segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019

Beata Eulália Pinos, Viúva, mercedária – 5 de fevereiro

    

     Tendo nascido no seio de uma nobre família, a Beata Eulália Pinos renunciou à uma vida secular e às riquezas, e ingressou na Ordem Terceira Mercedária de Barcelona, e foi uma das primeiras seguidoras de Santa Maria de Cervellon, fundadora do ramo feminino da Ordem das Mercês.
     Maria de Cervellon foi atraída pela caridade que os Irmãos Mercedários inspiravam a favor dos cativos, isto é, os cristãos que eram feitos prisioneiros em terra e no mar, e eram vendidos como escravos na África. Assim, aos 18 anos tornou-se a consoladora dos pobres, dos doentes e dos escravos no Hospital de Santa Eulália.
     A Ordem de Nossa Senhora das Mercês foi fundada por São Pedro Nolasco; os Mercedários constituíam uma Ordem masculina que resgatava os cristãos cativos, mas havia grupos de senhoras que os sustentavam com orações e ofertas para as custosas expedições à África. Maria e sua mãe se uniram ao grupo de Barcelona. Quando a mãe faleceu, Maria doou o seu patrimônio aos Mercedários.
     Em 25 de maio de 1265 os grupos femininos se transformaram canonicamente em Ordem Terceira Mercedária, com estatuto, hábito religioso e uma priora. Maria fez profissão religiosa, recebendo o hábito das mãos de São Bernardo de Corby. Logo outras jovens a seguiram, como as Beatas Eulália Pinos, Elisabete Berti, Maria de Requesens e, mais tarde, Santa Colagia.
     A Beata Eulália também recebeu o hábito das mãos de São Bernardo de Corby. Insigne por muitas virtudes, esta piedosa viúva estendia a mão aos pobres e abraçou a Santa Cruz. No dia 5 de fevereiro com uma morte preciosa voou ao reino celestial.
     É festejada no dia de seu falecimento.

domingo, 3 de fevereiro de 2019

Santa Berlinda de Meerbeke, virgem – 3 de fevereiro

    
     A Vita S. Berlendis foi escrita por Hugues de Fosses por volta do ano 1050. É difícil separar os elementos biográficos certos das legendas que foram sendo acrescidas à sua pessoa. O autor da vida de Santa Gudula considera que Berlinda teria vivido no século VII. Após estudos de R. Podevyn, esta afirmação foi radicalmente modificada e a vida de Berlinda foi inserida em fins do século IX e início do século X.
     Berlinda era filha de Odelardo, conde do Pagus de Brabant, do tempo de Vigerico, duque da Lotaríngia. Sua mãe era Santa Nona de Meerbeke, uma prima de Santo Amando.
     Por volta de 880, durante a invasão normanda das Flandres, Odelardo foi um senhor de guerra a serviço do duque Vigerico da Lotaríngia (morto em 922 ou 923).  Durante tal guerra ele perdeu seu filho Eligardo, e ao retornar a Meerbeke, foi atacado pela lepra. Berlinda já era órfã de mãe e vivia com o pai.
     Há diferentes relatos acerca do conflito que se estabeleceu entre Berlinda e o pai: algumas fontes dizem que Odelardo zangou-se porque ela não estava cuidando bem dele; outras mencionam que ele encolerizou-se por ela não querer compartilhar o mesmo copo de água com ele devido sua condição. Num acesso de cólera ele transferiu todos os seus bens para a Abadia de Nivelles e Berlinda foi deserdada.
     Deserdada, Berlinda teve que se refugiar num mosteiro de Moorsel (Flandres oriental). Ali viveu vários anos com umas poucas monjas que haviam retornado ao mosteiro após a invasão normanda de Chévremont, próximo de Liège, onde se tinham refugiado. Um dia Berlinda recebeu a notícia do falecimento de seu pai: Odelardo faleceu entre 919 e 924.
     Após a morte do pai, Berlinda voltou para Meerbeke, e viveu como religiosa eremita com companheiras na Igreja São Pedro (fundada por seu pai) e morreu entre 936 e 941, dezessete anos depois da morte de seu pai.
     Cerca de trinta anos após a morte de Berlinda, o bispo de Cambrai, Autberto II (960-65) procedeu à solene transladação das suas relíquias para uma nova igreja dedicada à Virgem, construída em Meerbeke. O cuidado desta igreja foi confiado à uma comunidade de seis monjas e de seis eclesiásticos sob a direção de um eclesiástico nomeado pela abadessa de Nivelles.
     Santa Berlinda é geralmente representada como monja beneditina, tendo um cálice na mão, uma provável referência ao cálice de seu pai leproso. Ela é venerada na igreja paroquial de Meerbeke, cidade onde se encontra também uma capela pública que lhe é dedicada.
     Algumas relíquias da Santa foram levadas para o mosteiro de Santo Estevão de Tulle.
     Berlinda é uma das santas mais populares e mais veneradas na Bélgica. Patrona contra várias doenças, particularmente dos animais e sobretudo dos bovinos, ela é particularmente popular no ambiente agrícola. Especialmente no tempo de Pentecostes várias peregrinações de camponeses das Flandres, do Brabante e de Hainaut se dirigem à Meerbeke para rezar junto ao túmulo da Santa.
     Santa Berlinda é festejada no dia 3 de fevereiro na Ordem beneditina e na Diocese de Gand. É recordada também em outras datas, segundo as várias transladações.



Capela de Sta. Berlinda em Meerbeke

sábado, 2 de fevereiro de 2019

Apresentação do Menino no Templo e a Purificação de Nossa Senhora - 2 de fevereiro



Festa de Nossa Senhora do Bom Sucesso




Beata Joana Francisca da Visitação, Virgem, Fundadora – 1º de fevereiro

     Na Turim do século XIX, abalada pelos ares belicosos da unificação italiana, o Senhor acendeu um dos grandes luminares da Igreja contemporânea: São João Bosco. Ele pode ser entendido como a estrela central de uma constelação de santos. Em sua órbita também se inscreve a Beata Joanna Francisca da Visitação, que nos oferece um suave lampejo de luz e espalha um calor suave, como brasas vivas e silenciosas. Ela sentia como ele o encanto produzido pela figura de São Francisco de Sales, modelo de bondade e mansidão. Se Dom Bosco fundou a Sociedade Salesiana, a nossa Beata pôde dar vida ao projeto original de São Francisco de Sales de fundar uma congregação de religiosas dedicadas a visitar e cuidar dos doentes pobres. Morreu com 44 anos de idade, um dia depois de São João Bosco, em 1º de fevereiro de 1888.
* * *
     "Pertencemos a Jesus; servimos Jesus que é a verdade encarnada e eterna, que não engana, porque as suas promessas são infalíveis e não deixará sem recompensa nem sequer um copo de água oferecido por amor".
     Essas palavras nortearam a vida de Ana Michelotti que ficou conhecida com o nome de Irmã Joana Francisca da Visitação, fundadora das Pequenas Servas do Sagrado Coração de Jesus para os doentes pobres.
     "Rezei muito por mim e porque esta é a vontade de Deus: vive em mim um ardente desejo de consagrar tudo a Jesus, na assistência aos doentes pobres".
     Este pensamento, presente entre os poucos escritos que por humildade Ana Michelotti nos transmitiu diretamente, indica uma missão nascida entre mil problemas, que graças a uma vontade extraordinária ainda está florescendo e fecunda dentro da Igreja.
     Ana nasceu na Alta Saboia (então território do Reino da Sardenha) em Annecy, em 29 de agosto de 1843. Seu pai, um nativo de Almese (Turim), morreu jovem, deixando a família na miséria completa. A mãe, piedosíssima, transmitiu aos seus filhos uma grande fé: no dia da 1ª Comunhão da pequena Ana, ela a levou para visitar um pobre homem doente em sua casa. Naquele dia nasceu sua vocação.
     A família foi para Almese pela primeira vez quando a menina tinha quatorze anos de idade, foi hóspede de seu tio Pe. Michelotti. Estabelecida em Lyon, alguns anos depois Ana entrou no Instituto das Irmãs de São Carlos, primeiro como estudante, depois como noviça. Mas educar não era sua missão.
     Alguns anos depois, sua mãe e seu irmão Antônio, noviço dos Irmãos das Escolas Cristãs, morreram: ela estava sozinha no mundo. Para sobreviver, trabalhou como instrutora para as filhas de um arquiteto, mas já era a dama dos "doentes pobres", porque assim que podia, procurava-os e colocava-se a seu serviço.
     Em Annecy ela conheceu uma certa Irmã Catarina, ex-noviça do Instituto de São José, que tinha os mesmos sentimentos: juntas elas começaram, em Lyon, um trabalho particular de assistência aos pobres em suas casas. Com a permissão do arcebispo, usavam o hábito religioso e faziam profissão de votos temporários. Mas a congregação nascente teve uma vida breve por causa da guerra entre a França e a Prússia, e em 1870 a Beata, vestida de freira, retornou a Annecy e depois a Almese; essas viagens muitas vezes faziam-na passar por Turim.
     Depois da tempestade, a Irmã Catarina convidou-a para voltar a Lyon, forçando-a a recomeçar como postulante. Ana aceitou humildemente, mas depois saiu do Instituto por motivos de saúde. Naqueles dias, rezando aos pés dos túmulos de São Francisco de Sales e Santa Joana Francisca de Chantal, sentiu que seu trabalho nasceria para além dos Alpes.
     Ela retornou a Almese no lombo de uma mula e depois seguiu para Turim (setembro de 1871). Hospedada durante um ano em Moncalieri, junto às Srtas. Lupis, ela ia todos os dias a pé até a cidade, em busca de pessoas doentes em dificuldade para atendê-las. Ela então alugou um quarto; para seu sustento fazia luvas, e algumas jovens começaram a ajudá-la em seu apostolado.
     Seus biógrafos fazem especial menção a duas pessoas de vida muito santa que lhe deram ajuda: o Pe. Felix Carpignano, do Oratório de São Felipe Neri, e Maria Clotilde de Saboia (cuja causa de beatificação foi introduzida em 10 de julho de 1942). Surpreendente também é que o Cardeal Gastaldi, Arcebispo de Turim, que se mostrou tão duro e incompreensivo com Dom Bosco, tenha apoiado uma pobre mulherzinha que começava a caminhar de modo insignificante...
     No início de 1874, o Arcebispo Gastaldi concedeu-lhes que usassem o hábito religioso, cerimônia realizada na Igreja de Santa Maria di Piazza: assim nasceu o Instituto das Pequenas Servas do Sagrado Coração de Jesus que além dos três votos ordinária daria atendimento domiciliar e de graça para pacientes pobres. A fundadora tomou o nome de Madre Joana Francisca em homenagem aos fundadores da Ordem de Visitação.
     O início foi difícil, caracterizado pela extrema pobreza, algumas das religiosas morreram e outras deixaram o Instituto. O clérigo superior e o médico da comunidade aconselharam-na a fechar o Instituto, mas Pe. Félix Carpignano, de venerada memória, encorajava a Madre. No apartamento que alugara na Piazza Corpus Domini, mais de uma vez a Madre foi ouvida exclamando entre lágrimas: "Estou disposta, ó meu amado Senhor, a retomar teu trabalho cinquenta vezes, se necessário, mas me ajude!" Deus ouviu essa súplica. Em 1879, Antônia Sismonda, ciente das más condições em que viviam as religiosas, hospedou-as em uma casa na colina de Turim.
     Poucos anos depois eram 20 religiosas. Em 1880 puderam abrir a segunda casa em Milão e em 1882 outra nova em Valsalice, perto de Turim, que se converteu em casa-mãe. Logo outras fundações se seguiram. A sombra benéfica de Dom Bosco a acompanhava nos momentos mais difíceis.
     Madre Joana Francisca era a Regra viva. Era uma mulher de intensa oração, mortificava seu corpo dormindo em terra ou em uma pilha de palha, misturando cinzas com a sopa. Na Congregação ela queria freiras generosas, ela dizia: "Se vocês falharem, descem um degrau; se vocês se humilharem, sobem três". Ao repreender as religiosas, às vezes era um pouco dura, mas elas a amavam, porque diante das dificuldades ela instilava confiança. Lia e meditava com elas as Sagradas Escrituras, recomendando-lhes que fossem "prudentes, zelosas e cheias de caridade", procurando Jesus Cristo nos pobres. Elas deviam auxiliá-los material e espiritualmente, favorecendo, se possível, sua aproximação dos Sacramentos. Antes de tomar uma decisão importante, pedia conselho aos seus confessores, entre os quais São João Bosco.
     A Beata não se eximia das tarefas de coleta de donativos, nem mesmo de participar de atividades públicas, nas quais às vezes era insultada. Ela tinha desejado instituir um grupo de religiosas adoradoras, mas como o superior não permitiu isto, ela dispôs que cada freira fizesse uma diária e profunda adoração ao Santíssimo Sacramento. Quando pedia uma graça particular, ela rezava com os braços em cruz, de joelhos, estendendo as mãos em direção ao tabernáculo. Ela trouxera da França uma estatuazinha da Virgem que foi benzida por Mons. Gastaldi. De vez em quando, segurando-a nos braços, em procissão com as religiosas pelo jardim, rezava cantando as ladainhas. Ela exortava-as a rezar o Rosário e a ter devoção à Virgem. Transmitiu uma profunda devoção à Paixão do Senhor: na Sexta-feira Santa almoçava de pé ou ajoelhada; beijava os pés das freiras, antes de se sentar para comer apenas uma crosta de pão.
     Nos últimos anos de vida, a asma brônquica frequentemente forçava a Madre a ficar na cama. Acreditando-se inadequada para governar o Instituto, que estava em constante desenvolvimento, especialmente na Lombardia, mas basicamente porque seus métodos irritavam um grupo de freiras idosas, em 26 de dezembro de 1887 foi exonerada do cargo de Superiora Geral. Aceitou a humilhação e submeteu-se a nova superiora, que ela própria sugerira.
     Daquele dia em diante a dor aumentou, mas sorrindo dizia: "Para Jesus, todo sacrifício é pouca coisa"; "Eu estou prestes a morrer, mas vocês não tenham medo. Vou continuar ajudando e orientando as Pequenas Servas do Sagrado Coração de Jesus para doentes pobres".
     Ana Michelotti morreu em 1º de fevereiro de 1888, um dia depois de Dom Bosco. Poucas horas antes de sua morte ela permitiu, cedendo às insistências das religiosas, ser fotografada (foto acima). Quem por toda vida, esquecendo-se de si mesma, serviu os mais indefesos, foi enterrada num pobre caixão, levando nos quadris o cíngulo franciscano, na terra molhada pela chuva de um pequeno cemitério. "O grão de trigo" morreu, mas uma luz de amor continuaria brilhando em suas filhas, hoje também ativas em terras missionárias.
     A Beata foi enterrada com a máxima simplicidade num cemitério pobre e teria ido para o ossuário comum, se os seus restos não tivessem sido recolhidos dez anos depois. Desde 1923, eles estão descansando na capela da casa mãe de Valsalice. Ela foi proclamada Beata pelo Papa Paulo VI em Roma no dia 1º de novembro do Ano Santo de 1975.

terça-feira, 29 de janeiro de 2019

Madre Mariana de Jesus Torres, uma vítima pelo século XX

     Estamos em meio a Novena de Nossa Senhora do Bom Sucesso, que é celebrada no dia 2 de fevereiro, Festa da Apresentação do Menino Jesus no Templo e da Purificação de Nossa Senhora (também conhecida como Festa das Candeias).
     Para alimentar nossa devoção a esta magnífica invocação à Nossa Senhora, relembramos alguns fatos relativos à sua confidente, Madre Mariana de Jesus Torres y Berriochoa.
* * *
     Nos séculos XV e XVI viveu em Quito, no Equador, uma freira espanhola cuja vida pouco conhecida, mas extraordinária, tem uma conexão direta com nossos dias. Madre Mariana de Jesus Torres y Berriochoa, uma freira da Ordem das Concepcionista, superou a já rígida disciplina de sua congregação nas tradicionais penitências que empreendeu. Além daquelas penitências, ela aceitou sacrifícios e sofrimentos sem precedentes que lhe foram diretamente solicitados por Nosso Senhor e Nossa Senhora.
     Seu contato frequente com os seres celestiais e seus sofrimentos sobrenaturais contrastam com os caminhos do nosso século ímpio e são tão extraordinários em si mesmos que uma palavra precisa ser dita de suas credenciais.
     Madre Mariana deixou um relato completo de sua vida por ordem de seus superiores. Este relato foi aprovado pelo Reverendíssimo décimo bispo de Quito, Pedro de Oviedo, o qual teve o privilégio de conhecê-la e dirigi-la. Além disso, com as recordações ainda vivas de todos os fatos extraordinários, não apenas de sua vida, mas também de suas oito santas companheiras, os Padres Franciscanos, que haviam sido seus diretores espirituais e irmãos, escreveram suas biografias.
     Em 1650, quinze anos após a morte de Madre Mariana, Diego Rodríguez Docampo publicou uma história de sua vida endossada por um documento oficial do rei da Espanha e da Corte Real de Quito.
     Entre 1760 e 1770, depois de novos fatos e documentação mais abundante, o Pe. Bartolomeu Ochoa de Alacano, um espanhol que vivia em Quito, publicou uma série de artigos que formaram um grande volume sobre Madre Mariana. Este trabalho recebeu circulação generalizada e resposta entusiástica nos mosteiros franciscanos da Espanha e Portugal. Este livro inclui crônicas do convento e o sermão pregado pelo bispo Oviedo no funeral de Madre Mariana.
     Em 1790, o Frei Manuel Souza Pereira, O.F.M., publicou um extenso trabalho baseado nos documentos anteriores. O Pe. Souza Pereira, de ilustre linhagem portuguesa, ingressou no exército quando jovem. Uma série de eventos providenciais e várias aparições de Madre Mariana de Jesus convenceram-no de que seu verdadeiro chamado era para a Ordem Franciscana. Mais tarde, tendo sido enviado para Quito, ele se tornou conhecido pela austeridade de sua vida e virtude sólida. Um momento decisivo para ele foi um convite para acompanhar seu bispo ao claustro papal onde sua santa protetora havia vivido e morrido. Lá ele traçou seus passos e venerou seu corpo incorrupto. Com o coração em chamas, ele jurou não descansar até que tivesse terminado um relato completo, ao qual ele deu o título de A vida admirável da Madre Mariana de Jesus.
* * *
    Mariana Francisca, nasceu na Espanha em 1563, filha de Dom Diego Torres e Dona Maria Berriochoa, ambos nobres espanhóis e ardorosos católicos, e foi uma alma eleita desde o berço. Um episódio particular de sua infância aponta a incomum virtude que ela já demonstrava: um incêndio que atingiu a igreja próxima à sua casa impedia-a de ir adorar Jesus Sacramentado, deixando-a desolada. Pouco tempo depois, ela recebeu a 1ª Comunhão e, em uma visão mística, Jesus revelou-lhe a sua vocação religiosa. Sua vida foi um contato contínuo com o sobrenatural. As aparições de Nosso Senhor, de Sua Santa Mãe, de Santos e de demônios, eram-lhe frequentes
    Aos 13 anos de idade, com sua tia Madre Maria, religiosa concepcionista, e mais algumas outras religiosas, foi para a cidade de Quito, no Equador, para a fundação do Mosteiro Real da Imaculada Conceição. No caminho o demônio apareceu querendo destruir a embarcação para que o Mosteiro não fosse fundado. Mas Nossa Senhora venceu o inimigo e as águas do mar se acalmaram, pois o demônio produzia grandes ondas a fim de afundar o navio.
     Durante a tempestade, Mariana e sua tia viram no mar "uma serpente monstruosa de sete cabeças" que dizia: "Não permitirei a fundação; não permitirei que progrida; não permitirei que se conserve até o fim dos tempos e a todo momento a perseguirei".
     De fato, nesse convento de Quito, haveria uma fidelidade prometida pelo Senhor: ali sempre existiria uma religiosa santa e o mosteiro serviria como uma espécie de para-raios, a fim de conter os castigos divinos sobre a humanidade.
     Em Quito, Mariana, não tendo idade suficiente para a vida religiosa, limitava-se a ajudar sua tia "nas fainas domésticas e na instalação dos locais de trabalho da Comunidade". Mas, tão logo cresceu fez seu noviciado e professou seus votos, vivendo uma vida cheia de visões, experiências místicas e penitências rigorosíssimas.
     Quando tinha 19 anos de idade, Madre Mariana é visitada por Jesus sofredor, que lhe mostra os castigos que cairão sobre os homens do século XX. Então, ela "viu três espadas sobre a cabeça do Santo Cristo, e que em cada uma dizia: castigarei a heresia, a blasfêmia e a impureza”. (...) A Santíssima Virgem disse então: 'Queres, minha filha, sacrificar-te por esse povo?' Ao que ela respondeu: 'Minha vontade está pronta'. E imediatamente as espadas se desprenderam do Santo Cristo, cravando-se no coração de Madre Mariana, a qual caiu morta pela violência da dor".
     Nesse instante, Mariana apresenta-se diante de Deus. Jesus apresenta-lhe duas coroas – "uma de glória imortal, cuja formosura ela não podia exprimir e outra de açucenas cercadas de espinhos" – e pede-lhe que faça uma escolha. Ela, compreendendo o significado das duas coroas e aconselhada pela Virgem Santíssima, escolhe, "humilde e resignada, a coroa de açucenas coroada de espinhos e voltou ao mundo para sofrer".
     Perseguida por religiosas que não queriam viver nem o rigor da regra franciscana nem uma vida de verdadeira penitência, aprisionada injustamente por quatro vezes, Madre Mariana aceitava resignada todas as humilhações e sofrimentos, oferecendo-as pelas pessoas do século XX.
     No livro “A Vida Admirável da Rvda. Madre Mariana de Jesus Torres”, Frei Manuel relata pormenorizadamente as três mortes e as duas ressurreições de Madre Mariana, sua atuação como religiosa modelar, seus sofrimentos e lutas, os estigmas de Nosso Senhor Jesus Cristo (os quais ela recebeu aos 25 anos) e outros fatos extraordinários de sua admirável vida mística.
     Seu corpo incorrupto se conserva, desde sua derradeira morte em 16 de janeiro de 1635, na capela de seu mosteiro.

     Para conhecer mais detalhes, tais como a milagrosa execução da imagem de Nossa Senhora do Bom Sucesso, as profecias de Nossa Senhora, etc. acesse o link abaixo:

domingo, 27 de janeiro de 2019

Princesa Amélia de Leuchtenberg – 26 de janeiro

EM MEMÓRIA DE NOSSA TERCEIRA IMPERATRIZ

    
     Há exatos cento e quarenta e seis anos, faleceu a nossa terceira Imperatriz do Brasil, nascida Princesa Amélie de Leuchtenberg.
     A Princesa Amélie Auguste Eugénie Napoléone de Leuchtenberg, Princesa Eichstätt, Duquesa de Leuchtenberg, nasceu no dia 31 de julho de 1812, em Milão, capital do então Reino da Itália (sob domínio napoleônico), sendo a terceira dos sete filhos do Príncipe Eugène de Beauharnais, Duque de Leuchtenberg (1781-1824), então Vice-Rei da Itália, e de sua augusta esposa, a Duquesa de Leuchtenberg, nascida Princesa Augusta da Baviera (1788-1851).
     Seu pai era filho adotivo do general usurpador e pretenso Imperador dos Franceses Napoléon Bonaparte (1769-1821), sendo filho biológico de sua primeira esposa, nascida Senhorita Joséphine Tascher de la Pagerie (1763-1814), com o primeiro marido desta, Alexandre de Beauharnais, Visconde de Beauharnais (1760-1794). Com a derrota de Bonaparte, em 1814, a família do Duque de Leuchtenberg seu mudou para a Munique, capital do Reino da Baviera, onde reinava seu sogro, Maximilian I (1756-1825). Contudo, após o falecimento do Duque, em 1824, o futuro de sua viúva e filhos se tornou incerto.
     O fato de seu pai ser oriundo da Nobreza Napoleônica, cuja autenticidade não era tão respeitada em muitas Cortes da Europa, era largamente compensado pelo fato de a Princesa Amélie, através de sua mãe, descender da prestigiosa e antiguíssima Casa de Wittelsbach. Alta, muito bonita e com um rosto delicado e bem proporcionado, com olhos azuis e cabelo castanho-escuro, Sua Alteza era senhora de grande cultura e sensibilidade, sendo considerada a Princesa mais bem-educada e preparada do mundo germânico.
     Após o falecimento prematuro de sua primeira esposa, a Imperatriz Dona Leopoldina (nascida Arquiduquesa da Áustria; 1797-1826), nosso Imperador Dom Pedro I (1798-1834) passou a procurar por uma nova Consorte, e não foi surpresa alguma Sua Majestade Imperial – que havia estipulado que a nova Imperatriz deveria vir de boa família, ter beleza, virtudes e cultura – ter escolhido a Princesa Amélie de Leuchtenberg.
     O contrato nupcial foi assinado em Londres, no dia 29 de maio de 1829, e ratificado em Munique, em 30 de junho, pela mãe e tutora da noiva, a Duquesa Viúva de Leuchtenberg. A cerimônia de casamento, bastante singela, foi celebrada em 2 de agosto, por procuração, na Capela do Palácio Leuchtenberg, em Munique, com o Imperador sendo representado por Felisberto Caldeira Brant, Marquês de Barbacena (1772-1842). Sua Majestade Imperial havia enviado uma grande soma de dinheiro, para que fosse feito um casamento à altura, mas a Princesa Amélie – que passaria a assinar Amélia – preferiu doar tudo para um orfanato local
     A nova Imperatriz do Brasil embarcou na Bélgica, rumo ao seu novo lar. Para garantir que Sua Majestade Imperial estivesse pronta para desempenhar seu papel, sua mãe incumbiu o renomado cientista alemão Carl Friedrich von Martius (1794-1868) de instruí-la acerca de tudo quanto dizia respeito ao Brasil e a Dama Ana Maria Romana de Aragão Calmon, 1º Condessa e Baronesa de Itapajibe (1784-1862), de introduzi-la no conhecimento da personalidade de seu esposo, da língua portuguesa e dos costumes da Corte Brasileira.
Casamento na Igreja Na Sra do Carmo, Rio
     No dia 15 de outubro de 1829, a Imperatriz chegou ao Rio de Janeiro. O Imperador subiu ao navio receber sua esposa e, encantado com sua beleza, desmaiou. Logo depois, Sua Majestade Imperial instituiu a Ordem da Rosa – tomando como inspiração o vestido cor-de-rosa que a Imperatriz usava ao chegar ao Brasil –, cujo lema é “Amor e Fidelidade”. No dia seguinte, a Imperatriz desembarcou do navio, sendo aclamada entusiasticamente pelo povo da capital do Império, que a recebia de braços abertos, e seguiu em procissão solene, junto ao Imperador, para a Capela Imperial, onde foi celebrado um Te-Déum, seguido por um espetáculo de fogos de artifício e um banquete de Estado.
     A Imperatriz também assumiu o papel de mãe para os cinco filhos de seu esposo, assegurando que os Imperiais infantes recebessem uma boa educação, à altura de herdeiros do Império do Brasil, e tivessem um ambiente familiar amoroso onde crescer. As crianças rapidamente se encantaram com sua madrasta, passando a chamá-la de mamãe.
     Em janeiro de 1830, a Imperatriz foi formalmente apresentada à Corte, em um baile onde todas as damas estavam vestidas de rosa, sua cor favorita. No dia seguinte, Suas Majestades Imperiais partiram em lua de mel, que passaram na Fazenda do Padre Correa – local onde, anos mais tarde, seria construída a Imperial Cidade de Petrópolis, na Serra Fluminense. Tão logo retornou ao Rio de Janeiro, a Imperatriz tratou de realizar uma série de reformas na Corte e na decoração do Palácio de São Cristóvão. Sua Majestade Imperial logo se tornou imensamente popular, pois o povo a via com uma esposa e mãe dedicada, sempre ao lado do Imperador, nos bons e nos maus momentos.
     Muito compreensivamente, o Imperador se sentia dividido entre Portugal e o Brasil – a terra onde nascera e a terra que havia adotado e aprendido a amar. Sua Majestade Imperial queria se dedicar às suas duas Nações, seus dois povos, o que muito incomodava a certos setores da sociedade brasileira. Esses agitadores subversivos e desonestos fizeram de tudo para infectar a opinião pública, virando-a contra o Soberano, o Pai Fundador da Pátria. Infelizmente, esses homens terríveis, verdadeiras pústulas, obtiveram sucesso.
A Imperatriz e sua filha
     No dia 7 de abril de 1831, com muita dor no coração, o Imperador abdicou, sendo sucedido por seu filho de cinco anos, o pequeno Príncipe Imperial, que se tornou nosso Imperador Dom Pedro II. Nas primeiras horas daquele dia, os antigos Imperador e Imperatriz, agora intitulados Suas Majestades Imperiais e Reais o Duque e a Duquesa de Bragança, embarcaram rumo à Europa, acompanhados pela Rainha Dona Maria II de Portugal (1819-1853), a primogênita do Duque. Antes de partir, a Duquesa deixou uma carta emocionada, despedindo-se do pequeno Imperador e pedindo às mães brasileiras que cuidassem do novo Soberano, o Órfão da Nação
     Tão logo chegaram ao Velho Continente, o Duque partiu para lutar contra seu irmão, o usurpador Rei Dom Miguel I de Portugal (1802-1866), para devolver o Trono de sua filha e restaurar a democracia em Portugal. A Duquesa, que já se encontrava grávida quando deixou o Brasil, deu à luz no dia 1º de dezembro, em Paris, à Princesa Dona Maria Amélia do Brasil, nascida no 9º aniversário da Coroação de seu pai como Imperador do Brasil.
      Com a derrota e o subsequente exílio do Rei Dom Miguel, a Duquesa, a Rainha de Portugal e a Princesa Dona Maria Amélia foram se juntar ao Duque, indo viver em Portugal. No entanto, a felicidade durou pouco, pois nosso primeiro Imperador sucumbiu à tuberculose no dia 24 de setembro de 1834, com apenas trinta e seis anos de idade incompletos. A Duquesa, viúva aos vinte e dois anos, jamais se casou novamente, passando a morar, com sua filha, no Palácio das Janelas Verdes, em Lisboa, e mantendo extensa correspondência com seu enteado, o Imperador do Brasil, que reviu apenas em 1871, em um encontro cheio de abraços e lágrimas.
Princesa Maria Amélia, 1849
     Em 1852, a Princesa Dona Maria Amélia ficou noiva do Arquiduque Maximilian da Áustria (1832-1867), sobrinho da Imperatriz Dona Leopoldina, e que mais tarde reinaria como Imperador do México. Contudo, Sua Alteza contraiu tuberculose, tendo de ir se tratar em Funchal, na Ilha da Madeira. Infelizmente, no dia 4 de fevereiro de 1853, a Princesa Dona Maria Amélia sucumbiu à mesma doença que havia matado seu pai. A morte de sua filha abalou profundamente a Duquesa, que visitou seu túmulo todos os anos, enquanto viveu, e financiou a construção do Hospital Princesa Dona Maria Amélia, que existe até hoje em Funchal.
     A Imperatriz Dona Amélia do Brasil, Duquesa de Bragança, faleceu em 26 de janeiro de 1873, aos sessenta anos de idade, no Palácio das Janelas Verdes. Seu corpo foi sepultado no Panteão dos Bragança, próximo a Lisboa, mas seus restos mortais foram transferidos para o Brasil, em 1982, e sepultados no Mausoléu do Monumento do Ipiranga, em São Paulo, junto aos despojos do Imperador Dom Pedro I e da Imperatriz Dona Leopoldina, aguardando pela Ressurreição dos Mortos, quando da volta de Nosso Senhor Jesus Cristo.
Falecimento de Da. Ma. Amélia















A Imperatriz ao lado do retrato da filha 

SUA MAJESTADE IMPERIAL E REAL
SENHORA DONA AMÉLIA
IMPERATRIZ CONSTITUCIONAL DO BRASIL
DUQUESA DE BRAGANÇA
PRINCESA DE LEUCHTENBERG
PRINCESA DE EICHSTÄTT
DUQUESA DE LEUCHTENBERG
31-VII-1812 – 26-I-1873

Fonte:

https://pt-br.facebook.com/.../em-memória-de-nossa-terceira-imperatrizhá.../114500469...


quinta-feira, 24 de janeiro de 2019

Beata Emília Fernández Rodríguez de Cortés, Jovem mãe de família, mártir – 25 de janeiro

    
     Emília nasceu em 13 de abril de 1914 em Tíjola (Almería). Foi batizada no mesmo dia de seu nascimento na Igreja Paroquial de Santa Maria e lhe impuseram os nomes de Emília, Gregória e Margarida.
     A vida de nossa protagonista é típica de uma família cigana: vivia em uma casa caverna na parte alta da cidade (e separada da parte central do distrito) e colaborava com a família fabricando cestas de vime (daí o apelido "La canastera" – a cesteira). Estas eram levadas para cidades próximas ou para mercados mais distantes, neste caso sobre um animal de carga percorrendo as margens do Rio Almanzora.
     Ela cresceu desfrutando as alegrias próprias de sua idade e com os sofrimentos que as circunstâncias especiais de sua existência a levavam a sofrer. No entanto, não importa o quão ruim fossem estes últimos, ela teria que passar por algo definitivo para sua vida espiritual que seria pior (em termos do que significavam para sua vida material) e melhor (em termos do que significavam para sua fé).
     Quando a Guerra Civil começou (julho de 1936), a vida daqueles ciganos, incluindo Emília e seus irmãos, não sofreria outra alteração além das circunstâncias, ou seja, eles não fugiram nem nada parecido, continuaram vivendo no mesmo local. Tanto que em 1938 Emília se casou com Juan Cortés que nasceu em 29 de maio de 1915 e tinha, portanto, pouco mais de um ano a menos do que ela.
     Ela se casou de acordo com o costume cigano, uma escolha quase obrigatória, na verdade, dado que a igreja paroquial foi fechada por vários meses para evitar a profanação no clima delicado que a Espanha viveu no período 1936/1939, com tantas perseguições contra a Igreja e uma miríade de mártires. O casamento foi celebrado entre fevereiro e março de 1938, no limiar de seus 24 anos, e as festividades constavam de danças e canções durante uma semana inteira, de acordo com o costume de seu povo.
     Como é bem sabido, os ciganos não se preocupavam muito com assuntos políticos. Então, quando a Guerra Civil começou (e no desenvolvimento dela), podemos dizer que eles não conseguiam entender o que havia começado ou as razões para continuar. Embora Juan Cortés não tivesse intenção de se juntar a nenhum dos grupos que lutava naquela guerra, aqueles que o chamaram não pensavam o mesmo: o lado republicano o convocou. E não havia nada que pudesse libertá-lo de ser chamado. Por outro lado, Emília pensava o mesmo que seu marido e não queria que ele se juntasse às fileiras.
     Como sair daquela situação? De início eles se saíram bem usando um truque que consistia em inutilizar os olhos (temporariamente) de modo que, agindo como um cego quando apareceram em sua casa para recrutá-lo, pensaram que ele não era adequado. E então ele não se juntou ao exército republicano.
     Mas depois de um tempo os milicianos voltaram às cavernas. Eles queriam ver se tinha havido alguma mudança... e, de fato, isso aconteceu: eles perceberam que Juan Cortés estava vendo perfeitamente e o prenderam junto com sua esposa Emília. Ele foi enviado para a "Prisão do Engenho" e ela foi para a chamada "Gachas Colorás", onde ingressou em 21 de junho de 1938. Ela foi incluída em um grupo de quarenta mulheres e jovens ali presas pelo terrível crime de serem católicas praticantes.
     Assim, Emília se encontra na cadeia. Em 9 de julho de 1938, o julgamento foi realizado e ela foi condenada a seis anos de prisão. Podemos imaginar a situação em que Emília se encontrava, estando grávida. Que ela se isolasse voluntariamente e gostaria de passar despercebida era o que se poderia esperar.
     No entanto, as mulheres que estavam com ela ajudaram-na o máximo que podiam. Vê-la naquele estado deve ter partido seus corações. E, entre elas, Dolores ou Loli, que seria sua catequista, destacou-se em atenção à sua pessoa.
     A vida de Emília na prisão foi facilitada pela oração, que ela aprendeu estando ali, graças especialmente a Loli. Ela começou a rezar o Santo Rosário e quis memorizar o Pai Nosso, a Ave Maria e o Glória, porque ela queria participar daquela oração que tanto enchia seu coração. Ela também descobriu que era importante e necessário conversar com Deus todos os dias e que era uma maneira de dar a ele um pouco do nosso tempo.
     É verdade que a Emília Fernández Rodríguez tinha uma fé simples e que conhecia os elementos essenciais, mas os meses que passou na prisão ajudaram-na a conhecê-la melhor e colocá-la em prática. Além disso, como frequentemente acontece com os santos, aqueles maus momentos, aqueles sofrimentos que padeceu ajudaram-na a se aproximar de Deus de uma maneira simples, mas também profunda.
     Emília, que era fiel a Deus Todo Poderoso, também era fiel às pessoas que a estavam ajudando. Por isso se recusou a revelar quem foi a mulher que a havia catequizado, porque se ela tivesse feito isso a vida da mulher correria perigo. Ela não queria trair aquela que a ensinara tanto. Como resultado desta postura, ela e Loli foram encerradas numa cela de isolamento. Não só não vão melhorar a alimentação, como fora prometido no caso de ela revelar quem tinha sido sua catequista, mas a pioraram.
     Considerando que ela estava grávida, o que tinha que acontecer acabou acontecendo. O inverno fazia estragos em Emília. E por mais clemência que solicitasse ao governador civil, nada lhe foi concedido. E assim, em 12 de janeiro de 1939, chegou o momento do parto; ajudada por algumas companheiras de cativeiro, deu à luz, dia 13 às 2 da manhã, a uma menina que foi batizada no mesmo dia às 5 horas da tarde, na qual colocaram o nome de Angeles.
     Emília estava muito doente. Fisicamente ela estava nas últimas e no dia 13 levaram-na e a menina para o hospital, de onde voltaram para a prisão quatro dias depois. No entanto, as condições de vida eram mais do que ruins. Em 24 de janeiro novamente informam o Governador Civil que seria necessário exercer a "graça" de libertá-la da prisão. Resposta: nenhuma.
     Em 25 de janeiro daquele ano de 1939, alguns meses antes do fim da Guerra Civil, eles a levaram de volta ao hospital. A viagem foi inútil: a cigana Emília iria morrer de uma "infecção puerperal adicionada a um quadro de broncopneumonia", como consta no atestado médico. E, para a vergonha da raça humana, seus restos mortais foram depositados em uma vala comum no cemitério de Almería. Mas o pior é o que foi feito contra sua pequena criatura, que não foi confiada a parentes, mas levada ao instituto e, como "propriedade do Estado", foi dada em adoção, sem que até hoje se saiba o que aconteceu com ela.
     Foi o que nos disse, no mesmo dia de sua beatificação, Eleutério Fernández Guzmán em seu blog com o título: Beata Emília Fernández Rodríguez, Emília "La canastera". Primeira mulher cigana a receber a honra dos altares.
     Foi beatificada em 25 de março de 2017.

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