdia de Deus, irei vê-La no Céu!
       No hospital, após a cirurgia, conversando com uma visitante, disse a certa altura: “Daqui a pouco virá a visita mais importante!” A pessoa perguntou quem era e ela respondeu muito séria, mas afetuosamente: “Jesus!” É que iam levar a Santa Comunhão para ela...
Frases
     “Vamos falar de grandes coisas, das dores da Igreja”.
     “Se formos esperar que os outros nos tratem mal, então poucas vezes faremos atos de humildade. O melhor ato de humildade é nos considerarmos diante de Deus: nós não somos nada, Deus é tudo! Fazer isto muitas vezes”.
     “Sim, meu Deus, nada Vos recusarei!”
 
Postado neste blog em 1º de maio de 2015

domingo, 1 de maio de 2022

As Aparições de Nossa Senhora em Cimbres, PE

 
    No mês de maio de 1936, um bando de cangaceiros vindos de Alagoas passou por Pesqueira e pela Serra de Cimbres, a caminho da Paraíba. Foram duas ou três semanas de roubos, matanças, incendiando e fazendo outras perversidades
     O casal Artur Teixeira de Carvalho e Auta Monteiro de Carvalho, moradores do Sitio Guarda, estavam ocultos no mato por medo dos invasores; a família havia levado uma estampa de Nossa Senhora e durante todo o mês de maio rezaram a Ela. Eles tinham um filhinho de três meses moribundo. Da. Auta, zeladora do Apostolado da Oração, pediu ao filhinho, Lídio, já batizado, que chegando no Céu pedisse a Virgem Ssma. que protegesse aquele povoado.
     Os cangaceiros se retiraram e os moradores puderam voltar à rotina de trabalhos no campo. E então, no dia 6 de agosto de 1936 algo extraordinário aconteceu!...
 
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Aparições de Maria Santíssima no norte do Brasil
Pe. Júlio Maria de Lombaerde (*)
 
     A primeira edição deste livro estava no prelo quando tive notícia de uma das aparições de Maria Santíssima no norte do Brasil.
     A notícia foi-me transmitida por um sacerdote exemplar, incapaz de ilusão ou de fraude.
     Preferi esperar e deixar para mais tarde a divulgação do fato, que a autoridade eclesiástica, sempre prudente e justamente desconfiada, conservava secreta, para evitar precipitações ou juízos mal fundados.
     Eis que perto de dois anos depois, um amigo enviou-me uma revista alemã, de responsabilidade e de orientação segura: Konnesreuthes Jahrbuch – 1936, onde encontrei a narração resumida, mas completa, destas aparições.
     É desta revista que traduzo o fato, sem mudar nem acrescentar uma vírgula. Achei as aparições revestidas de todos os requisitos de veracidade, cabendo à autoridade eclesiástica pronunciar-se a respeito, o que cedo ou tarde ela fará, seguindo como sempre segue, as normas do tempo e da prudência.
     Sendo aparições e revelações privadas, estas têm apenas um valor humano, e merecem só uma fé humana; porém mesmo assim vale a pena citá-las e meditá-las, porque se a mesma credulidade é um mal, a incredulidade sistemática é um mal maior.
     Haverá qualquer coisa de tão singular numa aparição da Mãe de Deus em terras brasileiras? Não somos nós uma nação consagrada à Virgem Imaculada da Aparecida? Não somos nós, também, um povo amoroso e dedicado ao culto de nossa Mãe Celeste?
     Se ela se dignou mostrar-se um dia em Lourdes, La Salette, Pontmain, Pellevoisin, na França; em Fátima (Portugal) e ultimamente em Bauraing e Baneaux, na Bélgica, porque Ela não se mostraria também no Brasil, dando-nos deste modo, uma prova de seu amor maternal e da sua solicitude para com o povo brasileiro?
     Cada um poderá acreditar ou não acreditar nos fatos aqui narrados. A Igreja nada determinou (**); há, pois, liberdade de aceitá-los ou de rejeitá-los; como há liberdade de silenciar os fatos ou de publicá-los.
     É apoiado sobre esta liberdade, sem querer adiantar os julgamentos da autoridade eclesiástica, que aqui publico a tradução da Revista de Koeningsreuth.
 
I. PRIMEIRA APARIÇÃO
Pais de Maria da Luz
     Maria Santíssima apareceu ultimamente num lugarejo do Norte, em agosto de 1936. Se omito o nome do lugar, é atendendo aos desejos das autoridades eclesiásticas.
     Era a 6 de agosto de 1936. Duas meninas foram mandadas ao campo a fim de colher mamona. Uma chama-se Maria da Luz, a outra Maria da Conceição. Esta é de família pobre e conta 16 anos de idade, filha de um empregado do pai de Maria da Luz.
     Na ocasião das aparições, aquelas redondezas eram perturbadas por bandos de gatunos que roubavam e saqueavam a valer, causando grande inquietação nos habitantes.
     Durante esta saída, Maria da Conceição, perguntou a sua companheira: "Que farias se os ladrões nos encontrassem agora?"  – Ficaria muito quieta, pois Nossa Senhora nos protegeria, respondeu Maria da Luz.
     Casualmente aquela, olhando para uma montanha próxima, exclamou: "Veja lá uma Senhora". De fato lá se achava uma Senhora que as chamava por acenos, tendo nos braços um belo menino.
     Do lado em que as meninas estavam, era impossível a subida: as rochas e ramos emaranhados impediam a passagem; foi-lhes necessário tomar um desvio, passando perto de sua casa para poderem subir com mais facilidade. Como fossem onze horas da manhã, a mãe de Maria chamou-as para almoçarem. Elas não quiseram ir contando o que tinham visto e queriam seguir o caminho até aquele lugar.
     A mãe – boa senhora, vice-presidente do Apostolado da Oração – disse muito simplesmente: "É história, venham almoçar". Neste momento, chega o pai, Arthur Teixeira, para almoçar. As meninas sentadas de fronte à casa, falavam sobre aquela senhora tendo a criança nos braços, a qual lhes acenara. A janela estando aberta, a mãe de Maria da Luz ouviu a conversa e narrou-a ao pai desta.
     O Sr. Arthur pediu-lhes que contassem o que haviam visto; as meninas lhe disseram tudo, asseverando com tal segurança que ele quis acompanhá-las. Tomando de uma foice, começou a limpar o caminho, quando, quase sem saber como, as meninas já haviam alcançado o cume do monte.
     De lá as meninas lhe gritavam, apontando em direção de uma pedra branca. Com dificuldade ele alcançou o alto, mas nada via do que lhe diziam.
     Entretanto, a mãe não ficou tranquila em casa; trouxe consigo as crianças, em número de cinco ou seis. Destas últimas, ninguém conseguiu ver coisa alguma.
     Apesar das meninas sustentarem que viam diante de si uma senhora com um menino, o pai, para mais segurança, mandou que elas lhe perguntassem o que desejava.
     Perguntaram e a visão respondeu: "Minhas filhas, virão tempos calamitosos para o Brasil! Dizei a todo o povo que se aproximam três grandes castigos, se não fizer muita penitência e oração".
     Restava-lhe muito que dizer ainda, mas ficou para mais tarde. As notícias corriam de boca em boca e os homens se aglomeravam naquele lugar onde fora vista aquela senhora com a criancinha, esperando ver qualquer coisa, mas nada viam.
 
II. PRIMEIRAS AVERIGUAÇÕES
     Entretanto, o vigário da Paróquia mandou chamar o pai de Maria da Luz, aconselhando-lhe que trouxesse a menina a fim de participar do retiro espiritual das Filhas de Maria, desde o dia 10 a 15 de agosto, preparando-se então para a primeira comunhão. Nesta ocasião o pai poderia estar com o Sr. Bispo.
     Mas não foi somente esta a singular aparição da Senhora. Na passagem diária das meninas naquele lugar, ela lhes aparecia.
     As opiniões eram, como sói acontecer em tais casos, sempre divididas; uns acreditavam, outros zombavam.
     As advertências de Nossa Senhora eram reiteradas: pedia sempre e insistia que era preciso rezar; senão seu Filho castigaria severamente o País.
     Certo dia houve um garoto naquele lugar, que atirou uma pedra em direção à aparição. As meninas disseram que a pedra atingiu a mão de Nossa Senhora e que jorrava muito sangue.
     Como dizíamos, atendendo ao pedido do vigário, o pai levou a menina para Pesqueira, apresentando-a ao Sr. Bispo, mas este mandou seu secretário (Pe. José Kehrle) ouvi-la, pois estava muito ocupado.
     Após a audiência, o padre disse: "Vocês estão enganadas". Porém Maria da Luz sustentou a palavra. Terminou-se a conversa entregando o padre umas perguntas, das quais ela devia pedir resposta à Senhora e enviá-las em seguida, na primeira ocasião, por escrito.
     A menina enviou a resposta pedida. Apesar de ela ser um tanto atrasada, não houve a menor inexatidão.
     Eram as seguintes as perguntas formuladas:
     1 – Quem pode mais que Deus?
     2 – Quantas pessoas há em Deus?
     3 – Quais são estas pessoas?
     4 – Em nome de Deus dizei quem sois e que quereis?
     5– Quereis falar com um padre?
     6 – Que significa o sangue que jorra da vossa mão?
     Após dois dias, o padre recebeu da menina as seguintes respostas:
     1 – Ninguém.
     2 – Três.
     3 – Pai, Filho e Espírito Santo.
     4 – Sou a Mãe da graça e venho avisar ao povo que se aproximam três grandes castigos.
     5 – Sim.
     6 – Representa o sangue que será derramado no Brasil.
     Então a menina perguntou com qual padre ela queria falar, enumerando diversos. A aparição respondeu:  – Quero falar com o padre que lhe fez estas perguntas.
     Estas respostas fizeram o Padre (José Kehrle) refletir e decidir-se ir àquele lugar para examinar se encontraria provas ou se eram ilusões ou falsidades.
 
III. APARIÇÃO DE JESUS E MARIA
As videntes: à esquerda Maria
da Conceição, à direita
Maria da Luz

     O lugar das aparições – "Guarda" – é localizado num alto, circundado de montanhas. Embaixo da montanha, em um vale, está a casa dos pais de Maria da Luz, a 500 metros de distância. A subida é muito penosa.
     Só com muita dificuldade cheguei em cima, escreve o sacerdote. Foi-me necessário tirar os sapatos para poder subir. O calor era insuportável. Numa distância de 40 a 50 metros, divisei o lugar das aparições e as duas meninas com o pai, os quais já estavam em cima; elas me diziam que a Senhora olhava para mim de cima, enquanto eu subia.
     – Que está fazendo a aparição? – perguntei.
     – 'Está sorrindo', disseram elas.
     Eu olhei primeiro, examinando o que havia por ali: tudo era pedra e entulho; na nossa frente estava um formidável abismo; no lugar das aparições notava-se um como número em forma de quatro (4); ao lado esquerdo outros números como um (1-1); no meio, uma linha branca, um pouco mais alta, que se podia alcançar só por meio de uma escada.
     – 'Lá está a aparição', diziam as meninas; mas eu nada via. Sob a pedra que se achava diante de mim, numa abertura, corria um pouco d'água.
     Perguntei ao pai de Maria da Luz se aquela água sempre existiu ali. Ele me disse: 'Não, mas como muitos não acreditassem nas aparições, as meninas pediram um sinal; desde então começou a brotar água'.
     Fiquei em cima com Maria da Luz e pedi que Maria da Conceição, com o Sr. Arthur, se retirasse um pouco abaixo, na montanha. Assim eles dois nos podiam ver, mas não ouvir. Então, eu disse à Maria da Luz: – 'Dize-me agora a verdade e não pregues mentiras, pois do contrário serás infeliz para toda a tua vida'.
     Eu queria fazê-la confessar que nada via. Ela, porém, permaneceu inabalável. Quando eu perguntei o que a aparição estava fazendo, disse-me ela, olhando em direção do lugar:
     – 'Ela olha para cá e está sorrindo'.
     – 'Agora dize-me: como está Ela?'
     Maria da Luz olha e diz:
     – 'Vejo uma bela Senhora, cujo vestido é creme, quase como vosso capote. O manto é azul-celeste, pendendo do pescoço, onde está seguro por uma fivela, com pedras preciosas. Num braço está a criança'.
     – 'Em que braço? No direito ou no esquerdo?'
     A menina não sabia distinguir o braço direito do esquerdo. Fez uma viravolta com o corpo e mostrou-me o braço esquerdo.
     – 'Ela, como o menino, traz uma coroa de ouro na cabeça', disse-me a jovem.
     – 'E a outra mão?' - perguntei.
     Fez então uma nova viravolta (apontando-me) mostrando-me o braço direito estendido para baixo.
     – 'A criancinha enlaça o pescoço da mãe com o bracinho direito", disse ela, dando uma viravolta e apontando o braço. A senhora tem na cinta uma fita da mesma fazenda e da mesma cor que a do vestido. Vejo somente um dos pés.
     – 'Qual deles?' - perguntei.
     Ela mostrou o pé direito, fazendo outra viravolta.
     – 'Atrás da Senhora vê-se um bonito oratório com duas torres fechadas. O oratório, que tem a forma de uma casinha, tem pedras preciosas nas suas torres'".

Foto antiga da Gruta em Cimbres

 
(continua)

As Aparições de Nossa Senhora em Cimbres, PE

(continuação)
 
IV. NOVAS INVESTIGAÇÕES
     "Chamei então o pai com a outra menina, ao qual, tendo chegado, eu disse: 'O senhor tome Maria da Luz e vá ficar no mesmo lugar. Eu fico com Maria da Conceição'.
     – 'Compreendeste alguma coisa do que eu disse a tua companheira?', perguntei à mocinha.
     – 'Não senhor', disse ela.
     Então eu lhe disse: 'Maria da Luz já me disse tudo e confessou a verdade: tudo o que vós arranjastes é mentira e invenção. Agora quero que me digas também a verdade: não é certo que nada vês?' A menina ficou como aterrorizada e olhando para o ponto das aparições, disse-me em tom choroso: 'Se Maria da Luz disse isto ou não, eu não sei; mas agora eu vejo a Senhora como antes'.
     Procurei embaraçá-la por meio de muitas perguntas, a fim de averiguar se era imaginação. 'Eu que sou padre, nada vejo! Tu que nada és, dizes que vês Nossa Senhora?' Ela permaneceu sempre firme.
     – 'Está bem – disse eu – dize-me o que vês agora'.
     Ela narrou tudo minuciosamente e fielmente como a sua companheira.
    Quando ela indigitava o lugar da aparição no ponto, eu dizia, para experimentá-la: 'Maria da Luz me disse que é noutro lugar, lá do outro lado'. Então ela olhava para o lugar que eu dizia e respondia: 'Não, eu vejo Nossa Senhora naquele lugar branco. No lugar que Maria da Luz indicou ao senhor, eu nada vejo'.
     Não encontrei sequer uma contradição no que as meninas me diziam.
     Chamei então Maria da Luz – deixando o pai onde estava – e perguntei a ambas se viam a Senhora. Ambas responderam: 'Sim, vemos'
     – 'Perguntem a Nossa Senhora se ela me vê', disse eu. Perguntaram, e Ela respondeu que sim.
     – Perguntem a Nossa Senhora se eu posso formular algumas perguntas numa língua estrangeira.
     – 'Sim', responderam, por Ela.
     Fiz então umas oitenta ou noventa perguntas em alemão, que as meninas não compreendem e recebi todas as respostas certas. Eu recebia as respostas por intermédio das meninas, em português, fielmente conforme eu perguntava em alemão, como: 'Wer bist du?' (quem sois vós?) – 'A Mãe do Céu'. 'Wie heisst das Kind auf deinem Arm?' (como se chama a criança em seu braço?) – 'Jesus'.
     – 'Por que apareceis aqui?'
     – 'Para avisar ao povo que três grandes castigos cairão sobre o Brasil'.
     – 'Quais são os castigos?'.
     Não respondeu, fazendo sinal com a mão para fazer entender, ou que não podia falar, ou que não queria.
     – 'Podeis então dizê-lo mais tarde?'
     – 'Sim'.
     – 'Por que não dais um sinal visível, para que o mundo possa ver que sois a Mãe de Deus?'
     – 'Já o dei'.
     – 'Qual é o sinal?'
     – 'A água que está correndo embaixo'.
     – 'Para que serve esta água?'
     – 'Para remédio'.
     – 'Para todas as doenças?'
     – 'Sim, mas para quem tem fé'.
     – 'Quem quiser pode tirar daquela água?'
     – 'Não, só as duas meninas'.
     – 'Por que não podem tirar quem quiser?'
     – 'Para que todos creiam'.
    Cortemos aqui as respostas, para destacar bem o que segue, pois é a parte essencial das revelações da Mãe de Deus.
 
V. AMEAÇAS E REMÉDIOS
     O Sacerdote continua o mesmo interrogatório, penetrando cada vez mais no âmago das questões palpitantes que a Virgem Santa quer revelar.
     – Qual é o fim da vossa aparição aqui?
     – Avisar que três grandes castigos virão sobre o Brasil.
     – Quais castigos?
     De novo ela fez sinais, fazendo entender que não podia ou não queria falar.
     – Que é necessário fazer para desviar os castigos?
     – Penitência e oração.
     – Qual a invocação desta aparição?
     – Das Graças.
     – Que significa o sangue que corre das vossas mãos?
     – O sangue que inundará o Brasil.
     – Virá o comunismo a penetrar no Brasil?
     – Sim.
     – Em todo o País?
     – Sim.
     – Também no interior?
     – Não.
     – Os padres e os bispos sofrerão muito?
     – Sim.
     – Será como na Espanha?
     – Quase.
     – Quais são as devoções que se devem praticar para afastar estes males?
     – Ao Coração de Jesus e a mim.
     – Não basta só uma?
     – Não.
     – Quereis que se pregue sobre este assunto?
     – Sim.
     – Permiti-lo-ão as autoridades eclesiásticas?
     Fez um gesto como se não quisesse dizê-lo.
     – Darão licença mais tarde?
     – Sim.
     – Quereis que se construa uma igreja aqui?
     – Não.
     – Quereis mais tarde?
     Fez os mesmos gestos.
     – Esta aparição é a repetição de La Salette?
     – Sim.
     – Haverá uma romaria aqui?
     – Sim.
     – Por que apareceis neste lugar, cuja subida é tão difícil?
     – Para o povo romeiro poder fazer penitência.
     – Quanto tempo faz que estais aqui?
     Fez um gesto com o dedo, como se quisesse dizer: "há muito tempo".
     – Se sois a Mãe de Deus, então dai-nos vossa bênção.
     Instantaneamente as duas videntes exclamam: "Olha lá!!! Está nos abençoando"... e fizeram o Sinal da Cruz.
     – Se sois a Mãe de Deus e a criança é o Menino Jesus, manda que Ele nos dê a bênção.
     Neste momento, as duas pobres camponesas, admiradas e transportadas de júbilo, exclamaram: "Ele já sabe dar a bênção também!" Fizeram mais uma vez o Sinal da Cruz.
     Uma das meninas exclamou ainda: "Agora vimos a outra mãozinha do Menino. Até agora ela estava enlaçada ao pescoço da Mamãe. Ele estende para o senhor os dois bracinhos".
     Fiz ainda muitas perguntas, obtendo respostas certas.
     Descendo eu, disse às duas meninas: "Agora vejam se a Senhora ainda está lá". Responderam ambas: "Sim, Ela está em frente de sua casinha, abençoando-nos".
     – Para que tanta bênção? disse eu, como se estivesse amolado e em tom grave.
     As meninas ficaram trêmulas e atemorizadas.
     – Pergunta a Ela, para que tanta bênção!
     – Para que sejais felizes, disse Ela.
     Perguntei de novo, em alemão: "Somente as duas ou eu também?"
     Responderam elas: "Para o senhor também".
     Tudo o que vi impressionou-me muito, excedendo as minhas expectativas. Umas das perguntas versou sobre os acontecimentos de Konnesreuth, perguntando se aqueles fatos eram de Deus ou do demônio.
     – "É de Deus", disse a aparição.
 
VI. PROVIDÊNCIAS E OPOSIÇÕES
Festa na Gruta em
31 8 1936

     As providências do Bispo foram as seguintes: que as meninas fossem examinadas pelo médico. Procedeu-se ao exame e averiguou-se que ambas são completamente sãs.
     A aparição repetia-se. Mas as contradições surgiam à medida que se falava nas aparições.
     A água corria constantemente, em pouca quantidade, e como que saindo da pedra.
     Começaram as curas extraordinárias; foi pena que os médicos não fossem avisados para examiná-las. Em todo o caso, o povo dá veracidade aos fatos e neles crê.
     Opinam que tenha havido profanação da fonte, embora não se saiba ao certo; e Nossa Senhora pediu que se fizesse um muro ou uma cerca, pois só as almas contritas e piedosas podiam assim aproximar-se a fim de fazerem orações e penitências.
     Fez-se a cerca, visto as pessoas se aglomerarem sempre mais em romaria. Veio a polícia e derrubou a cerca. Imediatamente secou a água até então corrente.
     O sacerdote mandou de novo construi-la e fechou as portas; logo depois a água brotou.
     Após oito dias veio a polícia novamente, destruiu a cerca e, como na outra vez, desapareceu a água.
     Falou-se que houvera sido o Bispo quem mandou a polícia. Este negou-o, dizendo que não sabia de nada.
     A aparição repetidas vezes veio e as meninas afirmaram que a Senhora lhes dissera: "Tenham paciência; as coisas que vêm de Deus são mesmo assim".
     Mandou então o padre que as meninas perguntassem a Nossa Senhora quem havia mandado os soldados, e a resposta foi esta: "Quem mandou foi um padre!"
     Quinze dias depois, uma carta das meninas chegou, dando-me o nome do culpado.
     Entretanto, a água não corria mais naquele lugar, mas um pouquinho acima. As meninas afirmaram que tinham pedido a Nossa Senhora para fazer a água sair novamente, então começou a correr. Nossa Senhora recomendou que não se dissesse isto a qualquer pessoa, para que só os bons recebessem da água.
     Maria da Luz entrou num colégio, a pedido de Maria Santíssima, para mais tarde, após ter adquirido um pouco de instrução, entrar no convento. A aparição pediu que as despesas necessárias fossem feitas pelo Padre, autor daquelas perguntas.
     Maria da Conceição está ainda com seus pais, em casa: parece-me que ela nunca mais viu a aparição.
     Outro fato sobre Maria da Luz: em todas as festas de Nossa Senhora, ela a viu na montanha de Guarda.
     Certo dia, perguntando algo a Nossa Senhora, recebeu esta resposta: "Nunca mais me manifestarei aqui em Guarda e os três castigos não virão já, porque o povo está melhor; mas é necessário ainda rezar muito e fazer penitência".
     Recomendou de novo a devoção ao Coração de Jesus e a Ele.
 
VII. CONCLUSÃO
     Tal é a narração publicada na revista Koenigsreuth. As relações escritas que me foram transmitidas, sendo recolhidas dos lábios do próprio sacerdote que formulou as perguntas são mais extensas, porém a narração acima é o resultado fiel do conjunto, e outros pormenores nada de essencial ajuntam ao fato.
 
(*) Padre Júlio Maria de Lombaerde. O Fim do Mundo está próximo! Profecias antigas e recentes. Livraria Boa Imprensa, Rio de Janeiro, 2ª edição, 1939, cap. VI, pp. 71 e ss.  Nihil obstat dado pelo Cônego José de Lima em 10 de julho de 1936, e Carta de Aprovação do Bispo de Caratinga, de 31 de julho de 1936
 
(**) RECIFE, 15 out. 21 / 04:03 pm (ACI)
     O bispo de Pesqueira (PE), dom José Luiz Ferreira Salles, reconheceu as “presumíveis aparições de Nossa Senhora da Graça” a duas crianças na Vila de Cimbres, em 1936, em carta pastoral publicada no início de outubro. ...
     Para dom Salles, “as narrativas históricas sobre os eventos na diocese de Pesqueira podem ser compreendidas a partir das afirmativas presentes no Diário do Frei Estevam Roettger”. O religioso escreveu que quem “acompanha atentamente os acontecimentos do Sítio Guarda no ano de 1936, há de se convencer que foi ‘Nossa Senhora da Graça ou das Graças’ que se manifestou e que na bondade do seu Coração maternal quer ajudar aos homens a se salvarem”.
     Por isso, o bispo de Pesqueira declarou que “as romarias, as ações de fiéis e religiosos mantidas até os dias atuais demonstram a importância do evento para as ações religiosas da Igreja Católica, não apenas em nossa diocese, mas em todos os espaços e manifestações do culto mariano”.
 
NOTA:
Pe. Júlio Maria de Lombaerde em processo de Beatificação e Canonização

Traços Biográficos 
     O Pe. Júlio Maria de Lombaerde nasceu em Beveren, Município de Waregem - Bélgica, aos 7 de janeiro de 1878. Seus pais: José de Lombaerde e Sidônia Steelandt. Recebeu na pia batismal o nome de Júlio Emilio Alberto de Lombaerde. Ele gostava de comemorar o seu aniversário natalício no dia 8, por ser a data de seu batismo.
     Atraído pela vida missionária, ainda antes de concluir os estudos foi para a África, onde se fez “Irmão Branco”, com o nome de Ir. Optato Maria. Em consequência de febres, tornou à Europa e, sentindo-se chamado para o sacerdócio, ingressou na Congregação dos Missionários da Sagrada Família. Foi ordenado em 1908.
     Em 1912 foi enviado para as missões na Amazônia, onde esteve até 1926. Fundou em Macapá, 1916, a Congregação das Filhas do Coração Imaculado de Maria; veio para Manhumirim em 1928, onde foi pároco até à morte. Fundou aí as Congregações dos Missionários de Nossa Senhora do Santíssimo Sacramento, em 1928, e as Irmãs Sacramentinas de Nossa Senhora, em 1929.
     Após ter escrito quase uma centena de livros para instrução do povo, faleceu na vigília do Natal de 1944, em trágico desastre de automóvel, em Vargem Grande - Alto Jequitibá MG. 
 
"Hei de ser Santo, custe o que custar". (Pe. Júlio Maria de Lombaerde)