quarta-feira, 20 de junho de 2018

Nossa Senhora da Consolação, Venerada em Turim – 20 de junho

    
     Em Turim, Itália, a devoção à Nossa Senhora da Consolação, Patrona da Arquidiocese, chamada pelos italianos de “Consolata” (Consolada ou Consoladora), é certamente a mais acatada, além de ser a mais antiga. As origens são remotas: de acordo com a tradição, o bispo Máximo foi o construtor de uma antiga igreja mariana logo atrás das muralhas da cidade, perto da torre angular, cujos vestígios ainda são visíveis. Simbolicamente alinhado nas antigas muralhas, como prova de proteção, surge hoje o altar-mor onde a efígie veneradíssima é colocada. Original é o título de "Consolata", provavelmente uma antiga distorção do dialeto do título "Consolatrix afflictorum".
     No início da história da origem do santuário encontramos o velho rei Arduino de Ivrea, que se retirou na Abadia de Fruttuaria, e que teve em sonho uma ordem de Nossa Senhora, juntamente com São Bento e Santa Maria Madalena, para construir três igrejas dedicada a ela: a Consolata, a Belmonte em Canavese e a Crea em Monferrato.
     Em 20 de junho de 1104, a Virgem apareceu também a um cego de Briancon, João Ravachio, a quem Ela disse para ir a Turim, onde, encontrando uma pintura que a representasse, ele adquiriria a visão. O cego só conseguiu ser atendido pela empregada, que o acompanhou. Eles partiram e por um momento se lhe abriram os olhos, próximo de Pozzo Strada (onde hoje há a paróquia dedicada à Natividade de Maria), e ele viu ao longe a torre do sino da Igreja de Santo André (antigo título do Santuário). Quando ele finalmente chegou ao seu destino, cavando, encontrou a imagem da Virgem e alcançou a graça da visão. Provavelmente o ícone havia sido escondido para que não fosse destruído durante a fúria da heresia do bispo iconoclasta Cláudio.
     O bispo Mainardo, então residente em Testona di Moncalieri, acolheu a imagem milagrosa e ela foi recolocada com as devidas honras. Hoje esta imagem não existe mais. O complexo abacial de Santo André foi dirigido pelos beneditinos que ali haviam encontrado abrigo depois de terem fugido de Novalesa por causa dos ataques sarracenos. De sua presença resta a milenar e imponente torre do sino em estilo românico-lombardo, obra do monge construtor Bruningo, e as relíquias de São Valérico Abade, colocadas no altar dedicado a ele. Os beneditinos foram então substituídos pelos cistercienses reformados, chamados Fogliensi.
     A imagem hoje reverenciada foi um presente do Cardeal Della Rovere (o construtor da Catedral) e é atribuída a Antoniazzo Romano. O trabalho do final do século XV é inspirado em Nossa Senhora do Povo de Roma.
     A devoção da cidade à Virgem sempre foi acompanhada pela Casa Reinante. Os Saboia sempre atentos às várias intervenções construtivas, certificavam-se de que ali trabalhassem os melhores artistas. Guarino Guarini foi o responsável pelo layout atual do edifício, nascido da transformação da antiga Igreja de Santo André, enquanto o esplêndido altar-mor é obra de Felipe Juvarra. Em 1904, Carlos Ceppi, comissionado pelo reitor, o Beato José Allamano, acrescentou quatro capelas laterais dando a estrutura definitiva, que é muito original e adequada para o recolhimento e a oração. Também impressiona a riqueza dos mármores e estuques dourados.
     A devoção da cidade à Virgem da Consolação tem permanecido constante ao longo dos séculos, o povo e seus governantes ali se reuniam em oração tanto nas ocasiões felizes, quanto nas terríveis, centenas de ex-votos são disto testemunha.
     Entre os vários acontecimentos em que Ela foi invocada mais particularmente, recordamos o cerco da cidade pelos franceses em 1706. Turim resistiu heroicamente durante meses aos ataques do forte exército inimigo. Autêntico pai espiritual da cidade foi o já ancião Beato Sebastião Valfrè, oratoriano, confessor do Duque, capelão do exército, apoio moral do povo e inspirador do voto à Nossa Senhora de Vitorio Amadeu II, que vai se materializar na construção da Basílica de Superga na colina mais alta de cidade.
     Da clausura, a carmelita Beata Maria dos Anjos também indicava Maria Menina como libertadora. Depois do heroico gesto de Pedro Micca, a vitória aconteceu no dia 7 de setembro, véspera da festa da Natividade de Maria. Dezenas de pequenos pilares com a imagem da Consolata foram colocados ao longo do campo de batalha (o atual Borgo Vittoria). Uma bala de canhão, que ficou cravada perto da cúpula, ainda é visível hoje.
      Em 1835, durante a epidemia de cólera, a municipalidade fez um novo voto cujo principal promotor foi o decurião Tancredo di Barolo, o Servo de Deus. Em reconhecimento pelo número limitado de vítimas foi erguida uma coluna com uma estátua da Virgem fora do Santuário.
     Em 1852, a explosão da fábrica de pólvora na vizinha Borgo Dora, viu Paulo Sacchi, o novo Pedro Micca, evitar a tragédia. O vizinho hospital do Cottolengo foi severamente danificado, uma imagem da Consolata permaneceu ilesa nos escombros e, felizmente, nenhuma vítima foi registrada.
     Também durante as duas guerras mundiais, os turinenses se voltaram para sua Patrona: nos recorda disto centenas de dragonas militares, cruzes de guerra, colocados num quiosque do lado de fora e uma placa interior.
     O Santuário foi visitado por muitos santos. A lista é longa, lembramos São Carlos Borromeu e São Francisco de Sales, São José Bento Cottolengo, São João Bosco aqui liderando seus meninos de Valdocco, São José Cafasso (seus restos mortais são venerados aqui), São Leonardo Murialdo fora do portão implorava por suas obras, Santo Inácio de Santhià se recolhia longamente em oração durante a sua visita à cidade antes de escalar o Monte, o Beato Piergiorgio Frassati ali parava para a missa antes de ir atender aos pobres, São José Marello foi ali milagrosamente curado quando menino, a Beata Henriqueta Dominici do Instituto Santa Ana, o Venerável Bruno Lanteri, fundador dos Oblatos da Virgem Maria, dirigiu o Santuário.  
     Vários institutos religiosos tomaram o nome da Consolata: as Filhas da Consolata, as Irmãs de Maria SS. Consolata (denominadas "Consolatinas"), os Missionários e Missionárias da Consolata. Esses dois últimos Institutos foram fundados pelo Beato José Allamano, sobrinho de São José Cafasso e reitor do Santuário por 46 anos. Hoje esses filhos e filhas espirituais estão presentes nos mais remotos pontos do planeta. Em 1906, São Pio X conferiu o título de Basílica Menor ao Santuário. 
   A sua festa é celebrada em 20 de junho, precedida pela solene novena. Ao pôr-do-sol, a imagem de prata é levada em procissão pelas ruas do centro da cidade. Milhares de fiéis seguem-na precedidos por todos os religiosos e religiosas da cidade, de todas as confrarias e das associações católicas de serviço voluntário.
     Coração pulsante da Diocese, o Santuário é um oásis, em pleno centro da cidade, para temperar o espírito. As celebrações se sucedem quase ininterruptamente todos os dias e muitos padres estão sempre presentes para reconciliar com Deus quem o desejar.

Grupo das Rainhas, no interior do Santuário
Fonte: www.santiebeati.it/

segunda-feira, 18 de junho de 2018

Santa Juliana Falconieri, Virgem e Fundadora – 19 de junho


    
     Juliana nasceu no ano de 1270 em Florença, na Toscana. Ela recebeu muito da vida: a nobreza de linhagem, a riqueza de família, o amor apaixonado dos pais, que tinham esperado tanto o seu nascimento, considerando-a dom do céu e, portanto, merecedora de todas as atenções. Também recebeu a beleza física, propostas atraentes de casamento, uma boa educação. Além de tudo isto, um tio santo, Santo Aleixo Falconieri, que é um dos Sete Fundadores da Ordem dos Servos de Maria.
     Apesar desta combinação de dons naturais havia quem pensasse que essa menina linda, educada em algodão, como talvez todas as crianças nascidas quando seus pais são de idade avançada, era mais feita para o céu do que para a terra. E não se enganavam. Ela não sabia o que era um espelho, não se preocupava com suas roupas, não mostrava nenhum interesse por joias e prazeres mundanos.  Junto com algumas amigas, cantava e rezava ao Menino Jesus e à Virgem Maria. Devolvia aos remetentes as propostas de casamento, mesmo os mais sérios, que recebia; demonstrava uma inclinação extraordinária para a prática da piedade e pela vocação religiosa.
     Tornou-se Terciária Servita aos 14 anos. Juliana recebeu o apoio de suas amigas aristocratas e com a ajuda dos religiosos, começou a visitar os hospitais e a desenvolver dezenas de atividades caritativas. Estas jovens se organizam e decidem formar sua própria instituição.
     Assim que a mãe, morrendo, a deixou sozinha, ela fundou um mosteiro escolhendo a linha espiritual traçada pelo santo tio Aleixo, a espiritualidade dos Servos de Maria, que já respirava na família e na qual se tinha lançado sob a orientação de outro santo, São Felipe Benicio, vivendo em casa como uma consagrada.
     O exemplo de Juliana é contagioso na cidade de Florença. Ela e suas companheiras herdaram dos Servos de Maria o amplo manto negro e logo foram batizadas pelo povo de “le Mantellate” (algo como “as veladas”). Vivem em contemplação e no exercício da caridade, o jejum completo na quarta-feira e na sexta-feira de cada semana, no sábado se contentam com pão e água; todos os dias passam a maior parte do tempo em oração e meditação sobre as Sete Dores de Maria.
     Solicitou e obteve a aprovação canônica de sua Ordem em 1304.
     A cidade de Florença, onde vivem, estava cheia de nova vida e antigos rancores, dividida pela inimizade e pela discórdia que a cada dia se transformava em vinganças sangrentas. As religiosas assumem a tarefa de rezar e jejuar para serenar os espíritos, para alcançar a paz a seus concidadãos.
     Juliana, em particular, ao jejum e à oração adiciona o dom precioso da sua dor física, especialmente de estômago, que a persegue há vários anos, chegando ao ponto de consumi-la completamente, não lhe permitindo sequer tomar o mais leve alimento.
     É por isso que no dia 19 de junho de 1341, estando ela à morte, foi-lhe negado até mesmo o conforto do viático, porque tinham receio de que ela nem fosse capaz de engolir a Hóstia Consagrada.
     Não podendo comungar, a Santa pediu que uma Hóstia Consagrada fosse colocada sobre o seu peito. Colocaram então a Hóstia num corporal que repousaram sobre seu peito. A partícula – enquanto ela falecia dizendo “Meu doce Jesus, Maria!” – desapareceu, para espanto dos presentes. As freiras só conseguiram resolver o enigma após ela ter falecido: quando estavam recompondo o cadáver, notaram uma manja roxa na altura do coração, do tamanho da Hóstia Consagrada, como se esta tivesse sido gravada em seu corpo. É a marca que ainda hoje as Mantellate têm impressa no seu hábito religioso, em memória do milagre da “última comunhão” de sua fundadora.
     Foi beatificada em 8 de julho de 1678 pelo Papa Inocêncio XI, ele mesmo um terciário da Ordem dos Servos de Maria; e canonizada pelo Papa Clemente XII em 16 de junho de 1737, por ocasião em que foram canonizados São Vicente de Paula, São Francisco Régis e Santa Catarina de Gênova.
     Santa Juliana Falconieri é celebrada em 19 de junho e é invocada especialmente contra as dores de estômago. Seu corpo é venerado na Basílica da Santíssima Anunciação de Florença.

Corpo incorrupto de Sta. Juliana Falconieri

https://www.pildorasdefe.net/santos/celebraciones/santoral-catolico-santa-juliana-falconieri-patrona-enfermos-19-junio
Autor: Gianpiero Pettiti - www.santiebeati.it/

 A Ordem dos Servos de Maria

     Deus costuma suscitar fundadores, Ordens e Congregações religiosas em função das necessidades de cada época. E poder-se-ia dizer que o demônio, além de instigar tanto indivíduos quanto instituições ao vício e ao pecado, também cria condições para o aparecimento de heresiarcas e heresias, as quais, por vezes, constituem caricaturas de movimentos de sadia reação católica contra os vícios característicos de uma fase histórica.
     Pouco antes de surgir a Ordem dos Servos de Maria, em 1206, São Domingos de Gusmão pregou no sul da França contra os hereges albigenses, cátaros, e pátaros valdenses – propugnadores de uma falsa virtude da pobreza – tornando-se ademais grande difusor da devoção mariana mediante a recitação do rosário.
     E São Francisco de Assis, em 1209, começou sua pregação itinerante desposando a "dama" pobreza.
     Dois portentosos fundadores, cuja missão era de grande alcance para combater tanto o vício da ganância quanto a caricatura herética da virtude da pobreza, bem como para incrementar a tão necessária devoção mariana.
     Aproximadamente duas décadas depois, sete jovens florentinos são diretamente convocados pela Mãe de Deus para complementar e reforçar a obra providencial realizada por São Domingos e São Francisco. De fato, essa é a verdadeira perspectiva na qual deve ser compreendida a espiritualidade e a atuação dos Sete Fundadores e de sua família espiritual.
    A Ordem dos Servos de Maria (sigla O.S.M.) é uma ordem religiosa mendicante de frades dedicados a uma devoção particular a Nossa Senhora das Dores. Os seus membros religiosos são normalmente chamados de Frades Servos de Maria ou, simplesmente, Servitas.
     Inicialmente foram Sete Santos Fundadores da Ordem dos Servitas, festejados coletivamente pela Igreja em 17 de fevereiro, e cujo nome completo de um deles era Alexis Falconieri e os outros seis tinham como sobrenomes: Monaldi, Manetto, Buonagiunta, degli Amidei, Uguccioni, Sostegni. Todos pertenciam a um grupo de poetas da região umbrotoscana que costumavam fazer versos (laudes) diante de uma imagem de Nossa Senhora e, em 15 de agosto de 1233, Ela milagrosamente apareceu-lhes toda dolorosa por causa das lutas fratricidas de Florença entre os Guelfos e os Gibelinos.
     Nossa Senhora escolheu esses sete privilegiados para uma vocação sublime: praticar a pobreza e uma renúncia radical ao mundo, além de severa penitência; e especial devoção a Ela, vinculada às dores que sofreu durante a Paixão de Seu divino Filho.
     Eles pertenciam a estirpes locais das mais notáveis. Com o apoio do Bispo Ardingo, os jovens se retiraram no Monte Senário, de 800 metros de altitude localizado a 18 quilômetros de Florença, para se dedicarem à penitência e à oração num cenóbio.
     Terá sido São Felipe Benício, ao ser eleito seu Prior Geral em 5 de junho de 1267, que reformou os estatutos transformando-a em ordem mendicante.
     Foi igualmente ele, com a colaboração Santa Juliana Falconieri, que era sobrinha do referido fundador desta ordem, Santo Alexis Falconieri, que deram início à Ordem Terceira dos Servitas, sua congênere.

sábado, 16 de junho de 2018

Santa Valeriana e comp., Virgens e Mártires – 17 de junho


Martirizadas em Aquileia, província de Udine, Itália, no século I-II.  

     A única santa que leva este nome se encontra em um grupo de quatro mártires de Aquileia, comemoradas no Martirológio Jeronimiano no dia 17 de junho. 
     As quatro mártires são: Círia, Musca, Valeriana e Maria. Lamentavelmente a antiguidade dos livros litúrgicos, a ação destrutiva que chegou à antiga cidade de Aquileia, fundada pelos romanos no ano 181 a. C., por meio da invasão de Alarico no ano 401, e depois por Átila no ano 452, resultaram na perda das informações sobre as quatro mártires.
     Em todo caso, somente as duas primeiras – Círia e Musca – são recordadas inicialmente na liturgia de Aquileia, e depois na liturgia de Udine. O antigo breviário as considera irmãs, as quais desprezaram a vida mundana e se consagraram como virgens ao serviço de Nosso Senhor Jesus Cristo: Círia dedicando-se à vida contemplativa; Musca à vida ativa.
     Elas sofreram o martírio em Aquileia, durante as perseguições dos séculos I-II, porque não conseguiram fazê-las sacrificar aos deuses. 
     As outras duas não constam dos primeiros breviários de Aquileia, e não se sabe porque Valeriana e Maria foram consideradas mártires com as duas irmãs no Martirológio Jeronimiano.
     Entre outras coisas, nos estudos hagiográficos às vezes Valeriana é confundida com a mártir africana Valéria, venerada no dia 16 de junho; ou com a mártir Valéria, romana ou milanesa, venerada em 18 de junho. Também foi confundida com o santo bispo de Aquileia, Valeriano, que se celebra no dia 27 de novembro. 
     Lamentavelmente estamos no campo das hipóteses. A destruição de Aquileia e a fuga de seus habitantes, refugiados na laguna de Grado, não tem ajudado na identificação ou na precisão de informações sobre elas, tão distantes estão no tempo, mas com a aureola de mártires sempre resplandecente na história do Cristianismo.

*
A Basílica Patriarcal de Aquileia

     O primeiro edifício de culto católico edificado em Aquileia ocorreu em 313 d.C., por iniciativa do Bispo Teodoro. Era constituído de três grandes salas retangulares, batistério e áreas de serviço.
     Em 452, parte do edifício foi destruído pelos hunos de Átila e jamais foi reconstruído.
     Na primeira metade do século IX, o patriarca Maxencio deu início aos primeiros trabalhos de reestruturação da antiga construção, sendo criado o transepto, a cripta dos afrescos, o pórtico e a Igreja dos Pagãos.
     A basílica atual é substancialmente aquela consagrada em 1031 pelo Patriarca Poppone após modificações que ele realizou.
     O mosaico que colocamos à guisa de ilustração remonta aos primórdios da basílica e bem poderia ser a figura de uma jovem como Valeriana, ou de suas companheiras.

Etimologia: Valeriano (a), do latim, derivado de Valério, do latim Valerius: "que é forte, robusto, valente, que tem saúde".

Fonte: www.santiebeati.it/

quinta-feira, 14 de junho de 2018

Beata Francisca de Paula de Jesus (Nhá Chica), Leiga - 14 de junho

 
   Nascida em 1808, em São João del Rei (MG), ainda menina mudou-se com sua mãe para Baependi. Ali, numa modestíssima casa que ainda se conserva, no cimo de um morro onde se ergue hoje a igreja de Nossa Senhora da Conceição, por ela construída, viveu virtuosamente e morreu em odor de santidade no dia 14 de junho de 1895.
     Sua certidão de Batismo fala-nos claramente de sua origem: “Aos vinte e seis de abril de mil oitocentos e dez, na Capela de Santo Antônio do Rio das Mortes Pequeno, filial desta Matriz de São João del Rei, de licença, o Reverendo Joaquim José Alves batizou e pôs os santos óleos a FRANCISCA, filha natural de Isabel Maria. Foram padrinhos, Ângelo Alves e Francisco Maria Rodrigues. O coadjutor Manuel Antônio de Castro”.
     Com efeito, por uma pintura, na qual ela é retratada e que se conserva na capelinha de sua casa, percebem-se claramente os traços de mestiça, tão frequentes em nosso Brasil real. Como afirmou o Conde Affonso Celso, os negros que vieram para o Brasil mostraram-se dignos de consideração por seus sentimentos afetivos, por sua resignação, coragem e laboriosidade. São dignos, pois, de nossa gratidão.
     Segundo sua biógrafa, Nhá Chica era portadora de nobre missão: “Para todos tinha uma palavra de conforto e a promessa de uma oração”. Sua companhia diuturna era uma pequena imagem de Nossa Senhora da Conceição, em tosco oratório, ainda hoje venerada na igreja, conhecida na cidade como igreja da Nhá Chica. Diante da bela imagem esculpida por hábeis mãos de artista em cuja alma vicejava a fé, pude rezar a oração predileta de Nhá Chica, aliás, umas das mais belas preces compostas nos dois mil anos de cristianismo: a Salve Rainha.
     Um fato narrado por Helena Ferreira Pena descreve o perfil espiritual dessa alma de eleição. Certo dia, Nhá Chica recebeu manifestação da Mãe de Deus mediante a qual pedia que Lhe fizesse uma capela. Como isso requeria muito dinheiro, saiu Nhá Chica pelas vizinhanças em busca de auxílio, que não lhe faltou.
     Providenciou logo os adobes (tijolo cru). Quando havia certa quantidade pronta desse material de construção, recebeu Nhá Chica ordem de Nossa Senhora para dar início à edificação. Contratou então um oficial de pedreiro que pôs mãos à obra. Encontrando-se os serviços já em certo estágio, o oficial notou que iria faltar material e disse-lhe: - “Nhá Chica, os adobes não vão chegar!” Respondeu ela: “Nossa Senhora é quem sabe”. O pedreiro continuou o serviço e, ao terminar, não faltou e nem sobrou um só pedaço de adobe.
     Fatos como esse deram-se ao longo de toda construção até o seu término. Mas Nossa Senhora queria mais alguma coisa. Manifestou a sua serva seu desejo: “Queria um órgão para a igreja”. Nhá Chica, porém, na sua incultura, não sabia o que era aquilo. Foi consultar o vigário local, Mons. Marcos Pereira Gomes Nogueira, sobre o que era o órgão que Nossa Senhora desejava para a capela.
     Segundo vai narrando sua biógrafa, Mons. Marcos lhe disse: “Órgão é um instrumento até muito bonito que toca nas igrejas, mas para isso precisa muito dinheiro!”... - “Mas Nossa Senhora queria. Na Rua São José, casa 73, no Rio de Janeiro, chegou um assim”, disse ela.
     Mal Nhá Chica manifestara o desejo de Nossa Senhora, as esmolas começaram a afluir abundantes às suas mãos. Foi encarregado da compra o Sr. Francisco Raposa, competente maestro, que partiu para o Rio de Janeiro. O órgão foi despachado até Barra do Piraí (RJ) por via férrea. De lá até Baependi foi levado em carro de boi.
     Marcada sua inauguração numa quinta-feira às 15 h, ela fez tocar o sino, convidando o povo. Começam a chegar os devotos e a capela ficou lotada. O maestro subiu ao coro e, deslizando suas mãos sobre o teclado, qual não foi a sua surpresa: não se ouviu uma nota sequer! O que teria acontecido?
     Com certeza estragou-se com a viagem em carro de bois, diziam uns”. – “Qual! Com certeza venderam coisa velha estragada”, diziam outros.
     Nhá Chica chorava... De repente, acalma-se e diz: “Esperem um pouco”. E foi prostrar-se aos pés da Virgem, sua Sinhá.
     O povo esperava ansioso. Ela voltou serena e sentenciou: - “Podeis voltar para suas casas, porque o órgão não tocará hoje, mas amanhã às 15 h (sexta-feira)”, dia da devoção de Nhá Chica. - “Nossa Senhora quer que entoem a ladainha”.
     E assim se fez. No dia seguinte, novamente o sino soava conclamando os fiéis, que, desta vez, foram em número maior, movidos pela curiosidade. E às 3 horas da tarde em ponto, o maestro fez ecoar pela primeira vez por toda a igreja, ao som do órgão, a linda melodia da ladainha de Nossa Senhora! As lágrimas desciam dos olhos de Nhá Chica, mas desta vez lágrimas de alegria e felicidade.
     A Beata morreu no dia 14 de junho de 1895, com 87 anos de idade, mas foi sepultada somente no dia 18, no interior da Capela por ela construída. As pessoas que ali estiveram sentiram exalar-se de seu corpo um misterioso perfume de rosas durante os quatro dias de seu velório. Tal perfume foi novamente sentido no dia 18 de junho de 1998, 103 anos depois, por Autoridades Eclesiásticas e por membros do Tribunal Eclesiástico pela Causa de Beatificação de Nhá Chica e, também, pelos pedreiros, por ocasião da exumação do seu corpo. Os seus restos mortais se encontram hoje no mesmo lugar, no interior do Santuário Nossa Senhora da Conceição em Baependi, protegidos por uma urna de acrílico colocada no interior de uma outra de granito, onde são venerados pelos fiéis.
     Nhá Chica foi beatificada no dia 4 de maio de 2013 em Baependi MG durante a celebração presidida por Sua Eminência o Cardeal  Angelo Amato, Prefeito da Congregação das Causas dos Santos.
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Fontes de referência:
Por que me ufano do meu país, Affonso Celso, Coleção Páginas Amarelas, Editora Expressão e Cultura, 1997.
Biografia de Francisca Paula de Jesus, “Nhá Chica”, Helena Ferreira Pena, Editora O Lutador, Juiz de Fora, 14a. edição.
Francisca de Paula Jesus Isabel, Nhá Chica, Mons. José do Patrocínio Lefort – Editora O Lutador, Juiz de Fora, 4a. edição.
Fonte: Paulo Henrique Chaves, Catolicismo de janeiro de 1999 (excertos)

Adendo
O dom profético de Nhá Chica.
     Certa vez, a Beata Nhá Chica recebeu em sua pequenina casa o nobre conselheiro do Império, João Pedreira do Couto Ferraz. Era o ano de 1873. Ele, casado com Elisa Amália de Bulhões Pedreira, fazia-se acompanhar, entre outras pessoas, de sua filha primogênita que na ocasião contava 15 anos de idade e alimentava o desejo de consagrar-se ao Senhor. Era a jovem Zélia, nascida a 5 de abril de 1857.
     A família encontrava-se no vizinho povoado de Caxambu para desfrutar das suas ricas águas minerais. A boa fama de sábia conselheira da beata Nhá Chica, que naquele tempo já trespassara os limites da pequena vila Baependi, atraia muitos à sua procura. Aquela ditosa família acorreu ao encontro da piedosa serva de Deus para recomendar às suas orações a jovem menina desejosa de Deus.
     Nhá Chica recebeu-os em sua modesta casa e logo depois de “um dedo de prosa” já conhecia as aflições daquela família. Recolheu-se então ao seu quartinho e à intimidade da oração à sua “Sinhá”, modo carinhoso como se referia à pequenina imagem da Senhora da Conceição que herdara de sua mãe. Os hóspedes esperavam na sala. Pouco tempo depois, voltou a velha senhora e, sem transparecer sombra alguma de dúvida, pronunciou o oráculo profético:
     - “Ela vai se casar! Terá muitos filhos e no fim da sua vida será toda de Nosso Senhor”.
     Regressaram a Caxambu, mas não se esqueceram das palavras proféticas de Nhá Chica.
     O ingresso na vida religiosa feminina não era algo fácil, pois naquela altura não eram muitas as casas religiosas femininas no Brasil e o noviciado era normalmente feito na Europa. Por esses ou outros motivos, o certo é que Zélia não ingressou então na vida religiosa e cerca de três anos depois, em 27 de julho de 1876, casou-se com o Dr. Jerônimo de Castro Abreu Magalhães, engenheiro civil e homem de particular espírito religioso.
     Desse feliz matrimônio nasceram treze filhos, dos quais quatro faleceram em tenra idade. Os demais, três homens e seis mulheres abraçaram a vida religiosa em diferentes Ordens e Congregações: um lazarista, um jesuíta e um franciscano; quatro doroteias e duas irmãs do Bom Pastor.
     Sabe-se que também o casal sempre desejou consagrar-se ao Senhor, mas Jerônimo não pode, morreu em 1909, deixando viúva sua amada esposa que, quatro anos mais tarde em 1913, depois de cuidar do seu pai até a morte, entrou com uma permissão especial, para o Convento das Servas do Santíssimo Sacramento, estabelecido em 1912 no Largo do Machado, no Rio de Janeiro. Contudo, uma de suas filhas gravemente enferma e seu jovem filho, Fernando, jesuíta, não tendo ainda os votos perpétuos, fizeram com que Zélia esperasse ainda mais um pouco para concretizar sua plena consagração a Cristo.
     Somente em 1918, após vender todos os seus bens e doá-los aos pobres e à Igreja, cumprindo assim a ordem do Evangelho (Mt 19,21) de vender tudo e dar aos pobres para depois seguir a Jesus Cristo mais de perto, Zélia pode concretizar a sua consagração há tantos anos predita profeticamente por Nhá Chica: “… no fim da sua vida, ela será toda de Nosso Senhor”.
      Por sua inegável dedicação à caridade, Zélia e Jerônimo podem se tornar o primeiro casal brasileiro a ser beatificado. No dia 20 de janeiro de 2014, o Cardeal Arcebispo do Rio de Janeiro, Dom Orani João Tempesta inaugurou oficialmente o processo de beatificação do casal Jerônimo e Zélia que poderá ser o primeiro casal brasileiro a receber o título de beatos da Igreja.
     As relíquias de ambos foram transladadas para a Igreja de Nossa Senhora da Conceição, na Gávea, onde estão expostas para veneração pública.
O casal Zélia e Jerônimo


Este blog publicou um resumo sobre a Beata em 13 de junho de 2016.

quarta-feira, 13 de junho de 2018

Beata Castora Gabrielli, Esposa e terciária franciscana – 14 de junho

    
   Não sabemos quando a Beata Castora (ou Castorina) Gabrielli nasceu. Sabemos apenas que ela era filha do Conde Pietruccio Gabrielli de Gubbio, Conde de Corbara, e de Helena de Pietruccio Del Monte, e que viveu no século XIV.
     No volume de Ludovico Iacobilli "Vidas dos santos e beatos da Úmbria e daqueles cujos corpos descansam nessa província", publicado em Foligno, em 1647, ele relata que "A família dos Gabrielli de Gubbio, que teve muitas figuras ilustres em dignidade eclesiástica e militar, com o domínio de vários castelos, gerou a Beata Castora. Ela era irmã de Paulo Gabrielli, bispo de Lucca. Ela era belíssima, de uma estatura adequada, muito modesta e retraída; desprezava toda vaidade e coisa mundana, devotíssima do Pai São Francisco de Assis e toda dedicada ao serviço de Deus e a assistência do próximo. E somente se casou para obedecer a seus pais".
     Castora Gabrielli se casou muitíssimo jovem com o jurista Santuccio (ou Gualtiero) Sansoneri, Conde de S. Martino e Bassinario, no território de Sant’Angelo in Vado (PS). Foi um casamento difícil, porque o marido a tratava asperamente.
     "Empregava na oração - continua Iacobilli - o tempo que lhe sobrava das tarefas domésticas, particularmente na igreja de São Francisco, chamada da Terra, e quando voltava para casa seu marido, de natureza severa e rígida, a maltratava com palavras e atos: ela, no entanto, suportava tudo com admirável paciência por amor de Deus”.
     Castora foi uma mulher de rara piedade e profunda caridade; criou seu filho com piedade. À morte de seu marido, com o consentimento de seu filho Odão, ela distribuiu seus bens aos pobres e vestiu o hábito da Ordem Terceira Franciscana, passando o resto de sua vida em penitência e oração.
     "E com o hábito da Ordem Terceira de São Francisco - continua relatando Iacobilli - viveu o resto de sua vida em orações, penitências e outras obras santas; e, acima de tudo, na observância exata da regra que ela professava; e célebre pelos muitos milagres que o Senhor Deus operou por seu intermédio".
     Ela morreu em 14 de junho de 1391 em Macerata. Após sua morte, o filho quis transladar o corpo da Beata Castora para a igreja de São Francisco em Sant’ Angelo in Vado.
     E a este respeito, sempre segundo Iacobilli, nos é relatado que "seu corpo está todo preservado até o presente na sacristia da referida igreja de São Francisco em Sant'Angelo in Vado, onde foi enterrado com o hábito de terceira franciscana".
     O Padre Gregório de Urbino, que em 1675 estava vivendo naquele convento, e que havia consultado uma antiga "Chronica Custodiae Feretranae", testemunhou que o corpo da Beata foi exposto à veneração dos fiéis no dia da Ascensão daquele ano.
     Ainda hoje, na igreja franciscana de Santo Ângelo, a Beata é venerada e invocada como padroeira dos casamentos difíceis.
     É comemorada no dia da sua morte, 14 de junho.

Corpo da Beata em Sant'Angelo in Vado
http://www.santiebeati.it/dettaglio/97593

Etimologia: Castor, de origem grega, Kástor, derivado do radical kas: “distinguir-se” -  
“o que se destaca”. Feminino de Castor, Castorina (ou Castora).

domingo, 10 de junho de 2018

Beata Iolanda da Polônia, Duquesa e Abadessa - 11 de junho

   
   Iolanda, ou Helena, como foi chamada depois pelos súditos poloneses, nasceu no ano de 1235, na cidade de Esztergom, filha de Bela IV, rei da Hungria, que era terciário franciscano, e de sua esposa Maria Laskarina, da casa imperial grega. As suas duas irmãs, mais famosas, foram Santa Margarida da Hungria, canonizada em 1943 por Pio XII; e Santa Kinga (Cunegundes) canonizada por João Paulo II em 1999. Santa Isabel da Hungria, terciária franciscana, era sua tia. Nas raízes da santidade de sua família estava Santa Edviges e os santos soberanos húngaros, Santos Estevão e Ladislau. Por ramos colaterais, descendia de Santa Margarida, Rainha da Escócia.
     Iolanda foi educada desde muito pequena pela irmã Cunegundes, que se casara com um dos reis mais virtuosos da Polônia, Boleslau o Casto. Por tradição familiar e social da época, Iolanda deveria também se casar com alguém da terra e, em 1256, foi entregue como esposa a outro Boleslau, o Duque de Kalisz, conhecido como "o Piedoso". O casamento foi celebrado em Cracóvia. Foi uma época de muita alegria para o povo polonês que viu nas duas estrangeiras pessoas profundamente bondosas, cristãs, justas e caridosas.
     Iolanda também se tornou terceira franciscana e uniu aos deveres de esposa e mãe o exercício da caridade, concretizando-o na assistência aos pobres e aos doentes. Entretanto, o reino verdadeiramente exemplar de Boleslau o Casto, de sua esposa Santa Kinga, e dos cunhados Beata Iolanda e Boleslau o Piedoso, não teve longa duração, pois alguns anos depois o quarteto foi desmanchado pela fatalidade.
     Primeiro morreu o rei, deixando Kinga viúva. Em 1279 o esposo de Iolanda faleceu; ela então dividiu os seus bens entre a Igreja e seus parentes, dando parte a sua irmã viúva. Iolanda tinha então três filhas; ela arranjou que duas delas se casassem e uma terceira, que apresentava vocação religiosa, se retirasse para o convento das Clarissas de Sandeck, onde já se encontrava a tia, Kinga. As duas logo seriam seguidas por Iolanda.
     Muitos anos se passaram e as três damas cristãs continuavam naquele lugar, fazendo do silêncio do claustro o terreno para um fecundo período de meditação e oração. Quando Cunegundes faleceu, em 1292, para escapar das incursões bárbaras, Iolanda deixou esse mosteiro e abrigou-se mais a oeste, no convento das Clarissas de Gniezno. O convento havia sido fundado por seu marido Boleslau, o Piedoso, sem que ele certamente imaginasse que entre aquelas filhas de Santa Clara um dia sua esposa também haveria de se esconder sob o hábito franciscano.
     Iolanda foi eleita abadessa, mas agia como se fosse inferior a todas: praticava intensamente as virtudes cristãs e religiosas, especialmente a humildade, a oração e a meditação da Paixão de Cristo. Também é dito que ela teve revelações e aparições do Jesus Crucificado. Ela conduziu suas coirmãs no caminho das virtudes mais heroicas, precedendo-as na prática da penitência e contemplação com generosidade constante que foi nutrida pela meditação diária da Paixão de Cristo. A solidão não a impedia de ocupar-se dos pobres aos quais dava alimento e generosas dádivas.
     Em 1298 ela ficou gravemente doente e previu a hora de sua morte. Enquanto as coirmãs choravam em volta do seu leito de dor, ela as instou a serem fiéis à observância da regra e à perseverança no desprezo às coisas terrenas. E falou ainda sobre a magnífica recompensa que as esperava no céu. Fortificada com os últimos sacramentos, ela adormeceu docemente no Senhor. Era 11 de junho de 1298. Tinha 63 anos. Foi enterrada na capela do claustro.
     Amada pela população, seu culto ganhou força entre os fiéis do Leste europeu e difundiu-se por todo o mundo católico ao longo dos tempos. Seu túmulo tornou-se meta de romeiros pelos milagres e graças atribuídos à sua intercessão.
     Em 1631 foi iniciado o processo para sua beatificação; em 26 de setembro de 1827 Leão XII autorizou o seu culto e permitiu à Ordem dos Frades Menores Conventuais e às Clarissas celebrarem em sua honra o Ofício e a Missa. Leão XIII estendeu sua festa a todas as outras dioceses da Polônia.
     As filhas de Iolanda e Boleslau, que permaneceram no mundo, são: Edviges de Kalisz (1266-1339), esposa do Rei Vladislau I da Polônia; Isabel de Kalisz (1263-1304), esposa do Duque Henrique V de Legnica.



Fonte: www.santiebeati.it  Don Luca Roveda

Etimologia: o seu nome, de origem grega, significa “Violeta”.

Em 14 de junho de 2014 este blog publicou um relato sobre esta Beata.


quinta-feira, 7 de junho de 2018

Festa do Sagrado Coração de Jesus - 8 de junho


Vi cientistas ateus empalidecerem ao constatar que há coisas que não se pode compreender sem uma perspectiva que está acima da razão natural”.



     O Dr. Ricardo Castañón Gomez, boliviano, é conhecido como doutor em Psicologia Clínica, mas sobretudo pelo contato direto com algumas manifestações eucarísticas que estão além do conhecimento humano.
     Ao semanário da Arquidiocese do México, ele conta alguns fatos de sua vida. Em 1999, sendo um não crente, formado academicamente sobre as bases do existencialismo ateu de Jean Paul Sartre, à pedido do então Arcebispo de Buenos Aires, Mons. Jorge Mario Bergoglio, “realizou a primeira análise científica de uma Hóstia consagrada, da qual manava uma substância avermelhada; concluiu a investigação no ano 2006, comprovando que a substância era sangue humano, que a mesma continha glóbulos brancos intatos, e músculo de coração ‘vivo’, miocárdio ventrículo esquerdo. Cabe assinalar que o caso ainda não foi declarado milagre, mas sinal, e a Hóstia permanece exposta no altar da paróquia de Santa Maria de Buenos Aires”.
     Entretanto, ele menciona que há um “milagre”, assim declarado pela autoridade diocesana. O fato ocorreu em Tixtla, Chilpancingo, quando uma Hóstia consagrada começou a sangrar em 2013: “Aqui confirmamos que o tipo de sangue é AB, o mesmo encontrado no Santo Sudário de Turim e no Milagre Eucarístico de Lanciano. Encontramos tecido vivo, bem como um glóbulo branco ativo, enquanto se constata uma lesão presente no tecido, aspecto que se parece, por exemplo, com um coração infartado”.
     Desde 1999, Castañón se dedica a estudar 15 casos de “milagres eucarísticos”. “Cada série de minhas investigações são repetidas em três laboratórios de nações diferentes, e as variáveis são muitas: sangue, ADN, glóbulos brancos e vermelhos, tecido humano, hemoglobina e outras; posso dizer que do ponto de vista científico minhas informações finais são cem por cento confiáveis”.
     Os fatos que ele atesta são verdadeiramente surpreendentes: “Como se poderia obter sangue sem osso e medula óssea? Como se poderia obter músculo de um coração vivo e glóbulos brancos em um pedacinho de pão? Como se poderia obter hemoglobina, uma substância sujeita a mecanismos bioquímicos complexos e a um programa genético inicial? Vi cientistas ateus empalidecerem ao constatar que há coisas que não se pode compreender sem uma perspectiva que está acima da razão natural”.
     Atualmente ele estuda um caso ocorrido no final do ano passado, que parece ser sangue em Vinho consagrado. Quando ele tiver resultados conclusivos, nos comunicará.
     Só desejo dizer que ao comprovar que as efusões que estas Hóstias consagradas apresentam se identifica sangue fresco e tecido vivo, isto me impacta, me fascina, toca o mais íntimo do ser. Em cada Comunhão vem a minha memória a frase de Jesus: “O pão que eu darei é minha carne”. Recebo a Eucaristia todo dia e quando comungo meu pensamento é: “Vou receber Cristo, o mesmo que esteve nos braços de Maria, Aquele que caminhou com seus Apóstolos, o Filho vivo do Deus vivo, que morreu e ressuscitou e está à direita do Padre”.

Declaração do Prof. Frederico Stigbe da Columbia University em Nova York. 
     Em 26 de março de 2005, cinco anos e meio desde o início da investigação, ele informa: “Se trata de tecido do coração, tem mudanças degenerativas do miocárdio e estas mudanças degenerativas são devidas a que células estão inflamadas e se trata do ventrículo esquerdo do coração. As amostras que possuo são de músculo do coração, quero dizer que o resultado desta amostra é carne e sangue, o músculo é do miocárdio, o centro que faz pulsar o coração do ventrículo esquerdo onde o sangue é purificado e limpo”.
     O Dr. Stigbe disse ao Dr. Castañón que o paciente de onde provêm estas amostras sofreu muito -  Dr. Castañón esclarece novamente que o especialista não sabia que estas amostras vinham de uma Hóstia – e este paciente sofreu muito porque foi golpeado na altura do peito e lhe provocaram um infarto!
     É importante notar que foi mencionada a existência de glóbulos brancos: se se extrai sangue de uma pessoa, 15 minutos depois os glóbulos brancos se desintegram; então, como é possível que até o ano de 2005 tínhamos glóbulos brancos na amostra que foi extraída em 1996? A conclusão é que o coração tinha ativa dinâmica viva no instante em que se tirou as amostras!


Reflexão:
     É impressionante que a ciência nos proporciona argumentos para nos confirmar na Fé e na devoção ao Sagrado Coração de Jesus, num mundo que cada vez menos crê nos milagres. Pessoas “modernas” e “instruídas” tendem a descartar o milagroso, preferindo crer que a ciência finalmente dará uma explicação natural ao inexplicável; que somente ignorantes ou crédulos fazem peregrinações desesperadas em busca de cura ou de sinais milagrosos. E quando finalmente têm diante dos olhos a comprovação do sobrenatural, se surpreendem, se calam, alguns se convertem, outros continuam sua vida vazia e sem sentido.
     Se trata de tecido do Coração” e “este paciente sofreu muito porque foi golpeado na altura do peito e lhe provocaram um infarto”.
     Adoremos o Sagrado Coração de Jesus que, como Ele mesmo disse à Santa Margarida Maria Alacoque: “Eis o Coração que tanto amou os homens!”
     Coração de Jesus, atravessado pela lança, tende piedade de nós!