domingo, 15 de julho de 2018

Santa Valentina, mártir em Cesareia da Palestina – 15 de julho

   
     O culto à Santa Valentina é baseado principalmente no fato de que na primeira metade do século XIX foram encontrados vários restos mortais nas Catacumbas, entre os quais os desta santa.
     Mons. De Coissigny, vigário geral de Nevers, obteve a relíquia de Santa Valentina do cardeal vigário do Papa Gregório XVI. Atualmente a relíquia se encontra custodiada pelas religiosas da Caridade e da Instrução Cristã de Nevers. Com o decreto de 28 de maio de 1852, Mons. Dufetre, Bispo de Nevers, fixou a festa de Santa Valentina no dia 15 de julho.
     Há no Martirológio Romano um relato informando que em 308 os santos Valentina, Téa e Paulo foram martirizados na mesma perseguição sob o prefeito Firmiliano.
     A virgem Valentina, levada diante do altar para ali sacrificar aos deuses pagãos, o derrubou com um pontapé, o que resultou num cruel tormento; foi torturada e lançada no fogo com a virgem Téa. Desta forma ela foi ao encontro de seu Divino Esposo.
     Paulo, condenado à morte, pediu algum tempo para rezar. Ele recomendou à Deus, com grande compulsão, seus concidadãos, os juízes e os pagãos, rogando que eles reconhecessem a verdade da fé, tanto a multidão que o cercava, como o juiz que o havia condenado e o carrasco que o devia executar. Depois disto, ele foi decapitado e recebeu assim a coroa eterna.


Etimologia: Valentino (a), do latim Valens, Valentis: “valente, forte, robusto”.
Téa, do grego Theia, o mesmo que Théa: “deusa, diva, divina”. É também abreviatura de Doroteia. Santa virgem, mártir, século IV, celebrada no dia 25 de julho. Variação: Teia.

quinta-feira, 12 de julho de 2018

Santa Zélia Guérin e São Luís Martin – 13 de julho


     Há 160 anos, no dia 13 de julho de 1858, Luís Martin (1823-1894) e Zélia Guérin (1831-1877) os pais de Teresa do Menino Jesus, se uniam em casamento. Foi o primeiro casal a ser canonizado em uma mesma cerimônia na história da Igreja.
     “Os santos esposos (…) viveram o serviço cristão na família, construindo dia após dia um ambiente cheio de fé e amor; e, neste clima, germinaram as vocações das filhas, nomeadamente a de Santa Teresinha do Menino Jesus”, disse o Papa Francisco em 18 de outubro de 2015, durante a Missa canonização.
     Maria-Azélia (Zélia) Guérin nasceu em Saint-Denis-sur-Sarthon, Orne, França e era a 2ª filha de Isidoro Guérin e Luísa-Joana Macé. Sua irmã mais velha, Maria Luísa, tornou-se religiosa Visitandina, e seu irmão mais novo, Isidoro, era farmacêutico.
     Luís Martin nasceu em Bordeaux (França) em 22 de agosto de 1823.
     Ambos eram filhos de militares e foram educados num ambiente disciplinado, severo, muito rigoroso. Os dois receberam uma educação de cunho religioso: nos Irmãos das escolas cristãs, Luís; nas Irmãs da Adoração Perpétua, Zélia. Ao terminar os estudos, no momento de escolher o próprio futuro, Luís orientou-se para a aprendizagem do ofício de relojoeiro, não obstante o exemplo do pai, conhecido oficial do exército napoleônico. Zélia inicialmente ajudava a mãe na administração da loja de família. Depois especializou-se no "ponto de Alençon" (*). Em poucos anos os seus esforços foram premiados: abriu uma modesta fábrica para a produção de rendas e obteve um discreto sucesso.
     Ambos nutriram desde a adolescência o desejo de entrar numa comunidade religiosa. Ele pediu para ser admitido entre os cônegos regulares de Santo Agostinho do hospício do Grande São Bernardo nos Alpes suíços, mas não foi aceito porque não conhecia o latim. Também ela tentou entrar nas Filhas da Caridade de São Vicente de Paulo, mas compreende que não era a sua estrada.
     Durante três anos Luís viveu em Paris, hóspede de parentes, para aperfeiçoar a sua formação de relojoeiro. Insatisfeito com o clima que se respirava na capital, transferiu-se para Alençon, onde iniciou a sua atividade, conduzindo até à idade de 32 anos um estilo de vida quase ascético.
     Entretanto, Zélia, com a receita da sua empresa, manteve toda a família, vendendo rendas para a alta sociedade parisiense. O encontro entre os dois acontece em 1858 na ponte de São Leonardo em Alençon. Ao ver Luís, Zélia percebeu distintamente que ele seria o homem da sua vida.
      Levaram uma vida matrimonial exemplar: missa diária, oração pessoal e comunitária, confissão frequente, participação na vida paroquial. De sua união, nasceram nove filhos, quatro dos quais morreram prematuramente. Entre as cinco filhas que sobreviveram estava Teresa, a futura santa padroeira das missões, que nasceu em 1873. As recordações desta santa é uma fonte preciosa para a compreensão da santidade de seus pais. Em uma de suas cartas, Santa Teresinha disse uma vez: "O bom Deus me deu um pai e uma mãe mais dignos do Céu do que da Terra".
     Zélia recebeu a terrível notícia de que tinha um tumor no seio aos 45 anos. Viveu a doença com firme esperança cristã até à morte ocorrida em 28 de agosto de 1877, em Alençon.
     Com 54 anos, Luís teve que se ocupar sozinho da família. A primogênita tem 17 anos e a última, Teresa, tem 4 e meio. Então, transferiu-se para Lisieux, onde morava o irmão de Zélia. Deste modo, as filhas receberam os cuidados da tia Celina. Entre os anos de 1882 e 1887 Luís acompanhou três filhas ao Carmelo e uma a Visitação. O sacrifício maior para ele foi afastar-se de Teresa que entrou nas Carmelitas com apenas 15 anos. Luís foi atingido por uma enfermidade que o tornou inválido e que o levou à perda das faculdades mentais. Foi internado no sanatório de Caen. Morreu em julho de 1894.

12 coisas que Santa Zélia Martin me ensinou sobre santidade na maternidade
por Susanna Spencer - maio 2, 2016 
     Quando tomei conhecimento do caso para a canonização de Luís e Zélia Martin, pais de Santa Teresinha, fiquei muito intrigada. Tanto Luís quanto Zélia queriam ser religiosos, mas, em vez disso, se conheceram e se casaram. Tiveram nove filhos, perderam quatro deles muito precocemente, e trabalhavam juntos para sustentar a família com um negócio de rendas.
     Zélia relata sua vida diária em cartas, e eu percebi que ela poderia muito bem ser santa no mundo moderno, no século 21. Aqui estão algumas coisas que eu aprendi sobre a santidade:
1) Até os santos podem precisar de uma empregada doméstica, às vezes:
     “Paulina disse outra noite, ‘Oh! que pena, o dia já está acabando. Eu gostaria que fosse manhã novamente’. Eu não discordo completamente dela, porque eu tive um longo dia. Durante três dias, eu estive sozinha com estes pequenos, porque a empregada está com sua família. Além disso, estava um frio terrível e tive uma febre, que mal conseguia me levantar”. (Carta 25)
     Zélia escreveu isto quando tinha cinco crianças menores de sete anos. Quando li isso, eu realmente fiquei confortada. É difícil ficar sozinha com as crianças sem ajuda, e até mesmo Zélia pensava assim.
2) O jejum é difícil até mesmo para os santos                                    
     “Eu sofro tanto com o jejum e a abstinência! No entanto, não é uma mortificação muito pesada, mas eu estou tão cansada de como meu estômago se sente e, especialmente, tão covarde, que eu gostaria de não fazê-lo por completo, se ouvisse a minha natureza”. (Carta 130)
     Eu nunca jejuo como Zélia e Luís, durante todo o dia com uma pequena refeição no final. Isso por si só parece heroico, e saber como ela superou sua natureza e sofreu por Deus é inspirador.
3) Os santos também se preocupam em ter todas as coisas feitas
     “Eu tenho minhas duas meninas mais velhas, que estão de férias. O que é um verdadeiro prazer para mim, mas também um aumento real no trabalho porque eu tenho que cuidar de tudo o que precisamos para as férias de verão. Eu estou consertando todos os seus vestidos, por isso estou até o pescoço com as costureiras. E para além disso, tenho demandas urgentes para esta semana; nenhuma está concluída, e isso é o que me preocupa”. (Carta 131)
     Eu sempre pensei que confiar em Deus significava nunca mais se preocupar com todas as coisas que precisam ser feitas. Mas depois que eu li as cartas de Sta. Zélia, comecei a me perguntar se o problema não é a preocupação em si; alguns de nós estão ocupados apenas em se preocupar. Parece que podemos preocupar-nos e continuar a confiar em Deus.
4) Os santos também têm dias ruins
     “Oh meu bem, isso é o dia até agora, e ainda é só meio-dia. Se isso continuar eu vou estar morta esta noite! Você vê, no momento, a vida parece tão pesada, e eu não tenho coragem porque tudo parece muito para mim”. (Carta 132)
     Ela tornou-se uma santa, porque virou-se para Deus em seus tempos difíceis; se virou para Ele o tempo todo, mesmo quando as coisas eram sombrias, ou quando estava apenas tendo um dia ruim.
5) Os filhos dos Santos nem sempre fazem o que lhes é dito
     “Eu me senti muito mal porque as meninas não foram saudar o seu tio. Foi culpa delas. Não importava quantas vezes eu lhes dissesse: ‘Vistam-se cedo’. Elas fizeram de uma forma, de modo a não estarem prontas a tempo”. (Carta 137)
     Não posso te dizer quantas manhãs disse aos meus filhos para se vestirem e eles demoravam e não estavam prontos a tempo, acho que é muito encorajador ver uma mãe que se tornou santa ter o mesmo problema.
6) Santos também ficam frustrados com a manutenção das roupas de todas as crianças
     “Oh, querida, eu não faço nada, a não ser fazer compras durante todo o dia. Seu pai diz, divertidamente, que é uma paixão minha! Não adianta explicar-lhe que não tenho escolha; ele acha difícil de acreditar”. (Carta 143)
     A mudança das estações é particularmente frustrante quando você tem que descobrir o que precisa, e o que ainda cabe, e o que não funciona mais! Mas mesmo Zélia tinha dificuldade em manter tudo ajustado, e seu marido, Luís, ainda zombava dela por isso.
7) Ser pai e ser santo, é criar os filhos para o Céu
     “Quando tivemos nossas crianças, as nossas ideias mudaram um pouco. Nós vivíamos só para eles. Eles eram toda a nossa felicidade, e nós nunca a encontrávamos em qualquer coisa exceto neles. Em suma, nada era muito difícil, e o mundo não era mais um fardo para nós. Para mim, os nossos filhos foram uma grande alegria, então eu queria ter um monte deles, a fim de criá-los para o céu”. (Carta 192)
     Ter um casamento santo significa viver a vocação que Deus lhe deu. Se Deus deu filhos, então eles são parte de sua felicidade terrena. É fácil ser pego em uma mentalidade mundana na educação dos nossos filhos, mas realmente eles estão destinados para o céu.
8) Santos rezam a seus filhos no Céu
     “Quando eu fechei os olhos dos meus queridos filhos pequenos e quando eu os enterrei, senti muita dor, mas era sempre com resignação. Eu não lamento as dores e os problemas que sofri com eles. Várias pessoas me disseram: ‘Seria melhor não tê-los tido’. Eu não posso suportar esse tipo de conversa. Eu não acho que as dores e os problemas poderiam ser pesados demais em comparação a eterna felicidade dos meus filhos. Assim, eles não foram perdidos para sempre. A vida é curta e cheia de dores. Vamos vê-los novamente no céu. Acima de tudo, foi na morte do meu primeiro filho que senti mais profundamente a felicidade de ter um filho no Céu, pois Deus me mostrou de forma notável que Ele aceita meu sacrifício. Por intercessão de meu pequeno anjo, recebi uma graça muito extraordinária”. (Carta 72)
     Zélia pediu a intercessão de seus filhos que morreram ainda bebês. Ela disse que preferia ver seus filhos morrerem jovens do que não irem para o céu. Isso é o verdadeiro amor para as crianças.
9) Santa Teresa de Lisieux se comportou como uma criança de três anos de idade
     “Eu tenho que corrigir esse pobre bebê, que sente uma raiva terrível quando as coisas não saem como ela gostaria. Ela rola no chão como uma pessoa desesperada, acreditando que tudo está perdido”. (Carta 147)
     Os meus, aos três anos atuam como santos!
10) Os santos nem sempre conseguem o que pedem em oração
     “A Mãe de Deus não me curou em Lourdes. O que se pode fazer, meu tempo é um fim, e Deus me quer descansar em outro lugar que não seja na terra”. (Carta 216)
     Zélia foi a Lourdes pedir a cura de seu câncer. Como não fora curada, ela resignou-se à vontade de Deus, mesmo que não correspondesse às suas orações.
11) Santos casais precisam um do outro
     “Estou ansiosa para estar perto de você, meu querido Luís. Eu te amo com todo o meu coração, e eu sinto ainda mais o meu afeto quando você não está aqui comigo. Seria impossível para mim viver longe de você”. (Carta 108)
     Luís e Zélia foram maior conforto um do outro! Para se tornarem santos como um casal realmente significa dar-se inteiramente para o outro e para Deus.
12) A família é um reflexo do amor de Deus:
     “Em breve teremos a felicidade íntima da família, e é esta beleza que nos traz para mais perto dele”. (Carta 229)
     O 12º não é de Zélia, mas é de seu marido São Luís Martin. Luís somente escreveu cartas quando viajou e algumas publicadas no livro, refletem a importância da vida familiar como um bem que nos aproxima de Deus.
     Ler essas cartas me mostrou que tornar-se um santo é possível para qualquer um que se abra à graça de Deus e verdadeiramente O procura. Santos Luís e Zélia Martin passaram por tanta dor e tinham tantos problemas, mas permaneceram fiéis e levaram cinco filhas para se tornarem irmãs, uma das quais hoje é santa, Santa Teresa de Lisieux e outra que é venerável, Leônia Martin.

Renda de Alençon feita por Sta. Zélia para o jubileu de Leão XIII

(*) A confecção do “ponto de Alençon”, também chamado de “renda da Rainha”, iniciou-se em Alençon durante o século XVI e se espalhou rapidamente no reinado de Luís XIV por meio de Jean-Baptiste Colbert, que em 1665 estabeleceu uma Oficina Real na cidade para produzir renda no estilo veneziano. Após o período do Terror, na Revolução Francesa, a confecção da renda foi preservada pelas Carmelitas em Alençon. Em 1976, uma Oficina de Renda Nacional foi estabelecida na cidade para assegurar que esta técnica de confecção de renda sobreviva.

http://www.nobility.org/2013/07/11/bl-zelie-martin/
https://pt.churchpop.com/12-coisas-que-santa-zelia-martin-me-ensinou-sobre-santidade-na-maternidade/

quarta-feira, 11 de julho de 2018

Santas Ana An Xinzhi, Maria An Guozhi, Ana An Jiaozhi e Maria An Linghua, Virgens e mártires – 11 de julho

+ Liugong-yin, China, 11 de julho de 1900

Martirológio Romano: No vilarejo de Liugong-yin próximo de Anping na província de Hebei na China, Santas Ana An Xinzhi, Maria An Guozhi, Ana An Jiaozhi e Maria An Linghua, Virgens e mártires que durante a perseguição dos Boxer, não conseguindo estes de nenhum modo fazê-las renegar sua Fé, foram decapitadas.


     No pequeno povoado de Tchai-Ben-Seu havia um grupo de cristãs ao qual pertenciam as quatro mulheres cujo martírio é comemorado nesta data. Seus nomes: Ana An Xinzhi (1828-1900), Maria An Guozhi (1836-1900), Ana An Jiaozhi (1874-1900) e Maria An Linghua (1871-1900), de 72, 64, 26 e 29 anos de idade, respectivamente. Todas elas pertenciam à mesma família.
     Tomando conhecimento de que os boxers percorriam os povoados procurando encontrar cristãos para matá-los, fugiram para um povoado de pagãos, Liugong-yin, onde seus parentes as acolheram humanitariamente. Elas levavam consigo duas crianças pequenas.
     Mas, elas não conseguiram escapar da fúria dos boxers. Estes souberam por alguém que as quatro mulheres cristãs haviam chegado àquele povoado e para lá acorreram e exigiram que os parentes as entregassem.

     As quatro foram obrigadas a apostatar do Cristianismo, ou do contrário seriam degoladas. Com intrepidez as quatro confessaram sua Fé em Nosso Senhor Jesus Cristo e manifestaram não pensar em renegar o Evangelho. Então os boxers perdoaram as crianças e decapitaram as quatro mulheres.
     Isto ocorreu no dia 11 de julho de 1900.
     Em 17 de abril de 1955 o Papa Pio XII as beatificou; em 1º de outubro de 2000 foram canonizadas pelo Papa João Paulo II.                                                             



Fonte: «Año Cristiano» - AAVV, BAC, 2003
http://www.eltestigofiel.org/index.php?idu=sn_2339

segunda-feira, 9 de julho de 2018

Santa Glicéria, Mártir em Eracleia – 8 de julho

   
  Delehaye, em seu estudo sobre os santos da Trácia e Mesia, concentrou-se especialmente na figura de Glicéria cujo culto é particularmente atestado. Várias hagiografias a mencionam.
     Em 591, os imperadores Maurício e Heráclio visitaram o templo de Glicéria em Eracleia. Uma tradição local, além disso, afirma que no século VIII as relíquias da santa foram transportadas para Lemnos, mas sua cabeça conservada em um relicário permaneceu na igreja de São Jorge naquela cidade.
     Mas, se o culto dedicado à Glicéria é certo, sua vida é muito incerta. Segundo afirma uma “Vida” grega, no primeiro ano em que o imperador Antonino foi empossado e sob o prefeito Sabino, em Traianópolis, Glicéria, cujo pai fora cônsul três vezes e era um bom cristão, dedicava-se a confirmar os fiéis em sua fé. Por ocasião de uma festa pagã, ela entrou no templo dos ídolos e os derrubou fazendo apenas um Sinal da Cruz. Ela foi condenada ao apedrejamento, mas a tortura ficou sem efeito; aprisionada, submetida a vários tormentos, era continuamente protegida por um anjo. Como o prefeito tinha que se mudar de Traianópolis para Eracleia, ele obrigou Glicéria a acompanhá-lo. Advertido não se sabe como do fato, o Bispo Dionísio e os fiéis vão ao seu encontro e a recebem com solenidade. Mas tal recepção é logo seguida por um novo julgamento que condena Glicéria à fogueira. Tempo perdido porque o fogo se apaga graças a uma onda milagrosa.
     Glicéria é colocada de volta na prisão e submetida a outra série de tormentos, mas é sempre assistida por um anjo; também consegue a conversão de seu carrasco, que morrerá decapitado. Condenada às feras, uma leoa corre em sua direção, mas gentilmente a roça. Finalmente, após Glicéria rogar com premente oração que não lhe fosse recusado o martírio, uma segunda leoa com um leve golpe de dente lhe dá a morte. O juiz não sobrevive ao martírio e morre em condições tristes, enquanto o Bispo Dionísio, depois de ter obtido o corpo de Glicéria, o enterra perto da cidade.
     A partir deste breve resumo, fica claro que essa “Vida” não é senão um tecido de lugares comuns que podem ser encontrados nas Acta Martyrum. Era necessário intensificar o culto de Glicéria em Eracleia e, portanto, um hagiógrafo de profissão, usando dados históricos escassos, compôs uma “Passio” que ele queria digno de sua heroína.
     Os sinassários bizantinos comemoram Glicéria em 13 de maio, data em que também a mencionava o Martirológio Romano. Por seu turno, o Martirológio Jeronimiano a comemora em 8 de julho.

Fonte: www.santiebeati.it/

Etimologia: Glicério (a), do latim Glycerius, do grego glykerós: “doce, amável”.

sexta-feira, 6 de julho de 2018

Santa Etelburga (ou Edelburga) de Faremoutiers, Princesa, Abadessa – 7 de julho

A princesa que deixou a corte e ingressou em um mosteiro na floresta

    
     Era filha de Anna, rei dos anglos orientais. Suas irmãs eram Santa Withburga, Santa Setrida, Santa Sexburga e Eteltride, abadessas de Ely. Etelburga e Setrida foram enviadas para o convento de Faremoutiers na França para serem educadas. Por desejar alcançar a perfeição cristã, Etelburga consagrou-se a Deus no mosteiro de Faremoutiers, na floresta de Brie, no governo do qual ela e sua irmã sucederam a fundadora, Santa Fara.
     Sua irmã mais velha, Santa Sexburga, se casou com o rei Erconberto de Kent. Sexburga influenciou muito o marido. O Venerável Beda diz que Erconberto foi o primeiro rei inglês a ordenar o completo abandono e destruição de ídolos em todo o reino. Ele também ordenou que todos observassem os jejuns da Quaresma. Sua filha, Santa Ercongota, entrou no convento com suas tias Etelburga e Setrida porque, segundo Beda, ainda havia poucos mosteiros na Inglaterra.
     Etelburga era reconhecida em toda a comunidade por sua adesão à Regra da Ordem. Por volta de 660, Etelburga sucedeu a fundadora, Santa Fara e sua meia-irmã Setrida, como abadessa. Etelburga governou com sabedoria e justiça até sua morte.
     Ela começou a construir ali uma igreja dedicada a todos os doze Apóstolos, mas morreu antes de completá-la e foi sepultada no prédio semiacabado em 664. A seu pedido ela foi enterrada na igreja inacabada. Depois de sete anos as monjas decidiram que não tinham condições de completar as obras da igreja e as relíquias de Etelburga foram transladadas para a igreja próxima de Santo Estevão, o Mártir, quando o seu corpo foi encontrado incorrupto, como testemunha São Beda. [1]
     Ela é mencionada nos Martirológios romanos, franceses e vários martirológios ingleses (Affwater, Beneditinos, Bentley, Delaney, Farmer) neste dia, 7 de julho. [2] Nestes dois últimos, sua sobrinha Santa Ercongota é venerada com ela. Ercongota acompanhou Santa Etelburga a Faremoutiers, e lá com ela recebeu o véu; deu um grande exemplo de todas as virtudes, e depois de sua morte feliz foi honrada por muitos milagres, como Beda relata.
     Na arte, Santa Etelburga é descrita como uma abadessa carregando os instrumentos da Paixão. Ela é invocada para curar reumatismo.
     Heresvida, a esposa do rei Anna, a mãe de Etelburga e de muitos santos, após a morte de seu marido retirou-se também na França, e consagrou-se a Deus no famoso mosteiro de Cale ou Chelles, cinco léguas de Paris, perto do Marne, fundado por Santa Clotilde, mas principalmente dotado por Santa Batildes, onde ela perseverou, avançando diariamente em santo fervor para sua morte feliz.
     Veja a história do mosteiro de Chelles no sexto tomo da história tardia das dioceses de Paris, de Abbé Lebeuf e Solier, neste dia, p. 481, etc.
_________________________
Nota 1. Beda, b. 3, c. 6.
Nota 2. Em Sta. Edelburga, vide Solier the Bollandist, ad diem 7 Julij, t. 2, p. 481. Em francês ela é chamada Sta. Aubierge. Vide também Du Plessis, Hist. de Meaux.
(de: The Lives of the Saints, by Rev. Alban Butler (1711–73).  Volume VII: July, p. 43)

Abadia de Faremoutiers

    A abadia foi fundada por volta de 620 por Burgundofara – Santa Fara, a primeira abadessa. Era um mosteiro duplo, o primeiro da França, com comunidades de monges e monjas. Foi estabelecida para seguir a estrita Regra de São Columbano. O local, uma fazenda pertencente à família de Fara, originalmente conhecido como Evoriacum, foi rebatizado de Faremoutiers (Mosteiro de Fara) em sua honra. A moderna cidade de Faremoutiers cresceu ao redor da abadia.
     No século IX, como todas as abadias francesas deviam ser ordenadas por Luís o Piedoso, foi preciso substituir a regra vigente pela Regra de São Bento.
     Em 1140 a abadia foi destruída por um incêndio. Em 1445, ao final da Guerra dos 100 Anos, foi pilhada pelos soldados.
     Nos séculos XVI e XVII a abadia recebeu um favor real, mas foi corrompida pelo jansenismo, e no século XVIII sofreu com um exaustivo processo do Bispo de Meaux e com problemas econômicos.
     Foi supressa durante a Revolução Francesa. Até 1796, as instalações foram utilizadas como quartel e, posteriormente, como pedreira.

Etimologia: Etel, anglo-saxão: “nobre pela riqueza”. Inglês: Ethel

quinta-feira, 5 de julho de 2018

Santa Maria Goretti, Virgem e mártir da pureza - 6 de julho

    
Única foto existente de Sta. Maria Goretti
     Maria Teresa Goretti, nasceu em 16 de outubro de 1890, em Corinaldo, Província de Ancona, Itália, filha de Luigi Goretti e Assunta Carlini. Era a terceira de seis filhos. Suas irmãs chamavam-se Teresa e Ersilia; seus irmãos eram Angelo, Sandrino e Mariano. Era uma família pobre de bens terrenos, mas rica em fé e virtudes, cultivadas por meio da oração em comum, do terço rezado todos os dias, e aos domingos, Missa e Sagrada Comunhão. No dia seguinte a seu nascimento, foi batizada e consagrada à Virgem. Aos seis anos recebeu o Sacramento da Confirmação.
     Depois do nascimento de seu quarto filho, o pai de Maria, pela dura crise econômica que enfrentava, decidiu emigrar com sua família às grandes planícies dos campos romanos, ainda insalubres naquela época. Instalou-se em Ferriere di Conca, colocando-se a serviço do Conde Mazzoleni. Neste lugar Maria mostra claramente uma inteligência e uma maturidade precoce, nenhum pingo de capricho, nem de desobediência, nem de mentira. É realmente o anjo da família.
     Após um ano de trabalho esgotante, Luigi contraiu uma doença fulminante, a malária, que o levou à morte depois de padecer por dez dias. Como consequência de sua morte, Assunta, a mãe de Maria, teve que trabalhar deixando a casa a cargo dos irmãos mais velhos. Maria frequentemente chorava a morte de seu pai, e aproveita qualquer ocasião para ajoelhar-se diante de sua tumba, para elevar a Deus suas preces para que seu pai goze da glória divina. Sua mãe confirma: “Todas as noites ela rezava um terço a mais, em sufrágio da alma de seu pai”. (p.32)
     Segundo depôs Assunta, Mariazinha demonstrava uma maturidade humana extraordinária em seus relacionamentos. ... “Era corajosa e procurava inclusive encorajar-me quando me via angustiada”. Ela também demonstrava ter uma grande capacidade de discernimento. Sabia ler os sinais de Deus na sua história e na de sua família, dispondo-se imediatamente a fazer a vontade de Deus. Assim, soube reagir à morte do pai com estas palavras, que foram as primeiras a serem registradas: “Mamãe, não fique preocupada. Eu fico no seu lugar, tomando conta da casa”. De fato, ela “dirigia a casa” e “cuidava dos irmãozinhos”. (p.65)
     Mariazinha enfeitava com flores do campo o quadro de Nossa Senhora. Todas as noites rezava o terço com a família. Nos últimos tempos, o terço havia se tornado indispensável para ela, trazia-o sempre enrolado em torno do braço. Assim como a contemplação do crucifixo, que foi para Maria uma fonte onde se nutria de um intenso amor de Deus e de um profundo horror pelo pecado. Ia com prazer ao santuário de Nossa Senhora das Graças, em Nettuno, embora tivesse que enfrentar quatro horas de caminhada. E no final de sua vida, já no hospital, faz este pedido afetuoso: “Levem-me para perto do quadro de Nossa Senhora”. (p.31)
     Além da tarefa de cuidar de seus irmãos menores, Maria seguia assistindo a seu curso de catecismo, pois desejava intensamente fazer a 1ª. Comunhão. Era costume na época esperar até os onze anos para receber a Sagrada Eucaristia. Além disso Maria não sabia ler e a mãe não tinha dinheiro para o vestido, os sapatos e o véu. Ajudada pelos vizinhos que providenciaram o necessário para a ocasião, ela pode fazê-la no dia 29 de maio de 1901.
     A comunhão constante acrescenta nela o amor pela pureza e a anima a tomar a resolução de conservar essa angélica virtude a todo custo. Um dia, após ter escutado um intercâmbio de frases desonestas entre um rapaz e uma de suas companheiras, diz com indignação à sua mãe: – Não quero nem pensar, mamãe; antes que fazê-lo, preferiria... E a palavra morrer fica entre seus lábios. Um mês depois, ocorreu o que ela sentenciou.
     Ao entrar a serviço do Conde Mazzoleni, Luigi Goretti havia se associado com João Serenelli e seu filho Alessandro. As duas famílias vivem em quartos separados, mas a cozinha era comum. Luigi se arrependeu em seguida daquela união com João Serenelli, pessoa muito diferente dos seus, bebedor e carente de discrição em suas palavras.
     Depois da morte de Luigi, Assunta e seus filhos haviam caído sob o jugo despótico dos Serenelli. Maria, que compreendeu a situação, esforça-se para apoiar sua mãe. Desde a morte de seu marido, Assunta sempre esteve no campo e nem sequer tem tempo de ocupar-se da casa, nem da instrução religiosa dos menores.
     Maria se encarrega de tudo na medida do possível. Durante as refeições, não se senta à mesa até que todos estejam servidos, e para ela serve as sobras. Quando sua mãe observava que ela comia pouco (e, naquele tempo, a fome era grande!), dizia: “Mamãe, come a senhora, pois precisa para trabalhar”. (p.26)
     Sua mãe conta: “Nos últimos tempos, eu encontrava tudo pronto: ela preparava o almoço, voltava a lavar roupa, sem que ninguém a obrigasse. E fazia mil serviços necessários numa casa com tantas crianças: passava roupa, remendava, esfregava o chão com escovão, arrumava as camas, limpava os quartos, cuidava dos irmãozinhos”. Encontrava sempre mil pequenas ocasiões para servir. (p.50)
     Sua obsequiosidade se estende igualmente aos Serenelli. Por sua vez, João, cuja esposa havia falecido no hospital psiquiátrico de Ancona, não se preocupa em nada com seu filho Alessandro, jovem robusto de dezenove anos, grosseiro e vicioso, que gostava de cobrir seu quarto com imagens obscenas e ler livros indecentes.
     Em seu leito de morte, Luigi Goretti havia pressentido o perigo que a companhia dos Serenelli representava para seus filhos, e havia repetido sem cessar à sua esposa: – Assunta, volte para Corinaldo! Infelizmente Assunta está endividada e comprometida por um contrato de arrendamento.
     Depois de ter maior contato com a família Goretti, Alessandro começou a fazer proposições desonestas à inocente Maria, que em um princípio não compreende. Mais tarde, ao adivinhar as intenções perversas do rapaz, a jovem está de sobreaviso e rejeita a adulação e as ameaças. Suplica à sua mãe que não deixe sozinha na casa, mas não se atreve a explicar-lhe claramente as causas de seu pânico, pois Alessandro a havia ameaçado: – Se contar algo a tua mãe, te mato. Seu único recurso é a oração.
     Na véspera de sua morte, Maria pede novamente chorando à sua mãe que não a deixe sozinha, mas, ao não receber mais explicações, esta considera ser um capricho e não dá nenhuma importância àquela reiterada súplica.
     No dia 5 de julho, às três da tarde, no momento em que Maria se encontra sozinha em casa, Alessandro entra e a ameaça de morte se ela não fizesse o que ele mandava. A intenção do rapaz era violá-la, porém, ela não se submeteu, ajoelhou-se, protestando que seria um pecado mortal e avisando Alessandro que poderia ir para o Inferno.
     Ela lutou para evitar a violação, gritava: "Não! É um pecado! Deus não gosta disto!" Alessandro primeiro tentou controla-la, mas como ela insistia que preferia morrer, ele a apunhalou 11 vezes. Pensando que estava morta, o assassino atira a faca e abre a porta para fugir, mas ao escutá-la gemer de novo, volta sobre seus passos, pega a arma e a atravessa outra vez de parte a parte; depois, sobe e se tranca em seu quarto.
     Sua mãe e irmãos a encontram ferida e a levam para o hospital. Ao chegar ao hospital, os médicos se surpreenderam que a menina ainda não havia sucumbido a seus ferimentos, pois alcançou o pericárdio, o coração, o pulmão esquerdo, o diafragma e o intestino. Ao diagnosticar que não tem cura, chamaram o capelão. Maria se confessa com toda clareza. Em seguida, durante duas horas, os médicos cuidaram dela sem adormecê-la.
     Maria não se lamenta, e não deixa de rezar e de oferecer seus sofrimentos à Santíssima Virgem, Mãe das Dores. Sua mãe conseguiu que lhe permitam permanecer à cabeceira da cama. Maria ainda tem forças para consolá-la: – Mamãe, querida mamãe, agora estou bem... Como estão meus irmãos e irmãs?
     O sacerdote também está a seu lado, assistindo-a paternalmente. No momento de lhe dar a Sagrada Comunhão, perguntou-lhe: – Maria, perdoa de todo coração teu assassino? Ela respondeu: – Sim, perdoo pelo amor de Jesus, e quero que ele também venha comigo ao paraíso. Quero que esteja a meu lado... Que Deus o perdoe, porque eu já o perdoei.
     Passando por momentos análogos pelos quais passou o Senhor Jesus na Cruz, Maria recebeu a Eucaristia e a Extrema unção, serena, tranquila, humilde no heroísmo de sua vitória.
     Depois de breves momentos, escutam-na dizer: "Papai". Maria falece. É o dia 6 de julho de 1902, às três horas da tarde.
     O corpo da Santa é mantido em uma cripta na Basílica de Santa Maria delle Grazie e Santa Maria Goretti, em Nettuno, ao sul de Roma.
A mãe e as irmãs da Santa

Beatificação e Canonização    
     Em 27 de abril de 1947 o Papa Pio XII celebrou a cerimônia de beatificação na Basílica de São Pedro. Três anos após, em 24 de junho de 1950, o mesmo Papa canonizou Maria Goretti, a “Santa Inês do século XX". A celebração foi realizada na Praça São Pedro, em frente à Basílica. Uma multidão de 500.000 pessoas assistiu à celebração, na sua maioria jovens, vindos de vários países do mundo.
     Sua mãe estava presente na cerimônia, junto com os quatro irmãos e irmãs ainda vivos. Alessandro Serenelli, o assassino, também estava presente na celebração.
     Três irmãos contaram que Santa Maria Goretti havia intervindo miraculosamente nas suas vidas. Angelo ouviu sua voz orientando-o a emigrar para a América. Sandrino recebeu de maneira inesperada uma quantia para pagar sua viagem aos EUA. Faleceu em 1917, ao lado do irmão Angelo. Este, por sua vez, faleceu em 1964, quando retornou para a Itália. O terceiro irmão, Mariano, enquanto lutava na 1ª. Grande Guerra, recebeu ordens de abandonar a trincheira e atacar. Neste momento, teve uma visão de Santa Maria Goretti dizendo-lhe para desobedecer e permanecer na trincheira. De todo batalhão, ele foi o único a salvar-se.
*
Da. Assunta assiste a
canonização
Folha de S. Paulo, 15 de junho de 1970.
     “O assassino de Santa Maria Goretti, Alessandro Serenelli, morreu aos 87 anos, 68 anos depois de ter assassinado em Nettuno, na Itália, com 14 punhaladas, a menina de 12 anos, que em 1950 foi canonizada pelo Papa Pio XII”.
     “Alessandro Serenelli, que era vizinho da menina, tentou inutilmente conquistá-la. Um dia assediou-a e assassinou-a com 14 punhaladas. Quando a menina estava num hospital, um padre que a confessou perguntou-lhe se perdoava o assassino. Maria Goretti respondeu: ‘Sim, claro que perdoo Alessandro; quero-o comigo no Céu’”.
     “Em 1902 Serenelli foi condenado a 30 anos de prisão, com os três primeiros anos passados em prisão solitária. A mãe da vítima, entretanto, interveio junto ao tribunal, dizendo que sua filha já perdoara o assassino”.
     “Seis anos depois, numa prisão da Sicília, Serenelli teve uma visão e a descreveu assim: - ‘Marieta, como a chamava, apareceu-me num lindo jardim. As grades desapareceram para dar lugar a um jardim. E ela ofereceu-me 14 lírios, cada um correspondendo a uma das punhaladas que lhe dei’”.
     “A partir de então Maria Goretti passou a ser venerada em toda a Itália e pouco a pouco na Europa e na América. Os fiéis intercediam junto a ela principalmente para que conseguisse de Deus o perdão para os pecados carnais. Em 1950 Pio XII canonizou-a”.
     “Em 1929, Serenelli se havia convertido num prisioneiro exemplar depois da visão, tendo sido antes um detento rebelde e problemático. E foi libertado depois de ter cumprido 27 anos de pena”.
     “Quando Maria Goretti foi canonizada, falava-se por toda parte da Itália de milagres concedidos pela santa. Pio XII ateve-se à evidência desses milagres, principalmente o da cura de um surdo que recorrera à intercessão da santa. Agora, ao morrer, Serenelli, já calvo e corcunda, reiterou a visão que tivera. Disse ele que Maria Goretti lhe apareceu outra vez, prometendo-lhe o Céu em troca do crime praticado contra ela - primeiro os lírios e depois o próprio céu.  Serenelli morreu tranquilamente, recebendo os sacramentos da Igreja e o conforto dos que o cercaram nos seus últimos dias”.
     Vídeo da canonização de Santa Maria Goretti pelo Papa Pio XII (29 de junho de 1950) http://youtu.be/_55qVRuWhGY 
     “Uma religiosa avança entre a multidão: é a irmã de Maria Goretti; o Papa, da sedia gestatória, abençoa os circunstantes; o Presidente da República Italiana assiste a cerimônia; dois irmãos da santa se acham presentes na tribuna da postulação; de uma janela do Vaticano, a mãe da jovem mártir da pureza contempla a canonização”.

Fontes: a-grande-guerra.blogspot

segunda-feira, 2 de julho de 2018

Beata Colomba Kang Wan-suk, Catequista e mártir coreana – 2 de julho

    
     Colomba Kang Wan-suk (1761 - 1801) nasceu de uma união ilegítima no antigo distrito de Chungcheong-do (Coreia do Sul) no seio de uma das famílias nobres de Naepo. Desde pequena se destacou por sua sabedoria e honestidade: evitava as ações más ou dizer mentiras. O Beato Felipe Hong Pil-ju, que seria martirizado pela fé em 1801, foi um enteado seu. 
     Devido a sua origem "não oficial", foi dada em casamento como segunda esposa a Hong Ji-yeong, um nobre da região de Deoksan. No início de seu casamento conheceu a fé católica e começou a interessar-se, e começou sua preparação para o batismo estudando o Catecismo.  Neste período, sua fé é intensa, bem como a prática da abstinência. Com seu estilo de vida ganha o respeito e a admiração de muitas pessoas. Correndo perigo, ocupava-se dos católicos que foram aprisionados durante a perseguição de 1791, em Sinhae, e precisamente por isto a prenderam.
     Depois de libertada, ensinou o catecismo a sua sogra, mãe segundo a lei, e a seu enteado, Felipe Hong. Apesar de seus esforços, não conseguiu converter seu marido, que a maltratava por causa de sua fé. Após um breve período, foi abandonada por ele, que passou a viver com uma concubina.
     Chegou ao conhecimento de Colomba que os católicos de Seul tinham uma melhor preparação cristã. Depois de consultar sua mãe legal e seu enteado, decidiu mudar-se para a capital; ali entrou em contato com os fiéis locais e se uniu a eles em seu afã para trazer sacerdotes para atender aos católicos recém convertidos, e para isto era necessário apoio financeiro para pagar os gastos desta empreitada.
     Em 1794, Colomba recebeu o batismo das mãos do primeiro sacerdote missionário que viera de Pequim, o Beato Santiago Zhou Wen-mo, e ela se comprometeu a dedicar sua vida a ajudar o sacerdote em seu apostolado. Após dar-se conta de sua sinceridade e verdadeiro compromisso, o Pe. Zhou a nomeou catequista e lhe confiou a tarefa de cuidar dos fiéis. Colomba assim se tornou a primeira mulher catequista na Coreia.
     No ano seguinte se desencadeia a perseguição em Eulmyo, e Colomba ofereceu sua casa para acolher o missionário, para que ele pudesse fugir para a China, pois havia uma ordem de busca e captura contra ele. A escolha de sua casa como refúgio era a mais segura, já que de acordo com os cânones da sociedade coreana era proibido inspecionar os lares das mulheres nobre. Graças a isto, a casa de Colomba se converteu em um refúgio seguro para o Pe. Zhou e para as comunidades católicas do lugar. Foi ali que a Beata Agatha Jeom-hye Yun criou sua comunidade de virgens dedicadas à Igreja.
     Colomba evangelizou como pode e quanto pode, e entre seus convertidos havia nobres, viúvas, servos e serva. Graças a ela Maria Canto e sua filha Maria Sin – parentes da família real – receberam o batismo. A admiração de que ela era objeto na comunidade católica era enorme, tanto é que se dizia: “Ela se move como um gongo: quando é golpeada, retumba tudo”.
     Em 1801 começou a perseguição Shinyu, e Colomba foi denunciada às autoridades governamentais acerca de suas atividades religiosas. No dia 6 de abril ela foi detida enquanto estava em sua casa com outros fieis: todos eles foram levados para a Chefatura de Polícia de Seul. Porém, ainda nesta grave situação o primeiro pensamento da catequista foi a segurança do sacerdote chinês. Para encontrá-lo os agentes a torturaram seis vezes, porém sem êxito. Sua fé era tão firme, que seus captores foram castigados por sua ineficácia. Um deles exclamou: “Esta mulher não é humana, é uma deusa!
     Nos três meses seguintes, entre a prisão e o martírio, Colomba continuou sua obra religiosa: se preparou para o martírio e encorajou seus companheiros de prisão a serem fieis e crer em Deus. Foi condenada à morte no dia 2 de julho de 1801, e a sentença, decapitação, foi levada a efeito no mesmo dia, com seus sete companheiros, fora da porta ocidental de Seul. Acabara de fazer 40 anos.

Autor: Joseph Yun Li-sun
Fonte: www.asianews.it