segunda-feira, 17 de agosto de 2020

Beata Leopoldina Naudet, Virgem e fundadora - 17 de agosto


     Leopoldina Naudet nasceu em Florença no dia 31 de maio de 1773, sendo seu pai José Naudet, francês, e sua mãe, Susanna d’Arnth, alemã, ambos a serviço dos arquiduques de Lorena. Aos três anos Leopoldina ficou órfã de mãe e em 1778, quando tinha cinco anos, foi enviada, com sua irmã Luísa, ao mosteiro do Castelo de S. Frediano do convento de S. José. Em 1783, foi para a França, a fim continuar os estudos e terminar sua instrução no convento das Damas de Nossa Senhora de Soissons, cidade de origem de sua família.
     Leopoldina se destacava por seu comportamento e por seu espírito de oração, tanto que recebeu a Crisma e a 1a. Comunhão respectivamente em 1781 e 28 de março de 1782.
     Em 1789 Leopoldina e a irmã retornaram a Florença, ocasião em que faleceu também o pai. Foram então convidadas a prestar serviços de camareira junto à corte do Arquiduque Leopoldo, no Palácio de Pittia. Leopoldina dirigiu a instrução dos filhos do grão-duque e quando este tornou-se Imperador Habsburgo em 1790, acompanhou-o à Viena. Naquela cidade, Leopoldina entrou em contato com um jesuíta, Pe. Nikolaus von Diessbach, que se tornou seu diretor espiritual. Este sacerdote havia fundado a Amicizia Cristiana, um grupo seleto e secreto composto de leigos e eclesiásticos, dedicado à difusão da imprensa católica. Embora vivendo na corte mais faustosa da Europa, Leopoldina não se deixou atrair por sua vida mundana.
     Em 1792, com a morte do Imperador Leopoldo, passou ao serviço da Arquiduquesa Maria Ana Fernanda, irmã do novo imperador Francisco II, e quando esta foi nomeada abadessa do canonicato de S. Jorge de Praga, as irmãs Naudet e algumas nobres, acompanharam-na na nova residência real na Tchecoslováquia.
     O piedoso ambiente criado pela arquiduquesa favoreceu em muito um desejo íntimo de viver uma vida mais religiosa. Dissuadida por seu diretor espiritual a entrar na Trapa, em 1799 encontrou o Pe. Nicolau Paccanari, que após a dissolução da Companhia de Jesus havia procurado reviver o espírito de Santo Inácio de Loyola fundando os Padres da Fé. Este sacerdote também havia planejado a criação de um Instituto feminino, as Diletas de Jesus, com finalidade educativa. Persuadida por seu diretor espiritual, Leopoldina passou a amadurecer o projeto, que teve o apoio e o empenho direto da Arquiduquesa Maria Fernanda.
Viena no sec. XVIII, por Canaletto
     Em 31 de maio de 1799, na capela privativa da arquiduquesa na Abadia dos Beneditinos de Praga, junto com mais duas mulheres, pronunciou os votos temporários, empenhando-se em viver “para a maior glória de Deus e proveito para o próximo”.
     Com o objetivo de obter aprovação ao novo Instituto, retornaram à Viena para prosseguir para a Itália. Em 1800 tiveram um encontro pessoal com o Papa Pio VII, em Pádua, que as encorajou a prosseguir nos trabalhos; assim, deslocaram-se por diversas cidades italianas e chegando à Roma em fevereiro de 1801, foi organizada uma comunidade, e Leopoldina foi nomeada superiora. Sua iniciativa foi levada para outras casas na França e na Inglaterra.
     Em 1804, devido a acusações que circulavam contra o Pe. Paccanari, os Padres da Fé e as Diletas resolveram seguir um caminho autônomo; estas últimas deram origem à Sociedade do Sagrado Coração, sob a direção de Madalena Sofia Barat (canonizada em 1925), que já era superiora das Diletas francesas desde 1802.
     Em 1805 Leopoldina deixou Roma, com suas coirmãs, indo para Pádua e depois para Verona, a conselho do Mons. Luís Pacífico Pacetti, pregador apostólico e amigo de Pio VII. Ele era diretor espiritual da Marquesa Madalena de Canossa (canonizada em 1988), empenhada em fundar um instituto caritativo assistencial, dedicado também ao ensino das classes mais pobres: era o primeiro núcleo das Filhas da Caridade. Leopoldina ofereceu a colaboração dela e de seu grupo à iniciativa da marquesa, e em 8 de maio de 1808 a seguiu no mosteiro dos Santos José e Fidêncio. Madalena teve por ela uma tal estima, que a nomeou superiora também de suas discípulas.
     Entretanto, a espiritualidade de Leopoldina era muito diferente, ela se sentia mais orientada a uma vida claustral e, no serviço apostólico, projetava dedicar-se às jovens das classes altas. A sua experiência a serviço do imperador, de fato a havia persuadido da necessidade de influenciar aquele ambiente onde as senhoras eram atraídas a levar uma vida frívola que, como consequência, as afastavam dos mais pobres.
     A comunidade canossiana tinha como diretor espiritual São Gaspar Bertoni, fundador da Ordem dos Estigmatinos (Congregação dos Sagrados Estigmas de Nosso Senhor Jesus Cristo), canonizado em 1989. Dirigida por seus conselhos, Leopoldina cresceu no espírito do mais puro abandono em Deus e estudou as regras de outras congregações religiosas, para criar uma toda sua. Foi sob a direção, orientação e preparo para seu crescimento espiritual, que São Gaspar Bertoni incentivou Leopoldina a fundar uma congregação de religiosas.
     No ano de 1816, Leopoldina deixou a Marquesa Canossa, que continuou a ter por ela grande estima, e com seu grupo estabeleceu-se em Verona, no ex convento de Santa Teresa de Verona, chamado popularmente “das Teresas”, onde teve início a Congregação das Irmãs da Sagrada Família. Este nome era devido a uma intuição que Leopoldina tivera cinco anos antes, enquanto rezava. Assim ela descreve nas suas notas intimas: “Na oração pensei em criar o Instituto sob a proteção da Sagrada Família, e para manter-se tomar a imitação de Jesus Cristo, tanto na sua vida escondida, como na pública”. As Irmãs firmavam votos monásticos, vivendo em clausura, porém, abertas ao apostolado educativo das moças nobres que viviam como internas no convento, mas que estudavam em escolas externas.
As Irmãs da Sagrada
Família 
     Por este motivo Leopoldina abriu um educandário para as jovens nobres provenientes de todo o reino Lombardo-Vêneto, não só de Verona. Além disto, inaugurou escolas externas, completamente gratuitas, para as crianças e as jovens não ricas. Mais, desejava que suas casas religiosas estivessem abertas para acolher encontros formativos e exercícios espirituais, bem como um oratório para as muito jovens.
     Em 20 de dezembro de 1833, o Papa Gregório XVI aprovou o Instituto. Madre Leopoldina exclamou, enquanto tinha nas mãos a carta com o decreto, erguendo os olhos ao céu: “Basta isto. Deus mais nada deseja de mim. Agora posso dizer: ‘Nunc dimittis...’” Não muito tempo depois adoeceu, com fortes febres. Pareceu recuperar-se, mas teve uma recaída: a fundadora morreu em 17 de agosto de 1834. Seu corpo foi trasladado em 1958 para a capela da Congregação na cidade de Verona.
     Em 29 de abril de 2017 ocorreu a beatificação da Madre Leopoldina Naudet em Verona, na Basílica de Santa Anastásia, pelo Cardeal Ângelo Amato, Prefeito da Congregação da Causa dos Santos. A sua memória litúrgica, para as Irmãs da Sagrada Família e a diocese de Verona, é o 17 de agosto, dia de seu nascimento para o Céu.

Fontes:
www.santiebeati/it Autores: A. Borrelli e E. Flocchini

Postado neste blog em 16 de agosto de 2017

sexta-feira, 14 de agosto de 2020

Beata Isabel Renzi, Fundadora - 14 de agosto


Martirológio Romano: Em Coriano, na Emilia, Itália, Beata Isabel Renzi, virgem, que fundadora das Pias Mestras da Virgem Dolorosa, pôs todo seu empenho para que as meninas pobres recebessem na escola uma formação humana e catequética († 1859).

     Maria Isabel, a segunda filha de João Batista Boni Renzi e de Vitória, nasceu no dia 19 de novembro de 1786 em Saludecio, situado entre as verdes colinas de Rímini, Itália, com vistas para o mar Adriático. A família se trasladou para Mondaino, província de Rímini, em 1791. As razões deste traslado se podem encontrar nas funções de administração de seu pai e a conveniência para o melhor cumprimento da profissão de avaliador e diretor de seus ativos e dos bens do mosteiro das Clarissas, desta localidade.
     Aos nove anos mais ou menos, Isabel entrou no mosteiro das Clarissas, como uma estudante, e pouco depois recebeu sua Primeira Comunhão. Sua estadia como aluna, teve que deixar marcadas em seu espírito, e em particular mediante o ensino e o exemplo das monjas que participam diretamente na formação das jovens. Isabel começou a perceber a presença de Deus em sua vida, adornada com uma "doçura natural" e pela poderosa experiencia de vida cristã junto a seus pais.
     João Carlos Renzi, o irmão de Isabel testemunhou: “desde menina ela se forjou no silêncio e na oração; Isabel passou através das comodidades da casa onde a vira nascer, como um raio de luz que se estendeu sobre o ouro, não tocado pela beleza das coisas preciosas que o rodeavam, porém as coisas preciosas a fizeram bela a si mesma com sua grande bondade e doçura”.
     "Desde muito jovenzinha ela gostava de se recolher, para passar seu tempo com seu Amado Jesus, se empenhava em crescer na virtude, de modo, que se elegeu uma companheira com a qual competia para ver quem amava mais a Jesus”.
     Em 1807, aos 21 anos, desejosa de entregar-se completamente a Deus e aos irmãos, pediu que lhe fosse permitido fazer uma experiência no mosteiro agostiniano de Pietrarubbia, no condado de Carpegna, província de Pesaro e Urbino.
     O mosteiro gozava de grande fama pela profunda espiritualidade das monjas agostinianas: era muito pobre, situado em um lugar muito solitário, por isto, o Bispo de Montefeltro costumava dizer que se necessitava uma especial vocação pela soledade total que reinava ali, e pelas doenças causadas pelas fortes nevadas e o frio intenso.
     Isabel imediatamente sentiu toda a força de uma intensa vida de consagração ao Senhor, como se depreende da carta escrita a seu pai, que expressa o forte desejo de entregar-se à glória de Deus, na casa de Deus: "... Ó pai, me permita que eu espere aqui o prêmio das boas obras, dos bons pensamentos, dos bons desejos, posto que Deus, o único que é bom, também Ele leva em conta os bons desejos. Deus me faz tantas ofertas! Deseja, pois que não cuide de Sua amizade, que me importe bem pouco de Suas promessas? Pai veneradíssimo, lhe digo: tenho um grande desejo de fazer o bem, rezar muito pela glória de Deus, e na verdade, para a maior glória de Deus... na casa de Deus”.
     Em 1810, um decreto napoleônico que obrigava as religiosas a regressar à suas casas, impediu que fizesse o noviciado. Teve que voltar à vida em família; este momento foi muito doloroso para ela, porém a forjaria para as provas que teria que enfrentar.
     Abandonou seu primitivo fervor, porém continuou perguntando o Senhor na oração: “Senhor, que projeto tens sobre mim?”. Entretanto, novos acontecimentos tornaram mais difícil este tempo de espera dolorosa: em 1813, sua única irmã, Doroteia, morreu na idade de vinte anos. Um dia, quando cavalgava com uma criada, caiu do cavalo. A levantar-se interpretou esta queda como o sinal de um chamado por parte do Senhor. Aconselhou-se com seu diretor espiritual, Pe. Vital Corbucci, que lhe disse que sua missão era a de educadora.
     Em 29 de abril de 1824, a instâncias de seu diretor espiritual, foi para Coriano, a um centro de formação que o Estado Pontifício queria para eliminar a situação de ignorância e desordem moral frequentes. Naquela época se falava muito da fundação das Filhas da Caridade de Santa Madalena de Canossa; Isabel quis unir o centro de Coriano com aquela instituição. Ela se esforçou para unir o "Conservatório" de Coriano com o trabalho das Irmãs Canossianas.
     Santa Magdalena de Canossa visitou a pequena comunidade de Coriano, conheceu pessoalmente Isabel Renzi e disse sobre ela: "Entre o Senhor e Isabel há como uma efusão de amor mútuo, o amor mútuo é o presente perfeito para manter a certeza de que pôr um pé em Coriano seria desgarrar a relação entre a criatura e o Criador, esse nó que desata no Céu".
     Como as negociações para tal unificação se prolongaram durante anos sem resultado, Santa Madalena aconselhou que Isabel assumisse a liderança do Conservatório, e esta aceitou da mão de Deus a decisão do Bispo de Rimini, Mons. Otavio Zollio, a nomeação de superiora da pequena comunidade.
     Os sofrimentos, os imprevistos, não a detêm, inclusive a fizeram mais forte e mais valente. Em 1828 Isabel escreveu algumas regras da vida espiritual e da comunidade com a Regra do "Pobre do Crucifixo": insistia na separação do mundo para experimentar o espírito da cruz, essencial para "fazer a conversa mais carinhosa com o Esposo divino e sentir o amor de sua voz na solidão e no recolhimento do espírito”.
Logo da Congregação
     Em 29 de agosto de 1839, na igreja paroquial de Coriano, Isabel Renzi e suas dez companheiras entregaram suas vidas a Deus e aos demais com a profissão dos conselhos evangélicos e receberam o hábito religioso das Mestras da Dolorosa. A Mestras Pias da Bem-aventurada Virgem Maria Dolorosa teve a aprovação do Bispo de Rímini, Mons. Francisco Gentilini, Congregação que nascia para alcançar "uma vida religiosa feita de trabalho e de oração na paz doméstica e na caridade fraterna".
     Seu Instituto se propagou rapidamente. Depois de Coriano, Madre Isabel fundou as comunidades de Sogliano al Rubicone, Roncofreddo, Faenza, Cotignola, Savignano di Romagna, Mondaino.
     Madre Isabel Renzi viveu sempre na oração, na caridade e uma imensa confiança na Providência.
     Aos 72 anos enfrentou uma dor de garganta insuportável, que logo provou ser uma forma de tuberculose. Seu sofrimento foi imenso, mas até o final manteve sua clareza e energia, o que permitiu a ela, ao expirar, dizer o seu famoso "eu vejo, eu vejo, eu vejo!", que lindamente complementava o significado do inicial "Eu trago Aquele que me traz!" Era o dia 14 de agosto de 1859.
     Desde então, o milagre se repete todos os dias em milhares de locais onde os professores religiosos abrem os olhos das crianças em todo o mundo, da Europa à América, da África à Ásia, sempre com o objetivo de doar generosamente a verdade, em nome da Madre Isabel.
     A Madre Isabel foi beatificada por João Paulo II em 18 de junho de1989.
Panorama de Coriano
Fontes:
Pe José Leite, S.J., Santos de Cada Dia, Ed. A.O. – Braga; www.santiebeati/it

Postado neste blog em 13 de agosto de 2012

quarta-feira, 12 de agosto de 2020

Santa Joana Francisca Frémiot de Chantal, Cofundadora – 12 de agosto


     Santa Joana Francisca Frémiot nasceu a 23 de janeiro de 1572, na cidade de Dijon, França, nove anos depois do término do Concílio de Trento. Estava destinada a ser um dos grandes santos que o Senhor suscitou para defender e renovar a Igreja depois do caos causado pela divisão dos protestantes. Santa Joana foi contemporânea de São Carlos Borromeu da Itália, de Santa Teresa d' Ávila e de São João da Cruz da Espanha, de São João Eudes e de seus compatriotas, o Cardeal de Berulle, o Padre Olier e seus dois renomados diretores espirituais, São Francisco de Sales e São Vicente de Paulo. No mundo secular Joana foi contemporânea de Catarina de Médici, do Rei Luís XIII, Richelieu, Maria Stuart, a Rainha Isabel e Shakespeare.
     Ela própria se apresenta: "Sou Joana Francisca Frémiot, natural de Dijon, capital da Borgonha, filha do senhor Frémiot, presidente do Parlamento de Dijon, e da senhora Margarida de Barbisey”.
     Com apenas um ano e meio de idade perdeu a mãe, e seu pai se dedicou inteiramente à educação dos seus três filhos, inculcando-lhes antes de tudo o amor de Deus e a doutrina da fé católica.
     Joana Francisca era a admiração de todos os que com ela conviviam, por sua inteligência viva, seu reto e sólido juízo, seu caráter firme e varonil, sua prudência e discrição, que unidos ao seu coração inclinado ao bem e à virtude foram a base sobre a qual se elevou o edifício de sua perfeição.
     Contraiu matrimônio com o jovem Christophe de Rabutin-Chantal, Barão de Chantal. Desde sua chegada ao castelo do esposo demonstrou sua habilidade na administração das propriedades, fazendo-as mais produtivas que antes. Deus abençoou seu lar com seis filhos. Os dois primeiros morreram ao nascer. Enfim, após três ou quatro anos de casamento, ela deu à luz o seu primogênito Celso Benigno, nascendo a seguir Maria Amada, Francisca e Carlota.
Sta. Joana com 20 anos
     Assumiu em todo o momento o seu papel de mulher “perfeita”, dedicada à educação de seus filhos e às obras de caridade. Depois de algumas semanas do nascimento de Carlota, o barão sofreu um acidente de caça e morreu. Viúva aos 28 anos, apesar da sua profunda tristeza, abraçou a vontade de Deus e perdoou de coração o responsável involuntário pela morte de seu esposo. Experimentou o quão efêmera é a felicidade nesta vida.
     Desabrochou nela um vivo desejo de ser toda de Deus. Anos antes fizera, juntamente com seu esposo, uma promessa: aquele que sobrevivesse ao outro se consagraria a Deus. Repartiu suas joias e vestidos de gala entre os pobres e a Igreja. A partir de então, se constitui “mãe de todos os pobres”. Acompanhada pelos filhos, visitava os enfermos em suas próprias casas, levava-lhes alimentos, remédios, e ela mesma limpava e curava suas chagas e as beijava, vendo a Nosso Senhor em cada um deles. Fazia estas obras de caridade com tanto esmero e carinho que todos diziam: “Que bom é estar doente, para receber a visita da santa baronesa!”
     No outono de 1602, o sogro de Joana forçou-a a viver em seu castelo de Monthelon, ameaçando-a deserdar seus filhos se se recusasse. Ela passou uns sete anos sob sua errática e dominante custódia, aguentando maus tratos e humilhações.
     Joana Francisca sentia uma sede ardente do infinito e pedia insistentemente ao Céu um guia espiritual que lhe mostrasse a vontade de Deus. Ouvia em seu íntimo a voz que lhe diz: “Eu te darei esse guia”. 
    Na quaresma de 1604, Joana estava na casa de seu pai em Dijon. O Bispo Francisco de Sales foi àquela cidade para fazer a pregação da Quaresma. Ambos se reconhecem sem nunca se haverem visto e desde o primeiro momento se compreendem. Ela se colocou sob sua direção espiritual. Começou uma rica correspondência entre os dois: são alguns dos mais belos escritos que existem e refletem a profunda amizade vivida entre os santos.
     No dia 4 de junho de 1607, Francisco de Sales lhe revelou o desígnio que Deus lhe havia inspirado de fundar uma nova Congregação, e ela acolheu o projeto muito feliz e com perfeita obediência.
     Em 1609, sua filha mais velha, Maria Amada, se casava, e no ano seguinte sua filha caçula falecia. Francisca continuou sua educação por algum tempo sob a direção da mãe e Celso Benigno foi entregue aos cuidados do avô materno.
     Chegou o momento da partida para iniciar a vida religiosa, em Annecy, Savóia. No dia 6 de junho de 1610, Domingo da Santíssima Trindade, Joana Francisca de Chantal, acompanhada por Joana Carlota de Brechard, Jaquelina Favre e Ana Jaquelina Costa, entrou na pequena Casa da Galeria, onde receberam a bênção do Bispo Francisco de Sales, juntamente com as Constituições religiosas que ele mesmo redigira. Nesta Casa residiriam durante alguns anos até se transferirem definitivamente em 1613 para o primeiro Mosteiro da Visitação nesta mesma cidade.
     Joana Francisca sofreu sucessivamente a perda dos parentes que lhe eram mais queridos. A estas dolorosas partidas se unem enfermidades, críticas e perseguições de todo o tipo. Tudo ela recebia e abraçava com espírito de fé, vendo em tudo a vontade de Deus. É admirável em seu ardente amor a Deus. Amor forte, generoso e provado, que a faz dizer: “Saborear a suavidade de Deus, não é amor sólido; mas humilhar-se, sofrer e morrer a si mesmo, este é verdadeiro amor”.
Sta. Joana recebe a Regra das
mãos de S. Francisco de Sales
     Em 1632, profundamente tocada pelo amor divino, partilhou com as Irmãs sua experiência acerca de um martírio que chamou de Martírio de Amor, explicando-lhes textualmente: “... Deus, sustentando a vida de seus servidores e servidoras para fazê-los trabalhar para a sua glória, os torna mártires e confessores ao mesmo tempo (...). É que o Divino amor faz passar sua espada pelas partes mais secretas e íntimas de nossas almas, e nos separa de nós mesmas. Eu conheço uma alma a quem o amor separou das coisas que lhe eram mais caras, de tal modo, como se tiranos houvessem separado seu corpo de sua alma, esquartejando-o com suas espadas”. As Irmãs entenderam que Joana Francisca falava de si mesma.
     Diferentemente de Santa Teresa d’ Ávila e de outros santos, Joana não escreveu suas exortações, conferências e instruções, elas foram anotadas e entregues à posteridade graças a muitas monjas fiéis e admiradoras de sua Ordem.
     Tendo vivido em profunda humildade, gozou de paz e serenidade constantes. Ao falecer, em 13 de dezembro de 1641, às vésperas de seus 70 anos de idade, deixou fundados 87 Mosteiros.
     Em 1751 foi beatificada pelo Papa Bento XIV e em 16 de julho de 1767, canonizada por Clemente XIII.
     Seu coração permanece incorrupto no Mosteiro da Visitação, na cidade de Nevers, França.

Fontes:

Postado neste blog em 12 de dezembro de 2012

segunda-feira, 10 de agosto de 2020

Santa Pletrudes, Fundadora - 10 de agosto

     
     Ela nasceu perto de Trier, de uma família nobre. Ugoberto, seu pai, parente do santo bispo Teodardo, tornou-se, em 705, Bispo de Maastricht e sua mãe era, como agora é geralmente reconhecida, a Beata Irmina, que morreu como abadessa de Oren e está provavelmente enterrada em Weissenburg.
     Pletrudes se casou com o francês Pepino e exerceu uma influência benéfica sobre ele; tiveram dois filhos, Drogo e Grimaldo que morreram prematuramente. Seu relacionamento com o marido, no entanto, foi muitas vezes ofuscado pela presença de uma concubina, Alpaida (Chalpaida), que deu à luz Carlos Martel.
     Em 697-98, ela teve uma participação decisiva na fundação do mosteiro de Echternach, que fica no território de Luxemburgo atualmente, que foi dado a São Vilibardo para dirigi-lo, e do mosteiro de Kaiserswerth, com a ajuda de São Suitberto. A partir destes dois centros partiram missionários anglo-saxões em particular para a conversão dos frísios.
     Após a morte de Pepino, em 714, Pletrudes confiou a regência a Carlos Martel e retirou-se para Colônia, onde fundou uma igreja em honra da Mãe de Deus, que mais tarde ficou conhecida como "Santa Maria no Capitólio", e uma comunidade monástica.
     Segundo a tradição, ela faleceu em Colônia, em 10 de agosto de 725. O culto de Santa Pletrudes limitou-se à igreja fundada por ela e ao convento de Santa Maria no Capitólio, onde seu túmulo ficava no meio do coro antes do altar-mor; na cobertura do túmulo o retrato da Santa foi esculpido no século XI.
     As informações sobre Pletrudes resultam sobretudo da Chronica Regia do século XII, que embora seja tardia, o fato é que a tradição que a considera santa e fundadora se manteve ininterruptamente. O dia de sua morte foi sempre celebrado como uma "memoria Plektrudis reginae fundatricis huius ecclesiae", e, apesar da opinião dos Bollandistas, seu culto é provado sem qualquer dúvida.
     O Calendário de Essen, séculos XIII e XIV, registra o seu nome, bem como a Ladainha do Liber Capitularis de Santa Maria no século XIV. Sua festa era celebrada inicialmente em 10 de agosto, mais tarde em 11 de agosto e também em 18 de setembro.
Echternach, Luxemburgo, vendo-se ao fundo a Abadia

Postado neste blog em 9 de agosto de 2012


sexta-feira, 7 de agosto de 2020

Beata Maria Margarida Caiani (do Sagrado Coração), Fundadora – 8 de agosto


Fundadora do Instituto Franciscano das Irmãs Mínimas do Sagrado Coração, em Poggio, Itália.

     Maria Ana Rosa, natural de Poggio a Caiano (Itália), veio à luz do dia a 2 de novembro de 1863. Seus pais eram Tiago Caiani (serralheiro e encanador na Vila Medicea) e Luísa Fortini. Ela era a terceira de cinco irmãos. Mariana (como era chamada na família) foi batizada na Igreja de Santa Maria da Assunção em Bonistallo.
     Na devida altura, seus pais matricularam-na numa escola particular, que ela frequentou com grande proveito durante três anos. A menina ia assim crescendo em idade, ciência e piedade, que se alimentava diariamente com a Santa Missa e a Comunhão, apesar da igreja ficar longe de casa.
     Esta vida de genuína piedade cristã levou-a ao amor do próximo. Visitava os doentes e preparava os agonizantes para o desenlace final.  Seu irmão mais novo, Gustavo, ficou doente por sete anos devido a uma fratura no quadril; ela cuidou dele até sua morte, aos 11 anos. A partir desse importante evento em sua vida, Mariana começou a cuidar e ajudar as pessoas. Anos depois, outra tragédia chegou à família: seu pai morreu de repente, e ela teve que ajudar seu irmão Oseias em uma tabacaria. Seis anos depois, sua mãe morreu.
     Enriquecida com tão sólidas virtudes, era natural que sentisse vocação para a vida consagrada. E assim, em 1893, aos trinta anos, com uma amiga bateu às portas do Mosteiro das Beneditinas de Pistoya, mas decorrido um mês regressou a casa, convencida de que não tinha vocação para a vida de clausura. O seu coração inclinava-a para o apostolado direto com as almas. Por conselho da Madre Teresa da Cruz, voltou para sua terra.
     Em 19 de setembro de 1894, com sua amiga Maria Fiaschi, abriu uma escola para ensinar crianças, além da doutrina católica, os primeiros elementos do saber. Dois anos depois, duas jovens dispostas a levar o mesmo teor de vida vieram se associar a ela. Desta forma, a obra, que nascera na pobreza e simplicidade, começou a crescer.
     Em 1901 a Beata redigiu umas Regras ou Constituições, que foram aprovadas pelo Bispo de Pistoia, e inscreveu a nascente família das Irmãs Mínimas do Sagrado Coração na Terceira Ordem Franciscana.
     A 15 de dezembro de 1902 vestiu o hábito com cinco companheiras tomando o nome de Irmã Maria Margarida do Sagrado Coração, em homenagem a Santa Margarida Maria Alacoque, mensageira do Coração de Jesus. A 17 de outubro de 1905 fez a profissão perpétua.
     Estavam, portanto, lançados os alicerces de uma nova família religiosa que iria desenvolver-se prontamente. Em 19 anos a Beata fundou pessoalmente 12 casas dispersas por toda a Itália. Em 1910 já se estendia por várias dioceses. Em outubro de 1915 realizou-se o primeiro Capítulo Geral e a Irmã Maria Margarida foi eleita Superiora Geral vitalícia.
     Dotada de bondade, humildade, caridade e amor materno, governou o Instituto com sabedoria e prudência. Dizia às suas Filhas: “A glória é para Deus, a utilidade para o próximo e o trabalho para nós”. Recomendava-lhes com frequência que rezassem muito pela santificação do clero.
     Preocupou-se mais com a solidez do Instituto do que com o seu crescimento, cuja finalidade é a educação da juventude, a assistência aos doentes nos hospitais e em casa, o cuidado dos anciãos em pensionatos e casas de repouso. As suas religiosas cooperam ainda nos trabalhos apostólicos das paróquias e nas obras sociais das missões. A Congregação foi aprovada pela Santa Sé em 1926. Em 1977, o Instituto contava 60 casas e 606 professas em Itália, Egito e Israel.
     Poucos meses antes da fundadora morrer, a Congregação foi adicionada à Ordem Franciscana. A Beata teve de passar pelo cadinho das provações, mas nunca perdeu a paz interior. Faleceu a 8 de agosto de 1921, com 58 anos incompletos. no Mosteiro dos Capuchinhos de Montughi. O Instituto já tinha mais de duzentos religiosas em 21 casas. Desde 20 de abril de 1960 repousa na capela do Instituto.
     Madre Maria Margarida Caiani foi beatificada em 23 de abril de 1989. Na homilia da beatificação, o Santo Padre elogiou a Bem-aventurada com estas palavras:
     “O poder da mensagem da caridade foi compreendido por Maria Margarida Caiani mediante a contemplação de Cristo e do seu Coração trespassado. À luz do amor divino, que se revelou no Divino Salvador, Margarida aprendeu a servir os irmãos entre a gente humilde da sua terra da Toscana, e quis ocupar-se dos mais necessitados, dos últimos: as crianças marginalizadas, os meninos do campo, os anciãos e os soldados vítimas da guerra, internados nos hospitais militares. E para as suas filhas espirituais, as Irmãs Mínimas do Sagrado Coração, ela ensinou a servir os outros com a intenção de reparar as ofensas feitas ao amor de Cristo e de sempre inspirar-se neste amor no exercício da sua caridade”. ... 
Vista de Poggio a Caiano, Toscana
Fontes:
Pe. José Leite, Santos de cada dia, Editorial A. O. - Braga.

Postado neste blog em 7 de agosto de 2012

terça-feira, 4 de agosto de 2020

Beata Cecília Cesarini, Priora Dominicana - 4 de agosto

 A Beata Cecilia recebe o hábito das mãos de São Domingos



     Na trasladação e reconhecimento das relíquias da Beata Diana de Andaló, feita em 1510, no Mosteiro de Santa Inês, Bolonha, foram encontrados três corpos no mesmo túmulo, dois dos quais foram atribuídos a Diana e a Cecília. O terceiro, que então não foi identificado, num próximo reconhecimento (1584) foi atribuído à Irmã Amada, monja vinda com as outras irmãs a convite do Beato Jordão da Saxônia, de São Sixto para Santa Inês, em 1224, a fim de estabelecer ali a vida dominicana.
     As Beatas Diana de Andaló (* Bolonha c. 1200 - † 10 de junho de 1236) e Cecília Cesarini (* Roma c. 1200 – Bolonha, 4 de agosto de 1260) são figuras virginais insignes entre aquelas que floresceram sob a influência de São Domingos de Gusmão na cidade de Bolonha.
     A Beata Diana emitiu os votos de castidade, pobreza e obediência nas mãos do Patriarca. Ela atraiu para junto de si outras religiosas, entre as quais a Beata Cecília.
     Quando São Domingos procurou um local na Itália para difundir sua obra, escolheu de maneira especial a região da cidade de Bolonha por prever que sua famosa Universidade seria um campo fértil para futuras vocações.
     Ele encontrou o local apropriado para se estabelecer, mas também a furiosa oposição dos proprietários das terras, os Andaló. Estes acabaram cedendo às súplicas de sua filha Diana, que já ouvira as pregações dos Dominicanos e havia sido tocada por elas.
     O próprio São Domingos recebeu de maneira privada os votos da jovem, que somente conseguiria tornar-se religiosa após duras batalhas com os parentes que não a queriam no convento. Isto só foi possível porque o Beato Jordão da Saxônia havia conquistado a confiança dos Andaló. A família toda aquiesceu em fundar um mosteiro para monjas dominicanas e ali Diana se instalou com quatro companheiras. Como nenhuma delas tinha experiência religiosa, foram chamadas quatro irmãs do Mosteiro de São Sixto, em Roma.
     Duas delas, Cecília e Amada, tornaram-se intimamente ligadas a Diana. Esta foi a primeira superiora do mosteiro e, após sua morte, Cecília a sucedeu.

Dados biográficos da Beata Cecília Cesarini

     Cecília nasceu em Roma nos primeiros anos do século XIII, e morreu em Bolonha no dia 4 de agosto de 1290. Não há certeza quanto à sua família, embora muitos digam que ela era uma Cesarini.
     Quando Cecília era uma jovem de dezessete anos e se encontrava no Mosteiro de Trastevere, antes de trasladar-se para o Mosteiro de São Sixto, se distinguiu por ter sido uma das primeiras religiosas a corresponder aos esforços de São Domingo para reformar as Ordens, e foi ela quem convenceu a abadessa e as outras irmãs a se submeterem à Regra do Santo.
     Foi transferida com outras religiosas de Santa Maria em Tempulo para formar o Mosteiro de São Sixto, em 28 de fevereiro de 1221.
     Em 1223, ou no início de 1224, o Papa Honório III enviou-a para Bolonha com outras três religiosas, para que ela formasse no espírito dominicano as religiosas do Mosteiro de Santa Inês, recentemente fundado pela Beata Diana de Andaló e pelo Beato Jordão da Saxônia.
     Cecília foi eleita priora do Mosteiro de Santa Inês após a morte da Beata Diana. Entre os setenta e oitenta anos, vendo sua vida exemplar chegar ao fim, e querendo edificar suas coirmãs, contava para elas as maravilhas realizadas por São Domingos em Roma, na fundação do Mosteiro de São Sixto. Suas histórias foram coletadas por Irmã Angélica e ostentam o título Miracula beati Dominici - Milagres do Beato Domingos. Desta maneira a Beata Cecília ligou o seu nome à história e à hagiografia Dominicana.
     Não deve, entretanto, causar surpresa se, feitas cerca de meio século após os fatos, essas memórias possam não ser uma fonte histórica absolutamente segura em termos de cronologia e nomes.   
     No epistolário da Beata Diana com o Beato Jordão da Saxônia, um dos primeiros companheiros do Fundador da Ordem dos Pregadores, encontra-se documentado o fervor da primeira comunidade existente no coração de Bolonha.
     Quanto à Beata Cecília, que recebeu o hábito monacal das mãos do Fundador, é atribuída a ela uma admirável descrição de São Domingos, de cujo espírito foi testemunha fidelíssima.     
     O culto das Beatas Diana, Cecília e Amada foi aprovado em 24 de dezembro de 1891 por Leão XIII. Os corpos das Bem-aventuradas ainda se conservam no Mosteiro de Santa Inês de Bolonha.

Postado neste blog em 3 de agosto de 2011


segunda-feira, 3 de agosto de 2020

Beata Ana Petronília da Silésia, Abadessa – 2 de agosto


     
Panorama de Znojmo
     A Beata Ana Petronília de Silésia foi uma abadessa que viveu no século XV.
     Recorda-se que ela entrou nas Clarissas de Znojmo na Morávia, um mosteiro fundado entre 1271-1273, por iniciativa do rei Pyemysl Otakar II, nas proximidades do convento dos menores franciscano.
     Para a fundação o rei trouxe quatro freiras italianas e teve o mosteiro inaugurado pelo Bispo Bruno de Schauenburg de Olomouc. Neste mosteiro Ana serviu como abadessa por muitos anos.
     Irmã Ana Petronília distinguiu-se pela extraordinária prática da penitência, dormindo em cima de uma cruz por apenas algumas horas durante cada noite. A cruz onde a Irmã Ana Petronília dormia está preservada até hoje.
     No Martirológio Franciscano é relatado que a Beata morreu em 2 de agosto de 1465 e que ela é celebrada e lembrada no dia de sua morte.

Autor: Mauro Bonato



Znojmo, na Silésia Tcheca - uma bela cidade histórica, com sua localização impressionante no rio Dyje.
     O centro histórico, com inúmeras igrejas, cercadas por muros medievais, mantém o estilo renascentista. Está cheia de ruas sinuosas, vistas românticas e cantos pitorescos. E Znojmo é o centro da famosa região vinícola.