sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

Santa Bernadette Soubirous – 18 de fevereiro

(cont.)

Manuscritos de Sta. Bernadette - A Vidente de Na. Sra. de Lourdes 

     
Bernadette por ocasião das Aparições
     Mari
a Bernarda, ou Bernadette, nasceu em Lourdes, nos contrafortes dos Pirineus franceses, no dia 7 de janeiro de 1844. Seus pais eram patrões de moinho e tinham tido certa abastança, mas por sua facilidade em perdoar as dívidas acabaram caindo na miséria.
     A vida de Bernadette resume-se em praticar o que lhe recomendou a Santíssima Virgem: rezar, especialmente o Rosário, e fazer penitência pelos pecadores.
     Por isso, tendo entrado posteriormente no convento das Irmãs da Caridade de Nevers, sua oração frequente era: 
          “Ó Jesus! Ó Maria! Fazei que todo meu consolo neste mundo consista em amar-vos e sofrer pelos pecadores. Que eu mesma seja um crucifixo vivente, transformada em Jesus. [...] Tenho que ser vítima [...] Levarei com valentia e generosidade a cruz oculta em meu coração. Minha ocupação é sofrer”. (1)
     Analfabeta até os 14 anos, em sua humildade ela se considerava pouco inteligente e capaz. Por isso dizia: “Posto que não sei nada, posso pelo menos rezar o Rosário e amar a Deus com todo o coração. E, ademais, a Santíssima Virgem recomendou tanto que rogasse pelos pecadores!”.
“Tenho necessidade do socorro das almas boas”
     Nada melhor para se conhecer a vida de um santo do que através de suas próprias palavras. Possuímos mais de 100 cartas da santa de Lourdes que dão testemunho de uma inteligência viva, alegre e perspicaz.
     Assim, na primeira delas, dirigida a um fervoroso devoto de Lourdes, a santa lhe pede que reze por ela a Nossa Senhora, para alcançar-lhe “a graça de corresponder fielmente a todos os desígnios de Deus sobre mim. Eu sou, senhor, muito fraca. Tenho grande necessidade do socorro das preces das almas boas, para não abusar do favor que recebi do Céu, apesar de indigna” (Carta de 3/12/1862 a D. Antônio Morales, p. 23). (2)
Alta compreensão da vocação religiosa
     Santa Bernadette compreendia bem a vida religiosa. Pelo que escreve a seu irmão João Maria, que queria tornar-se religioso, pode-se compreender como ela vivia sua consagração a Deus: “Lembremo-nos frequentemente desta palavra do divino Mestre que nos diz: ‘Eu não vim para ser servido, mas para servir’. Isso parece duro e difícil à natureza, mas quando se ama bem a Nosso Senhor, tudo se torna fácil”.
     “Quando alguma coisa nos custa, digamos em seguida: ‘tudo para vos agradar, ó meu Deus, e nada para me satisfazer’. Este outro pensamento me fez também muito bem: ‘fazer sempre o que mais nos custa’; isso me ajudou a me sobrepor a muitas pequenas repugnâncias” (Carta a João Maria, de 21/4/1870, p. 63).
Grande devoção à Sagrada Eucaristia
     Sobre sua devoção à Sagrada Eucaristia, encontramos um exemplo na carta que escreve às suas primas, que se preparavam para fazer a 1ª. Comunhão:
     “Ó minhas queridas crianças! É necessário se ter um coração de anjo para receber Nosso Senhor como Ele merece! Fazei-o pelo menos com a maior fé, humildade e amor que vos seja possível.
     “E, assim que Nosso Senhor estiver em vosso coração, abandonai-vos a Ele, e gozai em paz as delícias de sua presença. Amai-O, adorai-O, ouvi-O, louvai-O, eu diria mesmo, desfrutai-O.
     “Ó feliz momento! Só a eternidade nos reserva alegrias maiores” (Carta às suas primas, por volta de 1875, p.102).
     A seu irmão mais novo, Pedro, que também iria fazer a 1ª. Comunhão, ela escreve: 
     “Não é preciso dizer, meu querido irmãozinho que daqui para frente teu coração, teu espírito, tua alma, não devem ocupar-se senão de um pensamento: o de fazer de teu  coração a morada de um Deus.
     “Oh! sim, é necessário que esse bom Salvador esteja continuamente presente em teu pensamento, e pedir-Lhe que Ele mesmo prepare sua morada, a fim de que não falte nada à sua chegada” (Carta a seu irmão Pedro Bernardo, de 23/5/1872, p. 80).
     Sobre a alegria de poder comungar, ela confidencia também à sua irmã Maria: “Nosso Senhor é tão bom! Eu tive a felicidade de O receber durante toda minha doença três vezes por semana em meu pobre e indigno coração. A cruz se tornava mais leve e os sofrimentos doces, quando eu pensava que teria a visita de Jesus e o insigne favor de O possuir em meu coração” (Carta de 28/4/1873, pp. 85-86).
Percebendo a mão de Deus que castiga
     Bernadette via com olhos sobrenaturais os acontecimentos de sua época.
     Assim, por exemplo, em 1870, durante a guerra franco-prussiana, quando os alemães já estavam próximos de Nevers — e, portanto, ameaçavam a própria segurança das irmãs —, estando já a comunidade inteira a serviço dos feridos, Santa Bernadette escreve à sua irmã Maria:
     “Não temos senão uma coisa a fazer: é pedir muito à Ssma. Virgem, a fim de que Ela queira interceder por nós junto de seu querido Filho, e nos obter perdão e misericórdia; tenho a doce confiança de que a Justiça de Deus que nos castiga neste momento será então aplacada por essa terna Mãe” (Carta à sua irmã Maria, de 25/12/1870, p.70).
     Em 1871, durante os grandes tumultos da Comuna de Paris, ela escreve à Madre Alexandrina: 
     “Permiti, minha querida Mãe, que vos deseje um bom Aleluia, bem como a todas as queridas Irmãs. Nós deveríamos mais chorar do que nos regozijar vendo nossa pobre França tão endurecida e tão cega.
     “Quanto Nosso Senhor é ofendido! Roguemos muito por esses pobres pecadores, a fim de que eles se convertam: apesar de tudo, são nossos irmãos! Peçamos a Nosso Senhor e à Santíssima Virgem que transformem esses lobos em cordeiros” (Carta à Madre Alexandrina Roques, de 3/4/1872, p. 78). 
     Já em 1875, numa outra carta, fazendo alusão aos massacres cometidos em Paris durante o advento da Terceira República e das grandes enchentes na região de Lourdes, ela diz à sua irmã Maria, em carta de 4 de julho:
     “O bom Deus nos castiga, mas é sempre pai. As ruas de Paris foram regadas pelo sangue de um grande número de vítimas, e isso não foi suficiente para tocar os corações endurecidos no mal; foi necessário que as ruas do Sul fossem também lavadas e que elas tivessem também suas vítimas. Meu Deus! Como o homem é cego se não abre seu coração à luz da fé! Depois de infelicidades tão terríveis, não teremos a tentação de nos perguntar o que teria podido provocar esses terríveis castigos?
     “Escutemos bem, e ouviremos uma voz, no fundo de nosso coração, a nos dizer: é o pecado, sim, o pecado, pois que é a maior infelicidade que nos atrai todos os castigos. O mal que cometemos com malícia cai sobre nós. Eis a felicidade e as vantagens que nos procuram a obra do pecado. Ó meu Deus, perdoai-nos e fazei-nos misericórdia” (pp. 97-98).
     Ela pensa nos militares que tinham de manter a ordem e a disciplina durante esses tempos calamitosos. Assim, diz a seu irmão, que havia se engajado no exército: 
     “Eu sei que os militares têm muito que sofrer em silêncio. Se eles tivessem o cuidado de dizer todas as manhãs ao levantar-se estas curtas palavras a Nosso Senhor: ‘Meu Deus, hoje eu quero fazer tudo e sofrer tudo por vosso amor’, quantos méritos adquiririam para a eternidade.
     “Um soldado que fizesse isso e fosse fiel aos seus deveres de cristão tanto quanto lhe seja possível, teria tanto mérito quanto um religioso.
     “Com efeito, o religioso não pode esperar recompensa de seus trabalhos e de seus sofrimentos senão pelo que tiver sofrido e trabalhado para comprazer a Nosso Senhor” (Carta a João Maria, de 1/7/1876, p.109).
“Nossa família é mais numerosa no Céu”
Santa Bernadette religiosa em Nevers
     Sua irmã Maria, que já tinha perdido três filhos, perde a última filha que lhe restava. A carta que lhe escreve Santa Bernadette é cheia de espírito sobrenatural:
     “Adoremos sempre e bendigamos a mão poderosa de Nosso Senhor, que não nos atinge senão para nos curar e nos fazer ver o nada das coisas desta miserável Terra, onde não estamos senão de passagem.
     “Eu compreendo que para o coração de uma mãe é bem triste, eu diria mesmo cruel, perder seu quarto filho.
     “É certo que a prova é bem rude. Mas quando olho as coisas com os olhos da fé, não posso me impedir de exclamar: feliz mãe que envia anjos ao Céu, que rezarão por ti e por toda a tua família. Eles serão nossos protetores junto de Nosso Senhor e da Santíssima Virgem. [...]
     “Coragem: nossa família é mais numerosa no Céu do que na Terra. Rezemos, trabalhemos e soframos tanto quanto agradar a Nosso Senhor. Talvez daqui a pouco partilharemos sua felicidade” (Carta de 26/8/1876, p.115).
Em carta ao Papa: “Há muito que sou um zuavo”
     O Beato Pio IX também faleceu não muito depois: em 7 de fevereiro de 1878. Ele deixou a Terra em meio a grandes sofrimentos provocados pelos inimigos da Igreja que invadiram e usurparam os Estados Pontifícios, dos quais o Papa é rei.
     Naquela data brilharam pelo seu heroísmo os zuavos pontifícios, muitos dos quais morreram em combate defendendo o reino do Papa.
     A eles se refere Santa Bernadette quando diz “há já alguns anos que eu me constituí pequeno zuavo” (3). Seu coração estava junto com aqueles bravos soldados que davam sua vida pela Igreja no campo de batalha.
     Para os inimigos da Igreja Santa Bernadette tem essa frase de conteúdo profético que faz pensar em La Salette e Fátima: Nossa Senhora “se dignará colocar ainda mais uma vez Seu pé sobre a cabeça da serpente maldita, e dar assim um termo às cruéis provações da Santa Igreja e às dores de seu augusto e Bem-Amado Pontífice”.
     Eis a carta:
     Santa Bernadete com as freiras do hospital de Lourdes
     Santíssimo Padre, eu jamais teria ousado tomar a caneta para escrever a Vossa Santidade, eu, pobre Irmãzinha, se nosso digno bispo, Mons. de Ladoue, não me tivesse encorajado. (...)
     Eu temi, de início, ser demasiado indiscreta; depois me veio ao pensamento que Nosso Senhor ama de ser importunado, tanto pelos pequenos quanto pelos grandes, pelo pobre e pelo rico, e que Ele se dá a cada um de nós sem distinção.
     Esse pensamento me deu coragem e, portanto, não tenho mais medo. Aproximo-me de Vós, Santíssimo Padre, como uma criancinha pobre até ao mais tenro dos Pais, cheia de abandono e de confiança.
     O que poderia eu fazer, Santíssimo Padre, para Vos testemunhar o meu amor filial? Eu não posso senão continuar o que fiz até o presente, isto é, sofrer e rezar.
     Há já alguns anos que eu me constituí, apesar de indigna, pequeno zuavo de Vossa Santidade; minhas armas são a oração e o sacrifício, que conservarei até o meu último suspiro.
     Somente então cairá a arma do sacrifício, mas a da oração me acompanhará até o Céu, onde será bem mais poderosa do que nesta terra de exílio.
     Eu rezo todos os dias ao Sagrado Coração de Jesus e ao Coração Imaculado de Maria para que Vos conservem ainda por muito tempo entre nós, porquanto Vós Os fazeis conhecer e amar tão bem.
     Eu tenho a doce confiança de que esses Corações Sagrados se dignarão de atender este desejo, que é o mais querido do meu coração.
     Parece-me, quando rezo nas intenções de Vossa Santidade, que do Céu a Santíssima Virgem deve com frequência pousar seu olhar materno sobre Vós, Santíssimo Padre, porque Vós A proclamastes Imaculada. “Eu sou a Imaculada Conceição” (no dialeto que falava Santa Bernadete).
     Gosto de pensar que Vós sois particularmente amado por esta boa Mãe porque, quatro anos depois, Ela própria veio a esta terra para dizer: “Eu sou a Imaculada Conceição”.
     Eu não sabia o que isso significava, eu nunca havia ouvido esta palavra. Depois, refletindo, eu me disse com frequência: como é boa a Santíssima Virgem. Dir-se-ia que Ela veio confirmar a palavra do nosso Santo Padre.
     É isso que me faz acreditar que Ela deve Vos proteger muito especialmente.
     Espero que esta boa Mãe tenha piedade de seus filhos, e que Ela se dignará colocar ainda mais uma vez Seu pé sobre a cabeça da serpente maldita, e dar assim um termo às cruéis provações da Santa Igreja e às dores de seu augusto e Bem-Amado Pontífice.
     Osculo humildemente os vossos pés e sou, com o mais profundo respeito, Santíssimo Padre, de Vossa Santidade a humílima e muito submissa filha.
Irmã Marie-Bernard Soubirous 
_________________
Notas:
1. Dom Prospero GuérangerEl Año Litúrgico, Editorial Aldecoa, Burgos, 1956, tomo II, p. 779.
2. As cartas são traduzidas da obra Soeurs de la Charité de NeversSainte Bernadette d’après ses lettres, P. Lethielleux, Paris, 1993.
3. “Zuavo Pontifício”. Nome do corpo de infantaria francesa, originalmente recrutado na Argélia, composto por voluntários católicos que se dispuseram a proteger o Papa Bem-aventurado Pio IX contra os revolucionários que invadiram os Estados Pontifícios. Foram acrescidos de voluntários alemães, franceses, belgas, romanos, canadenses, espanhóis, irlandeses e ingleses.

Fonte: Plinio Maria Solimeo, Catolicismo http://catolicismo.com.br/
https://ipco.org.br/santa-bernadette-a-santa-que-achava-pertencer-a-tropa-de-elite-do-papado/

Santa Bernadette Soubirous – 18 de fevereiro


     A incorruptibilidade do corpo de Santa Bernadette Soubirous é um dos casos mais assombrosos e estudados pela medicina.
     Nesta semana que se comemora a grande festa de Lourdes (11 de fevereiro) e a festa de Santa Bernadette (18 de fevereiro na França, porém no 16 de abril alhures) é proporcionado voltarmos sobre o caso.
     Desde 3 de agosto de 1925, o corpo intacto da Santa se encontra exposto numa urna de cristal na capela do convento de Saint-Gildard, na cidade de Nevers, França. A cidade fica na Borgonha, a 260 km ao sul-sudeste de Paris.
Primeira exumação
     Em 22 de setembro de 1909, trinta anos após o velório, seu cadáver foi exumado pela primeira vez e o corpo encontrado intacto.
     Os Drs. Ch. David e A. Jordan, que conduziram esta primeira exumação, escreveram no relatório da perícia:
“O caixão foi aberto na presença do Bispo e do Prefeito de Nevers, seus principais representantes e diversos religiosos.
“Não notamos nenhum odor.
“O corpo estava vestido com o Hábito da Ordem a que pertencia Bernadette. O Hábito estava úmido.
“Apenas a face, mãos e antebraços estavam descobertos.
“A cabeça estava inclinada para a esquerda. A face estava lânguida e branca. A pele estava apegada aos músculos e estes apegados aos ossos.
“As cavidades oculares estavam cobertas pelas pálpebras […]
“Nariz dilatado e enrugado. Boca levemente aberta e se podia ver os dentes no lugar.
“As mãos, cruzadas sobre o peito, estavam perfeitamente preservadas, bem como suas unhas. As mãos seguravam um terço. Podia se observar as veias no antebraço.
“Os pés estavam enrugados e as unhas intactas.
“Quando o Hábito foi removido e o véu levantado de sua cabeça, pode se observar um corpo rígido, pele esticada […]
“Seu cabelo estava com um corte curto e bem preso à cabeça. As orelhas estavam em perfeito estado de conservação […]
“O abdome estava esticado, assim como o resto do corpo. Ao ser tocado, tinha um som como de papelão.
“O joelho direito estava mais largo que o esquerdo.
“As costelas e músculos se observavam sob a pele […]
“O corpo estava tão rígido que podia ser virado para um lado e para o outro […]
“Em testemunho de que temos corretamente escrito esta presente declaração, a qual representa a verdade em sua totalidade.
Nevers, 22 de setembro de 1909, Drs. Ch. David, A. Jourdan”.
Segunda exumação
     Em 1919, dez anos depois da primeira exumação, realizou-se uma segunda exumação do corpo de Santa Bernadette, conduzida desta vez pelos Doutores Talon e Comte, com a presença do Bispo da cidade de Nevers, bem como do Delegado de Polícia e representantes da Prefeitura e da Igreja.
     A situação encontrada foi exatamente a mesma da primeira exumação.
Terceira exumação
     Por fim, a 18 de novembro de 1923, Sua Santidade o Papa Pio XI assinou decreto reconhecendo a heroicidade das virtudes de Bernadette.
     Após a beatificação da Santa, foi efetivada uma terceira exumação em 12 de junho de 1925. O objetivo era a retirada de “relíquias” de seu corpo. A canonização viria oito anos mais tarde, em 1933.
     Sobre esta última exumação, escreveu o Dr. Comte em seu relatório, em termos forenses que por vezes espantam aos leigos, mas que nos permitem medir com exatidão o grau da incorruptibilidade do corpo da Santa.
     Naquela época foi confeccionada a urna de cristal que guarda o corpo de Santa Bernadette. As freiras cobriram seu rosto e as mãos com uma camada fina de cera.
     A urna se encontra hoje numa bela capela fora da clausura para que possa ser visitada.
     O corpo milagrosamente preservado de Santa Bernadette encoraja os visitantes a imitarem a vida de Santa Bernadette e levarem a sério as mensagens transmitidas pela vidente da Imaculada Conceição.

Fontes:
http://www.catholicpilgrims.com/lourdes/bb bernadette body.htm
http://www.lepanto.com.br/

(cont.)

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

Santa Gobnat (Gobnait) Virgem - 11 de fevereiro

    
Antiga gravura em que a Santa é representada
cuidando de colmeias; vê-se no alto, os cervos
brancos, conforme narrativa em sua vida. 
     Santa Gobnat (também conhecida como Gobnait ou Mo Gobnat ou Abigail ou Débora) é o nome de uma santa irlandesa cuja igreja se encontrava em Móin Mór, depois chamado Bairnech, na cidade de Ballyvourney, Comarca de Cork, na Irlanda. Sua igreja e convento ficavam às margens entre Múscraige Mittine e Eóganacht Locha Léin.
     Gobnat nasceu na Comarca Clare no século V ou VI, e diz-se que era irmã de São Aban. Ela escapou de uma contenda familiar e se refugiou em Inis Óir nas Ilhas Aran. Ali um anjo apareceu e disse a ela que aquele “não era o local de sua ressurreição” e que ela deveria procurar por um local onde ela encontraria 9 cervos pastando. Ela encontrou o local atualmente chamado Floresta de St. Gobnet. São Aban trabalhou com ela na fundação de um convento ali e colocou-a como sua abadessa. São Aban também está associado com abelhas.
     A sabedoria celta tinha as abelhas em alta estima, acreditando que a alma deixava o corpo como uma abelha ou uma borboleta. A Santa dirigiu um convento e dedicou seus dias a ajudar os doentes. É dito que Gobnait adicionou a apicultura aos seus trabalhos, desenvolvendo uma afinidade com as abelhas ao longo da vida.  Tem sido especulado que ela usou o mel como um auxiliar de cura. Acredita-se que ela salvou os moradores de Ballyvourney da praga. Há uma história que narra como ela expulsou um bandido mandando um enxame de abelhas atrás dele, fazendo-o devolver o gado que havia roubado.
     O mel, a cera, o pólen e outros benefícios das abelhas eram considerados tão importantes que no século VII alguém escreveu as antigas leis chamadas Bechbretha, que se traduz em "julgamentos de abelhas". Essas leis incluíam seis termos diferentes para os tipos de enxames de abelhas, as maneiras adequadas de decidir a posse de um enxame de abelhas, como punir o roubo de colmeia ou mel, a caridade com que um apicultor deve oferecer mel aos seus vizinhos e a invasão das abelhas.
     Enquanto seu foco era o trabalho pastoral, cuidar de suas colmeias, curar os doentes e dirigir uma comunidade religiosa feminina, Santa Gobnat não era apenas uma freira plácida: as escavações feitas na igreja em Ballyvourney produziu evidências consideráveis ​​de trabalho em metal e fundição. Por isso ela era originalmente a patrona dos trabalhadores do ferro.
     O poço de Santa Gobnat (também conhecido como poço de Santa Debora ou de Abigail) está situado no Norte de Ballyagran, em um campo alto à esquerda da estrada para Castletown. Havia um padrão no local até 1870. O poço já secou, mas o local ainda é conhecido. Dizem que às vezes um veado branco pode ser visto no poço.
      Em 1601, o Papa Clemente VIII concedeu uma indulgência especial àqueles que, no dia de Santa Gobnat, visitassem a igreja paroquial, confessassem e comungassem, pedindo a paz entre os "príncipes cristãos", a expulsão da heresia e a exaltação da Santa Igreja.
     A santa ainda é venerada localmente e está entre um grupo de santos irlandeses cujo dia da festa recebeu reconhecimento nacional e não apenas local. Os principais centros de devoção a Gobnat são: um oratório medieval em Inis Oírr (Ilhas Aran) chamado Cill Ghobnait; Dún Chaoin em West Kerry e Balleyvourney, perto da fronteira Cork / Kerry. Ela é retratada em um vitral na Capela Honan em Cork feito pelo artista Harry Clarke em 1916.
     Santa Gobnat é a padroeira das abelhas e dos apicultores, e 11 de fevereiro é o dia da sua festa.
 
Detalhe do poço de Santa Gobnat
Fontes:

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

Beata Josefina Gabriela Bonino, Virgem e fundadora – 8 de fevereiro

Martirológico romano: Em Savigliano, no Piemonte, a beata Josefina Gabriela Bonino, virgem, fundadora da Congregação da Sagrada Família de Nazaré para a educação de órfãos e assistência aos doentes pobres.

     A vocação religiosa da Beata Josefina Gabriela Bonino foi uma feliz combinação da oração contemplativa e do compromisso ativo na vinha do Senhor, entre as pessoas e para as pessoas.
     Ela nasceu em Savigliano (Cuneo), diocese de Turim, em 5 de setembro de 1843, em uma família rica e profundamente religiosa. Na fonte batismal recebeu os nomes de Ana Maria Madalena Josefina. Como costume na época, ela teve uma primeira educação em casa. Por um privilégio especial, ela fez a 1ª. Comunhão aos sete anos; no ano seguinte recebeu a Crisma. Desde pequena foi muito devota de Nossa Senhora.
     Em 1855, ela se mudou com sua família para Turim por causa dos compromissos profissionais de seu pai, que era médico. Ela frequentou o ensino médio nas Irmãs de São José, crescendo em sua vida interior; aos dezoito anos obteve permissão do seu diretor espiritual para fazer um voto temporário de virgindade. Na capital da Saboia, naqueles anos floresciam as extraordinárias obras dos chamados "santos sociais".
     Aos 26 anos, ela voltou para Savigliano. Por cinco anos ajudou amorosamente seu pai doente, até sua morte. Enquanto isso, ela trabalhava cada vez mais nas atividades de sua paróquia de São Pedro, tornando-se também reitora e presidente da Pia União das Filhas de Maria local. A partir de 1875, estreitou fortes laços com o trabalho de assistência realizado por Joana Colombo para as órfãs da cidade, trabalho que era criticado pela “gente bem” da sua terra natal.
     Atraída pela espiritualidade carmelita, ela ingressou na Ordem Terceira, fazendo a profissão dois anos depois (19 de março de 1877, festa de São José). No ano anterior, também se juntou à Ordem Terceira Franciscana da Penitência.
     Atingida por uma neoplasia na coluna vertebral, em 21 de maio de 1876 submeteu-se a uma dolorosa cirurgia sem que produzisse efeito a anestesia aplicada. Sua cura foi considerada uma proteção celestial de Maria e, em setembro de 1877, Josefina foi a Lourdes com sua mãe para agradecer à Santíssima Virgem. Ali amadureceu a decisão definitiva de consagrar-se ao Senhor no serviço do próximo. No final desse ano, sua mãe também morreu. Ela continuou sua colaboração na Obra Colombo e, por sugestão de seu diretor espiritual, o Cônego Luís Davicino, acrescentou a ela um hospital e dedicou-o à Sagrada Família
     Em 1880, ela se retirou em um mosteiro para se preparar espiritualmente para sua fundação, primeiro entre as Carmelitas de Moncalieri, depois nas Visitandinas de Pinerolo. Embora ela ainda sentisse o desejo de entrar em uma clausura, ela decidiu dar vida a uma nova família religiosa para ajudar os necessitados, sejam eles órfãos, idosos, doentes ou meninas a serem instruídas. O modelo era a Sagrada Família de Nazaré: humilde e trabalhadora.
     Com a idade de trinta e oito ela foi eleita Superiora e permaneceu no cargo até sua morte. Em 8 de setembro de 1887, festa da Natividade de Maria, obteve a aprovação canônica diocesana do Instituto, e em 6 de outubro, com onze outras companheiras, fez a profissão solene com o nome de Irmã Josefina Gabriela de Jesus.
     Nos anos seguintes, empregou todas as suas energias e a herança herdada de seus pais na construção da Casa Mãe em Savigliano, com uma igreja adjacente, e na formação das Irmãs. Ela fundou outras cinco comunidades e em homenagem a Nossa Senhora queria que a primeira fosse próxima do Santuário de Loreto. Por 25 vezes se hospedou ali visitando diariamente a Santa Casa de Loreto.
   Ela faleceu em Savona, aos 62 anos, devido a uma pneumonia fulminante, em 8 de fevereiro de 1906. Seu corpo foi enterrado no cemitério de Savigliano, para depois ser transferido para a igreja da Casa Mãe em 8 de abril de 1961.
     Hoje sua obra, além da Itália, pela ação de suas Irmãs vive também em terras missionárias (Camarões e Brasil). Madre Josefina Gabriela foi beatificada por João Paulo II em 7 de maio de 1995. A Arquidiocese de Turim celebra sua memória opcional em 8 de fevereiro.



Fontes: www.santiebeati.it/ 

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

Beata Francisca Mézière, Virgem e mártir - 5 de fevereiro

Martirológio Romano: Em Laval, na França, Beata Francisca Mézière, virgem e mártir, que, dedicada a educar crianças e a tratar de doentes, durante a Revolução Francesa foi morta por ódio à fé cristã que professava.

     Francisca Mézière nasceu em Mézangers no dia 25 de agosto de 1745 e foi batizada no mesmo dia. Seu pai, René Mézière, excelente cristão, morava na fazenda Maulorière, que pertencia à abadia de Evron. Trabalhador inteligente e consciencioso, soube tirar proveito daquelas terras, e conseguiu elevar seus lucros progressivamente. Era por isto muito estimado pelo padre ecônomo da abadia, que em reconhecimento reconstruiu a casa onde a família habitava e batizava os seus nove filhos.
     Francisca cresceu enfrentando vários lutos. Aos 4 anos perdeu sua mãe, Francisca Rousseau. Para cuidar de seus seis filhos, René casou-se novamente no fim de 1749. Sua segunda esposa, Maria Heurtebise, lhe deu mais três filhos e faleceu em 1754. Alguns meses antes ele havia enterrado a irmã mais velha de Francisca. René se casa novamente em 1758.
     Era um período em que se desenvolvia largamente no Bas-Maine a obra dita das “pequenas escolas”. Em Evron, em 1720, havia uma dessas instituições dirigida pelas Irmãs da Chapelle-au-Riboul. Elas dirigiam também uma organização segundo os métodos de São Vicente de Paula que, nos anos 1768, 1769, 1770, as tornaram particularmente ativas e prósperas.
     Foi junto à essas Irmãs que Francisca recebeu uma sólida formação religiosa e cultural. Ela quis fazer-se religiosa, mas sem emitir votos, fato que a fez ingressar na chamada “irmãs da escola e da caridade”. Desde jovem se consagrou a trabalhar nas escolas paroquiais. Embora não fosse propriamente religiosa das Irmãs da Caridade, como elas se dedicava à educação e ao cuidado dos doentes na diocese de Laval, e em 1772 foi enviada para Saint-Léger-en-Charnie, para cuidar da escola paroquial e dos doentes, atendendo-os material e espiritualmente.
     Ela visitava os doentes e logo estes notaram que ela era “capaz de cuidar de todo tipo de ferimentos”. Ela também se ocupava na lavagem das roupas da igreja e de preparar os altares. De 1770 a 1789, Francisca viveu os anos mais tranquilos e felizes de sua existência. Durante esses 19 anos, houve dias de luto, de tristeza, mas que afetaram pouco seu estado de alma. 
     Quando a Revolução Francesa iniciou e os dois sacerdotes da paróquia se negaram a prestar o juramento constitucional e tiveram que abandonar a paróquia e exercer seu ministério clandestinamente, Francisca os ajudou em tudo que pode.
     Em 14 de abril de 1791, a República quis impor o juramento de “liberdade e igualdade”, que implicava na negação dos votos religiosos. Como professora da escola, Francisca devia assiná-lo e, como as monjas, se negou, por isso teve que abandonar a escola. Começou então a cuidar dos doentes nas povoações ao redor de Saint-Léger. Uma vez mais, como enfermeira, foi convidada a firmar o juramento em julho de 1792, e novamente se negou a fazê-lo. A partir de então teve que atuar com precaução.
     Quando Laval foi tomada pelo exército contra-revolucionário vendeano, as coisas pareciam que voltariam a seu estado primitivo, mas eles sofreram uma derrota. Na segunda metade do mês de janeiro de 1794, Francisca fica sabendo da presença de pobres soldados errantes e famintos. Após a batalha de Mans, soldados vendeanos penetraram até o bosque de Montecler, próximo ao povoado de Saint-Léger.
     A corajosa católica acolheu sete em uma primeira cabana e dois em outra. Um desses últimos estava ferido; ela cuidou das suas chagas e a todos alimentou. Mas os dois pobres refugiados da segunda cabana foram descobertos e levados para Evron no dia 2 de fevereiro. Por sua vez, descoberta, Francisca foi detida em Baillée na noite de 4 para 5 de fevereiro e conduzida à Evron.
     Pelas 10 h, em uma charrete cercada de guardas a cavalo, os três prisioneiros partem para Laval: deviam comparecer diante do tribunal da famosa comissão Clemente. Francisca se negou a prestar juramento ao chamado “liberdade-igualdade”, foi acusada de ajudar os fugitivos vendeanos e de negar ajuda aos soldados da República, e de insultar a esta. Foi condenada à morte pela comissão militar revolucionária do departamento de Mayenne, junto com quatro pessoas que lhe eram completamente estranhas; foi guilhotinada no dia 5 de fevereiro de 1794
     O texto do juiz de Laval que a condenou à morte, a chamou "Víbora da raça sacerdotal". Ouvindo isto, Francisca não dissimulou sua alegria escutando a sentença capital. Ela fez uma reverência aos seus juízes e agradeceu o fato de propiciarem a ela a alegria de ir ver Deus no céu. Diante disto, um dos miseráveis juízes replicou com esta ignóbil blasfêmia: “Já que vais ver teu bom Deus, apresente-lhe minhas felicitações!”.
     É com tal dignidade que morrem os verdadeiros mártires.    
     O Papa Pio XII beatificou Francisca Mézière com os 14 mártires de Laval em 19 de junho de 1955, ao mesmo tempo que um pároco e três religiosas igualmente guilhotinados em 1794.

Mgr E. Cesbron, "I Martiri di Laval",

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

Madre Mariana de Jesus Torres, confidente de Nossa Senhora do Bom Sucesso – 2 de fevereiro

          
     Madre Mariana de Jesus Torres, religiosa espanhola do século XVI, é somente Serva de Deus e talvez por isso não se conhece muito sobre sua vida. Mas foi a ela que Nossa Senhora do Bom Sucesso apareceu, revelando-lhe eventos extraordinários que abalariam a Igreja nos tempos modernos – mais especificamente, no período do fim do século XIX a meados do século XX.
     Mariana Francisca, nasceu na Espanha em 1563 e foi uma alma eleita desde o berço. Um episódio particular de sua infância aponta a incomum virtude que ela já demonstrava: um incêndio que atingiu a igreja próxima à sua casa impedia-a de ir adorar Jesus Sacramentado, deixando-a desolada. Pouco tempo depois, ela recebeu a 1ª. Comunhão e, em uma visão mística, Jesus revelou-lhe a sua vocação religiosa. Sua vida foi um contato contínuo com o sobrenatural. As aparições de Nosso Senhor, de Sua Santa Mãe, de Santos e de demônios, eram-lhe frequentes
    Aos 13 anos de idade, com sua tia Madre Maria, religiosa concepcionista, e mais algumas outras religiosas, foi para a cidade de Quito, no Equador, para a fundação do Mosteiro Real da Imaculada Conceição. No caminho o demônio apareceu querendo destruir a embarcação para que o Mosteiro não fosse fundado. Mas Nossa Senhora venceu o inimigo e as águas do mar se acalmaram, pois o demônio produzia grandes ondas a fim de afundar o navio.
     Durante a tempestade, Mariana e sua tia viram no mar "uma serpente monstruosa de sete cabeças" que dizia: "Não permitirei a fundação; não permitirei que progrida; não permitirei que se conserve até o fim dos tempos e a todo momento a perseguirei".
     De fato, nesse convento de Quito, haveria uma fidelidade prometida pelo Senhor: ali, sempre existiria uma religiosa santa e o mosteiro serviria como uma espécie de para-raios, a fim de conter os castigos divinos sobre a humanidade.
     Em Quito, Mariana, não tendo idade suficiente para a vida religiosa, limitava-se a ajudar sua tia "nas fainas domésticas e na instalação dos locais de trabalho da Comunidade". Mas, tão logo cresceu fez seu noviciado e professou seus votos, vivendo uma vida cheia de visões, experiências místicas e penitências rigorosíssimas.
     Quando tinha 19 anos de idade, Madre Mariana é visitada por Jesus sofredor, que lhe mostra os castigos que cairão sobre os homens do século XX. Então, ela "Viu três espadas sobre a cabeça do Santo Cristo, e que em cada uma dizia: castigarei a heresia, a blasfêmia e a impureza. (...) A Santíssima Virgem disse então: 'Queres, minha filha, sacrificar-te por esse povo?' Ao que respondeu: 'Minha vontade está pronta'. E imediatamente as espadas se desprenderam do Santo Cristo, cravando-se no coração de Madre Mariana, a qual caiu morta pela violência da dor".
     Nesse instante, Mariana apresenta-se diante de Deus. Jesus apresenta-lhe duas coroas – "uma de glória imortal, cuja formosura ela não podia exprimir e outra de açucenas cercadas de espinhos" – e pede-lhe que faça uma escolha. Ela, compreendendo o significado das duas coroas e aconselhada pela Virgem Santíssima, escolhe, "humilde e resignada, a coroa de açucenas coroada de espinhos e voltou ao mundo para sofrer".
     Perseguida por religiosas que não queriam viver nem o rigor da regra franciscana nem uma vida de verdadeira penitência, aprisionada injustamente por quatro vezes, Madre Mariana aceitava resignada todas as humilhações e sofrimentos, oferecendo-as pelas pessoas do século XX.
"Sou Maria do Bom Sucesso, Rainha do Céu e da Terra"
     No dia 2 de fevereiro de 1594 a Santíssima Virgem apareceu pela primeira vez à Madre Mariana, então Priora das Concepcionistas. Comemora-se, pois, a 2 de fevereiro a festa litúrgica dessa admirável invocação mariana.
     Madre Mariana, com a fronte em terra, com lágrimas e suspiros, suplicava à Divina Majestade remédio para os muitos males que afligiam aquela colônia e seu convento. Ouviu então uma voz celestial que a chamava pelo nome. Viu à sua frente Nossa Senhora refulgindo em meio a imensa claridade. Trazia o Menino Jesus no braço esquerdo, e um báculo de ouro na mão direita.
     - "Sou Maria do Bom Sucesso, Rainha dos Céus e da Terra", declarou-lhe a Mãe de Deus. "Tuas orações, lágrimas e penitências são muito agradáveis a nosso Pai celestial. Quero que fortaleças teu coração e que o sofrimento não te abata. Tua vida será longa para glória de Deus e de sua Mãe, que te fala. Meu Filho Santíssimo te presenteia com a dor em todas as suas formas. E, para infundir-te o valor que necessitas, toma-O de meus braços nos teus".
     Ao tomar o Menino Jesus nos braços, sentiu um desejo maior de sofrer e de se consumir como vítima para aplacar a Justiça Divina, se possível, até o fim do mundo.
     Na seguinte aparição, em 16 de janeiro de 1599, Nossa Senhora deu-lhe conhecimento de vários fatos futuros. E declarou a Madre Mariana de Jesus:
     "É vontade de meu Filho Santíssimo que tu mandes executar uma estátua minha tal qual me vês, e a coloques sobre a cátedra da Priora para que daí governe meu Mosteiro. Que os mortais entendam que Eu sou poderosa para aplacar a Justiça Divina e alcançar piedade e perdão a toda alma pecadora que a mim recorra com coração contrito. Porque eu sou a Mãe de Misericórdia, e em mim não há senão bondade e amor".
     Durante os anos seguintes, Madre Mariana sofreu um terrível calvário e foi só a 5 de fevereiro de 1610 que o escultor foi chamado.
     Francisco del Castilho, espanhol de nobre linhagem, recebeu a encomenda como uma graça do Céu. E a 9 de janeiro seguinte declarou que a imagem estava praticamente pronta. Faltava a última demão de pintura. Ele iria procurar as melhores tintas existentes na Colônia, e voltaria no dia 16 para concluir o trabalho.
     Na madrugada desse dia, quando as religiosas se dirigiram ao Coro para rezar o Ofício, encontraram-no todo iluminado por luz sobrenatural, e ouviram vozes angélicas que cantavam o "Salve Sancta Parens".   
  Da Imagem inacabada saíam raios vivíssimos. A pintura-base aplicada por Del Castilho caía ao solo junto com aparas de madeira, os traços da Imagem tornavam-se mais suaves e sua fisionomia mais celeste. Mas somente Madre Mariana via que, como pedira, São Francisco e os três Arcanjos refaziam a Imagem.
     Francisco del Castilho lavrou um documento no qual sob juramento declarava que encontrara a imagem terminada de maneira diferente da que deixara. Entregou o documento às religiosas para perpetuar a prova do milagre.
Nossa Senhora do Bom Sucesso profetiza sobre os séculos XIX e XX
     Madre Mariana contou pessoalmente os detalhes do ocorrido ao Bispo de Quito. E acrescentou algo que nos diz muito respeito: - "É vontade de Deus reservar esta invocação e tua vida", dissera-lhe Nossa Senhora, "para aquele século, quando a corrupção de costumes será quase geral e a luz preciosa da Fé estará quase extinta" (II, 193) (2).
     Em uma aparição a 8 de dezembro de 1634, a Rainha do Céu e da Terra assim profetizou a Madre Mariana: "O meu culto sob a consoladora invocação do Bom Sucesso ... será a sustentação e salvaguarda da Fé na quase total corrupção do século XX" (II, 190).
Profecias já realizadas
     Para se avaliar a credibilidade de previsões feitas por uma pessoa, abarcando épocas diferentes, é de boa lei considerar se algumas já se cumpriram e de que modo. No caso de Madre Mariana de Jesus Torres, é historicamente comprovado que a maior parte das revelações que Nossa Senhora lhe fez se cumpriram. E com tanta exatidão, que não seria prudente pôr em dúvida o que ainda está por se realizar.
- Independência do Equador
     Entre essas várias revelações, citamos a da aparição de 16 de janeiro de 1599: "A pátria em que vives deixará de ser Colônia e será República livre, conhecida pelo nome de Equador. Então necessitará de almas heroicas para sustentar-se através de tantas calamidades públicas e privadas" (I, 67)).
- "Presidente verdadeiramente cristão" que receberá a palma do martírio
     "No século XIX haverá um presidente verdadeiramente cristão, varão de caráter, a quem Deus Nosso Senhor dará a palma do martírio na praça onde está este meu convento. Ele consagrará a República ao Divino Coração de meu Filho Santíssimo e esta consagração sustentará a Religião Católica nos anos posteriores, os quais serão aziagos para a Igreja" (Id).
- Proclamação dos dogmas da Imaculada Conceição e da Assunção de Nossa Senhora
     Na aparição de 2 de fevereiro de 1634, Nossa Senhora do Bom Sucesso entregou o Menino Jesus a Madre Mariana. Este revelou-lhe: "O dogma de fé da Imaculada Conceição de Minha Mãe será proclamado quando mais combatida estiver a Igreja e encontrar-se cativo meu Vigário. Do mesmo modo [será proclamado] o Dogma de fé do Trânsito e Assunção em corpo e alma aos Céus de minha Mãe Santíssima" (II, 87).
- O Santo Cura d'Ars
     Na última aparição à sua fiel serva, em 8 de dezembro de 1634, ao falar da decadência do Clero no século XX, Nossa Senhora anunciou também a presença do Cura D'Ars nestes termos: "Os sacerdotes, a partir do século XIX, deverão amar com toda a alma João Maria Vianney, um servo meu que a Bondade Divina prepara para com ele agraciar aqueles séculos como modelo exemplar do sacerdote abnegado" (II, 191).
* * *
Algumas profecias que se estão cumprindo
     Para indicar o agente da crise tão catastrófica que descreve em suas profecias sobre os séculos XIX e XX, Nossa Senhora do Bom Sucesso se refere às heresias em geral e às seitas, ou simplesmente à seita. Essas heresias ou seitas teriam poder para estender suas garras desde o recinto sagrado do Templo até o lar, influenciando perniciosamente todos os campos da atividade humana.
- Libertinagem, impureza, corrupção das mulheres e crianças
     “A seita, havendo-se apoderado de todas as classes sociais, "possuirá sutileza para introduzir-se nos ambientes domésticos, que perderão as crianças. Nesse tempo infausto mal se encontrará a inocência infantil. Desta forma perder-se-ão as vocações para o sacerdócio e será uma verdadeira calamidade" (II, 135).
- A virgindade praticamente desaparecerá
     "A atmosfera saturada do espírito de impureza que, à maneira de um mar imundo, correrá pelas ruas, praças e logradouros públicos... Quase não haverá almas virgens no mundo. A delicada flor da virgindade, tímida e ameaçada de completa destruição, luzirá de longe" (II, 135).
- Porta aberta para o divórcio, concubinato, filhos ilegítimos, educação laica...
     "Quanto ao Sacramento do Matrimônio, que simboliza a união de Cristo com a Igreja, será atacado e profanado em toda a extensão da palavra. .... Impor-se-ão leis iníquas com o objetivo de extinguir esse Sacramento, facilitando a todos viverem mal, propagando-se a geração de filhos malnascidos, sem a bênção da Igreja. Irá decaindo rapidamente o espírito cristão.
     "Apagar-se-á a luz da Fé até se chegar a uma quase total e geral corrupção de costumes. Acrescidos ainda os efeitos da educação laica, isto será motivo para escassearem as vocações sacerdotais e religiosas" (II,6 e 7).
- Dar-se-á pouco valor à Extrema-Unção
     "Nesse tempo o Sacramento da Extrema Unção, posto que faltará nesta pobre Pátria o espírito cristão, será pouco considerado. Muitas pessoas morrerão sem recebê-lo por descuido das famílias...
- A Sagrada Eucaristia será profanada e calcada aos pés
     "O mesmo sucederá com a Sagrada Comunhão. Mas, ai! quanto sinto ao te manifestar que haverá muitos e enormes sacrilégios públicos e também ocultos de profanação da Sagrada Eucaristia. .... Meu Filho Santíssimo ver-Se-á jogado ao chão e pisoteado por pés imundos".
     “Chegarão momentos nos quais parecerá tudo perdido. Então é chegada a minha hora, na qual Eu, de uma maneira assombrosa, destronarei ao soberbo Satanás, pondo-o abaixo de meus pés, encadeando-o no abismo infernal, deixando por fim livres a Igreja e a Pátria dessa cruel tirania”.
    No livro “A Vida Admirável da Rvda. Madre Mariana de Jesus Torres”, Frei Manoel relata pormenorizadamente as três mortes e duas ressurreições de Madre Mariana, sua atuação como religiosa modelar, seus sofrimentos e lutas, os estigmas de Nosso Senhor Jesus Cristo (os quais ela recebeu aos 25 anos) e outros fatos extraordinários de sua admirável vida mística.
     Seu corpo incorrupto se conserva, desde sua derradeira morte em 16 de janeiro de 1635, na capela de seu mosteiro.

Fontes:
http://catolicismo.com.br/
https://padrepauloricardo.org/


Corpo incorrupto de Madre Mariana de Jesus Torres,
que se encontra no Mosteiro em Quito, Equador