sábado, 2 de julho de 2022

Santa Regina de Denain, Viúva e religiosa - 1º de julho


     
Santa Regina viveu na França no século VIII; descendia de importante família de Hainaut (região da França) e era sobrinha de Pepino o Breve. Um outro documento indica que Regina era filha ou parente do Rei Pepino, que dera a ela em dote o condado de Ostrevent.
     “Regina, princesa da corte da França (isto explica a coroa que ela usa), de tantas belezas quanto ao corpo, como de eminentes virtudes quanto à alma”, desposou o Conde Beato Aldeberto d’Ostrevent (1).
     Uma filha do casal, Renfrida, “educada santamente por seus pais, pediu-lhes para se consagrar inteiramente a Nosso Senhor Jesus Cristo, fazendo-se religiosa”. Alguns autores mencionavam outras filhas de Regina que seguiram a irmã mais velha na vocação religiosa. Mas, uma relação moderna diz “que é possível que o nome de ‘irmãs’ possa ter sido dado a outras companheiras de Renfrida, por terem abraçado a vida religiosa com ela”.
     Os pais, felizes com a resolução de sua filha, “fundaram e edificaram em 764 (754 ou 774) uma igreja e um claustro dedicados a Virgem Maria, em um local de seu condado chamado Denaing”, e também uma outra igreja para os habitantes, dedicada a São Martinho.
     A Abadia ficava perto de um cemitério merovíngio, na confluência dos rios Selle e Escaut, junto a uma fonte milagrosa cujas águas curavam a cegueira.  
     Após o falecimento de seu esposo, ali a condessa recebeu o véu de religiosa e, fazendo da santificação o objetivo de sua vida, se serviu da oração e do trabalho para atingi-la.
     Entretanto, sua filha Renfrida logo se tornou sua mãe espiritual, pois foi eleita abadessa do novo mosteiro. A santa mãe se submeteu de boa vontade, e assim aquela que fora mãe tornou-se filha espiritual. Renfrida também é venerada como santa e é celebrada dia 8 de outubro.
     Destas santas vidas muito pouco pode ser acrescentado, mas a antiguidade do culto a ambas nos confirma que grandes foram as suas virtudes silenciosas, e por isso foram veneradas, e a fama de suas virtudes atravessou os séculos.
\igreja de São Martinho, Denain
 
(1) Ostrevent é uma região do norte da França entre Flandres e Hainaut francesas.
 
http://www.santiebeati.it/dettaglio/92213

quinta-feira, 30 de junho de 2022

Santa Adele de Orp-le-Grand, Abadessa – 30 de junho

          
Santa Adele de Orp-le-Grand é uma religiosa do século VII.
     Filha de um merovíngio notável , ela recebeu o véu no Mosteiro de Nivelles, recentemente fundado por Santa Ida, viúva de Pepino, o Velho, e sua filha, Santa Gertrudes de Nivelles.
     Por volta de 640, Santa Adele fundou o priorado de Orp-le-Grand, na Bélgica. Durante o reinado de Childerico II , ela recebeu cada vez mais freiras, por isso mandou construir no vale um oratório dedicado a São Martinho e para lá transferiu sua comunidade.
     Uma tradição local diz que Adele, tendo ficado cega milagrosamente recuperou a visão. Quando ela morreu, por volta de 670, foi enterrada na cripta da Igreja de São Martinho. Suas relíquias foram colocadas em um relicário ainda preservado em Orp-le-Grand e uma procissão anual é organizada em sua homenagem no primeiro domingo de outubro, com a presença de muitos fiéis.
     Popularmente invocada para a cura de doenças da vista, ela é representada tradicionalmente com o hábito religioso.
     Existe uma imagem sua em terracota na Igreja de São Omer d’Houchin em Pas de Calais.
     Santa Adele é comemorada localmente em 30 de junho. Lugares de culto são dedicados a ele em Saint-Géry, Fromiée, Brye (Capela de Santa Adele) e Hemptinne.

Praça em Orp-le-Grand
Igreja dos Santos Martinho e Adele em Orp-le-Grand
    
Fonte: http://www.santiebeati.it/dettaglio/99500

quarta-feira, 29 de junho de 2022

Santa Vicência Gerosa, Virgem e Cofundadora - 28 de junho

     
Santa Vicência nasceu em 29 de outubro de 1784 em Lovere, Itália, e foi batizada com o nome de Catarina; começou a estudar nas Beneditinas de Gandino, em Val Seriana, mas a saúde frágil a impediu de continuar e teve que voltar para Lovere. Este foi, em sua vida, o primeiro de muitos projetos que as circunstâncias revolviam continuamente.
     Reservada e tímida, durante um período viveu contente atrás do balcão do pequeno comércio da família. Ela jamais havia pensado em tornar-se uma ‘fundadora’. O seu horizonte era Lovere, cidade do norte da Itália sujeita à República de Veneza. A empresa comercial que a família geria garantia aos Gerosa uma vida abastada. Mas, sob o ciclone napoleônico os negócios entram em crise, enquanto Lovere passava do domínio veneziano ao francês na República Cisalpina.
     A crise econômica levou à morte seu pai, depois sua irmã Francisca e por último, em 1814, também sua mãe. Apesar da tragédia pessoal, com ânimo e fé inabalável ela aceitou tudo com resignação. Confiante em Deus sofreu no silêncio do seu coração, encontrando forças na oração e na penitência.
     Quando Napoleão caiu, Lovere passou para o domínio do Império dos Habsburg. Naquele período, Catarina se dedicou ao ensino gratuito para jovens pobres, atividade de assistência e de formação religiosa encorajada por dois párocos sucessivos. Este empenho local lhe bastava, porque se revelava muito rico de estímulos e de desafios.
     Eis que surge outro projeto que mudou o curso de sua existência. Em 1824, iniciou uma amizade com Bartolomea Capitanio, jovem professora de 17 anos, nascida também em Lovere. Desde menina Bartolomea pensava em dedicar-se à caridade junto aos pobres e aos doentes. Por isso se diplomou professora no colégio das Clarissas de sua cidade natal.
     O encontro levou Catarina para uma nova aventura: criar um hospital, o que as duas conseguiriam alguns anos depois. Com os bens herdados da família Gerosa, Catarina teria possibilidade de fazê-lo, mas era necessário terem pessoal preparado para a assistência hospitalar.
     Bartolomea tem um projeto bem claro: fundar um instituto religioso com os objetivos de dar assistência aos doentes, dar instrução gratuita às jovens, criar um orfanato, dar assistência à juventude. Ela convence a amiga, de maneira que no outono de 1827 o instituto nasceu e foi chamado de Instituto das Irmãs de Maria Menina, com sede em Lovere, e com as regras escritas por Bartolomea. Para evitar objeções de caráter político, o instituto foi fundado autônomo. E assim independente ele permaneceu, cresceu e se difundiu nos anos subsequentes.
     Último e tremendo impacto: Bartolomea Capitanio morre no dia 26 de julho de 1833, com apenas 26 anos. Catarina Gerosa fica sozinha, tem pouca instrução, se sente quase velha, desejaria deixar tudo, mas, permanece, não desiste.
     Decidida, Catarina acolheu as primeiras jovens e por sete anos a pequena comunidade seguiu a regra das Irmãs de Santa Maria Antida Thouret, até que em 1840 chegava o reconhecimento pontifício, e as Irmãs de Maria Menina tomam vida canonicamente com as regras escritas por Bartolomea Capitanio e com a direção de Catarina Gerosa, que emite os votos assumindo o nome de Irmã Vicência.
     Já em 1842, embora fossem ainda poucas, são chamadas a Milão. O Arcebispo Cardeal Gaysruk (da alta aristocracia austríaca) desejava fazer delas uma instituição diocesana. Mas Irmã Vicência resiste: elas nasceram em Lovere e Lovere deve ser a sua casa, com as suas regras.
     Quando Santa Vicência morreu, depois de uma longa doença, em 28 de junho de 1847, as Irmãs eram somente 171; no início do terceiro milênio são cerca de 5.200 religiosas.
     Santa Vicência foi sepultada ao lado da cofundadora no santuário da Casa-mãe em Lovere. Atualmente o Instituto das Irmãs da Caridade das Santas Bartolomea Capitanio e Vicência Gerosa, ou Irmãs de Maria Menina, atua em toda a Europa, África, Ásia e nas Américas.
     Santa Vicência Gerosa é celebrada no dia de sua morte e foi canonizada por Pio XII no Ano Santo de 1950, junto com Santa Bartolomea Capitanio. A Congregação das Irmãs de Maria Menina e as dioceses de Brescia, Bergamo e Milão a recordam em 18 de maio.
 

Etimologia: Vicência – do latim, vitoriosa
 
Fonte: www.santiebeati.it/
 
Postado neste blog em 27 de junho de 2017
 
http://www.santiebeati.it/dettaglio/32700
 

sábado, 25 de junho de 2022

Beata Maria Lhuillier, Virgem e mártir - 25 de junho


Martirológio Romano:
 Em Laval, França, Beata Maria Lhuillier, virgem e mártir, que, recebida na Congregação das Irmãs Hospitalárias da Misericórdia, durante a Revolução Francesa foi decapitada por manter-se fiel aos votos religiosos da Igreja (1794).
 
     Maria Lhuillier nasceu em Arquenay, França, em 18 de novembro de 1744. Cresceu analfabeta e logo ficou órfã. Depois de servir uma senhora do lugar, foi trabalhar no convento de São Juliano das Canonisas Regulares Hospitalárias da Misericórdia de Jesus. Foi enviada ao hospital de Château Gontier e em 1778, depois de muitos sofrimentos e humilhações, ela foi admitida na profissão religiosa deste Instituto como Irmã conversa, tomando o nome de Maria de Santa Mônica.
     Quando a Revolução Francesa eclodiu, em fevereiro de 1794, as religiosas foram obrigadas a abandonar o hospital e a refugiar-se em Laval, no ex-convento das Ursulinas.
     Acusada de distribuir parte da roupa limpa do hospital a pessoas necessitadas, Maria Lhuillier foi presa e conduzida diante de uma comissão. O juiz declarou que ignoraria aquela infração se a religiosa prestasse o juramento de "Liberdade e Igualdade", porém ela não quis fazê-lo. O juiz a ameaçou com a guilhotina, e a quantos seguissem seu exemplo, porém ela permaneceu corajosa e disse: "Tanto melhor para mim e para minhas Irmãs. Assim teremos a alegria de morrer por nossa fé, e mais rápido poderemos ver a Deus”. O juiz insinuou: "Veja que queremos salvar-te e te oferecemos o melhor". Ela, porém, respondeu: "Todos os meios que me ofereces são somente para enganar-me, mas graças a Deus, não o consegues. Eu não quero perder-me por toda a eternidade".
     Ao ouvir a sentença de morte, nossa beata se ajoelhou e exclamou: "Deus meu, quantas graças me fazeis contando-me no número de vossos mártires, embora eu seja uma grande pecadora".
     Depois, estando sozinha, cortou os cabelos, então um ajudante do verdugo a agarrou e com um golpe de sabre cortou suas roupas. A mártir empalideceu pelo ultraje e desmaiou. Quando se recompôs comentou: "A morte não me dá medo, porém podias poupar-me desta dor". Novamente foi convidada a prestar juramento, porém ela suspirou: "Ó Deus! Preferir uma vida passageira e caduca a uma vida gloriosa e imortal? Não, não, prefiro a morte".
     Antes de subir ao cadafalso exclamou: "Deus meu, eu devo morrer de uma morte assim doce, enquanto tu sofreste tanto por mim...". Morreu em Laval.
     Em 15 de junho de 1955 o Papa Pio XII beatificou 19 mártires franceses de Laval.
 

Fonte: http://www.santiebeati.it/dettaglio/93295
Postado neste blog em 25 de junho de 2015
 

quinta-feira, 23 de junho de 2022

Beata Maria Rafaela (Santina) Cimatti, Virgem – 23 de junho

Esta religiosa desenvolveu com inteligência e serenidade um serviço constante e heroico em favor dos aflitos e dos doentes. “Quando não estava atenta no cuidado dos enfermos, rezava diante do Santíssimo Sacramento e suas mãos, quando não estavam a serviço do próximo, desfiavam as contas do Rosário”.


    Santina Cimatti nasceu em Faenza, no dia 6 de junho de 1861. Seu pai era agricultor e a mãe tecelã. Foi dotada pela natureza de um rosto sorridente, sereno e de belas feições, iluminado por olhos profundos.
     Como a família logo precisou do seu trabalho, pode dedicar pouco tempo aos estudos. Para ajudar na economia familiar, ajudava a mãe como tecelã, ou se ocupava nos trabalhos da casa.
     Após a morte do pai em 1882, Santina assumiu a educação dos irmãos e também era catequista na sua paróquia. Tornou-se indispensável que Santina permanecesse junto à mãe até que esta encontrasse um trabalho digno na casa de um sacerdote.
     Quando seus dois irmãos, Luís e Vicente, entraram na Congregação Salesiana, recém fundada por Dom Bosco (eles também morreram em odor de santidade), Santina sentiu-se livre para realizar suas aspirações religiosas.
     Em novembro de 1889, ingressou no Instituto das Irmãs Hospitalárias da Misericórdia, na casa mãe de São João de Latrão, em Roma. Tomou o nome de Maria Rafaela, e em 1883 foi enviada ao Hospital de São Bento em Alatri, onde iniciou sua formação de enfermeira. Em 1905, emitiu seus votos finais.
     Em 1921, foi enviada ao Hospital Humberto I de Frosinone, onde assumiu o cargo de priora da comunidade. Retornou a Alatri e, de 1928 a 1940, sempre como priora.
     O principal campo de apostolado de Irmã Rafaela foi a farmácia. Entretanto, quando era necessário, ela estava à disposição dos doentes e da comunidade para realizar qualquer trabalho. Os trabalhos entre pílulas, xaropes e o moer no almofariz, tudo era para Irmã Rafaela um dom de Deus. No empenho simples, mas contínuo do dia a dia, ela alcançava uma dedicação exemplar de verdadeiro amor ao próximo.
     Quando a doença bateu à sua porta, recorreu ainda mais à oração como meio de superação.
     Em 1944, durante uma das etapas mais duras da II Guerra Mundial, muitos foram os feridos que chegaram ao hospital e que precisavam de atenção. Embora a Beata já estivesse com 83 anos de idade, não deixou de cuidar e de consolar os feridos, que a chamavam de “mamãe”.
     Apresentou pessoalmente, com êxito, um protesto ao General Kesserling, do Quartel General Alemão em Alatri, ao ouvir rumores de que, para defender as forças aliadas, iam bombardear a cidade. O general mudou seus planos e Alatri se salvou. “Milagre!”, gritavam em coro, “um anjo salvou a cidade”.
     Uma sua paciente conta: "Eu era jovem, mas sofria de vários distúrbios. Depois de algum tempo, fui levada de novo ao hospital para uma operação de apendicite. Estava preocupada e sentia falta de minha mãe distante... Chorava como nunca por causa dessa situação. A serva de Deus percebeu a minha profunda prostração moral e me pergunta: ‘Por que choras?’. E eu: ‘Estou mal e não tenho a mamãe...’. De um modo profundamente compreensivo me respondeu: ‘E eu não sou a mamãe? Por que estou aqui? Toda irmã hospitalária deve ser a mãe de quem sofre!’...”
     Para as coirmãs ela sabia ser a superiora atenta e gentil. Não pretendia ser servida, mas que cada uma servisse a comunidade. Uma sua coirmã recorda: "Não se dava ares por causa do ofício de superiora que exercia, mas se considerava a serva das irmãs, ajudando-as nos trabalhos. Gostava também de remendar e confeccionas as meias das coirmãs".
     Em 1943, uma doença começou a se manifestar e se revelou incurável. Faleceu em 23 de junho de 1945, deixando na memória a santidade de sua vida e suas virtudes heroicas.
     A causa para sua canonização foi introduzida em 1962. Em 1988-89 o processo atribuiu a sua intercessão a recuperação milagrosa de Loreto Arduini, de uma "encefalite viral, convulsões e fracasso respiratório". Isto levou à promulgação do decreto para sua beatificação pela Congregação para as Causas de Santos, em 1993. Foi beatificada em 12 de maio de 1996.

Relicário da Beata

Postado neste blog em 22 de junho de 2011

segunda-feira, 20 de junho de 2022

Beata Margarida Ball, Mãe de família, mártir – 20 de junho


Durante a perseguição de Elizabeth I da Inglaterra, hospedava sacerdotes e religiosos em sua casa. Denunciada por seu próprio filho, foi presa em Dublin e morreu vítima de torturas atrozes
 
     Ser a mãe do prefeito de Dublin para ela não foi fonte de orgulho ou de prestígio, mas foi causa de enormes sofrimentos que a levaram a morte, ou certamente a apressaram. A vida e o martírio da irlandesa Beata Margarida Ball devem ser enquadrados no clima de perseguição religiosa que se seguiu ao cisma anglicano iniciado na Inglaterra por Henrique VIII.
    Os laços estreitos que ligam a causa sociopolítico britânica com a Irlanda resultaram que em 1536, ou seja, cinco anos após o “ato de supremacia” famoso, que proclamou que o rei era chefe supremo da Igreja da Inglaterra, e depois de apenas dois de sua excomunhão e do interdito lançado contra a Inglaterra pelo Papa Clemente VII, o parlamento de Dublin também reconhecesse Henrique VIII como chefe da igreja irlandesa, determinando desta forma a separação da Igreja de Roma.
     Margarida tinha 21 anos nesse período, tendo nascido em 1515, na bem-sucedida família Birmingham. Aos 16 anos, casou-se com Bartolomeu Ball e deu à luz a mais de 10 filhos, dos quais apenas alguns atingiram a idade adulta. Eles formavam um casal muito unido, profundamente religioso, com uma sólida posição econômica, e o marido gozava de prestígio indiscutível que o levou a ser Prefeito de Dublin.
     Embora eles não estivessem alheios à situação político-religiosa dominante, eles se comportavam como verdadeiros católicos, continuando a reconhecer o primado do Papa. Em seu palácio vivia um capelão, que celebrava a Missa normalmente, sua casa estava aberta a encontros de catequese e oração. Valendo-se da reputação de seu marido, Margarida chegou a abrir em sua propriedade uma escola católica.
     Bartolomeu morreu em 1568 e Margarida, além da tristeza pela perda de um ente querido, também ficava privada da proteção e do apoio com que ele garantia que ela professasse e defendesse a Igreja Católica. Apesar de tudo, ela continuou em seu compromisso, dando hospitalidade em sua casa aos sacerdotes e religiosos, mesmo quando se tornava extremamente arriscado.
     Em 1570, Elizabeth I, que desde que ascendera ao trono permitira que uma feroz perseguição se acendesse na Inglaterra, especialmente contra os padres católicos, e que se espalhara rapidamente na Irlanda, foi excomungada. No final dos anos setenta Margarida foi presa sob a acusação de ter permitido a realização de uma missa em sua casa, mas logo foi libertada sob fiança.
     Enquanto isso, o seu filho mais velho, Walter, alimentando o desejo de se tornar prefeito de Dublin, se adaptou às exigências para o cargo que era negar sua fé e reconhecer a supremacia religiosa da rainha da Inglaterra. Ele foi nomeado Comissário para Causas Eclesiásticas em 1577.
     Margarida cumpriu inteiramente o seu dever de mãe, tentando fazer seu filho entender que nenhum cargo político, de prestígio, pode ser negociado com a fé. O filho não se convenceu, mas, o que é pior, viu nela a maior inimiga e o maior obstáculo para alcançar os seus anelos políticos.
     Imediatamente após sua posse como Prefeito de Dublin em 1580, Walter teve sua mãe e seu capelão pessoal presos e levados para as masmorras do Castelo de Dublin. Devido à sua idade avançada e artrite grave, ela teve que ser transportada para lá em um palete de madeira.
     Margarida, na idade de quase 70 anos, foi levada em uma carroça pelas ruas de Dublin, exposta ao escárnio e zombaria de toda a cidade. Uma cela suja, gotejando umidade, sem ar, a esperava, o que inevitavelmente prejudicou a sua saúde.
     Quando a família protestou, Walter declarou que sua mãe deveria ter sido executada, mas ele a poupou. Ela teria permissão para ser libertada se "tomasse o juramento", que provavelmente se referia ao Juramento de Supremacia. Seu segundo filho, Nicolas, que a apoiou, foi eleito prefeito de Dublin em 1582. No entanto, Walter ainda era Comissário para Causas Eclesiásticas, que era uma nomeação real. Ele superou Nicolas e o impediu de garantir a libertação de sua mãe da prisão. Nicolas a visitava diariamente, levando comida, roupas e velas.
     Precisamente por causa de sua saúde precária, uns anos depois lhe ofereceram a liberdade em troca de uma negação pública da sua fé. Receberam a resposta negativa desta mulher forte e corajosa, que escolheu terminar seus dias na prisão, mártir da Eucaristia e do Primado Pontifício.
     Margarida Ball morreu em 1584 aos sessenta e nove anos, o que era uma idade avançada na época. Ela vivera por três anos na masmorra fria e úmida do Castelo de Dublin, sem luz natural. Ela foi enterrada no cemitério da Igreja de St. Audoen, em Dublin. Embora ela pudesse ter alterado seu testamento, ela ainda deixou sua propriedade para Walter após sua morte.
     Juntamente com dezesseis outros fiéis (incluindo quatro bispos, seis padres, um irmão religioso e cinco leigos), ela, a única mãe de família do grupo, foi beatificada por João Paulo II em 27 de setembro de 1992.
Veneração
      A Beata Margarida Ball permaneceu na masmorra quando ela poderia ter retornado a uma vida de conforto a qualquer momento, simplesmente "fazendo o juramento". Duas gerações depois, esse padrão se repetiu quando o Beato Francis Taylor, que foi prefeito de Dublin (1595-1596) e casado com Gennet Shelton, uma neta de Ball, foi condenado às masmorras depois de expor fraudes nas eleições parlamentares para a Câmara Irlandesa dos Comuns. Ele também se recusou a "fazer o juramento" e morreu no Castelo de Dublin em 1621.
      Ball e Taylor não se conheceram, mas foram beatificados juntos, incluindo Dermot O'Hurley e outros 14 mártires católicos, em 27 de setembro de 1992.
Legado
     
A Capela da Beata Margaret Ball em Santry é dedicada a ela.
    A Beata Margarida Ball, juntamente com São Columbano e Santa Maria MacKillop RSJ, foi nomeada santa padroeira do 50º Congresso Eucarístico Internacional realizado na Irlanda em junho de 2012.
     Escultura dos "Mártires de Dublin", o prefeito Francis Taylor e sua avó prefeita Margarida Ball. Fica do lado de fora da Catedral de Santa Maria em Dublin. Inaugurado em 2001, retrata "Margarida Ball, que deu refúgio a um padre em sua casa, foi presa durante a celebração da missa e morreu na prisão em 1584 aos 69 anos. Francis Taylor, também um ex-prefeito de Dublin, tinha 71 anos quando faleceu na prisão em 1621, tendo sido preso por sete anos sem acusação ou julgamento".
 
Fontes: www.santiebeati.it; https://en.wikipedia.org/wiki/Margaret_Ball

Beata Margarida Ebner, Mística Dominicana - 20 de junho

     Margarida pertencia à família Ebner, da aristocracia alemã, muito rica e respeitada. Nasceu em Donauwörth, em 1291. Quando fez quinze anos de idade vestiu o hábito dominicano no Mosteiro de Maria Santíssima em Medingen, na diocese de Augusta.
     De 1314 até 1326, sofreu diversas e graves enfermidades, permanecendo a maior parte do tempo confinada em seu leito. Era consolada por Deus e chamada a cumprir em tudo a sua divina vontade. Devido às enfermidades não podia realizar as grandes penitências exteriores. Margarida então se mortificava no alimento, no porte, no sono, dedicando-se a uma vida de orações inspirada nos ciclos do ano litúrgico e caracterizada pela meditação dos mistérios da vida de Nosso Senhor Jesus Cristo. Destacou-se pelo silêncio e pela paciência com que suportou suas constantes enfermidades.
     A política influenciou muito a vida da Beata Margarida. Foi uma contemplativa comprometida com a trama da História. Durante oito anos a Alemanha esteve em guerra de disputa da coroa. Para as monjas de Medingen, e especialmente para Margarida, a pátria e o imperador tinham muito espaço em suas orações. Rogavam com fervor pela volta da paz.
     Durante o período do Grande Cisma na Igreja Católica, quando havia três diferentes aspirantes ao trono papal, as monjas do Mosteiro de Medingen ficaram leais ao Papa de Roma. Como resultado, a comunidade foi forçada a se dispersar durante a campanha militar do imperador Luís IV contra as forças papais.
     Em 1324, as monjas saíram do mosteiro devido aquele conflito. Margarida passou dois anos com sua família acompanhada de uma conversa, dentro da segurança dos muros da cidade de Donauwörth, antes de poder voltar para o Mosteiro de Maria Medingen. Quando tudo retornou ao normal ela voltou para a clausura daquele mosteiro.
     Margarida era devotíssima da Eucaristia, do Santo Nome e do Coração de Jesus. E ao constatar que os homens morriam aos milhares por causa da guerra, se dedicou particularmente a realizar sufrágios pelos defuntos.
     Em 28 de outubro de 1332, Henrique de Nördlingen visitou o Mosteiro de Maria Medingen. Ali conheceu Margarida e assumiu sua direção espiritual.
     Margarida Ebner foi, sem dúvida, a figura central do movimento espiritual alemão dos "amigos de Deus", e uma das grandes místicas da região do Reno no século XIV, nos mais de setenta mosteiros alemães da Ordem Dominicana. O seu diário espiritual, escrito de 1312 até 1348, que chegou até os nossos dias, revela a vida humilde, devotada, caritativa e confiante em Deus de uma religiosa provada por muitas penas e doenças. Ela viveu e morreu no amor de Deus, fiel na certeza de encontrar-se em plena comunhão com seu Filho Jesus, como sempre dizia: "Eu não posso separar-me de ti em coisa alguma".
     A santa humanidade de Jesus foi o divino objeto da sua constante e amorosa contemplação e nela reviveu os vários mistérios no exercício da virtude, no holocausto ininterrupto dela mesma, no sofrimento interno e externo, todo aceito e ofertado com Jesus, para Jesus e em Jesus.
     Na noite de Pentecostes de 1348, quando entrava no coro para o Ofício solene de Matinas, a Beata teve a impressão de receber uma graça que declarava incapaz de descrever, similar a recebida pelos Apóstolos quando sobre eles pousou o Espírito Santo. O Senhor prometeu assisti-la em seu trânsito com a Virgem Maria e o Apóstolo São João, e fez uma revelação particular a respeito de sua morte.
     Margarida Ebner morreu aos 60 anos no dia 20 de junho de 1351, no Mosteiro de Medingen, onde foi sepultada. Suas últimas palavras foram: “Demos graças a Deus. Virgem Maria, Mãe de Deus, tem misericórdia de mim”. Seu corpo se venera na igreja de seu convento, que hoje é habitado pelas franciscanas de Medingen. Seu culto imemorial foi confirmado e ratificado por João Paulo II em 24 de fevereiro de 1979.
     Entre os grandes místicos dominicanos do século XIV, brilha a suave figura desta religiosa de clausura que conquistou o apelido de "Imitadora Fiel da Humanidade de Jesus". 
Mosteiro de Maria Medingen
 
Fontes: Thos. M. Schwertner (Catholic Encylopedia)
https://nobility.org/2022/06/margaretha-ebner/?utm_source=feedburner&utm_medium=email
 
Postado neste blog em 19 de junho de 2012