quinta-feira, 31 de agosto de 2023

A França salva do comunismo por Nossa Senhora da Oração - 1947

“Rezai pela França que nestes dias está em grande perigo”. A Santíssima Virgem às quatro crianças em L’Ile-Bouchard no dia 8 de dezembro de 1947.
 
     “Em L’Île-Bouchard, um pequeno subúrbio de Touraine, não longe de Chinon, desde a manhã de 8 de dezembro, festa da Imaculada Conceição, até domingo, 14 de dezembro, quatro garotinhas disseram ter visto a Santa Virgem, que lhes apareceu na igreja paroquial. [...]
     Eis pelo menos a essência da mensagem, repetida várias vezes por Nossa Senhora:
“Peçam às criancinhas que rezem pela França”. “Rezem pela França, que nestes dias está em grande perigo”. “Não vim aqui para fazer milagres, mas para pedir-lhes que rezem pela França”.
     A perfeita coincidência dessas palavras com os graves eventos que as crianças certamente ignoravam é impressionante.
Em direção a um golpe de estado soviético-comunista?
     “Todos falam do ‘golpe de Praga’ sem saber que outro golpe tinha sido planejado na França antes dele, ou em todo caso simultaneamente, e nas mesmas condições... na primavera de 1947, tudo estava preparado”. Naquele momento os soviéticos tinham de 1.500 a 2.000 agentes pagos, sem falar das tropas do Partido Comunista Francês e da CGT. “Somente alguns poucos iniciados do antigo quadro nacional da FTPF sabiam desses eventos, assim como dois ou três membros do Politburo do Partido Comunista Francês. Ao todo, não chegavam a mais que dez ou doze personalidades comunistas. Entre eles e o aparato estrangeiro na França não havia dificuldade de relacionamento...”
     “Após a exoneração dos ministros comunistas em maio, continuaram as preparações para um golpe bolchevique usando a força, durante o verão e o outono. Logo chegaram as notícias de que na Polônia, em 22-23 de setembro, o Cominform, ou “Escritório de Informação Comunista”, havia sido criado. Duclos e Fajon na ocasião haviam representado o Partido Comunista Francês.
     “Então começaram as greves. O país foi logo paralisado. Não havia mais transportes. Houve sabotagem também. Então grupos armados apareceram... A hora da “finalização” estava se aproximando, quando as armas realizariam a tomada do poder. Verdadeiros Partidos Comunistas insurgentes foram instalados, alguns em seus sindicatos, outros nas municipalidades adquiridas pelos comunistas, alguns em segredo... Um relatório enviado ao ministro do interior exprimiu preocupação sobre a efervescência dos círculos espanhóis “republicanos” na região de Toulouse-Pirineus, e até Aude. Ao todo, três milhões de grevistas subitamente paralisaram o país”.
     Ao final de novembro, o embaixador americano em Paris obteve esta divulgação privada de sua fonte comunista: “Moscou quer derrubar o gabinete Schuman. Em seu lugar, antes do fim do ano, quer instalar um governo completamente subserviente a si. Stalin deu uma ordem precisa a Maurice Thorez e Georges Dimitrov, os quais chamou a Sotchi, na Criméia: ‘Façam o Plano Marshall fracassar!’ A greve geral na França é organizada por um agente especial da NKVD! Os comunistas estão dando tudo de si”. [...]
Uma proteção milagrosa?
     Por que, finalmente, esse golpe de estado tão meticulosamente planejado não se materializou? Tanto quanto sabemos, foi por razões impossíveis de acessar. [...]
     Podemos também acreditar que Deus permitiu-Se comover pelas orações que as criancinhas tinham-Lhe enviado após o pedido urgente de Sua Mãe, que tinha vindo uma vez mais a Sua terra da França. Sem dúvida também Ele foi tocado pelas orações e louvor das multidões durante o Grande Retorno. [...]  (*)
*
  
   
As aparições de Nossa Senhora na 
L’Île-Bouchard, França, aconteceram a quatro meninas:
     Jacqueline Aubry, 12 anos, nasceu em 28 de setembro de 1935. É alta e com uns olhos negros cheios de franqueza. Tem cabelos negros. E um bom coração. É expansiva e suas reações são vivas. Em casa ajuda a sua mãe com boa disposição e habitualmente ajuda no comércio de seus pais. É a terceira de seis filhos. Usa óculos porque é míope.
     Jeanne, 7 anos, sua irmã, chamada comumente Jeannette, nasceu em 9 de fevereiro de 1940. É ruiva e com olhos azuis, pálida, agitada e de um primeiro contato pouco social. Contrariamente às aparências é reflexiva e delicada em seus sentimentos; frequentemente e com pleno reconhecimento, seu rosto se torna hermético. É animada com as meninas de sua idade.
     Seus pais, o Sr. e Sra. Aubry têm uma pequena pastelaria na Rua Gambetta. São crentes, mas não praticantes.
     Nicole Robin, 10 anos, pertence a uma família de proprietários rurais cujas terras estão na vila de Pont, sobre Panzoult. Nasceu em 15 de setembro de 1937. Tem cabelos castanhos e seu rosto é tranquilo, mas com um olhar atento. A menina é sensata, é boa estudante, mas muito silenciosa. É prima de Jacqueline e de Jeannette. Respeita seus pais que também são crentes, mas não praticantes.
     Laura Croizon, 8 anos, nasceu em 3 de abril de 1939 e mostra menos sua personalidade que as outras meninas. É a menor e seu aspecto é bem infantil. Mas no geral tem um rostinho sorridente, até se diria mimosa. Seus cabelos são castanhos. Tem fama de ser amável. Vive na Rua Gambetta, em frente à pastelaria Aubry. Em seu meio familiar há somente um vago sentido de religiosidade.
     Vejam como foram as aparições:
1ª. APARIÇÃO: 8 de dezembro de 1947 pelas 12h50min, Jacqueline, Jeannette e Robin vão à igreja rezar pela França que estava em grande ameaça do comunismo. Elas rezam uma dezena do Terço no Altar de Nossa Senhora. De repente, viram uma grande luz e uma linda Senhora numa gruta e um Anjo à sua direita. Depois de 4 a 5 minutos, saem com medo e avisam às amigas Laura e Sérgine sobre a aparição na igreja. Laura vê imediatamente a aparição. Mas Sérgine, não vê. Nossa Senhora sorriu para elas. Ela tem um véu branco em sua cabeça e cabelos loiros. Seu vestido branco é bordado com ouro e cinto azul até o joelho. Tem as mãos juntas e um Terço branco com corrente de ouro. Encontra-se rodeada por uma luz. Seus pés estão sobre uma grande pedra retangular com rosas. O Anjo, um pouco menor que Ela, tem olhos azuis e asas cor da luz. A Senhora passa as contas do Terço nas mãos, mas não ouvem sua voz. E desapareceu.
     As meninas contam para os outros sobre a aparição e voltam à igreja às 13h50min. Nossa Senhora apareceu novamente, mas triste e diz: “Digam às crianças para rezarem pela França. Ela está em grande necessidade”. Laura pergunta se ela é nossa Mãe do Céu. A Senhora responde que sim com um sorriso carinhoso. Jacqueline pergunta quem é o Anjo. Ele olha para ela e diz sorrindo: “Eu sou o Anjo Gabriel”. Nossa Senhora estende os braços para as crianças e diz: “Deem-me sua mão para beijar”. Jacqueline estende e a Senhora se inclina e as beija. A Senhora diz: “Voltem hoje às cinco horas da tarde e amanhã à uma hora da tarde". E desapareceu.
2ª. APARIÇÃO: 8 de dezembro de 1947: Às 17:00 hs, Jacqueline voltou à igreja. As outras três foram impedidas de entrar. Nossa Senhora vem durante o quinto Mistério e acena para a menina com o Anjo. 
3ª. APARIÇÃO: 9 de dezembro de 1947 pelas 12:00 hs, Nossa Senhora aparece com o Anjo do lado esquerdo e não direito. Diante dEla estão rosas com a inscrição: “Eu sou a Imaculada Conceição”. Jacqueline pergunta se pode trazer seus amigos. Nossa Senhora diz: “Sim, mas eles não vão me ver. Beijem a Cruz de meu Terço”. Ela ficou triste e disse: “Rezem pela França, que nestes dias está em perigo. Vá dizer ao pároco para chegar às 2 horas da tarde. Ele deve trazer as crianças para rezar. Diga a ele para construir uma gruta, onde eu estou, para colocar minha estátua e a do Anjo, eu os abençoarei. Voltem às 2 horas da tarde e às 5 horas da tarde”. E desapareceu. Tudo foi feito como Nossa Senhora pediu. As multidões começaram a rezar pela França em suas casas e na igreja durante os dias seguintes.
4ª. APARIÇÃO: 9 de dezembro de 1947 - Nossa Senhora voltou às 5 da tarde dizendo: “Cantem a Ave-Maria e rezem uma dezena do Terço todos os dias”. Jacqueline pergunta se Ela virá amanhã. Ela diz: “Sim, voltem todos os dias à 1 hora da tarde. Vou lhes dizer quando isto acabará”. Nossa Senhora abençoa o povo com um Sinal da Cruz. 
5ª. APARIÇÃO: 10 de dezembro de 1947 - Nossa Senhora disse: “Cantem a Ave-Maria. Beijem minha mão”. Jacqueline pergunta se ela fará um milagre para que todos acreditem. Ela responde: “Eu não estou aqui para fazer milagres, mas para convidá-los a rezarem pela França”. Nossa Senhora lhe diz um segredo e desaparece. 
6ª. APARIÇÃO: 11 de dezembro de 1947 - Nossa Senhora disse: “Cantem a ‘Ave-Maria’. Vocês rezam pelos pecadores? Eu darei alegria às suas famílias. O pároco vai construir a gruta?”  
7ª. APARIÇÃO: 12 dezembro de 1947 - O Anjo apareceu para as crianças sozinhas. Nossa Senhora tem um halo brilhante atrás de sua cabeça e disse: “Rezem muito pelos pecadores”. Jacqueline pede um milagre novamente e a Senhora respondeu triste: “Eu não estou aqui para fazer milagres, mas para vocês rezarem pela França”. 
8ª. APARIÇÃO: 13 de dezembro de 1947 - Jacqueline pede um milagre e Nossa Senhora disse: “Depois. Eu virei amanhã pela última vez”. 
9ª. e ÚLTIMA APARIÇÃO: 14 de dezembro de 1947 Domingo - As videntes levam buquês de variadas flores. Jacqueline oferece a Nossa Senhora, mas Ela não pegou. A menina insiste e Nossa Senhora disse: “Eu beijarei, mas eu não quero levá-las. Você as levará”. Jacqueline apresenta quatro buquês para Nossa Senhora beijar e pergunta o que fazer para consolar a Nosso Senhor da dor que lhe causam os pecadores. Nossa Senhora disse: “Vocês devem rezar e fazer sacrifícios”. Jacqueline pede provas de sua presença e Nossa Senhora diz: “Antes de partir, vou enviar um raio brilhante de sol. Digam a multidão para cantar o Magnificat. Vocês rezam pelos pecadores? Rezem uma dezena do Terço com os braços em cruz”. A aparição durou 35 minutos.
     No final, apesar do escuro (na Europa, no inverno, a noite vem mais rápido), um raio de sol penetra pela janela da igreja escura e ilumina as videntes e seus buquês. Todos os presentes o viram. E Nossa Senhora desapareceu.
1a. gruta feita na Igreja de
St Gilles, onde Nossa Senora
aparecera
Vinte anos depois
     O Cônego Ségelle, pároco da Igreja de Saint Gilles, onde as aparições aconteceram, inicialmente fora cético em relação aos acontecimentos. Mas à medida que tudo fazia crer na veracidade das narrações das meninas, passou a cuidar do fluxo contínuo de fiéis à L’Île Bouchard.      
     Atualmente esta corrente de oração continua e tem pontos culminantes em 8 de dezembro, no mês de maio, em 15 de agosto, durante o mês do Rosário. Os peregrinos vêm de Touraine, de Anjou, de Bretanha, de Vendée, de Alsácia, de Marselha, de Niza, da região de Paris, da Ilha de Guadeloupe, da Bélgica, da Suíça, da Inglaterra. Numerosas cartas pedem orações, às vezes assinalam as graças recebidas ou fazem perguntas sobre a posição da Igreja.
E as meninas?
     A vida fez com que as quatro videntes se dispersassem. Guardam muito vivamente esta grande recordação. Com muita alegria regressam a rezar na Igreja Saint Gilles e permanecem discretas, evitando quanto possível as perguntas que se lhes queiram fazer.
     Jacqueline Aubry permaneceu solteira. Em Tours, tornou-se professora em escolas católicas, onde era muito apreciada pelos seus alunos e seus pais. Agora, aposentada, vive em L'Île-Bouchard e, às vezes dá seu testemunho pessoal sobre o que viu e ouviu em 1947, sempre em consonância com as autoridades da Igreja.
     Jeanne Aubry trabalhou em Paris como enfermeira de ambulância, depois como cientista da computação. Ninguém sabia quem ela era, mas sua fé radiante sempre estimulou seus colegas que nela encontravam alívio e conforto. Desde sua aposentadoria, em 1998, ela voltou para a L’Île-Bouchard e continua prestando seus serviços ao próximo.
     Robin Nicole é casada e tem três filhos. Ela vive com o marido na região de Saumur. Sempre foi muito ativa nos movimentos católicos. Regularmente ela retorna à L’Île-Bouchard para a peregrinação do 8 de dezembro.
     Laura Croizon também se casou e tinha dois filhos. Ela viveu em Touraine e na região de Paris, Lyon e finalmente em Bordeaux. Após uma vida marcada pelo sofrimento físico e moral, faleceu no dia 24 de dezembro de 1999. Está enterrada no cemitério de Saint-Gilles L’Île-Bouchard, em um túmulo de sua família.
     Todas guardaram sua experiência com a Santíssima Virgem e o Anjo Gabriel no fundo de seus corações e permaneceram em completa obediência à Igreja.
 
Decreto:
     Desde 1947 muitos são os católicos que vão em peregrinação à igreja paroquial Saint Gilles de Ile-Bouchard para venerar a Santa Virgem. Estas peregrinações têm trazido muitos frutos da graça. Desenvolveram um espírito de oração, sem nunca ceder à tentação do sensacional e muito têm contribuído para o crescimento da fé dos participantes.
     Depois de estudar os fatos e de pedir conselho a pessoas competentes, eu autorizo estas peregrinações e o culto público celebrado na igreja paroquial Saint Gilles de L’Île-Bouchard, para invocar a Nossa Senhora da Oração, sob a responsabilidade pastoral do Cura legítimo desta paróquia.
Tours, em 8 de dezembro de 2001.
Festa da Imaculada Conceição
André Vingt-Trois, Arcebispo de Tours
 
Fontes:
(*) (Ir. Michel de La Sainte Trinité, The Whole Truth About Fatima)  Spem in Alium: A França salva do comunismo por Nossa Senhora (speminaliumnunquam.blogspot.com)
Espacojames - Portal Católico
Sagrada Face de Jesus: Aparições da ilha de Bouchard (sagradafacejesus.blogspot.com)

quarta-feira, 30 de agosto de 2023

Beata Maria Rafols, "heroína da caridade" - 30 de agosto

      Maria Rafols nasceu no dia 5 de novembro de 1781 em Villafranca del Panadés (Barcelona), Espanha, sexta dos dez filhos do moleiro Cristóbal Rafols e de Margarida Bruna Brugol.
     A família morava no moinho de En Rovina e constituiu para Maria uma forja de virtude, recebendo os primeiros ensinamentos de austeridade, de trabalho e ajuda recíproca.
     Quando tinha quase dois anos, em maio de 1783, a família se transferiu para La Bleda, pequeno povoado vizinho de Villafranca, onde recebeu a Crisma no dia 27 de maio de 1785, ministrada pelo bispo de Barcelona, Mons. Gabino Valladares, na igreja do convento das Carmelitas da cidadezinha.
     Quando tinha 11 anos, a família se transferiu de novo para Santa Margarida, onde morreram, em 1793, o irmão pequeno José (cinco irmãos morreram em tenra idade) e dois tios, marido e mulher; no dia 10 de julho de 1794 morre seu pai.
     Maria se revelou dotada de ótimas qualidades intelectivas e assim os familiares a mandaram para o Colégio de Barcelona gerido pelas “Mestras da Companhia de Maria”.
     Não há muitas informações sobre o período de estudos e sobre a sua juventude, mas certamente foi atraída pelo clima de caridade fervorosa para com os necessitados e doentes existente naquele tempo em Barcelona, e começou a fazer parte de um grupo de doze jovens, que sob a direção do sacerdote Juan Bonal y Cortada, hoje Servo de Deus (1769-1829), capelão do Hospital Santa Cruz de Barcelona, estava constituindo uma confraternidade para assistência de todos os mais pobres entre os doentes asilados, os doentes psíquicos e as crianças abandonadas.
     O Padre Bonal e Maria Rafols compreenderam que dedicar-se assim completamente aos necessitados exigia pessoas consagradas a Deus, dispostas a servir os doentes com um espírito de fé e com amor.
     Para realizar tudo isto, o Padre Juan Bonal se transferiu em setembro de 1804, para o Hospital “Nossa Senhora da Graça” de Zaragoza e Maria Rafols se juntou a ele com onze jovens, no dia 28 de dezembro do mesmo ano.
     Embora Maria Rafols tivesse apenas 23 anos, foi nomeada Presidente da pequena comunidade feminina, semente fecunda da futura Congregação.
     Ela batalhou para a transformação do Hospital, presa do desleixo, dos abusos e da desordem de alguns dependentes mal recompensados, inserindo no contexto a vida apostólica das religiosas, ainda que não compreendida nem desejada pelos dirigentes do hospital.
    O grande Hospital de Zaragoza acolhia cada ano de 6.000 a 8.000 pessoas e as coirmãs da confraternidade enfrentavam as necessidades como podiam. Em 1808, perderam também a ajuda do grupo de confrades que as financiava, em virtude das hostilidades por parte dos dirigentes e de tantas dificuldades que se sucederam. O Padre Bonal, todavia, permanecia entre elas, trabalhando também para a constituição da nova Congregação que devia acolhê-las.
     Nos anos 1808 e 1809, ocorreram dois cercos a Zaragoza por parte do exército francês de Napoleão, e no dia 4 de agosto de 1808 o hospital foi reduzido a cinzas. Maria Rafols e as coirmãs se refugiaram no antigo hospital para convalescentes, onde depois ela permaneceria por toda a vida.
     Não apenas danos materiais resultaram da Guerra Franco-Espanhola, mas também a nascente Congregação foi golpeada: a junta do hospital, nomeada pelo governo francês, interferiu afastando o fundador, Padre Juan Bonal, e impondo regras redigidas pelo bispo Michele Suarez de Santander, o que determinou a demissão de Maria Rafols do cargo de Presidente.
     As coirmãs embora observassem a regra do fundador entre elas, no exterior procuravam adequar-se aquela imposta pela junta.
     Maria Rafols se distinguiu por sua heroicidade e caridade, sobretudo durante os cercos e os combates de 1808 e 1809. À cabeça de um grupo de coirmãs, estava presente onde era necessário socorrer os feridos, os prisioneiros, os doentes sem asilo, os dementes abandonados. Nove jovens irmãs morreram naquela difícil situação.
     Arriscando a vida, Maria foi ao acampamento dos franceses, durante o cerco, para suplicar ao general que mandasse socorro para os feridos e os doentes; esforçou-se pela libertação dos prisioneiros. A cidade de Zaragoza, no centenário do cerco, concedeu a ela o título de “heroína da caridade”.
     Superadas as ruínas da guerra, continuou a obra assistencial no Hospital de Zaragoza, dirigindo a pequena comunidade até 10 de agosto de 1812, quando as novas constituições entraram em vigor e foi nomeada uma nova superiora.
     Embora tendo sido demitida do cargo de Presidente para evitar a desunião na associação, uma crise afetou a comunidade e algumas coirmãs a deixaram. Maria Rafols ficou encarregada da sacristia e depois, em 1813, das crianças abandonadas e dos órfãos.   
     Finalmente, em 15 de julho de 1824, a pequena comunidade circunscrita ao Hospital de Zaragoza obtém a aprovação das constituições e a associação se torna uma Congregação: Instituto das Irmãs da Caridade de Sant’Ana.
     No dia 16 de julho de 1825, Maria Rafols, junto com suas coirmãs, pronunciou os primeiros votos públicos, tornando-se novamente a Presidente, cargo que ocupou até 1829.
     Devido a implicações ideológicas e religiosas, resultantes das desordens políticas ocorridas durante a primeira guerra “carlista”, em 11 de maio de 1834 Maria Rafols, como outras personalidades eclesiásticas, foi aprisionada no cárcere da Inquisição. Embora tivesse sido julgada e declarada inocente, foi exilada no Hospital de Huesca, em 11 de maio de 1835, porque a sua presença no Hospital Nossa Senhora da Graça de Zaragoza foi considerada inoportuna.
     Em Huesca, morou com um grupo de coirmãs, provenientes elas também de Zaragoza, permanecendo ali até 1841; depois pode retornar a Zaragoza, onde retomou com maior zelo a sua atividade a favor das crianças órfãs.
     Caridade e pobreza foram as virtudes mais características de toda a sua vida, que santamente chegou ao fim em Zaragoza no dia 30 de agosto de 1853, aos 72 anos, dos quais 49 como Irmã da Caridade.
     A Congregação das Irmãs da Caridade de Sant’Ana se difundiu somente a partir de 1858, em consequência da autorização concedida pela Rainha Isabel II, e hoje está presente em 27 países, com 287 casas.
     Os despojos da Beata Maria Rafols e do Servo de Deus Juan Bonal, fundadores do Instituto, foram transladados, em 1925, para a igreja da Casa Generalícia das Irmãs da Caridade de S Ana.
     A causa para a sua beatificação foi iniciada em 1926; foi beatificada por João Paulo II em 16 de outubro de 1994 na Praça S. Pedro em Roma. A sua celebração é no dia 30 de agosto.
 
Adendo:   
Escritos póstumos da Beata foram milagrosamente descobertos na primeira sexta-feira de outubro (2 de outubro) de 1931 
     Entre outras coisas, o divino Salvador deu os caminhos e meios da Beata Maria Rafols para alcançar a vitória sobre o inimigo infernal. Disse-lhe que um dos meios mais poderosos de expiação ao seu Pai celestial era invocar Maria, padroeira e protetora da Espanha, sob o título de "Nossa Senhora del Pilar". Recordou-lhe também que, nestes momentos de necessidade, uma das orações da Santíssima Virgem é particularmente agradável, isto é, a oração contemplativa e oral dos cinco mistérios dolorosos do Rosário. Deve-se rezar o mesmo não só na igreja, mas também em casa, nas famílias. A vitória sobre o inimigo infernal seria, então, infalível. O divino Salvador continua dizendo: "O grande mal destes tempos, e dos piores que virão, é que se perdeu o gosto pela vida sobrenatural, que se vive apenas para as coisas deste mundo, apenas para o pecado". Além disso, o divino Salvador assegurou à Beata Maria Rafols que faria grandes milagres pela Espanha, que o mundo inteiro reconheceria, porque salvaria esta nação, tão amada por sua mãe. Maria Santíssima dirá Ela mesma o que deve ser feito para reconciliar seu Pai eterno. Finalmente, o divino Salvador diz: "Dizei aos espanhóis que não tenham medo. Estou com eles. Depois de tudo isso, dias de glória virão para mim. Devem praticar diligentemente a "infância espiritual". Que se abandonem aos Meus braços. Haverá um triunfo como nunca se ousaria imaginar".
 
Fontes:
www.santiebeati.it
O SINAL DE MARIA 1: Mãe de Maria Rafol, Fundadora das Filhas da Caridade de Santa Ana, heroína da cidade de Saragoça (dzm1.blogspot.com)
 
Postado neste blog em 30 de agosto de 2011

segunda-feira, 28 de agosto de 2023

Santa Eufrásia Eluvathingal, Carmelita - 29 de agosto

     
Nasceu no dia 7 de outubro de 1877 na aldeia de Kattoor (Índia), na paróquia de Edathuruthy, que formava parte do então vicariato de Trichur (posteriormente passou a ser diocese e foi dividida) e que atualmente pertence à diocese de Irinjalakuda. Era filha de Antony e Kunjethy de Eluvathingal Cherpukara, uma rica família católica do rito siro-malabar. Foi batizada com o nome de Rosa.
     Desde pequena, por influência de sua mãe, mulher muito piedosa, começou a exercitar-se nas virtudes. Na idade de nove anos consagrou a Deus sua virgindade. Contra a vontade de seu pai, na idade de doze anos ingressou no internato das religiosas da Congregação da Mãe do Carmelo de Koonammavu.
     Depois da reorganização dos vicariatos apostólicos realizada no ano 1896, no dia 9 de maio de 1897 as religiosas e as aspirantes do vicariato de Trichur se trasladaram de Koonammavu para Ambazhakkad.
     No dia seguinte, Rosa recebeu o véu e se tornou postulante com o nome de Eufrásia do Sagrado Coração de Jesus. Em 10 de janeiro de 1898 tomou o hábito na Congregação da Mãe do Carmelo, o primeiro instituto feminino surgido na Igreja siro-malabar, que fora fundado em 13 de fevereiro de 1866 em Koonammavu, no Estado de Kerala, pelo beato Kuriakose Elias Chavara e o padre Leopoldo Beccaro, da Ordem dos Carmelitas Descalços, então delegado carmelita em Kerala, como terceira ordem dos Carmelitas Descalços. Desde 1967 é de direito pontifício.
     Em 24 de maio de 1900, por ocasião da fundação do convento de Santa Maria em Ollur (a 5 k da cidade de Trichur), Irmã Eufrásia emitiu os votos perpétuos. Nesse convento viveu durante 48 anos.
     Em 1904 foi nomeada mestra de noviças, ocupando este cargo até ser nomeada superiora em 1913. Tornou-se professora, cargo que ocupou por nove anos. Eleita superior em 1913, três anos depois foi transferida para Manalur, mas alguns meses depois teve que retornar a Ollur por motivos de saúde e lá permaneceu até sua morte, vivendo em perfeita união com Deus em oração, jejum e mortificação.
     Por causa de seu profundo espírito de oração chamavam-na de “madre orante”. Alcançou uma profunda união com Nosso Senhor, especialmente na Sagrada Eucaristia. As Irmãs carmelitas a chamavam “sacrário móvel”. Passava longas horas diante do sacrário na capela do convento, esquecida de si mesma e de tudo que a rodeava.
     Em uma carta a seu diretor espiritual expressa a sede que sentia de adorar, amar e consolar Cristo na Eucaristia: “Como aqui a maior riqueza, a Santa Missa, não se celebra a miúdo, experimento uma grande dor interior e sinto um grande desejo de suprir essa ausência. Tenho uma grande fome e uma grande sede de fazer algo a respeito” (3 de julho de 1902).
     Ela foi uma grande apóstola da Eucaristia; se esforçava por fazer com que todos amassem, adorassem e consolassem a Jesus no Santíssimo Sacramento. Também tinha uma devoção especial por Cristo Crucificado. Beijava com frequência o crucifixo e falava interiormente com ele, apertando-o contra o peito. O sofrimento, a paixão e a dor de Cristo provocavam uma grande dor em seu coração.
     Professava uma filial devoção à Virgem Maria, que considerava como sua verdadeira mãe. Era especialmente devota do Santo Rosário; rezava os 15 mistérios meditando na vida de Nosso Senhor e de sua Mãe Santíssima.
     Levou uma vida muito simples e austera, realizando numerosos atos de penitência e mortificação. Comia uma só vez por dia, evitando a carne, o pescado, os ovos e o leite.
     Conjugava perfeitamente a ação e a contemplação em sua vida. Seu amor a Deus se manifestava na compaixão e no amor às pessoas que se dirigiam a ela para que as ajudasse em suas dificuldades econômicas ou problemas familiares, ou para pedir-lhe orações a fim de curar-se de uma enfermidade, obter um emprego ou superar um exame. Sabiam que ela intercederia junto a Mãe de Deus e que suas orações eram sempre escutadas. Era um modelo exemplar de caridade.
Cama onde a Santa faleceu
     Madre Eufrásia, que havia oferecido sua vida como sacrifício de amor a Deus, faleceu no dia 29 de agosto de 1952. Somente a partir de 30 de janeiro de 1990 seus restos mortais repousam na igreja do convento de Santa Maria in Ollur. Em todos aqueles que tiveram a sorte de conhecê-la, ela deixou a lembrança de uma reputação indiscutível de santidade. Muitas graças foram atribuídas à sua intercessão celestial. Tudo isso levou à abertura do processo diocesano de informação em 21 de outubro de 1988.
     Foi beatificada em 3 de dezembro de 2006 na igreja de Santo Antônio Forane, em Ollur, arquidiocese de Trichur, pelo Cardeal Varkey Vithayathil, arcebispo mor de Ernakulam-Angamaly dos siro-malabares.
     Foi canonizada em 23 de novembro de 2014.
 
Fontes:
http://es.catholic.net/op/articulos/36462/cat/214/eufrasia-del-sagrado-corazon-de-jesus-eluvathingal-beata.html
Santa Eufrásia do Sagrado Coração de Jesus (Rosa Eluvathingal) (santiebeati.it)
 
Postado neste blog em 29 de agosto de 2016

sexta-feira, 25 de agosto de 2023

Beata Lourença (Leocádia) Harasymiv, Virgem e mártir - 26 de agosto

 
   
Em Kharsk, próximo de Tomsk, na região russa da Sibéria, Beata Lourença (Leocádia) Harasymiv, virgem da Congregação das Religiosas de São José, que, durante o regime de opressão perpetrado em sua pátria pelos perseguidores da fé, foi conduzida àquele campo de concentração, onde com sua morte gloriosa uniu à pureza de sua vida a perseverança na fé.
     Leocádia Harasymiv nasceu em Rudnyku, região de Lvov, Ucrânia, no dia 17 de agosto de 1911. Teve uma educação católica e em maio de 1932 ingressou na Congregação das Religiosas de São José. Dois anos depois, emitiu os seus primeiros votos assumindo o nome religioso de Lourença. Dedicava-se aos trabalhos religiosos e sociais próprios de sua família religiosa.
     Com a chegada do regime comunista, junto com a Beata Olímpia Bidá, substituiu junto aos fiéis a atenção religiosa supressa pelos revolucionários com a prisão dos sacerdotes e o consequente desaparecimento destes nos campos de concentração soviéticos.
     Em 1951, foi feita prisioneira pelos agentes da KGB, junto com a Beata Olímpia, quando elas acompanhavam um fiel defunto ao cemitério. Enviada para Borislav, foi depois deportada e encarcerada na fortaleza de Kharsk, perto de Tomsk, na província russa da Sibéria.
     Irmã Lourença já estava doente, com tuberculose. Apesar de sua saúde febril, dividia uma cela com um paralítico afetado pela tuberculose, que fora rejeitado por todos pelo medo do contágio. Suportou com paciência as condições de vida desumanas, continuando a rezar intensamente. Era assistida pela Beata Olímpia da melhor maneira possível, porém, a falta de atenção médica e de remédios levaram-na à morte no dia 28 de agosto de 1952. Seu glorioso martírio conjugou a firmeza da fé à pureza que distinguira toda sua vida.
     Foi beatificada por João Paulo II em 27 de junho de 2001, junto com outras 24 pessoas de nacionalidade ucraniana, vítimas do regime soviético.
 
Fontes: www.santiebeati/it e “Año Cristiano”- AAVV, BAC, 2003
Postado neste blog em 25 de agosto de 2017

quarta-feira, 23 de agosto de 2023

Beata Maria Encarnação Rosal, Fundadora - 24 de agosto

     
Maria Vicenta Rosal nasceu em Quetzaltenango, Guatemala, em 26 de outubro de 1820, num lar cristão e cresceu num ambiente de profunda fé.
     Aos 15 anos, ingressou na Congregação de Belém, instituição existente na cidade da Guatemala sob a jurisdição dos padres Belemitas, fundados por São Pedro de São José Betancur (1626-1667). (*)
     Em 16 de julho, recebeu o hábito das mãos do último padre Belemita, Frei José de São Martinho, e adotou o nome de Maria Encarnação do Sagrado Coração.
     Insatisfeita com a vida na Congregação, foi para o convento das “Catarinas”, para logo retornar “à sua Belém”, onde foi eleita Priora. Imediatamente meteu mãos à obra no intuito de reformá-la, mas não conseguindo realizar seu intento, decidiu fundar outra instituição onde seriam vividas as Constituições que ela havia redigido e que o Bispo local já havia aprovado. Conseguiu realizar sua fundação em Quetzaltenango, sua terra natal.
     Sua vida e obra eram dedicadas a conservar o carisma do fundador da Congregação Belemita, São Pedro de Betancur, “À luz da Encarnação, da Natividade e da Morte do Redentor”. A Congregação vivia o espírito de reparação das Dores do Sagrado Coração de Jesus, dedicando o dia 25 de cada mês à adoração reparadora.
     A ânsia pela glória de Deus e salvação dos homens levava Madre Encarnação a “servir com solicitude ao irmão necessitado” e a “impulsionar a educação infantil e da juventude nos colégios, escolas e lares para meninas pobres”, bem como a “dedicar-se a outras obras de promoção e assistência social”.
     Em 1855, a reformadora da Ordem Belemita iniciou formalmente seu trabalho fundando em Quetzaltenango dois colégios, mas sua obra foi interrompida com o início da perseguição política imposta pelo governo de Justo Rufino Barrios (1873-85), o qual expulsou do país várias ordens religiosas.
     Com o objetivo de continuar seu trabalho evangelizador, Madre Encarnação chegou à Costa Rica em 1877. Ali fundou o primeiro colégio para mulheres em Cartago, a 23 k desta capital, onde se encontra a Basílica da Rainha dos Anjos, Padroeira da Costa Rica.
     Em 1886, Madre Encarnação fundou um orfanato-asilo em San José. Todavia, novamente precisou abandonar o país quando outro governo assumiu o poder, expulsando as ordens religiosas e impondo a educação laica. Madre Encarnação também fundou casas na Colômbia e no Equador, sofrendo o desterro que lhe impunham as autoridades Guatemaltecas.
     Assim que precisou abandonar a Costa Rica, Madre Encarnação instalou-se na Colômbia. Na cidade de Pasto fundou outro lar para meninas pobres e desamparadas. Ela é considerada como uma das pioneiras da formação integral da mulher no continente latino-americano.
     A incansável peregrina estabeleceu posteriormente a Ordem Belemita no Equador, em Tulcán e Otavalo.
     Madre Maria Encarnação morreu em 24 de agosto de 1886 após cair do cavalo que a transportava de Tulcán até o Santuário de Las Lajas, em Otavalo. Seu corpo foi transladado à cidade de Pasto, onde se conserva incorrupto. Seu instituto trabalha atualmente em 13 países.
     A causa de sua beatificação foi introduzida em 23 de abril de 1976. O Decreto de aprovação do milagre foi firmado em 17 de dezembro de 1996. Foi beatificada pelo Papa João Paulo II em 4 de maio de 1997, na Praça de São Pedro, em Roma.
     Atualmente, sua obra está presente na Itália, África, Índia, Espanha, Venezuela, Equador, Estados Unidos, Costa Rica, El Salvador, Nicarágua, Panamá e Guatemala. A Casa Mãe situa-se em Bogotá, na Colômbia.
 
Fonte: Tradução e Adaptação: Gisèle Pimentel gisele.pimentel@gmail.com
http://hagiosdatrindade.blogspot.com.br/2010/08/beata-maria-encarnacion-rosal-religiosa.html
 
(*)     A Ordem dos Irmãos de Nossa Senhora de Belém foi fundada na Guatemala em 1658 pelo terciário franciscano natural das Ilhas Canárias, São Pedro de São José de Betancur (1619-1667) como uma irmandade para a evangelização dos índios, de assistência aos pobres e às crianças doentes e abandonadas.
São Pedro de S José Betancur
     
A Coroa espanhola aprovou a fundação no dia 2 de maio de 1667 permitindo que os membros construíssem o Antigo Hospital de Nossa Senhora de Belém.
     Sob a liderança do Frei António da Cruz, que sucedeu a São Pedro de Betancur como superior geral da fraternidade, os Irmãos Betlemitas (ou Belemitas) transformaram-se em religiosos mendicantes de votos solenes submetidos à Regra de Santo Agostinho (embora seu fundador fosse um franciscano) e, pouco depois, a fraternidade foi aprovada pelo Papa Inocêncio XI enquanto ordem religiosa com a bula pontifícia a 26 de março de 1687 e reiterada pelo Papa Clemente XI a 3 de abril de 1710.
Renascimento da Ordem
Religiosas na década de 1940
     
     Desaparecida em 1820, a espiritualidade da Ordem dos Irmãos de Belém foi resgatada pela madre superiora a Beata Maria Encarnação Rosal (1815-1886) que, em 1861, fundou o ramo feminino da ordem sob o nome de Instituto das Irmãs Belemitas Filhas do Sagrado Coração de Jesus. Por seu lado, o ramo masculino foi restaurado em 1984 pelo próprio Papa João Paulo II que, em 2002, canonizou o fundador da Ordem.
     A 31 de janeiro de 2005, a Ordem dos Irmãos de Nossa Senhora de Belém contava com sete religiosos e dois conventos.

domingo, 20 de agosto de 2023

Beata Angelina de Spoleto – 20 de agosto

 

   
A Beata Angelina de Spoleto é uma Clarissa que viveu no século XIII.
     Filha de Antonio, um nobre de Spoleto, ela se tornou freira por volta de 1440. Ela entrou no mosteiro das Clarissas de Santa Lúcia em Spoleto.
     A Beata Angelina era uma freira que amava o silêncio e a humildade. Conta-se que dormia apenas três ou quatro horas e passava a maior parte dos dias rezando, principalmente pelas almas do purgatório.
     Gravemente doente e acamada devido a uma doença grave, ela foi milagrosamente miraculada por Santa Clara que apareceu a ela com outros santos e foi completamente curada.
     E precisamente no final dos seus dias foi recordada no Martirológio franciscano: "Angelicis moribus exornata et Sanctorum apparitionibus recreata ad caelestem sponsum migravit" (Adornada com maneiras angelicais e revivida pelas aparições dos santos, ela voou para seu noivo celestial).
     No mesmo texto recorda-se que a sua festa caía a 20 de agosto. Ela morreu em Foligno em 1490.
 
Fonte: www.santiebeati.it

terça-feira, 15 de agosto de 2023

Beata Petra de São José, Fundadora - 16 de agosto

     
No final do século XIX e nas primeiras décadas do século XX, ocorreram na Santa Igreja Católica um florescer de Fundadores de obras sociais que se ocuparam da instrução de crianças e jovens; do cuidado e do acolhimento dos pobres, velhos, abandonados, órfãos; na assistência aos doentes em suas casas, ou em hospitais; na formação profissional dos operários, artesãos, agricultores; na direção espiritual e formação dos jovens.
     Entre tais Santos Fundadores encontramos a espanhola Madre Petra de São José.
     Vale de Abdalajís (Málaga) foi o povoado que viu nascer, no dia 7 de dezembro de 1845, Petra de São José, cujo nome de batismo foi Ana Josefa Pérez Florido. Ana Josefa era a última de 19 filhos de José Pérez e Maria Florido.
     Aos três anos ficou órfã de mãe e foi entregue aos cuidados da avó paterna, Teresa Reina, muito religiosa, que lhe inculcou a fé desde tenra idade. Sua precoce caridade era alimentada pela devoção à Eucaristia, a Nossa Senhora das Dores e a São José.
     Fez os estudos elementares na escola da aldeia onde logo se sentiu chamada à oração e à vida consagrada, como dirá mais tarde: “Não pensava mais nada do que ser freira; e neste desejo me consumia”.
     Muito caridosa, distribuía quanto podia aos pobres e quando lhe era impossível acudir às suas necessidades ficava mais triste que eles, como ela própria confessa: “Quando me pediam alguma coisa e não conseguia dar nada, ficava desconsolada como eles”.
     Não era apenas a pobreza material que lhe tocava a alma. Também a entristecia a ignorância religiosa dos seus conterrâneos e a pouca vontade de aprenderem a conhecer os mistérios de Deus. “Dava-me pena que, ao ouvir os sermões, alguns dormissem, desperdiçando tão bela ocasião de se instruírem”.
      Com o irmão João levava comida às famílias mais necessitadas do povoado; quando não tinha meios de socorrê-los, vencendo a oposição do pai, ia com três companheiras, pedir de porta em porta e pelas quintas, vencendo assim a sua natural repugnância de mendigar. Derramava à sua volta simplicidade e alegria. Atraídas pelo seu modo caridoso e desinteressado, outras jovens também se dedicavam às crianças abandonadas.
     Após a morte do pai, ocorrida em 11 de janeiro de 1875, Ana Josefa pode se dedicar inteiramente à sua vocação. Dois meses depois, em 19 de março de 1875, a pedido do prefeito de Alora (Málaga), abriu uma pequena casa para idosos, sempre sem ligação a qualquer Ordem religiosa e com a ajuda das jovens que se tinham ligado a ela.
     Em 2 de novembro de 1877, Ana e suas companheiras vestiram o hábito das noviças da nova Congregação Mercedárias da Caridade, fundada pelo cônego de Málaga, João Nepomuceno Zegri, que lhes deixou a Casa de Alora.
     Em 23 de setembro de 1879, Ana Josefa deixou o hábito mercedário e se colocou à disposição do Bispo de Málaga, Mons. Manuel Gomez-Salazar.
     Em 25 de dezembro de 1880, encorajada por Mons. Manuel Gomez-Salazar, fundou a Congregação das Mães dos Desamparados. Na realidade foi o próprio bispo que lhes pôs o nome de Mães dos Desamparados para identificá-las com o modo como tratavam os pobres.
     Receberam o hábito e fizeram os votos no dia 2 de fevereiro de 1881. Nos primeiros anos não faltaram dificuldades para atender os desprotegidos que iam abrigar-se à sombra do seu amor. Mas a Madre Petra, nome adotado por ela depois da profissão religiosa, conquistou a confiança das famílias mais ricas, que reconheciam os desvelos com que eram tratados os indigentes; assim a Congregação pode erguer lares em Málaga, Gibraltar, Andújar, Barcelona, Martos, Valência e Arriate, ainda que à custa de muito sacrifício. Mas as vocações continuaram a afluir para tanto trabalho.
     Em 1895, como resultado de sua grande devoção a São José, iniciou a construção de um Santuário em honra do seu patrono, sobre a Montanha Pelada, Barcelona, cuja igreja foi inaugurada em 19 de março de 1901. Em 1903 fundou a revista religião “A Montanha de São José” para difundir devoção ao protetor da Santa Igreja.
     A fortaleza espiritual e a energia firme da Beata Petra resultavam de uma fé interior muito robusta, confiante e esclarecida, alimentada por uma oração contínua, por um amor visível e assombroso ao sacrifício e à cruz de todos os dias, e uma devoção terníssima e confiante em São José, cujo exemplo de simplicidade quis sempre reproduzir.
     Em 1905, o Papa São Pio X acrescentou o título “e de São José da Montanha” ao nome da Congregação, para ilustrar a devoção ao pai adotivo de Jesus.
     Madre Petra faleceu no dia 16 de agosto de 1906, aos 61 anos de idade, no Santuário de São José da Montanha, a joia mais bela da sua coroa, num ambiente de grande serenidade e paz.
     A Congregação espalhou-se por diversos países: Itália, Argentina, Colômbia, Chile, Guatemala, México, Estados Unidos e Porto Rico, onde prossegue e persevera no acolhimento dos desamparados que ninguém quer.
     Madre Petra foi beatificada por João Paulo II em 16 de outubro de 1994.
 
Fontes: www.santiebeati.it/http://www.jornalaguarda.com
 
Postado neste blog em 15 de agosto de 2013

Santa Radegundes, Rainha de França e Monja - 13 de agosto

     
Filha de Bertário, rei da Turíngia (atual Alemanha), Santa Radegundes nasceu por volta de 518, e viveu numa região de florestas profundas e verdes vales. Ela passou seus primeiros anos em meio às turbulências que devastaram o reino ainda pagão. Duas vezes prisioneira, ela assistiu ao assassinato dos pais e dos parentes mais chegados.
     Seu tio, Hermanfrido, matara seu pai para ficar com a porção do reino que cabia a este. Pediu o auxílio de Thierry, rei dos francos, para livrar-se do irmão e ficar só no governo da Turíngia. Depois, Hermanfrido não quis cumprir a promessa que fizera a seu aliado de partilhar com ele os domínios conquistados. E a Providência serviu-se disso para castigar o fratricida.
     Thierry, unindo-se a seu irmão Clotário, rei de Soissons, invadiu e devastou a Turíngia, matou seu rei, e levou para a França algumas vítimas ilustres e ricos despojos. Na partilha, Clotário quis ficar com Radegundes, então com dez anos de idade, mas muito amadurecida pelo sofrimento.
     Radegundes foi levada para a França, a Saint-Quentin, depois a Athies. A esposa de Clotário, Ingonda, deu a menina uma educação muito religiosa.
      Sofrendo sempre em silêncio, Radegundes preparava sua alma ainda pagã, retamente orientada pela lei natural, para compreender, em contato com a doutrina católica, o sentido de expiação que o sofrimento tem, à semelhança dos padecimentos do Redentor que expiou os pecados de toda a humanidade.
     Na propriedade real de Athies, para onde a mandou Clotário, a princesa recebeu uma educação tão esmerada, que chegou a falar com facilidade e elegância o latim, e a compor poesias nesse idioma.
     Em 538, com a morte de Ingonda, Clotário desejou desposar Radegundes em Vitry-en-Artois. Radegundes tentou fugir para os arredores de Péronne. Apanhada, ela teve que se submeter à cerimônia presidida pelo Bispo São Medardo, em Soissons.
     Embora fosse filho de Santa Clotilde – que se casou com Clóvis, rei dos Francos –, Clotário era dotado de uma natureza rude e selvagem. Mas, por um desígnio da Providência, envaideceu-se de poder apresentar por esposa uma mulher polida e culta.
     O trono não serviu a ela senão como meio de praticar a caridade em favor dos sofredores. Numa corte recém saída da barbárie, com um rei devasso e nada inclinado à piedade, as atitudes recatadas e modestas da rainha não eram muito do agrado dos cortesãos. Radegundes sofreu com admirável resignação as hostilidades com que estes a tratavam.
     Não podendo dar um filho a seu marido, ela insistia com ele para que a deixasse abandonar o palácio e entrar em algum mosteiro. Quando Clotário ordenou a morte de seu irmão Hermanfrido, única testemunha de todas as suas desventuras, Radegundes decidiu deixar a corte.
     Dirigindo-se a Noyon, suplicou ao Bispo São Medardo que lhe impusesse o véu de religiosa. Diante de sua hesitação, ela o ameaçou: “Se vós tardais em me consagrar e temeis um homem mais que Deus, o Pastor vos pedirá contas da alma da ovelhinha”.
     Depois da consagração oficiada por São Medardo, Radegundes fez uma peregrinação ao túmulo de São Martinho e se reuniu a rainha Santa Clotilde no mosteiro de Tours. Esta vivia entristecida com as infames atitudes do filho, mas foi então consolada pela vinda da dileta nora.
     Clotário fez várias ameaças para obrigar Radegundes a retornar à corte para viver a seu lado, mas ela permaneceu inflexível.
     De Tours, Radegundes passou para outra propriedade real dada a ela pelo rei, Saix. Ali fundou um oratório e um hospital, um dos primeiros da França, e viveu cerca de seis anos como religiosa, dedicando-se a pobre gente dos arredores, cuidando dos enfermos, especialmente os leprosos.
     Em 25 de outubro de 552 (ou 553), Santa Radegundes fundou um mosteiro em Poitiers, depois conhecido como da Santa Cruz, onde entrou acompanhada de um grande número de jovens e na presença de uma multidão. Logo o mosteiro contava com duzentas virgens, mas Radegundes não quis ser a abadessa. O cargo foi dado a sua filha adotiva, Santa Inês, a quem ela obedecia humildemente. O mosteiro seguia a Regra de São Cesário de Arles, e foi colocado sob a proteção da Santa Sé, para ficar livre do poder episcopal.
     A Santa deixou em seu testamento uma ameaça contra quem prejudicasse o convento, “seja não respeitando as pessoas ou propriedades, ou suscitando embaraços e obstáculos”, de modo a incorrer “no julgamento de Deus, da Santa Cruz, e da Bem-aventurada Virgem Maria”, e que tivesse como adversários e perseguidores “os Santos Confessores Hilário e Martinho, sob a proteção dos quais, após Deus”, a santa declarou ter colocado suas irmãs de hábito.
     Ela assim preservava sua obra, e impedia que após sua morte as doações que fizera ao mosteiro suscitassem a cobiça de eclesiásticos ou leigos.
     Os quatro filhos do primeiro casamento de Clotário, especialmente o rei Sigiberto, favoreceram o mosteiro e enviaram à veneranda rainha o poeta São Venâncio Fortunato para ajudá-la especialmente na atividade epistolar mantida por ela com o Papa, com Bispos e reis do Ocidente e do Oriente.
     Por meio de embaixadas junto ao Imperador Bizantino, Justiniano, o rei Sigiberto conseguiu uma relíquia da Santa Cruz. Por ocasião da entronização da relíquia no mosteiro, São Venâncio Fortunato compôs os hinos Vexilla Regis e Pange Língua em honra a Santa Cruz.
     Embora tivesse renunciado a todas as riquezas e ao seu título de rainha para melhor se dedicar a Jesus Cristo, do interior do mosteiro Radegundes continuou a influenciar os príncipes herdeiros evitando conflitos, e manteve uma grande autoridade em todo o reino até o fim de sua vida.
No dia 13 de agosto de 587, São Gregório de Tours, que há anos dava assistência religiosa ao mosteiro de Santa Radegundes, assistiu as suas últimas horas.
     Em sua “História dos Francos”, o Santo relata muitos fatos da vida de Santa Radegundes, deixando este testemunho, ao ver seu corpo no caixão: “tinha ela uma face de anjo em forma humana; a face refulgia como rosas e lírios e ele estremeceu como se estivesse na própria presença da Santa Mãe do Senhor”.
     Ela foi enterrada na Igreja Santa Maria Fora-dos-muros (hoje Santa Radegundes) em Poitiers. Durante as invasões normandas seus despojos foram levados para a Abadia de São Bento de Quincay, depois retornaram a Poitiers em 868. Numerosos milagres lhe são atribuídos, o que atrai muitos peregrinos.
 
Radegunda – Wikipédia, a enciclopédia livre (wikipedia.org)

quinta-feira, 10 de agosto de 2023

Santa Liadania de Killyon, Abadessa – 11 de agosto

     Santa Liadania de Killyon é uma abadessa que presumivelmente viveu no século VI. Acredita-se que ela tenha sido filha de Maine Cerr, filho de Oengus da linhagem de Lugaid e mãe de São Ciarano de Saighir.
     Tanto na vida de Ciarano escrita por Gotha, onde ela é chamada de Wingela, quanto em uma nota no martirológio de Oengu, Santa Liadania concebeu seu filho "quando uma estrela caiu em sua boca".
     Liadania foi convertida ao Cristianismo por seu filho Ciarano, que lhe construiu uma cela em Ceall Liadain (Kyllon), que mais tarde se tornou um mosteiro, a três milhas de seu mosteiro em Saighir.
     Muitas vezes a época em que São Ciarano e sua mãe viveram é indicada antes da chegada de São Patrício na Irlanda, na realidade a historiografia moderna os coloca no século VI.
     A festa de Santa Liadania no Martirológio de Gorman é celebrada em 11 de agosto.
 
Fonte: Santa Liadania di Killyon (santiebeati.it)
*

     
Temos um
grande número de santas comemoradas nos calendários irlandeses em 11 de agosto. Entre elas estão Santa Atracta e Santa Lelia e agora encontramos outra santa cuja festa ocorre neste dia, Liadania ou Liadhain de Killyon. A tradição diz que Liadania era a mãe do homem conhecido como o 'primogênito dos santos da Irlanda', São Ciarano de Saighir, e que ela também era uma fundadora monástica. Canon O'Hanlon nos diz o que mais se sabe sobre esta mãe de santos e sobre os esforços do estudioso do século 19, John O'Donovan, para identificar a localidade onde ela floresceu.
     Esta santa mulher, de acordo com as tradições, deve ter florescido durante a própria infância do Cristianismo na Irlanda. De acordo com o Martirológio de Donegal, um festival foi celebrado no dia 11 de agosto para homenagear Liadhain, filha de Eochaidh. Ela descende da linhagem de Laighaire. Dizem-nos que ela era mãe de São Ciarano de Saigher e a primeira abadessa entre mulheres santas da Irlanda.
      Havia um estabelecimento religioso em um lugar chamado Killiadhuin, supostamente fundado pela santa e batizado em sua homenagem. Agora é identificado com Killyon, perto de Seir-Kieran. Diz-se que dois acres de terra estavam sob os prédios antigos; mas, agora, apenas uma pequena parte das paredes pode ser vista. Já se faz alusão a este local, nas margens de um pequeno ribeiro, denominado Rio Camcor.
      Ao mesmo tempo, John O'Donovan pensou que a paróquia de Killyon, no baronato de Upper Moyfenrath, no condado de Meath, havia sido especialmente dedicada a Santa Liadania. Esta paróquia de Killyon é limitada ao norte pela paróquia de Killaconnican; a leste pelas paróquias de Castlerickard e Clonard; a sul pela última paróquia e a oeste pelo condado de Westmeath. Havia partes destacadas desta paróquia dentro da de Clonard.
      No entanto, essa opinião do Sr. O'Donovan foi posteriormente retirada, embora, como ele supõe, e com grande possibilidade de conjectura, a paróquia de Killian, no Condado de Meath, também tenha sido dedicada à santa. Os restos de uma antiga igreja estão em um cemitério.
      Sob o governo de Santa Liadhain ou Liadania, viveu Santa Brunsecha, uma virgem santa. Supõe-se que ambas tenham florescido no quinto ou sexto século.
 
Fonte: Omnium Sanctorum Hiberniae: Saint Liadhain of Killyon, August 11
 
Origem e significado de Liadania: é o nome da menina que significa "dama cinzenta". É o nome de uma antiga santa irlandesa e o nome de uma poetisa na lenda folclórica irlandesa. Liadain é outra variação.

terça-feira, 8 de agosto de 2023

Santa Cândida Maria de Jesus Cipitria, Fundadora - 9 de agosto

     Em 17 de outubro de 2010, a Santa Madre Igreja reconheceu a santidade da Madre Cândida Maria de Jesus, Virgem Fundadora do Instituto das Filhas de Jesus. Madre Cândida (no século Joana Josefa Cipitria y Barriola) nasceu em 1845 no povoadozinho de Andoain, no seio de uma família cristianíssima e humilde. Falava mal o castelhano, pois sua língua materna era o euskera, e era analfabeta, não sabia escrever nem ler.
     Mas, a Divina Providência tinha destinado à Madre Cândida uma missão aos olhos do mundo impossível. Na igreja de Rosarillo de Valladolid recebeu, em 2 de abril de 1869, a divina inspiração de fundar uma comunidade religiosa dedicada à salvação das almas por meio da educação e instrução da infância e da juventude. Ali também recebeu seu novo nome, Cândida Maria de Jesus. Uma serviçal analfabeta pretendia fundar uma congregação para a educação!
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     Ela nasceu em Berrospe, Andoain (Guipúzcoa, País Basco, Espanha) no dia 31 de maio de 1845; foi batizada com o nome de Joana Josefa Cipitria y Barriola. Era a primogênita de sete filhos de João Miguel Cipitria, tecelão, e de Maria de Jesus Barriola. Com três anos, em 5 de agosto de 1848, recebeu a Crisma.
     Em 1854 a família Cipitria y Barriola se mudou para Tolosa. Em 1862 Joana deixou a terra basca rumo a Burgos, onde teve que cuidar de seus irmãos menores numa família numerosa, para isto começou a trabalhar na família do magistrado José de Sabater. Ao mesmo tempo dava os primeiros passos na vida de piedade.
     Acompanhando a família Sabater a Valladolid, no ano 1868, na Igreja de Rosarillo, conheceu o Pe. Miguel San José Herranz, sacerdote jesuíta, que a ajudou a aumentar sua atitude de penitência e oração, que são dois caminhos necessários para tomar toda decisão importante. Foi ali que sentiu o chamado para responder às necessidades daquela turbulenta sociedade espanhola, e que a levou a fundar uma "Congregação com o nome de Filhas de Jesus, dedicada à salvação das almas por meio da educação e instrução da infância e da juventude”.
     Finalmente, em 8 de dezembro de 1871, em Salamanca, com outras cinco mulheres, deu início à Congregação com a celebração de uma Missa.
     Joana Josefa tinha 26 anos quando começou a redação das Constituições do novo Instituto e a formação das aspirantes. O Pe. Herranz a ajudou colocando ao seu alcance o Sumário das Constituições inacianas.
     Em pouco tempo a congregação se expandiu por toda a Espanha criando escolas em Peñaranda de Bracamonte, Arévalo, Tolosa, Segovia, Medina del Campo etc.
     Em 3 de outubro de 1911 o primeiro grupo de religiosas das Filhas de Jesus embarcou rumo ao Brasil, onde as religiosas abriram novas casas. Este foi o primeiro passo da expansão internacional da Congregação.
     Como fundadora, Cândida Maria experimentou profundamente sua pobreza pessoal (sua escassa preparação intelectual, a falta de meios econômicos e de ajudas materiais ao começo da fundação e durante toda sua vida), junto com o amor grande e infinito de Deus, que nunca nos abandona. No fundo, é esta sua experiência de Deus como Pai de todos, que abriria seu coração aos mais necessitados.
     Suas principais virtudes: um grande espírito de fé que a permite ver as pessoas, os acontecimentos e todas as coisas sob a luz de Deus, e uma esperança firme nas promessas divinas. "Fé, fé, fé viva, constante e eterna, e com isso, trabalhar sem descanso, que tudo passa e só Deus basta...". Uma relação estreita e constante com Jesus que a faria buscar se parecer a Ele como um filho se parece com seu pai. Dizia: "Em Jesus tudo temos". Um amor filial à Virgem, que ela chamava de a verdadeira fundadora do Instituto, e cuja proteção buscava - quase todas as suas cartas começam com a frase "A Puríssima Virgem nos cubra com seu manto".
     Depois de sua morte, em 9 de agosto de 1912, as Filhas de Jesus pretendem seguir os caminhos evangélicos percorridos pela Madre Cândida Maria de Jesus.
     Beatificada em 12 de maio de 1996, em 3 de julho de 2009 foi promulgado o decreto concernente a um milagre atribuído à intercessão da Beata Cândida Maria; sua canonização se realizou em 17 de outubro de 2010.
 
“Tu Voluntad, Señor mío, será la mía, pues mi ser y cuanto tengo me vino de ella". "Cada día, más y más santa, pues en esto está la dicha y la felicidad verdadera. Todo lo demás es falso, engaño y mentira". (Santa Cândida Maria de Jesus)
 
Fontes:http://divinavocacion.blogspot.com.br/2010/10/santa-candida-maria-de-jesus.html;http://emmcmj.wordpress.com/quem-foi-madre-candida/www.santiebeati.it/
 
 Postado neste blog em 8 de agosto de 2013