sábado, 20 de outubro de 2018

Santa Cleópatra, viúva – 19 de outubro

    
     O nome deriva do grego Κλεοπατρα (Kleopatra), composto da κλεος (kleos) "glória", e πατρος (patros) "do pai": portanto o significado é “glória do pai".  Este nome deve sua popularidade a Cleópatra VII, a rainha do Egito amante de Júlio Cesar e depois de Marco Antônio.
     O Martirológio Romano na sua última edição não menciona santa ou beata com este nome, porém o nome está presente na tradição da Igreja e a Bibliotheca Sanctorum contém duas santas com este nome.
     Uma, dita “viúva, é recordada no dia 19 de outubro; uma segunda, dita “de Tessalonica” nos Martirológios bizantinos é recordada em 1º de setembro.
     A Santa Cleópatra viúva egípcia é ligada ao culto do mártir São Varo. Ela e seu filho São João vieram da aldeia de Edras, atual Daraa, Síria, e foram contemporâneos do mártir São Varo
     No tempo de Maximiano Valério (250-310), imperador, o soldado Varo se interessou pela sorte de alguns eremitas do Egito que haviam sido aprisionados em decorrência da perseguição contra os cristãos. Varo ia confortá-los, o que o declarava cristão, e tomado de fervor, como ocorreu a Santo Antônio de Pádua diante dos Mártires de Ceuta, expressou o desejo de unir-se a eles. Foi assim condenado imediatamente à flagelação, morrendo em 307. No dia seguinte os seis eremitas também morreram martirizados por Cristo.
     O culto de São Varo e dos seis eremitas é pouco conhecido no Ocidente, foi Barônio que os inseriu no Martirológio Romano no dia 19 de outubro. A moderna edição do Martirológio menciona: “No Egito, São Varo, soldado, que, sob o imperador Maximiano, enquanto visitava e confortava seis santos eremitas encarcerados, desejou tomar o lugar de um sétimo que morrera no eremitério e, assim, padecendo juntamente com eles os cruéis suplícios, alcançou a palma do martírio”.
     Conta-se que, tomada por compaixão, uma piedosa cristã de nome Cleópatra, viúva de um oficial romano, trouxe o corpo de Varo para sua casa, onde o enterrou. Após o fim das perseguições, conseguiu retornar a Edra, levando o corpo do mártir, colocando-o num túmulo, próximo ao Monte Tabor, em torno do qual a comunidade cristã local passou a se reunir buscando sua intercessão.
     Devido aos numerosos peregrinos que vinham venerar a relíquia do Santo mártir, Santa Cleópatra decidiu erigir uma pequena igreja sobre o túmulo. 
     Tendo seu filho crescido, ela desejou que ele fosse militar como seu pai. Ele deveria partir para Roma, onde o imperador lhe daria um posto, mas antes Cleópatra quis que ele a auxiliasse na conclusão da edificação da capela. Com grandes festas a capela foi inaugurada, mas João faleceu na noite seguinte, Cleópatra muito chorou sua morte e o enterrou junto à relíquia de São Varo.
     Após a morte de João, Cleópatra o viu em um sonho com São Varo, sob a figura de um menino. São Varo a consolava e dizia que rezava por seus parentes pagãos e que seu filho fora salvo. Segundo o Prólogo de Ocrida, São Varo aparecia frequentemente para Cleópatra resplandecente como um anjo.
     A Santa viveu ainda sete anos; após ter distribuído seus bens aos pobres e passar seu tempo em oração e jejum, Santa Cleópatra faleceu e foi sepultada na mesma igreja que erigira, junto aos Santos Varo e João.
     Ela é recordada com São Varo no dia 19 de outubro.


Fontes: www.santiebeati.it/

quarta-feira, 17 de outubro de 2018

Beata Tarsila Córdoba Belda – 17 de outubro

Na cidade de Algemesi, na região de Valência, Espanha, Beata Tarsila Córdoba Belda, mártir, que, sendo mãe de família, passou para a glória de Cristo na perseguição.

     Tarsila nasceu em Sollana no dia 8 de maio de 1861. Foi educada na fé católica e em 3 de julho de 1884 casou-se com Vicente Girona Gozalbo, com quem teve três filhos.
     Deus Nosso Senhor permitiu que ela passasse por duras provas na vida familiar: seu esposo teve uma doença mental e faleceu após longos anos, em 26 de março de 1922. Tarsila também enfrentou a perda sucessiva de seus filhos, inclusive uma filha casada que deixou uma filha pequena. Tudo ela superou com grande paciência e espírito sobrenatural.
     Além do cuidado da família, levava uma vida de piedade incomum: assistia Missa e comungava diariamente, pertencia à várias associações paroquiais, nas quais colaborava com fervor, e inclusive contavam com sua valiosa cooperação nas obras de caridade nas Conferências de São Vicente. Após a morte do esposo em 1922, pode se dedicar mais intensamente ao apostolado.
     Durante a perseguição religiosa dos anos 30 na Espanha, Tarsila ocultou objetos sacros em sua casa e cuidou de religiosas escondidas. Descoberta, foi presa pelo comité de sua cidade por causa de sua religiosidade.
     Observação: a beata havia socorrido a família do chefe do comitê que determinou sua prisão. Vemos como os revolucionários, ao contrário dos católicos, não têm nenhum sentimento de gratidão.
     Na prisão, Tarsila confortava seus companheiros e exortava-os a entregar-se à vontade de Deus com confiança. Detida no dia 10 de outubro de 1936, esteve na prisão no ex convento dos mercedários até o dia 17 do mesmo mês, quando foi levada de madrugada e fuzilada junto ao muro do cemitério de Algemesi, aos 75 anos de idade.
     Foi beatificada em 11 de março de 2001 pelo papa João Paulo II.    


Significado do Nome Tarsila
     A maioria expõe que Tarsila é um derivado de Társio, nativo da cidade de Tarso, uma cidade da Ásia Menor. Provavelmente, transmutaram o nome Tarso inserindo um sufixo comum feminino “ila”, ou do grego “tarsos”, que quer dizer “coragem, audácia”.
     Esse nome não é usado fora do Brasil e é bem difícil de encontrar. Aproveitando o post, vou replicar um relato que achei na internet feito por uma pessoa chamada Tarsila:
     “Hoje é meu aniversário e curiosamente descobri uma coisa sobre o meu nome, então achei apropriado. Nunca tive muita certeza da origem do meu nome, claro que foi inspirado na famosa pintora brasileira Tarsila do Amaral, mas o que significa “Tarsila”?
     Sempre encontrei coisas como “derivado de Tharsáleos ou Tarcísio” que vem de “Tarso”, de origem grega que significa “confiança, coragem” e que “indica uma pessoa que não dá muita importância aos bens materiais, quer apenas o suficiente para levar uma vida tranquila e poder buscar a evolução espiritual”. Nunca saiu disso, mas eu não ficava satisfeita, Tarsila não é Tarcísio.
     Hoje me deu uma vontadezinha de procurar (e olha que já fiz isso muitas vezes) e olhem só o que eu descobri: Tarsila, do jeitinho que escreve o meu nome, é, na verdade o nome de um documento. As Tarsilas (também conhecidas como Sarsilas ou Silsilahs) significam corrente ou conexão e são utilizadas para provar a legitimidade das famílias nobres de filipinos mulçumanos. As Tarsilas mostram quem pertence a qual linha de descendência, seja através de afinidade ou casamento, ou seja, Tarsila é mais ou menos uma árvore genealógica, contudo ela geralmente só traça até o ancestral mais famoso ou nobre.
     Eu vejo a coisa assim: meu nome significa uma união legítima de pessoas, um grupo que forma uma unidade, uma linha de vidas, uma história. Isso me deixa muito feliz porque significa o registro de um desenvolvimento e é assim que eu me sinto – uma conexão entre vidas e pessoas!”

*** Não comprovei as informações extras.

Outras referências, além da artista Tarsila do Amaral:
Tarsila Rorato Crusius, filha da ex-governadora do estado do Rio Grande do Sul, Yeda Rorato Crusius.

Társila Córdoba Belda, mártir católica, morta durante a Guerra Civil Espanhola. Após a tragédia pessoal da morte de seu esposo e de seus três filhos, participou ativamente da vida eclesiástica. Foi beatificada pelo Papa João Paulo II em 11 de março de 2001.

segunda-feira, 15 de outubro de 2018

Santa Madalena de Nagasaki, jovem mártir japonesa - Festa 15 de outubro

     
     Madalena nasceu entre 1611 e 1612, em uma aldeia próxima de Nagasaki, no Japão. Desde cedo ela recebeu esmerada educação. Os antigos manuscritos relatam que ela era uma jovem graciosa, delicada e bela. Seus pais eram católicos de nobre linhagem.
     Sua infância coincidiu com um período de cruéis perseguições contra os católicos. O ditador Tokugawa Yematsu, budista, decretou uma terrível perseguição contra os católicos em 1614. Com seus sucessores, Hidetada e Yemitsu, essa perseguição tornou-se ainda mais virulenta e cruel, a ponto de em poucos anos quase exterminar a cristandade do Japão.
     Os pais e irmãos de Madalena foram martirizados quando ela era ainda pequena. Ela certamente foi também testemunha da morte de muitos outros católicos. É provável que tivesse lido o livro “Exortação ao martírio”, que circulava clandestinamente entre os católicos. Neste livro davam-se conselhos para resistir à ira dos tiranos e eram lembrados os exemplos de crianças frágeis, além de jovens, homens e mulheres, que sofreram com paciência os mais terríveis suplícios por causa da sua fé em Jesus Cristo, recebendo assim a glória do martírio.
     A oração, a leitura dos livros sagrados e o exemplo de tantos mártires, compatriotas seus, foram fortalecendo o ânimo de Madalena.
     Por volta de 1624, chegaram a Nagasaki dois zelosos missionários agostinianos: Frei Francisco de Jesus e Frei Vicente de Santo Antônio. Ambos criaram a Ordem Terceira Agostiniana Recoleta para auxiliá-los no apostolado. Formada por leigos, a Ordem Terceira, hoje denominada Fraternidade Secular, ficava encarregada da catequese.
     Atraída pela profunda espiritualidade dos dois missionários, Madalena se consagrou a Deus como Terceira Agostiniana Recoleta, sendo uma das primeiras a entrar para aquela Ordem. Começou o seu apostolado com tanto carinho e abnegação, que foram incontáveis os pagãos que se converteram ao Cristianismo.
     Ela consolava os aflitos, animava os fracos, fortalecia os que fraquejavam por causa das perseguições, apoiava os corajosos e esforçados, dava catecismo para as crianças, e arrecadava esmolas para os pobres entre os comerciantes portugueses. Fez várias amigas entre as filhas dos ocidentais que moravam em Nagasaki, as quais muito se edificavam com as suas virtudes, tendo algumas delas relatado suas impressões e lembranças para os primeiros biógrafos da Santa.
Em 1628 a perseguição ficou mais violenta. Como quase todos os católicos de Nagasaki, Madalena se viu obrigada a refugiar-se nas montanhas. Homens e mulheres virtuosos viviam nas grutas e se alimentavam de ervas silvestres. Ali vivia ela na companhia dos demais, amada e querida de todos, mesmo dos pagãos.
     Os santos religiosos, Frei Francisco e Frei Vicente, também viviam nas montanhas zelando pelas almas e oferecendo-lhes o conforto dos Sacramentos. Entretanto, ambos foram detidos e passaram vários dias na prisão antes de serem queimados vivos no dia 3 de setembro de 1632.
     No dia seguinte, chegaram ao Japão outros dois missionários agostinianos recoletos, Frei Melquior de Santo Agostinho e Frei Martinho de São Nicolau. Estes também foram presos no dia 1° de novembro de 1632 e no dia 11 de dezembro foram queimados vivos a fogo lento, tal como havia acontecido com os Bem-aventurados Francisco e Vicente.
     Após a morte desses religiosos, Madalena permaneceu nas montanhas cerca de dois anos dedicando-se ao apostolado, batizando, aconselhando, consolando e fortalecendo os que a procuravam. Numerosos foram os católicos que preferiram morrer a renegar a fé. Infelizmente, muitos também foram os que fraquejaram e apostataram diante do horror dos suplícios.
     Desolada e triste pela apostasia destes irmãos e desejosa de sofrer o martírio, Madalena acreditou ter chegado o momento de apresentar-se aos juízes e torturadores para dar exemplo vivo aos católicos.
     Vestindo o seu hábito de Terceira e portando um pequeno alforje cheio de livros de santos para meditar e pregar no cárcere, ela se apresentou aos carcereiros e guardas dizendo-se católica e religiosa.
     Num primeiro momento os guardas mandaram-na embora, dizendo que sendo ela tão jovem e frágil não poderia suportar os horríveis tormentos a que eram submetidos os religiosos. Contudo, no dia seguinte ela foi presa.
     Admirados com sua beleza e comovidos pela sua tenra idade, vendo-a estimada e admirada pelos católicos e também por ser de família nobre e ilustre, os juízes tentaram convencê-la a abandonar a fé através de atenções especiais e promessas as mais diversas, mas tudo foi em vão.
     Depois de sofrer vários tipos de torturas sem perder a fé em Nosso Senhor Jesus Cristo, Madalena foi tirada da prisão no início de outubro de 1634, e com outros dez católicos foi levada ao lugar do martírio.  Todos foram condenados ao tsuruchi, tormento especialmente criado para torturar os cristãos e que consistia numa forca na qual o condenado é amarrado de cabeça para baixo, sendo da cabeça para baixo preso dentro de um poço cheio de imundícies. Um corte era feito atrás da orelha, para que o sangue não chegasse à cabeça e assim a morte fosse lenta.
     Levada antes em desfile num cavalo, não demonstrava terror, mas júbilo. E aos que acompanhavam, ela pedia: “Vós que ficais, em boa hora, recomendai-me a Deus”. Levada até Nishizaka, foi amarrada e presa no tsuruchi. Os soldados às vezes ouviam-na bradar: “Tenho sede”, e perguntavam se gostaria de beber água. Ela retrucava dizendo que queria não dessa água, mas da Água Viva. Foram extraordinários treze dias e meio aguentando a tortura, sem comida ou bebida, entoando hinos cristãos em japonês.
     Os soldados não acreditavam no que estava acontecendo. “Não se surpreendam se eu não morrer nessa provação, pois o Senhor que adoro me preserva e sustenta. Sinto uma mão suave que me segura o rosto e alivia o corpo”, dizia ela.
     Suspensa pelos pés, com a cabeça e o peito imersos num poço, durante o suplício a corajosa jovem invocava os nomes de Jesus e Maria, e resistiu ao tormento por treze dias. Na noite do 13° dia, o poço foi inundado por uma tempestade e Madalena morreu afogada. Tinha então 22 ou 24 anos de idade.
     Depois de morta seu corpo foi queimado, e as cinzas foram espalhadas nas águas do mar, a fim de que suas relíquias não caíssem nas mãos dos fiéis. Seu martírio deu-se em meados de outubro de 1634.
     No Processo de Macau, feito em 1638, houve o relato de 41 testemunhas oculares, e outras informações nos chegaram por relações dos padres que a conheceram.
     Beatificada em 1981, foi declarada Santa por João Paulo II em 18 de outubro de 1987, coincidindo com o Dia Mundial de Oração pelas Missões.

Igreja em Nagasaki em honra aos mártires


Fontes de informação para as notas biográficas sobre os santos agostinianos e Bem-aventurados os livros Seduction of God (Pubblicazioni Agostiniane, Roma 2001), de autoria do Padre Fernando Rojo Martínez, OSA, e Santos e Beatos da família agostiniana. Conceda agostiniano litúrgica Missal, publicado pela Federação Agostiniana Espanhola (FAE, Madrid 2008).
https://www.povonovo.org/santa-madalena-de-nagasaki

sábado, 13 de outubro de 2018

Santa Celidônia de Subiaco, Solitária - 13 de outubro

Martirológio Romano: Perto de Subiaco, no Lácio, Itália, Santa Quelidonia ou Celidônia, virgem, que, como diz a tradição, durante cinquenta e oito anos levou vida solitária e austera, dedicada unicamente a Deus († 1152).

     Chelidonia em grego (chelidôn) significa "andorinha". Esta santa de nome original, e que não são muitas as pessoas que o têm, gostava da solidão: passou quase 60 anos nos montes Simbruini que rodeiam a cidade de Abruzzo, Itália.
     Ela nasceu em Cicoli, em Abruzzo, por volta de 1077, numa família do povo. Seu primeiro nome era aparentemente Cleridona ("dom da sorte"); após a Renascença, a partir de um afresco da caverna sagrada de Subiaco, começaram a usar Quelidonia.
     Por volta de 1092, ansiosa para se dedicar a Deus, ela deixou a casa da família e se retirou como eremita em uma caverna de Simbruini, duas milhas a nordeste de Subiaco. O lugar era e é conhecido como Mora Ferogna.
     Este lugar era então um itinerário importante para atingir a santidade, devido em parte a São Bento e sua imensa obra religiosa. Foi ali que ele se retirou pela primeira vez para levar uma vida de penitência e oração. Fundou doze eremitérios. Hoje só restou o de Santa Escolástica, irmã de São Bento.
     Celidônia viveu ali por quase 60 anos sozinha diante de Deus, jejuando e rezando, heroicamente suportando a inclemência das estações, dormindo sobre a rocha nua, desafiando a selvageria de lobos, alimentada pelas ofertas dos fiéis, logo atraídos pela fama de suas virtudes e de seus milagres, e às vezes sustentada milagrosamente por Deus.
     Uma vez apenas Celidônia interrompeu sua solidão, entre 1111 e 1122, numa peregrinação a Roma. Na volta, tomou o hábito de monja no mosteiro de Santa Escolástica. O que significa que o fez na comunidade feminina mais antiga do Ocidente. Na basílica de Santa Escolástica, no dia 12 de fevereiro, dia consagrado à irmã de São Bento, Celidônia recebeu o habito beneditino das mãos do Cardeal Conone, Bispo de Palestrina.
     Retomou em seguida sua vida eremítica, que não abandonou até a morte, na noite de 12 para 13 de outubro de 1152. Uma coluna luminosa foi vista então por numerosas testemunhas nos arredores de seu eremo. Também em Segni, onde se encontrava o Papa Eugênio III, o fenômeno foi observado. Foi este mesmo papa que elevou Celidônia às honras do altar.
     O corpo da santa foi transferido em seguida pelo Abade Simão, do Mosteiro de Santa Escolástica, e sepultado na capela de Santa Maria Nova. Mas, nove anos depois seus restos mortais foram transferidos para um local onde mais tarde o Abade Simão construiu um mosteiro de religiosas e uma capela dedicada a Santa Celidônia e a Santa Maria Madalena. O mosteiro aparece em um documento datado de 4 de outubro de 1187.
     Em 1578, como o mosteiro estava abandonado, o corpo da santa foi definitivamente transferido para o Mosteiro de Santa Escolástica pelo Abade Cirilo de Montefiascone, com festas soleníssimas que aparecem numa minuciosa redação. Na ocasião a biografia da santa, redigida por um anônimo contemporâneo de Celidônia e perdida mais tarde, foi reescrita numa forma mais elegante.
     A Sagrada Congregação dos Ritos proclamou-a patrona principal de Subiaco em 21 de outubro de 1695.
     Do ponto de vista folclórico, é interessante a procissão de 13 de outubro: ela sai da basílica de Santa Escolástica levando um relicário contendo o coração da santa, atinge um ponto de onde se vê Subiaco. Dali a cidade e o território abacial são abençoados com a relíquia; à noite, as pessoas que vivem aos pés do monte onde a santa viveu e morreu acendem luzes em torno do local para renovar a luz maravilhosa que o iluminou por ocasião de sua morte.
     Provavelmente nos nossos dias haveria menos estresses e infartos se muita gente dedicasse alguns dias ao que fez Celidônia. Seria a melhor terapia para todo aquele que sente necessidade de paz interior. E é um fato constatado que as hospedarias dos mosteiros estão o ano todo repletas de pessoas que buscam o silêncio.


Há também uma outra celidônia, uma planta medicinal conhecida como erva-andorinha, erva-das-verrugas ou ceruda. Esta planta medicinal apresenta talo ramificado e quebradiço, com flores amarelas, folhas grandes, alternadas e verde-escuras. A celidônia pode ser usada como remédio caseiro no tratamento de desconforto relacionado à vesícula biliar, mas também tem indicação para o tratamento de verrugas.



Este post apareceu neste blog em 12 de outubro de 2015

sexta-feira, 12 de outubro de 2018

Nossa Senhora Aparecida, Rainha e Padroeira do Brasil 12 de outubro



Consagração a Nossa Senhora


      Senhora Aparecida, eu renovo, neste momento, a minha consagração. Eu vos consagro os meus trabalhos, sofrimentos e alegrias, o meu corpo, a minha alma e toda a minha vida. Eu vos consagro a minha família! 
     Ó Senhora Aparecida, livrai-nos de todo o mal, das doenças e do pecado. Abençoai as nossas famílias, os doentes e as criancinhas. Abençoai a Santa Igreja, o Papa e os bispos, os sacerdotes e ministros, religiosos e leigos. Abençoai a nossa paróquia, o nosso pároco.
     Senhora Aparecida, lembrai-vos que sois Padroeira poderosa da nossa Pátria! Abençoai, protegei, salvai o vosso Brasil das garras do comunismo e de todo mal! E dai-nos a vossa bênção.

http://www.paroquiadesantana.com.br/site/index.php/noticias/185-rezemos-com-nossa-senhora-aparecida

quarta-feira, 10 de outubro de 2018

Santa Telquide (ou Teodequilda), Abadessa de Jouarre - 10 de outubro


Cripta: à direita túmulo com inscrição sobre a Santa
Martirológio Romano: No mosteiro de Jouarre, no território de Meaux, cerca do ano 670, na Nêustria, na hodierna França, Santa Telquide, abadessa, que sendo nobre de nascimento, ilustre pelos seus méritos e austera em seus costumes, ensinou as virgens consagradas a ir ao encontro de Cristo com as lâmpadas acesas.
     Santa Telquide foi a primeira abadessa do Mosteiro de Jouarre, na Champagne francesa. Ela repousa na magnifica cripta merovíngia daquele mosteiro que canta ainda hoje como ela a Glória de Deus.
     As primeiras monjas vieram, no ano de 630, da vizinha Abadia de Faremoutiers e se colocaram sob a Regra de São Columbano.
      A inscrição no túmulo nos diz: “De nobre origem, radiante de méritos, forte na sua conduta, ela brilhou por sua fé santa. Ela exulta na glória do Paraiso”.

Abadia de Nossa Senhora de Jouarre
     A fundação merovíngia da abadessa Teodequilda ou Telquide teve lugar, segundo a tradição, no ano 630, inspirada pela visita de São Columbano, o monge viajante irlandês que inspirou a construção de mosteiros no princípio do século VII.
     Como parte de sua herança celta, Jouarre foi estabelecido como um mosteiro duplo, isto é, uma comunidade de monges e monjas, sob o governo da abadessa, que em 1225 obteve imunidade de interferência pelo Bispo de Meaux, respondendo somente ao Papa.
     A cripta merovíngia sob a igreja abacial românica contém uma série de corpos encerrados em sarcófagos, especialmente do irmão de Telquide, Agilberto (m. 680), talhada com uma cena do Antigo Testamento e Cristo em Majestade, pontos de destaque da arquitetura pré-românica.
     Em meados do século IX, a abadia adquiriu as relíquias de São Potenciano; as relíquias reunidas em Jouarre atraiam peregrinos. A reputação da abadia era tão grande, que recebeu uma visita do Papa Inocêncio II em 1131 e albergou um sínodo em 1133. A submissão da abadessa ao Bispo de Meaux não aconteceu até que Bossuet desempenhou o posto em 1690.
     A abadia é um importante centro de peregrinação; foi construída uma cidade fortificada ao seu redor e isto deu lugar ao nascimento da atual cidade de Jouarre.
     Os edifícios atuais do mosteiro, novamente ocupado por monjas beneditinas, datam do século XVIII, com destaque para seu tradicional jardim de frutas e hortaliças.

Abadia de Jouarre, Meaux, França


terça-feira, 9 de outubro de 2018

Santa Públia de Antioquia, Abadessa - 9 de outubro


Martirológio Romano: Em Antioquia, na Síria, hoje Antakya, na Turquia, a comemoração de Santa Públia, que depois da morte do esposo entrou num mosteiro e, à passagem do imperador Juliano o Apóstata, cantando com as suas companheiras virgens as palavras do salmo “Os ídolos dos gentios são ouro e prata” e “Sejam como eles os que os fazem”, por ordem do imperador foi esbofeteada e asperamente repreendida. († c. 362)

    Públia era uma matrona síria que ingressou em um mosteiro após o falecimento de seu esposo. Ela reuniu em sua casa algumas virgens e viúvas para consagrar-se às práticas de piedade na vida em comum. Logo foi eleita abadessa do mosteiro.
     Em 362, o imperador Juliano, o Apóstata, (assim chamado porque depois de ser cristão voltou ao paganismo) passou por Antioquia em uma campanha contra a Pérsia. Ao passar diante da casa de Públia, Juliano ouviu estas mulheres cantar o Salmo 115: “Os ídolos dos gentios são de ouro e prata e estão feitos pela mão do homem; não têm boca e não podem falar”. “Que os que constroem os ídolos e todos os que põem confiança neles sejam como seus deuses”.
     Juliano tomou como uma alusão pessoal e mandou calá-las para que nunca mais fosse possível que cantassem. Públia respondeu por suas companheiras citando o Salmo 67: “Deus se levantará e destruirá seus inimigos”. Juliano mandou-a chamar e ordenou que fosse esbofeteada constantemente, até que as demais deixassem de cantar. Prometeu condená-las a morte quando voltasse da campanha da Pérsia, mas Juliano nunca voltou dessa campanha, e assim Públia e suas companheiras acabaram suas vidas em paz.
     Públia faleceu em 364. Alguns escritores (Tritenio ou Lezana) em seus escritos sobre a Ordem do Carmo a incluem como santa desta Ordem.
Fonte:
-"La leyenda de oro para cada día del año". Volumen 3. Pedro de Ribadaneira, Barcelona, 1866.

Quem foi Juliano, o Apóstata
    Flávio Claudio Juliano nasceu em Constantinopla em 331 ou 332. Era filho de Júlio Constâncio, (meio irmão do imperador Constantino I) e sua segunda esposa, Basilina. Seus avós paternos eram o imperador romano do Ocidente, Constâncio Cloro, e sua segunda esposa, Flávia Maximiana Teodora.
     Ainda criança, Juliano testemunhou o assassinato de sua família por seu primo, o imperador cristão Constâncio II em 337, quando este, após a morte de Constantino I, procurava eliminar possíveis rivais ao trono. Juliano e seu irmão Constâncio Galo viveram encerrados numa vila em Macellum, na Capadócia. Aí recebeu Juliano uma severa educação cristã, tendo sido até ordenado leitor (das Sagradas Escrituras). No entanto, continuou a ler apaixonadamente os autores clássicos pagãos, que sempre o fascinaram mais. Mais tarde, por volta de 350, encontramo-lo em Constantinopla e Nicomédia a estudar junto de filósofos neoplatônicos, como Máximo de Éfeso, que esteve por trás da sua conversão a uma forma mística de paganismo associada a magia. Durante mais ou menos 10 anos, Juliano ocultou esta sua conversão.
     Constâncio nomeou-o César em 355, quando foi chamado a Milão. Foi então enviado à Gália para conter as invasões de francos e alamanos, aonde foi vitorioso e restabeleceu a linha fronteiriça do Reno. Em 360, Constâncio decidiu retirar as melhores tropas de Juliano, deslocando-as ao oriente, para a campanha contra os persas. O descontentamento entre os militares foi grande. Com o início da marcha das tropas, nas imediações de Lutécia (atual Paris), elas se amotinaram e trataram de aclamar Juliano como Augusto. Constâncio recusou tal aclamação, o que fez com que Juliano marchasse contra ele em 361. Constâncio, então em Antióquia, decide contra-atacar, mas morre em Tarso, vítima de uma febre.
     Ao entrar em Constantinopla, Juliano logo impôs um programa de reformas. Livrou-se dos funcionários mais odiados de Constâncio e proclamou a liberdade de culto para cristãos e pagãos, reabilitando o clero que estava no exílio. Reduziu de forma drástica o pessoal do palácio imperial. Diminuiu alguns impostos e reforçou o controle das finanças públicas. 
     Em sua religião helenística, acolheu toda a cultura grega, tentando devolver à literatura pagã o seu conteúdo religioso. Cristãos como São Gregório de Nazianzeno indignaram-se com a medida. É verdade que houve um favorecimento dos pagãos, mas proibiu-se qualquer ação depreciativa contra os cristãos. Isso não impediu que Juliano atacasse duramente o cristianismo, como na sua obra Contra os Galileus.
Juliano, o Apóstata, e a Reconstrução do Templo de Jerusalém
      Juliano sabia que, segundo a predição de Jesus Cristo, não devia ficar pedra sobre pedra do edifício do templo, e quis dar um desmentido ao “Deus dos galileus”. Posto que não gostasse dos judeus, chamou-os para a obra e prodigalizou-lhes dinheiro e promessas. Encarregou o conde Alípio, um dos seus mais fiéis oficiais, de vigiar e apressar os trabalhos.
      Começaram por arrancar os antigos alicerces. O número dos operários era incalculável, e o seu ardor parecia que superaria todos os obstáculos. Contudo, São Cirilo, Bispo de Jerusalém, zombava de todos os seus esforços e dizia publicamente que era chegado o tempo em que se cumpririam literalmente os oráculos do Senhor: “Nem sequer porão uma pedra sobre outra” — repetia o santo prelado sem se perturbar. Efetivamente, tirados os velhos fundamentos, sobreveio um horrível terremoto, que encheu as escavações, dispersou os materiais amontoados, derrubou os edifícios vizinhos, matou ou feriu uma parte dos trabalhadores.
      Passados poucos dias, lançaram outra vez mão à obra. Mas imensos globos de fogo saíram das entranhas da terra, repeliram os materiais e devoraram os obreiros e as ferramentas. Este terrível fenômeno reproduziu-se várias vezes. O fogo só cessou de aparecer depois de abandonada a obra. Este fato é incontestável. Atestam-no São Cirilo, testemunha ocular, São Jerônimo, Santo Ambrósio, São Crisóstomo e São Gregório Nazianzeno, contemporâneos deste prodígio. Além desses, os historiadores Rufino, Sócrates, Sozomeno, Teodoreto, Zonoras, Epifânio, o diácono Nicéforo, Calixto, o ariano Filostorgo, o judeu David Gunzi, o rabino Gédaliah e o próprio Amiano Marcelino, pagão, amigo íntimo e zeloso defensor de Juliano.
      A este respeito, São Crisóstomo exclama: “Cristo edificou a sua Igreja sobre a pedra, e nada pôde derrubá-la. Ele derrubou o templo, e nada pôde reedificá-lo. Ninguém abate o que Deus eleva, nem eleva o que Deus abate”. Segundo a maior parte dos autores eclesiásticos, juntou-se um fogo vindo do céu às chamas saídas da terra, e apareceram cruzes luminosas nos ares, e até sobre a roupa dos trabalhadores. Tão extraordinário prodígio espantou todos os espectadores. Muitos judeus, e até idólatras, confessaram a divindade de Jesus Cristo e pediram o batismo.
      Deste modo, em lugar de destruir a profecia do Salvador, Juliano completou-a, tirando até a última pedra do templo de Jerusalém. Ele ficou confundido, mas nem por isso abriu os olhos à luz.
(Pe. Rivaux, “Tratado de História Eclesiástica” – Livraria Chardron, Porto, 1876, Tomo I, pp. 305-307).
Expedição de Juliano contra os persas
      Depois de magra refeição, Juliano sentou-se numa cama de campanha para redigir seu diário. Durante esse trabalho, viu ele aparecer a seu lado o gênio do império, o mesmo que já o tinha visitado no palácio de Lutécia (atual Paris) na noite em que as legiões gaulesas o tinham saudado com o título de Augusto. Desta vez o espectro estava vestido com um manto negro. Fitou longamente em Juliano um olhar tristonho e saiu da tenda sem pronunciar uma única palavra.
      O imperador saiu em disparada, aterrorizado, ao encalço do fantasma. Por causa de seus gritos, acorreram à sua tenda seus mágicos e sacerdotes pagãos habituais, tendo Máximo à frente. Tentaram tranquilizá-lo. Aconselharam-no a oferecer um sacrifício aos gênios protetores. À meia-noite, a vítima, uma novilha branca, foi levada para junto do altar. Mas no momento em que a faca do sacerdote lhe abria o pescoço, uma estrela que deslizava lentamente descreveu um arco no zênite, traçando um rastro de luz que se extinguiu repentinamente no horizonte. “É o deus Marte que se vinga de mim!” — exclamou Juliano.
      A última noite de Juliano, perturbada por essa série de presságios funestos, findou em consultas aos mágicos e sacerdotes. Os intérpretes oficiais da vontade dos deuses declararam unanimemente que esses fenômenos eram uma advertência do céu, e que se tornava necessário suspender todos os planos de ataque para o dia seguinte.
      Sob um sol tórrido, Juliano acabava de depor sua couraça quando um clamor intenso irrompeu em torno dele. Era o exército persa que, aproveitando a situação excepcional, invadia o acampamento. Sem se dar o tempo de revestir a armadura, Juliano monta a cavalo, voa até a retaguarda onde tinha lugar o ataque, e organiza a resistência. Alguns instantes depois, um grupo de arqueiros persas faz chover sobre o imperador e sua escolta uma saraivada de flechas. Uma delas, após arranhar o braço direito do imperador, vem enterrar-se-lhe no fígado.
      Diz Teodoreto que nesse momento Juliano levou a mão à ferida, recolheu o sangue que saía aos borbotões e o lançou ao céu, gritando: “Venceste, Galileu!

(Pe. J.E. Darras, “Histoire Generale de L’Église” – Ed. Louis Vivès, Paris, 1867, vol. 10)

Etimologia: Públia = forma feminina de Públio, “formoso, belo”.
Nome do general vencedor de Aníbal: Públio Cornélio Escipion.
Nome da Rainha de Aragão e Condessa de Barcelona (1136-1173)