segunda-feira, 4 de janeiro de 2021

Santa Elizabete Ana Bayley Seton, 1ª Santa norte-americana – 4 de janeiro

Esposa, mãe, viúva, religiosa, fundadora, a 1ª. Santa dos EUA

      Há exatamente duzentos anos (1821-2021), a primeira santa nativa da América do Norte voou para sua recompensa eterna. Santa Elizabete Ana Bayley Seton deixou um legado de coragem, força, tenacidade e auto sacrifício que poucos podem sequer chegar perto.
     Que a mais justa, a vontade mais alta e amável de Deus seja em todas as coisas cumpridas, louvadas e exaltadas acima de tudo para sempre. – Papa Pio VII
     Em 4 de janeiro de 1821, Isabel Ana Seton deu seu último suspiro. Sua oração favorita, citada acima, estava sempre em seus lábios enquanto ela estava morrendo aos 46 anos. Em um último esforço heroico, ela sussurrou o nome Jesus quando ela entrou na eternidade. 1
     "Sejam verdadeiros filhos da Igreja!" Esta foi sua última exortação às Irmãs da Caridade de São José, a ordem religiosa que ela fundou, e membros da família reunidos ao seu lado. Sempre será um bom conselho para seus irmãos americanos e pessoas em todo o mundo.
     No início, a Igreja nos Estados Unidos da América era pequena. Madre Seton tinha esgotado sua última força para ajudar a estabelecer as bases. Desde sua entrada na primeira e única Igreja construída por Cristo até que seu último suspiro, Isabel Ana Bayley Seton tinha uma missão em mente: ver a glória de Deus se manifestar na América do Norte. Ela foi a primeira americana que a Santa Madre Igreja aclamou como cidadã do Céu.
 
*
     Elizabete Ana Bayley nasceu em 28 de agosto de 1774. No mês de setembro de 1773 acontecera a reunião do primeiro congresso continental da Filadélfia, a semente da nova nação que estava para florescer.
     O seu pai, Ricardo Bayley, era um cirurgião anglicano de grande reputação educado na Inglaterra; foi o primeiro professor de anatomia do Columbia College. A mãe de Elizabete, Catarina Charlton, era filha de um ministro episcopaliano (*) da Igreja de Santo André, em Staten Island. Tiveram três filhos: Maria Madalena, Elizabete Ana e Catarina Josefina, segundo a ordem de nascimento.
     Quando Elizabete tinha dois anos de idade a declaração da independência dos EUA foi assinada e durante sua infância a Revolução Americana estourou. Quando a nova nação foi estabelecida, seu pai foi ardorosamente recebido com altos postos na comunidade nova-iorquina, a ponto de ter um de seus projetos, um Lazareto, aprovado pela política local. Dr. Bayley ficava mais no Lazareto do que com sua própria família. A guerra não lhe tinha custado grande perda financeira e nos dias de juventude, Elizabete vivia num grande conforto.
     Os sofrimentos de Elizabete começaram quando ela perdeu a sua mãe, cuja morte, em 8 de maio de 1777, ocorreu quando ela não tinha ainda três anos de idade. Com as filhas para cuidar, e fazendo o papel de pai e de mãe por um ano, Dr. Bayley casou-se com Carlota Amélia Barclay, filha de André Barclay e Helena Roosevelt, cujo pai fora o fundador da dinastia Roosevelt nos EUA.
     Bela, vivaz, fluente em francês, uma excelente música e uma talentosa dama, Elizabete cresceu e tornou-se uma presença popular em festas e bailes. 
      A sua educação foi conduzida por seu pai, um homem brilhante, de grande virtude natural, que a treinou nas boas maneiras e na intelectualidade. Elizabete era muito religiosa e usava um pequeno crucifixo em seu pescoço e se deliciava com a leitura das Escrituras, especialmente os Salmos, o que ela fez até a sua morte. Ela também admirava o grande trabalho de Thomas a Kempis, A imitação de Cristo.
     Quando Elizabeth tinha dezenove anos casou-se com Guilherme Magee Seton, um rico comerciante nova-iorquino, em 25 de janeiro de 1794, na Igreja de São Paulo, uma das mais antigas igrejas anglicanas de Nova York, ainda existente. Em seguida, habitaram na elegante Wall Street. Sua cunhada, Rebeca Seton, era ‘a amiga de sua alma’, e como elas gostavam de fazer obras de caridade, ficaram conhecidas como “as irmãs protestantes de caridade”.
     Problemas de negócios culminaram com a morte de seu sogro em 1798. Deste momento em diante Elizabete e seu esposo tornam-se o sustentáculo da órfã família Seton. Dr. Bayley faleceu em 1801, devido à febre amarela.
     Em 1803, Guilherme Seton foi acometido de uma tuberculose e o casal tentou fazer um tratamento com uma viagem à Itália. Por causa desta viagem, ele vendeu todos os pertences de luxo de sua casa, como vasos, quadros e objeto de prata, provavelmente herdados de seu pai. Somente sua filha primogênita, Ana Maria, os acompanhou nesta viagem à Livorno, onde os irmãos Filicchi, amigos de negócios de Guilherme, residiam. As outras crianças do casal, Guilherme, Ricardo, Rebeca e Catarina, foram deixados aos cuidados de Rebeca Seton.
     O esforço de Elizabete para obter a saúde de seu amado esposo foi descrito em seu diário de viagem. Entretanto, uma quarentena, seguida pela deterioração completa da saúde de Guilherme Seton, levou-o à morte em 27 de dezembro de 1803, na cidade de Pisa, aos 37 anos de idade.
     Aceitando um convite da família Filicchi, decidiu passar um tempo na Itália. No convívio com esta família, e visitando as igrejas italianas, Elizabete começou a ver a beleza da Fé Católica. Após a doença de sua filha e dela própria, Elizabete embarcou para casa acompanhada do Sr. Antônio Filicchi, aportando em Nova York no dia 3 de junho de 1804. A ‘amiga de sua alma’, Rebeca Seton, faleceu no mês de julho, logo após a sua chegada.
     Um tempo de grande perplexidade espiritual começou para Elizabete. O Sr. Filicchi lhe apresentava os esplendores da verdadeira religião. Logo ele conseguiu um encontro entre Elizabete e o Bispo católico de Nova York, D. Cheverus. O Sr. Filicchi escreve também para o Bispo Carroll. Elizabete por seu lado rezava para conseguir alguma luz.
     Numa quarta-feira, 14 de março de 1805, ela foi recebida na Igreja Católica pelo Padre Matthew O’Brien, na Igreja de São Pedro, em Nova York. No dia 25 de março seguinte, ela recebeu a sua Primeira Comunhão com extraordinário fervor. Tinha agora um grande interesse por este Sacramento, que em seus tempos de anglicana lhe faltava.
Igreja de S Pedro 1785
     Ela bem compreendia a tempestade que sua conversão levantaria entre seus parentes e amigos protestantes, quando ela mais precisava de seu socorro e apoio. Ela perdera o pouco da fortuna de seu esposo, e muitos de seus numerosos parentes poderiam ter proporcionado um sustento para seus filhos, se não tivesse surgido a barreira da sua conversão. Mesmo assim ela ficou firme em sua fé.
     Em janeiro de 1806, Cecília Seton, a mais jovem cunhada de Elizabete, ficou gravemente enferma e pediu para ver a ‘condenada convertida’. Então Elizabete foi vê-la e tornou-se uma visita constante. Cecília Seton revelou desejar tornar-se católica. Quando a decisão de Cecília foi conhecida, Elizabete foi ameaçada de expulsão do Estado de Nova York. Após sua recuperação, Cecília fugiu para junto de Elizabete, a fim de ser recebida na religião católica.
     Seus dois filhos foram enviados pelos Filicchi ao Georgetown College. Elizabete esperava encontrar algum refúgio em algum convento no Canadá, onde ela poderia lecionar para sustentar suas três filhas. O Bispo Carroll não aprovou e ela tem que abandonar esse plano. O Padre Dubourg, do Seminário de Santa Maria, de Baltimore, Maryland, encontrou-a em Nova York e sugeriu abrir uma escola para moças naquela cidade.
Carta a sua filha Ana 31/12/1798

     Depois de grande demora e privações, ela e suas filhas chegam à Baltimore na Festa de Corpus Christi de 1808. Seus filhos foram trazidos para Baltimore para estudar no St. Mary’s College; ela abre uma escola próxima à capela do Seminário de Santa Maria.
     Numa Quarta-feira de Cinzas, quando entrava na modesta igreja católica de São Pedro, de Baltimore, exclamou: “Ó meu Deus, deixa-me descansar aqui!” Ela podia então assistir às Missas e comungar diariamente.
     A sua vida de ascese, vivida desde sua estadia na Itália, era pelo menos praticável agora: era praticamente a de uma religiosa e sua veste fora inspirada nas roupas utilizadas por certas freiras italianas.
     Cecília Conway, da Filadélfia, que tinha programado ir à Europa para satisfazer sua vocação religiosa, se junta a ela. Mais tarde outras postulantes chegariam. Entrementes, a pequena escola tem todos os alunos que pode acomodar.
     O Sr. Cooper, um convertido e seminarista do Estado da Virgínia, ofereceu US$ 10.000 para Elizabeth fundar uma instituição para ensinar crianças pobres.
     Como uma primeira medida para a formação da futura comunidade religiosa, Elizabete fez voto de pobreza, de castidade e de obediência privadamente, com o Arcebispo Carroll.
     Uma fazenda foi comprada em Emmitsburg, a duas milhas de distância do Sr. Mary’s College. Enquanto isto, Cecília Seton e sua irmã Henriqueta juntam-se a Elizabeth, em Baltimore. Em junho de 1808 a comunidade religiosa se transferiu para Emmitsburg para dar início a uma nova instituição.
     O grande fervor e a mortificação de Madre Seton, imitado por suas irmãs, fez com que os inúmeros sofrimentos da nova comunidade se tornassem luminosos.
     Em dezembro de 1809, Henriqueta Seton, que fora recebida na Igreja, falece em Emmitsburg; e Cecília Seton morre no ano seguinte, no mês de abril.
     Em 1810 a comunidade solicita ao Bispo Flaget que obtenha a Regra das Irmãs de Caridade de São Vicente de Paulo. Três destas irmãs francesas foram indicadas para ensinar a jovem comunidade a trilhar nas vias e no espírito de São Vicente de Paulo, mas Napoleão proibiu-as de deixar a França.
     Com algumas modificações a Regra foi aprovada pelo Arcebispo Carroll em janeiro de 1812 e finalmente adotada. Contra sua vontade e tendo que cuidar de seus filhos, Elizabeth foi eleita superiora.
     Muitas se juntaram à comunidade. A filha de Madre Seton, Ana Maria, morre durante o noviciado (12 de março de 1812), mas foi-lhe permitido fazer os votos em seu leito de morte.
     Madre Seton e dezoito irmãs fazem os votos em 19 de julho de 1813. Os padres confessores da comunidade, Padres Dubourg, David e Dubois, pertenciam à Congregação Francesa de São Sulpício. O Padre Dubois esteve no posto por quinze anos e trabalhou no setor de imprensa da comunidade, no espírito das Irmãs de Caridade de São Vicente de Paulo, cujas 40 comunidades estavam sob seus cuidados na França.
Santuário da Santa em NY 
     O fervor da comunidade ganhou a admiração de todos. A escola para jovens prosperou e dava sustento para as irmãs se dedicarem aos pobres.
     Em 1814 foram convidadas para cuidar de um asilo-orfanato na Filadélfia; em 1817 foram enviadas para Nova York.
     Elizabete Seton tinha grande facilidade para escrever. Por outro lado, fez a tradução de muitos trabalhos ascéticos franceses para a sua comunidade, incluindo a vida de São Vicente de Paulo e de Mlle. Le Gras. Ela deixou um diário e correspondência que mostravam uma alma toda em chamas pelo amor de Deus e zelo pelas almas. Grandes sofrimentos purificaram sua alma durante grande parte de sua vida religiosa, mas ela trilhava alegremente a estrada real da Cruz. Por muitos anos foi seu diretor espiritual o Padre Bruti.
     Na terceira eleição para superiora (1819), ela protestou dizendo que fora eleita perto de sua morte, mas ela viveu por mais dois anos sofrendo de tuberculose, doença que tinha infectado a maioria dos membros de sua família. Sua perfeita sinceridade e grande encanto ajudaram maravilhosamente no trabalho de santificação das almas.
     Na noite de sua morte, Elizabeth, ela mesma, começou as orações para a sua morte e uma das irmãs, sabendo que ela amava a língua francesa, rezou o Glória e o Magnificat em francês com ela. Elizabete entregou sua preciosa alma a Deus aos 46 anos de idade, nas primeiras horas do dia 4 de janeiro de 1821. Suas últimas palavras foram “sejam filhas da Igreja” último conselho dado às suas seguidoras.
     Em 1880 o Cardeal Gibbons deu início ao processo de sua canonização. Elizabete Ana Seton foi beatificada em 1963 e elevada aos altares na Basílica de São Pedro em 14 de setembro de 1975.
     Treze volumes de suas cartas podem ser lidos na sede da Congregação em Emmitsburg, Estado de Maryland, onde o túmulo de Madre Seton, anexo à Basílica, pode ser visitado.
     Em 1850 a comunidade de Emmitsburg foi incorporada à Congregação francesa e observa a Regra dada por São Vicente de Paulo. Elas se encontram em 30 dioceses dos EUA.
 

                  
(*) Episcopal = ramo dos anglicanos, sobretudo nos Estados Unidos da América; Episcopaliano = membro da religião episcopal.
 
Fonte: B. Randolph (1913 Catholic Encyclopedia)
Postado neste blog em 3 de janeiro de 2012



sexta-feira, 1 de janeiro de 2021

A Virgem Maria era "da casa de Davi" – 1 de janeiro

Ascendência davídica de Maria

A genealogia de Jesus de São Lucas, do Livro de Kells, transcrita pelos monges celtas c. 800.

      São Lucas (2:4) diz que São José foi de Nazaré a Belém para ser registrado pelo censo, "porque ele era da casa e da família de Davi". Como se para excluir toda a dúvida sobre a descendência de Maria, o Evangelista (1:32, 69) afirma que a criança nascida de Maria sem a intervenção do homem deve receber "o trono de Davi Seu pai", e que o Senhor Deus "levantou a força da salvação para nós na casa de Davi seu servo". [1] Por isso, os comentaristas nos dizem que no texto "no sexto mês o Anjo Gabriel foi enviado de Deus... a uma virgem comprometida com um homem cujo nome era José, da casa de Davi" (Lucas 1:26-27); a última cláusula "da casa de Davi" não se refere a José, mas à virgem que é a pessoa principal na narrativa; assim, temos um testemunho direto inspirado para a descendência davídica de Maria. [2]

Vitral rosácea na Basílica de St. Denis, França, representando os ancestrais de Nosso Senhor de Jesse em diante.
 
     Enquanto os comentaristas geralmente concordam que a genealogia encontrada no início do primeiro Evangelho é a de São José, Anuius de Viterbo propõe a opinião, já aludida por Santo Agostinho, que a genealogia de São Lucas dá a linhagem de Maria. O texto do terceiro Evangelho (3:23) pode ser explicado de modo a fazer de Heli o pai de Maria: "Jesus... sendo como era suposto o filho de José, que era [o genro] de Heli" [3]. Nessas explicações, o nome de Maria não é mencionado explicitamente, mas está implícito; pois Jesus é o Filho de Heli através de Maria.


Pintura de Giotto de St. Joachim e St. Anne reunião no Golden Gate.
 
Seus pais
     Embora poucos comentaristas adiram a visão da genealogia de São Lucas, o nome do pai de Maria, Heli, concorda com o nome dado ao pai de Nossa Senhora em uma tradição fundada no relatório do Proto Evangelho de Tiago, um Evangelho apócrifo que data do final do século II. De acordo com este documento, os pais de Maria eram São Joaquim e Sant`Ana.
     Agora, o nome Joaquim é apenas uma variação de Heli ou Eliachim, substituindo um nome divino (Yahweh) pelo outro (Eli, Elohim). A tradição dos pais de Maria, encontrada no Evangelho de Tiago, é reproduzida por São João Damasceno [4], São Gregório de Nyssa [5], São Germânio de Constantinopla [6], pseudo-Epifânio [7], pseudo-Hilarius [8], e São Fulbert de Chartres [9]. Alguns desses escritores acrescentam que o nascimento de Maria foi obtido pelas orações fervorosas de Joaquim e Ana em sua idade avançada. Como Joaquim pertencia à família real de Davi, então Ana deveria ter sido descendente da família sacerdotal de Arão; assim Cristo, o Rei Eterno e Sacerdote surgiu de uma família real e sacerdotal [10].

O Poço de Maria (ou "A Nascente da Virgem Maria") foi a principal fonte de água da cidade em Nazaré. Alguns acreditam que era aqui que Maria tomava banho com Jesus e lavava suas roupas e que Nosso Senhor viria buscar água para Nossa Senhora.
 
A cidade natal dos pais de Maria
      De acordo com Lucas 1:26, Maria morava em Nazaré, cidade da Galileia, na época da Anunciação. Uma certa tradição sustenta que ela foi concebida e nascida na mesma casa em que a Palavra se tornou carne [11].
     Outra tradição baseada no Evangelho de Tiago considera Sephoris como a primeira casa de Joaquim e Ana, embora se diga terem vivido mais tarde em Jerusalém, em uma casa chamada por São Semônio de Jerusalém [12] Probatica. Probatica, um nome provavelmente derivado da proximidade do santuário para a piscina chamada Probatica em João 5:2. Foi ali que Maria nasceu. Cerca de um século depois, por volta de 750 d.C., São João Damasceno [13] repete a afirmação de que Maria nasceu na Probática.

Igreja de Santa Ana em Jerusalém. A igreja é dedicada a Santa Ana e São Joaquim, que segundo a tradição viviam aqui, e ao local onde Nossa Senhora nasceu, em uma caverna que está localizada sob a basílica. Uma seção da basílica fica sobre a Piscina de Bethesda.
    
     Diz-se que, já no século V, a imperatriz Eudóxia construiu uma igreja sobre o lugar onde Maria nasceu, e onde seus pais viviam na velhice. A atual Igreja de Sant`Ana fica a uma distância de apenas cerca de 100 pés da piscina Probática. Em 1889, no dia 18 de março, foi descoberta a cripta que inclui o suposto túmulo de Sant`Ana. Provavelmente este lugar era originalmente um jardim no qual Joaquim e Ana costumavam descansar. Naquela época estava fora dos muros da cidade cerca de 400 pés ao norte do Templo. Outra cripta perto do túmulo de Sant`Ana é o suposto local de nascimento da Virgem; portanto, nos primórdios a igreja se chamava Santa Maria da Natividade [14]. No Vale do Cedron, perto da estrada que leva à Igreja da Assunção, há um pequeno santuário contendo dois altares que dizem estar sobre os locais de enterro dos Santos Joaquim e Ana, mas essas sepulturas pertencem à época das Cruzadas [15]. Em Sephoris também os Cruzados substituíram por uma grande igreja um antigo santuário que ficava sobre a lendária casa dos Santos Joaquim e Ana. Após 1788, parte desta igreja foi restaurada pelos Franciscanos.
 
[1]São Lucas (2:4) diz que São José foi de Nazaré a Belém para ser registrado pelo censo, "porque ele era da casa e da família de Davi". Como se para excluir toda a dúvida sobre a descendência de Maria, o Evangelista (1:32, 69) afirma que a criança nascida de Maria sem a intervenção do homem deve receber "o trono de D[1] cf. Tertullian, de carne Christi, 22; P.L., II, 789; St. Aug., de cons. Evang., II, 2, 4; P.L., XXXIV, 1072.
[2] Cf. St. Ignat., ad Ephes, 187; St. Justin, c. Taryph., 100; St. Aug., c. Fausto, xxiii, 5-9; Bardenhewer, Maria Verkundigung, Freiburg, 1896, 74-82; Friedrich, Die Mariologie des hl. Augustinus, Cöln, 1907, 19 sqq.
[3] Jans., Hardin., etc.
[4] hom. I. de nativ. B.V., 2, P.G., XCVI, 664
[5] P.G., XLVII, 1137
[6] de praesent., 2, P.G., XCVIII, 313
[7] de laud. Deipar., P.G., XLIII, 488
[8] P.L., XCVI, 278
[9] em Nativit. Deipar., P.L., CLI, 324
[10] cf. Ago., Consens. Evang., l. II, c. 2
[11] Schuster e Holzammer, Handbuch zur biblischen Geschichte, Freiburg, 1910, II, 87, nota 6
[12] Anacreont., XX, 81-94, P.G., LXXXVII, 3822
[13] hom. Eu em Nativ. B.M.V., 6, II, P.G., CCXVI, 670, 678
[14] cf. Guérin, Jérusalem, Paris, 1889, pp. 284, 351-357, 430; Socin-Benzinger, Palästina und Syrien, Leipzig, 1891, p. 80; Revue biblique, 1893, pp. 245 sqq.; 1904, pp. 228 sqq.; Gariador, Les Bénédictins, I, Abbaye de Ste-Anne, V, 1908, 49 m².
[15] cf. de Vogue, Les églises de la Terre-Sainte, Paris, 1850, p. 310
(CFR. Enciclopédia Católica)
https://nobility.org/2013/12/30/mary/

segunda-feira, 28 de dezembro de 2020

Santa Melânia, a jovem – 31 de dezembro

     

     M
elânia Valéria nasceu em 383, filha de nobilíssima família senatorial romana. Desejava se consagrar a Deus, mas, aos 14 anos seus pais casaram-na com Valério Piniano. Com esse casamento reuniam-se dois ramos de uma das maiores famílias do Império Romano (ela, filha de Valério Publicola, da família Valéria, e de Ceionia Albina, da família Ceionia; ele, seu primo, também da família Valéria), conservando-se também o patrimônio mais rico existente na aristocracia romana.
     Depois de terem filhos que morreram em tenra idade, os dois esposos decidiram viver em castidade. Melânia resolveu desfazer-se de seus bens para se dedicar inteiramente à oração e ao estudo dos Livros Sagrados. Mas, foram precisos anos para que ela conseguisse doar sua fortuna, definida por um autor como mundial.
     De fato, além de joias, prataria e preciosidades artísticas, Melânia possuía bens na Itália, Sicília, Gália, Espanha, África Proconsular, Numídia, Mauritânia, Mesopotâmia, Síria, Palestina e Egito. Sua fortuna era tão grande, que um palácio em Roma ficou sem comprador por não se achar quem tivesse dinheiro para o adquirir. Ela deu liberdade a oito mil escravos que tinha herdado.
     O próprio Senado romano levantou objeções ao que ele considerava esbanjamento, mas a Santa persistiu em seu intento, tendo-o levado a cabo após anos e anos de luta.
     À medida que ia vendendo seus bens, Melânia erguia mosteiros, protegia os pobres, fazia doações às igrejas e resgatava prisioneiros. Isto obrigava a Santa a viajar muito, e ela procurava fixar residência em lugares onde o Bispo era homem de vida santa e conhecedor das Escrituras, tendo assim mantido contato com grandes santos de sua época.
     Em 406, ela se transferiu para Nola a fim estar em contato com São Paulino, seu parente distante; dois anos depois, devido à invasão dos bárbaros, mudou-se para sua propriedade da Sicília. Em 410, emigrou para a África, onde conheceu Santo Agostinho.
     Cercada de uma centena de servos, e na companhia do esposo e da mãe, Albina, que a seguiam em suas peregrinações, formando uma espécie de comunidade monástica, decidiu-se fixar em Jerusalém, passando antes pelo Egito para prestar homenagem aos monges de quem era grande admiradora.
Ermida da Santa
em Jerusalém
     
Em Jerusalém, desejou ter uma vida eremítica mais rígida (a avó, Santa Melânia, a Anciã, havia fundado um mosteiro na cidade), fazendo construir para si uma pequena cela no Monte das Oliveiras, sede de outros ascetas, aonde levou uma vida de austeras penitências, entregando-se à oração, ao jejum e ao estudo das Escrituras.

     Depois de um certo tempo, fundou, numa região isolada, um mosteiro feminino. Alguns anos depois, um masculino. O regulamento da comunidade, disposto pela própria Santa, tomava como modelo o monasticismo egípcio e notava-se uma influência Ocidental na liturgia.
     Ela escreveu muito, e realizou também notável trabalho de copista devido ao seu grande conhecimento de latim e grego. Incentivou a reza do Ofício Divino durante a noite e foi orientadora espiritual de muitos mosteiros femininos. Seu mosteiro resistiu até o ano 614, quando foi destruído pelos persas.
     Santa Melânia, morreu em 31 de dezembro de 439, em Jerusalém, e teve sua vida minuciosamente relatada por seu filho adotivo e discípulo espiritual, o monge Geroncio. Considerada uma das grandes figuras de sua época, mereceu grande elogio de São Jerônimo, que a citava como exemplo para suas dirigidas. Santo Agostinho dedicou-lhe seu livro Sobre a Graça e Pecado (De Gratia et Peccato).
     Ela distribuiu bens que todos procuram, isto é, as riquezas, e procurou bens que muitos menosprezam, como a pobreza e o convívio com os Santos. Ela poderia ter se santificado no estado de grande dama romana, já que grandes damas - rainhas e imperatrizes - se santificaram nesse estado, mas Santa Melânia tinha uma vocação especial: atrair outras damas de seu tempo para uma perfeição maior.
     O culto de Santa Melânia, a Jovem, foi muito difundido no Oriente. Ela foi quase desconhecida na Igreja Católica por muitos anos. Ela recebeu maior atenção desde a publicação de sua vida pelo Cardeal Mariano Rampollo em Roma em 1905. Em 1908, o papa São Pio X (r. 1903–1914) conferiu-lhe ofício na congregação do clero em Somarcha. Isso pode ser considerado como o começo de um zeloso culto eclesiástico. A vida de Melânia foi envolta em obscuridade até quase os dias atuais; muitas pessoas confundiram-na inteiramente ou parcialmente com sua avó homônima. O conhecimento preciso de sua vida provém da descoberta de dois manuscritos: o primeiro, em latim, foi encontrado por Rampollo no Escorial em 1884; o segundo, uma biografia em grego, está na Biblioteca Barberini. Rampollo publicou ambas as descobertas no Vaticano.
 
Túmulo de Santa Melânia em Jerusalém

“As medidas tomadas por Melânia e seu esposo Piniano liquidaram uma das maiores fortunas de seu tempo, e com o produto das vendas socorreram os pobres e a Igreja”. 1
“O caso de Melânia e Piniano serve para ilustrar o quanto o Cristianismo havia conquistado a alta sociedade do Baixo Império, revelando ‘o desprendimento que muitas famílias aristocráticas fazem de suas riquezas em razão de um valor cristão em ascensão: a prática da caridade através da esmola”. 2
 
1. Blázquez Martinez, Aspectos del ascetismo de Melânia a Jovem, Disponível em http://descargas.cervantesvirtual.com/servlet/SirveObras/09259517522450484410046/028099.pdf?incr=1 – pg. 14
2. Id. Ib., p. 15, in Gustavo Antônio Solimeo – Plinio Maria Solimeo, Santo Agostinho – Sua época, sua vida, sua obra, Petrus, São Paulo, 2009, p. 154.
 
 
Etimologia: Melânia = Nome de origem grega "Melanios", de "Melas", que significa negro, escuro, de tez escura, moreno, preto".  Espécie de tecido ondeado, de lã ou seda. Nome comum a um grupo de moluscos gastrópodes, da família dos Melaniídeos, cuja concha tem coloração escura.
 
Fontes:
https://ec.aciprensa.com/wiki/Santa_Melania_la_Joven
http://www.preguntasantoral.es/2012/12/santa-melania-la-joven/
https://www.abim.inf.br/duas-concepcoes-de-riqueza/

domingo, 27 de dezembro de 2020

Beata Cecília Butsi e companheiros mártires da Tailândia - 26 de dezembro

     
     Cecília Butsi, filha de Amado Sinuen e Ágata Thep, nasceu em Song-Khon em 16 de dezembro de 1924. Foi batizada dois dias após seu nascimento. Ela trabalhava na cozinha da missão do convento das freiras da Congregação das Amantes da Cruz e tinha um caráter alegre e corajoso.
     Quando tinha quinze anos, em agosto de 1940, um grupo de gendarmes chegou a Song Khon de barco através do Mekong. Depois de perceber que os habitantes professavam uma religião estrangeira, eles pressionaram para que eles abjurassem.
     Em 29 de novembro, o padre francês encarregado da missão foi expulso, mas graças ao incentivo do catequista Filipe Siphong Onphitak e de duas freiras da Congregação das Amantes da Cruz, as Irmãs Agnes Phila e Lúcia Khambang, todos os membros da comunidade permaneceram firmes na fé.
     Na noite de 16 de dezembro, Filipe foi traiçoeiramente morto por Lu, um dos gendarmes que o escoltava até Mukdahan, de acordo com ordens recebidas em uma carta. Na verdade, era parte de um plano para eliminá-lo.
     Na noite seguinte, a notícia se espalhou em Song Khon, causando grande tristeza. Os soldados, esperando a conversão imediata dos fiéis, não tinham calculado a presença das Irmãs Lúcia e Inês, que entenderam que logo sua hora também chegaria para dar o testemunho extremo.
     Lu tentou por todos os meios convencer as freiras a abandonar sua religião, mas falhou. Na véspera de Natal, ele convocou toda a aldeia em frente à igreja, para comunicar a ordem recebida: destruir a religião cristã ao custo de matar seus fiéis.
     Cecília avançou declarando-se cristã e pronta para morrer. Ela foi repreendida por sua mãe por essa audácia, mas pouco depois, junto com outras meninas, ela foi ao convento das freiras, onde havia outros fiéis preparando-se com eles para morrer, rezando e cantando. Irmã Inês, por outro lado, escreveu uma carta a Lu, dizendo que estavam prontos para morrer para não negar sua fé.
     Lu então voltou ao convento no início da tarde de 26 de dezembro, perguntando: "Então, seu Deus, vocês o abandonam, sim ou não?" Todas responderam: "Não, nunca vamos abandoná-lo". Lu ordenou que o seguissem até o rio Mekong, mas a Irmã Inês pediu para morrer em um lugar mais adequado, ou seja, no cemitério.
     Com ela ficou Irmã Lúcia, a cozinheira do convento, Ágata Phutta, e as meninas que não tinham fugido nesse meio tempo. Elas se alinharam, cantando músicas e mostrando alegria. Os aldeões as seguiram, mas os soldados enviaram de volta aquelas que queriam estar perto deles.
     O pai de uma das meninas, Suwan, fez com que a levassem de volta, mas ela se agarrou à Irmã Inês, pedindo-lhe ajuda. O homem conseguiu arrancá-la dela e trancou-a em um quarto.
     Chegando ao cemitério, as mulheres condenadas ajoelharam-se junto a um tronco de árvore caído e continuaram a rezar e a cantar. Irmã Inês, de frente para os membros do pelotão de fuzilamento, agradeceu-lhes por enviá-la e às outras para o Céu, de onde elas rezariam por eles.
     Os policiais abriram fogo, ordenando que os aldeões enterrassem os corpos como se fossem cães. Maria Phon, uma das meninas que voluntariamente tinha ido ao convento, ficou gravemente ferida e foi resgatada; a Irmã Inês enviou mensagem à polícia dizendo que elas ainda não tinham morrido. Então eles voltaram e deram o golpe de misericórdia.
     Irmã Lúcia, Ágata, Cecília e Viviana Hampai morreram no local. Havia uma sobrevivente, a muito jovem Sorn: ela foi a última na fila e as balas não a tocaram. Ela voltou para a aldeia, onde se tornou catequista.
     Os corpos das outras seis foram enterrados no mesmo cemitério que foi o local de seu martírio, onde os restos mortais do catequista Filipe também foram recuperados, encontrados apenas em 1959.
     O inquérito diocesano para a causa da beatificação e canonização da Irmã Inês e de seus companheiros ocorreu em 23 de novembro de 1983. A partir de 27 de setembro de 1985, sua causa foi acompanhada por Philip Siphong Onphitak.
     Em 27 de fevereiro de 1986, foi emitido o decreto que valida o processo de informação e o inquérito diocesano. O "Positio super mártir", entregue em 1988, foi examinado pelos consultores teológicos da Congregação para as Causas dos Santos, que em 11 de março de 1988 deu sua opinião positiva, confirmada, em 21 de junho, por cardeais e bispos membros da mesma Congregação.
     Em 1º de setembro de 1988, o Papa João Paulo II autorizou a promulgação do decreto pelo qual Filipe, Irmã Inês e companheiras foram oficialmente reconhecidos como mártires. O mesmo Pontífice os beatificou na Basílica de São Pedro, em Roma, em 22 de outubro de 1989.
     O memorial litúrgico de todos os sete estava marcado para 16 de dezembro, o dia do nascimento de Filipe no Céu, mas o Martirológio Romano lembra Cecília e companheiras no dia 26 do mesmo mês, dia de seu martírio.
     Os restos mortais dos sete mártires são venerados no Santuário de Nossa Senhora dos Mártires da Tailândia em Song Khon.

Inês Phila, religiosa
Ban Nahi (Tailândia), 1909 – Song-khon (Tailândia) 26 de dezembro de 1940
     Inês Phila (no século Margarida) nasceu em 1909 na aldeia pagã de Ban Nahi, filha de Joaquim Thit Son e Ana Chum. A família emigrou para a vila cristã de Viengkhuk, onde a beata recebeu o batismo em 1924. Sua madrinha foi a tia da famosa Irmã Lúcia de Fatima. Em 7 de dezembro de 1924 entrou na Congregação das Irmãs Amantes da Cruz, em Siengvang (Laos). Dois anos depois, em 26 de novembro de 1926 postulou, e em 10 de novembro de 1927, com o nome de Irmã Inês, entrou no noviciado, tendo professado em 16 de novembro de 1928. Em 1932 foi enviada como professora à escola de Song-khon, onde foi assassinada em 26 de dezembro de 1940.
 
Lúcia Khambank, religiosa
Viengkhuk (Tailândia) 22 de janeiro de 1917 – Song-khon (Tailândia) 26 de dezembro de 1940
     Lúcia Khambang nasceu na aldeia cristã de Viengkhuk em 22 de janeiro de 1917, filha de Santiago Da e Maria Mag Li. Foi batizada no dia 10 de março seguinte e em 4 de junho de 1925, com a idade de oito anos, recebeu o sacramento da Confirmação e fez sua 1ª. Comunhão. Em 3 de setembro de 1931 entrou na Congregação das Irmãs Amantes da Cruz. Postulante durante três anos, começou seu noviciado em 18 de outubro de 1935, etapa que durou dois anos. Realizou sua profissão em Siengvang (Laos) no dia 15 de outubro de 1937. Em princípios de 1940 foi enviada como professora para Song-khon, onde foi assassinada em 26 de dezembro. Tinha somente 23 anos de idade.
 
Ágata Phutta, leiga
Bi Ban Keng Pho (Tailândia), 1881 - Song-khon (Tailândia) 26 de dezembro de 1940
     Ágata Phutta nasceu na vila de Bi Ban Keng Pho em 1881; sua família era pagã. Filha única, se converteu ao cristianismo quando tinha 30 anos de idade e foi batizada e confirmada em 3 de março de 1918 em Siengvang. Solteira, decidiu ajudar as obras missionárias colaborando nas cozinhas das missões de Song-khon, Mong Seng, Pkasè, e finalmente voltou para Song-khon, onde vivia quando foi assassinada em 26 de dezembro de 1940. Tinha 59 anos de idade.
 
Bibiana Khampay, jovem leiga
Song-khon (Tailândia) 4 de novembro de 1925 - Song-khon (Tailândia) 26 de dezembro de 1940
     Bibiana Khamphay nasceu no dia 4 de novembro de 1925 em Song-khon, filha de Benito Lon e Mônica Di. Foi batizada e confirmada menos de dois meses depois, em 28 de dezembro. Adolescente de conduta intocável, boa cristã, assídua nos sacramentos, frequentava a missão de Song-khon, também foi assassinada no dia 26 de dezembro de 1940, menos de dois meses após ter completado 15 anos de idade
 
Maria Phon, jovem leiga
Song-khon (Tailândia) em 6 de janeiro de 1925 - Song-khon (Tailândia) 26 de dezembro de 1940
     Maria Phon nasceu em Son-khon no dia 6 de janeiro de 1926; seus pais eram João Batista Tàn e Catarina Pha. Foi batizada e confirmada seis dias apenas após seu nascimento. Vivia com uma tia chamada Maria, frequentava a missão local. Particularmente assídua à Eucaristia e aos demais sacramento, também foi assassinada no dia 26 de dezembro, quando não havia completado ainda 15 anos.
 
Fontes:
www.santiebeati/it  Autor: Don Fabio Arduino e Emilia Flocchini
Referência: PrelaturaAyaviri.org. http://es.catholic.net/  

Postado neste blog em 26 de dezembro de 2016

terça-feira, 22 de dezembro de 2020

Beata Cherilde, Reclusa de S. Jorge – 23 de dezembro

           A Beata Cherilde se retirou como solitária em uma cela da Igreja de São Jorge próxima de St. Gallen (São Galo), na Suíça. Esta cela fora habitada anteriormente por Santa Viborada (*), a primeira mulher oficialmente proclamada santa pela Igreja. A Beata Cherilde viveu nesta condição por muitos anos, dedicada à oração e ao ascetismo.
     Temos poucas informações sobre a vida desta beata, mas conhecendo a vida de Santa Viborada, podemos ter uma ideia do que estas mulheres reclusas significaram a certa altura da vida da Santa Igreja.
     Ela morreu em 23 de dezembro de 952. Seu nome aparece no Obituário dos Santos e dos Bem-aventurados enterrados em St. Gallen.
     A festa da Beata Cherilde ocorre no aniversário de sua morte, no dia 23 de dezembro.
 
 
     (*) Esta santa beneditina e mártir foi a primeira mulher formalmente canonizada pelo Vaticano. Seu
vita foi escrita em 1075 por Erimano, um monge de St. Gallen.
     Sankt Gallen, Saint-Gall ou São Galo é a capital do cantão Sankt Gallen, na Suíça. A cidade tem aproximadamente 75 mil habitantes, conta com fácil comunicação com o resto do país e com os países vizinhos, Alemanha e Áustria, e serve de ligação com a área das montanhas Appenzell.
     A sua principal atração turística é a Abadia de Sankt Gallen, fundada no século VII, cuja biblioteca contém livros que datam do século IX. Foi graças a ela que a cidade de Sankt Gallen surgiu.
     Sua história remonta à ermida de São Galo, monge irlandês discípulo de São Columbano, que viveu de 550 a 630. Em 612, São Galo (Gallech em irlandês) transferiu-se com São Columbano para o continente, onde viveram próximo a Luxueil e a Bregenz. Ali São Galo dedicou-se a vida eremítica, enquanto São Columbano foi para a Itália, onde fundou a Abadia de Bobbio. Mais tarde São Galo transferiu-se com alguns companheiros para oeste de Bregenz, fixando-se próximo à nascente do rio Steinach, onde morreu entre os anos 630 e 645.
     Sobre o túmulo de São Galo foi edificada uma igreja, e por volta do ano 720 o padre alemão Othmar (Osmano ou Osmar) construiu uma abadia no local, dando a ela o nome do Santo. A abadia tornou-se custódia dos restos mortais daquele Santo e de seu culto.
     No século XVI as relíquias de São Galo foram queimadas quase por inteiro pelos hereges que conquistaram a cidade que se desenvolvera em torno da abadia. Mas, o culto de São Galo continua vivo no leste da Suíça, no sudoeste da Alemanha e na Alsácia.
     É importante conhecermos a história da Abadia de São Galo, para entendermos a história de Santa Viborada (Weibrath).
     A vida desta reclusa é narrada em duas biografias: uma escrita entre 993 e 1047 pelo monge de São Galo, Hartman, e outra escrita entre 1072 e 1076 pelo monge Erimano. Além disso, Viborada é recordada em documentos da célebre Abadia.
     Viborada nasceu em data incerta, no fim do século IX, em uma nobre família alemã da região de Turgovia, atual cantão da Suíça.
     Graças a seus conselhos, seu irmão Ito tornou-se sacerdote da Igreja de São Magno, e mais tarde monge em São Galo. Viborada transformou sua casa em um hospital para os doentes pobres que seu irmão lhe trazia.
     Tendo ficado órfã, retirou-se como solitária em uma cela próxima da Igreja de São Jorge, onde permaneceu de 912 a 916, dedicando-se à oração e aos exercícios ascéticos, preparando-se para a vida de reclusa. No ambiente ocidental, esta prática de ascetismo feminino continuava a vida eremítica dos primeiros séculos. A reclusa vivia geralmente próxima de uma comunidade monástica, da qual recebia um pouco de alimento e assistência espiritual.
     Em 916, Viborada foi enclausurada numa cela junto da Igreja de São Magno, sob a orientação do Bispo-abade de São Galo, Salomão III (890-920). Ela foi certamente uma das primeiras eremitas cuja existência é comprovada historicamente. Viveu nestas condições por 10 anos, dedicada à oração e ao ascetismo, ocupando-se também de trabalhos de encadernação para a biblioteca da abadia.
     Muitos visitantes vinham vê-la, atraídos pela fama de seus milagres e profecias. Outras reclusas desejavam se estabelecer perto dela, mas apenas uma delas foi admitida. Esta era uma mulher chamada Rachildes, uma sobrinha do Beato Notker (**). Ela foi trazida para Santa Viborada sofrendo de uma doença que os médicos tinham declarado incurável. Tendo sido curada pelos ministérios da reclusa, ela nunca pode deixar sua benfeitora.
     Sendo Viborada dotada do dom da profecia, muitos eram atraídos por sua austeridade e bons conselhos. O Bispo Ulrico de Augusta (923-973) buscou seu conselho numa situação controvertida com a comunidade de São Galo. Em outra ocasião, aconselhou o Abade Engilberto (925-933) a pôr a salvo os monges e os tesouros da Abadia de São Galo, pois profetizava a invasão dos húngaros.
     No início de 926, devido às suas contínuas admoestações, os manuscritos mais preciosos foram transferidos para o mosteiro de Reichenau, no Lago de Constança.
     Os magiares, população pagã conhecida também como ‘húngaros’, fizeram incursões devastadoras nos países ocidentais, especialmente na Alemanha, até a metade do século X. Foram vencidos por Otão I, Imperador da Alemanha, em 955. A conversão destes pagãos ao cristianismo se iniciou em 973, sendo totalmente convertidos pelo Rei Santo Estevão I (997-1038).
     A 1º de maio de 926, os húngaros invadiram a região da Abadia de São Galo. Viborada recusara-se a deixar sua ermida e foi morta pelos invasores. Foi solenemente sepultada a 8 de maio, no local em que vivera reclusa. Vinte anos depois, em 946, os seus restos mortais foram transferidos para a Igreja de São Magno.
     Rachildes não foi morta e viveu mais 21 anos, durante os quais sua doença retornou. Ela passou o resto da vida aprendendo a ter paciência através do sofrimento.
     Santa Viborada foi canonizada nos primeiros dias de janeiro de 1047 pelo Papa Clemente II, na presença do Imperador da Alemanha Henrique III. Com São Galo e Santo Osmar, fundador da Abadia de São Galo, Santa Viborada é uma das três estrelas dos santos sangalenses.
     Na iconografia, a Santa é representada com o hábito de monja beneditina, cuja regra era seguida pelos monges da Abadia de São Galo, com um livro que simboliza o dom da profecia, e uma alabarda, instrumento com que foi torturada e morta pelos invasores pagãos.
     Sua festa litúrgica é 2 de maio.
 

Abadia de São Galo, Suíça 

Postado neste blog em 1 de maio de 2013
 
(**) Beato Notker, o Gago, O.S.B. (em latim, Notker Balbulus), conhecido ainda como Notker I, Notker, o Poeta e Notker de São Galo, foi um músico, poeta e monge beneditino na Abadia de São Galo, no território da moderna Suiça. É geralmente creditado como sendo o "monge de São Galo" ("Monachus Sangallensis") que assinou a obra "De Carolo Magno", um livro o imperador Carlos Magno. Notker completou a "Crônica" de Ercanberto, organizou um Martirológio, compôs uma biografia em verso de São Galo e foi autor de inúmeras obras
     O Beato Notker atuava principalmente como professor e demonstrou um gosto refinado como poeta e escritor. Eceardo IV (Ekkehard IV), o biógrafo dos monges de São Galo, elogia Notker descrevendo-o como "de corpo delicado, mas não a mente, gago da língua, mas não do intelecto, avançando corajosamente nas coisas divinas, um veículo do Espírito Santo sem igual em seu tempo". Notker morreu em 912 e foi beatificado em 1512.
 

quinta-feira, 17 de dezembro de 2020

Santa Olímpia, Viúva – 17 de dezembro

 
 
   Vários documentos históricos importantes e contemporâneos citam ou descrevem esta santa da hagiografia grega. Além disso, existem 17 cartas que São João Crisóstomo enviou a ela do exilio.
     Olímpia nasceu por volta de 361 em uma família abastada de Constantinopla, era filha de Seleuco e Alexandra, neta de Ablávio. Seu avô gozava da estima do imperador Constantino e fora prefeito do Oriente por quatro vezes; seu pai era nobre do palácio.
     Ficando órfã bem jovem, foi confiada a Teodósia, mulher de grande cultura e sentimentos cristãos, irmã do Bispo de Icônio, Santo Anfiloco, muito estimada por São Basílio e São Gregório Nazianzeno, Doutores da Igreja. São Gregório de Nissa lhe dedicou um comentário do “Cântico dos Cânticos”. Assim, desde muito cedo Olímpia foi instruída sobre as Sagradas Escrituras. Imitando Santa Melânia, se dedicou à mortificação; e embora sendo rica, instruída e nobre pudesse aspirar a uma brilhante posição na corte, dela se afastou.
     No ano de 384-85, casou-se com Nebridio, que foi prefeito de Constantinopla em 386, mas vinte meses depois seu esposo morreu. O imperador Teodósio o Grande desejava que ela se casasse novamente e tinha um pretendente: seu primo Helpídio. Olímpia recusou-se a contrair novo matrimônio e Teodósio, para vencer sua resistência, sequestrou todos os seus bens. Sua fortuna incluía propriedades na Trácia, Galácia, Capadócia e Bitínia, bem como casas e vilas em e no entorno de Constantinopla.
     O imperador fez uma longa viagem e ao voltar, três anos depois, ficou tão impressionado com as informações sobre sua vida santa e repleta de humildade e caridade, que restituiu os bens a ela.
     Foi então que Olímpia pode fundar algumas obras de caridade, entre elas um grande recolhimento para acolher eclesiásticos de passagem e viajantes pobres. O Bispo Netário (381-397), contrariando o costume da época, nomeou-a diaconisa aos 30 anos, dignidade que então se dava somente às viúvas de 60 anos, e recorria aos seus conselhos cheios de sabedoria e ciência.
     Olímpia fundou, sob o pórtico sul de Santa Sofia, um mosteiro cujas religiosas pertenciam às melhores famílias de Constantinopla, entre elas suas três irmãs: Elisância, Martiria e Paládia, e uma sobrinha também de nome Olímpia. No início eram cerca de 50 religiosas, que logo se tornaram 250.
     Quando no início do ano 398 São João Crisóstomo chegou à cidade como Patriarca de Constantinopla, encontrou o fervor enfraquecido tanto nos fiéis como nos religiosos, inclusive a corte se tornara mundana com a presença de Eudóxia, mulher do imperador do Oriente. Mas se consolou vendo o mosteiro de Olímpia, formado de almas bem dispostas e que serviam de modelo.
     Entre o arcebispo e Olímpia se estabeleceu uma profunda amizade; ela tornou-se uma colaboradora valiosa na renovação espiritual por ele iniciada. Possuidora de grandes riquezas e propriedades, grande foi sua generosidade doando a São João Crisóstomo ouro e prata para a sua igreja de Santa Sofia. Ela se esforçava para ajudá-lo em tudo, desde o alimento até o vestuário.
     Mas tudo isto atraiu também sobre ela o rancor daqueles que pretendia atrapalhar a obra reformadora do arcebispo.
     A imperatriz Eudóxia, esposa de Valentiniano III, apoiadora dos arianos, destituiu o Santo do patriarcado, colocando em seu lugar um intruso. Dois bispos dissidentes haviam obtido um decreto de exílio contra São João Crisóstomo, que em meio ao tumulto dos fiéis e das religiosas, teve que deixar Santa Sofia, e foi conduzido por soldados a Cucusa, entre os montes da Armênia.
     Como Olímpia saíra em defesa do patriarca, negando-se a reconhecer o novo arcebispo, se tornou também alvo da perseguição.
     No mesmo dia da partida do Santo, 30 de junho de 404, um incêndio destruiu o episcopado e grande parte da igreja e do senado. Os fiéis do arcebispo foram acusados e inclusive Olímpia foi levada diante do prefeito da cidade, Optato. Acusada do incêndio, ela se defendeu dizendo que havia doado valores consideráveis para a construção da igreja e não tinha nenhuma razão para queimá-la.
     Optato ofereceu deixá-la, bem como as suas religiosas, em paz, se reconhecesse o novo bispo Arsácio, o que Olímpia recusou. Foi condenada a pagar uma grande quantia como multa e depois, no ano de 405, se retirou voluntariamente em Cizico.
     A perseguição contra os seguidores de São João Crisóstomo continuou e Olímpia foi novamente processada pelo prefeito e exilada na Nicomédia.
     Naqueles anos manteve uma correspondência com o bispo exilado na Armênia, interessando-se por sua saúde, enviando-lhe dinheiro para os pobres da região e para o resgate de pessoas cativas. Por sua vez, São João Crisóstomo a exortava a banir a tristeza e a fazer nascer a alegria espiritual que despreza as coisas do mundo e eleva a alma, recomendando-lhe sustentar os seus amigos, que sofriam a perseguição por causa dele.
     Olímpia faleceu por volta de 408, em uma data não documentada. Segundo o escritor Paládio, “os habitantes de Constantinopla a colocam entre os confessores da fé, porque ela morreu e retornou ao Senhor entre as batalhas suportadas por Deus”; antigamente os confessores eram os mártires.
     As religiosas de seu mosteiro foram dispersas em 404, quando foram mandadas para o exílio; se reuniram somente em 416, sob a direção de Honorina, parente de Olímpia, quando os seguidores de São João Crisóstomo se reconciliaram com os seus sucessores; o mosteiro foi destruído no incêndio de Santa Sofia, em 532, retornaram depois, quando Justiniano o reconstruiu.
     As relíquias de Santa Olímpia, que tinham sido levadas da Nicomédia para a igreja de São Tomás, no Bósforo, se perderam durante o incêndio da igreja quando das incursões dos persas (616-626). A superiora Sérgia teve a graça de reencontrá-las entre os escombros e transportou-as para o interior do mosteiro. Depois disto, não se teve mais notícias delas.
     No Oriente Santa Olímpia é celebrada nos dias 24, 25 e 29 de julho; no Martirológio Romano ela é celebrada no dia 17 de dezembro. E está entre os 140 santos nas colunas que adornam a Praça de São Pedro, no Vaticano.
 
Etimologia: Olímpia = que habita no Olimpo, sede dos deuses
 
Postado neste blog em 16 de dezembro de 2012