Marta
e Maria foram as irmãs de Lázaro que aparecem na narrativa bíblica do Novo
Testamento. Além do episódio que envolve a ressurreição de Lázaro, elas
são mencionadas em outras passagens.
Marta e Maria, bem como seu irmão Lázaro,
moravam em Betânia, uma vila que ficava a cerca de três quilômetros de
Jerusalém, no declive oriental do Monte das Oliveiras, na estrada para Jericó.
O nome de Marta é mencionado na Bíblia
apenas nos Evangelhos de São Lucas e São João (Lc 10:38-41; Jo
11:1,5,19-39; 12:2), e se origina de uma raiz aramaica que significa algo como
“dona” ou “senhora”. Ela é a única pessoa com esse nome em toda a Bíblia.
Muito provavelmente Marta era a mais velha
entre os três irmãos, ou pelo menos mais velha do que sua irmã Maria. A
narrativa bíblica que menciona que Jesus foi recebido na casa de Marta parece
concordar com isso (Lucas 10:38).
Alguns estudiosos, ao comparar os
registros de São Mateus 26:6, São Marcos 14:3 e São João 12:2 acerca da ceia
que ocorreu na casa de um homem chamado Simão, o leproso, tentam responder por
que Marta estaria servindo naquela ocasião.
Alguns argumentam que a ceia era em
comemoração a ressurreição de Lázaro, e por isso, mesmo sendo na casa de
Simeão, Marta se ocupou de servir a mesa. Outros sugerem que talvez Simão fosse
solteiro, e ao oferecer tal ceia, necessitou da ajuda de seus amigos. Outros
ainda levantam a possibilidade de que talvez Marta tivesse sido a esposa desse
homem. Entretanto, não há como responder essa pergunta com exatidão.
Não se sabe muito sobre quem foi Maria de
Betânia, apenas que era irmã de Marta e de Lázaro (Jo 11:1-46), e. como
foi dito, provavelmente era a irmã mais nova entre os irmãos, visto que Marta
parece assumir uma posição de liderança.
Maria aparece com destaque em duas
ocasiões que ocorreram no ministério terreno de Jesus: quando ungiu o Senhor e
quando preferiu ficar escutando as palavras de Jesus a ajudar sua irmã com os
afazeres domésticos, além, é claro, de quando é mencionada na narrativa bíblica
acerca da ressurreição de seu irmão, Lázaro.
São Lucas registrou uma visita de Nosso Senhor
a Betânia, quando foi recebido na casa de Marta (Lc 10:39-42). Naquela
ocasião, Maria estava assentada aos pés de Jesus ouvindo atentamente o que ele dizia,
enquanto Marta se ocupava das tarefas da casa.
Num determinado momento, Marta acabou se
distraindo devido a tudo o que tinha por fazer. Obviamente Marta estava ocupada
com os afazeres domésticos, e muito provavelmente preparando uma refeição para
seus hospedes. É possível que se tratasse de uma refeição para pelo menos 15
pessoas, isto é, Jesus, seus doze apóstolos e ambas as irmãs, visto que o
contexto imediato da passagem favorece a interpretação que na ocasião Jesus
estava acompanhado de seus discípulos (Lc 12:38; cf. 10:38-42; 11:1)
Além disso, existe a possibilidade de
Lázaro ter estado presente, o que elevaria esse número para 16 pessoas. De
qualquer forma, é certo que Marta estava muito atarefada enquanto Maria
escutava o ensino de Nosso Senhor.
Logo Marta parece ter ficado um tanto irritada
com a falta de auxílio de Maria, e acabou questionando Jesus acerca de tal
comportamento: “Senhor, não te importa que minha irmã me deixe fazer todo
o trabalho sozinha? Diz-lhe que tenha coragem e venha me ajudar” (Lc
10:40). Perceba que a crítica não foi apenas direciona a Maria, mas também a
Jesus, que permitia que Maria ficasse ali.
Jesus respondeu a Marta dizendo que ela
estava preocupada com muitas coisas, mas que havia algo muito mais importante e
excelente do que aquilo que era alvo de sua atenção. No início de sua
resposta Jesus usou a expressão “Marta, Marta”, o que significava não apenas
uma reprovação, mas também um conselho de terna afeição. Jesus disse a ela que “uma só coisa é
realmente necessária”. Alguns estudiosos sugerem que Jesus estava se referindo
a própria refeição, como se estivesse dizendo que apenas uma simples refeição
teria sido suficiente. Todavia, a sequência de sua resposta revela algo muito
mais além: “Maria escolheu a boa parte, e esta não lhe será
tirada” (Lc 10:41,42).
A expressão “boa parte” também pode ser
traduzida como “boa escolha”, no sentido de ter escolhido a melhor parte, e que
no texto aplica-se diretamente a frase antecedente: “uma só coisa é
realmente necessária”.
A boa parte que Maria escolheu,
obviamente foi ouvir as palavras de Jesus. Com isso, entende-se que ela
demonstrava uma devoção e adoração sincera ao Senhor, e essa é a porção que
jamais lhe seria tirada. Claramente essa conduta está em harmonia com seu
exemplo ao ungir Jesus.
http://www.santiebeati.it/dettaglio/96761
http://www.santiebeati.it/dettaglio/23750
https://estiloadoracao.com/marta-e-maria-de-betania/
A Beata Camila Gentili de Rovellone viveu
na segunda metade do século XV em San Severino, Marche di Lucca, Itália. Não
era da realeza, mas filha de nobres; seus pais eram os senhores Rovellone e
Brandina da família Giusti, da aristocracia local.
Em
uma transação injusta, mas típica das famílias nobres, Camila foi dada como
esposa a Batista Santucci, um homem violento que além do mais tinha rancores
contra os Giusti, o que torna a situação bastante inexplicável. Camila era uma
mulher suave, doce, submissa e todos apreciavam-na por causa de sua bondade.
Em
1482, Batista assassinou Pierozzo Grassi, que era da família dos Giusti, e foi
declarado culpado e condenado à morte, mas teve a vida salva pela intercessão
de Camila, que interveio com seu empenho pessoal e suas orações. Diante de um
favor de tão alto valor, Batista não apenas não lhe agradeceu, como o ódio
irracional contra a família aumentou, dirigindo-se contra a esposa, a ponto de
proibir que ela fosse visitar sua mãe. A isto Camila se negou e continuou a
visitá-la com a mesma frequência de até então.
Aquilo
exasperou Batista, que planejou meticulosamente sua vingança: fingindo uma
ternura que não era natural nele, propôs a sua esposa passar uns dias em
Uvaiolo, onde possuíam um sitio. Ela, acreditando que seu marido estava
mudando, não suspeitou de nada e o acompanhou encantada. Quando estavam a sós,
ele a apunhalou brutalmente ferindo-a no seio esquerdo, sob o qual palpita o
coração, e na garganta, enquanto ela invocava o Senhor e perdoava seu
assassino.
Era
o dia 26 de julho de 1486. Após a morte de Camila, Batista teve a desfaçatez de
tentar fugir, mas devido à sua vinculação com aquela região e aos seus
antecedentes, foi imediatamente descoberto e objeto da indignação da sociedade,
embora não haja registros sobre qual foi o seu castigo.
O
corpo de Camila foi enterrado na Igreja de Santa Maria dal Mercato (atual
Igreja de São Domingos) que era onde a família Gentili tinha seu mausoléu.
Atualmente seu túmulo continua sendo destino de peregrinos que pedem graças e
sua intercessão. Foi muito devoto dela o Cardeal de Bolonha, Próspero
Lambertini, depois papa Bento XV.
Em
15 de janeiro de 1841 Gregório XVI a proclamou beata e estabeleceu sua festa
para o 27 de julho, dia posterior ao de seu assassinato.
Etimologia: Camilo,
-a, do etrusco/latim Camillus: “liberto que servia os sacerdotes
no sacrifício; menino nobre deste mister”. Muito contribuiu para a difusão
deste nome a figura da virgem guerreira Camila mencionada por Virgílio na obra
Eneida.
Fontes:
http://es.catholic.net/op/articulos/37310/camila-gentilli-beata.html
http://www.santiebeati.it/dettaglio/90853
Postado
neste blog em 26 de julho de 2018
Joana,
mais conhecida como Vanna, nasceu em Carnaiola, próximo de Orvieto, em 1264.
Como ficasse órfão aos cinco anos, suas companheiras de brincadeira procuraram
assustá-la dizendo que não tinha quem olhasse por ela e que morreria de fome.
Porém a menina respondeu sem se intimidar: “Eu tenho um pai melhor do que o
vosso”. As crianças perguntaram o que significava isto e Joana levou-as até
a igreja e lhes mostrou uma imagem do Anjo da Guarda: “Eis aqui o meu pai e
a minha mãe, com ele estarei menos abandonada do que vocês. Ele velará por mim”.
Sua confiança não foi frustrada, pois foi adotada por uma família de Orvieto,
que se encarregou de educá-la e de arrumar-lhe casamento.
Aos dez anos se consagrou a Jesus e já desejava uma vida de completa dedicação
a Ele. Trabalhou de modista em Orvieto; de forma silenciosa, seus
protetores prepararam seu casamento e ela fugiu de casa, se refugiou na casa de
uma amiga e se tornou Terciária Dominicana, rechaçando a vantajosa proposta
matrimonial. Assim, aos 14 anos Joana recebeu o hábito branco daquela Ordem.
A partir desse momento, se consagrou inteiramente ao serviço de Deus e dos
pobres. Segundo a tradição, Joana se mostrava particularmente bondosa com
aqueles que a aborreciam e fazia penitência por eles; esse era o motivo pelo
qual se dizia em Orvieto que se alguém desejava que a beata rezasse por si,
tinha que molestá-la.
Joana viveu uma intensa devoção pela Paixão de Cristo, que foi acompanhada de
fenômenos místicos; tinha uma castidade perfeita, que, segundo a legenda, a
Providência a salvou duas vezes de ser violada. Joana teve também o dom de
profecia e numerosas tentações que sobre enfrentar com a graça e o amor divino.
O Beato Santiago de Mevania, que se encontrava então no convento dos
dominicanos de Orvieto, foi seu diretor espiritual durante vários anos.
Conta-se que Joana se confessou com ele em Orvieto, quando o cadáver do beato
se achava em Mevania (atual Bevagna).
Não lhe faltaram críticas e desprezos por parte de alguns de seus concidadãos
que duvidavam de sua virtude. Ela suportou com paciência e humildade todas as
dificuldades, inclusive as doenças que teve que suportar, que foram muitas e
longas. Sob sua direção silenciosa formou pessoas no amor de Deus; conseguiu a
conversão dos hereges patarinos de Orvieto, que negavam a Eucaristia, e a
pacificação da cidade nas lutas entre guelfos e gibelinos.
Joana predisse vários dos milagres que ocorreriam depois de sua morte, mas fez
tudo quanto pode para esconder as graças extraordinárias que o céu lhe havia
concedido. Não pode ocultar, entretanto, seu desapego do mundo, sua humildade e
sua mansidão. Nos últimos dez anos de sua vida, todas as sextas-feiras, em
êxtase, parecia um crucifixo vivo, e seus ossos se deslocavam com fragor.
A beata professou sempre particular devoção pelos Anjos. Morreu em odor de
santidade assistida por eles no dia 23 de julho de 1306, e sobre seu sepulcro
ocorreram muitos milagres. Seu corpo repousa na igreja de São Domingos.
Foi declarada beata em 1743 e seu culto foi aprovado em 11 de setembro de 1754
pelo Papa Bento XIV. Em 1926 foi declarada patrona das costureiras e dos
alfaiates italianos.
Fontes: evangeliodeldia.org;
http://www.santiebeati.it/dettaglio/90787
Postado
neste blog em 21 de julho de 2017
A vida
desta Santa nos leva às origens da vida religiosa feminina. Santa Macrina
está ligada à fundação do monasticismo no Oriente, apesar de ter ficado
obscurecida pelas figuras ilustres de seus irmãos. Além de São Basílio o
Grande, São Gregório de Nissa e São Pedro de Sebaste, um outro irmão de Macrina,
Naucratius, tornou-se ermitão, dedicando sua vida a auxiliar os pobres.
Santa Macrina
persuadiu sua mãe a fundar dois mosteiros, um para homens e outro para
mulheres, pois não existiam conventos e a vida consagrada se realizava nas
próprias casas; escreveu as regras para as monjas com admirável prudência
e piedade; estabeleceu no mosteiro o espírito de pobreza, de humildade, de
oração permanente, de contemplação, um desprendimento completo do mundo e o
canto de Salmos.
Macrina
nasceu em Cesaréia, na Capadócia, outrora um reino independente e província do
Império Romano a partir de 14 d.C. Era a primogênita de dez filhos de São
Basílio o Maior e Santa Emélia, pertencentes à aristocracia helenizada da Ásia
Menor que prontamente aceitou o cristianismo.
Como
seus pais sofressem perseguições religiosas por parte do imperador Galério
Máximo (293-311), a família mudou-se para o Ponto, província romana localizada
ao norte da Capadócia.
Macrina
é chamada a Jovem, porque levava o nome da avó paterna, ela também santa,
Macrina a Anciã. Desde a mais tenra idade foi educada nas Sagradas Escrituras;
o Livro da Sabedoria e os Salmos de David eram as obras prediletas de Macrina,
que não se descuidava dos deveres domésticos e dos trabalhos de bordado e de
costura.
Na
adolescência, devido a sua beleza, muitos foram os pretendentes à sua mão. Aos
doze anos, como era costume, o pai prometeu-a em matrimônio, mas o noivo morreu
prematuramente. Macrina recusou-se a aceitar novos compromissos e, como a mãe ficara
viúva após o nascimento do décimo filho, permaneceu a seu lado ajudando-a na
educação de seus irmãos.
Os
irmãos aprenderam com ela o desprezo do mundo, o temor da riqueza e o amor à
oração e a palavra de Deus. Macrina foi “o pai e a mãe, a guia, a mestra e a
conselheira” de seu irmão mais novo, Pedro, pois o pai morreu pouco depois do
seu nascimento.
Macrina
exerceu muita influência sobre seu irmão Basílio, que deixou a vida mundana de
erudito para abraçar, em 356, a vida monástica, tornando-se depois
Bispo de Cesárea (em 370). Ele voltou a rever a irmã no mosteiro em 376;
ordenou sacerdote o irmão mais novo, Pedro, que vivia em um mosteiro vizinho ao
da irmã. São Basílio morreu em 1° de janeiro de 379.
Quando
todos os irmãos se tornaram autossuficientes, Macrina convenceu a mãe a se
retirar com ela para a solidão em uma propriedade da família em Anési, nas
margens do Rio Íris, onde fundaram um mosteiro, e para onde seguiram também
suas criadas e companheiras.
Numa
organização de tipo familiar, as monjas dedicavam-se à meditação sobre as
verdades do cristianismo, às orações e ao auxílio aos pobres. O claustro
feminino deveria ser um espaço inviolável, longe do profano. O convento era
considerado essencial para as virgens absorverem a cultura sagrada; nele as
mulheres poderiam ser alfabetizadas. Não só os irmãos de Macrina, mas também
amigos da família, como São Gregório Nazianzeno e Santo Eustáquio de Sebaste,
estiveram ligados a esta comunidade.
Macrina
teve papel preponderante na espiritualidade católica do século IV. Pelo fato de
viverem inteiramente dedicadas ao ascetismo virginal e de basear seu
conhecimento unicamente nas Escrituras, Macrina e outras virgens são
consideradas verdadeiros esteios do cristianismo. Macrina possuía uma excelente
bagagem intelectual: sua mãe a ensinara a ler e ela conhecia autores cristãos,
como Orígenes, além de ler as obras dos irmãos. Macrina
e outras virgens elaboravam retiros para onde afluíam moças pobres e também
viúvas abastadas que decidiam ingressar na vida religiosa. Os grandes grupos de
virgens, de cinquenta a cem, eram mantidos por aquelas senhoras ricas que
dedicavam seus recursos ao convento e nele também viviam.
Uma passagem de uma carta de São Basílio
Magno aos habitantes de Neocesareia mostra a força da virtude feminina na
difusão do cristianismo do século IV: “Que prova mais clara poderia
haver em favor da nossa fé do que o fato de ter sido educado por uma avó que
era uma bem-aventurada mulher saída do meio de vós? Falo-vos da ilustre
Macrina, que nos ensinou as palavras do bem-aventurado Gregório (o Taumaturgo),
todas as que a tradição oral lhe tinham conservado, que ela própria guardava e
de que se servia para educar e para formar nos dogmas da piedade a criancinha
que éramos ainda?”
Por
ocasião da morte da mãe, em 373, Macrina tornou-se superiora do mosteiro.
Macrina repartiu entre os pobres a herança que recebeu de sua mãe, e viveu do
trabalho de suas mãos.
Retornando
do Concílio de Antioquia, em 379, São Gregório, Bispo de Nissa, desejou passar
por Anési para visitar a irmã, mas a encontrou nos seus últimos momentos de
vida.
O
santo ficou muito consolado vendo a alegria com que sua irmã suportava a
tribulação e muito impressionado com o fervor com que ela se preparava para a
morte. Eles tiveram somente um último colóquio de elevado teor espiritual e
depois de uma magnífica oração a Deus Macrina entregou a alma a Deus (380).
Santa
Macrina era tão pobre, que para amortalhar o cadáver não se encontrou outra
coisa além de um vestido velho e um tecido surrado. São Gregório, porém, doou a
sua túnica de linho para seu sepultamento. O corpo foi sepultado na igreja dos
40 Mártires de Sebaste, a pouca distância do mosteiro, onde já estavam
sepultados seus pais.
Ao
funeral compareceu o bispo do local, Arauxio; juntos ele e São Gregório
transportaram o féretro. Uma grande multidão de fieis foram venerar a falecida.
“A Vida
de Macrina”
A
sua “Vida” e a sua espiritualidade são narradas em uma importante obra escrita
pelo próprio São Gregório de Nissa, com muitos detalhes sobre sua virtude, sua
vida e seu enterro. A “Vita Macrinae Junioris” foi redigida em forma de carta e
dedicada ao monge Olímpio, que o acompanhara no Concílio de Constantinopla em
381.
O
Concílio de Nicéia, convocado por Constantino, refutara as ideias de Ario (c.
260-336), bispo de Alexandria, que afirmava que Deus e Cristo não possuíam a
mesma substância: o Filho seria inferior ao Pai. Em Nicéia, os ensinamentos de
Ario foram condenados e adotou-se o conceito de substância idêntica para
estabelecer a relação entre Pai e Filho, conforme descrito no Credo de Nicéia.
Entretanto,
o arianismo continuaria forte por mais sessenta anos, praticamente durante toda
a vida de Macrina (o arianismo, embora enfraquecido, fez ainda muita devastação
na Cristandade nascente). As disputas teológicas e as perseguições aos cristãos
do Oriente formam o pano de fundo da Vida de Macrina, a obra
escrita por São Gregório de Nissa.
O
santo fala de dois milagres: no primeiro, Santa Macrina recuperou a saúde
quando a mãe traçou sobre ela o Sinal da Cruz; e, no segundo caso, a Santa
curou de uma doença nos olhos a filhinha de um militar.
São
Gregório acrescenta: "Creio que não é necessário que eu repita
aqui todas as maravilhas que contam os que viveram com ela e a conheceram
intimamente... Por incrível que pareçam esses milagres, posso assegurar que os
consideram como tais quem teve ocasião de estudá-los a fundo. Só os homens
carnais se recusam em crer neles e os consideram impossíveis. Assim, pois, para
evitar que os incrédulos sejam castigados por se negar a aceitar a realidade
desses dons de Deus, preferi abster-me de repetir aqui essas maravilhas
sublimes..."
O
texto grego se encontra nas obras do Santo. Na Acta Sanctorum, julho, vol. IV,
há uma tradução em latim. Há também uma tradução em inglês feita por
W. K. Lowther Clarke (1916).
O nome Elvira é um nome espanhol de
tradição visigótica, também na variante masculina Elvirio e foi bastante
difundido na Itália a partir do século XVIII. O nome também pode derivar do
hebraico "Elbirah" e significa "templo de Deus". Ou ainda
do alemão e significa “prudente conselheira”.
De fato, o nome tornou-se conhecido sobretudo
pelo conhecimento de obras dramáticas e líricas de Molière, Mozart, Bellini,
Verdi, D'Azeglio, onde existe uma personagem com este nome.
Em um ambiente cristão, havia uma Santa
Elvira mártir, recordada em 25 de janeiro, da qual quase nada se sabe; e,
depois, mais conhecida, a Santa Abadessa Elvira, na Alemanha.
Na Biblioteca Estadual de Trier, há um
Breviário do século XIV, no qual aprendemos que Elvira viveu nos séculos XI e
XII, que foi primeiro monja e depois abadessa do mosteiro de Öhren.
Santa
Elvira é celebrada no mesmo dia em que se recorda da Virgem do Carmo, devoção tão
arraigada na Espanha e no mundo inteiro.
Elvira
consagrou sua vida ao Senhor mediante os três laços imperecedouros da virgindade,
da pobreza e da obediência no mosteiro de Öhren.
Sua virtude resplandecia entre todas suas
irmãs. Por isso, apenas tiveram ocasião, a elegeram abadessa ou superiora do mosteiro.
Foi uma alegria para todas. Soube dirigir o mosteiro com tanta prudência,
amabilidade e bom conselho, que as monjas e todas as pessoas com quem ela tratava
ficavam encantadas diante do atrativo de sua santidade.
O mosteiro
d´Öhren, situado na Renania alemã, foi construído no século VII por Dagoberto I
da Austrasia e São Modoaldo. O apostolado de Santa Elvira brilhou por seus
dotes de atenção aos pobres e suas qualidades para governá-lo segundo a Regra.
Ao
falecer teve o culto das santas virgens, com celebração no dia 16 de julho.
Fontes:
http://www.santiebeati.it/dettaglio/63000
Autor:
P. Felipe Santos http://vidas-santas.blogspot.com/2013/07/santa-elvira-o-erlwira-de-ohren-abadesa.html
Irmã
Francisca de Jesus Maria, infelizmente pouco conhecida mesmo nos ambientes
católicos do Brasil, é irmã da Madre Jacinta de São José, fundadora do Carmelo
Descalço no Brasil.
Nasceu
Francisca no Rio de Janeiro, em 1719, sendo a última dos quatro filhos de José
Rodrigues Ayres e Da. Maria Lemos Pereira, ambos pertencentes a famílias
católicas e abastadas. O virtuoso casal proporcionou a seus filhos, dos quais
três abraçaram o estado religioso, sólida formação.
Francisca,
reconhecendo desde logo o modo extraordinário pelo qual a Providência divina
dirigia sua irmã Jacinta, deixou-se docilmente guiar por ela, apesar da
diferença de apenas quatro anos na idade. Obedecia-a como sua superiora e,
desde a infância, empregavam ambas o tempo que lhes sobrava, após as ocupações
domésticas, em leitura espiritual, meditação, silêncio, mortificação e
penitências rigorosíssimas.
Cilícios
como presentes
Um
fato surpreendente para nossa época ocorreu nessa família: José Ayres,
compreendendo que um desígnio especial pairava sobre suas filhas, não só não
proibia, mas incentivava as santas inclinações de ambas, chegando a dar-lhes
cilícios como presente de Natal, certo de agradá-las com este gesto, como
também a Deus.
Francisca
ainda não atingira os 12 anos de idade quando Jacinta expôs-lhe as vantagens do
estado religioso, resolvendo ambas, então, abandonar o mundo para se encerrar
no claustro.
Embora recebessem do pai todo apoio, encontraram por parte da mãe uma oposição
peremptória. A morte repentina do pai submeteu-as por completo à vontade
materna, sem contudo deixarem as duas irmãs de viver em casa como se estivessem
num convento, ao mesmo tempo que cumpriam fielmente seus deveres filiais. As
duas irmãs compraram uma chácara, em local deserto do Morro do Desterro,
adaptando as toscas habitações nela existentes, onde as duas irmãs iniciaram a
vida em comum.
O prêmio
da obediência
Um dia, Jacinta, na qualidade de
superiora, dirigiu-se a Francisca e mandou-lhe plantar alguns pedregulhos, por
estarem precisando de coentro, planta medicinal da família das umbelíferas.
Francisca
obedeceu incontinenti, regando todos os dias o que plantara, como se se
tratasse de preciosas sementes. Deus Nosso Senhor abençoou aquele ato de
obediência operando o milagre: daqueles pedregulhos nasceram magníficos
coentros.
Obediência
após a morte  |
| Madre Jacinta de S José |
Em consequência do excessivo
trabalho e das austeridades, Francisca foi atacada de congestão pulmonar.
Durante os grandes sofrimentos da última doença, guardou sempre o mesmo
semblante sereno e alegre. No dia 13 de julho de 1748, entregou a
alma a Deus, aos 30 anos de idade.
Quando
Madre Jacinta a foi amortalhar com algumas outras jovens, que a elas se tinham
associado na mesma vida de austeridade, era tal a flexibilidade do corpo de
Francisca, que sua irmã não conseguia colocar nele as meias. Disse-lhe, então,
Madre Jacinta: "Francisca, não estareis quieta com essas
pernas?" Imediatamente o cadáver suspendeu-as, de maneira a
facilitar o trabalho da irmã.
Entretanto,
a notícia da morte da serva de Deus e do estado de seu corpo percorreu a
cidade. Inúmeras autoridades vieram presenciar o milagre. O corpo foi
depositado provisoriamente num sepulcro, mas o povo, acorrendo em massa para
ver a "bem-aventurada" - como a chamavam - abriu a sepultura e o
caixão. Uns moviam-lhe os braços, outros lhe abriam os olhos, admirados e
louvando a Deus.
Dias
depois, os Irmãos Terceiros Franciscanos, querendo para si aquele tesouro,
apesar do desejo contrário da Madre Jacinta, que desejava ter o corpo junto a
si - com insistência e quase com violência - começaram a transportar os santos
despojos para sepultá-los em sua igreja. Jacinta, no entanto, ordenou ao
cadáver: "Francisca, veste-te de corrupção!". Imediatamente
desapareceram todos os vestígios gloriosos e o corpo se corrompeu. Os Irmãos
Terceiros, admirados, retiraram-se. Apenas tinham eles se afastado, o corpo
recuperou sua incorruptibilidade anterior, sendo em seguida revestido com o
hábito do Carmo e sepultado na capela do convento, onde se encontra até hoje.
Fontes:
Notícias históricas pelas religiosas do Convento de Sta. Teresa, Rio de
Janeiro; Frei Nicolau de São José OCD, "Vida da Serva de Deus Madre
Jacinta de São José", Est de Artes Graf C Mendes Jr., Rio de Janeiro,
1933.
Nota: Para
conhecer a Madre Jacinta de São José e a história do Carmelo de Sta. Teresa
Madre Jacinta de São José, Carmelita – 2 de outubro
http://heroinasdacristandade.blogspot.com ›
2016/10
Postado neste blog em 12
de julho de 2012
Margarida
Eleonora de Justamond, filha do nobre Jean Pierre de Françoise Thérèse de Faure,
nasceu em Bollène em 12 de janeiro de 1746. A família era uma das mais
proeminentes de Bollène a quem ela havia dado magistrados e funcionários, e
também uma das mais católicas: uma tia da futura mártir era uma ursulina em
Pont-Saint-Esprit, enquanto duas irmãs, a mais velha era uma ursulina em Pernes
e a outra era uma cisterciense em Santa Catarina de Avignon.
Em 1764 Margarida entrou no mosteiro de
Santa Catarina em Avignon; o mosteiro havia sido construído em 1264 e ostentava
uma história antiga e de grande prestígio. Margarida, entrando no noviciado,
tomou o nome de Irmã Maria de Santo Henrique, e em 12 de janeiro de 1766 fez a
profissão solene nas mãos da abadessa do mosteiro, Madre Teresa de São Bento de
Rilli. Em 1773 teve a alegria de presenciar a profissão de sua irmã Madalena
Francisca, que seguia sua irmã no mesmo mosteiro.
No final de 1790 o claustro do mosteiro
foi violado pelos revolucionários; as irmãs Justamond retiraram-se para a sua
cidade natal e, mais tarde, juntaram-se às outras freiras que foram expulsas
das suas casas e se reconstituíram em comunidade apesar das proibições. Todas
as freiras foram presas em 2 de maio de 1794; ela foi apresentada aos juízes
como "cerca de 47 anos de idade, ex-nobre, nascida em Bollène e residente
no antigo mosteiro de Santa Catarina em Avignon".
Ela foi condenada como contra-revolucionária
porque havia manifestado ideias monárquicas. Ela foi mandada para a guilhotina
naquela mesma noite; era o dia 12 de julho de 1794. Embora tivesse nascido de
uma família nobre e rica, não queria privilégios; nem as perseguições, nem as
difíceis condições materiais em que se encontrava após a sua expulsão do
mosteiro, nem o medo da morte na guilhotina afetaram a sua constância,
mantendo-se fiel à sua fé, à sua profissão monástica. Quando foi guilhotinada,
ela tinha 48 anos e 6 meses.
Os acontecimentos ocorridos em Orange
durante o mês de Messidoro em 1794, que causaram trezentas e trinta e duas
vítimas, incluindo trinta e duas freiras (dezesseis ursulinas, treze
sacramentinas, duas cistercienses, uma beneditina) e trinta e seis padres,
todos guilhotinados, nunca foram esquecidos.
Em 21 de agosto de 1905, o Tribunal para o
processo de beatificação das trinta e duas freiras foi estabelecido em Avignon.
Em 4 de dezembro de 1906, os documentos do processo de informação relativos às
monjas guilhotinadas foram enviados à Congregação dos Ritos de Orange. Em 6 de
junho de 1916 a mesma congregação emitiu parecer favorável à introdução da
causa e em 14 de junho o Papa Bento XV ordenou a abertura do processo
apostólico que estabeleceria a existência do martírio. Em 10 de maio de 1925, o
Papa Pio XI com o decreto Adolevi reconheceu as trinta e duas mártires de
Orange como beatas e marcou a celebração de sua memória em 9 de julho.
Fonte: www.postulazionecistercense.com
Nota: Para maiores informações: André Reyne - Daniel
Brehier "Le martiri di Orange. La persecuzione dei Cattolici nella Francia
giacobina" Il Cerchio
http://www.santiebeati.it/dettaglio/98135