quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Beata Leopoldina Naudet, Virgem e fundadora - 17 de agosto


     Leopoldina Naudet nasceu em Florença no dia 31 de maio de 1773, sendo seu pai José Naudet, francês, e sua mãe, Susanna d’Arnth, alemã, ambos a serviço dos arquiduques de Lorena. Aos três anos Leopoldina ficou órfã de mãe e em 1778, quando tinha cinco anos, foi enviada, com sua irmã Luísa, ao mosteiro do Castelo de S. Frediano do convento de S. José. Em 1783, foi para a França, a fim continuar os estudos e terminar sua instrução no convento das Damas de Nossa Senhora de Soissons, cidade de origem de sua família.
     Leopoldina se destacava por seu comportamento e por seu espírito de oração, tanto que recebeu a Crisma e a 1a. Comunhão respectivamente em 1781 e 28 de março de 1782.
     Em 1789 Leopoldina e a irmã retornaram a Florença, ocasião em que faleceu também o pai. Foram então convidadas a prestar serviços de camareira junto à corte do Arquiduque Leopoldo, no Palácio de Pittia. Leopoldina dirigiu a instrução dos filhos do grão-duque e quando este tornou-se Imperador Habsburgo em 1790, acompanhou-o à Viena. Naquela cidade, Leopoldina entrou em contato com um jesuíta, Pe. Nikolaus von Diessbach, que se tornou seu diretor espiritual. Este sacerdote havia fundado a Amicizia Cristiana, um grupo seleto e secreto composto de leigos e eclesiásticos, dedicado à difusão da imprensa católica. Embora vivendo na corte mais faustosa da Europa, Leopoldina não se deixou atrair por sua vida mundana.
     Em 1792, com a morte do Imperador Leopoldo, passou ao serviço da Arquiduquesa Maria Ana Fernanda, irmã do novo imperador Francisco II, e quando esta foi nomeada abadessa do canonicato de S. Jorge de Praga, as irmãs Naudet e algumas nobres, acompanharam-na na nova residência real na Tchecoslováquia.
     O piedoso ambiente criado pela arquiduquesa favoreceu em muito um desejo íntimo de viver uma vida mais religiosa. Dissuadida por seu diretor espiritual a entrar na Trapa, em 1799 encontrou o Pe. Nicolau Paccanari, que após a dissolução da Companhia de Jesus havia procurado reviver o espírito de Santo Inácio de Loyola fundando os Padres da Fé. Este sacerdote também havia planejado a criação de um Instituto feminino, as Diletas de Jesus, com finalidade educativa. Persuadida por seu diretor espiritual, Leopoldina passou a amadurecer o projeto, que teve o apoio e o empenho direto da Arquiduquesa Maria Fernanda.
     Em 31 de maio de 1799, na capela privativa da arquiduquesa na Abadia dos Beneditinos de Praga, junto com mais duas mulheres, pronunciou os votos temporários, empenhando-se em viver “para a maior glória de Deus e proveito para o próximo”.
     Com o objetivo de obter aprovação ao novo Instituto, retornaram à Viena para prosseguir para a Itália. Em 1800 tiveram um encontro pessoal com o Papa Pio VII, em Pádua, que as encorajou a prosseguir nos trabalhos; assim, deslocaram-se por diversas cidade italianas e chegando à Roma em fevereiro de 1801, foi organizada uma comunidade, e Leopoldina foi nomeada superiora. Sua iniciativa foi levada para outras casas na França e na Inglaterra.
     Em 1804, devido a acusações que circulavam contra o Pe. Paccanari, os Padres da Fé e as Diletas resolveram seguir um caminho autônomo; estas últimas deram origem à Sociedade do Sagrado Coração, sob a direção de Madalena Sofia Barat (canonizada em 1925), que já era superiora das Diletas francesas desde 1802.
     Em 1805 Leopoldina deixou Roma, com suas coirmãs, indo para Pádua e depois para Verona, a conselho do Mons. Luís Pacífico Pacetti, pregador apostólico e amigo de Pio VII. Ele era diretor espiritual da Marquesa Madalena de Canossa (canonizada em 1988), empenhada em fundar um instituto caritativo assistencial, dedicado também ao ensino das classes mais pobres: era o primeiro núcleo das Filhas da Caridade. Leopoldina ofereceu a colaboração dela e de seu grupo à iniciativa da marquesa, e em 8 de maio de 1808 a seguiu no mosteiro dos Santos José e Fidencio. Madalena teve por ela uma tal estima, que a nomeou superiora também de suas discípulas.
     Entretanto, a espiritualidade de Leopoldina era muito diferente, ela se sentia mais orientada a uma vida claustral e, no serviço apostólico, projetava dedicar-se às jovens das classes altas. A sua experiência a serviço do imperador, de fato a havia persuadido da necessidade de influenciar aquele ambiente onde as senhoras eram atraídas a levar uma vida frívola que, como consequência, as afastavam dos mais pobres.
     A comunidade canossiana tinha como diretor espiritual São Gaspar Bertoni, fundador da Ordem dos Estigmatinos (Congregação dos Sagrados Estigmas de Nosso Senhor Jesus Cristo), canonizado em 1989. Dirigida por seus conselhos, Leopoldina cresceu no espírito do mais puro abandono em Deus e estudou as regras de outras congregações religiosas, para criar uma toda sua. Foi sob a direção, orientação e preparo para seu crescimento espiritual, que São Gaspar Bertoni incentivou Leopoldina a fundar uma congregação de religiosas.
     No ano de 1816, Leopoldina deixou a Marquesa Canossa, que continuou a ter por ela grande estima, e com seu grupo estabeleceu-se em Verona, no ex convento de Santa Teresa de Verona, chamado popularmente “das Teresas”, onde teve início a Congregação das Irmãs da Sagrada Família. Este nome era devido a uma intuição que Leopoldina tivera cinco anos antes, enquanto rezava. Assim ela descreve nas suas notas intimas: “Na oração pensei em criar o Instituto sob a proteção da Sagrada Família, e para manter-se tomar a imitação de Jesus Cristo, tanto na sua vida escondida, como na pública”. As Irmãs firmavam votos monásticos, vivendo em clausura, porém, abertas ao apostolado educativo das moças nobres que viviam como internas no convento, mas que estudavam em escolas externas.
     Por este motivo Leopoldina abriu um educandário para as jovens nobres provenientes de todo o reino Lombardo-Vêneto, não só de Verona. Além disto, inaugurou escolas externas, completamente gratuitas, para as crianças e as jovens não ricas. Mais, desejava que suas casas religiosas estivessem abertas para acolher encontros formativos e exercícios espirituais, bem como um oratório para as muito jovens.
     Em 20 de dezembro de 1833, o Papa Gregório XVI aprovou o Instituto. Madre Leopoldina exclamou, enquanto tinha nas mãos a carta com o decreto, erguendo os olhos ao céu: “Basta isto. Deus mais nada deseja de mim. Agora posso dizer: ‘Nunc dimittis...’” Não muito tempo depois adoeceu, com fortes febres. Pareceu recuperar-se, mas teve uma recaída: a fundadora morreu em 17 de agosto de 1834. Seu corpo foi trasladado em 1958 para a capela da Congregação na cidade de Verona.
     Em 29 de abril de 2017 ocorreu a beatificação da Madre Leopoldina Naudet em Verona, na Basílica de Santa Anastásia, pelo Cardeal Ângelo Amato, Prefeito da Congregação da Causa dos Santos. A sua memória litúrgica, para as Irmãs da Sagrada Família e a diocese de Verona, é o 17 de agosto, dia de seu nascimento para o Céu.

Fontes:
www.santiebeati/it Autores: A. Borrelli e E. Flocchini


terça-feira, 15 de agosto de 2017

Fundamento do Dogma da Assunção de Nossa Senhora


Paulo Corrêa de Brito Filho

Dogma definido no dia 1º de novembro de 1950 pelo Papa Pio XII, por meio da Constituição dogmática “Munificentissimus Deus”

     A Assunção de Nossa Senhora ao Céu em corpo e alma, que se comemora a 15 do corrente, é verdade conhecida na Santa Igreja desde os tempos mais remotos. É também o mais recente dogma proclamado pelo Supremo Magistério.
     Dogma! A palavra contunde os espíritos infectados pelo relativismo moderno. Entretanto é ela uma das mais esplendorosas estrelas na constelação da Igreja Una, Santa, Católica e Apostólica, a única verdadeira do Deus único e verdadeiro.
     O que vem a ser, entretanto, um dogma? Uma verdade nova, inventada pela Santa Sé, a qual os católicos devem acrescentar às outras já anteriormente impostas de modo arbitrário pela Igreja? De nenhum modo!
     Há no Sagrado depósito da Revelação — Sagrada Escritura e Tradição — verdades explicitamente formuladas e outras que o estão de modo mais ou menos implícito. Tal fato não impede, porém, que um grandíssimo número de fiéis acatem também essas últimas, nelas crendo fervorosamente e de modo ininterrupto através dos séculos. Habitualmente vem depois o reconhecimento oficial e solene de que esta ou aquela verdade — já larga e amplamente difundida na Igreja — é elemento integrante da Revelação. Tal reconhecimento é fruto de longa e acurada maturação, meticulosos estudos, realizados por eminentes teólogos e exegetas, mas cuja decisão final cabe ao Papa. Em presença das conclusões dos peritos, o Supremo Pontífice emite o próprio juízo, decidindo pela proclamação, ou não, do dogma.
     O fato de o Soberano Pontífice decidir pela não proclamação não importa, de nenhum modo, na afirmação de que a doutrina em questão não é verdadeira. Mas, ou foram motivos de oportunidade, a juízo da Santa Sé, que a levaram a esse procedimento, ou foi porque esta não julgou ainda suficientes as razões apresentadas para proceder à solene definição.
     Quando, entretanto, a Santa Sé e o juízo do Papa as encontram suficientes, pode este último, invocando o privilégio da Infalibilidade Pontifícia, declarar a referida definição. Ou seja, proclamar o dogma.
     A proclamação do dogma é, pois, o reconhecimento solene, oficial e de caráter infalível de que determinada verdade está contida na divina Revelação. E enquanto tal exige, da parte do fiel, uma adesão incondicional para que ele permaneça unido ao corpo das verdades reveladas Àquela que, por disposição de seu divino Fundador, é a guardiã e mestra da Revelação: a Santa Igreja Católica, Apostólica, Romana.

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Assunção de Nossa Senhora - 15 de agosto


    
     Embora a Assunção (em latim: assūmptiō - "elevado") tenha sido definida em tempos relativamente recentes como um dogma infalível pela Igreja Católica, relatos apócrifos sobre a assunção de Maria ao céu circulam desde pelo menos o século IV. A própria Igreja Católica interpreta o capítulo 12 do Apocalipse como fazendo referência ao evento. E a carta de São Paulo (1Cor 15,20-27a) tem gosto de céu: a Assunção de Nossa Senhora ao céu é considerada como antecipação da ressurreição final dos fiéis, que serão ressuscitados em Cristo. Portanto, observe-se que a glória de Maria não a separa da humanidade, não a separa de cada um de nós, mas a une mais intimamente a nossa pobre humanidade.
     A mais antiga narrativa, o chamado Liber Requiei Mariae ("O Livro do Repouso de Maria"), sobrevive intacto apenas em uma tradução etíope. Provavelmente composta no início do século IV, esta narrativa apócrifa cristã pode ser do início do século III. Também muito primitivas são as diferentes tradições dos "Narrativas da Dormição dos 'Seis Livros'". As versões mais antigas deste apócrifo foram preservadas em diversos manuscritos em siríaco dos séculos V e VI, embora o texto em si seja provavelmente do século IV.  
    Apócrifos posteriores que se basearam nestes textos mais antigos incluem o De Obitu S. Dominae, atribuído a São João, uma obra provavelmente da virada do século VI que é um sumário da narrativa dos "Seis Livros". A Assunção também aparece no De Transitu Virginis, uma obra do final do século V atribuída a São Melito, que preserva uma versão teologicamente editada das tradições presentes no Liber Requiei Mariae. Transitus Mariae conta a história de como os Apóstolos teriam sido transportados por nuvens brancas até o leito de morte de Maria, cada um vindo da cidade em que estava pregando no momento. O Decretum Gelasianum, já na década de 490, declarava que a literatura no estilo transitus Mariae era apócrifa.
     Uma carta em armênio atribuída a São Dionísio, o Areopagita, também menciona o evento, embora seja uma obra muito posterior, escrita em algum momento do século VI. São João Damasceno, de sua época, é a primeira autoridade eclesiástica a advogar a doutrina pessoalmente (e não na forma de obras anônimas). Seus contemporâneos, São Gregório de Tours e São Modesto de Jerusalém, ajudaram a promover o conceito por toda a igreja.
A Dormição de Nossa Senhora
    
Em algumas versões da história, o evento teria ocorrido em Éfeso, na Casa da Virgem Maria, embora esta seja uma tradição muito mais recente e localizada. As mais antigas apontam que o fim da vida de Maria se deu em Jerusalém (veja "Túmulo da Virgem Maria"). Pelo século VII, uma variação apareceu, que conta que um dos apóstolos, geralmente identificado como sendo São Tomé, não estava presente na morte de Maria, mas sua chegada atrasada teria provocado uma reabertura do túmulo da Virgem, que então se descobriu estar vazio, com exceção de suas mortalhas. Numa outra, posterior, Maria lançaria do céu sua cinta para o apóstolo como uma prova do evento. Este incidente aparece muitas vezes nas pinturas sobre a Assunção.
     A doutrina da Assunção de Maria se tornou amplamente conhecida no mundo cristão, tendo sido celebrada já no início do século V e já estava consolidada no Oriente na época do imperador bizantino Maurício, por volta de 600. O evento era celebrado no Ocidente na época do Papa Sérgio I no século VIII e foi confirmada como oficial pelo Papa Leão VI. O debate teológico sobre a Assunção continuou depois da Reforma Protestante e atingiu um clímax em 1950, quando o Papa Pio XII o definiu como dogma para os católicos.
     O teólogo católico Ludwig Ott afirmou que "A ideia da assunção corpórea de Maria foi expressada pela primeira vez em certas "narrativas de trânsito" [transitus Mariae] nos séculos V e VI.... O primeiro autor a falar da assunção corpórea de Maria, em associação com um transitus apócrifo, foi São Gregório de Tours".
     A Igreja Católica jamais afirmou ou negou que seu ensinamento tenha se baseado em relatos apócrifos. Os documentos eclesiásticos nada comentam sobre o assunto e, ao invés disso, apontam outras fontes e argumentos como base para a doutrina.
     Nossa Senhora morreu, na Assunção a presença dEla cessou; nós não a vemos com os nossos olhos carnais, mas Ela deixou um perfume por toda a Igreja que se prolongará por séculos, perfume que se exprime pelo inefável que sentimos em nossa alma quando se fala de Nossa Senhora. Nossa Senhora continua a visitar os seus filhos, não há palavras para exprimir o inexprimível: Ela é a Mãe de Nosso Senhor Jesus Cristo, está tudo dito!

Fontes:


sábado, 12 de agosto de 2017

Beata Vitória Diez y Bustos de Molina, Virgem e mártir - 12 de agosto

Martirológio: Na cidade de Hornachuelos perto de Córdoba na Espanha, Beata Vitória Diez y Bustos de Molina, virgem e mártir, que, professora no Instituto Teresiano, no início das hostilidades contra a Igreja confessou sua fé cristã e foi martirizada enquanto incentivava os outros a fazer o mesmo.

     Vitória era filha única e talvez um pouco sufocada pelo amor de seu pai José Diez Moreno e de sua mãe Victoria Bustos de Molina. Ela nasceu em Sevilha em 11 de novembro de 1903, cresceu com estes pais super protetores, cada vez mais preocupados com a fragilidade de sua constituição, internamente dividida entre um senso de dever para com a sua família e um desejo missionário que a cada ano se torna mais insistente.
     Ao custo de não poucos sacrifícios, os pais, de condição modesta, fizeram-na estudar e ela se diplomou professora em 1923. Vitória tinha notáveis qualidades artísticas que a levaram a estudar seis anos na Escola de Artes e Ofícios de Sevilha, mas ela era sobretudo mestra e gostava que a chamassem assim.
     Mais ou menos nessa época ela conheceu a espiritualidade de Santa Teresa de Ávila e ficou fascinada; entrou em contato com a Associação Teresiana que a conquista. É uma associação de leigos, homens e mulheres, que de acordo com suas vocações específicas, realizam em vários campos educacionais, culturais e profissionais, a vocação cristã dos leigos no mundo "no estilo dos primeiros cristãos". Foi fundada por um sacerdote inflamado de amor pelas almas, Pe. Pedro Poveda Castroverde (ele também elevado à glória dos altares).
     A jovem professora que está à procura de uma casa e está fazendo concursos para poder lecionar, sente que a Instituição Teresiana pode representar a realização de sua vocação missionária, pois permite, mantendo-se no mundo, viver seu papel como professora e evangelizadora.
     Em 1927, Vitória ganhou seu primeiro concurso como professora e recebeu a primeira aguardada nomeação, mas teve que se mudar para Cheles, uma aldeia da Estremadura, próximo da fronteira com Portugal, onde permaneceu por um ano, na companhia de sua mãe. No ano seguinte se mudou para Hornachuelos, a meio caminho entre Córdoba e Sevilha.
     No ano de 1928 ela se consagra ao Senhor na Instituição Teresiana e isto parece dar asas ao seu apostolado, porque o local para onde obteve a transferência a fez arregaçar as mangas e mergulhar no trabalho, sem tentar o impossível, mas também não contente com o pouco que já existe. Organiza e dá um novo impulso à Ação Católica, programa cursos noturnos para as mulheres que trabalham, encontra um novo lugar para sua escola, trava relações com as famílias dos seus alunos e consegue criar uma rede de apoio e ajuda aos mais necessitados, organiza aulas de catecismo para as crianças da paróquia, e se tornar presidente da Câmara Municipal. Trabalha sempre com a Associação das Filhas de Maria. Organiza a Associação Missionária da Santa Infância. Com um colega organizou os Círculos de Ação Católica.
     Era de compleição débil, sofreu várias doenças, como quando em 1932, devido a dores de garganta, foi operada e depois tiraram-lhe todos os dentes, mas não melhorou; sofreu também do estomago, porém nunca perdeu sua alegria e seu amor a Maria Santíssima e a Eucaristia.
     Em nível pessoal sustentava seu apostolado com uma forte vida de fé e atos de caridade requintados para alunos carentes, para ao quais ela se priva mesmo da comida que a mãe lhe dá. Assim, desempenhando um papel importante na região, ela acabou por ficar no olho do furacão quando da eclosão da guerra civil espanhola e da perseguição religiosa contra a Igreja Católica.
     Com a chegada da república, fizeram-na tirar o crucifixo e a imagem de Nossa Senhora da escola, com o que não deixou de protestar, embora cumprisse a ordem. Em 1934, queimaram a paroquia de Hornachuelos e o clima passou a ficar mais tenso para os católicos. Em 1935, participou em Leon de uma reunião de teresianas com São Pedro Poveda, que as animou a seguir com seu trabalho, apesar do que pudesse acontecer, sempre colocadas nas mãos da Providência.
     A propaganda antirreligiosa fez distribuição de livros e panfletos que ela meticulosamente destruía para evitar a influência negativa sobre a educação moral e religiosa de seus alunos.
     Em 20 de julho de 1936, a igreja paroquial foi assaltada e o pároco foi preso; em 11 de agosto cabe a ela ser presa junto com outras pessoas em uma casa convertida em prisão. Na madrugada do dia seguinte, ligados aos pares, são dezoito os condenados à morte que desfilam pela cidade escoltados por milicianos, em direção à uma mina, e ela, a única mulher do grupo, incitava e encorajava os homens, especialmente aqueles que tremiam ao pensamento da morte iminente.
     Caminharam 12 km em direção à mina. E esta marcha talvez mais do que tudo a tenha convertido em uma mulher excepcional. Não era mais somente uma boa professora, suave e disponível, era agora uma mulher de fé que caminhava com a força do guerreiro que sabe carregar seus próprios medos, e os dos outros, dando ânimo ao grupo: “coragem” era sua palavra constante. “Coragem, adiante!”. Em uma ocasião ela tinha escrito: “Se é preciso dar a vida para identificar-se com Cristo, desde hoje deixo de existir...”. “Se é preciso morrer, se morre!”, havia afirmado São Pedro Poveda.
     Depois de um julgamento simulado, cada condenado era posicionado ao lado da boca do poço e fuzilado, de modo que o corpo caísse diretamente dentro. A última a ser chamada foi ela, a qual prometem a liberdade imediata se gritasse "Viva o comunismo".
     Parecia muito pouco para ela salvar sua vida, mas isso seria negar sua fé e com ela renegar toda a sua vida e seu compromisso apostólico até então profícuo. Então ela respondeu: "Eu digo o que penso: Viva Cristo Rei e viva a minha Mãe", referindo-se a imagenzinha que tinha consigo, e as suas palavras foram cobertas pelos tiros que a fizeram desaparecer com os outros no poço da mina.
     Dali ela foi retirada em novembro para ser enterrada no cemitério da cidade e trinta anos depois foi transladado para a cripta da Instituição Teresiana de Córdoba. A Igreja reconhece em Vitória Diez y Bustos de Molina uma testemunha da fé, cuja morte ocorreu em "odium fidei", e o papa João Paulo II a proclamou beata em 10 de outubro de 1993.

Fontes:
www.santiebeati/it

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Santa Lélia, Virgem – 11 de agosto

Martirológio: Na Irlanda, em uma cidade que leva seu nome, Santa Lélia, virgem

     Algumas dioceses irlandesas, incluindo principalmente a de Limerick, comemoram atualmente Santa Lélia, celebração relatada também no novo Martirológio Romano que a tinha excluído em edições anteriores.
     Há incerteza quanto ao local e a época que a santa teria vivido. Parece que ela era de origem irlandesa e sua existência deveria ser colocada aproximadamente no século VI. Finalmente, parece atribuível a ela o estabelecimento de um número de casas religiosas na província de Munster.
     Às vezes Lélia também é identificada com Santa Liadhain de Dalcassia, bisneta do príncipe Cairthenn, batizado perto de Singland por São Patrício, Apóstolo da ilha celta. Ela deu o nome à Killeely (Cill Liadaini), cidade no condado de Limerick.
*
     A diocese de Limerick mantém hoje a festa de Santa Lélia, bem como uma comemoração em todas as outras dioceses irlandesas. O cônego O'Hanlon, em suas vidas dos santos irlandeses, diz desta donzela que "sua época e sua localização não nos foram claramente reveladas, mas há boas razões para supor que ela viveu em um período remoto, e muito provavelmente ela levou uma vida de estrita observância, se ela não presidiu alguma instituição religiosa na província de Munster".
     Lélia é geralmente identificada como a santa de Dalcassia, Liadhain, bisneta do príncipe Cairthenn, que São Patrício batizou em Singland. Não há detalhes ou tradições sobre ela (no século 17, foi dito que ela era irmã de São Munchin), mas ela dá seu nome à Killeely (Cill Liadaini), dentro do limite da cidade de Limerick. Seu dia de festa é 11 de agosto.

Vide LIS., vol. viii, p. 170, e notas por Mons. Canon M. Moloney em North Munster Antiquarian Journal, 1936, p. 39, e St Munchin's Folk, 1948, p. 18.


Igreja em honra a Sta. Lélia, Limerick, Irlanda

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Santa Maria da Cruz (Maria Helena MacKillop), Fundadora – 8 de agosto

     
     Maria Helena MacKillop nasceu em Fizroy, Melbourne (Austrália), em 15 de janeiro de 1842. Foi batizada seis semanas depois. Seu pai, Alexandre MacKillop, era escocês e havia sido educado no Colégio Escocês em Roma e na Faculdade Kincardineshire Blair para o sacerdócio, mas, na idade de 29 anos, pouco antes de sua ordenação, deixou os estudos e decidiu emigrar para a Austrália. Chegou a Sidney em 1838. Sua mãe, Flora MacDonald, deixou a Escócia e chegou a Melbourne em 1840. Eles se casaram em Melbourne em 14 de julho de 1840 e tiveram oito filhos. Destes, Donald se tornou sacerdote Jesuíta e trabalhou entre os aborígines no Território do Norte. Maria, a mais velha, foi educada por seu pai e em escolas privadas. Ela recebeu sua Primeira Comunhão em 15 de agosto de 1850 com apenas 8 anos.
    Em fevereiro de 1851, Alexandre MacKillop hipotecou suas terras e suas ferramentas de trabalho e sustento para realizar uma viagem à Escócia, que durou uns 17 meses. Ele foi um pai e marido amoroso, porém não tinha habilidade para o campo, por isso nunca foi capaz de progredir. Durante muitas oportunidades a família teve que sobreviver com pequenos ganhos obtidos pelas crianças.
    Maria começou a trabalhar com a idade de catorze anos como escriturária em Melbourne e depois como professora em Portland. Em 1860, para manter a sua necessitada família, aceitou um trabalho como governanta em Penola no sul da Austrália. Seu trabalho consistia em cuidar e educar crianças.
    Sempre que lhe era possível ajudava os pobres, e começou a cuidar das crianças das outras fazendas do Estado de Cameron, entrando em contato com o Padre Julião Tenison Woods, que era o pároco do território sudeste desde sua ordenação sacerdotal em 1857, e se tornou seu diretor espiritual.
     Em 1864 abriu sua própria escola, Bay View House, Seminário para Moças, hoje Bayview College, e foi acompanhada pelo resto de sua família.
Sta. Maria da Cruz aos 17 anos
     O Padre Woods sempre se preocupara com a educação e particularmente com a formação católica deficiente no sul da Austrália. Em 1866 ele convidou Maria Helena e suas irmãs Annie e Lexie para irem a Penola para abrir uma escola católica. Essa escola foi inaugurada em um estábulo, adaptado pelos irmãos de Maria, e onde ela e as irmãs logo começaram a educar mais de cinquenta crianças.
     O Padre Woods foi nomeado Diretor de Educação, e, junto com Maria, tornou-se o fundador. Maria fez uma declaração de sua dedicação a Deus e começou a vestir-se de preto. Em 1867 a recém-formada Congregação das Irmãs de São José do Sagrado Coração de Jesus, para o ensino, tornou Maria a primeira Irmã e a superiora do instituto, tendo ela se mudado para o novo convento em Grote Street, Adelaide. Aos 25 anos ela adotou o nome religioso de Irmã Maria da Cruz.
    No ano seguinte, abriu uma segunda escola em Adelaide, a pedido do Bispo Laurence Boaventura Sheil, e as atividades se estenderam a assistência dos órfãos, dos pobres, dos velhos.
    A Regra da Congregação das Irmãs de São José do Sagrado Coração foi escrita pelo próprio Padre Woods, e foi aprovada pelo Bispo Sheil, em 1867. No final daquele ano outras dez Irmãs se uniram à Congregação. Era a primeira ordem religiosa fundada por uma australiana.
    Em 1872, o Bispo Sheil excomungou Madre Maria Helena devido a desentendimentos sobre matéria educativa, vistos por ele como desobediência, e dissolveu a Congregação. Cinco meses depois, no leito de morte, o bispo confessou seu erro e voltou atrás na sua decisão, diante da vida exemplar de Madre Maria.
    Em 1873, Madre Maria viajou para Roma e se entrevistou com o Papa Pio IX, a fim de obter aprovação para o Instituto, o qual deu o beneplácito para sua obra. Ela então refez a Regra original escrita pelo Padre Woods, que por isso se afastou da Congregação. Madre Maria visitou naquela ocasião a Inglaterra, a Escócia e a Irlanda, onde recrutou novas Irmãs.
    A partir de então sua responsabilidade pela obra foi total, tendo que enfrentar duras lutas e sacrifícios percorrendo longas distâncias para visitar, apoiar, ajudar as suas Irmãs aonde quer que se encontrassem. Ao longo da década de 1880, a Congregação inaugurou escolas por todo país e na Nova Zelândia.
     Mas os conflitos com a hierarquia da Igreja australiana não tinham ainda terminado: nos anos 1880, enfrentou uma desavença com o então bispo Christopher Reynolds, que ordenou que ela deixasse a diocese de Adelaide devido a desentendimentos sobre a tutela de escolas e instituições de caridade.
    Em 1888, seria de novo um papa, Leão XIII, a tomar o partido de uma mulher descrita como carinhosa, mas determinada, com um enorme amor pelo próximo e grandes olhos azuis como traço físico marcante. Leão XIII aprovou a Congregação, com a disposição de haver uma Superiora Geral em Sidney.
    Dedicada à educação das crianças pobres, foi a primeira Congregação religiosa fundada por australianos. A Regra escrita pelo Padre Woods e por Madre Maria para as Irmãs enfatizava a pobreza, uma dependência total à Divina Providência - não podiam ter propriedades pessoais, confiando sempre que Deus proveria o necessário - e as Irmãs deveriam ir aonde se fizessem necessárias.

A Sta. com a irmã e o irmão jesuíta
     A principal preocupação de Madre Maria da Cruz nesta época era com a formação espiritual e profissional das irmãs. Em 1900 foram inaugurados dois noviciados, em Adelaide e Sidnei. A Escola na qual as irmãs ganhavam prática como professoras, ao Norte de Sidnei, ainda hoje existe, sendo parte da Universidade Católica Australiana. 
     Também em 1900, as irmãs de Queensland, que haviam se separado por instigação do Bispo local, retornaram à Congregação. O novo Bispo Higgins não apenas incentivou como reabriu a diocese para o trabalho das irmãs. Também foi incorporado o Instituto da Irmãs de Wilcannia.
     Em 1903, foi aprovado o voto feminino no país. Madre Maria da Cruz escreveu para as irmãs incentivando que se alistassem e procurassem atentamente escolher candidatos de acordo com os ensinamentos da Igreja. 
     Madre Maria da Cruz padeceu de reumatismo durante anos, e em 1901 foi aconselhada a ir descansar nas águas termais em Roturoa, Nova Zelândia. Estando lá teve um derrame que deixou seu lado esquerdo paralisado, ficando presa a uma cadeira de rodas, apesar de ter conservado as faculdades mentais. Após retornar para a Austrália, ela procurou manter uma rotina de visitas às escolas e orfanatos próximos a Sidnei, além de escrever muitas cartas para as diversas casas. Mesmo com sua saúde frágil, foi reeleita em 1905, embora as tarefas administrativas diárias já estivessem sob responsabilidade da Irmã La Merci. 
     Madre Maria MacKillop faleceu no dia 8 de agosto de 1909 no convento josefita ao norte de Sidnei e foi enterrada no Cemitério Gore Hill. Depois de seu enterro as pessoas começaram a pegar terra ao redor de seu túmulo o que levou a que a exumassem e transferissem para a nova Capela em Mount Street, Sidney, em 27 de janeiro de 1914.
     Quando Madre Maria da Cruz faleceu a Congregação contava com 750 religiosas e tinha 117 escolas e centros de acolhimento para pobres. Sua ação contribuiu para a difusão do Catolicismo na Austrália e Nova Zelândia. Quase cem anos depois da morte de Madre Maria MacKillop, as Irmãs estão trabalhando em muitos povoados no Sul da Austrália, incluindo Aldgate em Adelaide Hills.
    Atualmente as Irmãs de São José do S. Coração de Jesus é o grupo mais numeroso de religiosas presente na Austrália, com difusão na Nova Zelândia, Peru, Brasil e Tailândia.
     Madre Maria foi beatificada por João Paulo II em 19 de janeiro de 1995. Em 19 de dezembro de 2009, Bento XVI autorizou a promulgação do decreto que reconheceu um milagre atribuído à intercessão da Beata Maria da Cruz. A canonização da primeira Santa australiana se realizou em 17 de outubro de 2010.
Capela de Sta. Maria da Cruz


sábado, 5 de agosto de 2017

Transfiguração do Senhor – 6 de agosto


     Nos Evangelhos sinóticos o relato da Transfiguração acontece aproximadamente no meio da narrativa. Ele é um episódio muito importante e aparece logo depois de um outro também de grande importância, a chamada “Confissão de Pedro”: "Vós sois o Cristo", servindo como mais uma revelação da identidade real de Jesus como Filho de Deus para alguns de seus discípulos.
     A festa da "Transfiguração do Senhor" acontece no mundo cristão desde o século V. Ela nos convida a dirigir o olhar para o rosto do Filho de Deus, como o fizeram os apóstolos Pedro, Tiago e João, que viram a Sua transfiguração no alto do monte Tabor, localizado no coração da Galiléia. O episódio bíblico é relatado distintamente pelos evangelistas Mateus, Marcos e Lucas.
     Assim, segundo São Mateus 9,2-10, temos: "Jesus tomou consigo a Pedro, Tiago e João, e conduziu-os a sós a um alto monte. E transfigurou-se diante deles. Suas vestes tornaram-se resplandecentes e de uma brancura tal, que nenhum lavadeiro sobre a terra as poderia fazer assim tão brancas. Apareceram-lhes Elias e Moisés, e falavam com Jesus. Pedro tomou a palavra: "Mestre, é bom para nós estarmos aqui; faremos três tendas: uma para ti, outra para Moisés e outra para Elias". Com efeito, não sabia o que falava, porque estavam sobremaneira atemorizados. Formou-se então uma nuvem que os encobriu com a sua sombra; e da nuvem veio uma voz: "Este é o meu Filho muito amado; ouvi-O". E olhando eles logo em derredor, já não viram ninguém, senão só a Jesus com eles. Ao descerem do monte, proibiu-lhes Jesus que contassem a quem quer que fosse o que tinham visto, até que o Filho do homem houvesse ressurgido dos mortos. E guardaram esta recomendação consigo, perguntando entre si o que significaria: Ser ressuscitado dentre os mortos".
     A intenção de Jesus era a de fortalecer a fé destes três apóstolos, para que suportassem o terrível desfecho de Sua paixão, antecipando-lhes o esplendor e a glória da vida eterna. Também foi Pedro, que depois, recordando com emoção o evento, nos afirmou: "Fomos testemunhas oculares da Sua majestade" (2 Pd 1, 16).
     O significado dessa festa é, e sempre será, o mesmo que Jesus pretendeu, naquele tempo, ao se transfigurar para os apóstolos no monte, ou seja, preparar os cristãos para que, em qualquer circunstância, permaneçam firmes na fé em Cristo.
     Em outros trechos do Novo Testamento, a referência de São Paulo em 2 Coríntios 3:18 à "transformação" através da "imagem de glória em glória" se tornou a fonte teológica para considerar a Transfiguração como a base para o processo que leva o fiel ao conhecimento de Deus.
     Somente em 1457, esta celebração se estendeu para toda a Cristandade, por determinação do Papa Calisto III, que quis enaltecer a vitória no ano anterior das tropas cristãs sobre os turcos muçulmanos que ameaçavam a liberdade na Europa.

Fonte:
http://www.catolicismoromano.com.br/content/view/2939/48/
Basílica da Transfiguração no Monte Tabor