domingo, 20 de maio de 2018

Santa Aurea de Óstia, mártir – 20 de maio

     
     Santa Áurea é comemorada no Martirológio Jeronimiano em 20 de maio; no Martirológio Romano ela é recordada em 24 de agosto com um breve relato da passio.
     Esta Santa é patrona e protetora de Óstia, cidade da Itália. Na Antiguidade Óstia era o principal porto de Roma e uma cidade romana de relevância, cujos restos arqueológicos continuam a ser de grande valor patrimonial da Antiguidade.
     As fontes dos mártires de Óstia Tiberina são a tradução latina de um antigo manuscrito grego conservado no Vaticano e publicado por Simão de Magistris em 1795, e outra versão original latina, anterior à primeira, que contém ligeiras variações em confronto com a tradução do grego, e que pode ser encontrada na Acta Sanctorum, Augustus IV, p. 757 ff.
     A Acta martyrum ad Ostia Tiberina narra o martírio de alguns cristãos naquela cidade portuária. O redator, anônimo, reuniu em um só texto os nomes de alguns mártires, entre eles importantes expoentes do clero de Óstia, que na realidade sofreram o martírio em épocas diferentes, por exemplo, Censorino, um dos protagonistas, sofreu o martírio dezenas de anos antes de Áurea; enquanto Taurino, Herculano e Hipólito foram martirizados anos depois dela.
     Os eventos têm lugar na cidade de Óstia em uma comunidade cristã que girava em torno de uma jovem nobre romana que se chama Chryse (Crisa) em grego, e Áurea em latim (“dourada” em ambos os casos). Era imperador Cláudio, o Gótico (268-270).
     O relato inicia falando de Censorino um “comandante militar com autoridade de juiz (prefeito)”, que era cristão em segredo. Ele visitava os cristãos encarcerados e lhes levava comida. Descoberto, foi levado diante de Cláudio que o obrigou a sacrificar aos deuses. Como ele se negasse, foi mandado para a prisão militar de Óstia.
     Nesta cidade vivia Áurea, que já havia sofrido algo da perseguição: quando se descobriu que ela era cristã, seus bens haviam sido confiscados, fora exilada de Roma e vivia em Óstia em uma pequena propriedade que lhe deixaram, em comunidade com outras virgens e outros cristãos.
     Áurea visitava Censorino na prisão, levava-lhe comida, cuidava de suas feridas. Alguns companheiros cristãos a acompanhavam e fizeram grandes milagres diante dos guardas da prisão. As notícias chegaram ao imperador Cláudio que pensou que estavam fazendo magia negra e tomou medidas contra aquela comunidade cristã, especialmente contra “a sacrílega Áurea, que ofuscou sua linhagem dedicando-se a práticas mágicas”.
     Em resumo, podemos sintetizar a tradição hagiográfica concernente a Áurea, como segue: No tempo de Cláudio, ela foi aprisionada e interrogada pelo próprio imperador, e depois de ser torturada, foi exilada em Óstia e confinada em sua propriedade. Mas, foi novamente aprisionada e torturada, sendo por fim lançada no mar com uma pedra no pescoço. O seu corpo, levado para a praia pelas ondas, foi sepultado por Nonno em 29 de agosto de um ano não preciso.
     As relíquias da Santa têm um percurso claro o que autentica a existência histórica da mesma. Depois de permanecer enterrada fora da cidade de Óstia, seus restos foram transladados posteriormente para Roma, para as catacumbas de São Saturnino na Via Salaria; finalmente, em 1735, foram levados definitivamente para Albano, para a igreja das Irmãs Oblatas de Jesus e Maria, onde são expostos à veneração pública em uma urna com a inscrição: “Ossos de Santa Áurea, virgem e mártir, padroeira de Óstia”.
Basílica de Sta. Áurea, Óstia
     Em 1981, um fragmento de mármore encontrado próximo à igreja de Santa Áurea contém uma importante inscrição funerária. Uma cópia deste fragmento permanece na capela da igreja, enquanto o original é custodiado no castelo de Óstia. A inscrição diz: Chryse hic dormit – Aqui jaz Crisa (como vimos, Crisa é a versão grega do nome da Santa). Outra inscrição, datada do século V, diz: “S.Aur” – Santa Áurea.
     Em 1693, o cardeal Alderano Cybo fez uma comemoração à mártir, com o seguinte texto: “No ano de Jesus Cristo, 229, sob Urbano I e o imperador Alexandre Severo, Áurea, virgem romana de nobre família, pela fé de Cristo foi torturada barbaramente: encarcerada por 7 dias sem comida nem bebida, impávida se apresentou diante do juiz desprezando as ameaças. Flagelada, torturada, golpeada, com as costelas fraturadas, foi lançada ao mar com uma pedra ao pescoço, merecendo a coroa do martírio glorioso que o Senhor lhe preparou eternamente.
     O Cardeal Alderano Cybo, bispo de Óstia, em 24 de agosto de 1693, renovou a lembrança perdida que narra onde padeceu morte para que não morra a fama de sua santidade.
     Existia em Óstia uma igreja dedicada à Áurea na qual os papas Sérgio I (m. 701), Leão II (m. 8l6) e Leão IV (m. 855) fizeram sucessivas restaurações; nela foi sepultada Santa Mônica (m. 387), mãe de Santo Agostinho.
     A antiga igreja de Santa Áurea, ampliada no final de 1400, quando Baccio Pontelli construiu um castelo e a incluiu no cinturão de defesa, é hoje a catedral da diocese suburbicária de Óstia.
Interior da Basílica
http://www.preguntasantoral.es/2013/05/santa-aurea-de-ostia/

sexta-feira, 18 de maio de 2018

Beata Blandina Merten, Ursulina - 18 de maio


«Deus não requer obras extraordinárias; só deseja amor», Beata Blandina Merten.

     Nona de dez irmãos, nasceu em Düppenweiler de Saarland (Alemanha), a 10 de julho de 1883. Foi batizada dois dias após o nascimento com o nome de Maria Madalena. Seus pais, João Merten e Catarina Winter, eram humildes agricultores, mas muito estimados por suas virtudes cristãs.
       Na família predominava a educação religiosa. Eram práticas habituais o Terço, a Missa e os Sacramentos. Aos 12 anos, Maria Madalena, segundo o costume da época, fez a Primeira Comunhão e recebeu o Crisma pouco depois. A partir deste momento a devoção à Eucaristia influiria beneficamente em toda a sua vida.
       Terminou seus estudos brilhantemente com alta classificação no Instituto de Magistério de Marienau em Vallendar, obtendo o diploma de professora. Lecionou em Morscheid, Hunsrück de 1902 a 1908. Tornou-se verdadeiramente um modelo de mestra católica pela bondade e saber, pela prudência e dedicação.
     As crianças, particularmente as mais pobres, eram as visadas pela sua bondade. Seu trabalho junto a elas era completo: roupa, alimento, ensino, tudo realizado com uma delicadeza proverbial e generosidade. Além do saber acadêmico, sua visão iluminada pela Fé auxiliava-a na orientação de suas alunas no caminho do amor ao Nosso Redentor e a sua Mãe Ssma.
       Entretanto, o "vem e segue-Me" do Divino Mestre ecoou em boa hora na sua alma bem-disposta. E assim, aos 25 anos, no dia 2 de abril de 1908, junto com sua irmã Elise, deu entrada no Instituto das Ursulinas de Calvarienberg, em Ahrweiler. Tomou o nome de Irmã Blandina do Sagrado Coração, e emitiu os primeiros votos a 3 de novembro de 1910.
     Seu diretor espiritual, o padre jesuíta Merk, autorizou que aos seus votos de pobreza, castidade e obediência ela acrescentasse o de “ser vítima”. É preciso valentia e fortaleza, muito amor para enfrentar a dor de viseira erguida, e Irmã Blandina possuía estas graças. Ela própria, na altura da profissão perpétua, a 4 de novembro de 1913, escreveu o seguinte: "Nesse dia consagrei-me ao Divino Redentor e tenho por certo que Ele aprovou o sacrifício".
       De novo lançada nas tarefas do ensino, continuou dando provas de muita competência e de singulares virtudes. Como autêntico modelo de mestra católica e credora da estima geral, sobressaíram na Irmã Blandina Merten as seguintes qualidades e virtudes: grande espírito de fé e de oração, vivo amor à Eucaristia e à Santíssima Virgem, singular dedicação ao trabalho e aos alunos.
      A sua piedade e modéstia, a sua delicadeza e pureza  granjearam-lhe o apelido de "anjo" entre os seus semelhantes desde tenra idade. O cumprimento fiel dos seus deveres profissionais, como professora, estava unido à incessante aspiração à santidade pessoal.
       De fato, tão relevante espiritualidade há de atribuir-se antes de mais ao espírito de oração, à contemplação das verdades divinas, à devoção a Cristo Sacramentado e ao seu Divino Coração.
      O caminho terrestre da Irmã Blandina não seria longo. Foi destinada à escola de Saarbrücken, e ali apareceram os primeiros sintomas de uma doença pulmonar incurável na época. Em 1910, por indicação médica, foi transferida para Tréveris, onde ainda pôde prosseguir lecionando. Mas no outono de 1916, a saúde agravou-se, teve de ser trasladada para o hospital das Irmãs doentes, em Merienhaus.
      A última fase da vida passou-a em permanente colóquio de amor com Deus, a quem toda se ofereceu. Como a enfermaria ficava próxima da capela, com grande dose de conformidade, paciência e paz interior, ela dizia: “Jesus e eu somos vizinhos!” Nem a solidão nem as dores lhe puderam roubar o sorriso e a paz interior. “A dor - dizia ela – é a melhor escola do amor”.
     Pode dizer-se que a Irmã Blandina não fez coisas extraordinárias, mas sim que executou extraordinariamente os seus deveres quotidianos.  Aos 35 anos de idade e 11 de vida religiosa, faleceu placidamente com o nome de Jesus nos lábios, no dia 18 de maio de 1918, há exatamente 100 anos! Foi beatificada em 1º de novembro de 1987. 
O convento das Ursulinas
AAS 76 (1984) 185-8; 80 (1988) 961-4 – Cf. Pe. José Leite, S.J. Santos de cada dia.
http://es.catholic.net/op/articulos/36098/blandina-merten-beata.html#

Em 17 de maio de 2012 este blog postou um pequeno resumo sobre esta Beata.

quarta-feira, 16 de maio de 2018

Beata Antônia Mesina, Mártir da Pureza - 17 de maio

Martirológio Romano: Na aldeia de Orgosolo, na região da Sardenha, na Itália, Beata Antônia Mesina, virgem e mártir, que aos dezesseis anos, entregue às obras em favor da Igreja, defendeu sua castidade até a morte ( 1935).
     Em 1902, num pequeno povoado italiano, Maria Goretti foi atrozmente assassinada ao oferecer resistência a uma tentativa de violação. Tinha apenas onze anos. Em 1935, na Sardenha, uma história semelhante abateu-se sobre Antônia Mesina, uma jovem de dezesseis anos. Ambas deram a vida para defender a sua pureza. Em que medida estas mártires são um exemplo de fé?
     Em 1947, ao beatificar a jovem mártir da pureza Maria Goretti (1890-1902), o Papa Pio XII quis indicá-la às jovens como exemplo de defesa extrema e heroica da pureza, e a proclamou Santa em 1950, durante o Ano Santo. O reconhecimento oficial da Igreja desta forma de martírio – que se pode considerar, segundo a linguagem de hoje, como um estupro com um fim trágico devido à resistência da vítima – traz uma nova luz ao martírio: o conceito de defesa da pureza como dom de Deus e o rebelar-se consciente até a morte. São Domingos Sávio dizia: “Antes morrer do que pecar”.
     Antônia, filha de Agostinho Mesina e de Graça Rubanu, nasceu a 21 de junho de 1919, em Orgosolo, na província de Nuoro, Sardenha. Foi batizada na paróquia de São Pedro, originária do século XIV, no dia 30 do mesmo mês e, como era uso então, foi crismada a 10 de novembro de 1920, quando tinha menos de dois anos de idade, pelo bispo D. Lucas Canepa. Aos sete anos fez a Primeira Comunhão. Era a segunda filha de 10 irmãos, seis dos quais morreram muito pequenos.
     A família, de condição modesta, era sustentada pelo pai que era guarda campestre, o que já era alguma coisa na carente economia de Orgosolo, região das colinas da Barbagia (alt. 620m), ao norte dos montes do Gennargentu, com as suas características casinhas, e cujas principais fontes de renda dos habitantes eram o pastoreio e a exploração dos bosques circunstantes.
     Como toda família numerosa, Antônia tinha que ajudar a mãe nas atividades domésticas e cuidava dos irmãos menores com atenção maternal.
     Antônia Mesina se formou na escola da Juventude Feminina da Ação Católica e de 1929 a 1931 fez parte dela como ‘benjamina’ (aspirante), e de 1934 a 1935, como sócia efetiva (militante ativa). Era de uma piedade simples e fervorosa, generosa na dedicação à sua família, respeitosa e caridosa com todos. Tinha grande devoção pela Eucaristia, pelo Sagrado Coração de Jesus e pela Virgem Ssma. Rezava com frequência o Rosário e comungava sempre que podia.
     De caráter reservado, porém decidido, típico da personalidade das mulheres da sua região, evitava tudo que pudesse ofuscar o seu bom nome e a sua modéstia. Participava com espontaneidade dos eventos de Orgosolo: uma foto a retrata usando o belíssimo traje usado pelas senhoras da Sardenha nas tradicionais festas da Assunção (15 agosto) e de S. Ananias (primeiro domingo de junho).
     Com entusiasmo fazia parte da famosa Cruzada pela Pureza, da qual também participara a Beata Pierina Morosini, uma iniciativa da Juventude Feminina da Ação Católica. Ao tomar conhecimento da heroicidade do martírio de Santa Maria Goretti, ficou impactada e muitas vezes disse aos seus parentes que se ela se encontrasse na mesma situação que aquela menina, preferiria agir como ela. Seu irmão Júlio declararia posteriormente que sua irmã tinha um livro dedicado a Santa Maria Goretti e a conhecia muito bem. Um dia, contando a sua mãe um abuso ocorrido com uma jovem esposa de Lollove, Novara, declarou decidida: “Se isso acontecesse comigo, antes me esmagariam como a uma formiga do que eu cedesse!
     No dia 17 de maio de 1935, após ter assistido a Santa Missa na paróquia de São Pedro e ter recebido a Santa Comunhão, a pedido de sua mãe foi ao bosque dos arredores para recolher lenha, segundo o costume, para atender às necessidades da família. Acompanhava-a uma amiga, Ana Castangia.
     Encontrava-se na localidade “Obadduthai” quando um jovem da sua região, Inácio João Catgiu, a abordou convidando-a a cometer pecado, mas ela resiste energicamente à sua paixão insana. Ana Castangia voltou-se e viu Antônia assaltada pelo jovem, cego diante da recusa, que a agride e ela gritando pedindo ajuda, mas ela, muito jovem, nada pode fazer para ajudar a amiga.
     O agressor a sujeitou, mas Antônia era forte e conseguiu escapar; ele a perseguiu e alcançou, com violência golpeou-a na face com uma grande pedra. Com o rosto ensanguentado e a vista obnubilada, Antônia caiu de joelhos, deixando ali uma primeira poça de sangue. Catgiu agarrou-a pelos cabelos e arrastou-a por 9 metros, e ali tentou violá-la. A jovem não se rendeu e lutou bravamente contra seu agressor, enquanto continuava gritando pedindo por ajuda. Sua resistência tornou a violação impossível e com mais fúria o assassino a agrediu, desta vez com golpes de pedra até que desse conta que a havia matado. Neste local ficou mais uma poça de sangue. Catgiu escondeu o cadáver entre os arbustos e se foi.
     Quando o corpo foi encontrado estava em condições horríveis: Antônia fora ferida com 74 golpes de pedra, e seu rosto estava irreconhecível. A autopsia revelou que a violação não se consumara e o próprio assassino confessou que a havia matado porque não havia querido manter relações com ele. O Dr. Rafael Calamida, que a havia examinado, declarou: “Antônia Mesina venceu, mas lhe custou a vida!”. O juiz Emanuel Pili também disse: “Martirizada, porém pura!
     Assim, com apenas 16 anos, morreu Antônia Mesina defendendo a sua pureza, impregnando aquela nobre e antiga terra com o seu sangue inocente, tornando-se uma flor a ser admirada pelo povo de Orgosolo, que participou em massa, no dia 19 de maio de 1935, dos solenes funerais.
     Sua fama de santidade logo se espalhou; sua morte foi considerada como um martírio semelhante ao de Santa Maria Goretti.
     Em 5 de outubro de 1935, Armida Barelli foi contar ao Papa Pio XI a história da "primeira flor da Juventude Feminina de A.C.I. colhida, o primeiro lírio cortado pelo martírio, a jovem de 16 anos, Antônia Mesina de Orgosolo, educada na escola de Maria Goretti". Milhares de cartas pediam a beatificação de Antônia, por isso a Congregação para as Causas dos Santos deu o nihil obstat para o início do processo em 22 de setembro de 1978. O papa João Paulo II beatificou esta filha da Sardenha no dia 4 de outubro de 1987.
     A mãe da Beata afirmou no processo canônico: "Não me lembro de repreendê-la: ela não me dava motivo nem ao pai. Ela parecia um anjo pelo modéstia e obediência. Ela também amava muito o silêncio e a privacidade, e tinha um profundo espírito de sacrifício". Quando, em 1935, a Sra. Graça deu à luz gêmeos, ela confiou-os a Antônia. A jovem era muitas vezes forçada a passar noites sem dormir, ou a dormir no chão no quarto da mãe, não porque não tivesse cama, mas para estar pronta para dar a ela, muito doente, e aos irmãos pequenos, a ajuda de que precisavam.
     A Sra. Graça Mesina declarou ainda: "Eu notei nela uma mudança para melhor quando ela passou a frequentar da Ação Católica. Para poder ir receber a Comunhão, confiava seus irmãozinhos a alguma vizinha". Quando isto não era possível, ela fazia orações mais longas em casa, entre uma ocupação e outra. Júlio, depondo no processo, relatou: "Várias vezes encontrei-a em seu quarto de joelhos e com o rosário na mão".
     Na cerimônia de beatificação estavam presentes muitos parentes de Antônia. Um caso curioso foi o de seu primo Graciano Mesina: condenado a prisão perpétua, ele declarou que estava orgulhoso de sua prima, e que teria gostado de assistir à cerimônia de sua beatificação.
     No lugar do martírio da Beata foi erguida uma cruz com estas palavras: "Antônia Mesina, pura e forte". Parece que a mártir previu seu fim violento. Seu irmão Júlio testemunhou no julgamento que poucos dias antes de sua morte, quando ele passava pelo mesmo local com ela e duas jovens de Orgosolo, "ela nos disse para ajoelharmo-nos diante da cruz chamada de "o juramento" que ficava logo abaixo da Igreja de Santo Ananias, e nos convidou a rezar porque um dia, mais acima, eles erguerão outra, que será a minha".
     Entre as testemunhas diretas dos eventos ligados ao martírio de Antônia Mesina, deve ser mencionado o Procurador Geral da República em Gênova, Francisco Coco. O juiz, assassinado em 8 de junho de 1976 pelas Brigadas Vermelhas em Gênova, com o agente de escolta João Saponara e o motorista Antíoco Deiana, em maio de 1935 era juiz investigador do tribunal de Nuoro e assistiu à autópsia de Antônia Mesina. Ele deixou um testemunho comovente do fato. Os pais de Antônia não expressavam propósitos de vingança ou ódio em relação ao assassino, mas o Tribunal de Assisse de Sassari, convocado em Nuoro, reconheceu-o como normal e responsável pelo grave crime cometido em 17/5/1935, condenando-o à morte. Catgiu foi fuzilado em 5 de agosto do mesmo ano na localidade de Prato Sardo (Nuoro) depois de ter recebido todos os sacramentos.

Fontes:
http://biscobreak.altervista.org/2013/05/beata-antonia-mesina/

Um relato sobre esta Beata foi postado neste blog em 16 de maio de 2011

sábado, 12 de maio de 2018

Santa Gema, Reclusa – 13 de maio


Martirológio Romano: Na cidade Goriano Sicoli em Abruzzo, Beata Gema, Virgem, que vivia reclusa em uma pequena cela ao lado da igreja, de onde ela podia ver apenas o altar.

     A vida de Santa Gema é relatada na Bibiotheca sanctorum, T6, p 103, tirada de um documento de Muzio Febonio do século XVII. Ela também é mencionada na Marsicana Reggia de Pietro Antonio Corsignani, Bispo de Venosa.
     Santa Gema nasceu por volta do ano 1375 em San Sebastiano di Bisegna, em Abruzzo, Itália. Seus pais, de posição social pobre e dedicados principalmente à atividade pastoril, decidiram se mudar para Goriano Sicoli, na hoje província de Aquila, a fim de melhorar seu padrão de vida.
     Devido a uma epidemia, a menina ficou órfã de ambos os pais. Entretanto, ela não perdeu a coragem e protegida pela madrinha continuou a cuidar de seu pequeno rebanho, levando uma vida de trabalho e oração.
     Segundo outras fontes, Santa Gema mudou-se para Goriano Sicoli, somente após o falecimento de seus pais.
     Sua extraordinária beleza despertou a paixão no conde Rogério de Celano, que tentou seduzi-la de todas as maneiras, mas a pastora reagiu, forçando o nobre a se arrepender de seu comportamento. Impressionado com tal determinação, o conde mandou construir um confortável aposento adjacente à Igreja de São João, para que a jovem pudesse viver mais dignamente e dedicar-se à oração.
     A partir daquele momento a jovem levou uma vida ascética, dedicando-se ao estudo das Escrituras Sagradas e à assistência espiritual para as pessoas que recorriam a ela. Segundo outras fontes, no entanto, a pastorinha viveu por cerca de 40 anos em absoluta reclusão em Goriano Sicoli, pertencente à Diocese de Sulmona.
     Gema faleceu no dia 13 de maio de 1439. Outros dizem que é mais provável que o ano de sua morte seja 1426, em virtude do fato de Corsignani, Bispo de Venosa, em uma obra relatar uma visita do Bispo Bento Guidalotti ao túmulo de Santa Gema no ano seguinte à sua morte. Guidalotti foi bispo de Valva-Sulmona em 1426/27 e morreu em 1429, portanto o ano de 1439 parece improvável.
     Logo depois de sua morte muitos milagres começaram a ocorrer. Os habitantes de Goriano então induziram o bispo de Sulmona a exumar seu corpo, que encontraram completamente intacto. Foi feita uma urna de madeira e seu corpo foi colocado sob o altar-mor da Igreja de São João (posteriormente chamada de Santa Gema).
     Tantos foram os milagres que ocorreram em diferentes locais de Abruzzo, devidamente anotados no registro paroquial de Goriano e reconhecidos pelas autoridades eclesiásticas, que ela foi logo elevada à honra dos altares. O culto foi aprovado em 1890. A santa é venerada não apenas em Abruzzo, mas também nas muitas comunidades de naturais de Abruzzo espalhadas pelo mundo.
     A história da chegada de Santa Gema na pequena cidade do Vale Subequana é a base da peregrinação a Goriano Sicoli que o povo de San Sebastiano realiza no dia 11 de maio de cada ano. Uma jovem vai para Goriano Sicoli vestida com os trajes tradicionais, acompanhada de seus pais e de aldeões. A peregrinação dura três dias. A casa da madrinha (onde também morava Santa Gema) acolhe hoje a confraria dedicada a ela.


Fontes:

quinta-feira, 10 de maio de 2018

Festa da Ascensão do Senhor - Este ano dia 10 de maio (ou 13 de maio)

    
     A observância desta festa é muito antiga. Embora não haja evidências documentais de sua existência anteriores ao século V, Santo Agostinho afirma que ela é de origem apostólica e de uma forma que deixa claro que ela já era observada universalmente por toda a Igreja antiga muito antes de seu tempo. Menções frequentes a ela aparecem nas obras de São João Crisóstomo, São Gregório de Nissa e na “Constituição dos Apóstolos”.
     A “Peregrinação de Egéria” fala de uma vigília antes da festa e da festa em si, eventos que ela testemunhou na igreja construída sobre a gruta na qual os fiéis acreditam ter nascido Jesus em Belém. É possível que antes do século V, o evento narrado nos Evangelhos tenha sido comemorado em conjunto com a Páscoa ou o Pentecostes. Alguns acreditam que o controverso e muito debatido decreto 43 do Sínodo de Elvira (c. 300), condenando a prática de observar uma festa no quadragésimo dia depois da Páscoa e de esquecer de comemorar o Pentecostes no quinquagésimo, implica que a prática apropriada na época era comemorar a Ascensão junto com o Pentecostes. Representações artísticas do evento aparecem em dípticos e afrescos a partir do século V.
     Os termos em latim para a festa, "ascensio" e, ocasionalmente, "ascensa”, significam que Cristo ascendeu através de seus próprios poderes e é destes termos que o dia santo derivou seu nome. No Catolicismo romano, a "Ascensão do Senhor" é um “dia santo de obrigação”. Os três dias antes da quinta-feira da Ascensão são, às vezes, chamados de “Dias de rogação" e o domingo anterior, o sexto da Páscoa (ou quinto "depois" da Páscoa), “Domingo de rogação". A Ascensão prevê uma vigília e, desde o século XV, uma oitava, que já é uma novena preparatória para o Pentecostes conforme as instruções do papa Leão XIII.
     Em diversos países que não observam a festa como feriado público, a Igreja Católica Romana deu permissão para mudar a observância da Ascensão da quinta-feira para o domingo seguinte, o domingo antes do Pentecostes. Este relaxamento está de acordo com a tendência de mover os dias de obrigação de dias da semana para os domingos para encorajar mais católicos a observar as festas consideradas mais importantes. A decisão de mudar a data é tomada pelos bispos de uma província eclesiástica, ou seja, um arcebispo e seus bispos.

Dia da espiga

     O "dia da espiga" ou "Quinta-feira da espiga" é uma celebração portuguesa que ocorre no dia da Quinta-feira da Ascensão com um passeio, em que se colhem espigas de vários cereais, flores campestres (papoilas e pampilhos) e raminhos de oliveira para formar um ramo, a que se chama de espiga. Em certas localidades, segundo a tradição, o ramo deve ser colocado por detrás da porta de entrada e só deve ser substituído por um novo, no dia da espiga, do ano seguinte. É considerado "o dia mais santo do ano", um dia em que não se devia trabalhar. Era chamado o "dia da hora" porque havia um momento em que tudo parava: pelo meio-dia, em algumas localidades e pelas três horas da tarde, noutras localidades, onde "as águas dos ribeiros não correm, o leite não coalha, o pão não leveda e as folhas de oliveira cruzam-se".
     O seguinte provérbio é do conhecimento do povo português:
“Se os passarinhos soubessem
Quando é dia d'Ascensão,
Nem subiam ao seu ninho,
Nem punham o pé no chão”.


     Em alguns locais do país, era nessa hora que se colhiam as plantas para fazer o ramo da "espiga" e também se colhiam as ervas medicinais. Deviam rezar-se igualmente cinco Padres-Nossos, cinco Ave Marias e cinco Gloria ao Pai, para que durante o ano houvesse sempre em casa azeite, ouro e prata. Nesses lugares, em dias de trovoadas queimava-se um pouco dessa "espiga" no fogo da lareira para afastar as trovoadas.

CHAVES, Luís. Páginas Folclóricas - I: A Canção do Trabalho. Separata do vol. XXVI da "Revista Lusitana". Imprensa Portuguesa. Porto, 1927.

segunda-feira, 7 de maio de 2018

Nossa Senhora de Luján, Padroeira da Argentina e do Uruguai – 8 de maio

    

     Um imigrante português, Antônio Faria, fazendeiro de Sumampa, no território de Córdoba do Tucumán, muito devoto de Nossa Senhora, estava construindo na região uma pequena Capela. Esse pequeno santuário seria em honra a Imaculada Conceição, e sua imagem foi encomendada junto a outro imigrante português, esse por sua vez morador no Brasil. Como eram muitos amigos, foram enviadas duas imagens da Santíssima Virgem, a solicitada (da Imaculada Conceição) e da Mãe de Deus (Nossa Senhora com o Menino Jesus nos braços).
     Na viagem para entregá-las, já no interior da Argentina, a comitiva teve que parar para descansar nas terras da propriedade de um terceiro imigrante português, o Sr. Rosendo, à pouca distância do Rio Luján.
     Era o mês de maio. Na manhã do dia seguinte, quando quiseram continuar viagem os animais não se moviam. Os bois, que até o dia anterior puxavam normalmente a carroça com os caixotes das imagens, agora negavam-se a andar! Os condutores açoitavam os animas com insistência, porém em vão, não se moviam dali.
     Retirando-se as caixas os bois andavam sem nenhum estímulo; ao colocarem apenas uma, eles já não se moviam, embora as embalagens fossem mais volumosas do que pesadas, peso desprezível para uma junta de bois. Substituíram a carga, retirando as imagens, e novamente os animais se colocavam em marcha sem serem fustigados.
     Como não havia jeito de prosseguir viagem, pelo comportamento dos bois os responsáveis da caravana, já impressionados pelo que estava acontecendo, decidiram deixar as imagens na casa sede daquela fazenda.
     A família emocionou-se ao ver a imagem e colocaram-na em sua casa, a notícia correu toda a região, e até chegou em Buenos Aires. O Sr. Rosendo, proprietário da fazenda, construiu uma pequena capela; entre as gramíneas dos pampas, neste local a Virgem permaneceu intacta de 1630 a 1674.
     A história espalhou-se e começaram a vir os devotos e curiosos para rezarem e conhecerem o local e as imagens. Os milagres começaram a ocorrer. Depois de certo tempo, um sacerdote que estava muito doente, movido pela fé foi buscar conforto no abençoado local e milagrosamente ficou totalmente curado. Como gratidão passou a morar junto a capela e atender os fiéis que cada vez chegavam em maior número.
     O local se tornou povoado com os devotos da Virgem. Assim, o espaço tornou-se uma vila que foi denominada Povo de Nossa Senhora de Luján; em 1755 ela foi premiada com o título de vila. A devoção à Virgem foi crescendo ano após ano, o mesmo com os milagres e, em 23 de outubro de 1730, foi nomeada freguesia de Luján.
     No ano de 1763 uma imponente Igreja foi edificada. Já no final do século XIX, em 8 de maio de 1887, foi reconhecida, autorizada e abençoada como Basílica, e realizada a coroação canônica da imagem. Em 1930, Argentina e Uruguai passaram a ter em Nossa Senhora de Luján, a Sua Padroeira.
     Luján, na Argentina, é atualmente um dos Santuários mais visitados do mundo.
     Em 1982, ao celebrar uma Missa no Santuário do Luján, João Paulo II disse: “Diante desta imagem abençoada da Virgem Maria, a mesma à qual meus predecessores Urbano VIII, Clemente XI, Leão XIII, Pio XI e Pio XII mostraram sua devoção, vim também eu a venerá-la, em comunhão de amor filial convosco, o Sucessor de Pedro na cátedra de Roma”.
Peregrinações
     A cada 8 de dezembro, e a cada primeiro sábado de outubro, milhares de peregrinos marcham a pé em direção à Basílica de Luján em Buenos Aires. Ela começa a partir do santuário de São Caetano, no bairro de Liniers.
Interior da Basílica de Luján

domingo, 6 de maio de 2018

Beata Ana Rosa Gattorno, Fundadora - 6 de maio

    
     “Meu amor, o que posso fazer para que o mundo todo Vos ame? Eu quisera atrair todo o mundo, dar-vos a todos, socorrer a todos... desejaria correr por toda parte e gritar forte para que todos venham amar-vos. Servi-vos mais uma vez deste miserável instrumento para reavivar a fé e a conversão dos pecadores”.
     Este impulso generoso brotado aos pés de seu “Sumo Bem”, que a atraía sempre mais irresistivelmente a Si, constituiu o anelo profundo do coração da Beata, até levá-la a oferecer sua vida totalmente em contínua imolação pela glória e complacência do Padre Eterno.
     A fundadora do Instituto das Filhas de Santa Ana nasceu em Gênova (Itália), no dia 14 de outubro de 1831. Foi batizada no mesmo dia na paróquia de São Donato, com os nomes de Rosa Maria Benedita.
     Pertencia a uma família de boas condições financeiras, de bom nome na sociedade e de profunda formação cristã. No pai, Francisco, e na mãe, Adelaide, como nos outros cinco irmãos, encontrou os primeiros essenciais formadores de sua vida moral e cristã.
     Aos doze anos foi Crismada em Santa Maria das Viñas, pelas mãos do Arcebispo Cardeal Plácido Tadini. Como era uso nas famílias abastadas do tempo, Rosa recebeu a instrução em casa. De caráter sereno, amável, aberto à piedade e à caridade, entretanto firme, soube reagir ao clima político e anticlerical da época, que também afetou alguns dos familiares. Sua juventude serena foi caracterizada por um fervente empenho de vida cristã e por uma inabalável fé, posta à prova em seu contato com os livres pensadores que frequentavam a sua casa.
     Em 5 de novembro de 1852, com a idade de 21 anos, contraiu matrimônio com seu primo, Jerônimo Custo, e transferiu-se para Marselha (França). Rosa deu à luz três filhos: Carlota, Alexandre, Francisco. Uma imprevista crise financeira perturbou a felicidade da nova família, obrigada a retornar a Gênova. A sua primeira filha, Carlota, afetada de repentina enfermidade, ficou surda-muda para sempre; e apesar da alegria de outros dois filhos, ela foi novamente abalada pelo falecimento do esposo, após seis anos de matrimônio, e a morte do seu último filho aos 7 meses de idade.
     Provada pela dor não se fechou em si mesma. Estes acontecimentos marcaram a sua vida e levaram-na a uma mudança radical a que ela chamava "a sua conversão", isto é, à entrega total ao Senhor. Orientada pelo seu confessor, Pe. José Firpo, emitiu de forma privada os votos perpétuos de castidade e obediência, precisamente na festa da Imaculada: 8 de dezembro de 1858, e depois, como terciária franciscana, professou também o voto de pobreza. Viveu intimamente unida a Cristo, recebendo a Comunhão todos os dias, privilégio que naquele tempo era pouco comum. Em 1862 recebeu o dom dos estigmas ocultos, percebidos mais intensamente nas sextas-feiras.  Dedicou-se a visitar os enfermos em domicilio e nos hospitais da cidade. Interessou-se pelas "jovens em perigo".
     Uma noite, rezando em seu quarto diante do Crucifixo, recebeu a inspiração para fundar um Instituto Religioso. Rosa relutou muito para não deixar os filhos. O Frei Francisco Camporosso, santo capuchinho, embora temeroso diante das tribulações que se previa, a encorajou, e o mesmo fez seu confessor e o Arcebispo de Gênova. Ela então quis ouvir a palavra do Papa Pio IX, que a recebe em audiência no dia 3 de janeiro de 1866.
     Ela somente aceitou a responsabilidade de Fundadora mediante a expressa ordem do Papa Pio IX, que depois de a ter escutado durante longo tempo, confirmou-a na sua missão de Fundadora e profetizou: “Este Instituto se estenderá rapidamente em todas as partes do mundo. Deus pensará em teus filhos, tu pensas em Deus em sua obra. Teu Instituto se estenderá rapidamente como o voo da pomba por todas as partes do mundo".
     Superadas as resistências dos parentes e abandonadas as obras de Gênova, deu início a nova família religiosa que denominou definitivamente Filhas de Sant’Ana, Mãe de Maria Imaculada (8 de dezembro de 1866). A Beata vestiu o hábito religioso no dia 26 de julho de 1867 e a 8 de abril de 1870 emitiu a profissão religiosa, com outras doze religiosas.
     O desenvolvimento do Instituto recebeu a colaboração do Pe. João Batista Tornatore, sacerdote da Missão, a quem a Beata pediu expressamente que escrevesse as Regras e que foi considerado cofundador do Instituto.
     Com esta fundação, realizou muitas obras de atendimento aos pobres e doentes, às pessoas sozinhas, anciãs e abandonadas; cuidou da assistência às crianças e às jovens, proporcionando-lhes uma instrução religiosa e adequada, a fim de as inserir no mundo do trabalho. Assim, foram abertas muitas escolas para a juventude pobre, segundo as necessidades mais urgentes da época.
     A Beata chamava suas filhas de “servas dos pobres e ministras da misericórdia” e as exortava: “Sejam humildes... pensem que são as últimas e as mais miseráveis de todas as criaturas que prestam seu serviço à Igreja, à qual têm a graça de pertencer”.
    Com menos de dez anos da fundação, a Congregação recebeu a aprovação definitiva, em 1876. Porém, o Regulamento só o foi em 1892. Muito estimada e considerada por todos, colaborou em Piacenza também com o bispo, Monsenhor Scalabrini, hoje beato, sobretudo na Obra fundada por ele a favor dos surdos-mudos.
     Sofreu provas, humilhações, dificuldades e tribulações de todo o gênero, mas sempre confiou em Deus e cada vez mais atraía outras jovens para o seu apostolado. Ser “porta-voz de Jesus” e fazer chegar a todos os homens o Amor que salva foi sempre o anelo profundo de seu coração e em 1878 já enviava as primeiras Filhas de Sant’Ana para a Bolívia, depois para o Brasil, Chile, Peru, Eritreia, França, Espanha.
     Puro e simples instrumento nas mãos do “delicado Artífice”, imitando a Cristo pobre e vítima de amor com Ele, realizou em sua vida o desejo inculcado à suas filhas: “Viver por Deus e morrer por Ele, gastar a vida por amor”.
     Assim viveu até fevereiro de 1900, quando foi afetada por uma doença inesperada que se agravou rapidamente. Submetida a duras provas de penitência, frequentes e extenuantes viagens, uma intensa correspondência epistolar, preocupações e grandes desgostos, seu físico não pode suportar mais. No dia 4 de maio ela recebeu a Extrema Unção e dois dias depois, 6 de maio de 1900, às 9 horas da manhã, falecia santamente na Casa Mãe de Piacenza.
     A fama de santidade que já havia irradiado em vida, eclodiu por ocasião de sua morte, crescendo ininterruptamente por todas as partes do mundo.
     A Congregação já contava com trezentas e sessenta e oito Casas nas quais desenvolviam as suas missões três mil e quinhentas religiosas. Ela foi beatificada pelo Papa João Paulo II no ano 2000.

https://www.aciprensa.com/santos/santo.php?id=464;
http://filhadesantana.blogspot.com.br/2010/05/beata-rosa-gattorno-fundadora-da.html;
http://www.santiebeati.it/dettaglio/90016

Em 5 de maio de 2012 este blog postou um relato sobre a Beata Ana Rosa Gattotno