terça-feira, 8 de setembro de 2020

Santa Maria (Miriam) de Jesus Crucificado Baouardy: O milagre de 8 de setembro

 

   Miriam nasceu em Ibillin, pequeno povoado a meio caminho entre Haifa e Nazaré, a 5 de janeiro de 1846. Era filha do casal Jorge Baouardy e Mariam Chahyn, fervorosos católicos palestinos. Após terem perdido vários filhos pequenos, eles obtiveram a graça de seu nascimento após uma peregrinação a pé, percorrendo uma distância de 170 km até Belém, ao local onde nasceu o Menino Jesus. A menina foi batizada e crismada no mesmo dia, segundo o rito católico melquita, recebendo o nome de Miriam. Um ano depois nasceu-lhes um menino, Baulos (Paulo).
     Em 1848, os pais de Miriam morreram um após o outro. Segundo o costume oriental, as crianças foram repartidas entre os parentes. Baulos foi adotado por uma tia materna de um povoado vizinho, e ela acolhida por um tio paterno abastado.
     Dos seus anos de infância na Galileia, Miriam guardou na memória o maravilhar-se diante da beleza da Criação, da luz, das paisagens de onde tudo lhe falava de Deus e de um sentimento muito forte, de que “tudo passa”. A experiência de criança é decisiva para a sua vida futura: brinca com dois pequenos passarinhos e quer dar-lhes um banho, mas eles não resistem e morrem nas suas mãos. Triste, ouve então interiormente estas palavras: "Vês? É assim que tudo passa, mas se queres dar-me o teu coração, Eu ficarei para sempre contigo”.
     Aos 8 anos fez sua primeira comunhão. Alguns anos depois, o tio se mudou para Alexandria, Egito, levando-a consigo.
     Conforme o uso oriental, seu casamento foi ajustado e quando completou 13 anos lhe disseram que chegara o momento do casamento. Porém, Miriam já sentia um chamado de Deus e não desejava se casar, e comunicou isto aos tios. Nem as humilhações, nem os maus tratos puderam fazê-la mudar sua decisão.
     Após três meses, ela visitou um velho criado da casa de seu tio para que este enviasse uma carta a seu irmão, que vivia na Galileia, para que viesse ajudá-la. Ouvindo a narração de seus sofrimentos, o criado, que era muçulmano, exortou-a a converter-se ao Islã. Miriam respondeu com ênfase: "Muçulmana eu? Jamais! Sou filha da Igreja Católica e espero permanecer assim por toda vida!" Enfurecido, o homem deu-lhe um violento pontapé que a derrubou ao chão, e, com uma cimitarra, deu-lhe um golpe na garganta. Crendo que ela estava morta, envolveu-a num lençol e abandonou-a em uma rua escura. Era o dia 8 de setembro.
     A própria Miriam contaria muitos anos mais tarde que, como num sonho, lhe parecia ter entrado no Paraíso onde viu a Virgem, os Santos e também os pais e a Gloriosa Trindade. Ouviu então uma voz que lhe disse: "O teu livro ainda não está todo escrito".
     Acordando, se encontrava numa gruta onde passou vários dias com febre, sendo assistida por uma jovem senhora que parecia ser uma religiosa e que vestia um véu azul. Esta a atendia, alimentava e fazia dormir. Depois de quatro semanas, aquela senhora conduziu-a a igreja dos Franciscanos, deixando-a lá.
     Curada, mas só, pois não poderia voltar para sua família adotiva, com o ajuda de um franciscano Miriam se colocou como doméstica a serviço de famílias não abastadas em Alexandria, Beirute, Jerusalém. Nesta cidade fez o voto de castidade perpétua no Santo Sepulcro. Em 1863, a família Nadjar, para a qual trabalhava, se transferiu para Marselha, França, levando-a consigo.
     Em 1865, Miriam entrou em contato com as Irmãs de São José de Marselha. Tinha 19 anos, mas só parecia ter 12 ou 13. Falava mal o francês e possuía uma saúde frágil, mas foi admitida no noviciado.
     Sempre disposta aos trabalhos mais pesados, ela passava a maior parte do tempo lavando ou na cozinha. Mas, dois dias por semanas revivia a Paixão de Jesus: Miriam recebia os estigmas (que na sua simplicidade acreditava ser uma enfermidade) e toda classe de graças extraordinárias começaram a manifestar-se. Algumas irmãs ficaram desconcertadas com o que se passava com ela, e, ao final de dois anos de noviciado, não é admitida na Congregação.

     Em 14 de junho de 1867, Miriam entrou no Carmelo de Pau (Baixo Pirineus), apresentada por sua antiga mestra de noviciado, Irmã Verônica da Paixão, que declarou: "esta pequena árabe é um milagre de obediência".
     Em 27 de julho de 1867 tomou o hábito carmelitano adotando o nome de Maria de Jesus Crucificado. A sua condição de analfabeta a colocava entre as conversas e para ela, que aspirava somente servir, assim estava bem. Mas foi decidido colocá-la entre as coristas, e a obrigaram a aprender a ler e a escrever, porém sem sucesso. Em 1870 voltou a ser conversa.
     Em 1870, com um pequeno grupo de Irmãs, Miriam parte para a Índia, para fundar o primeiro mosteiro de carmelitas daquele país, em Mangalore. A viagem de barco foi uma aventura e três religiosas morreram antes de chegarem. Reforços são enviados e no final de 1870 a vida claustral pode ser iniciada.
     Os fenômenos extraordinários, que ela procurava esconder, continuaram na terra de missão. Ao mesmo tempo ela era a alma da fundação, enfrentando todos os trabalhos pesados e dando atenção aos problemas inerentes a uma nova fundação. Durante seus êxtases, as irmãs às vezes podiam ver seu rosto resplandecente na cozinha ou em outro local. Miriam participava em espírito dos acontecimentos da Igreja, por exemplo, nas perseguições na China. Parecia estar possuída exteriormente pelo demônio, que a fazia viver terríveis tormentos e combates.
     A superiora e o bispo, porém, começam a duvidar da autenticidade das manifestações extraordinárias, acusando-a de visionária, de ter uma imaginação oriental muito ardente etc. Apesar das tensões, ela emitiu os votos no término de seu noviciado, em 21 de novembro de 1871. Como as tensões continuassem, ela foi enviada de volta ao Carmelo de Pau em setembro de 1872. As Irmãs que a perseguiram reconheceram mais tarde o seu erro e expressaram o seu arrependimento.
     Em Pau ela retomou sua vida simples de Irmã conversa, feita de muito trabalho entremeado de episódios prodigiosos: dom de profecia, ataques do demônio ou êxtases, entre todas essas graças divinas ela sabe, de maneira muito profunda, ser ‘nada’ diante de Deus, e quando fala dela mesma se chama "o pequeno nada", é realmente a expressão profunda de seu ser.
     Iletrada como era, encantada com a natureza, compunha belíssimas poesias e inventava melodias para cantá-la. É bom frisar que todos os fatos extraordinários são vividos por Irmã Maria com grande humildade e simplicidade. Muitas pessoas a procuravam para serem reconfortadas, aconselhadas, e pedir orações.
     Em 28 de junho de 1873, pela manhã, a Priora a encontrou sentada em um pequeno banco diante de uma janela aberta: "Madre - ela disse - todos dormem. E Deus, tão cheio de bondade, tão grande, tão digno de louvores, é esquecido!... Ninguém pensa nEle!... Vede, a natureza O louva; o céu, as estrelas, as árvores, as ervas, todas as criaturas O louvam; porém o homem, que conhece seus benefícios, que deveria louvá-Lo, dorme!... Vamos, vamos, despertemos o universo! Jesus não é conhecido, Jesus não é amado!”
A fundação do Carmelo de Belém

     Nossa Senhora havia predito que Irmã Maria seria a alma propulsora da fundação de Carmelos na Palestina. A fundação em Belém era algo muito complicado por motivos políticos. O Bispo de Biarritz escreveu uma carta ao Papa Pio IX expondo o projeto das religiosas do Carmelo de Pau e pedindo sua autorização para concretizar a fundação. O Papa apoiava o projeto e aprovou-o.
     Depois de uma peregrinação a Lourdes, no dia 20 de agosto de 1875 um pequeno grupo de carmelitas embarcou para esta aventura. Irmã Maria de Jesus Crucificado zarpou com elas para o Oriente Médio.
     Os locais sagrados já estavam nas mãos de muçulmanos e cismáticos. A alegria de estar na Terra Santa foi totalmente ofuscada por esse fato. A alegria de Irmã Maria esvaiu-se: "Como o Senhor permite semelhantes coisas? Ah, isto é demais! Se eu fosse Jesus jamais suportaria semelhante profanação!" Mas, ela faz uma reflexão e diz: "Isto é um castigo para a Cristandade, porque há uma coisa que é muito pior. Ah, Senhor, quantas almas são mais abomináveis ainda do que o Cenáculo estar nas mãos dos muçulmanos, e nessas almas Vós sois obrigado a descer! Eu compreendo a profanação deste lugar Santo pensando em todas as comunhões indignas e sacrílegas que acontecem na vossa Santa Igreja".
     O Senhor mesmo guiava Miriam na escolha do local e na forma de construção do novo Carmelo. Como ela era a única que falava árabe, encarregava-se particularmente de seguir os trabalhos “imersa na areia e na cal”. A comunidade instalou-se no dia 21 de novembro de 1876, enquanto certos trabalhos continuaram.
     Miriam preparou também a fundação de um Carmelo em Nazaré, viajando até lá para comprar o terreno, em agosto de 1878. Durante essa viagem Deus revelou a ela o lugar de Emaús, o qual foi adquirido.
     De volta a Belém, retomou a vigilância dos trabalhos sob um calor sufocante. Quando levava aos trabalhadores algo para beber, Miriam caiu de uma escada e partiu um braço. A gangrena avançou muito rapidamente e ela morreu poucos dias depois, em 26 de agosto de 1878, aos 32 anos.
     Sua vida de entrega a Deus foi tão grandiosa, que mesmo em sua humildade e simplicidade, falava das coisas de Deus como se fosse um grande teólogo, principalmente sobre a Santíssima Trindade. Irmã Maria de Jesus Crucificado foi beatificada por João Paulo II em 13 de outubro de 1983 e canonizada em 17 de maio de 2015.

Postado neste blog em 25 de agosto de 2011

Fontes:

quinta-feira, 3 de setembro de 2020

Beata Brígida de Jesus Morello, Fundadora - 3 de setembro



Fundadora da Congregação das Irmãs Ursulinas de Maria Imaculada

      “O Senhor é misericordioso e compassivo, tardo na ira e grande no Seu amor”. Estas palavras, da Liturgia no Salmo responsorial, sustentaram e orientaram a heroica fidelidade da Beata Brígida de Jesus Morello ao Evangelho. As vicissitudes da sua diversificada existência - primeiro como jovem rica de virtudes humanas e espirituais, sucessivamente como esposa fiel e sábia, depois como viúva católica e, por fim, como pessoa consagrada e guia das suas Irmãs - refletem com particular nitidez o confiante abandono da Beata à misericórdia de Deus, que é “tardo na ira e grande no Seu amor”.
     Brígida Morello foi uma mulher de seu tempo, o século XVII: uma mulher de grande fé que soube ver nos acontecimentos históricos, e sobretudo nos que se relacionavam a ela, como viver a santa vontade de Deus.
     “Deus é nosso Pai e nunca nos abandonará”. Esta segurança de ser amada como filha, gratuita e incondicionalmente, motivou-a a entregar seu carinho ao próximo.
     Brígida nasceu em 17 de junho de 1610 em São Miguel de Pagana (Gênova), na Costa de Levante, sexta de onze filhos; cresceu em um lar intensamente católico. Aos 23 anos, em 14 de outubro de 1633, se casou com Mateus Zancano, de Cremona, e se estabeleceu com seu marido em Salsomaggiore (Parma), onde foi reconhecida por suas virtudes.
     Aos 27 anos, em 11 de novembro de 1637, ficou viúva, quando fez o voto de castidade, desejando tornar-se religiosa, porém não obteve sucesso ao desejar entrar entre as capuchinhas da localidade devido ao fato de ser viúva.
     Em 1640 se transferiu para Piacenza, onde os jesuítas se tornaram seus diretores espirituais, guiando-a sempre e a mantendo na via da perfeição, especialmente por parte do Padre Antônio Morando, seu confessor e primeiro biógrafo.
     Margarida de Médici, duquesa de Parma e Piacenza, queria dotar Piacenza de um Instituto de Ursulinas para a educação da juventude feminina, similar ao que existia em Parma. Para isto, em setembro de 1646, Brígida Morello acolheu algumas jovens mulheres em sua casa, sob a denominação de Santa Úrsula, dando assim início, em 17 de fevereiro de 1649, Quarta-feira de Cinzas, com cinco companheiras, a uma nova família de Ursulinas, sob a direção dos jesuítas.
     Entretanto, Brígida não foi a primeira superiora, pois somente em 1665 ela foi eleita como tal, sendo confirmada em 1670 e em 1675. Suas precárias condições de saúde não a impediram governar por extensos períodos, inclusive da cama, sua Congregação de Ursulinas de Maria Imaculada.
     Durante os longos anos de doença e de sofrimentos físicos e interiores, a Beata dirigia com frequência o olhar para o Crucifixo que levava sempre consigo. A oração da Beata Brígida dirigia-se com frequência para a terra dos Balcãs, invocando ao Senhor a conversão de todos e a paz para “o universo mundo”.
     Brígida faleceu no dia 3 de setembro de 1679, em Piacenza, e foi enterrada na igreja local de São Pedro; hoje não existem rastros de seu túmulo, mas há um certo número de cartas, alguns escritos autobiográficos e edificantes, documentos dos quais se pode tirar uma visão exata das experiências espirituais da fundadora.
     Nos seus escritos transparece um convite constante à confiança em Deus. Ela gostava de repetir: “Confiança, confiança, coração grande! Deus é nosso Pai e nunca nos abandonará!”
     Singularmente atual esta mensagem que a nova Beata nos propõe. Esta nossa irmã na fé, elevada às honras dos altares, recorda-nos com vigor que amar a Deus é o segredo de todo o verdadeiro e eficaz empenho em favor do próximo.
     Somente nos anos 1927-28 se celebrou em Piacenza o processo ordinário para sua beatificação. O decreto sobre a heroicidade de suas virtudes se obteve em 29 de abril de 1980. Em 15 de março de 1998 o papa João Paulo II a beatificou.]


Etimologia: Brígida, do médio-irlandês Brighid; irlandês antigo Brigit; alemão Brigitte, Birgitta, provavelmente variação de Berta. Céltico antigo Briganti: “a elevação, a grande, a sublime”. Outros traduzem “força, forte; guia”.

Postado neste blog em 3 de setembro de 2014

terça-feira, 1 de setembro de 2020

Nossa Senhora de Akita, 47 anos depois


Akita, guardiã de nova advertência
No dia 3 de junho de 1624, Masakage, filho do senhor feudal da região de Akita, mandou queimar vivos nesta cidade 32 cristãos. Talvez o fato de ter sido regada pelo sangue de mártires explique a predileção de Nossa Senhora por Akita, onde mais tarde a Mãe de Deus escolheria a Irmã Agnes para transmitir no Oriente um derradeiro apelo à conversão, porquanto no Ocidente a Mensagem de Fátima não tivera a aceitação devida.
Aliás, a ligação de Akita com Fátima é notória. Houve uma primeira aparição do anjo à Irmã Agnes, em 1969, paralela à havida em 1917 aos três pastorinhos. O celeste emissário também rezou com ela o Terço e ensinou-lhe a mesma oração que por ocasião da segunda parte do segredo Nossa Senhora ensinara aos videntes da Cova da Iria: “Quando rezais o Terço, dizei depois de cada mistério: ‘Ó meu Jesus, perdoai-nos, livrai-nos do fogo do inferno, levai as almas todas para o Céu, principalmente aquelas que mais precisarem’”.4
Contudo, diversamente de Fátima, Nossa Senhora não apareceu de forma física em Akita. No período compreendido entre 1969 e 19825, além das aparições do anjo e dos fenômenos místicos da Irmã Agnes, sua presença se fez ali sentir através de uma imagem que lacrimejou 101 vezes, verteu sangue proveniente de um estigma da mão direita, e transpirou óleo de agradável perfume.
Irmã Agnes Katsuko Sasagawa, vítima expiatória
Em 1969, deu-se a primeira aparição do anjo à Irmã Agnes. Em 1973, passou por uma dura provação: ela ficou inteiramente surda. Neste mesmo ano, depois de uma visão na qual uma coorte celeste lhe apareceu em torno do tabernáculo adorando o Santíssimo Sacramento, ela recebeu na mão esquerda o estigma da Paixão de Nosso Senhor, provocando-lhe intensa dor e sofrimento. Nossa Senhora a estava preparando para receber sua mensagem. Nos meses que se seguiram, a Santíssima Virgem comunicou-se por três vezes com a Irmã Agnes que, apesar de sua surdez, ouvia a voz de Nossa Senhora estando diante da imagem.
Primeira mensagem da Mãe de Deus
“Minha filha, minha noviça, você foi muito dócil abandonando tudo para seguir-me. A surdez a incomoda? A chaga será curada, esteja certa. Seja paciente. Esta é a última prova. A chaga lhe causa muito sofrimento? Reze em reparação pelos pecados dos homens. Cada pessoa nesta comunidade é minha filha insubstituível. Você sabe rezar a oração das Servas da Eucaristia? Então vamos rezar juntas”.6
Segunda mensagem
“Minha filha, minha noviça, você ama o Senhor? Se você ama o Senhor, ouça o que eu tenho a lhe dizer. É muito importante. Você deverá dizer isso ao seu superior.
“Muitos homens neste mundo afligem o Senhor. Eu desejo almas que O consolem para aplacar a ira do Pai Celestial. Eu e meu Filho desejamos almas que reparem por seus sofrimentos e sua pobreza pelos pecadores e pelos ingratos.
“Para que o mundo possa conhecer Sua cólera, o Pai Celeste está preparando um grande castigo para todos os homens. Com meu Filho, temos intervindo muitas vezes para apaziguar a ira do Pai. Eu tenho evitado a vinda de calamidades oferecendo-Lhe os sofrimentos de Nosso Senhor na Cruz, seu preciosíssimo Sangue, e almas amadas que O consolam e constituem uma coorte de almas vítimas expiatórias.
“Orações, penitências e sacrifícios corajosos podem aplacar a cólera de Deus. Eu desejo isto também de sua comunidade... que ela ame a pobreza, que ela se santifique e reze em reparação pelas ingratidões e ultrajes de tantos homens. Recite a oração das Servas da Eucaristia com fervor, meditando no seu significado; coloque-a em prática; ofereça-a em reparação pelos pecados. Deixe ao esforço de cada uma, de acordo com a capacidade e a posição, de oferecer-se inteiramente ao Senhor.
“Mesmo em um instituto secular, a oração é necessária. As almas que querem rezar estão na via de viver em comunidade. Sem fazer acepção de pessoa, tenha muita fé e seja ardorosa em rezar para consolar o superior.
Depois de um silêncio, acrescentou: “É verdadeiro o que você sente em seu coração? Você está realmente decidida a ser a pedra rejeitada? Minha noviça, você que deseja pertencer ao Senhor sem reservas, ser digna esposa do Esposo, faça seus votos sabendo que você deve ser pregada na cruz com três cravos. Estes três cravos são a pobreza, a castidade e a obediência. Dos três, a obediência é o fundamento. Num abandono total deixe-se moldar pelo superior. Ele saberá como entendê-la e como dirigi-la”. 7
Terceira mensagem
Na, Sra. chorando
Em 13-10-1973: “Minha querida filha, preste bem atenção ao que eu tenho a lhe dizer. Você deve informar ao seu superior.
Após um tempo de silêncio, afirmou: “Como eu lhe disse, se os homens não melhorarem e não se arrependerem, o Pai infligirá uma terrível punição a toda a humanidade. Será um castigo pior do que o dilúvio, como ninguém viu antes. O fogo cairá do céu e destruirá uma grande parte da humanidade... tanto o bom como o mau, não poupando nem os sacerdotes nem os fiéis. Os que sobreviverem se sentirão tão desolados que invejarão os mortos. A única arma que lhes restará será o Rosário, o Sinal deixado pelo meu Filho. Reze o Rosário todos os dias. E reze-o pelas intenções do Papa, dos bispos e dos padres.
“O trabalho do demônio infiltrará até mesmo na Igreja, de tal forma que veremos cardeais se opondo a cardeais, bispos contra outros bispos. Os padres que me veneram serão objeto de escárnio por parte dos seus confrades, as igrejas e os altares serão saqueados, a Igreja estará cheia daqueles que aceitam compromissos e o demônio pressionará muitos padres e almas consagradas para deixarem o serviço do Senhor.
“O demônio será especialmente implacável contra as almas consagradas ao Senhor. A lembrança da perda de tantas almas é a causa de minha tristeza. Se os pecados crescerem em número e gravidade, não haverá mais perdão para eles.
“Com coragem, fale ao seu superior. Ele saberá como encorajar a cada uma de vocês e fazer suas reparações”.8
— “Quem é o meu superior?”, pergunta a Irmã Agnes a Nossa Senhora.
— “Em ocasiões como esta você deveria ter pergunta mais importante a fazer”... – disse, em tom de repreensão, o anjo que assistia o diálogo de Maria Santíssima com a Irmã Agnes.
— “É que, além do bispo, eu tenho três superiores e por este motivo achei que era importante esclarecer isto.
“É o Bispo Ito, que dirige a comunidade” — respondeu Nossa Senhora. Depois sorriu e disse: “Você ainda tem alguma pergunta? Hoje será a última vez que lhe falarei a viva voz. Doravante você obedecerá àquele que eu lhe enviar e ao seu superior”.
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As três mensagens acima estão contidas na carta pastoral que o bispo de Niigata e ordinário local, D. John Shojiro Ito, escreveu em 22 de abril de 1984, integralmente transcrita no livro de autoria do Padre Teiji Yasuda, O.S.V., capelão e diretor espiritual do convento. Em casos como esse, que tratam de visões e revelações particulares, é costume a Santa Sé deixar a cargo do ordinário local (no caso o bispo de Niigata) declarar se as referidas revelações são dignas de crédito ou não. Segundo consta na contra capa da versão inglesa do livro do Padre Teiji Yassuda – Akita: The tears and Message of Mary, por John Hafert –, o então Cardeal Ratzinger, hoje Papa Bento XVI, considerou “as mensagens da Virgem como dignas de crédito”.9

Notas:
4. As aparições e a mensagem de Fátima conforme os manuscritos da Irmã Lúcia, pp. 48-49.
5. The Meaning of Akita, by John M. Haffert, 101 Foundation, Chronological Order of the Events of Akita.

6. Idem, p. 6.
7. Ibidem, pp. 6 e 7.
8. Idem, ibidem pp. 7 e 8.
9. Akita The Tears and Message of Mary, by Teiji Yasuda, O.S.V. (english version by John M. Haffert, 1989), 101 Foundation, Inc Asbury, New Jersey, USA pp. 190-199.


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Após 46 anos, vidente de Akita anuncia ter recebido nova revelação
Redação da Aleteia | Nov 12, 2019

A irmã Agnes, 88 anos, experimentou recentemente a cura de um tumor no pescoço e apresenta hoje condições de saúde condizentes com a sua idade

     Nossa Senhora de Akita é o título de uma aparição mariana relatada em 1973 pela freira japonesa Agnes Katsuko Sasagawa na região de Akita, noroeste do Japão. As mensagens transmitidas a ela por Nossa Senhora enfatizavam a oração e a penitência.
     Passados 46 anos desde a última mensagem reconhecida pela Igreja como autêntica, a irmã Agnes, hoje com 88 anos de idade, relatou ter recebido uma nova revelação privada no último dia 6 de outubro de 2019, por volta das 3h30, quando, segundo ela, um anjo lhe apareceu e lhe deu a seguinte instrução:
     “É bom que diga a todos: cubram-se de cinzas e rezem o rosário penitente todos os dias. E você tem de se tornar uma menina e oferecer sacrifícios todos os dias”.
     A irmã Agnes disse que ficou em dúvida sobre divulgar ou não a mensagem, mas, na Santa Missa de dois dias depois, a liturgia falava da profecia de Jonas, que pregava o arrependimento mediante os mesmos sinais pedidos pelo anjo. Considerando que a mensagem da revelação privada não contradizia o que Deus mesmo nos pede constantemente, ela resolveu relatar o ocorrido.
     A mensagem, traduzida para o inglês, foi difundida nos Estados Unidos pela emissora católica de rádio WQPH, de Massachusetts, que, ao ser questionada sobre a veracidade do relato, emitiu um comunicado oficial para respaldar as fontes que lhe haviam transmitido o texto:
     “Sabemos que a Irmã Agnes sofreu muito desde a última mensagem de Akita e nos preocupa que esta nova mensagem, este simples chamado ao arrependimento, que obtivemos através de fontes próximas a ela, tenha acarretado novas tribulações a ela e aos seus confidentes. Não temos razão alguma para assumir riscos associados à publicação de uma história sensacionalista. As fontes são confiáveis e corajosas e nos pediram que divulgássemos diretamente a sua mensagem. A nova mensagem pede que cada um de nós reze diariamente um rosário penitente e se cubra de cinzas como os moradores de Nínive ao escutarem a profecia de Jonas. Até obtermos mais informação de nossa fonte, pedimos a vocês, nossos irmãos e irmãs em Cristo, que façam um discernimento, com fé e razão, sobre a veracidade do relato, e lhes agradecemos pela prudência e devota preocupação com a integridade do legado de Nossa Senhora de Akita e com a reputação dos seus mensageiros”.
     A irmã Agnes apresenta condições de saúde condizentes com a sua idade. Recentemente, ela experimentou a cura de um tumor no pescoço.
     Ao repercutirem a nova revelação privada relatada por ela, vários meios de comunicação observaram que ela ocorreu na mesma data da abertura da Assembleia Especial do Sínodo dos Bispos para a Região Pan-Amazônica.


sábado, 29 de agosto de 2020

Beata Teresa Bracco, Mártir da pureza – 29/30 de agosto



     Nasceu em 24 de fevereiro de 1924, penúltima de sete filhos, em Santa Giulia, no Piemonte, Itália. Seus pais, Ângela e Tiago Bracco, foram para ela um exemplo de fé e fortaleza cristã: em 1927 sepultaram em apenas três dias dois filhos de nove e quinze anos. Uma fé submetida ao cadinho da prova. Ângela abria todos os dias um grande livro de orações e aos domingos, após a missa, Tiago questionava as filhas mais velhas sobre a palavra ouvida e o sermão do padre.  No fim do dia, o próprio Tiago dirigia a oração do Rosário em família. O nome de Teresa ela recebera em honra da “pequena santa” de Lisieux, beatificada em 1923.
     Teresa só pôde frequentar até o quarto ano do primeiro grau, pois com o seu trabalho de pastorinha procurou contribuir para o sustento da família. Uma de suas companheiras da época testemunhou como ela sempre tentava trazer seu rebanho para onde Ginin estava (como era chamada Teresa na família). Por que? Porque Ginin sabia rezar o Rosário. Ela sempre estava com o terço e o seu trabalho diário era marcado pela alternância de Ave-Marias.
     Teresa era uma jovem extremamente reservada, modesta, delicada no relacionamento com as pessoas, sempre pronta a dar a sua ajuda. E bela: dois grandes olhos escuros e aveludados sobressaíam num rosto sereno e pensativo, emoldurado por grandes tranças castanhas. Bela, mas sem qualquer vaidade. Sabia atrair a admiração respeitosa dos conterrâneos: “Uma garota assim, eu nunca tinha visto antes e jamais vi depois”, afirmou um deles. “Havia nela algo de diferente das demais garotas”, recorda uma amiga. “Era a melhor de nós todas”, confia sua irmã Ana.
     Ginin – como era chamada – sacrificava de boa vontade preciosas horas de sono para poder comungar. A igreja não ficava tão perto de sua casa, e a missa era ali celebrada ao alvorecer. Mesmo assim, Teresa jamais renunciava à Santa Missa, por nada no mundo. A Eucaristia, a devoção à Nossa Senhora e a espiritualidade das obrigações, eis o segredo da sua santidade.
     Na casa da família Bracco chegava regularmente o Boletim Salesiano. No número de agosto de 1933, destacava-se em primeiro plano o retrato do pequeno Domingos Sávio, cujas virtudes heroicas a Igreja acabava de reconhecer. Teresa cortou a terceira página que trazia a figura de Domingos Sávio; o menino era filho de camponeses, como ela, e na escola de Dom Bosco havia chegado ao exigente propósito: “A morte, mas não o pecado”. A pequena – tinha apenas nove anos – ficou fascinada por ele, e colocou a página na cabeceira da cama. Desde então, o mote de Domingos foi também seu. Declarou guerra ao pecado: “Antes, eu me deixo matar”, escreveu. E manteve o propósito.
     Na manhã do dia 28 de agosto de 1944, depois de assistir a Santa Missa, Teresa encontrou um carregamento de esterco preparado por sua irmã Maria para ir e espalhar no campo de Braia. Ela, portanto, partiu para o trabalho que a esperava, mas depois de um tempo a notícia da chegada de tropas alemãs em sua aldeia chegou até ela. Pensando então na mãe deixada sozinha no local (seu pai falecera há apenas dois meses), ela abandonou suas ferramentas de trabalho para correr para casa.
     Diante da investida nazista, mulheres e crianças encontraram refúgio no desfiladeiro Rocchezzo. Os alemães invadiram e sequestraram as mulheres mais jovens, incluindo Teresa, como espólios de guerra. Mas ela, por amor aos ensinamentos evangélicos recusa vigorosamente a se submeter aos desejos do oficial nazista que a levou consigo, e tenta escapar pela floresta, mas ele a alcança e, tomado pela fúria, a estrangula, depois disparou um tiro de pistola no coração. Não satisfeito com tal ferocidade, com sua bota chutou-a na têmpora esquerda até romper seu crânio. Seu corpo torturado foi encontrado na floresta dois dias depois, em atitude de defesa suprema de sua integridade física. Teresa tentara inicialmente fugir às atitudes brutais do soldado; depois, vendo a inutilidade de seus esforços, preferiu renunciar à vida a perder a virtude tão ciosamente conservada.
     Uma morte inútil, dizem. Ela poderia ter sobrevivido à violência, como as outras duas meninas, e retornado em segurança para sua família. Por que se opor ao mal tão fortemente? Mas, poucos meses após sua morte, falava-se de alguém que havia recebido benefícios pela intercessão de Teresa. A fama do seu martírio espalhou-se assim pelas paróquias vizinhas enquanto a vox populi a aclamava como a nova S. Maria Goretti de Langhe.
     O seu sacrifício não foi senão o último de uma vida inteiramente vivida pelo Evangelho. Toda a dinâmica do assassinato foi esclarecida pelo exame dos restos feitos em 10 de maio de 1989, sob a ordem do tribunal eclesiástico. João Paulo II beatificou-a em Turim no dia 24 de maio de 1998, memória de Maria Auxiliadora, durante sua peregrinação ao Santo Sudário.
     Sua data de culto foi colocada no Martirológio Romano em 29 de agosto, enquanto a diocese de Acqui Terme e a Região do Piemonte a recordam em 30 de agosto.
     Que testemunho significativo para as jovens gerações do terceiro milênio! Que mensagem de esperança para aqueles que se esforçam para ir contra a maré do espírito do mundo! Que dela aprendam a fé quotidianamente vivida, a intransigente consistência moral, a coragem de sacrificar, se necessário, também a própria vida, para não trair os valores que dão sentido à vida!

Panorama de Langhe
Fontes: santiebeati e Bollettino Salesiano, Março, 2004

quarta-feira, 26 de agosto de 2020

Santa Mônica, mãe de Santo Agostinho – 27 de agosto


"... enquanto minha Mãe, Vossa fiel serva, junto de Vós chorava por mim, mais do que as outras mães choram sobre os cadáveres dos filhos" (Confissões, p. 83).

Forte de ânimo, ardente na fé, firme na esperança, de inteligência brilhante, sensibilíssima às exigências da convivência, assídua na oração e na meditação da Sagrada Escritura, Santa Mônica encarna o modelo de esposa ideal e de mãe católica.

     Santa Mônica entrou na História por meio da obra Confissões, de seu filho Santo Agostinho, escrita aproximadamente no ano de 397. Santo Agostinho tornou-se um venerável bispo, homem de grande virtude e grande sabedoria, alcançou também a santidade e é Doutor da Igreja.
     Mônica teria nascido no ano de 331 d. C. em Tagaste (Norte da África, distante 100 k de Cartago, atual Sukh Ahras, na Argélia), embora existam controvérsias quanto a esta data. Seus pais eram cristãos, que se mantiveram católicos durante o cisma donatista.
     Segundo Santo Agostinho, Mônica foi criada por uma dada (termo que designava uma escrava incumbida de vigiar as crianças filhas de seus senhores), que se caracterizou por sua religiosidade e também por sua rígida disciplina. Santo Agostinho conta-nos um caso em que sua mãe, ainda criança, foi severamente repreendida pela dada, pois começou a demonstrar gosto pelo vinho.
     Tal educação fez com que Santa Mônica também se tornasse uma mulher de grandes virtudes. Após receber o santo Batismo, conservou tal graça por toda a vida pela pureza da fé e santidade de vida.
     Seu casamento foi ajustado por seus pais com Patrício, membro da ordem dos decuriões do Conselho de Tagaste. Na qualidade de decurião, ele provavelmente possuía muitos bens, que incluía escravos, olivais e vinhas, o que colocava o casal numa razoável posição social. Mônica teria dezessete ou dezoito anos e Patrício cerca de quarenta anos de idade quando o casamento ocorreu.
     O marido era um homem rude e violento, fonte de muito sofrimento e provações para Mônica. Mas ela sofria tudo com muita paciência, mansidão e docilidade; não respondia a Patrício. Muitas eram as más línguas que procuravam semear a discórdia no lar da santa mulher, aconselhando-a a abandonar o marido violento, mas Mônica defendia o marido, e jamais tolerava que o difamassem em sua presença. Havia, naturalmente, um abismo entre marido e mulher; suas esmolas e seus hábitos de oração o irritavam, mas diz-se que ele sempre manteve uma espécie de reverência em relação a ela.
     Santa Mônica teve com Patrício três filhos, sendo dois homens, Agostinho e Navígio, e uma mulher, Perpétua, que se tornou religiosa. Agostinho, o filho mais velho, foi também fonte de grandes amarguras para a mãe.
     Apesar de nunca faltarem os bons conselhos da mãe, o filho era desobediente e se mostrava muito inconstante e volúvel. Por esses motivos, Santa Mônica achou por bem não o apresentá-lo para ser batizado, temendo que se o fizesse, poderia vir a perder a graça do Batismo. Agostinho, contudo, foi inscrito na preparação para receber o batismo.
     Naquela época o Cristianismo já tinha a aquiescência do Império Romano e é provável que Patrício tenha cedido aos apelos da esposa se convertendo e dando os primeiros ensinamentos cristãos a Agostinho.
     Mônica ficou viúva aos 39 anos e teve então que ocupar-se de toda a família. Agostinho perdeu o pai com dezessete anos, depois foi mandado para Cartago a fim de estudar num curso superior. Mônica ficava tão desolada com as notícias que recebia do filho, que chegou a proibi-lo de entrar em sua casa. Em Cartago Agostinho se tornou maniqueísta e quando voltou para casa ele ventilou certas propostas heréticas fazendo com que ela o afastasse de sua mesa com energia.  Mas Deus consolava o coração da pobre mãe, revelando-lhe a futura conversão do filho por meio de sonhos misteriosos. E isto fez com que ela aceitasse o filho em casa.
     Certa feita, Mônica fez súplicas a um bispo - provavelmente o de Cartago - para interceder junto a seu filho, já que seus pedidos não eram atendidos. O bispo teria respondido: “O coração de teu filho não está ainda preparado, mas Deus determinará o momento. Vai em paz e continua a viver assim, porque é impossível que pereça o filho de tantas lágrimas" (Confissões, p. 85).
     Quando Agostinho foi para Milão, Santa Mônica para lá se dirigiu para procurá-lo e vigiá-lo. Ali ela encontrou o grande Santo Ambrósio, e por meio dele ela finalmente teve a alegria de ver Agostinho se render, depois de dezessete anos de resistência. Mãe e filho passaram seis meses de verdadeira paz em Cassiacum.
     Tantas foram as orações, súplicas e penitências de Santa Mônica pela conversão de seu filho Agostinho, que na noite de Páscoa de 387 ele recebeu, com seu filho Adeodato, o santo Batismo na igreja de São João Batista, em Milão. Diante disto Santa Mônica afirmou: “Vendo-te hoje católico, nada mais me resta fazer neste mundo”.
     A África reivindicou-os, no entanto, e eles partiram em sua jornada, parando em Cività Vecchia e em Óstia. Foi lá que Mônica morreu no mesmo ano, aos 56 anos de idade. Mas antes, os dois santos tiveram um diálogo-êxtase em Óstia, numa das passagens mais famosas das Confissões.
     Santo Agostinho afirma que esse encontro foi obra dos "secretos desígnios de Deus": "Enquanto assim falávamos, anelantes pela Sabedoria, atingimo-la momentaneamente, num ímpeto completo do nosso coração" (Confissões, p. 228). Uma semana depois, ela caía com febre e falecia.
     Santa Mônica foi sepultada em Óstia e a princípio parece ter sido quase esquecida, embora seu corpo tenha sido removido durante o século VI para uma cripta escondida na igreja de São Aurélio. Por volta do século XIII, no entanto, o culto de Santa Mônica começou a se espalhar e uma festa em sua honra foi mantida em 4 de maio.
Túmulo de Santa Mônica na Igreja de Sto. Agostinho em Roma
     Em 1430, Martinho V ordenou que suas relíquias fossem transladadas para Roma. Muitos milagres ocorreram no caminho, e o culto de Santa Mônica foi definitivamente estabelecido, e mais tarde uma igreja lhe foi dedicada. Depois, o Arcebispo de Rouen, Cardeal d'Estouteville, construiu uma igreja em Roma em homenagem a Santo Agostinho e depositou as relíquias de Santa Mônica em uma capela à esquerda do altar-mor. A vida de Santa Mônica, no entanto, só apareceu no Breviário Romano no século XVI.
     Em 1850 foi estabelecida em Notre-Dame de Sion em Paris uma Associação de mães cristãs sob o patrocínio de Santa Mônica; seu objeto era oração mútua para filhos e maridos que tinham se desviado. Esta Associação foi em 1856 elevada ao posto de arquiconfraria e se espalhou rapidamente por todo o mundo católico, filiais sendo estabelecidas em Dublin, Londres, Liverpool, Sydney e Buenos Aires. Eugenio IV havia estabelecido uma confraria semelhante muito antes.

Fórmula para não brigar
     Mônica não era a única matrona de Tagaste cuja vida de casada era infeliz, mas, por sua doçura e paciência, ela foi capaz de exercer um verdadeiro apostolado entre as esposas e mães de sua cidade natal.
     Naquela região da África, onde as pessoas eram sumamente agressivas, as demais esposas perguntavam a Mônica porque seu marido era um dos homens de pior gênio em toda a cidade, mas não a agredia nunca, e, ao contrário, os esposos delas as agrediam sem compaixão.
     Mônica respondeu-lhes: "É que quando meu marido está de mal humor, eu me esforço para estar de bom humor. Quando ele grita, eu me calo. E como para brigar precisam de dois e eu não aceito a briga... não brigamos". Esta fórmula fez-se célebre no mundo e serviu a milhões de mulheres para manter a paz em casa.

Oração
     Nobilíssima Santa Mônica, rogai por todas as mães, principalmente por aquelas mães que se esquecem que ser mãe é sacrificar-se.
     Rogai, virtuosa Santa Mônica, para que abram-se os olhos e as almas de todas as mães, para que elas enxerguem a beleza da vocação materna. A beleza do sacrifício materno.
     Rogai, Santa Mônica, para que todas as mães saibam abraçar com Fé o sofrimento e a dor, assumam seus filhos com coragem, como instrumento de santificação para suas famílias, e para sua própria santificação. Amém.

Fontes:
HUGH T. POPE (Enciclopédia Católica)

Postado neste blog em 26 de agosto de 2011

terça-feira, 25 de agosto de 2020

Nossa Senhora de Knock (Nossa Senhora do Silêncio) – 21 de agosto

     
     O dia 21 de agosto de 1879 sempre será uma lembrança muito especial aos habitantes de Knock, e para todo o povo da Irlanda. A aldeia de Knock está situada a oeste de Dublin e a norte de Galway, no condado de Mayo.
     Em 1829, foi aí construída uma pequena e pobre igreja paroquial, onde não cabiam mais de 30 pessoas. Foi dedicada a São João Batista. Em torno da Igreja havia uma pequena escola para rapazes e outra para as mulheres. O terreno da igreja era rodeado por um muro de pedra.
     Também chamada de a “Ilha dos Santos”, devido a importante contribuição dos seus mártires na evangelização dos povos e no desenvolvimento do Cristianismo, a Irlanda passava por séria crise econômica, já há uma década.
     Durante todo o século XIX, a Irlanda sofreu uma depressão da sua economia por causa das más colheitas, sobretudo da batata. No ano de 1879, os agricultores quase não tinham o que comer. Nesse ano, houve mais uma desastrosa colheita de batata, o que anunciava mais miséria. As pessoas morriam de fome e de doenças, minadas por uma vida muito dura.
     O Pe. Bartholomew Cavanah foi nomeado prior da igreja em 1867. Era um santo homem, profundamente devoto de Nossa Senhora da Imaculada Conceição. Era de bom grado que sacrificava os seus bens materiais para ir em auxílio dos pobres e famintos. Também tinha muito zelo pelas pobres almas do Purgatório. Tendo a Virgem Maria como Mãe de Deus e de todos os filhos de Deus, recorria à sua intercessão por todos os que estavam no Purgatório.
     Alguns meses antes da aparição em Knock, o Pe. Cavanah começou a rezar 100 missas pelas pobres almas do Purgatório que Nossa Senhora mais desejasse ver libertas. Surpreendentemente, foi no dia da centésima missa que Nossa Senhora visitou Knock, ao final da tarde de 21 de agosto de 1879. 
     Nesse dia, o céu estava coberto de pesadas nuvens. O Pe Cavanah tinha ido visitar paroquianos em regiões vizinhas. Na mesma tarde, uma chuva cerrada encharcou suas roupas e a aldeia ficou toda molhada pela noite afora. Mary McLoughlin, sua empregada, acendeu a lareira para lhe secar as roupas e depois foi-se embora visitar uma amiga, Mary Beirne, que morava próximo.
     Mais ou menos ao mesmo tempo, um outro membro da família Beirne, Margaret Beirne, chegou à igreja para fechá-la durante a noite. Ela deu conta de um brilho estranho que vinha do lado sudoeste da igreja. Mas, com pressa de se abrigar, não olhou mais, nem disse nada a ninguém sobre o brilho naquela noite. Quando terminou a visita, a amiga Mary Beirne acompanhou Mary McLoughlinde de volta, em direção à igreja. Viram figuras iluminadas pela luz. Mas quando se aproximaram, Mary Beirne exclamou: “Mas não são imagens, estão a mexer-se. É a Santíssima Virgem!”
     A mais velha das videntes era Bridget Trench, de 75 anos. Caminhou em direção à visão e, sob a chuva, tentou beijar os pés de Maria Ssma., mas não conseguiu. Quando as mãos e a cabeça inclinada de Bridget entraram na área da visão, ela caiu de joelhos na erva seca. Nessa área, nenhuma gota de chuva lhe caiu.
     Os quinze videntes permaneceram junto à visita luminosa durante duas boas horas. Rezaram o Rosário em conjunto. Mais tarde, a aparição desvaneceu-se.
     Durante as semanas e meses que se seguiram à aparição, toda a aldeia continuava a perguntar: “Por que é que Nossa Senhora lhes tinha aparecido?” Multidões de pessoas começaram a afluir a Knock. Deram-se numerosas curas e várias delas foram relacionadas com a aplicação de terra retirada da parede da empena. Tanta terra foi retirada que a parede estava em perigo de cair. Nos primeiros três anos que se seguiram à aparição de “Nossa Senhora do Silêncio”, o Pe. Cavanah registrou aproximadamente 300 curas milagrosas associadas com o Santuário de Knock.
A Aparição
     Nossa Senhora tinha um longo vestido branco e, na cabeça, uma coroa brilhante com uma rosa na parte da frente. Suas mãos e olhos estavam voltados para o céu em atitude de oração. À sua direita, com uma túnica branca, São José mantinha a cabeça inclinada e ligeiramente voltada para sua esposa. À esquerda de Nossa Senhora estava São João Evangelista, com os paramentos de bispo: ele mantinha a mão direita levantada, como numa pregação, e segurava um livro na mão esquerda. No centro, via-se um altar grande e simples com um Cordeiro voltado para Oeste. Atrás dele, havia uma grande cruz e, ao seu redor, os anjos que ali ficaram durante toda a aparição, que durou cerca de 2 horas, sob chuva.
     A aparição tem um profundo simbolismo do livro do Apocalipse. O cordeiro é Jesus. A cruz é onde se oferece o Cordeiro ao Pai como sacrifício. O altar da Missa é onde o sacrifício se torna presente.
     Maria Ssma. e São João estavam ao lado da cruz. São José não estava ao lado da cruz, mas a morte não pode separá-lo da Sagrada Família e dos benefícios do sacrifício de Jesus. Aquelas pessoas, homens e mulheres de idades variadas, entre cinco e setenta anos, testemunharam a mesma cena. Curiosamente, apesar da chuva, todos tinham as roupas secas no final da aparição. Ainda sob o impacto do evento, foram juntas contar ao pároco. Este, após ser indagado por outras famílias sobre a claridade vinda da igreja, decidiu ir falar com o seu bispo.
     Os testemunhos foram recolhidos seis semanas depois por uma Comissão de Investigação criada pelo Arcebispo de Tuam, D. John MacHale, em outubro de 1879.
     As quinze testemunhas foram examinadas e a comissão informou que o testemunho de todos, tomados juntos, era confiável e satisfatório. O pároco de Knock recebeu uma mensagem do Arcebispo, dizendo que as evidências dos fatos davam como certa a aparição da Virgem naquela igreja, e que um representante do clero da Irlanda estava levando o processo para Roma.
     Em 1936, foi criada outra comissão diante da qual compareceram os três videntes sobreviventes: Mary O’Connell (Mary Byrne), Patrick Byrne e John Curry (*). Os três confirmaram as suas declarações originais de muitos anos atrás.
     Knock logo se tornou meta de peregrinação dos católicos irlandeses e devotos marianos de outros países.
     Em 1976, um novo e grande templo foi erguido no lugar da aparição. Há um complexo em Knock formado por cinco igrejas, incluindo a Capela das Aparições, uma igreja paroquial e a Basílica. Embora a igreja original ainda esteja de pé, ao lado dela foi construída uma nova Capela das Aparições.
     Ilustres personalidades da sociedade e do clero foram ao Santuário venerar Nossa Senhora de Knock, declarada Rainha e Padroeira da Irlanda e festejada no dia 21 de agosto.
     Cem anos depois da aparição, em 1979, o papa João Paulo II abençoou o local com sua presença na celebração do centenário. Meio milhão de peregrinos se juntaram no Santuário onde o Papa declarou a passagem da Igreja de Nossa Senhora, Rainha da Irlanda, a Basílica.

(*)  John Curry, o menininho de 5 anos que viu Nossa Senhora
     Durante as entrevistas com a comissão de investigação responsável por estudar o caso, John declarou que tinha visto “belas imagens da Virgem e de São José”. Outra criança que presenciou a aparição foi Patrick Hill, de 11 anos: ele relatou que o pequeno John lhe havia pedido que o levantasse para poder “ver os bebês grandes, como ele chamava as imagens”.
     Em uma carta escrita anos depois, John contou que se lembrava de ter visto São João com um livro e que outra vidente, Brígida Trench, tentou beijar os pés de Nossa Senhora. Quando foi entrevistado por outra comissão de investigadores, 58 anos depois, John afirmou que as imagens estavam vivas, mas não falavam, e que Nossa Senhora estava vestida de branco.
Uma vida humilde
     Tanto John quanto os outros videntes viveram de modo simples e anônimo – a tal ponto que, em vários dos relatos históricos John nem sequer é mencionado de modo individual.
     John Curry emigrou da Irlanda para Nova Iorque em 1897. Três anos depois, se mudou para Londres e, em 1911, retornou aos Estados Unidos. Já idoso e adoentado, foi viver em Long Island sob os cuidados da Congregação das Irmãzinhas dos Pobres. Ele nunca se casou. Ajudava na Missa diariamente e manteve uma viva devoção à Nossa Senhora, testemunhando que ela jamais lhe negou nada que lhe tivesse pedido.
     Ele tinha 68 anos quando morreu em 1943 e foi enterrado no Cemitério da Ressurreição, em Farmingdale, Long Island, propriedade das Pequenas Irmãs dos Pobres.
     No entanto, ele não deveria ser enterrado para sempre na obscuridade em uma cova não marcada. Quando em 2015 o Cardeal Timothy Dolan de Nova York liderou uma peregrinação para Knock, ele soube da história de John Curry pelo Pe. Richard Gibbons da paróquia de Knock. As pessoas da terra de seu nascimento e da terra de sua adoção começaram a corrigir uma negligência. Os restos mortais de John Curry foram removidos de seu túmulo em Long Island e reenterrados na Catedral de São Patrício, em Manhattan, com o Cardeal Dolan presidindo. Certificando-se de que sua memória fosse honrada, uma laje memorial lembrando sua presença na aparição foi colocada.
     Toda aparição mariana tem um propósito e um significado. Talvez o silêncio de Knock tenha uma mensagem para nossos tempos turbulentos, especialmente para a Igreja Católica de hoje, tão vilipendiada, perseguida, negada. Quando Maria Santíssima, São José e São João apareceram, eles o fizeram a um povo que estava agarrado à sua fé apesar de um tempo de dificuldades, sofrimento e privação. 

Fontes:
Portal Paulinas - https://catholicus.org.br/ 
(Via ACI Digital) - https://pt.aleteia.org/