quinta-feira, 12 de julho de 2018

Santa Zélia Guérin e São Luís Martin – 13 de julho


     Há 160 anos, no dia 13 de julho de 1858, Luís Martin (1823-1894) e Zélia Guérin (1831-1877) os pais de Teresa do Menino Jesus, se uniam em casamento. Foi o primeiro casal a ser canonizado em uma mesma cerimônia na história da Igreja.
     “Os santos esposos (…) viveram o serviço cristão na família, construindo dia após dia um ambiente cheio de fé e amor; e, neste clima, germinaram as vocações das filhas, nomeadamente a de Santa Teresinha do Menino Jesus”, disse o Papa Francisco em 18 de outubro de 2015, durante a Missa canonização.
     Maria-Azélia (Zélia) Guérin nasceu em Saint-Denis-sur-Sarthon, Orne, França e era a 2ª filha de Isidoro Guérin e Luísa-Joana Macé. Sua irmã mais velha, Maria Luísa, tornou-se religiosa Visitandina, e seu irmão mais novo, Isidoro, era farmacêutico.
     Luís Martin nasceu em Bordeaux (França) em 22 de agosto de 1823.
     Ambos eram filhos de militares e foram educados num ambiente disciplinado, severo, muito rigoroso. Os dois receberam uma educação de cunho religioso: nos Irmãos das escolas cristãs, Luís; nas Irmãs da Adoração Perpétua, Zélia. Ao terminar os estudos, no momento de escolher o próprio futuro, Luís orientou-se para a aprendizagem do ofício de relojoeiro, não obstante o exemplo do pai, conhecido oficial do exército napoleônico. Zélia inicialmente ajudava a mãe na administração da loja de família. Depois especializou-se no "ponto de Alençon" (*). Em poucos anos os seus esforços foram premiados: abriu uma modesta fábrica para a produção de rendas e obteve um discreto sucesso.
     Ambos nutriram desde a adolescência o desejo de entrar numa comunidade religiosa. Ele pediu para ser admitido entre os cônegos regulares de Santo Agostinho do hospício do Grande São Bernardo nos Alpes suíços, mas não foi aceito porque não conhecia o latim. Também ela tentou entrar nas Filhas da Caridade de São Vicente de Paulo, mas compreende que não era a sua estrada.
     Durante três anos Luís viveu em Paris, hóspede de parentes, para aperfeiçoar a sua formação de relojoeiro. Insatisfeito com o clima que se respirava na capital, transferiu-se para Alençon, onde iniciou a sua atividade, conduzindo até à idade de 32 anos um estilo de vida quase ascético.
     Entretanto, Zélia, com a receita da sua empresa, manteve toda a família, vendendo rendas para a alta sociedade parisiense. O encontro entre os dois acontece em 1858 na ponte de São Leonardo em Alençon. Ao ver Luís, Zélia percebeu distintamente que ele seria o homem da sua vida.
      Levaram uma vida matrimonial exemplar: missa diária, oração pessoal e comunitária, confissão frequente, participação na vida paroquial. De sua união, nasceram nove filhos, quatro dos quais morreram prematuramente. Entre as cinco filhas que sobreviveram estava Teresa, a futura santa padroeira das missões, que nasceu em 1873. As recordações desta santa é uma fonte preciosa para a compreensão da santidade de seus pais. Em uma de suas cartas, Santa Teresinha disse uma vez: "O bom Deus me deu um pai e uma mãe mais dignos do Céu do que da Terra".
     Zélia recebeu a terrível notícia de que tinha um tumor no seio aos 45 anos. Viveu a doença com firme esperança cristã até à morte ocorrida em 28 de agosto de 1877, em Alençon.
     Com 54 anos, Luís teve que se ocupar sozinho da família. A primogênita tem 17 anos e a última, Teresa, tem 4 e meio. Então, transferiu-se para Lisieux, onde morava o irmão de Zélia. Deste modo, as filhas receberam os cuidados da tia Celina. Entre os anos de 1882 e 1887 Luís acompanhou três filhas ao Carmelo e uma a Visitação. O sacrifício maior para ele foi afastar-se de Teresa que entrou nas Carmelitas com apenas 15 anos. Luís foi atingido por uma enfermidade que o tornou inválido e que o levou à perda das faculdades mentais. Foi internado no sanatório de Caen. Morreu em julho de 1894.

12 coisas que Santa Zélia Martin me ensinou sobre santidade na maternidade
por Susanna Spencer - maio 2, 2016 
     Quando tomei conhecimento do caso para a canonização de Luís e Zélia Martin, pais de Santa Teresinha, fiquei muito intrigada. Tanto Luís quanto Zélia queriam ser religiosos, mas, em vez disso, se conheceram e se casaram. Tiveram nove filhos, perderam quatro deles muito precocemente, e trabalhavam juntos para sustentar a família com um negócio de rendas.
     Zélia relata sua vida diária em cartas, e eu percebi que ela poderia muito bem ser santa no mundo moderno, no século 21. Aqui estão algumas coisas que eu aprendi sobre a santidade:
1) Até os santos podem precisar de uma empregada doméstica, às vezes:
     “Paulina disse outra noite, ‘Oh! que pena, o dia já está acabando. Eu gostaria que fosse manhã novamente’. Eu não discordo completamente dela, porque eu tive um longo dia. Durante três dias, eu estive sozinha com estes pequenos, porque a empregada está com sua família. Além disso, estava um frio terrível e tive uma febre, que mal conseguia me levantar”. (Carta 25)
     Zélia escreveu isto quando tinha cinco crianças menores de sete anos. Quando li isso, eu realmente fiquei confortada. É difícil ficar sozinha com as crianças sem ajuda, e até mesmo Zélia pensava assim.
2) O jejum é difícil até mesmo para os santos                                    
     “Eu sofro tanto com o jejum e a abstinência! No entanto, não é uma mortificação muito pesada, mas eu estou tão cansada de como meu estômago se sente e, especialmente, tão covarde, que eu gostaria de não fazê-lo por completo, se ouvisse a minha natureza”. (Carta 130)
     Eu nunca jejuo como Zélia e Luís, durante todo o dia com uma pequena refeição no final. Isso por si só parece heroico, e saber como ela superou sua natureza e sofreu por Deus é inspirador.
3) Os santos também se preocupam em ter todas as coisas feitas
     “Eu tenho minhas duas meninas mais velhas, que estão de férias. O que é um verdadeiro prazer para mim, mas também um aumento real no trabalho porque eu tenho que cuidar de tudo o que precisamos para as férias de verão. Eu estou consertando todos os seus vestidos, por isso estou até o pescoço com as costureiras. E para além disso, tenho demandas urgentes para esta semana; nenhuma está concluída, e isso é o que me preocupa”. (Carta 131)
     Eu sempre pensei que confiar em Deus significava nunca mais se preocupar com todas as coisas que precisam ser feitas. Mas depois que eu li as cartas de Sta. Zélia, comecei a me perguntar se o problema não é a preocupação em si; alguns de nós estão ocupados apenas em se preocupar. Parece que podemos preocupar-nos e continuar a confiar em Deus.
4) Os santos também têm dias ruins
     “Oh meu bem, isso é o dia até agora, e ainda é só meio-dia. Se isso continuar eu vou estar morta esta noite! Você vê, no momento, a vida parece tão pesada, e eu não tenho coragem porque tudo parece muito para mim”. (Carta 132)
     Ela tornou-se uma santa, porque virou-se para Deus em seus tempos difíceis; se virou para Ele o tempo todo, mesmo quando as coisas eram sombrias, ou quando estava apenas tendo um dia ruim.
5) Os filhos dos Santos nem sempre fazem o que lhes é dito
     “Eu me senti muito mal porque as meninas não foram saudar o seu tio. Foi culpa delas. Não importava quantas vezes eu lhes dissesse: ‘Vistam-se cedo’. Elas fizeram de uma forma, de modo a não estarem prontas a tempo”. (Carta 137)
     Não posso te dizer quantas manhãs disse aos meus filhos para se vestirem e eles demoravam e não estavam prontos a tempo, acho que é muito encorajador ver uma mãe que se tornou santa ter o mesmo problema.
6) Santos também ficam frustrados com a manutenção das roupas de todas as crianças
     “Oh, querida, eu não faço nada, a não ser fazer compras durante todo o dia. Seu pai diz, divertidamente, que é uma paixão minha! Não adianta explicar-lhe que não tenho escolha; ele acha difícil de acreditar”. (Carta 143)
     A mudança das estações é particularmente frustrante quando você tem que descobrir o que precisa, e o que ainda cabe, e o que não funciona mais! Mas mesmo Zélia tinha dificuldade em manter tudo ajustado, e seu marido, Luís, ainda zombava dela por isso.
7) Ser pai e ser santo, é criar os filhos para o Céu
     “Quando tivemos nossas crianças, as nossas ideias mudaram um pouco. Nós vivíamos só para eles. Eles eram toda a nossa felicidade, e nós nunca a encontrávamos em qualquer coisa exceto neles. Em suma, nada era muito difícil, e o mundo não era mais um fardo para nós. Para mim, os nossos filhos foram uma grande alegria, então eu queria ter um monte deles, a fim de criá-los para o céu”. (Carta 192)
     Ter um casamento santo significa viver a vocação que Deus lhe deu. Se Deus deu filhos, então eles são parte de sua felicidade terrena. É fácil ser pego em uma mentalidade mundana na educação dos nossos filhos, mas realmente eles estão destinados para o céu.
8) Santos rezam a seus filhos no Céu
     “Quando eu fechei os olhos dos meus queridos filhos pequenos e quando eu os enterrei, senti muita dor, mas era sempre com resignação. Eu não lamento as dores e os problemas que sofri com eles. Várias pessoas me disseram: ‘Seria melhor não tê-los tido’. Eu não posso suportar esse tipo de conversa. Eu não acho que as dores e os problemas poderiam ser pesados demais em comparação a eterna felicidade dos meus filhos. Assim, eles não foram perdidos para sempre. A vida é curta e cheia de dores. Vamos vê-los novamente no céu. Acima de tudo, foi na morte do meu primeiro filho que senti mais profundamente a felicidade de ter um filho no Céu, pois Deus me mostrou de forma notável que Ele aceita meu sacrifício. Por intercessão de meu pequeno anjo, recebi uma graça muito extraordinária”. (Carta 72)
     Zélia pediu a intercessão de seus filhos que morreram ainda bebês. Ela disse que preferia ver seus filhos morrerem jovens do que não irem para o céu. Isso é o verdadeiro amor para as crianças.
9) Santa Teresa de Lisieux se comportou como uma criança de três anos de idade
     “Eu tenho que corrigir esse pobre bebê, que sente uma raiva terrível quando as coisas não saem como ela gostaria. Ela rola no chão como uma pessoa desesperada, acreditando que tudo está perdido”. (Carta 147)
     Os meus, aos três anos atuam como santos!
10) Os santos nem sempre conseguem o que pedem em oração
     “A Mãe de Deus não me curou em Lourdes. O que se pode fazer, meu tempo é um fim, e Deus me quer descansar em outro lugar que não seja na terra”. (Carta 216)
     Zélia foi a Lourdes pedir a cura de seu câncer. Como não fora curada, ela resignou-se à vontade de Deus, mesmo que não correspondesse às suas orações.
11) Santos casais precisam um do outro
     “Estou ansiosa para estar perto de você, meu querido Luís. Eu te amo com todo o meu coração, e eu sinto ainda mais o meu afeto quando você não está aqui comigo. Seria impossível para mim viver longe de você”. (Carta 108)
     Luís e Zélia foram maior conforto um do outro! Para se tornarem santos como um casal realmente significa dar-se inteiramente para o outro e para Deus.
12) A família é um reflexo do amor de Deus:
     “Em breve teremos a felicidade íntima da família, e é esta beleza que nos traz para mais perto dele”. (Carta 229)
     O 12º não é de Zélia, mas é de seu marido São Luís Martin. Luís somente escreveu cartas quando viajou e algumas publicadas no livro, refletem a importância da vida familiar como um bem que nos aproxima de Deus.
     Ler essas cartas me mostrou que tornar-se um santo é possível para qualquer um que se abra à graça de Deus e verdadeiramente O procura. Santos Luís e Zélia Martin passaram por tanta dor e tinham tantos problemas, mas permaneceram fiéis e levaram cinco filhas para se tornarem irmãs, uma das quais hoje é santa, Santa Teresa de Lisieux e outra que é venerável, Leônia Martin.

Renda de Alençon feita por Sta. Zélia para o jubileu de Leão XIII

(*) A confecção do “ponto de Alençon”, também chamado de “renda da Rainha”, iniciou-se em Alençon durante o século XVI e se espalhou rapidamente no reinado de Luís XIV por meio de Jean-Baptiste Colbert, que em 1665 estabeleceu uma Oficina Real na cidade para produzir renda no estilo veneziano. Após o período do Terror, na Revolução Francesa, a confecção da renda foi preservada pelas Carmelitas em Alençon. Em 1976, uma Oficina de Renda Nacional foi estabelecida na cidade para assegurar que esta técnica de confecção de renda sobreviva.

http://www.nobility.org/2013/07/11/bl-zelie-martin/
https://pt.churchpop.com/12-coisas-que-santa-zelia-martin-me-ensinou-sobre-santidade-na-maternidade/

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