sábado, 18 de maio de 2019

Irmã Maria da Cruz e o “Manuscrito do Purgatório”

    
     O Manuscrito do Purgatório constitui os registros da Irmã Maria da Cruz (cujo nome era Elisa Sofia Clementina Hébert, nascida em Néhou-St-Georges em 1 de dezembro de 1840 e falecida em Cherbourg em 11 de maio de 1917). Esta religiosa do Convento Agostiniano de Valognes recebeu, por um especial desígnio divino, mensagens do Purgatório, manifestadas por uma antiga companheira do convento chamada Maria Gabriela, falecida em Valognes a 22 de fevereiro de 1871, com apenas 36 anos de idade. As manifestações tiveram início em novembro de 1873, na forma de gemidos prolongados, e se confirmaram, por via oral, a partir de 15 de fevereiro de 1874.
     A autenticidade destes relatos tem sido amplamente defendida, em função da própria vida religiosa da Irmã Maria da Cruz, como pelo testemunho de vários teólogos e do próprio diretor espiritual da religiosa, Pe. Prével, que acompanhou os eventos durante todas as suas manifestações. De qualquer forma, no contexto formal da Santa Igreja trata-se de um documento de caráter de devoção particular.
     Estas extraordinárias confidências de uma alma sobre as realidades e os sofrimentos do Purgatório foram expostas em francês nos manuscritos originais, publicados em várias línguas. O texto, composto pelas mensagens compiladas no período de 1874 a 1890, não tem um padrão 'literário', sendo comumente truncado e descontínuo, mas as mensagens transmitidas constituem um tesouro de alento à fé e à caridade cristãs.
* * *
     Em novembro de 1873, Irmã Maria da Cruz ouviu subitamente, junto dela, gemidos prolongados. Disse então espantada: “Oh! Quem é? Faz-me medo… Por favor, não se mostre! Mas diga-me quem é”. Não obteve resposta, mas as queixas continuaram… aproximando-se dela cada vez mais. A irmã rezava continuamente, com comunhões, Vias Sacras e Rosários; os gemidos não paravam e o mistério continuava. No domingo de 15 de fevereiro de 1874, ouviu uma voz que lhe disse: “Não tenha medo! Não me verá em sofrimento! Sou a Irmã Maria Gabriela (uma jovem religiosa falecida em Valognes a 22 de fevereiro de 1871).
     Então a alma sofredora disse à antiga companheira, cujos conselhos tantas vezes desprezara, que multiplicaria as visitas para a ajudar a santificar-se, pois entrava no plano Divino que a Irmã Maria da Cruz, pela santidade da sua vida, aliviasse e finalmente libertasse aquela que outrora tanto exercitara a sua paciência. A Irmã Maria da Cruz suplicou-lhe que desaparecesse e nunca mais voltasse, mas foi tempo perdido. Foi-lhe respondido que deveria suportar, todo o tempo que Deus quisesse, o que ela mais temia.
     E foi assim que durante vários anos, se estabeleceram entre a alma da Irmã Maria Gabriela e a Irmã Maria da Cruz misteriosas relações e revelações acerca do Purgatório que foram registradas de 1874 a 1890, no Manuscrito do Purgatório.

1874
     24 de março de 1874: 'Amanhã, vá visitar o Santíssimo Sacramento quantas vezes lhe for possível. Vou acompanhá-la e ter a felicidade de estar perto de Nosso Senhor. Isso me alivia'.
     25 março de 1874: 'Agora estou no Segundo Purgatório. Desde a minha morte, eu estava no Primeiro, onde padeci um grande sofrimento. Nós também sofremos no Segundo, mas não tanto quanto no Primeiro. Sempre procure ser um apoio para a sua Superiora. Não fale muitas vezes. Espere até você ser questionada antes de responder'.
     Maio de 1874: 'Estou no Segundo Purgatório desde a Festa da Anunciação. Naquele dia, eu vi a Virgem Maria pela primeira vez. Na primeira etapa, nós nunca a vemos. A visão dEla nos encoraja e esta Mãe querida nos fala do Céu. Enquanto nós a vemos, nossos sofrimentos são muito reduzidos. Oh, como eu desejo ir para o Céu! Que grande martírio sofremos uma vez que vimos a Deus!
     O que eu acho? Eu acho que Deus permite isso para o seu benefício e para meu consolo. Ouça bem o que vou lhe dizer. Deus escolheu você para um propósito especial. Ele quer que você salve muitas almas por seu conselho e bom exemplo. Se, por sua conduta, você frustrar isso, um dia você vai ter que prestar contas de cada alma que você poderia ter salvo. É bem verdade que você não é digna disso, mas Deus permite que seja assim. Ele é o Mestre e distribui as suas graças a quem Lhe aprouver.
     Fazes bem em orar para São Miguel e para exortar os outros a fazê-lo. A gente é de fato feliz na hora da morte quando se tem confiança em alguns santos. Eles serão os seus protetores diante de Deus nesse momento terrível. Nunca hesite em lembrar suas filhas das grandes verdades da salvação. Nestes dias, mais do que nunca, as pessoas precisam se lembrar das verdades sobrenaturais.
     Deus quer que você se sacrifique por Ele sem reservas. Ele ama você mais do que muitas outras; portanto, Ele vai lhe dar muito mais graças... Tenha cuidado para não perder nenhuma das graças que Ele lhe concede. Viva somente para Deus. Tente buscar a glória de Deus em todos os lugares. Quanto bem você pode fazer pelas almas! Não faça nada, exceto o que agrada a Deus. Antes de cada ação, recolha-se por um momento para ter certeza de que o que você vai fazer vai ser agradável a Ele. Tudo por Jesus. Ama-O muito!
     Sim, eu sofro muito, mas o meu maior tormento é não ver a Deus. É um martírio contínuo. Isso me faz sofrer mais do que o fogo do Purgatório. Se mais tarde você amar a Deus como Ele o quer, você vai experimentar um pouco deste anseio, que leva um tempo para se unir ao objeto de seu amor, que é Jesus. Às vezes vemos São José, mas não tão frequentemente como nós vemos a Santíssima Virgem.
     Você deve tornar-se indiferente a tudo, exceto para Deus. Assim, você vai chegar à altura da perfeição a que Jesus lhe chama. Madre I. não se beneficiou das Missas rezadas por ela. Religiosos não têm o direito de dispor dos seus bens. É contrário à santa pobreza. Se você fizer bem as suas preces, as almas confiadas a seus cuidados serão beneficiados por elas. Deus nunca recusa graças que são pedidas a Ele por meio de orações bem-feitas.
     O Purgatório das religiosas é muito mais longo e mais rigoroso do que o das pessoas do mundo, porque abusaram de graças especiais. Muitas freiras estão abandonadas no Purgatório, por sua própria culpa, é claro, pois ninguém se lembra delas. Nossa falecida Reverenda Madre me disse que Deus ficaria muito feliz se a comunidade oferecesse uma missa por elas de vez em quando. Certifique-se de dizer isso para a Madre Superiora. Deus ama a Reverenda Madre muito. Ele lhe dá uma pesada cruz para provar o Seu amor por ela.
     Ninguém pode ter uma compreensão real dos sofrimentos do Purgatório. Ninguém pensa neles no mundo. Até mesmo as comunidades religiosas se esquecem de que devem rezar pelas pobres almas e que devem inspirar seus alunos para esta devoção. Eles, por sua vez, deveriam levar essa devoção a outras pessoas do mundo. Não tenha medo de fadiga quando se trata de servir a Deus. Sacrifique tudo por Ele.
     Obedeça a sua Superiora prontamente. Deixe-a torcer e retorcer você como ela quiser. Seja muito humilde. Humilhe-se sempre, se possível, até o chão. M. está no Purgatório porque, por suas observações desleais, muitas vezes ela anulou o bem que a Superiora poderia ter feito. Torne-se uma prática sua viver na presença de Deus, com uma intenção pura. Deus procura almas dedicadas que irão amá-Lo para seu próprio bem. Estas são muito poucas. Ele quer que você seja um dos Seus verdadeiros amigos. Muitos pensam que amam a Deus, mas amam apenas a si próprios.
     Nós não vemos Deus no Purgatório. Isso o tornaria o Céu. Quando uma alma procura Deus e, por puro amor, não deseja nada mais, Ele nunca permite que a alma seja enganada. Muitas vezes, Deus derrama copiosas graças onde a malícia é abundante. Por que você deveria recusá-las? Dedique-se a Deus. Sacrifique-se e imole-se por Ele. Você nunca poderá fazer o suficiente por Ele. É somente o nosso transbordamento de piedade que podemos derramar sobre os outros. Coloque de lado todo o respeito humano, mesmo em relação às Irmãs mais velhas. Diga sempre o que se fizer necessário em caso de defesa da Madre Superiora. Deus não se serve de Seus grandes amigos para provar e infligir problemas e dor para os outros. Agradeça a Ele que você não tenha feito isso. É melhor ser a bigorna que o martelo. Você não deve se cansar por sofrer no corpo e na alma, apenas em consideração da pequena reparação ao seu passado. A conquista de sua coroa final mal começou'.
     Junho de 1874: 'Note bem, sempre que uma tempestade ruge contra uma alma, ela tende a acalmar-se novamente. O diabo tem seus agentes em todos os lugares, mesmo nos conventos. Eu não vejo Deus quando Ele está exposto (na Eucaristia), mas estou consciente da Sua presença como você com os olhos da fé. Nossa fé, no entanto, é muito diferente da sua. Sabemos que Deus é. Ande sempre na presença de Deus. Diga-lhe tudo. Fale com Ele como se fosse conversar com um amigo. Guarde a sua vida interior com cuidado.
     A fim de preparar-se bem para a Sagrada Comunhão, você deve amar a Deus, não só antes e depois de recebê-Lo, mas sempre e em todos os momentos. Deus deseja que você pense apenas nEle. Mortifique sua mente, seus olhos, sua língua, que isso será muito mais agradável a Deus do que penitências corporais. Estas (penitências corporais), muitas vezes, procedem a partir da própria vontade. Você deve tratar Deus como um Pai, como um amigo querido, como um esposo amado. Você deve derramar toda a ternura do seu coração apenas em Jesus, total e completamente. Durante toda a eternidade você vai cantar a infinita misericórdia de Deus para consigo.
     Você deve amar tanto a Jesus que Ele possa ser capaz de encontrar em seu coração um lugar de descanso agradável, onde Ele possa ser capaz, por assim dizer, de consolar-se das muitas ofensas que recebe em todos os lugares. Você deve amá-Lo pelas almas indiferentes e covardes. mas, acima de tudo, por você mesma. Em uma palavra, você deve amá-lo tanto em Valognes que você se torne um exemplo brilhante. É verdade que Santa Teresa e Madre Eust. O amavam muito, mas, por ter causado a Ele dor no passado, você deve amá-Lo muito mais em comparação a essas almas inocentes'.
     12 de dezembro de 1874: 'Se você realmente ama a Deus assim, Ele não vai lhe recusar nada. Ele lhe dará o que você pedir. Deus quer que você se preocupe apenas com Ele, com Seu amor e com a realização de Sua Santa Vontade. Quando estamos preocupados com Deus, devemos também pensar na necessidade das almas. Haveria muito pouco mérito em ser salvo sozinho. Deus espera um maior grau de perfeição de você do que Ele espera de muitas outras almas'.

quinta-feira, 16 de maio de 2019

Novena a Nossa Senhora Auxiliadora, recomendada por São João Bosco


Pode ser rezada o ano todo - mas, tradicionalmente, começa dia 15 e vai até o dia 23 de maio



     A seguinte novena foi aconselhada por São João Bosco para obtermos graças e favores especiais de Nossa Senhora Auxiliadora. Tradicionalmente, reza-se a novena de 15 a 23 de maio em preparação para a sua festa litúrgica (dia 24 de maio).
Quatro requisitos
     1. Durante os 9 dias seguidos da novena, rezar 3 Pai-Nossos, 3 Ave-Marias e 3 Glórias ao Santíssimo Sacramento com a seguinte prece: “Graças e louvores se deem a todo momento ao Santíssimo e Diviníssimo Sacramento”. Em seguida, 3 Salve-Rainhas dedicadas a Nossa Senhora Auxiliadora, com a invocação “Nossa Senhora Auxiliadora, rogai por nós”.
     2. Durante o período da novena, receber os sacramentos da Confissão e da Eucaristia.
     3. Durante o período da novena, fazer um donativo para a educação cristã dos meninos pobres, conforme as próprias possibilidades.
     4. Ter grande fé em Jesus presente na Eucaristia, bem como fé em Nossa Senhora Auxiliadora.

Oração inicial (para todos os dias da novena):
     Ó Virgem Santíssima, poderoso auxílio dos Cristãos que recorrem confiados ao trono da vossa misericórdia, ouvi as preces deste pobre pecador, que implora o vosso socorro, para poder fugir sempre do pecado e das ocasiões de pecar. Eis a primeira graça que desejo receber nesta novena. Assim seja.

Dia 1
Ave, do mar Estrela, Bendita Mãe de Deus, Fecunda e sempre Virgem, Portal Feliz dos céus!
Pai-Nosso, Ave-Maria, Glória, Salve-Rainha
Dia 2
Ouvindo aquele “Ave” do Anjo Gabriel, mudando de Eva o nome, trazei-nos paz do céu!
Pai-Nosso, Ave-Maria, Glória, Salve-Rainha
Dia 3
Ao cego iluminai, ao réu livrai também, de todo mal guardai-nos e dai-nos todo o bem.
Pai-Nosso, Ave-Maria, Glória, Salve-Rainha
Dia 4
Mostrai ser nossa Mãe, levando a nossa voz a Quem, por nós nascido, dignou-se a vir de vós.
Pai-Nosso, Ave-Maria, Glória, Salve-Rainha
Dia 5
Suave mais que todas, ó Virgem sem igual, fazei-nos mansos, puros, guardai-nos contra o mal.
Pai-Nosso, Ave-Maria, Glória, Salve-Rainha
Dia 6
Oh, dai-nos vida pura, guiai-nos para a luz e, um dia, ao vosso lado, possamos ver Jesus.
Pai-Nosso, Ave-Maria, Glória, Salve-Rainha
Dia 7
Louvor a Deus, o Pai, e ao Filho, Sumo Bem, com seu Divino Espírito agora e sempre. Amém.
Pai-Nosso, Ave-Maria, Glória, Salve-Rainha
Dia 8
Senhora Gloriosa, bem mais que o sol brilhais, o Deus que vos criou ao seio amamentais.
Pai-Nosso, Ave-Maria, Glória, Salve-Rainha
Dia 9
O que Eva destruiu, no Filho recriais, do céu abris a porta e os tristes abrigais.
Pai-Nosso, Ave-Maria, Glória, Salve-Rainha

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Mapa ilustra os 500 anos das aparições marianas pelo mundo

Criado pela National Geographic, o mapa detalha as aparições já reconhecidas pela Igreja e as que ainda estão em investigação

     Desde o início do Cristianismo, a Virgem Maria apareceu para inúmeras pessoas em várias partes do mundo. Porém, muitas dessas visões ainda não foram reconhecidas pela Igreja. Algumas só são aceitas localmente e outras nem são consideradas dignas de veneração.
     Foi a partir do século XVI que métodos mais tradicionais de aprovação das aparições foram estabelecidos. Metodologia que foi aprimorada no século passado, o que permitiu à Igreja discernir quais aparições tinham elementos que lhe conferiam ou não credibilidade. 
     O escritor e pesquisador católico Michael O’Neill dedicou sua vida a compilar todas essas informações em seu site Miracle Hunter, que contém um catálogo detalhado de aparições marianas e outros eventos milagrosos ao longo da história. A National Geographic usou as informações de O’Neill para criar um mapa que contém todas as aparições marianas relatadas nos últimos 500 anos.
     Além disso, a National Geographic criou uma legenda para o mapa, em que explica quais aparições são aprovadas pelo Vaticano. Eles também destacam o aumento do número de aparições nos últimos 60 anos, provavelmente devido às “profecias” sobre o final do milênio.
     Enfim, trata-se de um guia muito útil para quem quer aprender um pouco mais sobre as aparições marianas mundo afora. 

segunda-feira, 13 de maio de 2019

Serva de Deus Conchita Barrecheguren, Flor de Granada – 13 de maio

Uma história de santidade que passou de pai para filha

     Como esse e inúmeros testemunhos de santos de uma mesma família compreende-se porque Deus quis a instituição familiar desde a Criação do mundo. É no testemunho de pais para filhos, da vivência do amor entre si, da conjugação do seu cotidiano nas alegrias e nas tristezas que a santidade encontra lugar. 
     O Padre Francisco Barrecheguren e Conchita Barrecheguren Garcia são um exemplo, entre tantos, em um mundo que necessita de luzes para a vida em família.
     Meu amor, um Deus crucificado. Minhas armas, a oração.  Meu refúgio, os braços da Virgem. Minha fortaleza, a Eucaristia. Meu recreio, o Menino Jesus. Minha divisa, a confiança em Deus e o desprezo de mim mesma. Meus desejos, aspirar amar cada vez mais a Jesus. (Serva de Deus Conchita Barrecheguren)
     “Não terá um dia bom”, os médicos asseguraram a seus pais quando com apenas 19 meses superou uma enfermidade grave. Para evitar o perigo de contágio, Da. Conceição e o Sr. Francisco decidiram não matricula-la no colégio e ambos cuidaram de sua educação.
     A sua vida foi curta, sem saúde, transcorreu no lar em Granada desde dezembro de 1905 até 13 de maio de 1927, entretanto há indícios de que foi uma vida santa, o que prova que sua lembrança permanece viva entre os habitantes daquela cidade e de muitos outros lugares.
     O Sr. Francisco Barrecheguren descobriu após a morte da filha vários escritos que “põem luz no mistério de sua vida e explicam sua paciência nos 7 anos de doença, seu doce sorriso diante das provações que o Senhor lhe enviava”.
     Os textos escritos por ela e que, com autorização de seu pai, foram reproduzidos no El Granito, manifestam a finura da alma de uma jovem que, naquele que seria o seu último aniversário, escrevia: “Agradeço os inúmeros benefícios e graças que me concedestes no decorrer destes 21 anos, e vos rogo me perdoeis o mal que tenho correspondido a eles. Sim, meu Deus, tenho vergonha, porém é certo que Vós não deixastes de me amar e eu não cessei de desagradar-vos. Podias esperar isto de mim? Porém eu, Senhor, quero emendar-me, quero amar-vos, quero conformar-me em tudo o que disponhas de mim. Fazei que os anos de vida que me restam sejam só para Vós”. (Reflexões de 27 de novembro de 1926)
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     A serva de Deus, Maria da Conceição Garcia – Conchita Barrecheguren Garcia, nasceu em Granada aos 27 de novembro de 1905. Foi batizada aos 8 de dezembro do mesmo ano e recebeu o nome de Maria da Conceição do Perpétuo Socorro. Era a única filha do casal   Francisco Barrecheguren Montagut e Conceição García Calvo, casados na Paróquia da Madalena no dia 2 de outubro de 1904.
     O pai cuidou pessoalmente de sua formação cultural e religiosa, preparando-a para receber os sacramentos.
     Desde muito pequena demonstrava um grande fervor religioso: se levantava cedo para rezar, dialogava com Nosso Senhor ao meio dia, rezava o Rosário, etc.  Na juventude se incorporou às Filhas de Maria da Paróquia da Madalena, à Adoração Noturna, à Adoração Diurna da Igreja dos Agostinhos, participava nas Quintas-feiras Eucarísticas do Santuário de Nossa Senhora do Perpetuo Socorro. Tocava piano, ensinava catecismo, confeccionava roupas para os pobres e preparava ornamentos para as igrejas de Otura e Guevejar.
      Conchita sofreu desde a tenra infância com uma doença no aparelho digestivo; com 12 anos teve sérios problemas digestivos e os médicos lhe prescreveram dura dieta.
     Em 1926, depois de uma peregrinação à Lisieux, decidiu consagrar-se ao Senhor e nesse período apareceram sintomas de tuberculose que a deixaram enferma até o fim de seus dias. Morreu serenamente nas primeiras horas do dia 13 de maio de 1927, assistida pelos pais e pelo bem-aventurado Padre Juliano Pozo, mártir redentorista, que a havia sustentado espiritualmente nos últimos dias. Foi enterrada no túmulo familiar no cemitério de Granada
     Em sua breve vida cultivou uma grande espiritualidade, deixando numerosos escritos e textos e assombrando a todos por sua grande fortaleza e fé nesses momentos em que a morte assomava em sua vida. 
     No ano 1938, o Cardeal Parrado iniciou o processo de Beatificação e Canonização. Igualmente em 1993 se inicia o processo de seu pai, Francisco Barrecheguren, ambos se encontram enterrados no Santuário de Nossa Senhora do Socorro. 

Francisco Barrecheguren (1881-1957)
     Nasceu no dia 21 de agosto de 1881. Casou-se em 1904 com Concha García Calvo e com ela teve a sua única filha. Francisco sofreu sua primeira grande perda, em 1927 com a morte da filha Conchita, aos 22 anos. O povo dizia que Conchita foi santa porque teve um pai santo. Em 1937, Francisco viveu novamente a dor da perda com a morte de sua esposa. Anos mais tarde, sentiu-se chamado ao sacerdócio e entrou na Congregação Redentorista em 1947. Foi ordenado padre em 1949. Viveu serenamente o seu ministério e cuidando da documentação da causa de beatificação de sua filha. Faleceu em 1957, aos 76 anos. 
     Um site mantém informações históricas, fotos e notícias atualizadas sobre a causa de canonização destes dois Servos de Deus espanhóis: www.barrecheguren.com
     "Que proveito vamos tirar de ter agido de acordo com a nossa própria vontade e capricho? Por acaso, agradaria a seu mestre o servo que se empenhasse em fazer as coisas apenas como ele bem entendesse e não como seu mestre ordenou? Certamente não! Pois assim, nós não agradaremos a Deus se não cumprirmos a Sua vontade", Conchita Barrecheguren


Fontes:
https://www.a12.com
http://www.uner.org/wordpress/2018/10/25/historias-de-familia-diciembre-2017-2-2-2-3-3-2-2-2/



domingo, 12 de maio de 2019

Nossa Senhora do Santíssimo Sacramento – 13 de maio

     A solenidade de Nossa Senhora do SS. Sacramento celebra-se no dia 13 de maio.

Imagem à qual São Pedro Julião Eymard (fundador dos Sacramentinos) tinha muita devoção. Igreja de São Cláudio, Roma

Um pouco da História:
     São Pedro Julião Eymard nasceu no norte da França, em Esère, no dia 4 de fevereiro de 1811, primeiro filho de um casal de simples comerciantes, profundamente religioso. Todos os dias sua mãe levava-o à igreja para receber a bênção eucarística. Assim, aos cinco anos de idade despontou sua vocação religiosa e sacerdotal.
     Padre Pedro Julião Eymard foi incansável, viajando por toda a França para levar sua mensagem eucarística. Como seu legado, além da nova Congregação, deixou inúmeros escritos sobre a espiritualidade eucarística.
     Muito doente, ele faleceu na sua cidade natal no dia 1º de agosto de 1868, com apenas cinquenta e sete anos de idade. Beatificado pelo Papa Pio XI em 1925, foi canonizado pelo Papa João XXIII em 1962. Na ocasião, foi designado que a memória litúrgica de São Pedro Julião Eymard deve ser celebrada em 2 de agosto, um dia após o de sua morte.
     Maria, como mãe, foi o tabernáculo vivo de Cristo Jesus, que Ela gerou, que Ela adorou, que Ela deu e manifestou aos homens, portanto o primeiro sacrário a transportar Jesus Eucarístico.
     Com São Pedro Julião Eymard, invoquemos com filial devoção: “Nossa Senhora do Santíssimo Sacramento, Mãe e Modelo dos adoradores, rogai por nós”.
    Em sua profundíssima penetração do Mistério Eucarístico, São Pedro Julião Eymard intuiu também as íntimas relações entre este Santíssimo Sacramento e a Virgem Maria, numa palavra característica, todos os laços que unem Maria a seu Filho Sacramentado. Nas Santas Constituições da nova Congregação por ele fundada, texto maravilhoso que São Pedro Julião Eymard disse ter haurido no fundo do Sacrário, lemos nos números 37 e 38:
     “Inspirar-se-ão na vida de Maria no Cenáculo, onde Jesus instituíra a Eucaristia, inteiramente recolhida na presença de Jesus no Santíssimo Sacramento, devotadíssima aos cuidados do Seu Culto, toda abrasada no desejo de Sua glória e de Seu amor na terra”. (Constituições nº 37)
     “A fim de serem mais agradáveis a Nosso Senhor em Seu serviço quotidiano, unir-se-ão à SSma. Virgem, como filhas à Sua Mãe; ornadas com seus méritos e virtudes, farão com Maria suas adorações, e, sobretudo, a preparação para a Sta. Comunhão e a Ação de Graças”. (Constituições nº 38)
     Para encontrar esta fórmula admirável, que testemunha a perspicácia de seu espírito, ele deve ter vivido em estreita amizade com Deus e ter perscrutado a fundo todas as razões, manifestas e ocultas, que ligam a Virgem Maria ao Sacramento do Amor; e foi assim que ele acrescentou, como uma pérola preciosa, um novo título de glória à coroa mariana.
     Pode-se acreditar que o Padre Eymard terá raciocinado assim: “A Eucaristia não é chamada pela Igreja o ‘verdadeiro Corpo nascido da Virgem Maria’? – Durante sua vida terrestre, a Virgem não foi o Tabernáculo vivo do Cristo Jesus, que Ela gerou, que Ela adorou, que Ela deu e manifestou aos homens? – Por conseguinte, não deve esta Virgem ser considerada e invocada como o Modelo do Culto perfeito, por todos os adoradores e sobretudo pelos Sacerdotes estabelecidos Ministros de um tão grande Sacramento?”

Oração
     Virgem imaculada, Mãe do Salvador, cuja carne e sangue tomados em vosso castíssimo seio nos alimentam na divina Eucaristia, nós vos saudamos sob o título de Nossa Senhora do SS. Sacramento, porque fostes a primeira a praticar os deveres da vida eucarística, ensinando-nos, com o vosso exemplo, a assistir ao santo sacrifício da missa, a comungar menos indignamente e a visitar frequentemente e com devoção o augustíssimo sacramento do altar.
     Ó Maria, fazei que, seguindo os vossos passos, possamos cumprir sempre mais perfeitamente nossos sagrados deveres e mereçamos assim a eterna recompensa.
     Assim seja.
* * *

Texto do Servo de Deus Pe. Júlio Maria De Lombaerde
     O bom senso, a teologia e a piedade proclamam a união necessária entre Jesus e Maria, no grande Sacramento do amor. Mas não basta conhecer o fato, é preciso determinar-lhe exatamente o valor doutrinal.
     A Igreja aprovou a invocação: Nossa Senhora do Santíssimo Sacramento, rogai por nós. É um passo decisivo! Falta ainda estudar e determinar teologicamente a extensão dogmática dessa invocação.
     Por que esta invocação? Terá ela aplicação prática nas necessidades da nossa época, nas exigências das almas e da sociedade? – Perfeitamente!
     Maria Santíssima, como introdutora de Jesus no mundo, preparou as almas para que o seu divino Filho pudesse reinar nelas como Mestre absoluto. Hoje, a comunhão frequente é uma realidade. É a força viva da Igreja, no meio das lutas da hora presente.
     Mas não basta comungar, é preciso comungar bem. Se toda comunhão é uma consolação para o Coração Jesus, nem sempre ela é uma força para nós.
     A comunhão é um alimento. Deus suscitou o apetite deste alimento. É preciso ainda assimilá-lo. A alimentação vale tanto quando há assimilação.
     A comunhão é sempre santa, divina, em si mesma, mas para que seja proveitosa, é preciso preparação e ação de graças da nossa parte. A Igreja nos ensina, sem dúvida, como devemos fazer isso. Porém, o adágio popular é conhecido: “as palavras movem, mas os exemplos arrastam”. Precisamos de um modelo. E para coisa tão sublime, não bastava um exemplo qualquer.
     Era mister um exemplo, um modelo tão alto, que pudesse atrair as almas; tão suave, que ninguém ficasse com receio; tão popular, que todos pudessem compreendê-lo; tão irresistível, que vencesse todas as oposições.
     E este exemplo, nimbado de ternura, de amor, de maternal condescendência, cheio de misericórdia, de irresistível atrativo, é a Virgem Santíssima – a Mãe de Jesus, que é também a nossa Mãe.
     Ei-la que aparece, bela, radiante, com o Menino Jesus nos braços, e Ele, igualmente sorridente, apresenta-nos em sua mãozinha acariciante o cálice e a hóstia sagrada. De seus lábios divinos, e aqui ternamente infantis, caem estas palavras que os séculos repetem, mas não compreendem bastante: “Vinde a mim, vós todos que trabalhais e estais fatigados, e eu vos aliviarei” (Mt 11,28).
     E olhando para a hóstia sagrada, a Virgem Santa, numa adoração muda e como que extática, apresenta ao mundo seu Jesus, invisivelmente presente na hóstia adorável, pedindo a todos que venham com Ela, e por Ela, adorá-lo, e como Ela, recebe-lo na Comunhão sagrada. “Comei o Pão divino e bebei o Vinho celeste que eu preparei em minhas entranhas, para a salvação do mundo”.
     Espetáculo divino… Convite irresistível. E foi nessa hora que o Espírito Santo pôs nos lábios de um santo, depois de ter infundido em seu coração, este brado de amor que se deverá repercutir até o fim dos tempos: Nossa Senhora do Santíssimo Sacramento, Mãe e modelo dos adoradores, rogai por nós que recorremos a vós!
     E à vista desta nova estrela que ia aureolar a fronte da Imaculada, inclinaram-se os anjos e saudaram em coro a sua Rainha, a Mãe deste Deus que está glorioso no céu, e escondido nos Tabernáculos da terra.
      Maria é a Senhora da Encarnação, ela deve ser também a Senhora da extensão da Encarnação que é a Eucaristia.
      Aqui está o exemplo, o modelo perfeito, suave, atraente, que os homens devem imitar e reproduzir, para se tornarem dignos adoradores da divina Eucaristia, e dignos receptáculos da Hóstia sagrada, pela Comunhão.
     Este título é a expressão de uma verdade absolutamente necessária em nossos dias, e admiravelmente adaptada às necessidades da época. Há de ser a grande devoção destes tempos, a devoção fecunda que atrairá as almas aos pés do Tabernáculo e inspirar-lhes-á o amor da Sagrada Eucaristia.
     Maria Santíssima não pode ser separada de seu Filho, e Ela deve ser hoje a Senhora da Eucaristia, como outrora foi a Senhora do Presépio e do Calvário. Ela está, pois, ali perto do Tabernáculo, unida a seu Filho pelo laço do sangue, do amor e das funções divinas que deve exercer perto dEle.
     Não basta ver o Tabernáculo, ver a sua glória, o seu brilho. É preciso participar dele, viver dele; em outros termos, é preciso entrar em contato com Jesus sacramentado. Ora, Maria Santíssima é a Introdutora da Eucaristia, como Ela é a distribuidora de suas graças.
     São suas duas grandes funções. Introduzir-nos aos pés de Jesus, aproximar-nos dEle, fazer-nos compreender, não o mistério, mas o senso da Eucaristia. E depois de ter aberto a porta do Tabernáculo para mostrar-nos o seu Jesus, Ela deve abrir os nossos corações para que Jesus possa entrar neles.

[Fonte: Maria e a Eucaristia. Manhumirim-MG: O Lutador, 1937. O presente texto foi integralmente copiado do livro, tomando alguns trechos da Introdução e alguns trechos do Capítulo II. Os negritos são do autor. Uma correção ortográfica foi feita de acordo com as normas atuais.]

Fontes:
https://ije.org.br/2017/05/solenidade-de-nossa-senhora-santissimo-sacramento/

sexta-feira, 10 de maio de 2019

Santa Solange de Bourges, virgem e mártir da pureza – 10 de maio

    
     Solange foi uma pastora do século IX. É uma das padroeiras de Berry, França. Ela é invocada para o alívio da seca.
     “A ilustríssima virgem Solange é a patrona e, por assim dizer, a Santa Genoveva de Berry. Ela nasceu em 863, no burgo de Villemont, a duas ou três léguas da cidade de Bourges. Seu pai era um pobre vinhateiro que levava uma vida muito católica; Deus recompensou sua piedade abençoando seu casamento. Ele teve uma filha a quem pôs o nome de Solange. Nesta admirável criança a beleza do corpo e a beleza da alma faziam as delícias de Deus e dos homens”.
     “Antigas crônicas a chamam de Solange ou Soulange; o local de seu nascimento não existe mais; podemos ver as ruínas de uma casa no meio do Prado Verdier, que dizem que era a habitação de Santa Solange. Esta pradaria fica a meia légua do burgo que recebeu o nome da Santa após sua morte”.
     “As lições do ofício que a Igreja consagrou a ela narram que dia e noite aparecia sobre sua cabeça uma estrela que a conduzia em suas caminhadas, e que lhe servia de regra em tudo o que ela devia fazer; esta estrela servia especialmente para guia-la e adverti-la, assim que o tempo que ela destinava à oração ou à salmodia se aproximava, como se esta luz, que outrora convidara os Santos reis Magos a ir reconhecer e adorar Jesus Cristo, tivesse sido reproduzida para favorecer esta Santa esposa do Salvador, e indicar a ela os preciosos momentos que o divino Esposo pedia suas adorações”. (Extraído dos Petits Bollandistes)
     Ela era forte, alegre e piedosa; gostava de ouvir as vidas dos santos durante as longas noites de inverno. Especialmente gostava da história de Santa Inês, que tinha sofrido um terrível martírio, e para si repetia que haveria de seguir os seus passos. Aos sete anos fez voto de castidade.
     Quando se tornou mais velha, passou a se ocupar do pequeno rebanho da família. Levantava-se ao amanhecer, passava diante da pequena igreja e parava para deixar algumas flores sobre o altar, depois seguia para o campo, onde havia construído uma capelinha toda para si e ali se ajoelhava rezando com fervor.
     Algumas vezes era transportada por êxtases e o tempo passava velozmente, mas os anjos a chamavam de volta à realidade. Era muito generosa com os pobres e também foi abençoada com o poder de curar os doentes e curou muitos.
     Um dia, atraído pela reputação da pastora, Bernardo de la Gothie, filho de Bernardo, Conde de Poitiers, de Bourges et do Auvergne, montou seu cavalo e, sob pretexto de ir à caça, foi em direção a Villemont, onde Solange guardava seu pequeno rebanho. Ao vê-la, ele desejou vivamente tê-la, mas ela recusou sua proposta.
     Aparentemente resignado, o jovem entretanto voltou a abordá-la no mesmo local dias depois e, diante de nova recusa, agarrou-a e levou-a em seu cavalo. Solange, decidida a não consentir em seus avanços, conseguiu escapar e caiu em um riacho próximo da estrada. Bernardo, cego de raiva diante da persistente recusa de Solange, a decapitou (outros dizem que ele a traspassou com sua espada).
     Solange, que estava de pé, calmamente estendeu seus braços para receber sua cabeça e caminhou até Saint Martin du Cros (um cruzeiro) onde caiu sem vida e foi sepultada. (Boll. T. 5, pp. 427 a 431) A ereção de cruzes nas encruzilhadas era então muito frequente.
     A tradição tem como data do martírio de Solange o dia 10 de maio de 878, sob o pontificado de Frotario, Arcebispo de Bourges (876-890). Uma nova igreja foi construída sobre o túmulo da Santa e lhe foi dedicada.
    Desde a Idade Média até os dias de hoje seu culto permanece importante em Berry. Seus restos foram exumados “por causa dos milagres que eles operavam” (Guérin). Inicialmente colocados em um relicário de madeira, foram depois postos em um relicário de cobre. A última transladação ocorreu em 1511. Em 1657, a cidade de Bourges doou um relicário de prata para substituir o antigo. Em 1793, durante a Revolução Francesa, as relíquias foram dispersas.
     "Fazendo minha visita a Méry-ès-Bois, em 5 de abril de 843 – escreve M. Caillaud, vigário geral – aí encontrei relíquias de Santa Solange: um osso do crânio, a mandíbula superior e um dente da Santa. Estas relíquias pertenciam, antes da Revolução, à Abadia dos Bernardinos de Luís e tinham sido transferidas com grande pompa à Méry-ès-Bois em 1791, assim que os monges deixaram o convento; eu dividi estas relíquias em duas porções iguais, das quais uma ficou em Méry-ès-Bois, e a outra foi dada à paroquia de Santa Solange”.
     Todos os anos, os fiéis peregrinos levam o relicário contendo as relíquias de Santa Solange até a capela consagrada, no “Campo do martírio”. A igreja foi classificada como monumento histórico em 1913.
     O Papa Alexandre VII autorizou a criação de uma confraria dos “Primos de Santa Solange".
Igreja de Santa Solange em Cher, França
Fontes: https://www.omensageiro.org.br/santa-solange/; www.santiebeati.it/

Etimologia: Solange = do latim Solemnia, “solene, majestosa”.

Postado pela 1ª vez neste blog em 9 de maio de 2013

terça-feira, 7 de maio de 2019

Milagre mariano protege fundador de faculdade


Mais de 150 anos depois, os estudantes continuam dedicados a Nossa Senhora, recebendo uma ajuda verdadeiramente surpreendente da Mãe de Deus

     O padre pioneiro Henry Lemke escreveu em suas memórias sobre um incidente em 1856, em que ele se perdeu em uma tempestade perto do rio Missouri, onde o campus está localizado hoje. Luterano convertido ao Catolicismo, ele sempre permanecera morno em relação a Maria. Mas não nesse dia.
     “Pedi a Ela que me mostrasse um sinal de que Ela realmente era a ‘protetora dos cristãos'”, escreveu o sacerdote.
     Assim que fez sua oração, uma luz apareceu no horizonte. Ele correu em direção a ela e descobriu que era uma lanterna pendurada na janela de uma casa de campo, onde encontrou abrigo da tempestade. A mãe e a filha que moravam lá disseram-lhe que uma “dama vestida de branco” aparecera para a criança durante a noite. Ela despertou a mãe, que pendurou a lanterna.
     “A Mãe de Deus operou um milagre”, contou o padre. “Por essa razão, prometi amá-la e honrá-la até que eu desse meu último suspiro”.
     Dois anos depois, foi fundado o Benedictine College – o mesmo ano em que a “senhora vestida de branco” apareceu para outra garotinha, Santa Bernadette Soubirous, em uma pequena cidade, Lourdes, na França. Os iniciadores do colégio construíram uma gruta no centro do campus para marcar a ligação com Lourdes e misturaram água de Lourdes à fundação. Eles também colocaram pedras de Lourdes em algumas paredes.
     A promessa que o padre fez durante a tempestade provou ser profética. A faculdade honra a Santíssima Virgem até hoje.
     Quando criança, o atual presidente da faculdade, Stephen D. Minnis, aprendeu a oração do Memorare de uma irmã beneditina. Ele nunca esqueceu disso.
     Em 2006, Minnis fez sua primeira campanha de oração, a “Memorare Army” (Exército Memorare). Ele recrutou 26 pessoas para rezar 1.200 Memorares por novos alunos. No outono, 1.229 alunos se matricularam.
     Os “Memorare Army” subsequentes tiveram resultados semelhantes, e a comunidade continuou rezando seja por fundos, edificações, estudantes – e proteção contra as tempestades.
O arcebispo, o Memorare e duas tempestades
     Em 2010, o arcebispo de Kansas City, Joseph Naumann, escreveu sobre o dia da dedicação da gruta do Benedictine College. Uma tempestade estava prevista para o momento da cerimônia.
     “Liguei para o diretor Minnis pouco depois das 15 horas, no dia 8 de setembro, encorajando-o a convocar o “Memorare Army” rezando pelo bom tempo para a dedicação da gruta”, escreveu o arcebispo.

     Não parecia promissor. O arcebispo atravessou a tempestade – até atingir os limites da cidade de Atchison. “Para minha surpresa”, disse ele, “o tempo estava perfeito para a bênção da gruta”.
    Ele disse que um controlador de tráfego do aeroporto relatou mais tarde o que viu: “O controlador expressou sua surpresa com o sistema de tempestades que atravessou Kansas em um ritmo constante, parando inexplicavelmente às 16h, nos arredores de Atchison, por aproximadamente 5 horas”.
     Nossa Senhora leva nossas orações a sério”, afirma Minnis.
     O “Memorare Army” é apenas parte da história dos milagres de Maria no Benedictine College. Minnis relaciona muitos casos de intercessão mariana na faculdade, grandes e pequenos.
     “Maria sempre leva até seu Filho, e não queremos mais nada para nossos alunos do que prosperar em sua fé em Jesus Cristo”, diz Minnis.
     Neste outono, a faculdade renovou sua consagração à Santíssima Virgem Maria.
     Para comemorar a ocasião, 1.000 professores, funcionários, alunos e amigos formaram um rosário vivo em torno do campus. Depois de rezar juntos o Terço, os alunos colocaram centenas de medalhas milagrosas abençoadas em buracos pré-perfurados nas calçadas.
     Depois, os buracos foram preenchidos com cimento e carimbados com símbolos para marcar o rosário gigante, que pode ser rezado caminhando.
     Isso significa que quando os formandos subirem para a colação de grau perante a imagem de Nossa Senhora de Lourdes, estarão literalmente andando em solo sagrado. E também honrando sua fiel protetora.

Fonte: Tom Hoopes - Maio 7, 2019  https://pt.aleteia.org