quarta-feira, 11 de março de 2020

Santa Maria Eugênia de Jesus, Fundadora - 10 de março

    
     Ana Eugênia Milleret de Brou nasceu em Metz no dia 25 de agosto de 1817; sua infância transcorreu entre a casa natal dos Milleret de Brou e a vasta propriedade de Preisch, na fronteira entre Luxemburgo, Alemanha e França.
     De uma família incrédula cujo pai, voltairiano, era um alto funcionário e a mãe, uma excelente educadora que só praticava um formalismo religioso, entretanto, a bondade, a generosidade, a retidão e a humildade aprendidas com sua mãe, a levaria a dizer mais tarde que sua educação fora mais cristã que a de muitos católicos piedosos de seu tempo.
     Segundo o costume, Ana Eugênia assistia à Missa nos dias de festa e recebera os sacramentos da iniciação cristã sem comprometer-se com nada.  Porém, no Natal de 1829, Ana Eugênia teve um verdadeiro encontro místico com Jesus Cristo no dia de sua Primeira Comunhão: “Nunca o esqueci”. Só mais tarde compreenderia o sentido profético desta experiencia e reconheceria nela o fundamento de seu caminho em direção a uma total entrega a Nosso Senhor Jesus Cristo e a Santa Igreja.
     Aos 13 anos uma grave doença obrigou Ana a interromper os estudos, que teve que prosseguir sozinha. As provas de Ana continuaram em 1830: durante a revolução contra o rei Carlos X, que deu o trono da França a Felipe de Orleans, o pai caiu na ruína e teve que vender o Castelo de Preisch, e mais tarde a casa de Metz. Seus pais se separaram; ela foi para Paris com a mãe, que uma epidemia de cólera – uma doença que açoitava com grande força Paris naquela época – a colheria brutalmente em 1832. Uma rica família amiga de Châlons a acolheu.
     Aos 17 anos, conheceu a solidão em meio aos mundanismos que a rodeiam: "Vivi uns anos me perguntando sobre a base e o efeito das crenças que não havia compreendido... Minha ignorância sobre o ensino da Igreja era inconcebível e, contudo, havia recebido as instruções comuns do Catecismo". (Carta ao Pe. Lacordaire, 1841).
     Seu pai a fez voltar para Paris. Durante a Quaresma de 1836, ouviu o Pe. Lacordaire pregar na Catedral de Notre-Dame de Paris. "Vossa palavra despertava em mim uma fé que nada pode fazer vacilar". "Minha vocação começou em Notre-Dame", diria mais tarde. "Me sentia realmente convertida, e sentia o desejo de entregar todas minhas forças, ou melhor, toda minha debilidade, a esta Igreja que desde então me parecia que era a única que possuía aqui na terra o segredo e o poder do bem".
     Na Quaresma de 1837, Ana Eugênia encontrou o Pe. Combalot, que pregava em São Sulpício, e que a orientou na fundação de uma nova Congregação. Ele sonhava fundar uma congregação dedicada à Nossa Senhora da Assunção para formar jovens dos meios dirigentes, a maioria irreligiosa; ela sonhava com a vocação religiosa. Ele estava convencido de que somente através da educação se poderia evangelizar as inteligências, fazer com que as famílias fossem realmente cristãs e assim transformar a sociedade de seu tempo. Ana Eugenia aceitou o projeto como um desejo de Deus e se deixa guiar pelo Pe. Combalot. 
     O Pe. Combalot enviou Ana Eugênia ao Convento da Visitação de La Côte-Saint-André (Isère), experiência que deixaria nela a marca do espírito e da espiritualidade de São Francisco de Sales. Já tinha as bases de sua pedagogia: rechaçava uma educação mundana em que a instrução cristã fosse pouca, queria um cristianismo autêntico e não um verniz superficial, queria dar para as jovens uma educação à luz de Cristo.
     Em outubro de 1838, se encontrou com o Pe. d’Alzon. Esta grande amizade duraria 40 anos.
     Em 30 de abril 1839, com 22 anos, se unem a ela duas jovens para realizar o seu projeto em um apartamento pequeno da Rua Férou, muito perto da Igreja de São Sulpício em Paris; em outubro já eram quatro em um andar da Rua de Vaugirard. Elas estudam teologia, a Sagrada Escritura e as ciências profanas. Kate O’Neill, uma irlandesa, se uniu a elas e tomou o nome de Teresa-Emanuel. De personalidade forte, ela acompanharia Ana Eugênia oferecendo-lhe sua amizade e sua ajuda durante toda sua vida. Ao final de sua vida, a chama "a metade de meu ser"; se considera Madre Teresa-Emanuel como co-fundadora.
     Em maio de 1841, as Irmãs se separaram definitivamente do Pe. Combalot. Mons. Affre lhes ofereceu o apoio de seu vigário geral, Mons. Gros.
     As Irmãs retomam os estudos e fazem sua primeira profissão religiosa em 14 de agosto de 1841. A pobreza em que viviam era grande e a comunidade não aumentava. Isto não impediu Madre Maria Eugênia de abrir o primeiro colégio na primavera de 1842, no Impasse des Vignes. Mais tarde se instalou em Chaillot, porque a comunidade crescia e se tornava cada vez mais internacional. Às vezes ela se queixava dos sacerdotes e dos leigos: "Seu coração não bate por nada que seja grande".
     No Natal de 1844, Madre Maria Eugênia fez sua Profissão perpétua, com um quarto voto: "Estender por toda minha vida o Reino de Jesus Cristo".
     Madre Maria Eugênia desejava para suas filhas “contemplativas da ação” a recitação do Ofício Divino como devoção principal por ser a oração oficial da Igreja, e o centro de sua espiritualidade devia ser Jesus Eucaristia e o mistério da Encarnação. Ela e as primeiras irmãs da Assunção quiseram unir o antigo e o novo: unir os antigos tesouros da espiritualidade e a sabedoria da Igreja com uma nova forma de vida religiosa e de educação, que respondesse às necessidades da época. Profundamente contemplativa e profundamente apostólica, deveria ser uma vida vivida na busca de Deus e um forte compromisso apostólico.
     Roma reconheceu esta nova Congregação em 1867. As Constituições, ou a Regra da Congregação da Assunção, foram definitivamente aprovadas em 11 de abril de 1888.
     A vida de Madre Eugênia de Jesus foi longa, atravessou quase todo o século XIX. Ela desejava participar ativamente de sua história e toda sua energia se concentrou no desenvolvimento e na extensão da Congregação, a obra de sua vida.
     O Pe. Emanuel d’Alzon, que chegou a ser diretor espiritual de Madre Maria Eugênia pouco depois da fundação, foi para ela pai, irmão, amigo segundo as etapas da vida. Em 1845, o Pe. D’Alzon fundou os Agostinianos da Assunção e dos dois fundadores se ajudaram mutuamente ao longo de 40 anos. Os dois tinham o dom para a amizade e trabalharam na Igreja com numerosos leigos. Juntos, religiosos, religiosas e leigos traçaram o caminho da Assunção.
     A morte do Pe. d’Alzon em 1880 pressagiava o despojamento que ela havia entrevisto como necessário em 1854: "Deus quer que tudo caia ao meu redor". Irmã Teresa-Emanuel falece em 3 de maio de 1888, e sua solidão se tornou mais profunda.
     Entre 1854 e 1895, nasceram novas comunidades na França, seguidas das fundações na Inglaterra, Espanha, Nova Caledônia, Itália, América Latina e Filipinas.
     As viagens, as construções, os estudos, as decisões se sucediam. Sua preocupação constante, porém, será sempre sua intuição inicial, a que as Irmãs têm que ser fiéis aos chamados do Senhor: "Na educação, uma filosofia, um carácter, uma paixão. Porém, que paixão dar? A da Fé, a do Amor, a da realização do Evangelho”. As religiosas devem ser professoras educadoras adaptando-se às necessidades que vão se apresentando, sem deixar de lado a observância monástica.
     Quando descobriu a debilidade da velhice, "um estado no qual só resta o amor", Madre Maria Eugênia foi se apagando pouco a pouco: "Só me resta ser boa". Vencida por uma paralisia em 1897, somente terá seu olhar para expressar essa bondade.
     Em 9 de março de 1898 Madre Maria Eugênia recebeu a Comunhão pela última vez e na noite de 10 de março adormeceu docemente no Senhor.  Em 9 de fevereiro de 1975 foi beatificada por Paulo VI, em Roma; em 3 de junho de 2007 o papa Bento XVI canonizou-a em Roma, na Festa da Santíssima Trindade.
     Hoje as religiosas da Assunção estão presentes em 34 países: 8 na Europa, 5 na Ásia, 10 na América e 11 na África.


Postado neste blog em 10 de março de 2014

segunda-feira, 9 de março de 2020

Santa Catarina de Bolonha, Mística - 9 de março

    
     Clarissa e escritora mística, Catarina nasceu em Bolonha, no dia 8 de setembro de 1413 e morreu na mesma cidade em 9 de março de 1463. Filha de Benvinda Mamellini e de João Vigri, Catarina foi educada na corte de Ferrara, como dama de companhia de Margarida, filha de Nicolau III, marquês D’Este, a serviço de quem estava seu pai como diplomata. Nossa Senhora, um dia, aparecendo a João Vigri, disse-lhe: - Tua filha será um grande e luminoso farol para o mundo!
     Na corte de Ferrara Catarina prosseguiu o estudo de literatura e das artes plásticas; um manuscrito pintado por ela, que já pertenceu a Pio IX, é atualmente reconhecido entre os tesouros de Oxford.
     Aos treze anos de idade, após ter ficado órfã de pai e depois do casamento de Margarida com Roberto Malatesta de Rimini, Catarina voltou para casa determinada a se juntar ao pequeno grupo de donzelas devotas que estavam vivendo em comunidade e seguindo a regra da Ordem Terceira de Santo Agostinho na cidade vizinha de Ferrara.
     Foi exatamente na corte de Ferrara, num ambiente moralmente deturpado, que a semente da vocação religiosa germinou no coração de Catarina. Deixando a mãe, uma irmã e um irmão, ingressou no mosteiro de Terciárias Agostinianas (1427) aos catorze anos. Era uma comunidade fundada por uma grande dama de Ferrara, Lúcia Mascaroni que na época a dirigia.
     Durante sua permanência na corte de Ferrara, Catarina mantivera estreito contato com os Frades Menores da Observância no convento do Santo Espírito, onde recebia a orientação espiritual que solidificou o seu desejo de servir a Deus. Percebendo que a comunidade na qual ingressara não vivia com radicalidade evangélica sua opção, sentia cada vez mais o anseio de que de comum acordo passassem a viver a Regra de Santa Clara, e que tivessem a orientação dos Observantes, cujo testemunho de vida sempre a impressionara.
     Com o apoio sincero e confiante da senhora Lúcia Mascaroni, depois de inúmeras dificuldades e vicissitudes motivadas por divisões internas do grupo de mulheres que viviam então no Mosteiro Corpus Christi, mas por influência decisiva de Catarina, adotaram finalmente a Regra própria de Santa Clara.
     O Papa Eugênio IV, em uma bula de abril de 1431, enviou algumas clarissas de Mântua para que formassem as componentes da nova comunidade clariana, estimulando a exata observância da Regra no seu primitivo rigor, atendendo assim às santas aspirações de Catarina e das suas companheiras. Depois de algum tempo de aprofundamento neste estilo de vida – o que considerou como o seu noviciado – Catarina professou em 1432, com dezenove anos, a Regra de Santa Clara, pela qual tanto lutara.
     Catarina era de saúde muito delicada, mas esquecia-se complemente de si mesma, impondo a si os trabalhos mais pesados e difíceis para poupar as demais. Desempenhou muitas funções a serviço de sua comunidade, entre elas a de padeira e de enfermeira. Foi exemplar na humildade e na obediência, em meio a inúmeras tentações de rebelião e de desespero, durante boa parte de sua vida em Ferrara. Era sempre pródiga na caridade para com suas irmãs.
     Dotada de uma inteligência e de uma sensibilidade e perspicácia únicas, destacou-se como grande escritora, poetisa, pintora e mística do renascimento italiano. Seu estilo literário é original, precioso para o estudo da própria língua italiana da época, no dialeto de sua região. Jamais quis aceitar o ofício de abadessa em Ferrara, mas foi longamente mestra de noviças. O seu livro “As Sete Armas Espirituais” é uma síntese belíssima de sua pedagogia espiritual.
     O número crescente de vocações, no entanto, tornou necessário estabelecer outros mosteiros das clarissas, na Itália, e no cumprimento do Breve de Calisto III, "Ad ea quae omnipotentis Dei gloriam", conventos foram fundados em Bolonha e em Cremona.
     Na perspectiva de realizar uma nova fundação em Bolonha, Catarina foi escolhida como abadessa, na véspera da partida das fundadoras, em cujo grupo ela já se contava. O temor em relação à difícil missão que o Senhor lhe pedia fez com que adoecesse gravemente naquela noite, tanto que pensavam as Irmãs que não sobreviveria. Mas na manhã seguinte, como por um milagre, partia com quinze companheiras para Bolonha, numa viagem memorável, em carruagem adaptada como clausura, que o povo acompanhava ou aclamava com júbilo. É o ano de 1456. Em pouco tempo o número de Irmãs em Bolonha se vê multiplicado.
     A fama de santidade de Catarina atrai muitas jovens. A própria mãe de Catarina e sua irmã se fazem clarissas. O Mosteiro Corpus Domini de Bolonha torna-se um verdadeiro centro espiritual naquela cidade de douta cultura. O número de clarissas rapidamente chega a sessenta. Dentre as mais fiéis colaboradoras que Catarina teve no trabalho de implantação do ideal de Santa Clara, estão as Bem-aventuradas: Joana Lambertini (+1476), Paula Mezzavaca (1426-1482) e Iluminata Bembo (+1496).
     Todas elas ingressaram em Ferrara, antes da observância da Regra de Santa Clara; participaram do grupo que fundou o Mosteiro de Bolonha e foram exemplares em seu testemunho de vida. Iluminata foi a primeira biógrafa de Santa Catarina. Seu manuscrito “Espelho de Iluminação” conserva-se atualmente no Mosteiro Corpus Domini de Bolonha, com as obras pessoais de Catarina: As Armas necessárias às batalhas espirituais, Breviário, Tratado sobre o modo de comportar-se nas tentações, Regras de vida religiosa, Louvores e Devoções, Cartas, Louvores espirituais e poesias, todos manuscritos autógrafos, alguns inéditos.
     Favorecida com o dom dos milagres, tendo divinas visões, anunciou uma grande queda: a do império do Oriente e a tomada de Constantinopla pelos turcos. Humilde, para satisfazer o desejo de penitência, pediu para tratar da padaria, vivendo apagadamente. As altas virtudes, porém, um dia, levá-la-iam a ser mestra das noviças. Deus recompensou-a com imensa delicadeza.
     Contam de Santa Catarina de Bolonha que, certa vez, quando então era porteira e com alegria atendia os pobres que batiam à porta do convento, um venerável velho apareceu-lhe para uma esmola. A santa deu-lha, e ele, a olhá-la com grande doçura, retirou-se, sem dizer uma palavra, agradecendo tão somente com os olhos que falavam.
     No dia seguinte, tornou a aparecer. Recebeu humildemente o que a santa lhe oferecia e se retirou, silencioso, agradecendo-lhe a esmola só com o olhar, como já o havia feito anteriormente. No terceiro dia, o suave velho tornou a surgir, à mesma hora, trazia nas mãos uma escudela muito singela, mas muito transparente, que estendeu à santa porteira, dizendo: - Toma para ti. Era a pequena taça em que Maria dava de beber ao Menino Jesus.
     Catarina, assombrada e maravilhada, tomou-a nas mãos que tremiam. E a pensar se as teria tão puras que pudessem tocar tão pura beleza - quando percebeu, já o venerável e suave velho desaparecera misteriosamente. Era São José? Era. Deus, fizera-o saber, depois, por uma revelação.
     O Papa Pio II, em 1458, emitiu uma bula que dizia que, entre as clarissas, a abadessa seria superiora somente por três anos. Catarina exultou: teria agora oportunidade de não ser nada. Grande engano! Findos que foram os três anos de governo, efetuada a eleição, novamente sobre ela recaiu a escolha das religiosas - e a santa, até o fim de seus dias, ocupou-se da administração do convento da cidade em que nascera.
     As tentações persistentes que nos primeiros dias de sua vida religiosa tinham provado sua paciência, humildade e fé, especialmente esta última virtude, nos últimos anos deu lugar ao consolo espiritual mais abundante e gozo das alturas da contemplação.
     A partir de 1461, Catarina passara por períodos sucessivos de grave doença, até sua morte a 9 de março de 1463; faleceu exclamando em meio às religiosas que a assistiam: - Jesus! Jesus! Jesus! Estava com quarenta e nove anos, e o corpo foi enterrado no cemitério da comunidade. Muitos milagres foram realizados à beira do túmulo da santa abadessa, que dezoito dias depois foi desenterrada e encontrada sem qualquer corrupção. A descoberto, ficou ela exposta no coro da igreja. E dois grandes prodígios se deram.
     Às religiosas que a rodeavam saudou-a por três vezes com suaves sorrisos. E, tendo vindo uma menina venerá-la, chamava-se Leonor Poggi, Catarina, como se fora viva, abriu os olhos e fez-lhe sinal para que mais se aproximasse. A menina sem se espantar, calmamente achegou-se do corpo. E a comunidade toda, maravilhadíssima, ouviu-a dizer à jovem, com muita clareza: - Leonor, sê boazinha, que eu quero que sejas religiosa neste convento, que sejas minha filha e guarda de meu corpo. E assim foi, alguns anos mais tarde.
     Foi beatificada pelo Papa Clemente VII e em 1712, Clemente XI declarou-a santa. Seu corpo se conserva incorrupto, em perfeito estado de conservação e flexível, na Igreja do Mosteiro Corpus Domini.
     Nos anos 1500, Santa Catarina de Bolonha apareceu a uma das freiras e pediu que seu corpo incorrupto fosse colocado sentado em uma parte especial da capela. Sua pele tornou-se escurecida ao longo do tempo devido às velas e luzes votivas.
     O corpo de Santa Catarina, que se mantém incorrupto, está preservado na capela das Clarissas em Bolonha. Santa Catarina foi canonizada pelo Papa Bento XIII. Sua festa é mantida no dia 9 de março em toda a Ordem dos Frades Menores.
Fontes:
WADDING, Annales Minorum, X, 184; XII, 307; XIII, 324; e passim; Acta SS,. Março, II, 35-89; LEO, Vidas dos santos e beatos das Três Ordens de São Francisco (Taunton, 1885), I, 394-437; ZAMBONI, La Vita di Santa Catherina di Bologna (Bolonha, 1877).
STEPHEN M. DONOVAN (Enciclopédia Católica)
site: http://www.capuchinhos.org.br)
Livro Vida dos Santos, Padre Rohrbacher, Volume IV, p. 293 à 297)

Postado neste blog em 9 de março de 2013

sexta-feira, 6 de março de 2020

Santa Teresa Margarida (Redi) do Coração de Jesus - 7 de março


"Jovem flor do Carmelo, a imitar a brancura das açucenas"

     Ana Maria Redi nasceu na Itália, na cidade de Arezzo, de nobre família, na vigília da Festa de Nossa Senhora do Carmo, dia 15 de julho de 1747. Seus pais, Inácio Fernando Maria Redi e Maria Camila Ballati, tiveram 13 filhos, Ana Maria foi a segunda. Teve três irmãs religiosas e dois irmãos sacerdotes. Foi alma contemplativa desde menina. Frequentemente enchia-se de entusiasmo e questionava: “Diga-me, quem é esse Deus?” Desde muito pequenina, gostava de colher flores para oferecê-las a Jesus. Na adolescência, procurava exercitar cada dia uma virtude. Na juventude, gostava de rezar diante do sacrário, onde dizia palpitar não só o Amor, mas o Coração do Amor.
     Aos nove anos, junto com a irmã, Eleonora Catarina, foi mandada para Florença para receber formação com as Beneditinas de Santa Apolônia. Recebeu a Primeira Comunhão no dia da Assunção de 1757. Um fato significativo: seu maior confidente era o pai, Inácio Maria Redi, homem ilustre e religioso. Entre os dois se iniciou uma intensa troca de correspondência, infelizmente quase toda perdida devido a sua promessa de queimar as cartas. Ana Maria muitas vezes disse que era grata ao pai mais pelo que lhe ensinava do que por tê-la gerado.
     Após ter lido a vida de Santa Margarida Maria Alacoque nasceu nela uma grande devoção ao Sagrado Coração.
     Tinha 17 anos quando ouviu uma voz que lhe dizia: «Sou Teresa de Jesus e quero-te entre as minhas filhas». Foi o seu chamamento ao Carmelo, à «casa dos Anjos», como gostava de chamar os conventos de carmelitas, assim como Santa Teresa de Jesus lhes chamava «pombais de Nossa Senhora». A exemplo da amiga Cecília Albergotti resolveu entrar no Carmelo. A separação da família foi dolorosíssima. No dia 1° de setembro de 1764 foi recebida no Mosteiro de Santa Maria dos Anjos de Florença, recebendo o nome de Teresa Margarida do Sagrado Coração de Jesus.
     Quando era postulante uma doença provocada por um tumor maligno a fez sofrer muito. Uma vez restabelecida, iniciou o Noviciado tomando o véu em 11 de março de 1765. Fez a profissão religiosa em 12 de março de 1766.
     Por ocasião da sua profissão religiosa, por amor a Jesus, renunciou a manter a troca de correspondência com seu pai. Custou-lhe muitíssimo, mas eles combinaram que a partir daquela data todas as noites, antes do repouso, se encontrariam no Coração de Jesus.
     Quando ainda jovem professa desejou profundamente conhecer a vida escondida de Jesus. Apagar a sede de Deus através da imitação de Cristo se tornou o objetivo de sua existência. Nasceu assim a singular expressão: "Que bela escada, que escada preciosa, indispensável é o nosso Bom Jesus!", Mestre, modelo e instrumento para compreender e entrar no Mistério Divino.
     O mistério da Cruz e os espinhos que rodeavam o Coração de Cristo atraíam-na fazendo-a humilde, alegre e caridosa. No dizer das Irmãs, era um anjo do Céu no convento de Florença.
     Durante toda a sua vida viveu o lema: "Escondida com Cristo em Deus". Mais que mestra foi um contínuo e magnífico testemunho de vida espiritual. Assimilou com perfeição os ensinamentos de Santa Margarida Maria Alacoque sobre o Sagrado Coração de Jesus e viveu-os de modo bem pessoal, até chegar à intimidade com a Santíssima Trindade. Foi Apóstola do Sagrado Coração e de Nossa Senhora do Carmo, a quem amou entranhadamente. Outro lema que lhe era muito caro, como fiel herdeira do espírito do Carmelo, era "padecer e calar".
     No domingo 28 de junho de 1767, encontrando-se no coro para o Ofício de Terça, ouviu a leitura breve: Deus é caridade, e quem permanece na caridade, permanece em Deus (Ep. Jo. 1, 4-16). Um sentimento sobrenatural a invadiu e por vários dias ficou abalada. Doou então o seu coração a Cristo, oferecendo-se para ser consumida por Seu amor. Havia chegado ao último degrau da escada... Tudo isto na mais profunda humildade, com o desejo de transmitir tais dons místicos às irmãs de hábito. Pediu ao confessor a permissão para fazer a oferta de Santa Margarida Maria Alacoque: colocar a sua vontade própria na Chaga do Lado de Cristo e entrar em Seu Coração.
     O amor de Deus se concretizou no ofício de auxiliar de enfermeira, cargo que exerceu com extraordinária abnegação, em particular com uma irmã que devido a problemas psíquicos havia se tornado violenta. A sua caridade foi silenciosa e heroica.
     Temos poucos escritos de Santa Teresa Margarida Redi: algumas cartas, vários bilhetes que gostava de enviar às irmãs e os propósitos dos exercícios de 1768 e um outro breve propósito. Mas a sua ardente devoção a fez atingir uma altíssima experiência mística. Apesar de não ter muitos conhecimentos teológicos, teve profundíssima compreensão das Sagradas Escrituras como um dom do Espírito Santo. Tinha muito interesse também pela leitura das obras da Santa Madre Teresa.
     Ardente foi também seu amor pela Eucaristia: "No Ofertório renovo a profissão (religiosa): antes que elevem o Santíssimo, rogo a Nosso Senhor que assim como Ele opera o milagre de tornar aquele pão e aquele vinho no Seu preciosíssimo Corpo e Sangue, assim também se digne transmudar-me nEle mesmo. Quando O elevam, O adoro e renovo ainda a minha profissão, depois peço o que desejo dEle".
     A festa do Sagrado Coração foi celebrada pela primeira vez na comunidade por sua influência, pondo ela todo empenho em que a festa fosse solene. Nisto foi apoiada pelo pai e pelo tio, o jesuíta Diego Redi. Eram os anos em que essa devoção começava a se propagar, nem sempre bem acolhida devido à influência dos jansenistas.
     Conforme um de seus biógrafos, ela pertence “à estirpe espiritual sanjoanista mais pura. A chama obscura do amor infuso que a abrasa, consome, ilumina e dirige toda a vida, fazendo-a tocar o centro da vida trinitária, de onde se abre ao mais ardente apostolado contemplativo”.
     Soube cobrir com as cinzas da santa humildade seus dons naturais: nobreza, cultura e inteligência. Conservou no mais profundo silêncio as graças que recebia de Deus, dissimulando continuamente todo ato de virtude.
     No dia 4 de março de 1770 pediu ao confessor que a ouvisse em confissão geral, pois queria comungar no dia seguinte tão preparada como se fosse a última vez. No dia 5 de março, depois de comungar fervorosamente, caiu doente. A doença degenerou em gangrena que lhe provocava dores horríveis e insuportáveis. O Crucifixo, que sempre teve nas mãos, foi a sua força. Morreu dois dias depois da doença se ter declarado, aos 23 anos, no dia 7 de março de 1770. Expirou abraçada a seu crucifixo. O seu corpo emanava um perfume suave e ainda hoje permanece incorrupto no Mosteiro das Carmelitas Descalças de Florença, no passado antiga herdade da família Redi.
     Um século antes, outra carmelita, Santa Maria Madalena de Pazzi, tinha glorificado Florença com a sua santidade. Teresa Margarida hauriu nas chagas de Cristo e no seu Coração o segredo da sua pureza, simplicidade, amor e caridade.
     O papa Pio XI a beatificou no dia 9 de junho de 1929 e a canonizou no dia 19 de março de 1934, definindo-a como neve ardente. A ata de beatificação chama-a "jovem flor do Carmelo, a imitar a brancura das açucenas”. Sua festa é celebrada no dia 7 de março. 
     A seu respeito, disse o papa Pio XII: “Santa Teresa Margarida, ardente do amor divino, mais se assemelhou a um anjo que a uma criatura humana, podendo assim ajudar muitas almas a alcançar a virtude”. 

Fontes: www.santiebeati; sites Carmelitanos


Postado neste blog em 6 de março de 2014

terça-feira, 3 de março de 2020

Santa Catarina Drexel, Fundadora – 3 de março

    
     Catarina Maria Drexel nasceu no dia 26 de novembro de 1858 em Filadélfia, Pensilvânia, USA. Era filha do banqueiro Francis Anthony Drexel e de Hannah Jane Langstroth, sua primeira esposa.  Seu pai era bem conhecido como filantropo. Seus pais inculcaram nas filhas a ideia de que deviam utilizar sua riqueza generosamente. Elas assistiam seus pais abrir semanalmente sua residência para cuidar e ajudar os pobres. Sua irmã mais velha, Isabel, abriu uma escola para órfãos na Pensilvânia; sua irmã mais jovem fundou uma escola para pessoas pobres negras na Virginia.
     A mãe de Catarina faleceu pouco depois de seu nascimento. Durante dois anos Catarina e sua irmã, Isabel, foram cuidadas por seus tios Ellen e Anthony Drexel. Em 1860 o Sr. Drexel tornou a se casar com Ema Bouvier e levou suas duas filhas para casa. Em 1863, a Sra. Ema teve uma filha, Luísa; Catarina tinha cinco anos.
     A nova esposa do Sr. Drexel fez um oratório na casa e marcou um horário para as orações diárias das filhas. A família procurava manter as crianças rodeadas de amizades que tinham seus princípios católicos. As três meninas foram bem educadas e desfrutavam de privilégios sociais e materiais. Foram educadas em casa por tutores e costumavam viajar com seus pais pelos Estados Unidos e pela Europa.
     Quando Catarina estava com 15 anos, seus pais a levaram a Roma onde eles tiveram uma audiência com o Papa Pio IX. Foi uma experiência que marcou sua alma profundamente. Ajudada pela excelente formação católica, Catarina cresceu em virtudes e graças que Deus concede às almas generosas; ela estava pronta para aplicar os ensinamentos recebidos de seus pais de que seus bens eram dons de Deus para ela cumprir a missão para a qual Ele a destinava.
     Em 1879 Catarina debutou como uma jovem herdeira. Mas sua vida mudou profundamente quando precisou cuidar da Sra. Ema por três anos durante uma doença terminal. Ela compreendeu que a fortuna de sua família não podia livrá-los da dor e da morte. Ela cuidou de Ema até sua morreu em 1883.
     Quando a família fez uma viagem ao Oeste dos Estados Unidos, Catarina viu a condição e a degradação dos nativos índios americanos. Esta experiência despertou seu desejo de fazer algo específico para ajudar a aliviar sua condição.
     Durante uma audiência em 1887, Catarina pediu ao Papa Leão XIII que enviasse mais missionários ao Estado de Wyoming, para seu amigo o Bispo James O'Connor. O papa lhe respondeu: “Por que tu não te fazes missionária?” Este foi o início de uma vida de apoio pessoal e financeiro a numerosas missões e aos missionários nos Estados Unidos.
     Catarina visitou os estados do Norte e Sul Dakota, conheceu o chefe índio da tribo Sioux, e começou sua ajuda sistemática às missões com os índios americanos.
      Entrou no noviciado das Irmãs da Misericórdia (Sisters of Mercy). Em 12 de fevereiro de 1891, Catarina fundou as Irmãs do Santíssimo Sacramento para os índios e negros, em Santa Fé, Novo México, USA. Sua decisão de se tornar religiosa abalou os círculos sociais: um jornal anunciou o fato com a manchete: “A Srta. Drexel entra num convento católico – Desiste de sete milhões”.
     Desde os 33 anos até sua morte em 1955, ela dedicou sua vida e sua fortuna pessoal de 20 milhões de dólares ao seu trabalho. Em 1894, Madre Drexel tomou parte da inauguração da primeira escola das Irmãs do Santíssimo Sacramento para índios americanos, a escola índia de Santa Catarina em Santa Fé, Novo México.
     Madre Francisca Cabrini, que também é santa canonizada, aconselhou-a que recebesse a aprovação de Roma para a sua fundação. Ela recebeu esta aprovação no ano 1913.
     Àquela fundação se seguiram outras escolas para os índios americanos do Este do Rio Mississipi, e para os afros americanos do sul dos Estados Unidos. Em 1915 também fundou na Luisiana a Universidade Xavier e a Escola Preparatória da Universidade em Nova Orleans.
     No ano de 1942, Catarina já tinha um sistema de escolas católicas para índios americanos e negros em 13 estados. Este sistema incluía 23 escolas rurais e 50 missões para os índios em 16 Estados. Seu estabelecimento mais famoso, a Universidade Xavier para negros em New Orleans em 1915 – o 1º deste tipo nos Estados Unidos –, causou grande oposição dos racistas radicais. Catarina também fundou muitas capelas, conventos e mosteiros. Quando morreu, em 1955, mais de quinhentas Irmãs ensinavam em 63 escolas em todo o país;
     Em 1935, Catarina sofreu um severo ataque do coração, e nos 20 anos seguintes viveu retirada, passou o resto de sua vida concentrada na oração e na meditação. Morreu no dia 3 de março de 1955, aos 96 anos, no convento de Santa Elizabeth em Bensalem Township, Pensilvânia.
     Foi beatificada em 20 de novembro de 1988 por João Paulo II e canonizada por ele em 1º de outubro de 2000, tornando-se a segunda santa nascida nos Estados Unidos. É considerada apóstola dos índios americanos e dos negros. Sua memória litúrgica é recordada neste dia 3 de março.
     A vida de Santa Catarina Drexel é um enigma para a sociedade materialista e pecadora de nossos dias. Pensar que alguém destinou uma enorme fortuna para aqueles menos favorecidos é impensável no mundo de hoje. Infelizmente em nossos dias há fortunas empregadas para destruir a Igreja Católica. Devemos também mencionar que a orientação dada pelos pais de Santa Catarina foi indispensável na formação de sua disposição para a santidade e a generosidade. Os pais modernos fariam bem em seriamente seguir o seu exemplo.

Algumas de suas obras


A Santa entre 2 frades franciscanos e índios navajo no Arizona em 1927
Fontes:
http://nobility.org/2019/02/28/march-3-the-work-of-mother-drexel/
SISTER MERCEDES (cfr. Catholic Encyclopedia)

Publicado neste blog em 3 de março de 2015

domingo, 1 de março de 2020

Santa Ângela da Cruz, Fundadora - 2 de março

     
     Maria dos Anjos Guerrero e González nasceu em Sevilha no dia 30 de janeiro de 1846, filha de Francisco Guerrero e Josefina González, casal de modesta condição social, mas cheio de virtudes cristãs. Foi batizada no dia 2 de fevereiro seguinte na paróquia de Santa Luzia. Cresceu em um ambiente muito religioso, ajudando seus pais nos trabalhos manuais, principalmente na costura. Pouco tempo teve de escola, aprendendo a escrever, algumas noções de aritmética e catecismo.
     Na família aprendeu a rezar o Terço e a celebrar o mês de maio, dedicado à Virgem Maria. Em 1854 fez a 1ª. Comunhão e recebeu a Confirmação no ano seguinte.  De caráter muito dócil e discreta, suscitava profunda admiração em todos que a conheciam.
     Aos doze anos teve que deixar a escola para trabalhar em uma fábrica de calçados, onde também se rezava o Terço diariamente; ali começaram as suas experiências místicas. Começou a ensinar a sua profissão a outras meninas numa instituição chamada "As arrependidas", em Sevilha. Embora tivesse que trabalhar, amava isolar-se para dedicar-se à oração e à mortificação.
     O seu confessor ajudou-a a encontrar a sua vocação:  ser monja. Por falta de saúde, não foi admitida no Carmelo fundado em Sevilha por Santa Teresa de Jesus, mas em 1868 entrou como Postulante nas Filhas da Caridade do Hospital Central de Sevilha, de onde foi trasladada para Cuenca, com melhor clima para a sua saúde.
     Em 1870 teve de abandonar definitivamente a Instituição. Retornando à família, se dedicou às obras de caridade junto aos pobres. Teve de viver como "monja sem convento", voltou ao seu trabalho, aceitou a orientação do seu diretor espiritual, começou a escrever um diário espiritual com os seus pensamentos e desejos da alma. Nesse diário, ela expunha detalhadamente a regra de vida de uma Comunidade de religiosas, que com a sua destacada vocação e com a experiência espiritual que vivia, sentia poder constituir: a fundação de um Instituto que "por amor de Deus abraçasse a maior pobreza, para poder ajudar os pobres".
     Depois de assistir à Santa Missa, instalou-se com outras três mulheres, num quarto alugado, onde tinham lugar principal um Crucifixo e um quadro da Virgem das Dores. Assim, em 1875, deu início em Sevilha à Congregação das Irmãs da Companhia da Cruz para o cuidado dos enfermos. O seu ideal e o do Instituto era “ser pobre com os pobres para levá-los a Cristo” que constituiu o fundamento da espiritualidade e da missão da Companhia da Cruz.
     As casas da "Companhia" deviam ter um ambiente de limpeza, saudável alegria e contida beleza, com estilo simples para mulheres simples, afastadas da grandiosidade, mas com ar de doçura, de modo a que todas sentissem uma nova maneira de querer Deus e os pobres. Começaram a recolher meninas órfãs, as casas começaram a crescer, atendiam as pessoas na sua própria casa, pediam esmola com uma das mãos e distribuíam-na com a outra.
     Em 1879 foram aprovadas as primeiras Constituições pelo Bispo diocesano, tendo a oração, a austeridade, a contemplação e a alegria no serviço dos pobres como meta. Depressa se estenderam por toda a Espanha, chegaram à Itália e à América.
     Madre Ângela encontrou-se com o Papa Leão XIII na beatificação de João de Ávila e de Frei Diogo de Cádiz, mas o decreto de aprovação da Companhia só foi assinado por Pio X, em 1904. Madre Ângela foi nomeada Superiora-Geral, reeleita por quatro vezes, destacando-se pelas suas virtudes de naturalidade e simplicidade.
      Humilde e enérgica, Madre Ângela da Cruz, nome que tomou quando se tornou religiosa, soube infundir no ânimo de suas filhas um crescente espírito de dedicação e de caridade em favor dos necessitados, sendo por isto admirada por todos e chamada pelo povo de “mãe dos pobres”.
     Em 7 de julho de 1931, Madre Ângela foi atacada por uma trombose cerebral que a levaria à morte nove meses depois. Apesar de paralisada, mais procurava agradar do que incomodar. Faleceu em 2 de março de 1932, na sua cidade de Sevilha, aos 86 anos de idade. Os habitantes de Sevilha durante três dias desfilaram diante do seu cadáver. A Câmara Municipal celebrou uma sessão extraordinária para elogiar Madre Ângela e deu o seu nome a uma rua da Cidade.
     A causa para sua beatificação foi introduzida junto à Congregação dos Ritos em 10 de fevereiro de 1960. O Papa João Paulo II a beatificou durante sua primeira viagem à Espanha, no dia 5 de novembro de 1982, em Sevilha; o mesmo pontífice, num intervalo de 20 anos, a elevou à honra dos altares, canonizando-a em Madri a 4 de maio de 2003, durante sua quinta viagem em terras espanholas.
     O seu corpo encontra-se incorrupto na Capela da Casa Mãe.

Fontes: www.santiebeati.com

Postado neste blog em 1º de março de 2011.

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2020

Santa Ana Line, mártir inglesa – 27 de fevereiro

    
     Desde a instauração do anglicanismo pelo rei Henrique VIII, em 1531, os países da Comunidade Britânica viviam dias difíceis. Os católicos eram perseguidos, os sacerdotes ou eram expatriados ou condenados à morte. Muitos retornavam clandestinamente a Inglaterra para dar assistência religiosa aos leigos e corriam o risco de serem presos e condenados. Vários mosteiros e igrejas foram queimados. Foram anos de intensa perseguição e muitos foram os mártires da Fé católica, leigos e eclesiásticos. Tal situação perdurou ainda pelo século XVII.
     Ana viveu nesta época. Ela nasceu no ano de 1567 em Dunmow, no Condado de Essex, segunda filha de William Heigham e de Ana Alien. Ana havia se convertido ao catolicismo junto com seu irmão Guilherme. Depois de tentar sem sucesso fazê-la apostatar, o pai, um abastado e rigoroso calvinista, deserdou-a e ao irmão, e expulsou-os de casa.
     Pouco tempo depois, provavelmente em 1586, Ana desposou Roger Line, ele também um jovem católico convertido, deserdado pelo mesmo motivo. Mas Ana logo ficou sozinha e sem recursos, porque seu esposo e seu irmão foram presos quando assistiam à Missa, naquele tempo uma grave transgressão. Depois de pagarem uma multa, foram banidos do país. Roger foi para Flandres onde recebia uma pequena pensão do Rei da Espanha, Felipe II, parte da qual enviava para a esposa em Londres. Ana pode contar com aquele auxílio até 1594, ano da morte de Roger Line.
     Ana ficou viúva num momento em que sua saúde estava bastante afetada. Mais do que nunca teve que confiar na Divina Providência para o seu sustento.
     Quando em 1595 o jesuíta Pe. João Gerard instituiu em Londres uma casa de refúgio para os sacerdotes que retornavam secretamente à cidade, ou que já exercitavam o ministério, Ana foi chamada para governá-la e administrá-la, encargo que ela desenvolveu dia a dia com o afeto de uma mãe e a devoção de uma criada. O sacerdote, cuja autobiografia descreve sua prisão, tortura e fuga posterior da Torre de Londres, que naquela época era uma prisão, confiou em Ana porque ela era "uma mulher de grande prudência e bom senso" e precisava se refugiar na casa, tanto quanto os sacerdotes que iam para lá.
     Em 1597, como esta casa se tornara insegura após a fuga do Pe. Gerard da prisão da Torre, um novo local foi escolhido e Ana nele continuou a desempenhar suas funções. 
     No dia 2 de fevereiro de 1601, Festa da Purificação, o altar e os paramentos para a Missa estavam prontos e o jesuíta Pe. Francis Page foi investido para iniciar a procissão e a bênção das velas, e para  rezar a Missa das Candeias na casa administrada por Ana Line, quando guardas vieram prendê-lo. Um vizinho o havia delatado. O padre conseguiu esconder-se num local especialmente preparado por Ana para isto, tirou as vestes para não ser preso e evitar a morte, e depois fugiu. Mas, as autoridades viram o altar e prenderam Ana Line por suspeita de ajudar algum presbítero, já que era sua residência. Ana e dois leigos foram capturados e levados para a prisão de Newgate.
     No dia 26 de fevereiro de 1601 ela foi levada ao tribunal de Old Bailey. Ana estava tão fraca, que foi necessário conduzi-la sobre uma cadeira, tão grave eram suas condições de saúde. O juiz Popham a processava sob a alegação de ter dado refúgio e assistência aos padres missionários. As autoridades não tinham provas de que ela tivesse ajudado algum sacerdote, já que nenhum padre foi preso durante a invasão de domicílio.
     Ela disse à corte que longe de arrepender-se de haver ocultado um padre, ela somente se entristecia por “não poder receber mil”. Foi acusada segundo a ata 27 da Rainha Isabel, quer dizer, por dar albergue a um sacerdote, ainda quando isto não pudesse provar-se, e condenada pelo juiz John Popham a pena capital: seria enforcada no dia seguinte em Tyburn.
     No dia seguinte foi levada à forca e valentemente proclamando sua fé alcançou o martírio pelo que havia rogado. No mesmo dia foram executados dois sacerdotes, o Beato Mark Barkworth, O.S.B. e o Beato Roger Filcock, S.J. O Pe.  Roger Filcock havia sido por muito tempo amigo e frequente confessor da Sra. Line. Sendo mulher, foi poupada do esquartejamento que eles sofreram.
     No cadafalso, antes de colocar a cabeça no laço, declarou em voz alta dirigindo-se à multidão que assistia as execuções: “Fui condenada à morte por ter concedido refúgio a um padre católico; contudo estou tão longe de arrepender-me, que desejaria de todo coração ter hospedado mil em vez de um só”.
     O Pe. Filcock, ainda pendurado na forca proclamou: "Ó bendita Senhora Line, que agora recebeu sua recompensa, vai à nossa frente, mas nós te seguiremos rapidamente nas bem-aventuranças se for do agrado do Todo-Poderoso".
     Antes de morrer, o Pe. Filcock rezou com o Pe. Mark Barkworth, que depois foi enforcado e esquartejado.
     Por sua parte, Pe. Francis Page, que fugiu no dia da festa da Apresentação do Senhor, foi executado pelo crime de "ser sacerdote" em 20 de abril de 1602.
     Ana Line foi beatificada pelo Papa Pio XI em 15 de dezembro de 1929, e canonizada pelo Papa Paulo VI em 25 de outubro de 1970, junto com os 40 Mártires da Inglaterra e Gales.
     O Pe. Mark Barkworth e o Pe. Francis Page foram beatificados entre um grande grupo de mártires em 1929 pelo Papa Pio XI, já o Pe. Roger Filcock foi beatificado entre os 85 mártires de Inglaterra e País de Gales pelo Papa João Paulo II em 1987.
     A Santa é comemorada no dia 27 de fevereiro. Sua festa com os outros 39 Mártires é em 25 de outubro. Algumas dioceses católicas da Inglaterra, tal como a Diocese de Leeds, comemoram-na com as Santas mártires Margarida Clitherow e Margarida Ward no dia 30 de agosto.
     Graças a mulheres de seu calibre a fé foi preservada na Inglaterra e os riscos que ela enfrentou foram pequenos e grandes. Hoje, há duas igrejas em Essex sob a invocação de Santa Ana Line - modernas e muito feias -, mas com verdadeira devoção à Santa. Percebe-se que existe um verdadeiro culto local que reflete a gratidão pelo dom da fé católica que foi passado para os contemporâneos.
     Santa Ana Line é patrona dos casais sem filhos, dos convertidos, das viúvas.

Fontes:
MORRIS, Life of Fr. John Gerard; CHALLONER, Memoirs, I, 396; FOLEY, Records S.J. I, 405; VII, 254; Douay Diaries, p. 219, 280; Hist. MSS. Com. Rep. Rutland Coll. Belvoir Castle, I, 370; GILLOW, Bibl. Dict. Eng. Cath.
STANLEY J. QUINN (Catholic Encyclopedia)

Postado neste blog em 2012