quinta-feira, 14 de janeiro de 2021

Santa Macrina, a Anciã – 14 de janeiro

      Nosso conhecimento sobre a vida de Santa Macrina, a Anciã, é derivado principalmente do testemunho dos grandes Padres da Igreja, seus netos: São Basílio (Ep. 204:7; 223:3), Gregório de Nissa ("Vita Macrinae Junioris"), e a panegirica de São Gregório Nazianzeno em São Basílio (Gregori Naz., Oratio 43).
     Ela é chamada de "Confessora de Fé". Sua família contém tantos santos que ela é conhecida como mãe e avó de santos. Ela deveria receber outro título: Ponte da Teologia, por suas contribuições invisíveis para a compreensão de nossa fé e sua expressão no mundo.
     Sua família era de Neocesareia, na província romana no Ponto. Santa Macrina, a Anciã, cresceu pagã. A maior parte da cidade em que ela morava era pagã, até a chegada de São Gregório, o primeiro bispo de sua cidade natal. Como este venerável doutor da Igreja, que propagou o Cristianismo em Neocesareia, morreu entre 270 e 275, Santa Macrina deve ter nascido antes de 270.
     Macrina e seu marido se familiarizaram com São Gregório, e ela acabou se tornando sua filha espiritual. Quando o grande bispo de Neocesareia, Gregório, viu-se obrigado a buscar refúgio nas montanhas para escapar à brutal perseguição das autoridades imperiais, algumas famílias cristãs o seguiram, buscando um abrigo seguro contra a violência e a morte. Macrina, filha de ilustre família, e seu marido, estavam entre estes cristãos. Passada a fase mais crítica da perseguição, Macrina e os seus, apesar de terem seus bens confiscados pelo império romano, puderam retomar a vida cotidiana.
     No entanto, o contato com Gregório, cognominado mais tarde como “o Taumaturgo”, deixaram marcas profundas em sua vida, a ponto de Macrina ser considerada uma de suas mais fiéis discípulas. A influência de São Gregório, o Taumaturgo, não se limitou à vida de Macrina, mas estendeu-se à sua descendência. Ela amou-o e reverenciou-o tanto, que guardou suas relíquias por toda a sua vida, finalmente as instalando em uma capela nas propriedades da família em Annesi, e apreciava a sabedoria que ele passou para ela.
     Santa Macrina, a Anciã, foi mãe de São Basílio, o Ancião, pai de São Basílio, o Grande, de São Gregório de Nissa, de São Pedro de Sebaste, de Santa Macrina, a Jovem, e do asceta Neucrásio. São Basílio, o Grande, diz explicitamente que recebeu da avó Macrina o vigor e a ortodoxia da fé (Ep. 204, 7; 223:3). Os irmãos Basílio e Gregório de Nissa, junto com o amigo Gregório de Nazianzo, são conhecidos como os Padres Capadócios, bispos que ocuparam importantes sedes na região da Capadócia e que, com sua vivência da fé e sua reflexão teológica de altíssimo nível, influenciaram as decisões dos concílios na época das grandes discussões acerca da Trindade.
     A história de Macrina, a Anciã, revela-nos a seriedade na vivência da própria fé, que era exigida dos cristãos em tempos de perseguição, pois a qualquer momento a opção cristã era colocada duramente à prova, exigindo o testemunho até o derramamento de sangue pelo martírio. 
     O exemplo de fé de Santa Macrina, a Anciã, revela-nos a qualidade de vida cristã de uma mulher, mãe e esposa, que conseguiu transmitir os valores da fé aos seus filhos e netos, que vão se destacar como bispos, ascetas, santos, e que vão se referir a esta mulher como inspiradora, educadora e incentivadora no caminho da vivência cristã.
     Sobre a formação intelectual e religiosa de São Basílio e seus irmãos e irmãs mais velhos, ela exerceu uma grande influência, implantando em suas mentes aquelas sementes de piedade e aquele desejo ardente pela perfeição cristã que mais tarde alcançaria um crescimento tão glorioso. Como São Basílio Magno provavelmente nasceu em 331, Santa Macrina deve ter morrido no início da quarta década do século IV. Sua festa é celebrada em 14 de janeiro. Como ela se tornou viúva, é a padroeira das viúvas e invocada contra a pobreza
 
Fontes:
J.P. KIRSCH (Enciclopédia Católica); (DOC) Uma mãe espiritual do século IV: A " Vida de Macrina " | Sandro da Costa - Academia.edu
https://nobility.org/  

terça-feira, 12 de janeiro de 2021

Beata Lúcia de Valcaldara ou Núrcia, Clarissa - 12 de janeiro

      Na região de Valcaldara, distrito de Núrcia, ainda hoje é celebrada a festa da sua Patrona, a Beata Lúcia.
     Lúcia nasceu em 1370 e se consagrou totalmente a Nosso Senhor na idade de apenas 15 anos. Fundou em Núrcia, com sete companheiras, próximo à casa paterna, um primeiro núcleo de virgens consagradas que, em 1386, com a aprovação do Patriarca de Jerusalém, D. Ferdinando, administrador da diocese de Espoleto-Núrcia (1370-1390), se tornou o Mosteiro de São Jerônimo.
     A sua escolha de vida foi um grande exemplo para toda a cidade e em 28 de janeiro de 1386 o Conselho deliberou ajudá-la.
     Em 1390, Lúcia fundou um segundo mosteiro próximo da igreja de Santa Maria, em Valcaldara. Com as companheiras, Lúcia se submetia a direção do bispo, “usando o hábito eremítico, vivendo em comunidade e observando a norma evangélica, por muitos anos não professando nenhuma Regra aprovada pela Igreja”.
     Reunidos em um só, com a aprovação do Bispo Agostinho, os dois mosteiros adotaram a Regra das Clarissas, em 1407, se definindo como Irmãs Pobres de Santa Clara, e constituíram o Mosteiro de Santa Clara, que depois do terremoto de 1703 tomou o nome de Santa Maria da Paz.
     A Beata faleceu em 12 de janeiro de 1430 e logo foi venerada e invocada como Santa. Ela é particularmente venerada em Valcaldara, onde todos os anos uma festa é organizada em agosto, com Missa, procissão, terminando com um espetáculo pirotécnico.
     O seu corpo, ainda hoje incorrupto, guardado em seu “depósito” de 1637, é exposto na igreja das Clarissas de Santa Maria da Paz.
 
Postado neste blog em 11 de janeiro de 2013
*
Festa da Beata Lúcia de Valcaldara
     Próximo à igreja do Mosteiro Santa Maria da Paz, do dia 9 ao 11 de janeiro de 2020 será celebrado um tríduo em honra da Beata Lúcia de Valcaldara (Núrcia), cujo corpo jaz sob o altar da igreja e é venerado pela comunidade das Irmãs Pobres de Santa Clara em Biccari.
     O corpo da Beata vem sendo exposto na igreja do Mosteiro das Clarissas desde 2017. Após os danos provocados pelo terremoto ao seu mosteiro, as Irmãs Pobres de Santa Clara se transferiram para o convento de Santo Antônio, em Biccari, na Puglia, rebatizado em 26 de novembro de 2017 como mosteiro de Santa Maria da Paz em Santo Antônio. Para este mosteiro também foi transferida a relíquia do corpo da Beata, colocada sob o altar principal.
 
http://diocesiluceratroia.it/festa-della-beata-lucia-da-valcaldara/

sexta-feira, 8 de janeiro de 2021

Santa Rafaela Maria do Sagrado Coração, Fundadora – 6 de janeiro

     Ildefonso Porras e Rafaela Ayllón, abastado casal, não suspeitaram quais eram os misteriosos desígnios de Deus quando lhes nasceu a décima de seus treze filhos, Rafaela, no dia 1º de março de 1850. Rafaela Maria Porras y Ayllón nasceu em Pedro Abad, província de Córdoba (Espanha). Dos seus pais recebeu uma educação cristã, especialmente eficaz porque baseada no exemplo.
     Santa Rafaela Maria tinha quatro anos quando seu pai, Presidente da Câmara de Pedro Abad, tombou vítima de sua religiosidade e de seu heroísmo: ao cuidar dos doentes de cólera, ele próprio contraiu a doença. Sua viúva, mulher forte, passou a dirigir a família. Dedicou especial atenção na educação das "duas perolazinhas", como eram chamadas as duas únicas meninas, Rafaela e Dolores, esta última quatro anos mais velha que a irmã.
     A educação recebida de sua mãe, uma mistura de solícita ternura e de suave exigência, fez amadurecer nela os melhores traços do seu temperamento. Ao chegar à adolescência, era uma criança precocemente reflexiva, doce e tenaz ao mesmo tempo, senhora de si, sempre disposta a ceder nos seus gostos perante os gostos dos outros.
     Rafaela e a irmã, jovens finas, cultas, bem dotadas, podiam frequentar a melhor sociedade de Córdoba e Madri. Mas Rafaela, de joelhos diante do altar de São João dos Cavaleiros, em Córdoba, consagrou-se a Nosso Senhor com um voto de castidade perpétua aos quinze anos de idade. Isto aconteceu no dia da Anunciação de Nossa Senhora, a Escrava do Senhor. Mais tarde ela diria: "É tão formosa a flor da pureza!" Por uma coincidência providencial, a propriedade daquela igreja seria mais tarde entregue às Escravas do Sagrado Coração de Jesus, obra que Rafaela fundaria.
     A morte da sua mãe, quando ela tinha dezenove anos, foi outro momento forte na reta trajetória da sua entrega a Deus. A partir de então se dedicou completamente aos mais carentes e não havia na povoação uma necessidade ou dor que ela não consolasse. Em tudo isto era acompanhada por sua irmã Dolores, que iria ser também sua companheira inseparável na fundação do Instituto das Escravas do Sagrado Coração de Jesus.
     "Inteiramente órfãs e sendo muito perseguidas por nossos parentes mais chegados, minha irmã e eu, depois de quatro anos de terrível luta, decidimos nos tornar religiosas", relatou Dolores.
    Em 1874, as irmãs transladaram-se para Córdoba, a princípio pensando em tornarem-se carmelitas. Por insistência de algumas autoridades diocesanas, acabaram por entrar em tratativas com as visitandinas, a fim de estabelecer na cidade um pensionato dirigido pela ordem da Visitação.
    Foi então que conheceram o Pe. José Antônio Ortiz Urruela, sacerdote que as havia de orientar e aconselhadas por ele uniram-se à Sociedade de Maria Reparadora, um Instituto de recente criação, não sujeito à rigorosa clausura monástica, que visava conjugar a devoção eucarística às tarefas de apostolado a serviço da Santa Igreja.
     Em março de 1875, provenientes de Sevilha, algumas religiosas desta congregação se transladaram a Córdoba para fundar um noviciado, aproveitando o espaçoso prédio que lhes era oferecido pela família Porras. As duas irmãs começaram ali o postulantado e, em curto tempo, outras jovens seguiram seu exemplo.
     Quando se aproximava a primeira emissão de votos, algo veio perturbá-las: o Bispo, Dom Zeferino González y Díaz Tuñón, OP, ao examinar as constituições desejou introduzir diversas modificações, pois desejava dar ao novo instituto uma nota mais dominicana. Deus, entretanto, havia inspirado no coração das fundadoras que adotassem as regras da Companhia de Jesus e, ao tomarem conhecimento daquelas imposições, resolveram ir para a vizinha cidade de Andújar, pertencente à Diocese de Jaén. Fizeram-no à noite, sem prévio aviso e de comum acordo entre si.
     Após idas e vindas, as "fugitivas" acabaram por se estabelecer em Madri, onde o Arcebispo Primaz da Espanha, Cardeal Juan de la Cruz Ignacio Moreno y Maisanove, as acolheu e aprovou-as com o nome de Instituto das Irmãs Reparadoras do Sagrado Coração de Jesus, que mais tarde o Vaticano mudaria para Escravas do Sagrado Coração de Jesus.
     Por caminhos inesperados, as duas irmãs viram-se convertidas em fundadoras. A 14 de abril de 1877 estabelecia-se em Madri a primeira comunidade das Escravas do Sagrado Coração de Jesus, dedicadas a adorar o Santíssimo Sacramento e a educar crianças e jovens, principalmente as pobres. Aprovadas pelo Cardeal Moreno, das dezoito noviças que haviam começado aquela aventura "nenhuma se perdera".
     O pequeno apartamento em que se instalaram era paupérrimo, tão pobre, que se alguém desejasse visitá-las deveria levar a cadeira para se acomodar... Mas o entusiasmo era grande.
    
Como primeira devoção tinham a Sagrada Eucaristia e logo pediram autorização para manter em sua capela a reserva do Santíssimo Sacramento. Rafaela escreveu ao Papa nestes termos: "Humildemente prostradas aos pés de Vossa Santidade, encarecidamente lhe rogamos e suplicamos se digne conceder-nos a graça inestimável de ter reservado em nossa capela, para nosso maior consolo e principal objeto de nossa reunião, Jesus Cristo Sacramentado".
     Fortalecido pelo fervor eucarístico e pela devoção ao Sagrado Coração de Jesus, o Instituto se expandiu. Em 1885 já contava com quase cem religiosas. As fundações se multiplicavam, floresciam as obras de apostolado: "escolas populares, colégios, casas de exercícios espirituais, congregações marianas e de adoradoras do Santíssimo Sacramento etc.". O novo instituto ia adquirindo a característica tão desejada por Santa Rafaela Maria: "universal como a Igreja". Santa Rafaela Maria era a encarnação do ideal de uma Escrava. O nome que adotou na vida religiosa – Maria do Sagrado Coração de Jesus – exprime a sua atitude constante de resposta ao Amor.
     Às suas filhas espirituais incutia a necessidade de estarem unidas para enfrentarem as futuras provações: "Agora, minhas queridas, que estamos nos alicerces, assentemo-los bem, para que os vendavais que vierem depois não derrubem o edifício; e todas juntas, sem deixar nenhuma fresta por onde o diabo possa meter a unha da desunião; todas unidas em tudo, como os dedos das mãos, e assim conseguiremos tudo o que queremos, porque temos a Deus, Nosso Senhor, a nosso favor".
     Em 29 de janeiro de 1887, o papa Leão XIII aprovava definitivamente o Instituto e, temporariamente, as Constituições pelas quais elas tinham lutado com denodo.
     As Escravas espalharam-se rapidamente, e Rafaela dirigiu-as, com Maria del Pilar, nome que sua irmã adotara, como ecônoma geral, até 1893.
     Neste ano, depois de ter dirigido o Instituto durante dezesseis anos, Madre Rafaela Maria teve de enfrentar momentos muito dolorosos. Por uma série de mal entendidos, as suas mais íntimas colaboradoras começaram a desconfiar dos seus atos, a pôr em dúvida as suas qualidades e inclusive a clareza do seu juízo. Ela simplesmente, seguindo o conselho de pessoas autorizadas, resignou do cargo de Superiora Geral a favor da sua irmã, vendo a mão invisível de Deus que com infinito amor modelava o seu barro, e aceitou para o resto da sua vida – tinha quarenta e três anos – o martírio do “não fazer”. Irmã Maria del Pilar substituiu-a no cargo; teve, deste modo, o gosto de ser Superiora Geral durante dez anos (1893-1903).
     Estes dez anos e os 22 seguintes passou-os Rafaela a um canto, esquecida e desprezada, mas feliz por não ter senão que dar bom exemplo e entregar-se continuamente à oração e à humildade, sem amargura de coração, sem críticas, sem o menor ressentimento. Entregue à oração e às simples tarefas domésticas, nas quais soube traduzir o seu imenso desejo de ajudar o Instituto e a Igreja, Santa Rafaela Maria pode ver o crescimento daquela obra nascida do seu amor e fecundada pela sua dor. Sempre serena, acreditou contra toda a esperança no Deus fiel que levaria a feliz término a empresa que por meio dela e de sua irmã tinha começado.
     Naqueles anos de isolamento, só teve o consolo de uma viagem a Loreto e Assis. Por todas as casas que visitou deixou uma esteira de edificação. As religiosas mais jovens podiam comprovar o que tinham ouvido as mais velhas comentarem sobre a fundadora. Ela nunca mais exerceu a autoridade no Instituto, mas edificava a todas o verem-na, já idosa, ajudando a uma postulante recém-chegada a pôr as mesas.
     Santa Rafaela tornou-se uma desconhecida dentro da obra que fundara. "Sem que ninguém estranhasse, verão a madre, já anciã, ajudando uma postulante coadjutora recém-chegada a montar as mesas. […] Cada vez mais desconhecida, chega um momento em que nem mesmo as que vivem na congregação sabem que a fundadora é ela".
     Grandes tribulações atormentavam seu puro coração, como ela escreve: "Minha vida foi sempre de luta, mas de dois anos para cá são penas tão extraordinárias, que só a onipotência de Deus, que me ampara milagrosamente a cada instante, impede que meu corpo caia por terra. […] Todo o meu ser está em contínua angústia e desamparo, e prevendo que isto vai durar muito, muito. Por isto penso que Deus me abandonou? Não!"
     O prolongado e doloroso holocausto estava para se consumar. Devido às longas horas que passava ajoelhada diante do Santíssimo Sacramento, centro de sua vida, contraiu uma doença no joelho direito que pouco a pouco a foi consumindo em meio a dores intensas. Os últimos oito meses que passou retida em seu leito foram de acerbo sofrimento. "Aceitai todas as coisas como se viessem das mãos de Deus", repetia ela.
     No dia 6 de janeiro de 1925, Santa Rafaela morreu santamente na casa de Roma, onde permanecera os últimos anos de sua vida. Depois de seu falecimento as autoridades eclesiásticas compreenderam o que se tinha passado; foi aberto o processo de sua beatificação.
Corpo incorrupto de Sta. Rafaela
     Quase ao final da 2a. Guerra Mundial, um bombardeio americano atingiu o cemitério onde Madre Rafaela estava sepultada. Seu túmulo milagrosamente foi preservado e, ao fazerem a exumação de seus despojos, encontraram seu corpo incorrupto e flexível como se ela dormisse.
     Está sepultada na Casa Generalícia da Congregação em Roma e, como morreu no dia da Epifania, sua festa é celebrada no dia 18 de maio, data da sua beatificação e do translado de seus restos mortais.
     Pio XII beatificou-a em 1952 e Paulo VI canonizou-a no dia 23 de janeiro de 1977.
 
Fontes:
www.aciportugal.org/content/view/44/33/ ; Santos de cada dia, Pe. José Leite, S.J.
YAÑEZ, Amar siempre. Rafaela María Porras Ayllón, Madrid: BAC, 1985
 
Postado neste blog em 5 de janeiro de 2013

quinta-feira, 7 de janeiro de 2021

Santa Kentigerna (ou Caintigern), viuva – 7 de janeiro

          Kentigerna é comemorada no dia 7 de janeiro no Breviário Aberdeen, que nos informa que ela era de sangue real, filha de Cellach Cualann, Rei de Leinster, Irlanda; sua mãe era Caintigern, filha de Conaing Cuirre. Seu esposo foi o Feriacus regulus de Monchestre, que Mac Shamhrain identifica com o Feradach hoa Artúr de Dál Riata, o provável neto do Rei Artur que assinou o Cáin Adomnáin em Birr no ano de 697 e que talvez fosse um rei em Dál Riata.
     Além de outros filhos, foi mãe do santo abade São Fœlan ou Felan (ou ainda, Fillan). Fœlan nasceu com uma deformidade, como se tivesse uma grande pedra em sua boca, e seu pai, considerando-o um monstro, ordenou que ele fosse lançado em um lago próximo. Santo Ibar viu-o na superfície do lago brincando com anjos e o trouxe com segurança para a margem e o batizou. Diante do milagre, Kentigerna também se tornou cristã. Conta-se que São Felan estudava em uma cela escura onde ele escrevia com a mão direita iluminada pela mão esquerda.
     Após a morte de seu marido, ela deixou a Irlanda com seu irmão São Comgan e seu filho São Felan, e se tornou ermitã na Escócia, primeiro em Strath Fillan, consagrando-se a Deus, e vivendo em grande austeridade e humildade.
     Já bem idosa, ela desejou se dedicar mais inteiramente à devoção e foi viver na ilha de Inchelrock ou Inch-Cailliach, em Loch Lomond. Naquele local ela podia com maior liberdade se entregar à meditação das coisas celestes.
     Santa Kentigerna faleceu no dia 7 de janeiro de 734. Adam King nos informa que uma igreja paroquial famosa em Locloumont, Inchelroch - a pequena ilha em que ela se retirou algum tempo antes de sua morte - leva o seu nome. 
 
Inch-Cailliach em Loch Lomond, Escócia

Vide Brev. Aberdon. e Colgan ad 7 janeiro p. 22. Cfr. As Vidas dos Santos, 1866, pelo Rev. Alban Butler (1711-1773). Volume I: janeiro. p. 105. 
https://nobility.org/
Postado neste blog em 7 de janeiro de 2014

terça-feira, 5 de janeiro de 2021

Beata Maria Repetto, “a monja santa” - 5 de janeiro

          Maria Madalena Peregrina Repetto nasceu em Voltaggio, na província de Alexandria, diocese de Gênova, em 31 de outubro de 1809. Era a filha mais velha do notário João Batista Repetto e de Teresa Gazzale, que tinham dez filhos. Ela foi batizada no mesmo dia com o nome da Santíssima Virgem. Como a mais velha, logo teve que ajudar sua mãe no cuidado dos irmãos e nas tarefas domésticas. Era uma família profundamente religiosa de modo que quatro irmãs e um irmão se consagraram a Nosso Senhor.
     O dia da 1ª. Comunhão, que ela fez quando tinha dez anos, imprimiu em seu coração o desejo de viver o resto de sua vida em união com Jesus. Maria frequentou a escola por alguns anos, mantendo vivo o interesse pela leitura, especialmente hagiografias. É muito provável que ela aprendeu com seu pai, que tinha uma certa cultura, enquanto sua mãe lhe ensinou a bordar. A serenidade da família foi perturbada quando Maria tinha treze anos, devido à morte prematura de dois irmãos.
     A condição social dos Repetto era certamente melhor do que da maioria dos habitantes de Voltaggio, uma região essencialmente agrícola. Dirigidas por sua mãe, Maria e sua irmã Josefina visitavam as famílias mais necessitadas da região fazendo pequenas doações ou trabalhos domésticos. Às vezes elas levavam para casa roupas para lavar ou consertar (um compromisso não leve para duas meninas). A fé realmente iluminava cada passo seu, e ela amadurecia lentamente no coração o desejo da consagração religiosa. Aos 20 anos, quando sua cooperação em casa podia ser dispensada, Maria comunicou seu desejo aos pais.
     Em 7 de maio de 1829, Maria entrou no Conservatório de Nossa Senhora do Refúgio no Monte Calvário, de Gênova. Este Instituto havia sido fundado em Gênova dois séculos antes por Santa Virginia Bracelli Centurione. Estas religiosas são chamadas de "Brignoline" do nome do nobre Emanuel Brignole, que lhes deu o local da primeira Casa Mãe.
     O dote que seu pai lhe deu foi suficiente para mantê-la por toda vida, além de uma soma que, com a permissão da superiora, ela poderia dar para instituições de caridade. Devido suas habilidades e sua instrução foi admitida como religiosa do coro e não como uma auxiliar. Ela pode viver a sua vocação na obscuridade total. No dia da Assunção do ano 1831 fez os votos privados de pobreza, castidade e obediência.
     De caráter simples e alegre, sua calma era edificante. Na oficina de bordado passava seus dias trabalhando e rezando. A oficina garantia importante renda para a casa e para Irmã Maria significava imitar seu patrono e mestre de vida São José, que com o trabalho de carpinteiro provia a subsistência da Sagrada Família. Maria tinha uma confiança ilimitada em São José.
     Em 1835, uma epidemia de cólera eclodiu em Gênova: o desejo de servir a Cristo no doente que sofria fez Irmã Maria vencer sua própria reserva. Com outras Irmãs ela dedicou-se com abnegação e amor. Seu compromisso foi tão grande, que começaram a chamá-la de "monja santa". E pensar que por sua pequena estatura e sua humildade era muito difícil ser notada. Cessada a emergência, voltou para a oficina.
     Vinte anos mais tarde, outra epidemia de cólera atingiu a cidade (foi o verão de 1854) e Irmã Maria de novo deu tudo de si mesma como voluntária. As pessoas agora a consideravam uma criatura eleita. Posteriormente, por causa do enfraquecimento da vista, foi-lhe dado o trabalho de porteira. Uma tarefa aparentemente simples, mas fundamental para uma comunidade, uma vez que representa o principal contato com o exterior.
     Eram muitos os que batiam na porta do convento para mendigar ou para receber uma palavra de conforto e Irmã Maria era atenciosa e carinhosa com as necessidades de todos; para cada um tinha uma palavra. Foi nesta missão que se tornou proverbial sua devoção a São José. Ela recomendava a ele todos os doentes. No corredor, ao lado da recepção, havia uma imagem do santo e ela, quando eles pediam graças especiais, se apressava em ir pedir-lhe e implorar.
     Alguns episódios de sua vida são autênticos "fioretti". O grau de oração era muito intenso, gostava de meditar todos os dias as Estações da Via Sacra. Sua serenidade e seu sorriso encantavam; também tinha uma grande sensibilidade pelas vocações. Um dia Irmã Emanuela perguntou-lhe quando a reverenciada fundadora, Virginia Centurione, seria elevada a honra dos altares. Irmã Maria candidamente respondeu que isto iria ocorrer precedida, porém por sua "filha". Ela não sabia que aludia a si mesma: Santa Virginia foi beatificada quatro anos após a Irmã Maria (mais tarde também foi canonizada).
     Em 1868 a comunidade teve que deixar o convento para dar lugar à construção da nova estação ferroviária de Brignole. A nova casa foi construída em Marassi e ali Irmã Maria foi novamente nomeada porteira. Naqueles anos, em Gênova outro homem de Deus ajudava os necessitados: o capuchinho São Francisco Maria de Camporosso (1804-1866). Os dois nunca se encontraram, mas estavam "misteriosamente" em contato por meio de seus assistidos.
     Maria viveu toda sua vida em uma pobreza tal, que ela preferia usar as roupas usadas das Irmãs, que acomodava à suas medidas diminutas. No entanto, muito dinheiro passou por suas mãos: recebia dos ricos e com alegria dava aos pobres.
     Aos seus oitenta anos ela ingressou na enfermaria. Expirou serenamente no dia 5 de janeiro de 1890 tendo nos lábios as palavras "Regina Coeli Laetare, aleluia". Grande era sua fama de santidade, as Irmãs mantiveram viva a sua memória, continuando em seu nome uma intensa atividade caritativa. Maria Repetto foi beatificada pelo Papa João Paulo II em 4 de outubro de 1981. Suas relíquias são veneradas na igreja da Casa Mãe de Gênova.
Medalha Pontifícia 1981












Fonte: www;santiebeati.it
 
Postado neste blog em 4 de janeiro de 2016

segunda-feira, 4 de janeiro de 2021

Santa Elizabete Ana Bayley Seton, 1ª Santa norte-americana – 4 de janeiro

Esposa, mãe, viúva, religiosa, fundadora, a 1ª. Santa dos EUA

      Há exatamente duzentos anos (1821-2021), a primeira santa nativa da América do Norte voou para sua recompensa eterna. Santa Elizabete Ana Bayley Seton deixou um legado de coragem, força, tenacidade e auto sacrifício que poucos podem sequer chegar perto.
     Que a mais justa, a vontade mais alta e amável de Deus seja em todas as coisas cumpridas, louvadas e exaltadas acima de tudo para sempre. – Papa Pio VII
     Em 4 de janeiro de 1821, Isabel Ana Seton deu seu último suspiro. Sua oração favorita, citada acima, estava sempre em seus lábios enquanto ela estava morrendo aos 46 anos. Em um último esforço heroico, ela sussurrou o nome Jesus quando ela entrou na eternidade. 1
     "Sejam verdadeiros filhos da Igreja!" Esta foi sua última exortação às Irmãs da Caridade de São José, a ordem religiosa que ela fundou, e membros da família reunidos ao seu lado. Sempre será um bom conselho para seus irmãos americanos e pessoas em todo o mundo.
     No início, a Igreja nos Estados Unidos da América era pequena. Madre Seton tinha esgotado sua última força para ajudar a estabelecer as bases. Desde sua entrada na primeira e única Igreja construída por Cristo até que seu último suspiro, Isabel Ana Bayley Seton tinha uma missão em mente: ver a glória de Deus se manifestar na América do Norte. Ela foi a primeira americana que a Santa Madre Igreja aclamou como cidadã do Céu.
 
*
     Elizabete Ana Bayley nasceu em 28 de agosto de 1774. No mês de setembro de 1773 acontecera a reunião do primeiro congresso continental da Filadélfia, a semente da nova nação que estava para florescer.
     O seu pai, Ricardo Bayley, era um cirurgião anglicano de grande reputação educado na Inglaterra; foi o primeiro professor de anatomia do Columbia College. A mãe de Elizabete, Catarina Charlton, era filha de um ministro episcopaliano (*) da Igreja de Santo André, em Staten Island. Tiveram três filhos: Maria Madalena, Elizabete Ana e Catarina Josefina, segundo a ordem de nascimento.
     Quando Elizabete tinha dois anos de idade a declaração da independência dos EUA foi assinada e durante sua infância a Revolução Americana estourou. Quando a nova nação foi estabelecida, seu pai foi ardorosamente recebido com altos postos na comunidade nova-iorquina, a ponto de ter um de seus projetos, um Lazareto, aprovado pela política local. Dr. Bayley ficava mais no Lazareto do que com sua própria família. A guerra não lhe tinha custado grande perda financeira e nos dias de juventude, Elizabete vivia num grande conforto.
     Os sofrimentos de Elizabete começaram quando ela perdeu a sua mãe, cuja morte, em 8 de maio de 1777, ocorreu quando ela não tinha ainda três anos de idade. Com as filhas para cuidar, e fazendo o papel de pai e de mãe por um ano, Dr. Bayley casou-se com Carlota Amélia Barclay, filha de André Barclay e Helena Roosevelt, cujo pai fora o fundador da dinastia Roosevelt nos EUA.
     Bela, vivaz, fluente em francês, uma excelente música e uma talentosa dama, Elizabete cresceu e tornou-se uma presença popular em festas e bailes. 
      A sua educação foi conduzida por seu pai, um homem brilhante, de grande virtude natural, que a treinou nas boas maneiras e na intelectualidade. Elizabete era muito religiosa e usava um pequeno crucifixo em seu pescoço e se deliciava com a leitura das Escrituras, especialmente os Salmos, o que ela fez até a sua morte. Ela também admirava o grande trabalho de Thomas a Kempis, A imitação de Cristo.
     Quando Elizabeth tinha dezenove anos casou-se com Guilherme Magee Seton, um rico comerciante nova-iorquino, em 25 de janeiro de 1794, na Igreja de São Paulo, uma das mais antigas igrejas anglicanas de Nova York, ainda existente. Em seguida, habitaram na elegante Wall Street. Sua cunhada, Rebeca Seton, era ‘a amiga de sua alma’, e como elas gostavam de fazer obras de caridade, ficaram conhecidas como “as irmãs protestantes de caridade”.
     Problemas de negócios culminaram com a morte de seu sogro em 1798. Deste momento em diante Elizabete e seu esposo tornam-se o sustentáculo da órfã família Seton. Dr. Bayley faleceu em 1801, devido à febre amarela.
     Em 1803, Guilherme Seton foi acometido de uma tuberculose e o casal tentou fazer um tratamento com uma viagem à Itália. Por causa desta viagem, ele vendeu todos os pertences de luxo de sua casa, como vasos, quadros e objeto de prata, provavelmente herdados de seu pai. Somente sua filha primogênita, Ana Maria, os acompanhou nesta viagem à Livorno, onde os irmãos Filicchi, amigos de negócios de Guilherme, residiam. As outras crianças do casal, Guilherme, Ricardo, Rebeca e Catarina, foram deixados aos cuidados de Rebeca Seton.
     O esforço de Elizabete para obter a saúde de seu amado esposo foi descrito em seu diário de viagem. Entretanto, uma quarentena, seguida pela deterioração completa da saúde de Guilherme Seton, levou-o à morte em 27 de dezembro de 1803, na cidade de Pisa, aos 37 anos de idade.
     Aceitando um convite da família Filicchi, decidiu passar um tempo na Itália. No convívio com esta família, e visitando as igrejas italianas, Elizabete começou a ver a beleza da Fé Católica. Após a doença de sua filha e dela própria, Elizabete embarcou para casa acompanhada do Sr. Antônio Filicchi, aportando em Nova York no dia 3 de junho de 1804. A ‘amiga de sua alma’, Rebeca Seton, faleceu no mês de julho, logo após a sua chegada.
     Um tempo de grande perplexidade espiritual começou para Elizabete. O Sr. Filicchi lhe apresentava os esplendores da verdadeira religião. Logo ele conseguiu um encontro entre Elizabete e o Bispo católico de Nova York, D. Cheverus. O Sr. Filicchi escreve também para o Bispo Carroll. Elizabete por seu lado rezava para conseguir alguma luz.
     Numa quarta-feira, 14 de março de 1805, ela foi recebida na Igreja Católica pelo Padre Matthew O’Brien, na Igreja de São Pedro, em Nova York. No dia 25 de março seguinte, ela recebeu a sua Primeira Comunhão com extraordinário fervor. Tinha agora um grande interesse por este Sacramento, que em seus tempos de anglicana lhe faltava.
Igreja de S Pedro 1785
     Ela bem compreendia a tempestade que sua conversão levantaria entre seus parentes e amigos protestantes, quando ela mais precisava de seu socorro e apoio. Ela perdera o pouco da fortuna de seu esposo, e muitos de seus numerosos parentes poderiam ter proporcionado um sustento para seus filhos, se não tivesse surgido a barreira da sua conversão. Mesmo assim ela ficou firme em sua fé.
     Em janeiro de 1806, Cecília Seton, a mais jovem cunhada de Elizabete, ficou gravemente enferma e pediu para ver a ‘condenada convertida’. Então Elizabete foi vê-la e tornou-se uma visita constante. Cecília Seton revelou desejar tornar-se católica. Quando a decisão de Cecília foi conhecida, Elizabete foi ameaçada de expulsão do Estado de Nova York. Após sua recuperação, Cecília fugiu para junto de Elizabete, a fim de ser recebida na religião católica.
     Seus dois filhos foram enviados pelos Filicchi ao Georgetown College. Elizabete esperava encontrar algum refúgio em algum convento no Canadá, onde ela poderia lecionar para sustentar suas três filhas. O Bispo Carroll não aprovou e ela tem que abandonar esse plano. O Padre Dubourg, do Seminário de Santa Maria, de Baltimore, Maryland, encontrou-a em Nova York e sugeriu abrir uma escola para moças naquela cidade.
Carta a sua filha Ana 31/12/1798

     Depois de grande demora e privações, ela e suas filhas chegam à Baltimore na Festa de Corpus Christi de 1808. Seus filhos foram trazidos para Baltimore para estudar no St. Mary’s College; ela abre uma escola próxima à capela do Seminário de Santa Maria.
     Numa Quarta-feira de Cinzas, quando entrava na modesta igreja católica de São Pedro, de Baltimore, exclamou: “Ó meu Deus, deixa-me descansar aqui!” Ela podia então assistir às Missas e comungar diariamente.
     A sua vida de ascese, vivida desde sua estadia na Itália, era pelo menos praticável agora: era praticamente a de uma religiosa e sua veste fora inspirada nas roupas utilizadas por certas freiras italianas.
     Cecília Conway, da Filadélfia, que tinha programado ir à Europa para satisfazer sua vocação religiosa, se junta a ela. Mais tarde outras postulantes chegariam. Entrementes, a pequena escola tem todos os alunos que pode acomodar.
     O Sr. Cooper, um convertido e seminarista do Estado da Virgínia, ofereceu US$ 10.000 para Elizabeth fundar uma instituição para ensinar crianças pobres.
     Como uma primeira medida para a formação da futura comunidade religiosa, Elizabete fez voto de pobreza, de castidade e de obediência privadamente, com o Arcebispo Carroll.
     Uma fazenda foi comprada em Emmitsburg, a duas milhas de distância do Sr. Mary’s College. Enquanto isto, Cecília Seton e sua irmã Henriqueta juntam-se a Elizabeth, em Baltimore. Em junho de 1808 a comunidade religiosa se transferiu para Emmitsburg para dar início a uma nova instituição.
     O grande fervor e a mortificação de Madre Seton, imitado por suas irmãs, fez com que os inúmeros sofrimentos da nova comunidade se tornassem luminosos.
     Em dezembro de 1809, Henriqueta Seton, que fora recebida na Igreja, falece em Emmitsburg; e Cecília Seton morre no ano seguinte, no mês de abril.
     Em 1810 a comunidade solicita ao Bispo Flaget que obtenha a Regra das Irmãs de Caridade de São Vicente de Paulo. Três destas irmãs francesas foram indicadas para ensinar a jovem comunidade a trilhar nas vias e no espírito de São Vicente de Paulo, mas Napoleão proibiu-as de deixar a França.
     Com algumas modificações a Regra foi aprovada pelo Arcebispo Carroll em janeiro de 1812 e finalmente adotada. Contra sua vontade e tendo que cuidar de seus filhos, Elizabeth foi eleita superiora.
     Muitas se juntaram à comunidade. A filha de Madre Seton, Ana Maria, morre durante o noviciado (12 de março de 1812), mas foi-lhe permitido fazer os votos em seu leito de morte.
     Madre Seton e dezoito irmãs fazem os votos em 19 de julho de 1813. Os padres confessores da comunidade, Padres Dubourg, David e Dubois, pertenciam à Congregação Francesa de São Sulpício. O Padre Dubois esteve no posto por quinze anos e trabalhou no setor de imprensa da comunidade, no espírito das Irmãs de Caridade de São Vicente de Paulo, cujas 40 comunidades estavam sob seus cuidados na França.
Santuário da Santa em NY 
     O fervor da comunidade ganhou a admiração de todos. A escola para jovens prosperou e dava sustento para as irmãs se dedicarem aos pobres.
     Em 1814 foram convidadas para cuidar de um asilo-orfanato na Filadélfia; em 1817 foram enviadas para Nova York.
     Elizabete Seton tinha grande facilidade para escrever. Por outro lado, fez a tradução de muitos trabalhos ascéticos franceses para a sua comunidade, incluindo a vida de São Vicente de Paulo e de Mlle. Le Gras. Ela deixou um diário e correspondência que mostravam uma alma toda em chamas pelo amor de Deus e zelo pelas almas. Grandes sofrimentos purificaram sua alma durante grande parte de sua vida religiosa, mas ela trilhava alegremente a estrada real da Cruz. Por muitos anos foi seu diretor espiritual o Padre Bruti.
     Na terceira eleição para superiora (1819), ela protestou dizendo que fora eleita perto de sua morte, mas ela viveu por mais dois anos sofrendo de tuberculose, doença que tinha infectado a maioria dos membros de sua família. Sua perfeita sinceridade e grande encanto ajudaram maravilhosamente no trabalho de santificação das almas.
     Na noite de sua morte, Elizabeth, ela mesma, começou as orações para a sua morte e uma das irmãs, sabendo que ela amava a língua francesa, rezou o Glória e o Magnificat em francês com ela. Elizabete entregou sua preciosa alma a Deus aos 46 anos de idade, nas primeiras horas do dia 4 de janeiro de 1821. Suas últimas palavras foram “sejam filhas da Igreja” último conselho dado às suas seguidoras.
     Em 1880 o Cardeal Gibbons deu início ao processo de sua canonização. Elizabete Ana Seton foi beatificada em 1963 e elevada aos altares na Basílica de São Pedro em 14 de setembro de 1975.
     Treze volumes de suas cartas podem ser lidos na sede da Congregação em Emmitsburg, Estado de Maryland, onde o túmulo de Madre Seton, anexo à Basílica, pode ser visitado.
     Em 1850 a comunidade de Emmitsburg foi incorporada à Congregação francesa e observa a Regra dada por São Vicente de Paulo. Elas se encontram em 30 dioceses dos EUA.
 

                  
(*) Episcopal = ramo dos anglicanos, sobretudo nos Estados Unidos da América; Episcopaliano = membro da religião episcopal.
 
Fonte: B. Randolph (1913 Catholic Encyclopedia)
Postado neste blog em 3 de janeiro de 2012



sexta-feira, 1 de janeiro de 2021

A Virgem Maria era "da casa de Davi" – 1 de janeiro

Ascendência davídica de Maria

A genealogia de Jesus de São Lucas, do Livro de Kells, transcrita pelos monges celtas c. 800.

      São Lucas (2:4) diz que São José foi de Nazaré a Belém para ser registrado pelo censo, "porque ele era da casa e da família de Davi". Como se para excluir toda a dúvida sobre a descendência de Maria, o Evangelista (1:32, 69) afirma que a criança nascida de Maria sem a intervenção do homem deve receber "o trono de Davi Seu pai", e que o Senhor Deus "levantou a força da salvação para nós na casa de Davi seu servo". [1] Por isso, os comentaristas nos dizem que no texto "no sexto mês o Anjo Gabriel foi enviado de Deus... a uma virgem comprometida com um homem cujo nome era José, da casa de Davi" (Lucas 1:26-27); a última cláusula "da casa de Davi" não se refere a José, mas à virgem que é a pessoa principal na narrativa; assim, temos um testemunho direto inspirado para a descendência davídica de Maria. [2]

Vitral rosácea na Basílica de St. Denis, França, representando os ancestrais de Nosso Senhor de Jesse em diante.
 
     Enquanto os comentaristas geralmente concordam que a genealogia encontrada no início do primeiro Evangelho é a de São José, Anuius de Viterbo propõe a opinião, já aludida por Santo Agostinho, que a genealogia de São Lucas dá a linhagem de Maria. O texto do terceiro Evangelho (3:23) pode ser explicado de modo a fazer de Heli o pai de Maria: "Jesus... sendo como era suposto o filho de José, que era [o genro] de Heli" [3]. Nessas explicações, o nome de Maria não é mencionado explicitamente, mas está implícito; pois Jesus é o Filho de Heli através de Maria.


Pintura de Giotto de St. Joachim e St. Anne reunião no Golden Gate.
 
Seus pais
     Embora poucos comentaristas adiram a visão da genealogia de São Lucas, o nome do pai de Maria, Heli, concorda com o nome dado ao pai de Nossa Senhora em uma tradição fundada no relatório do Proto Evangelho de Tiago, um Evangelho apócrifo que data do final do século II. De acordo com este documento, os pais de Maria eram São Joaquim e Sant`Ana.
     Agora, o nome Joaquim é apenas uma variação de Heli ou Eliachim, substituindo um nome divino (Yahweh) pelo outro (Eli, Elohim). A tradição dos pais de Maria, encontrada no Evangelho de Tiago, é reproduzida por São João Damasceno [4], São Gregório de Nyssa [5], São Germânio de Constantinopla [6], pseudo-Epifânio [7], pseudo-Hilarius [8], e São Fulbert de Chartres [9]. Alguns desses escritores acrescentam que o nascimento de Maria foi obtido pelas orações fervorosas de Joaquim e Ana em sua idade avançada. Como Joaquim pertencia à família real de Davi, então Ana deveria ter sido descendente da família sacerdotal de Arão; assim Cristo, o Rei Eterno e Sacerdote surgiu de uma família real e sacerdotal [10].

O Poço de Maria (ou "A Nascente da Virgem Maria") foi a principal fonte de água da cidade em Nazaré. Alguns acreditam que era aqui que Maria tomava banho com Jesus e lavava suas roupas e que Nosso Senhor viria buscar água para Nossa Senhora.
 
A cidade natal dos pais de Maria
      De acordo com Lucas 1:26, Maria morava em Nazaré, cidade da Galileia, na época da Anunciação. Uma certa tradição sustenta que ela foi concebida e nascida na mesma casa em que a Palavra se tornou carne [11].
     Outra tradição baseada no Evangelho de Tiago considera Sephoris como a primeira casa de Joaquim e Ana, embora se diga terem vivido mais tarde em Jerusalém, em uma casa chamada por São Semônio de Jerusalém [12] Probatica. Probatica, um nome provavelmente derivado da proximidade do santuário para a piscina chamada Probatica em João 5:2. Foi ali que Maria nasceu. Cerca de um século depois, por volta de 750 d.C., São João Damasceno [13] repete a afirmação de que Maria nasceu na Probática.

Igreja de Santa Ana em Jerusalém. A igreja é dedicada a Santa Ana e São Joaquim, que segundo a tradição viviam aqui, e ao local onde Nossa Senhora nasceu, em uma caverna que está localizada sob a basílica. Uma seção da basílica fica sobre a Piscina de Bethesda.
    
     Diz-se que, já no século V, a imperatriz Eudóxia construiu uma igreja sobre o lugar onde Maria nasceu, e onde seus pais viviam na velhice. A atual Igreja de Sant`Ana fica a uma distância de apenas cerca de 100 pés da piscina Probática. Em 1889, no dia 18 de março, foi descoberta a cripta que inclui o suposto túmulo de Sant`Ana. Provavelmente este lugar era originalmente um jardim no qual Joaquim e Ana costumavam descansar. Naquela época estava fora dos muros da cidade cerca de 400 pés ao norte do Templo. Outra cripta perto do túmulo de Sant`Ana é o suposto local de nascimento da Virgem; portanto, nos primórdios a igreja se chamava Santa Maria da Natividade [14]. No Vale do Cedron, perto da estrada que leva à Igreja da Assunção, há um pequeno santuário contendo dois altares que dizem estar sobre os locais de enterro dos Santos Joaquim e Ana, mas essas sepulturas pertencem à época das Cruzadas [15]. Em Sephoris também os Cruzados substituíram por uma grande igreja um antigo santuário que ficava sobre a lendária casa dos Santos Joaquim e Ana. Após 1788, parte desta igreja foi restaurada pelos Franciscanos.
 
[1]São Lucas (2:4) diz que São José foi de Nazaré a Belém para ser registrado pelo censo, "porque ele era da casa e da família de Davi". Como se para excluir toda a dúvida sobre a descendência de Maria, o Evangelista (1:32, 69) afirma que a criança nascida de Maria sem a intervenção do homem deve receber "o trono de D[1] cf. Tertullian, de carne Christi, 22; P.L., II, 789; St. Aug., de cons. Evang., II, 2, 4; P.L., XXXIV, 1072.
[2] Cf. St. Ignat., ad Ephes, 187; St. Justin, c. Taryph., 100; St. Aug., c. Fausto, xxiii, 5-9; Bardenhewer, Maria Verkundigung, Freiburg, 1896, 74-82; Friedrich, Die Mariologie des hl. Augustinus, Cöln, 1907, 19 sqq.
[3] Jans., Hardin., etc.
[4] hom. I. de nativ. B.V., 2, P.G., XCVI, 664
[5] P.G., XLVII, 1137
[6] de praesent., 2, P.G., XCVIII, 313
[7] de laud. Deipar., P.G., XLIII, 488
[8] P.L., XCVI, 278
[9] em Nativit. Deipar., P.L., CLI, 324
[10] cf. Ago., Consens. Evang., l. II, c. 2
[11] Schuster e Holzammer, Handbuch zur biblischen Geschichte, Freiburg, 1910, II, 87, nota 6
[12] Anacreont., XX, 81-94, P.G., LXXXVII, 3822
[13] hom. Eu em Nativ. B.M.V., 6, II, P.G., CCXVI, 670, 678
[14] cf. Guérin, Jérusalem, Paris, 1889, pp. 284, 351-357, 430; Socin-Benzinger, Palästina und Syrien, Leipzig, 1891, p. 80; Revue biblique, 1893, pp. 245 sqq.; 1904, pp. 228 sqq.; Gariador, Les Bénédictins, I, Abbaye de Ste-Anne, V, 1908, 49 m².
[15] cf. de Vogue, Les églises de la Terre-Sainte, Paris, 1850, p. 310
(CFR. Enciclopédia Católica)
https://nobility.org/2013/12/30/mary/