quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

Santa Virginia Centurione Bracelli - 15 dezembro

    
     “Virginia viveu seu serviço a Deus perfeitamente, nunca pensou em sua própria satisfação, inteiramente dedicada a Deus e ao seu próximo” relata a hagiografia da jovem Virgínia Centurione nascida em 2 de abril de 1587 e filha de Jorge Centurione e Lélia Spínola. Seus pais, Jorge Centurione, doge da República no biênio 1621-1622, e Lélia Spínola, eram ambos descendentes de família da antiga nobreza.
    Sua família era muito rica e piedosa e desde a mais tenra idade foi educada na fé e valores cristãos. Virginia foi batizada dois dias após o nascimento, obteve a primeira formação religiosa e literária da mãe e de um mestre domiciliar. A mãe era uma dama da sociedade, católica fervorosa e atuante nas obras de caridade aos pobres. Propiciou à filha uma infância reservada, pia e voltada para os estudos. 
     Mesmo manifestando desde a infância inclinação para a vida claustral, teve que aceitar a decisão do pai que aos 10 de dezembro de 1602 a fez desposar Gaspar Bracelli, jovem e rico herdeiro de ilustre família, inclinado a uma vida desregrada e ao vício do jogo. Da união nasceram duas meninas: Lélia e Isabella.
     A vida conjugal de Virgínia foi de breve período. Gaspar Bracelli, de fato, apesar do matrimônio e da paternidade, não abandonou o estilo de vida alegre, vivia desregradamente e contraiu uma doença nos pulmões que lhe tirou a vida no ano 1607. Virgínia, com silenciosa paciência, oração e amável atenção, tentara convencer o marido a adquirir uma conduta de melhores costumes.  Durante o período de sua doença, Virgínia o acompanhou piedosamente dedicando-lhe todos os cuidados. Gaspar faleceu cristãmente em 13 de junho de 1607.
     Após sua morte a jovem de apenas 20 anos fez o voto de castidade perpétua, recusando as ocasiões de segundas núpcias propostas pelo pai e vivendo retirada na casa da sogra, ocupando-se da educação e da administração dos bens das filhas e dedicando-se à oração e à beneficência. 
     Certa noite, enquanto orava diante do crucifixo, ouviu claramente: "Virgínia, a minha vontade é que tu me sirvas nos pobres". Acolheu o convite Divino com humildade e, seguindo o exemplo de Maria Santíssima, respondeu: “Eis aqui a escrava do Senhor. Faça-se em mim segundo a tua Palavra”.
     Por volta do ano 1610 sentiu o ardor missionário em acolher os pobres e a eles dedicar-se. Assim o fez, não negligenciando os afazeres de casa e a responsabilidade de mãe. Mesmo sendo controlada severamente pelo pai e sem jamais descuidar de seus deveres para com a família, começou a empenhar-se em favor dos necessitados. Ajudava-os diretamente, seja distribuindo em esmolas a metade de sua renda dotal, ou por meio das instituições beneficentes do tempo.
     Desenvolvia e promovia as "Obras das Paróquias Pobres" das regiões rurais conseguindo doações em dinheiro e roupas.
     Após suas filhas casarem-se decidiu dedicar-se inteiramente aos pobres promovendo a fundação de escolas com recursos próprios no intuito de acolher os pobres.
         A guerra entre a República da Ligúria e o Duque de Savoia, auxiliado pela França, disseminando a desocupação e a fome, induziu Virgínia, no inverno de 1624-1625, a acolher, inicialmente em casa, cerca quinze jovens abandonadas e em seguida, com o aumento do número dos prófugos na cidade, quantos pobres, especialmente mulheres, que conseguiu, providenciando em tudo, para atender às necessidades deles. 
     Com a morte da sogra em agosto de 1625, começou a receber não somente as jovens que chegavam espontaneamente, mas ela mesma saia pela cidade indo aos quarteirões mal afamados em busca daquelas mais necessitadas e em perigo de corrupção.
     Apesar das inúmeras provações, humilhações e ofensas recebidas de alguns nobres da cidade e até mesmo de seus parentes, Virgínia continuava percorrendo os bairros mais pobres de Gênova para auxiliar os menos favorecidos. No coração de Virgínia, tinha espaço para todas as classes sociais. Por isso, foi chamada de "a apóstola de Gênova" e "mártir da caridade". 
     Para auxiliar as crescentes misérias, instituiu as Cem Damas da Misericórdia, protetoras dos pobres de Jesus Cristo, que aproximando da organização cívica das “Oito Damas da Misericórdia” tinha o dever específico de verificar diretamente, através de visitas a domicílio, as necessidades dos pobres, especialmente daqueles que eram envergonhados. 
     Ao intensificar a iniciativa de acolhida das jovens, sobretudo no tempo das pestes e da carestia de 1629-1630, Virgínia foi obrigada a alugar o convento vazio do Monte Calvário, para onde se transferiu aos 14 de abril de 1631 com as 40 jovens assistidas que colocou sob a proteção de Nossa Senhora do Refúgio. Este convento, embora tenha sofrido as consequências das guerras, foi restaurado e existem partes que são da época de Virgínia, inclusive na capela. 
     Após três anos, a Obra já possuía três casas, com cerca de trezentas internas. Virgínia então julgou oportuno pedir o reconhecimento oficial ao Senado da República, que o concedeu aos 13 de dezembro de 1635.
     As assistidas de Nossa Senhora do Refúgio tornaram-se para a Santa as suas “filhas” por excelência, com as quais dividia a alimentação e as vestes, as instruía com o catecismo e as ensinava a trabalhar para que ganhassem o próprio sustento. 
     Desejando dar à obra uma sede própria, após ter renunciado a compra do Monte Calvário por exigir um preço muito alto, comprou duas casas vizinhas sobre o morro de Carignano que, com a construção de uma nova ala e da igreja dedicada à Nossa Senhora do Refúgio, tornou-se a Casa Madre da Obra.
     O espírito que animava a Instituição fundada por Virginia era largamente presente na Regra redigida nos anos 1644-1650. Nela é decretado que todas as casas constituem a única Obra de Nossa Senhora do Refúgio no Monte Calvário, sob a direção e a administração dos protetores (leigos nobres, designados pelo Senado da República); é também confirmada a distinção entre as “filhas” com hábito e as “filhas” sem hábito; todas porém, devem viver – mesmo sem votos – como as monjas mais observantes, em obediência e pobreza, trabalhando e rezando; devem por outro lado, serem prontas para prestarem serviços nos hospitais públicos, como se tivessem votos.
     Com o tempo a Obra se desenvolveu em duas Congregações religiosas: as Irmãs de Nossa Senhora do Refúgio no Monte Calvário, e as Filhas de Nossa Senhora do Monte Calvário, estas últimas por vontade do Papa vieram para Roma em 1927. 
     Após a nomeação dos Protetores (3 de julho de 1641), que passaram a ser considerados os verdadeiros superiores da Obra, Virginia não se ocupou mais do governo da casa: era submissa à vontade deles e se conformava segundo o parecer deles até mesmo na aceitação de jovens necessitadas. Vivia como a última das “filhas”, dedicada ao serviço da casa: saía de manhã e também à tarde para mendigar o sustento para a convivência. Se interessava por todas como uma mãe, especialmente pelas doentes, dedicando a elas os mais humildes serviços.
     Já nos anos precedentes, havia iniciado uma ação social saneadora, destinada a cuidar das raízes do mal e a prevenir as recaídas: os doentes e os inábeis eram internados em Institutos especiais; os homens válidos eram encaminhados para o trabalho; as mulheres deviam exercitar-se em tecelagem; as crianças deviam empenhar-se em frequentar as escolas. 
     Com o crescer das atividades e dos esforços, Virgínia viu decrescer ao seu redor o número das colaboradoras, particularmente as senhoras burguesas e aristocráticas que temiam comprometer a sua reputação ao tratar com gente corrupta e seguindo uma guia, embora tão nobre e santa, um pouco temerária nas empresas. 
     Abandonada pelas Auxiliadoras, desautorizada pelos Protetores no governo de sua Obra, ocupando o último lugar entre as irmãs na casa de Carignano, enquanto a sua saúde física declinava rapidamente, Virgínia atingia nova força da solidão moral. 
     Aos 25 de março obteve da República a acolhida da Virgem como protetora. Providenciou, juntamente com o Arcebispo da cidade, a instituição das Quarenta Horas, que se iniciaram em Gênova no final de 1642, e a pregação das missões populares (1643). Interferiu para esclarecer as frequentes e sanguinárias rivalidades que surgiam por fúteis motivos entre as nobres famílias. Em 1647 obteve a reconciliação entre a Cúria Episcopal e o Governo da República – também entre eles havia lutas por meras questões de prestígio. Sem jamais perder de vista os mais abandonados, era sempre disponível a todos os que a ela se dirigiam para receber ajuda, independentemente da proveniência social.
     Agraciada pelo Senhor com êxtases, visões, locuções interiores e outros dons místicos especiais, morreu aos 15 de dezembro de 1651, com 64 anos de idade. Seu corpo permaneceu enterrado no Convento de Santa Clara, em Gênova, até 1801, por exatos 150 anos. Após essa data, seu corpo foi retirado intacto e transportado novamente para o Convento das Filhas de Nossa Senhora do Refúgio do Monte Calvário, onde permanece até hoje.
     Foi beatificada em 22 de setembro de 1985 pelo Papa João Paulo II, que também a canonizou no dia 18 de maio de 2003.


Oração de Santa Virgínia
     Ó Deus, fonte de todo bem, que nos fazeis participantes do Vosso Espírito de vida, nós Vos agradecemos por terdes concedido a Santa Virgínia a chama viva do amor por Vós e pelos irmãos, sobretudo pelos pobres e indefesos, imagem do Vosso Filho crucificado.
     Concedei-nos viver a sua experiência na prática da misericórdia, da acolhida e do perdão, e, por sua intercessão a graça que agora Vos pedimos. Por Cristo Nosso Senhor. Amém.
     Pai Nosso, Ave Maria e Glória...


Fontes:
https://pt.zenit.org/articles/santa-virginia-centurione-bracelli/
Vida e Apostolado da Santa Virgínia Centurione Bracelli (Mons. Luigi Travaerso) e A Dama dos Pobres (Padre Fausto Santa Catarina). 
http://www.hsv.org.br/hotsite/Santa_Virginia_25.php
http://santosintactos.blogspot.com.br/2012/04/santa-virginia-centurione-bracelli.html

terça-feira, 12 de dezembro de 2017

Santa Odília, Patrona da Alsácia – 13 de dezembro


Santa Odília, nas nossas trevas, ajudai-me e rezai por mim. Fazei despertar em mim a luz dos olhos e do coração”.


     Na época de Childerico II, havia na Alsácia, quando esta região era um ducado da Alemanha, um duque franco chamado Adalrico, primeiro Duque da Alsácia, casado com Beresinda, sobrinha de São Leodegário, Bispo de Autun.
     Adalrico, também conhecido como Eticho, foi o fundador da família dos Etichonids e dos Habsburgo, e era uma importante e influente figura na política da Austrásia (região no Nordeste da França atual, compreendendo também parte da Alemanha, Bélgica e Países Baixos) do final do século VII.
     O casal ducal vivia em Obernheim, nas montanhas do Vosges, cerca de 40 km ao sul de Strasbourg, no sopé do Monte Hohenburg.
     O duque havia sido batizado a pouco e não era um cristão muito fervoroso, mas aprovava as obras de caridade feitas por sua esposa, uma cristã piedosa. Eles esperavam um filho que assegurasse a sua descendência e sucessão, mas, por volta do ano 660 nasceu-lhes uma filha... e cega! O pai encolerizado considerou tal nascimento uma desgraça e desonra para a família. A mãe tentou apaziguá-lo dizendo que era a vontade de Deus, que Ele devia ter seus desígnios... Tudo em vão, o pai chegou a desejar que matassem a menina. 
    Beresinda conseguiu finalmente dissuadi-lo desse crime, mas ele a fez prometer que levaria a criança para longe sem dizer a que família pertencia. Beresinda cumpriu a primeira parte da promessa, mas não a segunda, pois confiou a menina aos cuidados de uma ama que estivera a seu serviço e lhe disse que era sua filha. Beresinda providenciou a ida de toda a família da ama para o local que hoje é conhecido como Baume-le-Dames, próximo de Besançon, onde havia um convento em que a menina poderia educar-se mais tarde.
     Ali viveu ela até os doze anos sem ter sido batizada. Foi então que um anjo revelou a Santo Heraldo, Bispo de Regensburg, abade do mosteiro recém-fundado de Eberheim-Münster, que ele devia ir ao convento de Baume, aonde encontraria uma jovem cega de nascença que devia batizar e dar-lhe o nome de Odília, “luz de Deus”.
     Santo Heraldo foi consultar São Hidulfo em Moyenmoutier e, juntos, se dirigiram a Baume, onde fizeram o que tinha sido indicado na revelação. Depois de ungir a cabeça de Odília, Santo Eraldo passou o óleo do Crisma em seus olhos e ela recobrou a visão.
     Odília permaneceu no convento servindo a Deus. Porém, o milagre que recebera e os progressos que fazia em seus estudos provocaram a inveja de algumas das religiosas, que tornaram sua vida difícil.
     Santo Heraldo procurou Adalrico e relatou o milagre ocorrido com sua filha e pediu que ele a recebesse no castelo. Nessa época já havia nascido um herdeiro, irmão de Odila, chamado Hugo. O pai não se abrandou diante do milagre e proibiu o filho de ajudar a irmã. Hugo desobedeceu ao pai e mandou vir a irmã.
     Um dia em que Hugo e Adalrico estavam em uma colina dos arredores, Odília chegou em uma charrete, seguida por uma multidão. Ao vê-la, Adalrico, em um acesso de fúria, golpeou com seu cetro a cabeça do filho, matando-o acidentalmente. Desonrado, ele relutantemente acolheu Odília no castelo. Os remorsos finalmente mudaram seu coração e ele começou a amar sua filha tanto quanto a havia odiado antes.
     Odília se fixou em Obernheim com algumas companheiras que se dedicavam como ela aos atos de piedade e às obras de caridade entre os pobres.
     Adalrico, convertido graças às orações da filha, deu a ela o castelo que possuía no Monte Hohenburg. Odília transformou-o em mosteiro e foi sua primeira abadessa. Este foi o primeiro mosteiro feminino da Alsácia.
     O Monte Hohenburg tem mais de 2.000 m de altura e fica próximo do vale do Reno. Como a montanha era muito escarpada e dificultava o acesso dos peregrinos, Santa Odília fundou outro convento, Niedermünster, um pouco mais abaixo, a 703 m, e edificou um hospital junto a ele para acolher pobres e leprosos. São João Batista lhe apareceu e indicou o local e as dimensões da capela que devia construir ali em sua honra.
    Odília adotou a regra beneditina, o que sugere a influência de seu tio-avô, São Leodegário, grande apóstolo do monasticismo beneditino na região. Em apenas dez anos o mosteiro já abrigava 130 religiosas, entre as quais três filhas de Adelardo, outro irmão de Santa Odília. Estas sobrinhas foram: Santa Eugênia, sucessora de Santa Odília, Santa Atala, abadessa do mosteiro de Santo Estevão de Strasbourg, e Santa Gundelinda.
     Odília governou os dois conventos e tornou-se popularíssima na Alsácia, na Lorena e na região de Baden. Conta-se que após a morte do pai Santa Odília soube, durante uma visão, que ele fora livre do Purgatório graças às suas orações e penitências. 
    Uma Fonte de Santa Odília existe ainda hoje. Ela fica fora do mosteiro, e, segundo a tradição, Santa Odília a fez surgir tocando a rocha com o cordão de seu hábito. Conta-se que ela voltava da costumeira visita aos doentes, quando encontrou um homem cego que lhe pediu água. Como ela não tivesse água à mão, fez o milagre. E o homem ficou curado da cegueira. Muitas outras visões da Santa são narradas e numerosos milagres lhe são atribuídos. Há também profecias suas que sugerem a eclosão das guerras do século XX.
     Depois de governar o mosteiro durante muitos anos, Santa Odília morreu no dia 13 de dezembro de 720, deitada sobre uma pele de urso. Como Santa Odília não pudera receber o Santo Viático, as prementes orações de suas irmãs de hábito alcançaram a graça dela recobrar a vida. Após descrever as belezas do Céu para elas e receber o Viático, a Santa morreu novamente e foi sepultada na Igreja do mosteiro.
     As suas fundações são mencionadas pela primeira vez em 783, numa doação feita para a abadessa da época. Carlos Magno garantiu imunidade às fundações de Santa Odília, o que foi confirmado em 9 de março de 837 por Luís, o Pio (Böhmer-Mühlbacher, "Regesta Imperii", I, 866, 933).
     A Igreja de São João Batista e o túmulo da Santa foram mencionados pela primeira vez pelo Papa Leão IX em 17 de dezembro de 1050. O Imperador Frederico I mandou restaurar a igreja e o mosteiro. A Abadessa Relinde estabeleceu ali uma escola para as filhas da nobreza. Uma outra abadessa, Herrade de Landsberg (1167-1195) tornou-se a famosa autora de um importante trabalho teológico chamado Hortus Deliciarum (Paradiesgarten). Em 1546, Niedermünster foi destruído num incêndio e as religiosas não mais retornaram.
     Todos os imperadores alemães, desde Carlos Magno, a homenagearam. Até o Papa Leão IX e o Rei Ricardo I da Inglaterra foram visitar seu túmulo.
     Algumas relíquias da Santa foram transferidas para outros locais. O Imperador Carlos IV, por exemplo, recebeu o braço direito em 4 de maio de 1353, relíquia que hoje se encontra em Praga. Outras relíquias, que ficaram no mosteiro primitivo, foram salvas da Revolução Francesa - inclusive o sarcófago, que recebeu posteriormente um revestimento de mármore - e foram colocadas sob o altar em 1842. As relíquias que foram levadas para Einsiedeln no século XVII foram destruídas pela Revolução.
     Seu túmulo é venerado e ainda hoje milhares de peregrinos a procuram e lhe prestam culto. O Monte Santa Odília é o local da Alsácia mais frequentado pelos católicos. Santa Odília foi designada patrona da Alsácia em 1807 pelo Papa Pio VII. Ela é também patrona de Strasbourg e é invocada nas doenças dos olhos e dos ouvidos. É venerada também na diocese de Mônaco, Meissen e nas abadias beneditinas femininas da Áustria.
     Santa Odília é festejada no dia de sua morte, 13 de dezembro. No Monte Santa Odília ela é celebrada no dia do aniversário da transladação de suas relíquias ocorrida em 7 de julho de 1842.
     Desde o século XV, a Baviera e a Alsácia adotaram a versão Otília de seu nome.


segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

FESTA DE NOSSA SENHORA DE GUADALUPE – 12 de dezembro



     Nossa Senhora de Guadalupe apareceu a 9 de dezembro de 1531 a São Juan Diego no morro Tepeyac, onde se ergue hoje a “Capilla del Cerrito”. A Virgem falou na língua dele, o náhuatl. O nobre indígena tinha então 57 anos e já estava batizado. A terceira e última aparição se deu a 12 de dezembro do mesmo ano. Como prova da autenticidade da aparição, Nossa Senhora deixou milagrosamente impresso no manto (tilma) do vidente Sua imagem estampada como acima se pode ver. Diversas descobertas científicas recentes foram feitas nessa imagem.

     Coroada em 1875 durante o Pontificado de Leão XIII, Nossa Senhora de Guadalupe foi declarada “Padroeira de toda a América” pelo Papa Pio XII no dia 12 de outubro de 1945.


sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

Santa Gorgônia, Mãe de família – 9 de dezembro

Martirológio Romano: Em Nazianzo, na Capadócia, Santa Gorgônia, mãe de família, filha de Santa Nonna e irmã de São Gregório o Teólogo e de São Cesário. Foi o mesmo Gregório quem descreveu suas virtudes.

     São Gregório Nazianzeno o Velho e sua esposa, Santa Nonna tiveram três filhos: Santa Gorgônia, São Gregório Nazianzeno e São Cesário, dos quais Gorgônia era a mais velha.
     Gorgônia se casou com um homem de alguma influência da Pisídia, às vezes chamado Vitolian, e outras vezes Meletius. Pelo menos numa referência a ela é chamada de "modelo de uma santa casada". Ela teve vários filhos e três filhas, a mais notável da quais chamava-se Alipania. Mais tarde ela converteu seu marido que foi batizado junto com ela e seus filhos e netos. A seu filhos ela deu uma educação tão esmerada como a que havia recebido.
    Duas vezes em sua vida ela foi milagrosamente curada de doenças graves. A primeira delas foi após ter sido pisoteada por uma mula, causando-lhe a quebra de ossos e o esmagamento de órgãos internos. No entanto, Gorgônia não quis que nenhum médico cuidasse dela, pois ela não achava isto decente. Segundo a legenda, foi esta modéstia que a curou.
     Ela ficou curada da segunda doença ao receber a comunhão. O irmão da santa conta que em certa ocasião em que se encontrava doente, Gorgônia foi até a igreja durante a noite para procurar sobre o altar algumas migalhas do Pão dos Anjos, com a esperança de obter assim a cura.  Como se sabe, naquela época se usava o pão comum para os sagrados mistérios e assim se faz ainda em muitas igrejas do Oriente.
     Eis como São Gregório nos relata a oração de Santa Gorgônia:
     "Em outros tempos - dizia ela ao Senhor - uma pobre mulher atormentada por cruel enfermidade tocou a orla de vosso manto e no mesmo instante ficou curada. E, meu amado Jesus, terá diminuído vosso poder? Vosso Corpo todo teria menos eficácia que a orla de vossa roupa? Vós que vos enternecestes à voz da pobre Cananeia, Jesus meu, ficaríeis insensível à minha súplica? Vossa bondade, vossa ternura tão compassiva não mais se moverá para curar os enfermos? Por acaso terá limites a infinitude de vosso poder, de vossa bondade e de vosso amor? Eis-me aqui prostrada aos pés de vossa inesgotável misericórdia, na presença deste tabernáculo onde estabelecestes vossa morada no excesso de vosso amor aos filhos dos homens. Pois bem: faço voto de não me levantar daqui sem que me tenhais curado".
     Terminada esta súplica, na qual não se sabe o que admirar mais, se sua fé tão viva ou seu amor tão vivo, Gorgônia se levanta: sua petição havia sido ouvida e estava curada.
     Santa Gorgônia dedicou sempre muito amor à liturgia e costumava contribuir com a construção de igrejas. Vivia piedosa e sobriamente, era muito generosa com os pobres. Entretanto, como era costume na época, Gorgônia somente recebeu o batismo na idade madura. Ela converteu o marido, que foi batizado junto com ela e seus filhos e netos.
     Sua morte ocorreu por volta do ano 370 (no dia 23 de fevereiro, segundo alguns autores; presume-se que ela nascera por volta do ano 300) de causas naturais. Seu pai e sua mãe estavam vivos, embora extremamente idosos, no momento de sua morte. Em seu funeral, seu irmão, São Gregório de Nazianzo, o Jovem, pronunciou sua oração fúnebre, que foi na realidade um panegírico da bondade de Santa Gorgônia. Ele declarou-a modelo de esposa e mãe cristã: "Modelo de perfeição das mulheres" e "O diamante de seu sexo".
     Os escassos dados sobre Santa Gorgônia se encontram nesse panegírico que pode ser visto em Migne, PG., vol. xxxv, pp. 789-817.
     Santa Gorgônia é venerada como padroeira das pessoas atingidas por males corporais ou doenças.

Etimologia: Gorgônia, nome feminino de origem grega: “a que aterroriza”.
Também é relativo às gorgonias da mitologia grega, três irmãs monstruosas, uma das quais, Medusa, petrificava com o olhar. Há inclusive um gênero de corais chamados Gorgonia, pertencentes à família Gorgoniidae.

Fontes: «Vidas de los santos de A. Butler», Herbert Thurston, SI;
http://www.eltestigofiel.org/lectura/santoral.php?idu=4456; "St. Gorgonia". Saints and Angels. Catholic Online. Retrieved 2007-04-27.

Imaculada Conceição de Maria - 8 de dezembro


   

     Em 8 de dezembro de 1854, o Papa Pio IX, na Bula Ineffabilis Deus, fez a definição oficial do dogma da Imaculada Conceição de Maria. Assim o Papa se expressou:

Em honra da santa e indivisa Trindade, para decoro e ornamento da Virgem Mãe de Deus, para exaltação da fé católica, e para incremento da religião cristã, com a autoridade de Nosso Senhor Jesus Cristo, dos bem-aventurados Apóstolos Pedro e Paulo, e com a nossa, declaramos, pronunciamos e definimos a doutrina que sustenta que a beatíssima Virgem Maria, no primeiro instante de sua conceição, por singular graça e privilégio de Deus onipotente, em vista dos méritos de Jesus Cristo, Salvador do gênero humano, foi preservada imune de toda mancha de pecado original, essa doutrina foi revelada por Deus e, portanto, deve ser sólida e constantemente crida por todos os fiéis.

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

Beata Angélica de Milazzo, Terciária - 6 de dezembro

         
     O ramo da Ordem Franciscana fundado no século XVI por São Francisco de Paula e chamado por humildade de Ordem dos Mínimos, também teve sua própria Ordem Terceira voltada para os leigos, homens e mulheres.
     À Ordem Terceira de São Francisco de Paula pertenceu a Beata Angélica, que morreu meio século após o fundador dos Mínimos, em 1559. Nascera em Milazzo, na ponta ocidental da Sicília, uma cidade de origem antiquíssima, importante na Idade Média e no Renascimento como um porto comercial e centro de produção e também como uma fortaleza militar bem armada, onde a devoção a São Francisco de Paula estava particularmente viva.
     A figura de Angélica de Milazzo se insere no quadro da primeira floração da espiritualidade franciscana dos Mínimos. Sua santidade não teve nada de clamoroso ou chamativo. Foi uma luta constante e secreta contra as fraquezas da carne, as enfermidades e as dificuldades do ambiente, tanto mais insidiosas quando mais devidas não à hostilidade, mas ao afeto.
     Angélica de Milazzo viveu em constante luta contra as atrações do mundo. Não as tentações, mas as preocupações legítimas e humanas daqueles que queriam para ela uma vida normal e feliz, respeitada e comum.
     Belíssima, sensível e virtuosa, a jovem de Milazzo deveria seguir, segundo os desejos da família, o destino de muitas outras conterrâneas suas, escolhendo para ela um noivo, ou melhor, aceitando o que fosse destinado a ela pelos parentes, para formar uma família terrena.
     Não foi fácil para a jovem fugir das pressões contínuas e afetuosas. Angélica resistiu a elas com obstinada resolução, mais forte do que as lisonjas e até do que as ameaças, que não faltaram, pelo menos em um certo período de sua vida. Nos momentos de tensão mais séria, ela recorria ao Crucificado, implorando sua ajuda. Foi atendida pela Cruz com uma cruz, isto é, com uma doença muito séria, que pôs em risco sua própria vida.
     Foi então que por voto adotou o hábito da Ordem Terceira de São Francisco de Paula. Nesse hábito, como se estivesse em uma armadura mística, ela se sentiu segura para poder permanecer para sempre no estado desejado.
     Tendo a doença sido superada, a insistência e a pressão retornaram. O calvário incruento da obstinada jovem de Milazzo recomeçou. Até que o Esposo por ela desejado não a marcasse com o seu selo, diante do qual qualquer outro pretendente recuasse perturbado.
     Devorada por um tumor maligno, sua beleza que atraia se transformou em feiura que provocava aversão, enquanto o sofrimento cada vez mais lancinante acrisolava seu espírito, consumindo seu corpo como um fogo.
     Foi o ano terrível do noivado, depois do qual a morte, libertando-a do peso da carne, abriu a casa do Esposo que não frustra as esperanças.

Fonte: www.santiebeati.it/

sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

O tempo do Advento


     O Advento é o tempo de preparação para celebrar o Natal e começa quatro domingos antes desta festa. Além disso, marca o início do novo Ano Litúrgico católico e em 2017 começará no domingo 3 de dezembro.
     Advento vem do latim “ad-venio”, que quer dizer “vir, chegar”. Começa com o domingo mais próximo da festa de Santo André (30 de novembro) e dura quatro semanas. Este ano se iniciará, como foi dito, no domingo 3 de dezembro.
     O Advento está dividido em duas partes: as primeiras duas semanas servem para meditar sobre a vinda do Senhor quando ocorrer o fim do mundo, enquanto as duas seguintes servem para refletir concretamente sobre o nascimento de Jesus e sua irrupção na história do homem no Natal.
     Nas igrejas e nas casas são colocadas as coras do Advento. Os paramentos do sacerdote são roxos, como símbolo de preparação e penitência. A exceção é o terceiro domingo, o Domingo Gaudete (da alegria), no qual pode se usar a cor rósea.
     A fim de fazer sensível esta dupla preparação de espera, durante o Advento a Liturgia suprime alguns elementos festivos. Na Missa, não é proclamado o hino do Glória. Anteriormente todo o tempo do Advento era época de jejum e abstinência de carne.  Algumas Ordens religiosas ainda mantêm este costume e também guardam o silêncio.
     O objetivo desses simbolismos é expressar de maneira tangível que, enquanto dura a peregrinação do homem nesta terra, falta-lhe algo para seu gozo completo. Quando o Senhor se fizer presente no meio do seu povo, a Igreja terá chegado à sua festa completa, representada pela Solenidade do Natal.
     Muitos católicos sabem do Advento, mas talvez as preocupações no trabalho, as provas na escola, os ensaios com o coral ou teatro de Natal, a arrumação do presépio e a compra dos presentes fazem com que se esqueçam do verdadeiro sentido deste tempo.
     Por isso, é preciso recordar que a principal preparação neste período deve ser interior, na espera da vinda de Jesus.
     No tempo do Advento, faz-se um apelo aos cristãos, a fim de que vivam de maneira mais profunda algumas práticas específicas, como: 1) a vigilância na fé, na oração, na busca de reconhecer Cristo que vem nos acontecimentos e nos irmãos; 2) a conversão, São João Batista nos recorda que devemos “preparar os caminhos do Senhor”, isto é, manter uma atitude de permanente conversão. A conversão é um caminho que se percorre durante toda a vida; 3) a espera da vinda do Filho de Deus ao mundo, sendo a Ssma. Virgem a figura central e sua espera é modelo e estímulo da nossa espera; 4) a pobreza interior, de um coração disponível para Deus, como Maria, José, João Batista, Zacarias, Isabel; 5) a alegria, na feliz expectativa do Menino Deus que vem e na invencível certeza de que Ele não falhará.

Coroa do Advento

1º Domingo, 3 de dezembro
     Acenderemos a primeira vela da Coroa do Advento, sinal de vigilância e desejo de conversão.

2º Domingo, 10 de dezembro
     Acenderemos a segunda da Coroa do Advento, como sinal do processo de conversão que estamos vivendo.

3º Domingo, 17 de dezembro
     O Evangelho nos relata a visita da Virgem à sua prima Santa Isabel e nos convida a repetir como ela: “Quem sou eu para que a Mãe do meu Senhor venha a visitar-me?” Nesta terceira semana do Advento, meditemos sobre o papel que a Virgem Maria desempenhou. Alimentemos a nossa devoção à Maria rezando o Terço em família. Acenderemos como sinal de esperança gozosa a terceira vela da Coroa do Advento.

4º Domingo, 24 de dezembro
     Como já está tão próximo o Natal, nos reconciliamos com Deus e com nossos irmãos, agora nos resta somente esperar a grande festa. Todos os preparativos para a festa deverão ser vividos com o firme propósito de aceitar a Jesus nos corações, nas famílias e na sociedade. Acenderemos a quarta vela da Coroa do Advento.






Fontes: acidigital.com e outras