quinta-feira, 15 de junho de 2023

Santa Margarida Maria Alacoque e o Sagrado Coração de Jesus

     
Margarida Maria Alacoque nasceu em 22 de julho de 1647, em L'Hautecour, região da Borgonha, na França. Seu pai, Claudio de Alacoque, era juiz e tabelião, e morreu quando Margarida ainda era muito jovem. Após a morte do pai, Margarida foi morar com o tio, Toussant. Ela e a mãe, Felisberta de Alacoque sofreram muito com essa mudança. Ela passou necessidade, pois seus parentes não eram generosos e não lhe permitiam ingressar no convento, como era seu desejo. Recebeu sua 1ª Comunhão aos 9 anos de idade e, aos 22, a Crisma. Conta-se que, para confessar-se, escrevia seus pecados num papel, para não se esquecer de nada. 
     Em 24 de junho de 1673, aos 25 anos, Margarida Maria teve sua primeira visão do Sagrado Coração de Jesus, fato que se repetiria por mais dois anos, a cada primeira-sexta feira do mês. Em 1675, nas oitavas de Corpus Christi, Jesus apareceu-lhe então com o peito aberto e o coração ferido, fora do corpo. Apontando Seu coração com o dedo, lhe disse: “Eis o Coração que tem amado tanto aos homens, a ponto de nada poupar até exaurir-se e consumir-se para demonstrar-lhes o seu amor. E em reconhecimento, não recebo senão ingratidão da maior parte deles”.
     Numa das aparições, enquanto ela estava em êxtase, recolhida e imóvel, com os braços cruzados no peito, através das graças ela viu o Coração. Este coração estava completamente cercado de chamas e rodeado por uma coroa de espinhos, transpassado por uma profunda ferida, todo ensanguentado e encimado por uma cruz. “Margarida - disse Jesus, dirigindo-se a ela – “Eu te prometo, na excessiva misericórdia do meu coração, dar penitência final a todos os que comungarem na primeira sexta-feira em nove meses consecutivos. Eles não morrerão no meu desagrado, nem sem receber os Sacramentos, tornando-se meu Coração refúgio para eles naqueles transes extremos”.
     E como preparação para as comunhões, o próprio Cristo revelou a Santa Margarida a prática da Hora-Santa, com as seguintes palavras:
     Em toda a minha Paixão foi no horto que mais sofri, vendo-me completamente abandonado do céu e da terra. Oprimido pelos pecados de todos os homens, apareci perante a Santidade de Deus, que, sem consideração pela minha inocência, me esmagou com o peso da sua ira, fazendo-me beber o cálice que continha todo o fel e toda a amargura da sua cólera justíssima. Ninguém pode compreender a intensidade desse meu tormento… Todas as noites, da quinta para a sexta-feira, far-te-ei participar da mortal tristeza que senti no horto. Para me acompanhares nesta humilde oração, que então ofereci a meu Pai, levantar-te-ás entre as onze e meia noite, e te prostrarás durante uma hora com a face sobre a terra, como Eu fiz, não só para aplacar a ira divina, pedindo misericórdia pelos pecadores, mas também para adoçar, de algum modo, a amargura que senti pelo abandono dos meus Apóstolos que não tinham podido velar uma hora comigo”.
     Santa Margarida morreu em 17 de outubro de 1690, aos 43 anos de idade, em Paray-le-Monial. Foi beatificada em 18 de setembro de 1864, em Roma, pelo Papa Beato Pio IX. Sua canonização aconteceu em 13 de maio de 1920, pelo Papa Bento XV. 
     É padroeira e protetora daqueles que sofrem com poliomielite, dos devotos do Sagrado Coração de Jesus e daqueles que perderam seus pais. Sua festa litúrgica foi antecipada por um dia para não coincidir com a de Santo Inácio de Antioquia.
     Em 1829, a Arquiconfraria da Hora Santa foi estabelecida pelo Père Robert Debrosse em Paray-le-Monial, Borgonha, França. Em 1911 recebeu o direito de agregação para todo o mundo. Uma sociedade semelhante chamada "A Hora Santa Perpétua do Getsêmani" foi formada em Toulouse em 1885 e foi erguida canonicamente em 1907. Em 1909 recebeu indulgências do Papa São Pio X.
Natureza da Hora Santa
     A Hora Santa consiste numa hora de oração vocal ou mental, em memória da Paixão e Morte de Nosso Senhor e em homenagem ao ardentíssimo amor que O levou a instituir a divina Eucaristia.
     O que fazer nessa uma hora de companhia ao Sagrado Coração de Jesus? Sugestão:
1 – Ler as passagens da Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo e meditar nelas.
2 – Rezar os Mistérios Dolorosos do Rosário
3 – Rezar a Ladainha do Sagrado Coração de Jesus
4 – Rezar uma Via Sacra
 
Iniciar sempre com a Invocação ao Espírito Santo
     Vinde, Espírito Santo, enchei os corações de vossos fiéis e acendei neles o fogo de vosso amor.
     - Enviai o vosso Espírito e tudo será criado.
     - E renovareis a face da terra.
 
Oração
     Deus, que esclarecestes os corações de vossos fiéis com as luzes do Espírito Santo, concedei-nos, por esse mesmo Espírito, conhecer e amar o bem e gozar sempre de seu divino consolo. Por Jesus Cristo, Nosso Senhor. Amém.
Oferecimento
     Senhor Jesus Cristo, nós vos oferecemos esta hora de oração segundo as intenções de vosso pedido a Santa Margarida Maria, ao dizer-lhe: “Espero que passareis em oração as noites de quinta-feira desde as onze horas até a meia-noite, a fim de partilhar comigo as dores da minha agonia no Jardim das Oliveiras e para apaziguar minha cólera contra os pecadores”.
     Sendo assim, Senhor, nós Vos pedimos em primeiro lugar perdão pelos nossos próprios pecados, renovando o propósito de não mais Vos ofender; pedimos-vos também, a conversão dos pecadores, particularmente daqueles que já alguma vez Vos conheceram e amaram, e cujo afastamento mais Vos faz sofrer.
     Oferecemos-vos as orações desta hora de modo especial:
    
Em reparação
     pelos soberbos governadores das nações que ultrajam o vosso nome e as vossas leis
     pelas turbas agrupadas pelo averno e os sectários, seus sequazes, que assaltam os vossos santuários, sedentos de sangue
     pela vossa Igreja que geme sob os grilhões e as cadeias com que os poderosos e os pretensos sábios querem entravar os seus progressos e inutilizar os seus esforços
     por tantos bons e virtuosos medirem com avareza os sacrifícios e as boas obras, mostrando-se mesquinhos para convosco, quando tão pródigos para o mundo
     pela deslealdade das almas escolhidas que deveriam esquecer as coisas da terra para serem inteiramente vossas, então, mais do que nunca, nessa hora de suprema desolação
 
Perdão! Perdão, ó Divino Coração!
     pelos nossos pecados, pelos pecados de nossos parentes, amigos e inimigos.
     pelas infidelidades e sacrilégios.
     pelas blasfêmias e profanação dos dias santos.
     pelas libertinagens e escândalos públicos.
     pela falta de modéstia no trajar.
     pelos corruptores da infância e da juventude.
     pela sistemática desobediência à Santa Igreja.
     pelos crimes do lar cristão, pelas faltas dos pais e dos filhos.
     pelos perturbadores da ordem pública, social e cristã.
     pela covardia dos que devem defender a nossa religião.
     pelo abuso dos santos sacramentos.
     pelos sacerdotes que Vos desprezam, pelos que rejeitaram as fileiras sacerdotais e pelos que não se esforçam em conhecer sua verdadeira vocação.
     pelos ataques da imprensa ímpia e maquinação das seitas secretas.
     E, sobretudo, pelos bons que vacilam, que resistem às inspirações da vossa divina e sapientíssima graça.
 
Em agradecimento
     Vós sois a perseverança da Fé e da Pureza para as crianças que comungam;
     Vós sois o consolo dos pais no lar cristão;
     Vós sois o bálsamo para todas as feridas;
     Vós sois a fortaleza dos fracos e a vitória dos que se acham em tentação;
     Vós sois a luz dos que vacilam e o zelo dos apóstolos;
     Vós sois o centro da vida militante da vossa Igreja;
     Vós sois a Santidade e o Paraíso das almas na Eucaristia.
 
Pedidos Finais
     Que pediremos ao Senhor nesta hora? Triunfai, Senhor Jesus, na Hóstia Consagrada. Atraí todos a Vós. Convertei o Brasil, reinai sobre o mundo inteiro. Multiplicai as conversões. Ouvi, Senhor, nossos clamores, e a começar por nós mesmos, convertei o mundo inteiro!
     Concedei-nos copiosamente vossa luz e a vossa graça, a fim de que nos tornemos cada dia mais dignos e aptos em nossa santa missão de promover entre os homens o Reinado de vosso Divino Coração.
     Sê, Senhor, para os agonizantes e atormentados um refúgio protetor, pois Vós sois a única Fortaleza e pelo Vosso Nome guiai os justos às mansões celestes.
     Finalmente, meu Deus, nós trazemos à vossa presença adorável a lembrança de todos aqueles que nos precederam no sinal da fé e agora jazem no sono da paz.  A todos eles, Senhor, concedei o lugar de refrigério e de paz, nos esplendores da luz perpétua. Amém. 
 
Ladainha do Sagrado Coração de Jesus
 
Senhor, tende piedade de nós,
Jesus Cristo, tende piedade de nós,
Senhor, tende piedade de nós,
Jesus Cristo, ouvi-nos,
Jesus Cristo, atendei-nos,
Deus, Pai do Céu, tende piedade de nós,
Deus Filho, Redentor do mundo, tende piedade de nós,
Deus Espírito Santo,
Santíssima Trindade, que sois um só Deus,
Coração de Jesus, Filho do Pai Eterno,
Coração de Jesus, formado pelo Espírito Santo no seio da Virgem Maria,
Coração de Jesus, unido substancialmente ao Verbo de Deus,
Coração de Jesus, de majestade infinita,
Coração de Jesus, templo santo de Deus,
Coração de Jesus, tabernáculo do Altíssimo,
Coração de Jesus, casa de Deus e porta do Céu,
Coração de Jesus, fornalha ardente de caridade,
Coração de Jesus, receptáculo de justiça e amor,
Coração de Jesus, cheio de bondade e amor,
Coração de Jesus, abismo de todas as virtudes,
Coração de Jesus, digníssimo de todo louvor,
Coração de Jesus, rei e centro de todos os corações,
Coração de Jesus, no qual estão todos os tesouros da sabedoria e da ciência,
Coração de Jesus, no qual habita toda plenitude da divindade,
Coração de Jesus, no qual o Pai Celeste põe as suas complacências,
Coração de Jesus, de cuja plenitude nós todos participamos,
Coração de Jesus, desejo das colinas eternas,
Coração de Jesus, paciente e misericordioso,
Coração de Jesus, rico para todos os que vos invocam,
Coração de Jesus, fonte de vida e santidade,
Coração de Jesus, propiciação para os nossos pecados,
Coração de Jesus, saturado de opróbrios,
Coração de Jesus, atribulado por causa de nossos crimes,
Coração de Jesus, feito obediente até a morte,
Coração de Jesus, atravessado pela lança,
Coração de Jesus, fonte de toda a consolação,
Coração de Jesus, nossa vida e ressurreição,
Coração de Jesus, nossa paz e reconciliação,
Coração de Jesus, vítima dos pecadores,
Coração de Jesus, salvação dos que em Vós esperam,
Coração de Jesus, esperança dos que em Vós expiram,
Coração de Jesus, delícias de todos os santos,
Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, perdoai-nos, Senhor,
Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, ouvi-nos, Senhor,
Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, tende piedade de nós.
 
Jesus, manso e humilde de coração, Fazei o nosso coração semelhante ao vosso.
 
Oração 
     Onipotente e sempiterno Deus, olhai para o coração de vosso diletíssimo Filho e para os louvores e satisfações que Ele vos tributa em nome dos pecadores, e àqueles que invocam vossa misericórdia, concedei benigno o perdão, em nome do mesmo Jesus Cristo, vosso filho, que convosco vive e reina, juntamente com o Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos. Amém.
 
Pai Nosso… Ave Maria… Glória ao Pai…
 
Fontes:
https://www.manualdacm.com/p/horasanta.html
https://salvemaria.com.br/hora-santa/

quarta-feira, 14 de junho de 2023

O Milagre Eucarístico de Amsterdã, Holanda, 1345

Stille Omgang - Procissão Silenciosa
 
    
A Procissão Silenciosa dos Católicos pelas ruas de Amsterdã e rua Kalver hoje nos lembra o Milagre Eucarístico de Amsterdã. Durante esta peregrinação silenciosa e noturna em meados de março, os fiéis católicos de Amsterdã, toda a Holanda do Norte e até mesmo outras partes da Holanda lembram o milagre eucarístico e a presença real de Cristo na Santa Eucaristia.
     O Stille Omgang comemora o Milagre de Amsterdã em 15 de março de 1345. O Milagre aconteceu em Amsterdã, capital dos Países Baixos, na época uma pequena cidade de pescadores à margem do rio Amstel, na quarta-feira após a festa do Papa e Doutor da Igreja São Gregório Magno, em 1345.
     No dia 12 de março de 1345, alguns dias antes da Páscoa, um moribundo na Rua Kalver, Ysbrand Dommer, pressentindo que a sua vida chegava ao fim, mandou chamar o pároco da igreja de Oude Kerk para receber o Santo Viático. Porém, após a saída do sacerdote, o doente vomitou todo o alimento que consumira antes, inclusive a Hóstia, numa bacia, e o vômito foi jogado na lareira acesa, de acordo com os regulamentos litúrgicos da Igreja.
     No amanhecer do dia seguinte, uma das empregadas que cuidava de Ysbrand, aproximou-se da lareira para atiçar o fogo e viu uma estranha luz com a Hóstia ao centro. A mulher começou a gritar e toda a vizinhança correu para ver o que tinha acontecido. Ysbrand, que se recuperara milagrosamente, recolheu a Hóstia, envolveu-a num lenço, colocou-a numa caixa e levou-a imediatamente ao pároco, mas no dia seguinte a Hóstia sagrada voltou para a casa na Rua Kalver. Isso foi repetido duas vezes.
     Este milagre foi visto como um sinal de que uma veneração especial pela Hóstia e por Nosso Senhor Jesus Cristo deveria ser feita ali, Deus queria tornar público o milagroso fato. O próprio padre foi buscar a Hóstia na casa e levou-a em procissão solene para a igreja.
     No dia da Páscoa, todas as testemunhas do Milagre e o prefeito do povoado redigiram um detalhado relatório dos acontecimentos que foi entregue ao Bispo de Utrecht, D. Jan van Arkel, que autorizou o culto do Milagre. Uma grande capela de peregrinação (Heilig Stede) foi construída e os peregrinos afluíram a Amsterdã em grande número. No ano de 1452 a capela foi destruída num incêndio, mas o Ostensório que guardava a Sagrada Partícula ficou ileso.
     A partir de então, realizava-se todos os anos, em meados de março, uma esplendorosa procissão para comemorar o acontecimento. Dela participaram personagens ilustres, como o Arquiduque Maximiliano d’Áustria, que mais tarde seria o Imperador Maximiliano I. Essa manifestação popular de louvor ao Santíssimo Sacramento foi proibida em 1578, quando a administração da cidade caiu em poder de burgomestres calvinistas. Estes confiscaram a capela erguida no local do milagre, a qual acabou sendo demolida em 1908, apesar dos protestos dos católicos, que se ofereceram para comprá-la.
As Beguinas
     Próximo ao local do milagre erguia-se uma capela da Beguinaria. Beguinas eram mulheres que viviam em comunidade, dedicadas à oração e assistência aos doentes, pobres, órfãos e toda espécie de necessitados, contudo, sem emitir os votos da vida religiosa. A regra lhes impunha apenas a obediência ao pároco e o celibato enquanto permanecessem na comunidade.
     As Beguinas também tiveram a sua capela confiscada. Por volta de 1665 elas pediram autorização à municipalidade para construir uma nova. O Conselho da cidade concedeu a permissão ao padre Jan van der Mey sob a condição de que o edifício tivesse as características de uma igreja escondida.
     É nessa capela, consagrada a São João Batista e a Santa Úrsula, que desde então se mantém a Adoração Eucarística diária, em recordação do milagre ocorrido em 1345. O Ostensório foi transferido para lá, mas pouco tempo depois foi roubado. Os únicos objetos que recordam esse Milagre Eucarístico são a caixinha que continha a Hóstia, os documentos que relatam o Milagre e algumas pinturas conservadas no Museu Histórico de Amsterdam. A Hóstia miraculosa começou a se deteriorar dois anos depois de acontecido o milagre.
A Procissão Silenciosa
     A caminhada individual no percurso dessa procissão por devoção pessoal permaneceu em uso nos séculos XVII e XVIII.
     Durante o período de proibição do culto público, as celebrações da Santa Missa e outros atos católicos de devoção realizavam-se em casas particulares ou edifícios sem aparência externa de templo religioso – as igrejas escondidas, como passaram a ser chamadas no século XIX.
     Como os católicos na Holanda no século 19, apesar da liberdade religiosa desde 1795, ainda não tinham permissão para realizar procissões (Proibição de Procissão de 1848) recorreram às alternativas. Uma delas era ter uma caminhada silenciosa, sem oração, canto, traje eclesiástico ou atributos. Isto não era coberto pela proibição de procissão.
     Em 1881, o Stille Omgang foi dirigido pela primeira vez, iniciado por Joseph Lousbergh. Joseph Lousbergh descobriu um documento datado de 1651 que descrevia detalhadamente as procissões medievais realizadas em comemoração desse milagre. Decidiu então, acompanhado por um amigo, Carel Elsenburg, percorrer o mesmo trajeto da antiga procissão, como um ato de adoração a Jesus Sacramentado.
     A capela do Santo Milagre ainda existia então, mas em 1908 foi demolida pelos proprietários (protestantes), para evitar que caísse na posse dos católicos e um dia poderia ser usada para o culto romano. O filho, neto e bisneto de Carel Elsenburg foram todos presidentes do Gezelschap van de Stille Omgang – Confraria da Procissão Silenciosa.
     Quando a proibição de procissões foi suspensa no século 20, a Procissão Silenciosa de Amsterdã, em particular, tornou-se uma tradição tão forte que conseguiu se manter até hoje. Para comemorar o milagre, os católicos de Amsterdã e os fiéis de fora da cidade fazem uma procissão silenciosa todos os anos, durante a qual não se fala uma única palavra, por causa da proibição constitucional de procissões na Holanda até a revisão constitucional em 1983 (o governo protestante manteve a proibição desde a Pseudo-Reforma, proibindo cerimônias e perseguindo ministros católicos). A procissão segue o percurso da procissão medieval: de Spui , Kalverstraat, Nieuwendijk , Warmoesstraat.
     
Em 18 de março de 2006, foi comemorado o 125º aniversário do Stille Omgang. Foi a primeira vez que o Omgang foi transmitido ao vivo pela televisão. A afluência foi elevada: cerca de 9.000 peregrinos participaram.
     Todos os anos, no primeiro domingo depois de 12 de março, realiza-se a silenciosa procissão no período entre meia-noite e quatro horas da manhã, horário no qual se presume ter ocorrido o milagre. Em nossos dias, por volta de 10 mil fiéis participam dela. E muitos veem nesse ato de piedade a continuação do Milagre Eucarístico de Amsterdã.
     É costume que o município civil de Amsterdã peça por carta aos operadores de cafés e outros estabelecimentos de alimentação ao longo da rota que fechem as cortinas e limitem a música durante o Omgang.
 
Fontes:

https://robertoadriano.wixsite.com/milagres-eucaristico/single-post/2015/03/23/milagre-eucaristico-de-amsterdam

https://pt.m.wikipedia.org/wiki/Stille_Omgang

domingo, 11 de junho de 2023

Beata Mercedes Maria de Jesus Molina, Fundadora - 12 de junho

 
   
O povo católico do Equador e a Igreja universal podem venerar com alegria duas “flores” nascidas naquele país: a “Açucena de Quito”, Santa Mariana de Jesus, e a “Rosa de Guayas”, como carinhosamente é conhecida a Beata Mercedes de Jesus. O perfume de santidade dessas duas flores, de poderosa intercessão celestial, é exemplo e estímulo para uma autêntica vida católica.
     Mercedes se destaca não só por seus dotes espirituais e religiosos, mas também por suas qualidades de grande dama, transmitidos por meio de uma vida ativa e profundamente contemplativa, institucionalizados pelo cumprimento de sua missão de fundadora de uma família religiosa na Igreja do Equador, as Irmãs Marianitas, e por seu legado: “ser amor misericordioso onde há dor humana”.
      Mercedes Molina de Ayala nasceu no dia 20 de fevereiro de 1828, em Baba, então Departamento de Guayaquil. Era a quarta filha do casal Dom Miguel Molina y Arbeláez e da Sra. Rosa de Ayala y Olvera, família abastada, proprietária de grandes extensões de terra, com plantações de cacau e frutos tropicais. Recebeu as águas batismais na cidade de Pueblo Viejo, em 5 de março do mesmo ano, e sua Primeira Comunhão, bem como sua Confirmação, recebeu das mãos de Mons. Francisco Javier de Garaicoa, em 19 de maio de 1839.
     Sua respeitável mãe ficou viúva quando Mercedes tinha somente dois anos de vida. Ela se consagrou totalmente ao cuidado de seus filhos, lhes ensinando firmeza nos bons propósitos, a justiça, a solidariedade, e que em seus lábios sempre habitasse a verdade.
     “Mercedita, menina de beleza nada comum, nascida em um lar respaldado por uma fortuna apreciável, era modelo de virtudes singulares”.
     No ano de 1841, era uma bela jovenzinha que atraía pretendentes, quando também morre Dona Rosa. A perda de sua mãe foi uma dor indizível. Mercedes ficava órfã de pai e mãe, em companhia de seus irmãos, Maria e Miguel Molina de Ayala.
     Após uma grave queda de cavalo, Mercedes passou por uma conversão, resolvendo levar uma vida de piedade e penitência. Em 1849, quando acabava de cumprir vinte e um anos, renunciou a um brilhante matrimônio, e resolveu se dedicar à ação social e apostólica em um asilo de órfãos. Repartiu todos os bens que havia herdado de seus pais, que tinham provido seus filhos não apenas de dinheiro, mas de uma esmerada educação intelectual e artística.
     Ela se dedicou então aos órfãos em Guayaquil, depois em Cuenca. Foi justamente por essa época que ela conheceu Santa Narcisa de Jesus Martillo Morán, com quem compartilhou sua casa por muito tempo para se ajudarem mutuamente no caminho da cruz, e praticarem juntas a virtude, a oração e a penitência.
     Mercedes viveu inicialmente consagrada a Deus no mundo, sob a direção de sacerdotes insignes. Desta maneira buscava identificar–se com Cristo crucificado, a quem havia elegido acima de qualquer outro amor humano, pela oração e pela penitência.
     Em 1862, começou a levitar quando rezava, perdia os sentidos e tinha êxtases depois de comungar. No ano seguinte, sua fama de beata se estendeu por toda cidade ocasionando os mais variados comentários.
     Grande devota de Santa Mariana de Jesus se propôs seguir seu exemplo de santidade e à chegada do Padre Garcia, designado Superior da Comunidade Jesuíta de Guayaquil em 1863, fez votos de pobreza, obediência e castidade.
     Naqueles dias, duas damas tinham reunidos numerosas crianças pobres do bairro às quais ensinavam, vestiam e davam de comer em uma casa chamada orfanato "A Beneficência".
     Na noite do dia 1º de fevereiro de 1867, aos 39 anos de idade, Mercedes de Jesus tomou a resolução mais importante de sua vida. Furtivamente escapou da casa de sua única irmã, onde vivia, e passou a madrugada no interior da Igreja de São José, absorta em oração. Ao amanhecer, ouviu Missa, comungou, e com algumas poucas peças de roupa no braço, foi para o orfanato, aonde a receberam com imenso júbilo. Sua irmã Maria se encolerizou tanto, que levou muitos anos para perdoá-la e voltar a falar com ela.
     No orfanato passou alguns meses se adestrando no serviço de seus semelhantes, até que o Padre Garcia, que estava em Gualaquiza fundando uma missão, a mandou chamar para que ela o ajudasse em sua obra. Grande foi a surpresa de Mercedes de Jesus ao receber a carta, porém cumpriu a ordem imediatamente e viajou para aquela região dos índios jibaris em 1870, perdendo peso em dez meses de trabalhos rudes e cansativos.
     Em maio de 1871, voltou para Cuenca, fundou o Beatério de Santa Mariana e deu aulas a numerosas meninas. Anos depois, quando seu processo de beatificação foi instaurado, várias velhinhas se apresentaram declarando que haviam sido suas alunas, e que conservavam gratas recordações dela, por ser carinhosa com todas.
     Em janeiro de 1873 Mercedes transferiu–se para Riobamba, fundou outro colégio e caiu gravemente doente. O médico que a assistiu pensou que ela morreria e assim o disse, mas a Beata, com toda calma lhe disse: “Não é verdade, porque tive uma visão. Vi um roseiral muito frondoso e florido que representa a Congregação e esta ainda não cresce, por isso eu viverei o suficiente e muitos anos mais”. E sarou em seguida. É por este motivo que ela ficou conhecida como “a Rosa de Guayas”.
     Todos esses trabalhos providencialmente iam acrisolando sua vocação de fundadora.
     Finalmente, na segunda-feira de Páscoa, dia 14 de abril de 1873, recebeu a aprovação do Bispo de Riobamba. Nasceu então, oficialmente, a Congregação das Religiosas de Santa Mariana de Jesus, as Marianitas, nome de sua escolha por ter assumido desde sua juventude a espiritualidade da Santa equatoriana.
     A Beata Mercedes Maria de Jesus Molina é a Fundadora do primeiro Instituto Religioso na Igreja do Equador. O Instituto tinha como meta o atendimento aos órfãos, dar asilo às convertidas e às jovens em perigo, a assistência às prisões. O Instituto tinha e tem uma espiritualidade missionária.
     A Beata Mercedes é pioneira na educação da mulher equatoriana, pois no início do século XIX as escolas destinadas à educação feminina eram quase desconhecidas. É a criadora de sua própria pedagogia baseada no método direto, prático e integral. Tem metas claras, concretas e precisas; sua preocupação constante não foi elaborar metas teóricas, mas práticas, caracterizadas por uma ação direta, persistente e maternal; sempre equânime e serena, amável e acessível, firme e segura, respeitosa.
     Por três anos a Beata exerceu “o ofício de mãe terna, servindo–os nas enfermidades, cheia de caridade e bondade com todos”, enquanto trabalhava no asilo de órfãos. E assim continuou levando uma vida exemplar, de amor ao próximo e de sacrifício até o heroísmo. Devido aos jejuns e às penitências, seu corpo foi se debilitando pouco a pouco, até que a morte a surpreendeu, em odor de santidade, no dia 12 de junho de 1883, no seu Instituto de Riobamba, aos 55 anos de idade.
      Seus restos foram venerados por horas e ao ser sepultado se constatou que a mão esquerda, que sustentava um crucifixo, estava endurecida e por mais esforços que se fizesse, não a puderam dobrar, impedindo fechar a tampa do ataúde; porém o resto do corpo estava flexível.
     A Madre Superiora então se dirigiu a ela, dizendo: “Mercedes, você que foi tão obediente em vida, obedeça morta e abaixe o braço”. Imediatamente o braço abaixou deixando perplexos os presentes, a ponto de o Padre Redentorista que oficiava a Missa pedir para abençoar a multidão com o mesmo braço da defunta, o que foi feito em seguida.
     Seus restos descansam na cidade de Riobamba, na mesma casa onde fundou a Congregação das Marianitas.
     Três anos depois de sua morte foi iniciado o primeiro processo para a sua beatificação, que se interrompeu por um longo tempo por causas políticas e por obra de pessoas contrárias ao seu Instituto.
     O processo foi retomado em 1929; a causa foi introduzida pelo Papa Pio XII em 8 de fevereiro de 1946. O decreto de suas virtudes foi expedido em 27 de novembro de 1981; um milagre atribuído a sua intercessão foi reconhecido em 9 de junho de 1984. No dia 1º de fevereiro de 1985, “a Rosa de Guayas” foi beatificada durante a visita pastoral de João Paulo II ao Equador.
     Em 1948, nas bodas de diamante da Congregação fundada pela Beata, a Santa Sé aprovou os estatutos redigidos por ela em Gualaquiza, embora com algumas reformas.
     Essa educadora e missionária, católica exemplar, a primeira fundadora de uma congregação equatoriana, merece toda nossa veneração. Essa “Rosa” plantou um imenso roseiral, segundo seu sonho e sua inspiração, que se estendeu às diversas nações, espalhando seu perfume apostólico na Igreja da América Latina.
 
Sólo para padecer
pido a Dios que me dé vida
hasta que toda sumida
en penas me pueda ver.
No tengo, no, otro querer
y anhela mi razón
amar la tribulación,
la pena y el desconsuelo
con amor, con fe, con celo
y humildad de corazón.
Así lo desea y quiere.
Mercedes de mi Jesús.
Guayaquil, mayo 12 de 1866.
 
Fonte: https://www.santiebeati.it/dettaglio/56950
 
Postado em blog 11 de junho de 2011

quarta-feira, 7 de junho de 2023

Beata Maria do Divino Coração de Jesus - 8 de junho

     
No dia 1º de novembro de 1975, Maria Droste Zu Vischering, que em religião se chamou Irmã Maria do Divino Coração de Jesus, era beatificada por Paulo VI.
     A beatificação da Irmã Maria do Divino Coração, glória da benemérita Congregação de Nossa Senhora da Caridade do Bom Pastor, alemã por nascimento e portuguesa de coração, tem para Portugal especial significado. Ela dedicou a Portugal, por chamamento divino, o melhor da sua curta vida.
     Filha dos Condes Droste Zu Vischering, nasceu em Münster, na Vestefália (Alemanha), a 8 de setembro de 1863. Passou a infância no Castelo de Darfeld, não longe daquela cidade, no seio duma família profundamente cristã.   
     No mundo, chamava-se ela Condessa Maria Droste zu Vischering. Sua estirpe destacava-se há séculos pela fidelidade à Igreja e ao Papa, em cujo serviço nunca recusava qualquer esforço ou sacrifício. Foram Cardeais, Bispos e governantes os ilustres ancestrais de Maria. E ela própria coroou, com sua sublime virtude, os feitos heroicos dos que a precederam no sinal da Fé.
     Maria bebeu a devoção ao Sagrado Coração de Jesus com o leite materno. Já seus pais a viviam intensamente e souberam-na comunicar aos seus filhos e familiares. Foi numa vida de felicidade, de pureza e de austeridade que ela se preparou para a mais intima e mística união esponsal com o Coração de Jesus. “Desde a mais tenra idade, escreve ela, senti a dita de ser filha da Santa Igreja”.
     Maria tinha encanto pelos inocentes brinquedos infantis e era amiga de pular, correr e montar a cavalo na companhia dos pais e irmãos. Uma companheira de escola dizia a seu respeito: “No pátio do recreio, ninguém corria mais do que ela, ninguém jogava a bola tão alto e tão bem como ela. Mas quando o sino anunciava o fim do jogo, a mais serena e a mais tranquila de todas era Maria”.
     Esta alma inocente fora atraída pelo Sagrado Coração de Jesus. Para ela, a devoção ao adorável Coração se fundia na devoção ao Santíssimo Sacramento, conforme ela própria de­clara: “Nunca pude separar a devoção ao Coração de Jesus da devoção ao Santíssimo Sacramento; e nunca serei capaz de explicar como e quanto o Sagrado Coração de Jesus se dignou favorecer-me no Santíssimo Sacramento da Eucaristia”.
A família da Beata
ela é a 2a. a partir da direita
     No Natal de 1883, consagra-se a Deus pelo voto de castidade perpétua. E Ele apodera-se dela e marca a consagração com o sinal da cruz, fazendo-a passar por dilatada e penosa doença. Com o espírito embalado por longo tempo em sonhos de heroísmo missionário, no dia 1º de julho de 1888, esperando na igreja paroquial a sua vez de se confessar, ouve subitamente a voz do Senhor: “Tens de entrar no convento do Bom Pastor”.
     Sendo de constituição física bastante frágil, precisou esperar muito para ser admitida em uma comunidade religiosa. À espera de concretizar esse desejo, ela abraçou como pôde o estado de perfeição, vivendo ainda na casa paterna. Praticava a caridade com os pobres, transformando-se numa mãe para todos os necessitados.
     Viveu assim até a idade de 26 anos, quando foi admitida na Congregação do Bom Pastor, uma instituição dedicada a cuidar de moças transviadas e de meninas órfãs ou abandonadas. Uma tarde, passeando meditativamente pelas alamedas do jardim do seu solar, “senti vivamente, escreveu ela, que o Senhor me dizia que teria de sofrer muito por Ele. Jesus falou-me dos momentos por que passava, vendo-se abandonado de todos, e pediu-me Lhe fizesse companhia. Disse-me que O aflige sobretudo o abandono de muitos sacerdotes...”.
     A 10 de janeiro de 1889 toma o hábito religioso no convento de Münster, no mesmo dia em que, no Carmelo de Lisieux, Teresa do Menino Jesus recebeu o dela.  Professou a 29 de janeiro de 1891. 
     Em 1894, após três anos de dedicação ao apostolado das penitentes, próprio do seu Instituto, é enviada a Portugal. Depois de três meses passados em Lisboa, chega ao Porto como Superiora do Recolhimento do Bom Pastor na Rua de Vale Formoso (Paranhos), a 17 de maio de 1894.
     De lá escreve ela, pouco depois: “Vivemos numa situação angustiosa. A casa está em ruínas, devorada por dívidas que nos sufocam. Vejo, porém, e sinto que Deus está comigo, e assim cresce, cada dia mais, a minha coragem, embora por vezes isto seja difícil de suportar... Só temos em caixa cinco ou seis marcos, e temos de alimentar 120 pessoas... Sinto-me tão portuguesa, que não me importo com tanto desconforto, tanto frio e tanta humildade...”.
       E a sua tenacidade, aliada a uma absoluta confiança no Coração de Jesus, realiza o milagre de transformar aquela casa e a comunidade em ruínas num florescente jardim de Deus.
      A 21 de maio de 1896 cai de cama, esgotada de trabalho, para nunca mais se levantar: uma osteomielite a paralisa e a martiriza com dores atrozes constantes. É nesta longa, heroica crucifixão, que a Irmã Maria se imola pelos pecadores, pelos sacerdotes, pela Igreja, por Portugal.
     “Muitas vezes na minha doença, quando sentia ardentes desejos de morrer, Nosso Senhor, duma imagem dos Passos me dizia: ‘Então queres que Eu leve sozinho a cruz de Portugal?’” (Carta de 1896).
     O sinal da autenticidade da sua missão divina é precisamente o recrudescer dos seus padecimentos. E quando pela terceira vez o Coração Divino se dirige à Irmã Maria a pedir a intervenção dela junto de Leão XIII, pergunta-lhe ainda “se estava disposta a suportar toda a espécie de sofrimentos, humilhações e desprezos”.
     Leão XIII acata seu pedido e convoca um tríduo solene de preparação para a consagração ao Divino Coração.
     Seus últimos dias se passaram num contraste entre dores atrozes e a feliz perspectiva de ver o mundo em breve solenemente consagrado ao Coração de Jesus. Na manhã do dia de sua morte, chegou-lhe às mãos um consolador presente do Santo Padre: dois exemplares da encíclica “Annum Sacrum”, cujo tema era a consagração da humanidade e do mundo ao Sagrado Coração do Divino Redentor.
      Às 3 horas da tarde do dia 8 de junho de 1899, ao hino das primeiras vésperas da Festa do Coração de Jesus, quando por todo o mundo católico se fazia o tríduo solene de preparação para a consagração ao mesmo Divino Coração, ela consumava o seu sacrifício.
     No dia 11, o Papa Leão XIII realizava aquilo que ele mesmo declarou ser o “ato mais grandioso do seu pontificado”, a consagração do mundo inteiro ao Sagrado Coração de Jesus.
     As suas venerandas relíquias repousam em Ermesinde, na Igreja do Coração de Jesus, ereta pelas suas filhas. Na primeira sexta-feira de julho (ou agosto) de 1897, recebeu ela ordem do Senhor: “Deves erigir-Me aqui um lugar de reparação, e Eu erigirei nele um lugar de graças. Depois disse-me que queria que esta igreja fosse sobretudo um lugar de reparação pelos sacrilégios, e para atrair graças e bênçãos sobre o clero”.
      A construção deste templo foi uma das suas últimas preocupações. Ela mesma, no seu leito de dor, mal podendo segurar um lápis entre os dedos, traçou as linhas arquitetônicas. Não quis o Senhor dar-lhe em vida a alegria de ver realizado o seu sonho. Realizaram-no as suas filhas em Ermesinde.
     Diante da Hóstia consagrada em constante exposição, almas rezam em adoração reparadora. “Deves erigir-Me aqui um lugar de reparação, e Eu erigirei nele um lugar de graças”. O lugar de reparação está ereto. A palavra do Senhor não falhará!
 
Castelo de Darfeld onde a Beata nasceu 
Fontes: 
https://www.santiebeati.it/dettaglio/91162
https://gaudiumpress.org/
 
Postado neste blog em 8 de junho de 2011

terça-feira, 6 de junho de 2023

Beata Margarida Szewczyk – Fundadora - 5 de junho

     
Lúcia Szewczyk nasceu em Szepetówka, Ucrânia, em 1828, em tenra infância perdeu seus pais e foi criada por sua meia-irmã mais velha. Sentindo-se atraída pela vida religiosa, ela não podia realizar seu maior sonho, porque naquela época todos os conventos haviam sido fechados pelos russos.
     Aos 20 anos Lúcia tornou-se Terceira da Ordem Franciscana: cuidava dos pobres, dos doentes, preparava crianças para a 1ª. Comunhão. Em 1870, a fim de fortalecer sua fé e seu amor a Deus, ela fez uma peregrinação à Terra Santa. Ela seguiu a pé até Odessa, na Ucrânia, onde tomou o barco para chegar ao local desejado. Chegando em Jerusalém, trabalhou no Hospital São José com religiosas francesas. Durante sua estadia de 3 anos na terra de Cristo, ela ofereceu sua vida a Nossa Senhora das Dores.
     De volta a Polônia, desejava realizar algo pelos mais fracos. A forma concreta ela encontrou quando conheceu o Padre Honório Koźmiński, ao qual ela declarou seu desejo. O padre aprovou sua decisão e a animou a começar os trabalhos.
     O primeiro passo foi convidar duas anciãs pobres e doentes a viver em seu apartamento. Ela cuidava delas em segredo, porque qualquer atividade de caridade ou da Igreja estavam estritamente proibidas pelos decretos do imperador da Rússia, que nesse momento governava a Polônia.  
     De acordo com relatos, ela levou as duas idosas nas costas até o andar superior, para cuidar delas. Foi assim que nasceu a Congregação de Nossa Senhora das Dores. Não demorou muito para que algumas mulheres mais jovens fossem viver com ela e se unissem à sua obra. Como ela, queriam dedicar sua vida a serviço de Deus ajudando os pobres.
     Em 1881, Lúcia fundou a Congregação das Filhas da Bem-aventurada Virgem Maria das Dores, chamada de Ordem Seráfica, tomando então o nome de Irmã Margarida. Ela cuidava dos pobres em um abrigo em Varsóvia, e depois de um tempo comprou uma casa em Zakroczym, para dar abrigo a um maior número de necessitados e poder servi-los melhor.
     Madre Margarida não parou por aí. Novas casas nasceram e a congregação cresceu apesar da vigilância policial. O fim das inspeções foi para a congregação um sinal da Providência, que velava pela nova obra e a salvava apesar do terror que reinava.
     Outras obras da Congregação de Nossa Senhora das Dores começaram a aparecer na Galícia, para onde Madre Margarida se mudou. Ela construiu novas casas para idosos, crianças e órfãos, em condições mais favoráveis do que na Polônia. Ela fundou escolas para meninas pobres, oficinas de costura, enquanto as Irmãs visitavam os doentes e trabalhavam em hospitais.
     As Seráficas, este é o nome mais popular da Congregação, oferecem suas intenções à Divina Providência, que nunca as desapontou. Após 20 anos de compromisso, Madre Margarida nomeou uma nova superiora e voltou para as terras da ocupação russa. Ela continuou a ajudar os necessitados e, no final de sua vida, ofereceu seus sofrimentos por sua intenção.
     Como monja, Madre Margarida levou uma vida muito ascética jejuando muito. Os últimos meses de sua vida transcorreram no convento de Nieszawa, cidade localizada no centro-norte da Polônia. Madre Margarida deixou esta terra em 5 de junho de 1905, em Nieszawa. Uma multidão compareceu ao seu funeral.
     Com uma permissão especial das autoridades da Igreja, seu corpo foi trasladado para Oswiecim e enterrado na igreja de sua Congregação. Desde sua morte, as pessoas acorriam ao seu túmulo para rezar apresentando pedidos de intercessão.
     A vida da Madre Margarida Szewczyk pode ser definida como uma vida de amor de Deus, confiança em Sua providência e a completa dedicação ao serviço dos mais necessitados. Ela realmente acreditava na presença real de Cristo na Eucaristia e reconhecia a Santa Missa como o tesouro mais importante de sua Congregação.
     Em 20 de dezembro de 2012 Bento XVI assinou o decreto com o qual se reconhecia um milagre graças à intercessão da Venerável Margarida Szewczyk, que permitiu sua beatificação em 9 de junho de 2013.

sábado, 3 de junho de 2023

Beata Menda Isategui, Virgem mercedária - 4 de junho

 
   
Ilustre religiosa mercedária e glória do Mosteiro de Santa Maria da Piedade, em Marquina-Jeméin, no país Basco (Espanha), a Beata Menda Isategui viveu por 80 anos na oração e na austeridade. Deus lhe concedeu o dom da cura, as suas orações recuperavam a saúde dos doentes quando os remédios eram impotentes. 
     A Beata se alimentava e se sustentava quase exclusivamente do alimento eucarístico, porque para suas refeições se contentava com poucos legumes. Sofreu grandes provas por parte do demônio, que a tentava continuamente fazendo surgir em seu coração horríveis dúvidas.
     Provada por muitas enfermidades, finalmente descansou e, assistida por anjos à chegada do Esposo divino, com Ele entrou na glória eterna.
     O mosteiro de Santa Maria da Piedade em Marquina-Jeméin é um lugar realmente encantador no país Basco, é lugar de passagem do Caminho de Santiago que vai pela costa até a Galiza e é lugar de descanso para milhares de peregrinos todos os anos.
     Entre os monumentos mais importantes de Marquina encontramos o convento e a igreja das Mercês do século XVII e XVIII com um magnífico retábulo feito por Alexandre Valdivieso. Um dos monumentos mais visitados de Marquina é a igreja tipo salão com três naves de Santa Maria da Assunção de Jémein.
     A Ordem festeja a Beata no dia 4 de junho.
Mosteiro de Santa Maria da Piedade
 
A Ordem das Mercês
     No início do século XII quase toda a Península Ibérica gemia sob o jugo muçulmano. Grande número de espanhóis estava escravizado pelos mouros e sujeito aos piores tratos. A Santíssima Virgem - Auxiliadora dos Cristãos - condoendo-se do sofrimento de seus filhos quis ser a principal fundadora de uma Ordem Religiosa destinada a prestar socorro a estes infelizes. Para isso apareceu em sonhos, na mesma noite, a três homens dedicados, a fim de que se consagrassem a causa dos oprimidos.
     Um dos escolhidos foi o militar francês de origem fidalga São Pedro Nolasco, que há muito tempo se dedicava a esta causa resgatando seus irmãos de crença a peso de ouro. Junto com seu confessor, São Raimundo de Penaforte, um dos mais notáveis teólogos de sua época, e com o apoio de D. Jaime I de Aragão, que também receberam a mensagem da Virgem em sonhos, a Ordem Real e Militar de Nossa Senhora das Mercês da Redenção dos Cativos, ou simplesmente Ordem de Nossa Senhora das Mercês foi fundada em 1218.
     Os Mercedários constituíam uma Ordem masculina, mas havia grupos de senhoras que os sustentavam com orações e ofertas para as custosas expedições à África. Maria de Cervelló e sua mãe se uniram ao grupo de senhoras de Barcelona. Quando a mãe faleceu, Maria doou o seu patrimônio aos Mercedários.
     Em 25 de maio de 1265 os grupos femininos se transformaram canonicamente em Ordem Terceira Mercedária, com estatuto, hábito religioso e uma priora. Maria fez profissão religiosa, recebendo o hábito das mãos de São Bernardo de Corby. Logo outras jovens a seguiram, como as Beatas Eulália Pinos, Elisabete Berti, Maria de Requesens e, mais tarde, Santa Colagia.
     Santa Maria de Cervelló foi designada priora e é considerada a fundadora das monjas Mercedárias. Ela desenvolveu uma obra contínua e completa de resgate: encarregar-se dos escravos repatriados (alguns eram sozinhos no mundo, muitos estavam privados de tudo), ajudando-os a se tornarem independentes. Depois do resgate, a segurança.
Marquina-Jeméin - Palácio de Solartecua

Etimologia: Menda, da forma arcaica de Meendo, derivada do latim popular Menendo. Segundo Meyer-Lübke, a forma primitiva era Merendus, depois Medendus, Menendus; significado: “que deve merecer, ser digno de algo”.
 
Postado neste blog em 3 de junho de 2013

segunda-feira, 29 de maio de 2023

Beata Maria Celina da Apresentação, Clarissa - 30 de maio

     
Maria Celina da Apresentação da Bem-aventurada Virgem Maria (no século Jeanne Germaine Castang) nasceu em Nojals, aldeia de Dordoña (França), em 24 de maio de 1878. Seus pais, Germano Castang e Maria Lafage, eram humildes camponeses, porém testemunhas exemplares do Evangelho; tiveram doze filhos dos quais Jeanne era a quinta. Foi batizada no mesmo dia de seu nascimento e colocada sob a proteção de Nossa Senhora.
     Quando tinha 4 anos de idade caiu nas águas geladas de um riacho quando jogava com seus irmãos. O acidente lhe causou poliomielite, o que a privou do uso da perna esquerda. Apesar disso, a menina não se fechou em si mesma, ao contrário, colaborava nos afazeres domésticos. Frequentou a escola de sua aldeia, dirigida pelas Irmãs de São José de Aubenas, e se destacou por sua inteligência e jovialidade. Também se dedicou às atividades paroquiais.
     Em 1887, devido a grave grise econômica da família, se viu obrigada a abandonar sua bela casa e a viver numa casinha no campo. Em meio à situação de indigência da família, Jeanne, então com 10 anos de idade, demonstrando humildade e disponibilidade, chegou inclusive a pedir esmola no povoado para que seus pais e seus irmãos pudessem comer. Teve que abandonar a escola e deixar de frequentar diariamente a paróquia, porque ficava muito distante de sua casa.
     Em fevereiro de 1891, no hospital infantil de Bordeaux, se submeteu a uma operação da perna. Jeanne permaneceu cinco meses neste centro de saúde, suportando a dor com “paciência angélica”, como testemunharam as enfermeiras do hospital, Filhas da Caridade de São Vicente de Paula.
     Em julho daquele mesmo ano, ainda convalescente, entrou no Instituto Nazaré de Bordeaux, dirigido pelas Irmãs de Jesus Maria de Le Dorat, que acolhia jovens com dificuldades para receberem os cuidados que sua família não podia lhes proporcionar. Foi um período fecundo de sua vida, porque ali começou a discernir com maior clareza a vontade de Deus para ela.
     Em 12 de junho de 1892 recebeu a 1ª. Comunhão com extraordinária devoção; em julho seguinte a Confirmação. Já dava a impressão de viver constantemente na presença de Deus. Sua mãe faleceu no dia 29 de dezembro desse ano e oito dias depois seu irmão mais velho, o que obrigou Jeanne a se encarregar de seus irmãos pequenos, assim, ela teve que deixar o Instituto Nazaré. Ela então já pensava em consagrar-se a Deus.
     Quando as religiosas de São José de Aubenas, congregação a qual pertencia sua irmã mais velha, acolheram duas pequenas irmãs suas, ela pode finalmente levar adiante seu plano de consagração total ao Senhor. Primeiramente solicitou o ingresso nas clarissas de Bordeaux e depois nas religiosas de Jesus Maria de Le Dorat, porém não a aceitaram por causa de sua deficiência e porque ainda não completara 15 anos. Ela teve que esperar.
     Por fim, aos 18 anos, em 12 de junho de 1896 ingressou como postulante no Mosteiro Ave Maria das clarissas, e em 21 de novembro desse mesmo ano vestiu o hábito franciscano, tomando o nome religioso de Maria Celina da Apresentação da Santíssima Virgem Maria.
     No convento conservou a atitude de caridade e serviço que a havia caracterizado em sua família, e progrediu sobretudo no caminho da humildade, mortificação e ocultamento. Sua saúde começou a piorar. A enfermidade, que se manifestou numa grave forma de tuberculose, revelou a grandeza de sua fé e a firme vontade de completar em seu frágil corpo o que falta à Paixão de Cristo.
     Poucos dias antes de sua morte, escreveu em seu diário: “Não te comprazes com os holocaustos nem com as vítimas. Eis-me aqui! Vim para tomar minha cruz. Me ofereço como vítima, como Jesus... Até agora sacrifiquei tudo: afetos, pensamentos... Deverei ser agora menos generosa? Não. Eis-me aqui! Corta, queima, amputa, faz de mim o que quiseres, contanto que meu amor por ti aumente sempre mais e mais. Só te peço isto”.
     No dia 30 de maio de 1897, aos 19 anos e cento e noventa dias depois de ingressar no noviciado, após emitir a profissão religiosa in artículo mortis, Maria Celina entregou sua bela alma a Deus.
     A fama de santidade, que já em vida circundara esta jovem monja, levou à introdução da causa de canonização em 18 de junho de 1930. Em 22 de janeiro de 1957 foi declarada venerável e em 16 de setembro de 2007 foi beatificada na catedral de Bordeaux. A nova Beata repousa na mesma cidade, próximo do mosteiro das clarissas.
     Na vida humilde e comum da gente pobre e em meio a grandes sofrimentos, esta jovem monja soube acolher o amor de Nosso Senhor e corresponder com alegria e serenidade a vontade dEle a seu respeito. Nenhuma revolta, nenhum azedume, somente generosidade humilde e dedicada. Ela é um exemplo para nosso século em que alguns buscam excitar nos pequenos o ódio à sua condição, numa clara inconformidade aos desígnios divinos sobre eles.

 
Fonte: L´Osservatore Romano, ed. semanal en lengua española, del 5-X-07
 
Postado neste blog em 30 de maio de 2015