sexta-feira, 12 de novembro de 2021

Santa Maxelenda, Virgem e mártir – 13 de novembro


Martirológio Romano: No território de Cambrai na França, Santa Maxelenda, virgem e mártir, que, tendo escolhido Cristo como esposo, recusou seguir o homem a quem fora prometida por seus pais e, assim, morreu transpassada pela espada. († 670)
 
 
     Santa Maxelenda, segundo um relato do século X, nasceu em Caudry, próximo à Cambrai; seus pais, Huinlino e Ameltrudes eram nobres.  Santo Alberto era então Bispo de Cambrai. Seu pai era conhecido tanto por suas qualidades pessoais como por sua grande riqueza.
     Maxelenda desde pequena demonstrava grande piedade. Ela costumava isolar-se para rezar. Atingindo a idade de 20 anos, não faltaram pretendentes, mas os pais haviam escolhido para ela Harduin d’Armeval, futuro senhor de Solesmes, que era pagão.
     Quando a jovem levou ao conhecimento dos pais que seus projetos eram outros, estes tentaram persuadi-la a servir a Deus como esposa e mãe, como não poucas santas da história haviam feito. Maxelenda pediu um tempo para pensar, mas um anjo lhe aparece para confirmar a sua escolha e então ela informou ao pai que desejava tornar-se monja.
     Entretanto, os pais também se mostraram decididos e iniciaram os preparativos para o casamento, mesmo contra a sua vontade. Para evitar a cerimônia, Maxelenda foi obrigada a se refugiar com sua ama perto de Cateau-Cambresis, mas Harduin e seus amigos descobriram seu esconderijo e tentaram raptá-la. A jovem felizmente conseguiu fugir e já estava escapando quando o esposo prometido a golpeou furiosamente com a espada, matando-a. Imediatamente Harduin ficou cego.
     Maxelenda foi sepultada na igreja de Saint-Sulpice de Pommereul, mas em virtude dos numerosos milagres verificados junto a sua sepultura, em 673 o Bispo de Cambrai e de Arras, Vindiciano, fez transladar suas relíquias para a igreja de Saint-Vaast de Caudry.
     Harduin, que havia pedido para participar da procissão, caiu de joelhos quando da passagem de suas relíquias. Arrependendo-se de seu crime e pedindo perdão a Deus, recuperou no mesmo instante a visão.
     Ainda hoje Santa Maxelenda é festejada na Diocese de Cambrai no dia 13 de novembro. Santa Maxelenda é patrona dos cegos e dos habitantes de Caudry.
 
Basílica de Santa Maxelenda
     A construção desta imponente basílica, nos anos 1830, revela a importância da veneração dedicada à Santa em Caudry.
     O edifício, em estilo gótico, foi edificado segundo planos do arquiteto Luís Cordonnier, entre 1887 e 1890. Local de peregrinação dos cegos e daqueles que têm pouca visão, ela foi elevada a basílica menor por um breve pontifício de 3 de setembro de 1991. No interior, capelas dedicadas à Nossa Senhora do Rosário e à Santa Maxelenda, com o relicário da Santa.
 
Oração:
     Santa Maxelenda, virgem e mártir, tu que curaste teu assassino que ficara cego, guardai nosso precioso dom da visão, curai aqueles que dela estão privados, ou que estão em risco de perdê-la. Obtenha sobretudo a luz do espírito e do coração para que caminhemos sempre nas vias do Evangelho. Tu que desejavas te consagrar a Deus, instrui aqueles que buscam sua vocação nesta terra. Que com a ajuda de tua oração eles encontrem a paz e realizem sua vocação. Amém.
 
Etimololgia: Maxelenda, derivado do latim Maximus: “o maior”, “o máximo”, e talvez acrescido da abreviação “linda” de nomes como Ermelinda, Deolinda.
 
Fontes: www.santiebeati;itBook of Saints, by the Monks of Ramsgate; Wikipedia
 
Postado neste blog em 12 de novembro de 2016
 

terça-feira, 9 de novembro de 2021

Beata Maria Crucificada Satéllico, Abadessa - 8 de novembro


Martirológio: Em Ostra Vétere, no Piceno, hoje nas Marcas, região da Itália, a Beata Maria Crucificada (Isabel Maria Satéllico), abadessa da Ordem das Clarissas, eminente na meditação do mistério da Cruz e enriquecida com carismas místicos. († 1745)
 
     Isabel Maria nasceu em Veneza em 9 de janeiro de 1706, filha de Pedro Satéllico e Lucia Mander. Viveu com seus pais na casa de um tio materno sacerdote, que se encarregou de sua formação moral e cultural. Seu físico débil era contra restado por uma inteligência precoce. Logo aprendeu a ler, e demonstrou uma especial predisposição para a oração, a música e o canto.
     Desde pequena quis ser monja capuchinha e santa. Porém o Senhor tinha outros planos. Uma jovem de Veneza, que ensinava música e canto no mosteiro das Clarissas de Ostra-Vétere, nas Marcas, teve que abandonar seu trabalho por motivos de saúde. Isabel, com apenas 14 anos, foi recebida mosteiro como educanda e prestou serviço como diretora de canto e organista, enquanto continuava sua formação.
     Precisou esperar por cinco anos, até obter a autorização do bispo de Senigallia para começar o noviciado. Era 13 de maio de 1725. Com o novo nome de Maria Crucificada, a noviça se aplicou todo o ano no recolhimento na oração, meditando e desejando ser participe do mistério da Cruz.
     Em 19 de maio de 1726 professou nas mãos do Vigário Geral da diocese de Senigallia. A partir de então, todos seus esforços se concentraram na realização do que sempre havia desejado: ser cada vez mais semelhante a Jesus Crucificado, com a prática dos conselhos evangélicos de pobreza, castidade e obediência, e a devoção filial à Virgem Imaculada, no espírito de Santa Clara de Assis.
     A Eucaristia era o alimento diário de sua esperança e caridade, que se manifestava, como em Francisco e Clara, em um amor fraterno e universal para com todos os remidos pela Cruz de Cristo. Contemplação, austeridade e penitência a faziam cada vez mais partícipe do mistério da Cruz, ao mesmo tempo que saía vitoriosa em todas suas tribulações.
     Deus a provou e purificou com frequentes aflições e tentações diabólicas, e com graves enfermidades. Com a ajuda de diretores espirituais santos – o conventual Ângelo Sandreani e o Pe. João Batista Scaramelli, seu primeiro biógrafo – conseguiu suportar e superar todas as provas, até alcançar uma extraordinária perfeição, manifestada nos sinais extraordinários e autênticos fenômenos místicos.
     Em 1742 foi eleita abadessa do mosteiro. A autoridade era para ela serviço e amor à comunidade, exercido com bondade, firmeza e bom exemplo.
     Foi reeleita para o mesmo cargo em 1745, mas renunciou devido a sua saúde. O bispo, entretanto, a obrigou a exercer o cargo de Vigária. A morte a colheu em 8 de novembro de 1745, na idade de 39 anos. Seu corpo foi sepultado na igreja de Santa Lucia de Ostra Vétere.
     A fama de sua santidade foi atestada por numerosas graças e favores atribuídos à sua intercessão, o que resultou na abertura do primeiro processo ordinário para sua beatificação, apenas 7 anos após sua morte, no dia 18 de agosto de 1752, o qual ficou parado devido circunstancias da época. O processo teve novos impulsos em 1826, com Leão XII, e em 1914, com São Pio X.
     Em 14 de maio de 1991 ocorreu a aprovação do milagre atribuído à sua intercessão, e por fim foi proclamada beata por João Paulo II em 10 de outubro de 1993.
     Sua vida resplandecerá sempre como testemunha viva do poder da Cruz, a única que redime, santifica e salva, e a única que garante a paz e o amor entre os filhos de Deus.

sábado, 6 de novembro de 2021

Beata Cristina de Stommeln, Mística – 6 de novembro


Martirológio Romano: Perto de Colônia, na Lotaríngia, na Alemanha de hoje, a Beata Cristina de Stommeln, virgem, que em plena comunhão com a Paixão de Cristo, admiravelmente superou todas as tentações do mundo.
 
     Cristina nasceu em Stommeln próximo de Colônia, em 1242; morreu em 6 de novembro de 1312. Stommeln, chamada Stumbeln no século XIV, está situada a uns catorze quilômetros a noroeste de Colônia e a uns dez quilômetros a leste do Rin.
     O pai de Cristina era um camponês chamado Heinrich Bruso; sua mãe chamava-se Hilla. Quando tinha 5 anos Cristina teve visões do Menino Jesus com quem se casou misticamente aos dez anos. Aos onze anos aprendeu a ler o Saltério, porém não sabia escrever.
     Aos treze anos seus pais quiseram dá-la em casamento, mas ela entrou no convento dos Beguinos de Colônia, onde levava uma vida de severa penitência, passava muito tempo em oração.
     O beguinato era uma comunidade que teve origem por volta de 1170 na Bélgica. Os aderentes faziam voto temporários de pobreza, castidade e obediência; algumas beguinas deixavam a comunidade para se casar. Elas passavam o tempo em oração, visitando os doentes e fazendo trabalhos de costura e bordado. Numerosos no século XIII nos Países Baixos e na Alemanha, existem ainda hoje na Bélgica e na Holanda.
     Aos quinze anos Cristina recebeu os estigmas em suas mãos e pés e a marca da Coroa de Espinhos em sua cabeça. Sofreu muitos assaltos do demônio, foi muito provada em sua fé e foi tentada ao suicídio. Os Beguinos consideraram-na louca e a tratavam com desprezo, por isso precisou regressar à sua casa.
     Em 1267 o padre paroquial, Johannes, recebeu Cristina em sua casa, onde esta conheceu o grande teólogo Pedro de Dacia, um dominicano de Gotland que esteve em Colônia como aluno de Santo Alberto o Grande. Um laço místico de devoção, cujo objeto era Deus, se formou entre os dois. Pedro visitou Cristina em 1270 quando estava a caminho de Paris, e novamente em 1279; em seu relato menciona até quinze visitas. Este dominicano escreveu a “Vida” da Beata em 1286.
     Em 1284, quando um exorcista perguntou várias vezes o motivo dos tormentos que era infringido à Beata, o diabo disse que era por vontade divina. Na verdade, ele falou estas palavras: “É apenas para satisfazer o seu desejo de sofrer pelos outros”.
     O irmão de Cristina seguiu o Pe. Pedro a Gotland e entrou na Ordem Dominicana. Pedro chegou a ser leitor e em 1283 foi prior em Gotland, onde morreu em 1288. Nesse mesmo ano os tormentos que Cristina sofria por causa do demônio cessaram, e ela passou a viver pacificamente, e usou a vestimenta dos Beguinos até sua morte.
     Em 6 de novembro de 1312, Cristina morreu aos setenta anos, mas Jesus gentilmente a chamou até Ele com um perfume magnífico que saiu de sua cama. Foi sepultada inicialmente no pátio da igreja em Stommeln e depois na igreja mesmo.
     Em 1342 seus restos mortais foram levados para Niedeggen em Eifel; dois séculos depois, em 22 de junho de 1569, foram trasladados a Jülich, onde ainda existe um monumento dedicado a ela. Em Jülich também podem ser vistos os relatos feitos por Pedro de Dacia sobre a Beata e a coleção de suas cartas que os Bollandistas publicaram sob a data de 22 de junho (IV, 271-430).
     O seu culto foi aprovado pelo Papa São Pio X, em 22 de agosto de 1908; a sua festa se celebra em 6 de novembro.  

Reconstrução da face da Beata a partir da relíquia do crânio 

 

Portal da cidade de Jülich, Alemanha


Fontes: www.santiebeati/it; www.es.catholic.net/santoral/articulo.php?id=33680
 
Postado neste blog em 6 de novembro de 2012

sexta-feira, 5 de novembro de 2021

Santa Bertila, Abadessa – 5 de novembro

     
     A futura abadessa nasceu de pais devotos em Soissons, França, na primeira metade do século VII. Desde cedo ela se sentiu atraída por Deus e decidiu renunciar ao mundo em busca das verdades eternas. Nesta resolução, ela foi encorajada por São Ouen, o Bispo de Rouen. Com o consentimento e apoio dos pais, ela ingressou bem jovem no mosteiro de Jouarre, próximo à cidade de Meaux, recentemente fundado, entre 658 e 660, sob o governo de São Columbano. Sob a abadessa Teodequiles, Bertila foi uma das melhores monjas da fundação
     Ali ela foi formada na mais estrita prática da perfeição monástica e tornou-se um modelo de perfeita obediência e piedade. Ela também era notável por sua prudência e tato, e os deveres de hospitalidade, cuidando dos enfermos, e as crianças educadas no mosteiro foram, por sua vez, confiadas a seus cuidados.
Ressuscitando uma coirmã
     Bertilla, entretanto, também tinha um temperamento muito forte, com uma falha grave: um destempero. Seu biógrafo do século VIII relata o seguinte incidente na vida da Santa:
     “Certa vez, quando uma irmã disse a ela palavras raivosas, Bertila reclamou o julgamento divino sobre ela. Embora a culpa tenha sido perdoada, Bertila se preocupou com sua maldição. Então, a irmã morreu inesperadamente, sufocada pela asma. Não tendo ouvido o sinal para o funeral, Bertila perguntou o motivo do retumbante coro de salmos. Quando ela soube da morte da irmã, ela estremeceu de medo. Ela correu para o lugar onde o corpo jazia sem vida e com grande fé colocou a mão no peito da freira morta. Bertila ordenou que sua alma retornasse, pelo poder de Jesus Cristo, o Filho de Deus, e não fosse embora, antes que ela falasse com Ele, para perdoar sua raiva contra ela. E Deus permitiu que o espírito que havia deixado o corpo voltasse ao cadáver.
     Para a surpresa de todos, o cadáver revivido respirou fundo. Olhando para a Serva de Deus, ela disse: “O que você fez, irmã? Por que você me resgatou do caminho da luz que se estendia à minha frente?"
     "Eu imploro a você, irmã", disse Bertila humildemente, "que me dê palavras de perdão, pela vez que eu a amaldiçoei quando você tinha o espírito perturbado".
     “Que Deus te perdoe”, disse a freira. “Eu não guardo nenhum ressentimento em meu coração contra você agora e eu a amo. Por favor, implore a Deus por mim e permita-me ir em paz e não me detenha. Pois estou pronta para a estrada brilhante e agora não posso começar sem a sua permissão”.
     “Vá então na paz de Cristo”, disse Bertila, “e reze por mim, doce irmã”.
Abadia de Notre-Dame-des-Chelles
     Quando Santa Batilde, a esposa do rei Clovis II, fundou a Abadia Beneditina de Notre-Dame-des-Chelles por volta do ano 658, Bertila se tornou sua primeira abadessa. Ela governou a abadia com austeridade e virtude.
     O fervor que Bertila transmitia na piedade e caridade contagiou todas as religiosas. A fama de celeiro de santidades do mosteiro ganhou as cortes de toda Europa. E os pedidos para ingressar no Mosteiro de Chelles começaram a chegar de todos os lugares. Eram dezenas e mais dezenas de mulheres que queriam seguir o exemplo de humildade da abadessa Bertila, abandonando a nobreza para dedicar a vida à penitência, oração e caridade, aos pobres e doentes abandonados.
     A própria santa rainha Batilde retirou-se para Chelles em 664 e morreu lá em 680. Atraída pelas notícias sobre a santa abadessa, Heresvida, irmã de Santa Hilda e viúva do rei dos Anglos Orientais, também ali ingressou.
     A incansável santa Bertila, como era chamada por todos ainda em vida, dirigiu a instituição por quarenta e seis anos, até morrer em 5 de novembro de 705. O seu corpo foi sepultado no cemitério do mosteiro, local que logo se tornou rota de peregrinação dos fiéis, desejosos de agradecer a intercessão da querida santa.
     Mais tarde, o culto e a festa de Santa Bertila foram confirmados pela Igreja; ela é festejada no dia de sua morte. As suas relíquias, hoje, estão guardadas na bela Catedral de Chelles.
     A história de Bertila tem um interesse especial para os cristãos fascinados com as experiências de quase morte. A freira que ela chamou de volta da morte falou sobre "o caminho da luz" e "a estrada brilhante". Portanto, este antigo relato parece corroborar o testemunho de muitas testemunhas do século XX que dizem que “morreram” e viajaram por um caminho para a luz.
 
Bertila = do francês, "heroína, donzela brilhante"
 
Fontes: Vida dos Santos, Padre Rohrbacher, Volume XIX, p. 205-206;
https://www.americaneedsfatima.org/
 

segunda-feira, 1 de novembro de 2021

Beata Condessa Tagliapietra, Virgem – 1°. de novembro

     

     A Beata Condessa Tagliapietra é uma virgem veneziana que viveu entre os séculos XIV e XV, considerada beata pelo povo veneziano, embora não haja informações certas sobre sua figura.
     Ela nasceu em Veneza em 1288, em uma família nobre que viveu em Campo San Vio, filha de Pedro (ou Nicolau) e de Helena.
     Ela era uma jovem virtuosa, dedicada à oração e à penitência, que frequentava a igreja de São Mauricio, além do Grande Canal. Desde muito jovem ela fez voto de virgindade dedicando-se a numerosas obras de caridade e ao sufrágio das almas no Purgatório.
     A tradição relata que tinha numerosos dons místicos, incluindo êxtase. Também é relatado que ela assistia diariamente Missa na paróquia de São Mauricio cruzando o Grande Canal com a gôndola de seu pai.
     Ela encontrou clara oposição de seus pais ao seu pedido para entrar no convento, os quais queriam um casamento para sua filha. Como seus pais eram contra sua entrada no convento, proibiram os barqueiros atracados na costa de San Vio de transportá-la através do canal para que ela pudesse chegar à igreja de São Mauricio, onde ela conheceu um padre com quem "se entretinha em conversas espirituais".
     Há uma lenda popular que conta como Condessa milagrosamente conseguiu chegar à igreja, atravessando o canal caminhando sobre um véu de linho estendido sobre as águas.
     A jovem condessa que sempre se recusou a se casar, morreu em 1º de novembro de 1308, após uma longa doença, com apenas vinte anos de idade.
     As numerosas pessoas que se reuniram para seu funeral imediatamente começaram a chamá-la de beata. Além disso, as mães venezianas, referindo-se ao milagre que dizia respeito à jovem Condessa Tagliapietra, “costumavam fazer seus filhos sentarem-se no túmulo da beata, acreditando assim preservá-los do risco de afogamento nos canais da cidade de Veneza”.
     A Condessa Tagliapietra foi enterrada na igreja de San Vio, onde era lembrada e celebrada em 8 de setembro. Após a supressão daquela paróquia por Napoleão e a demolição da igreja em 1813, seus restos mortais foram transferidos para a sacristia da igreja de São Mauricio.
     Atualmente seus restos mortais estão localizados no vão sob o pequeno altar da sacristia na igreja de São Mauricio, reconstruída e consagrada em 1829, em Campo São Mauricio. Seu corpo esquelético e convenientemente vestido e coroado é preservado em um caixão de vidro.
     A beatificação da Condessa Tagliapietra nunca foi oficialmente reconhecida pela Santa Sé, embora o patriarcado veneziano aceitasse seu culto.
     Em 1765, o patriarca João Bragadin pediu ao Papa Clemente XIII o status oficial do culto da Condessa Tagliapietra, mas o pedido foi ignorado, enquanto o Cardeal Jacopo Monico, Patriarca veneziano de 1827 a 1851, suspendeu o seu culto, porque queria um esclarecimento minucioso sobre a personalidade da Beata Condessa Tagliapietra.
     A Bem-Aventurada Condessa Tagliapietra, além de ser lembrada na enciclopédia "Biblioteca Sanctorum" e em outros textos do século XIX, também é lembrada no volume "Santos e Bem-Aventurados Venezianos". A festa em sua memória era celebrada no aniversário de sua morte, em 1º de novembro.
 
Fonte: Mauro Bonato
http://www.santiebeati.it/dettaglio/98947

sexta-feira, 29 de outubro de 2021

Filha de um chefe ajuda a espalhar a fé entre os Coeur d'Alènes

    O Padre Point estava há dois anos com os Coeur d'Alènes (*). Ele tinha chegado lá na primeira sexta-feira do mês e naquele dia tinha colocado a missão sob a proteção do Sagrado Coração.
     "A partir desse momento", ele escreve, "um espírito cristão animou os habitantes deste vale feliz. As reuniões noturnas, cerimônias sacrílegas e aparições diabólicas antes tão frequentes, já acabaram. O jogo, até então a ocupação absorvente dos índios, também foi abandonado. O casamento, que durante séculos não conhecia nem unidade nem indissolubilidade, foi restaurado à sua pureza imaculada. Desde o Natal até a festa da Purificação, o fogo missionário foi feito com os restos de sua feitiçaria".

"Missão Coeur d'Alene em 1842", de Gustav Sohon. A missão foi nomeada em homenagem ao Sagrado Coração de Jesus.


     Quando o Padre Point chegou à missão, ele tinha desenhado o plano da aldeia, e os índios tinham aptidão para trabalhar derrubando árvores, cavando lagoas, fazendo estradas. Uma igreja foi erguida no centro do assentamento, e os novos convertidos conheceram as celebrações religiosas com a solenidade e apelo da nova fé.
     O Padre Joset, que veio para colaborar nos trabalhos do Pe. Point, estava destinado a passar muitos anos de trabalho apostólico frutífero nas montanhas. O fervor dos neófitos aumentava diariamente, e o Pe. Point nos diz que "Por vários meses nenhum delito grave foi cometido na aldeia Sagrado Coração, pelo menos não entre aqueles que receberam o batismo".

Construída em 1843, sem pregos por três padres jesuítas com a ajuda dos índios Coeur D'Alène. A Igreja do Sagrado Coração, também conhecida como Missão Cataldo ou simplesmente a Velha Missão, é o prédio mais antigo de Idaho.

Embora a tribo Coeur d'Alène tivesse poucos materiais para decorar a igreja, eles usaram técnicas engenhosas para embelezá-la. As paredes foram decoradas com tecido comprado da Hudson's Bay Company e jornal pintado à mão da Filadélfia que o Padre Ravalli havia recebido pelo correio. Latas foram usadas para criar uma ideia de lustres. Ambas as estátuas de madeira foram esculpidas à mão pelo Padre Rivalli com nada além de uma faca e foram destinadas a parecer mármore. A coloração azul da madeira interior não é tinta, mas uma mancha criada pressionando amoras locais na madeira.

     A fé e a piedade desta missão deveu-se em grande medida a Louise Sighouin, uma zelosa católica batizada pelo Pe. De Smet em 1842. Embora filha do chefe dos Coeur d'Alènes, ela deixou tudo para se dedicar ao serviço das missões.
     "Estou pronta", disse ela, "para seguir as Vestes Negras até o fim da terra; meu único desejo é conhecer o Grande Espírito, servi-lo fielmente, e adorá-lo com todo o meu coração".
     Ela não só era um exemplo de piedade e modéstia para a tribo, mas passava horas todos os dias ensinando as crianças e idosos, e visitando os pobres e atendendo os doentes.
     Uma vez ela recuou ao ver uma úlcera terrível; então, cheia de compunção pelo que ela considerava uma falha grave, ela voltou todos os dias por dois meses para atender o doente e, como uma verdadeira Irmã da Caridade, tratou da ferida. Nem hesitou em fazer guerra contra a conduta desordeira. Ela enfrentou os feiticeiros mais irredutíveis, denunciando-os como impostores, e ameaçando-os com os julgamentos de Deus; finalmente trouxe os culpados, tremendo e contritos, aos pés do missionário.
 
E. Laveille, S.J., A Vida do Padre De Smet, S.J. (1801-1873),trans. Marian Lindsay (Nova York: P. J. Kenedy & Sons, 1915), 165-6.
Contos sobre Honra, Cavalheirismo e o Mundo da Nobreza — nº 791
 
https://nobility.org/
Foto antiga da cidade de Coeur d'Alène


 
(*) Coeur d'Alène atualmente é uma cidade localizada no estado americano do Idaho, no condado de Kootenai, do qual é sede. Foi fundada em 1878 e incorporada em 4 de setembro de 1906. Teve sua origem com a tribo do mesmo nome.

terça-feira, 26 de outubro de 2021

Santa Orsa, Virgem e mártir venerada em Pieve Vergonte - 26 de outubro ou último domingo

     

     O nome de Orsa é mencionado em algumas versões dos Mártires dentro de um grupo de mártires orientais, precisamente de Nicomedia: Luciano, Marciano, Florus, Heráclito etc., vítimas da perseguição de Décio (249-251), condenados à morte por ordem do procônsul Sabino em 26 de outubro, dia em que os santos são lembrados.
     De acordo com a tradição existente em Pieve Vergonte, um centro populoso de Ossola, cuja paróquia foi uma das primeiras igrejas de todo o vale, as relíquias da santa teriam sido transferidas, desde a época de seu martírio, para o complexo do cemitério de Priscilla, em Roma. Naquela catacumba permaneceram até 1715, quando, extraídos do nicho que os continha, foram destinados à veneração dos fiéis.
     Através de uma longa série de caminhos, os restos mortais do jovem mártir chegaram à paróquia dos Santos Vicente e Anastásio de Pieve Vergonte como um presente da nobre família Cattaneo de Vogogna, como documentado por uma escritura notarial de 4 de dezembro de 1732. Obtida a autorização do bispo de Novara Gilberto Borromeo, o corpo de Santa Orsa foi exposto à veneração, mas somente em 1741 colocado na elegante urna em que ainda é visível hoje.
Igreja dos Sts Vocente e Anastásio
     Para a inauguração da valiosa obra, criada em Milão por Giovanni Antonio Ferreri, foram realizadas celebrações solenes no dia 23 de outubro do mesmo ano, com um grande afluxo de devotos de toda a Ossola, que contribuíram para aumentar a devoção à santa nos diversos países.
     Em 1879, um caso mais único do que raro no culto aos corpos sagrados extraídos das catacumbas romanas, a Sagrada Congregação dos Ritos concedeu à comunidade de Pieve a liturgia própria da missa para a celebração da festa anual, no último domingo de outubro. A razão para esta concessão reside no fato de que as relíquias, recuperadas em Roma, eram na verdade consideradas pertencentes à santa mártir de Nicomedia mencionado nas fontes hagiográficas e que, portanto, poderiam ostentar uma certa historicidade.
     Dúvidas sobre essa identificação, no entanto, existem, em particular no que diz respeito à suposta transladação da cidade asiática para a catacumba de Priscilla, não lembrada por nenhuma fonte histórica. O único elemento que poderia ter esclarecido isso foi a epígrafe colocada no final do nicho que continha os ossos da santa, infelizmente perdido e do qual até agora não conhecemos uma transcrição.
     Independentemente dessa possível identificação, Santa Orsa ainda é objeto de um sincero culto popular: além de ser proclamada padroeira do Vale d' Ossola, ela é particularmente invocada como protetora das crianças, cuja bênção ocorre por ocasião da festa anual. Atualmente, a urna de Santa Orsa, ostentando um anjo com coroa e símbolos de palma do martírio, é preservada em um local elevado que se abre para o corredor direito da igreja, finalizado com forma elegante em 1898.

Panorama do Vale d'Ossola