quarta-feira, 7 de junho de 2023

Beata Maria do Divino Coração de Jesus - 8 de junho

     
No dia 1º de novembro de 1975, Maria Droste Zu Vischering, que em religião se chamou Irmã Maria do Divino Coração de Jesus, era beatificada por Paulo VI.
     A beatificação da Irmã Maria do Divino Coração, glória da benemérita Congregação de Nossa Senhora da Caridade do Bom Pastor, alemã por nascimento e portuguesa de coração, tem para Portugal especial significado. Ela dedicou a Portugal, por chamamento divino, o melhor da sua curta vida.
     Filha dos Condes Droste Zu Vischering, nasceu em Münster, na Vestefália (Alemanha), a 8 de setembro de 1863. Passou a infância no Castelo de Darfeld, não longe daquela cidade, no seio duma família profundamente cristã.   
     No mundo, chamava-se ela Condessa Maria Droste zu Vischering. Sua estirpe destacava-se há séculos pela fidelidade à Igreja e ao Papa, em cujo serviço nunca recusava qualquer esforço ou sacrifício. Foram Cardeais, Bispos e governantes os ilustres ancestrais de Maria. E ela própria coroou, com sua sublime virtude, os feitos heroicos dos que a precederam no sinal da Fé.
     Maria bebeu a devoção ao Sagrado Coração de Jesus com o leite materno. Já seus pais a viviam intensamente e souberam-na comunicar aos seus filhos e familiares. Foi numa vida de felicidade, de pureza e de austeridade que ela se preparou para a mais intima e mística união esponsal com o Coração de Jesus. “Desde a mais tenra idade, escreve ela, senti a dita de ser filha da Santa Igreja”.
     Maria tinha encanto pelos inocentes brinquedos infantis e era amiga de pular, correr e montar a cavalo na companhia dos pais e irmãos. Uma companheira de escola dizia a seu respeito: “No pátio do recreio, ninguém corria mais do que ela, ninguém jogava a bola tão alto e tão bem como ela. Mas quando o sino anunciava o fim do jogo, a mais serena e a mais tranquila de todas era Maria”.
     Esta alma inocente fora atraída pelo Sagrado Coração de Jesus. Para ela, a devoção ao adorável Coração se fundia na devoção ao Santíssimo Sacramento, conforme ela própria de­clara: “Nunca pude separar a devoção ao Coração de Jesus da devoção ao Santíssimo Sacramento; e nunca serei capaz de explicar como e quanto o Sagrado Coração de Jesus se dignou favorecer-me no Santíssimo Sacramento da Eucaristia”.
A família da Beata
ela é a 2a. a partir da direita
     No Natal de 1883, consagra-se a Deus pelo voto de castidade perpétua. E Ele apodera-se dela e marca a consagração com o sinal da cruz, fazendo-a passar por dilatada e penosa doença. Com o espírito embalado por longo tempo em sonhos de heroísmo missionário, no dia 1º de julho de 1888, esperando na igreja paroquial a sua vez de se confessar, ouve subitamente a voz do Senhor: “Tens de entrar no convento do Bom Pastor”.
     Sendo de constituição física bastante frágil, precisou esperar muito para ser admitida em uma comunidade religiosa. À espera de concretizar esse desejo, ela abraçou como pôde o estado de perfeição, vivendo ainda na casa paterna. Praticava a caridade com os pobres, transformando-se numa mãe para todos os necessitados.
     Viveu assim até a idade de 26 anos, quando foi admitida na Congregação do Bom Pastor, uma instituição dedicada a cuidar de moças transviadas e de meninas órfãs ou abandonadas. Uma tarde, passeando meditativamente pelas alamedas do jardim do seu solar, “senti vivamente, escreveu ela, que o Senhor me dizia que teria de sofrer muito por Ele. Jesus falou-me dos momentos por que passava, vendo-se abandonado de todos, e pediu-me Lhe fizesse companhia. Disse-me que O aflige sobretudo o abandono de muitos sacerdotes...”.
     A 10 de janeiro de 1889 toma o hábito religioso no convento de Münster, no mesmo dia em que, no Carmelo de Lisieux, Teresa do Menino Jesus recebeu o dela.  Professou a 29 de janeiro de 1891. 
     Em 1894, após três anos de dedicação ao apostolado das penitentes, próprio do seu Instituto, é enviada a Portugal. Depois de três meses passados em Lisboa, chega ao Porto como Superiora do Recolhimento do Bom Pastor na Rua de Vale Formoso (Paranhos), a 17 de maio de 1894.
     De lá escreve ela, pouco depois: “Vivemos numa situação angustiosa. A casa está em ruínas, devorada por dívidas que nos sufocam. Vejo, porém, e sinto que Deus está comigo, e assim cresce, cada dia mais, a minha coragem, embora por vezes isto seja difícil de suportar... Só temos em caixa cinco ou seis marcos, e temos de alimentar 120 pessoas... Sinto-me tão portuguesa, que não me importo com tanto desconforto, tanto frio e tanta humildade...”.
       E a sua tenacidade, aliada a uma absoluta confiança no Coração de Jesus, realiza o milagre de transformar aquela casa e a comunidade em ruínas num florescente jardim de Deus.
      A 21 de maio de 1896 cai de cama, esgotada de trabalho, para nunca mais se levantar: uma osteomielite a paralisa e a martiriza com dores atrozes constantes. É nesta longa, heroica crucifixão, que a Irmã Maria se imola pelos pecadores, pelos sacerdotes, pela Igreja, por Portugal.
     “Muitas vezes na minha doença, quando sentia ardentes desejos de morrer, Nosso Senhor, duma imagem dos Passos me dizia: ‘Então queres que Eu leve sozinho a cruz de Portugal?’” (Carta de 1896).
     O sinal da autenticidade da sua missão divina é precisamente o recrudescer dos seus padecimentos. E quando pela terceira vez o Coração Divino se dirige à Irmã Maria a pedir a intervenção dela junto de Leão XIII, pergunta-lhe ainda “se estava disposta a suportar toda a espécie de sofrimentos, humilhações e desprezos”.
     Leão XIII acata seu pedido e convoca um tríduo solene de preparação para a consagração ao Divino Coração.
     Seus últimos dias se passaram num contraste entre dores atrozes e a feliz perspectiva de ver o mundo em breve solenemente consagrado ao Coração de Jesus. Na manhã do dia de sua morte, chegou-lhe às mãos um consolador presente do Santo Padre: dois exemplares da encíclica “Annum Sacrum”, cujo tema era a consagração da humanidade e do mundo ao Sagrado Coração do Divino Redentor.
      Às 3 horas da tarde do dia 8 de junho de 1899, ao hino das primeiras vésperas da Festa do Coração de Jesus, quando por todo o mundo católico se fazia o tríduo solene de preparação para a consagração ao mesmo Divino Coração, ela consumava o seu sacrifício.
     No dia 11, o Papa Leão XIII realizava aquilo que ele mesmo declarou ser o “ato mais grandioso do seu pontificado”, a consagração do mundo inteiro ao Sagrado Coração de Jesus.
     As suas venerandas relíquias repousam em Ermesinde, na Igreja do Coração de Jesus, ereta pelas suas filhas. Na primeira sexta-feira de julho (ou agosto) de 1897, recebeu ela ordem do Senhor: “Deves erigir-Me aqui um lugar de reparação, e Eu erigirei nele um lugar de graças. Depois disse-me que queria que esta igreja fosse sobretudo um lugar de reparação pelos sacrilégios, e para atrair graças e bênçãos sobre o clero”.
      A construção deste templo foi uma das suas últimas preocupações. Ela mesma, no seu leito de dor, mal podendo segurar um lápis entre os dedos, traçou as linhas arquitetônicas. Não quis o Senhor dar-lhe em vida a alegria de ver realizado o seu sonho. Realizaram-no as suas filhas em Ermesinde.
     Diante da Hóstia consagrada em constante exposição, almas rezam em adoração reparadora. “Deves erigir-Me aqui um lugar de reparação, e Eu erigirei nele um lugar de graças”. O lugar de reparação está ereto. A palavra do Senhor não falhará!
 
Castelo de Darfeld onde a Beata nasceu 
Fontes: 
https://www.santiebeati.it/dettaglio/91162
https://gaudiumpress.org/
 
Postado neste blog em 8 de junho de 2011

terça-feira, 6 de junho de 2023

Beata Margarida Szewczyk – Fundadora - 5 de junho

     
Lúcia Szewczyk nasceu em Szepetówka, Ucrânia, em 1828, em tenra infância perdeu seus pais e foi criada por sua meia-irmã mais velha. Sentindo-se atraída pela vida religiosa, ela não podia realizar seu maior sonho, porque naquela época todos os conventos haviam sido fechados pelos russos.
     Aos 20 anos Lúcia tornou-se Terceira da Ordem Franciscana: cuidava dos pobres, dos doentes, preparava crianças para a 1ª. Comunhão. Em 1870, a fim de fortalecer sua fé e seu amor a Deus, ela fez uma peregrinação à Terra Santa. Ela seguiu a pé até Odessa, na Ucrânia, onde tomou o barco para chegar ao local desejado. Chegando em Jerusalém, trabalhou no Hospital São José com religiosas francesas. Durante sua estadia de 3 anos na terra de Cristo, ela ofereceu sua vida a Nossa Senhora das Dores.
     De volta a Polônia, desejava realizar algo pelos mais fracos. A forma concreta ela encontrou quando conheceu o Padre Honório Koźmiński, ao qual ela declarou seu desejo. O padre aprovou sua decisão e a animou a começar os trabalhos.
     O primeiro passo foi convidar duas anciãs pobres e doentes a viver em seu apartamento. Ela cuidava delas em segredo, porque qualquer atividade de caridade ou da Igreja estavam estritamente proibidas pelos decretos do imperador da Rússia, que nesse momento governava a Polônia.  
     De acordo com relatos, ela levou as duas idosas nas costas até o andar superior, para cuidar delas. Foi assim que nasceu a Congregação de Nossa Senhora das Dores. Não demorou muito para que algumas mulheres mais jovens fossem viver com ela e se unissem à sua obra. Como ela, queriam dedicar sua vida a serviço de Deus ajudando os pobres.
     Em 1881, Lúcia fundou a Congregação das Filhas da Bem-aventurada Virgem Maria das Dores, chamada de Ordem Seráfica, tomando então o nome de Irmã Margarida. Ela cuidava dos pobres em um abrigo em Varsóvia, e depois de um tempo comprou uma casa em Zakroczym, para dar abrigo a um maior número de necessitados e poder servi-los melhor.
     Madre Margarida não parou por aí. Novas casas nasceram e a congregação cresceu apesar da vigilância policial. O fim das inspeções foi para a congregação um sinal da Providência, que velava pela nova obra e a salvava apesar do terror que reinava.
     Outras obras da Congregação de Nossa Senhora das Dores começaram a aparecer na Galícia, para onde Madre Margarida se mudou. Ela construiu novas casas para idosos, crianças e órfãos, em condições mais favoráveis do que na Polônia. Ela fundou escolas para meninas pobres, oficinas de costura, enquanto as Irmãs visitavam os doentes e trabalhavam em hospitais.
     As Seráficas, este é o nome mais popular da Congregação, oferecem suas intenções à Divina Providência, que nunca as desapontou. Após 20 anos de compromisso, Madre Margarida nomeou uma nova superiora e voltou para as terras da ocupação russa. Ela continuou a ajudar os necessitados e, no final de sua vida, ofereceu seus sofrimentos por sua intenção.
     Como monja, Madre Margarida levou uma vida muito ascética jejuando muito. Os últimos meses de sua vida transcorreram no convento de Nieszawa, cidade localizada no centro-norte da Polônia. Madre Margarida deixou esta terra em 5 de junho de 1905, em Nieszawa. Uma multidão compareceu ao seu funeral.
     Com uma permissão especial das autoridades da Igreja, seu corpo foi trasladado para Oswiecim e enterrado na igreja de sua Congregação. Desde sua morte, as pessoas acorriam ao seu túmulo para rezar apresentando pedidos de intercessão.
     A vida da Madre Margarida Szewczyk pode ser definida como uma vida de amor de Deus, confiança em Sua providência e a completa dedicação ao serviço dos mais necessitados. Ela realmente acreditava na presença real de Cristo na Eucaristia e reconhecia a Santa Missa como o tesouro mais importante de sua Congregação.
     Em 20 de dezembro de 2012 Bento XVI assinou o decreto com o qual se reconhecia um milagre graças à intercessão da Venerável Margarida Szewczyk, que permitiu sua beatificação em 9 de junho de 2013.

sábado, 3 de junho de 2023

Beata Menda Isategui, Virgem mercedária - 4 de junho

 
   
Ilustre religiosa mercedária e glória do Mosteiro de Santa Maria da Piedade, em Marquina-Jeméin, no país Basco (Espanha), a Beata Menda Isategui viveu por 80 anos na oração e na austeridade. Deus lhe concedeu o dom da cura, as suas orações recuperavam a saúde dos doentes quando os remédios eram impotentes. 
     A Beata se alimentava e se sustentava quase exclusivamente do alimento eucarístico, porque para suas refeições se contentava com poucos legumes. Sofreu grandes provas por parte do demônio, que a tentava continuamente fazendo surgir em seu coração horríveis dúvidas.
     Provada por muitas enfermidades, finalmente descansou e, assistida por anjos à chegada do Esposo divino, com Ele entrou na glória eterna.
     O mosteiro de Santa Maria da Piedade em Marquina-Jeméin é um lugar realmente encantador no país Basco, é lugar de passagem do Caminho de Santiago que vai pela costa até a Galiza e é lugar de descanso para milhares de peregrinos todos os anos.
     Entre os monumentos mais importantes de Marquina encontramos o convento e a igreja das Mercês do século XVII e XVIII com um magnífico retábulo feito por Alexandre Valdivieso. Um dos monumentos mais visitados de Marquina é a igreja tipo salão com três naves de Santa Maria da Assunção de Jémein.
     A Ordem festeja a Beata no dia 4 de junho.
Mosteiro de Santa Maria da Piedade
 
A Ordem das Mercês
     No início do século XII quase toda a Península Ibérica gemia sob o jugo muçulmano. Grande número de espanhóis estava escravizado pelos mouros e sujeito aos piores tratos. A Santíssima Virgem - Auxiliadora dos Cristãos - condoendo-se do sofrimento de seus filhos quis ser a principal fundadora de uma Ordem Religiosa destinada a prestar socorro a estes infelizes. Para isso apareceu em sonhos, na mesma noite, a três homens dedicados, a fim de que se consagrassem a causa dos oprimidos.
     Um dos escolhidos foi o militar francês de origem fidalga São Pedro Nolasco, que há muito tempo se dedicava a esta causa resgatando seus irmãos de crença a peso de ouro. Junto com seu confessor, São Raimundo de Penaforte, um dos mais notáveis teólogos de sua época, e com o apoio de D. Jaime I de Aragão, que também receberam a mensagem da Virgem em sonhos, a Ordem Real e Militar de Nossa Senhora das Mercês da Redenção dos Cativos, ou simplesmente Ordem de Nossa Senhora das Mercês foi fundada em 1218.
     Os Mercedários constituíam uma Ordem masculina, mas havia grupos de senhoras que os sustentavam com orações e ofertas para as custosas expedições à África. Maria de Cervelló e sua mãe se uniram ao grupo de senhoras de Barcelona. Quando a mãe faleceu, Maria doou o seu patrimônio aos Mercedários.
     Em 25 de maio de 1265 os grupos femininos se transformaram canonicamente em Ordem Terceira Mercedária, com estatuto, hábito religioso e uma priora. Maria fez profissão religiosa, recebendo o hábito das mãos de São Bernardo de Corby. Logo outras jovens a seguiram, como as Beatas Eulália Pinos, Elisabete Berti, Maria de Requesens e, mais tarde, Santa Colagia.
     Santa Maria de Cervelló foi designada priora e é considerada a fundadora das monjas Mercedárias. Ela desenvolveu uma obra contínua e completa de resgate: encarregar-se dos escravos repatriados (alguns eram sozinhos no mundo, muitos estavam privados de tudo), ajudando-os a se tornarem independentes. Depois do resgate, a segurança.
Marquina-Jeméin - Palácio de Solartecua

Etimologia: Menda, da forma arcaica de Meendo, derivada do latim popular Menendo. Segundo Meyer-Lübke, a forma primitiva era Merendus, depois Medendus, Menendus; significado: “que deve merecer, ser digno de algo”.
 
Postado neste blog em 3 de junho de 2013

segunda-feira, 29 de maio de 2023

Beata Maria Celina da Apresentação, Clarissa - 30 de maio

     
Maria Celina da Apresentação da Bem-aventurada Virgem Maria (no século Jeanne Germaine Castang) nasceu em Nojals, aldeia de Dordoña (França), em 24 de maio de 1878. Seus pais, Germano Castang e Maria Lafage, eram humildes camponeses, porém testemunhas exemplares do Evangelho; tiveram doze filhos dos quais Jeanne era a quinta. Foi batizada no mesmo dia de seu nascimento e colocada sob a proteção de Nossa Senhora.
     Quando tinha 4 anos de idade caiu nas águas geladas de um riacho quando jogava com seus irmãos. O acidente lhe causou poliomielite, o que a privou do uso da perna esquerda. Apesar disso, a menina não se fechou em si mesma, ao contrário, colaborava nos afazeres domésticos. Frequentou a escola de sua aldeia, dirigida pelas Irmãs de São José de Aubenas, e se destacou por sua inteligência e jovialidade. Também se dedicou às atividades paroquiais.
     Em 1887, devido a grave grise econômica da família, se viu obrigada a abandonar sua bela casa e a viver numa casinha no campo. Em meio à situação de indigência da família, Jeanne, então com 10 anos de idade, demonstrando humildade e disponibilidade, chegou inclusive a pedir esmola no povoado para que seus pais e seus irmãos pudessem comer. Teve que abandonar a escola e deixar de frequentar diariamente a paróquia, porque ficava muito distante de sua casa.
     Em fevereiro de 1891, no hospital infantil de Bordeaux, se submeteu a uma operação da perna. Jeanne permaneceu cinco meses neste centro de saúde, suportando a dor com “paciência angélica”, como testemunharam as enfermeiras do hospital, Filhas da Caridade de São Vicente de Paula.
     Em julho daquele mesmo ano, ainda convalescente, entrou no Instituto Nazaré de Bordeaux, dirigido pelas Irmãs de Jesus Maria de Le Dorat, que acolhia jovens com dificuldades para receberem os cuidados que sua família não podia lhes proporcionar. Foi um período fecundo de sua vida, porque ali começou a discernir com maior clareza a vontade de Deus para ela.
     Em 12 de junho de 1892 recebeu a 1ª. Comunhão com extraordinária devoção; em julho seguinte a Confirmação. Já dava a impressão de viver constantemente na presença de Deus. Sua mãe faleceu no dia 29 de dezembro desse ano e oito dias depois seu irmão mais velho, o que obrigou Jeanne a se encarregar de seus irmãos pequenos, assim, ela teve que deixar o Instituto Nazaré. Ela então já pensava em consagrar-se a Deus.
     Quando as religiosas de São José de Aubenas, congregação a qual pertencia sua irmã mais velha, acolheram duas pequenas irmãs suas, ela pode finalmente levar adiante seu plano de consagração total ao Senhor. Primeiramente solicitou o ingresso nas clarissas de Bordeaux e depois nas religiosas de Jesus Maria de Le Dorat, porém não a aceitaram por causa de sua deficiência e porque ainda não completara 15 anos. Ela teve que esperar.
     Por fim, aos 18 anos, em 12 de junho de 1896 ingressou como postulante no Mosteiro Ave Maria das clarissas, e em 21 de novembro desse mesmo ano vestiu o hábito franciscano, tomando o nome religioso de Maria Celina da Apresentação da Santíssima Virgem Maria.
     No convento conservou a atitude de caridade e serviço que a havia caracterizado em sua família, e progrediu sobretudo no caminho da humildade, mortificação e ocultamento. Sua saúde começou a piorar. A enfermidade, que se manifestou numa grave forma de tuberculose, revelou a grandeza de sua fé e a firme vontade de completar em seu frágil corpo o que falta à Paixão de Cristo.
     Poucos dias antes de sua morte, escreveu em seu diário: “Não te comprazes com os holocaustos nem com as vítimas. Eis-me aqui! Vim para tomar minha cruz. Me ofereço como vítima, como Jesus... Até agora sacrifiquei tudo: afetos, pensamentos... Deverei ser agora menos generosa? Não. Eis-me aqui! Corta, queima, amputa, faz de mim o que quiseres, contanto que meu amor por ti aumente sempre mais e mais. Só te peço isto”.
     No dia 30 de maio de 1897, aos 19 anos e cento e noventa dias depois de ingressar no noviciado, após emitir a profissão religiosa in artículo mortis, Maria Celina entregou sua bela alma a Deus.
     A fama de santidade, que já em vida circundara esta jovem monja, levou à introdução da causa de canonização em 18 de junho de 1930. Em 22 de janeiro de 1957 foi declarada venerável e em 16 de setembro de 2007 foi beatificada na catedral de Bordeaux. A nova Beata repousa na mesma cidade, próximo do mosteiro das clarissas.
     Na vida humilde e comum da gente pobre e em meio a grandes sofrimentos, esta jovem monja soube acolher o amor de Nosso Senhor e corresponder com alegria e serenidade a vontade dEle a seu respeito. Nenhuma revolta, nenhum azedume, somente generosidade humilde e dedicada. Ela é um exemplo para nosso século em que alguns buscam excitar nos pequenos o ódio à sua condição, numa clara inconformidade aos desígnios divinos sobre eles.

 
Fonte: L´Osservatore Romano, ed. semanal en lengua española, del 5-X-07
 
Postado neste blog em 30 de maio de 2015

sexta-feira, 26 de maio de 2023

Madre Guilhermina Lancaster, fundadora – 27 de maio

Quem era a Madre Guilhermina Lancaster, cujo corpo incorrupto agora é o centro das atenções no Missouri?
 
     Quando as Irmãs Beneditinas de Maria, Rainha dos Apóstolos exumaram o corpo de sua fundadora, Madre Guilhermina Lancaster, OSB, em 18 de maio, encontraram o inesperado: quatro anos após sua morte e enterro em um simples caixão de madeira, seu corpo parecia notavelmente bem preservado.
     A notícia se espalhou rapidamente nas mídias sociais sobre o estado incomum dos restos mortais da fundadora afro-americana da ordem contemplativa, atraindo centenas de peregrinos ao mosteiro na zona rural do Missouri.
     Ainda há perguntas a serem respondidas sobre se uma investigação será realizada para examinar seus restos mortais cientificamente. Enquanto isso, muitas pessoas querem saber mais sobre essa mulher que, aos 70 anos, fundou a congregação das irmãs mais conhecidas por seu canto gregoriano no topo das paradas e álbuns de hinos católicos clássicos.
Uma visão de Jesus em sua primeira comunhão
     A segunda de cinco filhos nascidos de pais católicos em St. Louis no Domingo de Ramos, 13 de abril de 1924, Maria Isabel Lancaster (ela adotou o nome de Guilhermina quando fez seus votos) foi criada em um lar profundamente piedoso.
     Segundo a atual abadessa, Madre Cecília Snell, OSB, e conforme conta uma biografia publicada por sua comunidade, a futura Irmã Guilhermina teve uma experiência mística em sua primeira Comunhão aos 9 anos, quando Jesus a convidou a ser dEle.
     “Ela o viu em sua primeira comunhão. Talvez não muito claramente, mas ela viu que ele era tão bonito”, disse a abadessa. “Ele disse: 'Você quer ser minha?' “E ela disse: 'Ele é tão bonito, como posso dizer não?'”
     Depois desta experiência, aos 13 anos, o pároco perguntou-lhe se alguma vez pensou em ser religiosa. Embora não tivesse pensado, ela foi rapidamente movida pela ideia e escreveu para as Irmãs Oblatas da Providência em Baltimore pedindo permissão para ingressar, “mas ela era muito jovem [então] teve que esperar um pouco mais”.
     O trecho da carta revela uma franqueza impressionante e uma fidelidade duradoura, visto que ela morreria depois de viver 75 anos sob os votos religiosos.
     “Cara Madre Superiora”, diz ela na carta. “Sou uma menina de 13 anos e gostaria de ser freira. Pretendo ir ao seu convento o mais rápido possível. Vou me formar no próximo mês. O que eu quero saber é se a senhora tem que trazer alguma coisa para o convento e o que a senhora tem que trazer. Espero não a estar incomodando, mas estou decidida a me tornar freira (é claro que sou católica). Deus abençoe a senhora e aqueles sob seu comando. Respeitosamente, Maria Isabel Lancaster.
Uma educação católica e uma vocação para toda a vida
     
Crescendo sob a segregação, Maria Isabel certa vez foi insultada com o apelido de “gotas de chocolate” enquanto corria por um bairro branco a caminho da escola e, embora também fosse ridicularizada como a única católica entre os colegas batistas e metodistas, ela não guardava ressentimento por seu tratamento.
     Quando a escola secundária católica local se tornou segregada pelos Irmãos Cristãos e a escola pública parecia ser sua única opção, seus pais fizeram grandes esforços para garantir que sua filha e seus colegas de escola pudessem continuar sua educação católica.
     Segundo a Irmã Guilhermina conta em sua biografia, “meus pais, que não queriam que eu fosse para o colégio público, puseram mãos à obra e fundaram o Colégio Católico São José para negros, que existiu até o Arcebispo Ritter colocar um fim na segregação. Ela se formou e foi oradora da escola que seus pais ajudaram a fundar e depois entrou para as Irmãs Oblatas da Providência, uma das duas únicas ordens religiosas para mulheres negras ou hispânicas. Ela permaneceria com essas irmãs por 50 anos sob votos.
O hábito e a Missa Tradicional Latina
     Durante seus 50 anos de vida religiosa, Irmã Guilhermina presenciou as mudanças trazidas pelo Concílio Vaticano II e procurou preservar o hábito, chegando a construir um próprio quando as irmãs pararam de produzi-lo.
     “Ela passou tantos anos lutando pelo hábito”, disse Madre Cecília, “a irmã Guilhermina levou a sério a ideia de que o hábito simboliza uma noiva de Cristo”. De acordo com sua biografia, ela criou um hábito para si mesma, criando partes do cocar com uma garrafa plástica de alvejante, mesmo quando suas irmãs não usavam mais os delas.
     Como relatou o Catholic Key, seu hábito caseiro pode ter salvado sua vida quando ela trabalhava como professora em Baltimore e o colarinho rígido de gola alta desviou a faca de um aluno descontente.
     Sua biografia fala de uma ocasião em que uma irmã que passou por ela no corredor apontou para o cocar tradicional e perguntou: “Você vai usar isso o tempo todo?” "Sim!"
     “Depois de anos tentando fazer com que sua ordem voltasse ao hábito anterior, ela ouviu falar que a Fraternidade Sacerdotal de São Pedro iniciou um grupo de irmãs, redescobriu a missa em latim e se apaixonou por ela”, disse Madre Cecília. “E um dia ela fez as malas – e ela tinha 70 anos – e foi fundar esta comunidade! Apenas um salto de fé completo”.
     Em 1995, com a ajuda de um membro da Fraternidade Sacerdotal de São Pedro, iniciou-se a comunidade. Com o tempo, assumiria um carisma mais contemplativo e nitidamente mariano, com especial ênfase na oração pelos sacerdotes.
     Em sua proposta para uma nova comunidade, Guilhermina disse que queria voltar à observância regular, algo que ela pediu durante o capítulo geral das Irmãs Oblatas da Providência. “O uso do hábito, a entrega de todo o dinheiro a um ecônomo comum, a obediência à autoridade legal, a guarda do recinto e dos tempos e lugares de silêncio, e a convivência em uma autêntica vida fraterna”, disse ela. Em suma, em sua nova comunidade, ela imaginou um retorno à disciplina ordinária da vida religiosa.
     A nova comunidade, que começou em Scranton, Pensilvânia, seguia a Regra de São Bento e cantava o tradicional Ofício Divino em latim. Em 2006, a comunidade aceitou um convite do bispo Robert W. Finn para se transferir para sua diocese de São José da cidade de Kansas no Missouri.
     Em 2018, sua Abadia de Nossa Senhora de Éfeso foi consagrada tendo a Madre Cecília como a primeira abadessa e com a Irmã Guilhermina sob sua autoridade. Em 2019, sete irmãs deixaram a abadia para estabelecer uma nova fundação do instituto, o Mosteiro de São José em Ava, Missouri.
     Hoje, as irmãs continuam levando uma vida de silêncio e contemplação, seguindo a Regra de São Bento. Eles participam da Forma Extraordinária da Missa e usam o Ofício Monástico de 1962, com seu tradicional Canto Gregoriano, em latim.
Devota de Mãe Santíssima
     A Irmã Guilhermina é lembrada por seu amor a Nossa Senhora, mesmo nos últimos anos de sua vida, quando sofria de saúde frágil.
     Regina Trout, uma ex-postulante que cuidou da Irmã Guilhermina e agora é casada e tem filhos e é professora de biologia na Purdue University Fort-Wayne, lembra-se de vê-la visivelmente emocionada.
     “Sempre que você falava com ela sobre Nossa Senhora, você podia ver aquela chama. Ela amava tanto Nossa Senhora, e isso transparecia com tanta força”, disse ela.
     As últimas palavras conscientes da irmã Guilhermina, "Ó Maria", cantada dois dias antes de sua morte como parte do hino "O Sanctissima", foram um reflexo de sua profunda piedade mariana, bem como o carisma da música que glorifica a Deus pela qual as Irmãs Beneditinas de Maria são conhecidas.
     “Ela amava nossa Mãe Santíssima”, disse Madre Cecília. “Isso é o que ela diria a todos que vêm aqui: Reze o rosário. Não se esqueça de rezar o terço. Ame a Mãe Santíssima, Ela ama você".
     “Sua morte foi linda”, disse a abadessa ao Grupo ACI da EWTN. “Deus dispôs tudo”. “Estávamos cantando 'Jesus, meu Senhor, meu Deus, meu tudo'. Quando chegamos ao resto da música: 'Se eu tivesse apenas o coração sem pecado de Maria, com o qual amar a Ti, ó que alegria', ela abriu os olhos e olhou para cima.
     “Quero dizer, ela estava em coma, sabemos que ela podia nos ouvir, mas ela simplesmente não respondeu por alguns dias. E então ela apenas olhou para cima com o rosto cheio de explosão de amor. Para a abadessa, parecia que “ela já estava no céu” naqueles momentos.
     Ela faleceu no dia 27 de maio de 2019, aos 95 anos de idade.
 
Por Kelsey Wicks       Denver, Colo., maio 24, 2023
https://www.catholicnewsagency.com/news/254413/who-was-sister-wilhelmina-lancaster-the-african-american-whose-body-is-potentially-incorrupt
 

quarta-feira, 24 de maio de 2023

Santa Maria Madalena de Pazzi, Mística Carmelita - 25 de maio

     
Em 25 de maio de 2007, celebrou-se o quarto centenário da morte de Santa Maria Madalena de Pazzi (1566-1607), carmelita florentina e mestre de vida espiritual. Tamanha era a fama de sua santidade entre o povo e o clero, que muito cedo, em 1611, deu-se início a seu processo de beatificação. Importantes estudiosos afirmam que “Maria Madalena de Pazzi, ao lado de Ângela de Foligno e de Catarina de Sena, é, entre as italianas, a escritora espiritual mais conhecida”.
     Numa das famílias de maior destaque da nobreza florentina, Catarina nasceu em 2 de abril de 1566, segunda filha de Maria Buondelmonti e Camillo di Geri de’ Pazzi. Em dois períodos (de 1574 a 1578 e de 1580 a 1581), foi educanda em San Giovannino pelas Cavaleiras de Malta.
     Antes mesmo de completar a idade requerida naqueles tempos para receber a Eucaristia, nutria ela excepcional devoção ao Santíssimo Sacramento. Certa vez, sua mãe, intrigada com as atitudes da filha, interrogou-a sobre a razão pela qual passava alguns dias inteiros a seu lado, sem separar-se sequer por um instante. Respondeu com candura a pequena: “É que nos dias em que comungais, sinto em vós o perfume de Jesus!”.
     Considerando o fervor e a maturidade da menina, seu confessor consentiu em abrir uma exceção, concedendo-lhe fazer a 1ª. Comunhão em 25 de março de 1576, quando contava apenas 10 anos. A consolação e o gozo de Catarina não conheceram limites. Deste modo, obteve autorização para comungar todos os domingos, o que a levava a contar os dias e até mesmo as horas.
     Dias depois de sua 1ª. Comunhão, se entregou para sempre ao Senhor com uma promessa de virgindade.
     Quando contava doze anos, nos seus exercícios de mortificações, chegou a usar um hábito grosseiro e dormir no chão, a pôr uma coroa de espinhos na cabeça e a castigar por muitos modos o seu delicado corpo, manifestando assim o ardente desejo de tornar-se cada vez mais semelhante ao Divino Esposo.  Quando diversos jovens se dirigiram aos pais de Maria, para obter-lhe a mão, ela pode declarar-lhes: “Já escolhi um Esposo mais nobre, mais rico, ao qual serei fiel até a morte”.  Vencidas muitas dificuldades, ela conseguiu entrada no convento das Carmelitas em Florença.
     Na idade de 16 anos entrou nas Carmelitas Descalças (17 de novembro de 1582) no convento de Santa Maria dos Anjos de Florença, bem pouco tempo depois do final do Concílio de Trento (1545-1563). Recebeu o hábito em 1583, tomando o nome Maria Madalena. Em 29 de maio de 1584, estando tão doente que se temia que não se recuperasse, fez sua profissão como religiosa.
A Santa aos 16 anos
     Os primeiros cinco anos de vida monástica são os mais conhecidos da biografia de Santa Maria Madalena. No grande Carmelo de Santa Maria dos Anjos (o mais antigo da ordem), com quase oitenta monjas no período em que viveu Madalena, várias delas tinham um elevado perfil espiritual, desde a Madre Evangelista del Giocondo até Pacífica del Tovaglia, amiga e uma das principais “secretárias” da santa.
     Desde que recebeu o hábito até sua morte experimentou uma série de raptos e êxtases. Depois de sua profissão experimentou êxtases diários por 40 dias consecutivos. Ao final deste tempo parecia estar perto da morte. Entretanto, se recuperou milagrosamente, pela intercessão da Beata Maria Bartolomea Bagnesi, dominicana, cujo corpo incorrupto estava sepultado no Convento de Santa Maria dos Anjos.
     Daí em diante, apesar de sua saúde precária, pode cumprir com esmero as obrigações que lhe destinaram e praticar uma dura penitência.
     Algumas características de seus raptos e êxtases: às vezes os raptos eram tão fortes, que a induziam a movimentos rápidos (por exemplo, em direção a um objeto sagrado); frequentemente podia, em êxtase, levar a cabo seu trabalho com perfeita compostura e eficiência; durante seus momentos de rapto expressava máximas do amor divino e conselhos para a perfeição das almas, especialmente para as religiosas - estas foram copiadas por suas irmãs religiosas e foram publicadas; às vezes ela falava em seu nome, outras em nome de uma ou de outra Pessoa da Santíssima Trindade; os estados de êxtases não interferiam no serviço da santa na comunidade - manifestava um forte sentido comum, um governo estrito e disciplinado, acompanhado por uma grande caridade, o que a fez muito amada até sua morte. 
     Na Quaresma de 1585, os fenômenos extraordinários chegaram a um auge de intensidade. No dia 25 de março, apareceu-lhe Santo Agostinho que gravou em seu peito as palavras “Et Verbum caro factum est”. Na segunda-feira da Semana Santa, recebeu os sagrados estigmas de Cristo, contudo não de forma visível.
     Na ânsia de salvar almas, oferecia-se a Deus para sofrer todas as enfermidades, a morte e ainda os sofrimentos do inferno, se isto fosse realizável, sem precisar odiar e amaldiçoar a Deus.  Em certa ocasião disse: “Se Deus, como a São Tomás de Aquino, me perguntasse qual prêmio desejo como recompensa, eu responderia: ‘Nada, a não ser a salvação das almas’”.
     Os dias de Carnaval eram para Maria Madalena dias de penitência, de oração e de lágrimas, para aplacar a ira de Deus provocada pelos pecadores.
     Para o corpo era de uma dureza implacável; não só o castigava, impondo-lhe o cilício, obrigando-o a vigílias, mas principalmente o sujeitava a um jejum rigorosíssimo; durante vinte e dois anos teve por único alimento pão e água. Por cerca de vinte anos ela viveu ocupada silenciosamente com essa mistura de oração e trabalho que é própria da vida monástica. Depois de ter sido responsável pela acolhida das jovens que vinham para o alojamento de forasteiras (1586-1589), ela esteve ligada, de várias maneiras, à formação das jovens a partir de 1589, até se tornar sub-prioresa a partir de 1604.
     A Santa fez muitos milagres e possuía dons extraordinários. Como mestra de noviças era notável seu milagroso dom de ler as mentes, não apenas das noviças, como também de pessoas fora do convento. Com frequência via as coisas à distância. Conta-se que em uma ocasião viu milagrosamente Santa Catarina de Ricci em seu convento de Prato lendo uma carta que lhe havia enviado e escrevendo a resposta, embora nunca se tivessem conhecido de maneira natural. Tinha o dom de profecia e de cura.
     Deus permitiu que ela sofresse a prova de uma terrível desolação interna, fortes tentações e ataques diabólicos externos por cinco anos (1585-90). Venceu a prova por sua valente adesão ao Senhor e sua humildade, cresceu em virtude e depois experimentou grande consolação.
     Santa Maria Madalena de Pazzi era chamada a rezar e fazer penitência pela reforma de “todos os estados de vida na Igreja” e pela conversão de todos os homens. Ensinou que o sofrimento nos leva a um profundo nível espiritual e ajuda a salvar a alma. Por isso amava o sofrimento por amor de Deus e pela salvação das almas.
     Nossa santa deu a sua contribuição para o bem da Igreja, primeiro como toda monja, ela contribuiu pela vida de oração, mas não foi só assim, ela interveio por meio de cartas ao Romano Pontífice para poder favorecer a reforma da Igreja, pedindo ao papa por meio de cartas, em torno de 21 cartas, com vários temas, entre eles pedindo a reforma da vida religiosa, e a reforma da Igreja. As cartas foram direcionadas ao Papa Sisto V.
     A mística da Santa, na escola de Santa Catarina de Sena, é uma mística que chama à conversão todo o povo de Deus, não para “repreendê-lo”, como afirmam alguns, mas para que, diante do Espírito Santo que bate à porta, alguém “se abra a esse dom”.
     Nos últimos três anos de vida, sofreu diversas enfermidades. Deus permitiu que nas dores ficasse privada ainda de consolações espirituais. Impossibilitada de andar era forçada a guardar o leito. Via-se então um fato extraordinário: quando era dado o sinal para a Missa ou Comunhão, ela se levantava, ia ao coro e assistia a Missa toda. De volta para a cela, caía de novo na prostração e imobilidade.  Quando lhe aconselharam abster-se da Comunhão, declarou ser-lhe impossível, sem o conforto deste Sacramento, suportar as dores.  No meio dos sofrimentos, o seu único desejo era: “Sofrer, não morrer”.  Ao confessor, que lhe falou da probabilidade de um fim próximo dos sofrimentos, ela respondeu: “Não, meu padre, não desejo ter este consolo, desejo poder sofrer até o fim de minha vida”.
     Santa Maria Madalena de Pazzi faleceu no dia 25 de maio de 1607, aos quarenta e um anos de idade. Cinquenta e seis anos depois, em 1663, quando se abriu o túmulo, foi-lhe encontrado o corpo sem o menor sinal de decomposição, percebendo-se ainda o celeste perfume.
     Inúmeros milagres ocorreram depois de sua morte. Beatificada em 8 de maio de 1626 pelo Papa Urbano VIII, foi canonizada em 28 de abril de 1669 pelo Papa Clemente IX. Seu corpo incorrupto permanece na igreja de Santa Maria dos Anjos em Florença.
 
Fontes:
https://www.freimarceloocarm.com.br/index.php/2021/08/30/santa-maria-madalena-de-pazzi/
http://www.santosebeatoscatolicos.com/2015/05/santa-maria-madalena-de-pazzi-virgem.html

Postado neste blog em 24 de maio de 2013

segunda-feira, 22 de maio de 2023

Beata Maria Domingas Brun Barbantini, Esposa, Mãe, Viúva, Fundadora – 22 de maio

Um exemplo de resignação e santidade diante das adversidades com que se deparou durante a vida
 
     Maria Domingas nasceu em Lucca, a 17 de fevereiro de 1789, segunda filha entre irmãos. Seu pai Pedro Brun, era de origem suíça, e sua mãe, Joana Granucci, era natural de Lucca.
     Na idade de seis anos, ela viveu uma experiência mística de singular importância: a visão do sangue de Jesus que jorra do cálice durante a Consagração. Este acontecimento se constituiu um sinal profético para a sua futura missão ao lado dos doentes e sofredores.
     Aos 12 anos, a morte do pai e de três irmãos menores deixou profundas marcas na adolescência de Maria Domingas. A partir de então, cresceu sob a orientação afetuosa e inteligente da mãe, que soube imprimir na filha as mais belas virtudes católicas, contribuindo de modo particular para formar nela um coração aberto e sensível aos infelizes, tornando-se um exemplo de resignação e santidade diante das adversidades com que se deparou durante a vida.
     Ao alcançar a juventude, destacou-se como uma mulher brilhante, generosa e cheia de zelo cristão. Foi nesta época que conheceu o jovem Salvador Barbantini, que a pediu em casamento após nutrirem grande amor um pelo outro.
     Casaram-se no dia 22 de abril de 1811 na Catedral de São Martino, de Lucca. No seu sexto mês de casamento, quando estava grávida, a morte súbita do seu esposo foi uma ocasião em que, golpeada, aceitou os desígnios da Providência Divina, exprimindo a sua dor a Jesus Crucificado, sob a promessa de que intensificaria sua vida cristã e que não contrairia novo matrimônio: "Tu, serás único, meu Cristo Crucificado, serás o meu bem, doravante meu único e verdadeiro amor, a minha única delícia".
     Viúva e com uma criança, Maria Domingas foi novamente atingida pela dor e pela angústia quando seu filhinho, Lourenço, morreu aos oito anos. Apesar disso, jamais se vislumbrou nela qualquer resquício de revolta. Pelo contrário: intensificou os propósitos firmados pela ocasião da morte do marido e entregou-se total e incondicionalmente ao serviço dos pobres, doentes e infelizes. A sua maternidade desenvolveu-se numa maternidade mais profunda, santa e universal.
     Os pobres enfermos abandonados de sua cidade tornam-se objeto de seu prometido amor. De noite e de dia, sob o sol escaldante ou na chuva, ela não consagrava somente sua ternura aos que sofriam, mas exprimia também diversas atitudes concretas de misericórdia, sempre absolutamente unida e guiada pela Santa Igreja de Cristo, que amava com uma afeição filial, servindo-a com ardor extremo.
     Dotada de qualidades específicas, participava em Lucca das atividades do Mosteiro de Santa Maria da Visitação, destinado à educação dos jovens. Era incumbida de organizar a catequese e sua dedicação permitiu que viesse a fundar um instituto para as crianças abandonadas. Por tamanha dedicação e destaque, foi-lhe confiada a responsabilidade de reforçar e reformar diversas atividades apostólicas e educativas.
     O que efetivamente marcou sua vida foi a fundação do Instituto Religioso das Irmãs Ministras dos Enfermos de São Camilo. Tal projeto teve início no ano de 1829 quando, reunindo em torno de si algumas jovens donzelas pobres, em sua maioria de saúde frágil, realizou prodígios de caridade à cabeceira dos pobres moribundos e abandonados, vocação maternal que atraiu uma grande quantidade de outras jovens àquela obra de apostolado.
     A obra atravessou décadas com diversas moças aplicadas e dedicadas ao apostolado santo das regras escritas pela Fundadora. Finalmente, no dia 5 de agosto de 1841, o arcebispo da cidade de Lucca, D. Domenico Stefanelli, tendo testemunhado a caridade da Fundadora e de suas filhas, aprovou a Regra escrita por Maria Domingas e erigiu a comunidade em Instituto Religioso Diocesano.
     Mulher de fé, sempre empenhada no cumprimento e realização concreta da vontade de Deus, Maria Domingas impôs-se na História. Sempre ensinou às suas filhas espirituais a progredirem próximas dos sofredores, em especial dos enfermos, tratando da doença, valorizando o sofrimento, anunciando o rosto bondoso de Deus, no espírito do paternal e caridoso São Camilo de Lellis, que foi perfeito modelo de santidade e de serviço ao próximo, base da inspiração para a fundação desta congregação Camiliana, presente e atuante em diversas partes do mundo.
     
Maria Domingas experimentou todos os estados de vida que uma mulher pode atravessar: esposa, mãe, viúva, fundadora e religiosa da sua Congregação.
     A Beata entregou sua alma a Deus no dia 22 de maio de 1868. Por ter vivido de maneira heroica e tendo suas virtudes de fé, esperança e caridade reconhecidas pela Igreja, o Papa João Paulo II a beatificou no dia 7 de maio de 1995.
 
Fontes:
http://coisasdesantos.blogspot.com/2019/05/22-de-maio-beata-maria-domingas-brun.html
https://www.irmasdesaocamilo.com.br/site/index.php/noticias/item/615-conheca-historia-da-beata-maria-domingas-brun-barbantini