segunda-feira, 23 de abril de 2018

Beata Helena Valentini de Údine, Religiosa Agostiniana – 23 de abril

    
     Na bela cidade de Údine, Itália, nasceu Helena em 1396 (ou 1397), na família dos Valentini, senhores de Maniago. Foi uma adolescente de boas qualidades e de edificante espírito religioso. Muito jovem se casou, em 1414, com o nobre Antônio Cavalcanti; o casal teve três filhos e três filhas.
     Seu esposo faleceu em setembro de 1441, por causa de uma doença contraída enquanto desempenhava uma embaixada de sua cidade em Veneza. Ela então decidiu retirar-se do mundo e providenciou o que se fazia necessário à vida dos filhos. Sob a influência da palavra vibrante do agostiniano Ângelo de São Severino, se fez terceira agostiniana. Entregou-se às obras de misericórdia com sua ação e seus bens. Antes e depois da oração, dedicava grande tempo à leitura. O Evangelho era sua leitura preferida.
     Autorizada pelo padre provincial dos agostinianos, em 1444 fez voto de silêncio absoluto, interrompido somente por ocasião do Natal para se entreter em breves e edificantes conversações com seus filhos e alguns familiares.
     Depois de ter emitido a profissão, até 1446, continuou a viver na casa deixada para ela pelo marido; em seguida foi morar com a Irmã Perfeita, ela também terceira agostiniana. Amava a Ordem Agostiniana de coração. Dando exemplo aos demais, obedecia ao Prior provincial e aos outros superiores.
     Levou sempre uma vida de penitência e de rigorosa mortificação, alimentando-se quase que somente de pão e água, dormindo sobre um duro leito de pedras recoberto de uma fina camada de palhas, flagelando-se continuamente e caminhando com trinta e três pedras nos sapatos “por causa do amor que tive aos bailes e danças que no mundo frequentei ofendendo ao meu Senhor, e pelo amor que levou o meu terno Jesus a caminhar durante trinta e três anos no mundo por amor de mim”.
     Todas as formas de penitência que ela se impunha sempre foram inspiradas pelo duplo motivo: imitação de Nosso Senhor Jesus Cristo e antítese de sua vida anterior. Com grande força e ânimo, numa pequena cela na sua casa, enfrentou toda sorte de provações e somente saia para rezar e meditar na sua querida igreja de Santa Luzia.
     A sua vida de completa renúncia e de luta foi confortada por êxtases e visões celestes, e Deus a recompensou com o dom dos milagres e do conhecimento de coisas ocultas.
     Como resultado da fratura dos fêmures, a Beata permaneceu os últimos três anos de vida presa a seu pobre e duro leito, demonstrando uma grande serenidade e paciência até a morte, que ocorreu no dia 23 de abril de 1458.
     Foi sepultada na igreja de Santa Luzia aonde costumava abandonar-se à contemplação, oculta no pequeno “oratório” de madeira que mandara construir para livrar-se da admiração e curiosidade dos fiéis.
     Depois de vários traslados, em 1845 os despojos da Beata encontraram um digno local na Catedral de Údine, onde ainda hoje estão expostos à veneração pública. Seu culto foi confirmado em 1848 pelo Beato Pio IX. A sua memória litúrgica acontece em 23 de abril.
      O espírito de penitência, a humildade, a devoção à Paixão do Senhor, o amor à Eucaristia e o espírito de serviço ao próximo marcaram sua vida.

Fontes:
www.santiebeati.it/
http://es.catholic.net/op/articulos/35002/elena-valentini-de-udine-beata.html#
http://augustinians.net/index.php?page=helenudine_es

Este resumo apareceu pela 1ª vez neste blog em 22 de abril de 2013.

Údine, Itália
     
     Em 983 a.D., Údine é mencionada pela primeira vez, junta da doação do Castelo de Utinum pelo imperador Oto II aos patriarcas de Aquileia, então principais senhores feudais da região. Em 1223, com a fundação do mercado, a cidade transformou-se na mais importante para a economia, e transformou-se também no assento dos patriarcas.
     Udine, a histórica capital do Friuli Venezia Giulia, é conhecida por sua rica história, saborosos vinhos e boa comida. Fundada em 1220, é a maior cidade da região a 40 quilômetros da fronteira com a Eslovênia, tendo uma linda vista para os Alpes e o Mar Adriático.
     A cidade sofreu um grande terremoto em 1511 que destruiu as antigas construções, mas a reconstrução em estilo renascentista tornou Udine ainda mais maravilhosa. O patrimônio histórico e artístico de Udine está no Castelo que foi construído após o terremoto, um dos salões mais antigos do parlamento europeu.
     Em 1420, Údine foi conquistada pela República de Veneza. Em 1511 foi o palco de uma guerra civil curta, seguida por um terremoto e por uma epidemia. Údine remanesceu sob o controle veneziano até 1797, tendo grande importância. Depois de um curto domínio francês que seguiu, tornou-se parte do reino de Lombardia-Veneza e por fim incluída no reino recentemente formado, a Itália em 1866.
     Durante a 1ª. Guerra Mundial, até a derrota na Batalha de Caporetto, o alto comando italiano se estabeleceu em Údine, que foi apelidada de "Capitale della Guerra” ("Capital da Guerra") e "la Parigi del Fronte" ("a Paris da Fronteira"). Depois da guerra, ela foi feita capital de uma província que existiu durante pouco tempo (Província del Friuli) que incluía as atuais províncias de Gorizia, de Pordenone e de Údine. Após o oito de setembro de 1943, em que a Itália se rendeu aos aliados na 2ª. Guerra Mundial, a cidade passou à administração direta da Alemanha, que cessou em abril de 1945.
 
A Catedral de Údine

sexta-feira, 20 de abril de 2018

Santa Inês de Montepulciano, Virgem - 20 de abril

    
     Inês nasceu em 28 de janeiro de 1268, na aldeia de Graciano, próxima da cidade de Montepulciano. Era filha de pais riquíssimos, da família dos Segni.
     Algumas das mais conhecidas legendas aconteceram em sua infância, a começar pelo seu nascimento, quando sua casa foi cercada por muitas luzes. Mal aprendeu a falar e já ficava pelos cantos recitando orações, procurando lugares silenciosos para conversar com Deus. Não tinha ainda seis anos quando manifestou aos pais a vontade de tornar-se religiosa, pois durante uma visita com sua família a Montepulciano conheceu as “freiras franciscanas do saco”, assim chamadas por causa do rústico hábito, e desejou ingressar naquele convento.
     Como seus pais dissessem que ela era muito jovem, ela implorou que eles mudassem para Montepulciano de modo que ela pudesse fazer visitas mais frequentes aquele convento. Por causa da instabilidade política, seu pai estava com receio de mudar de um lugar seguro, mas permitiu que ela visitasse com mais frequência as “freiras do saco”.
     Em uma dessas visitas um evento levou todos os autores dizerem que teria sido profético. Inês estava em Montepulciano com sua mãe e com uma mulher da casa, quando elas passaram por uma colina onde havia um bordel e um bando de corvos, voando baixo, atacaram a menina. Eles conseguiram arranhá-la antes que as mulheres pudessem afastá-los. Surpresas com o ataque, mas seguras de si, elas disseram que o ataque devia ser coisa do demônio que se ressentia da pureza da pequena Inês a qual um dia os afastaria daquela colina.
     Aos nove anos pediu para ser admitida no mosteiro onde foi imediatamente aceita. Sua formação religiosa foi entregue a experiente Irmã Margarete e Inês logo surpreendeu a todos pelo seu excepcional progresso. Por 5 anos ela teve uma paz completa que ela jamais voltaria a ter. Aos 14 anos foi indicada como auxiliar da tesoureira e nunca mais ficou sem sentir alguma responsabilidade pelos outros.
     Inês alcançou um alto grau de contemplação e foi abençoada com várias visões. Uma das mais belas foi a da visita da Virgem. Nossa Senhora veio com o Divino Infante em seus braços e permitiu que Inês O segurasse. Quando a Virgem foi de novo segurá-Lo ela não O soltou, e assim ela acordou de seu êxtase: a Virgem e o Menino Jesus haviam partido, mas Inês estava agarrada a um lindo crucifixo de ouro. Ela passou a usá-lo com uma corrente em seu pescoço e o guardou toda sua vida como um tesouro precioso.
     Em outra ocasião Nossa Senhora deu a ela três pequenas pedras e disse que algum dia ela deveria construir um convento com elas. A Virgem disse a ela para guardar as três pedras em honra à Santíssima Trindade.
     Algum tempo depois foi aberto em Procena, próximo de Orvieto, um novo convento Franciscano e as irmãs pediram às freiras de Montepulciano que enviassem uma superiora. Irmã Margarete foi selecionada, mas estipulou que Inês deveria ir com ela para ajudar na fundação da nova comunidade. Ali Inês serviu como “dona de casa” uma grande responsabilidade para uma jovem de 14 anos. Logo muitas outras jovens entraram para o Convento de Procena atraídas pelo exemplo de Inês.
     Ainda não completara dezesseis anos de idade quando suas companheiras de convento a elegeram superiora e o papa Nicolau IV referendou essa decisão incomum. Diz a tradição que o Papa teve uma visão para permitir que ela ocupasse o cargo.
     No dia que ela foi consagrada Abadessa, uma chuva de cruzes bancas flutuava dentro da capela e em volta das pessoas. Parecia ser uma comemoração celestial a uma situação bastante extraordinária: uma menina sendo consagrada Abadessa!
     Contudo sua atuação no Cristianismo fica bem demonstrada com uma vitória histórica que muito contribuiu para sua canonização. Inês dizia às religiosas que um dia transformaria aquele bordel da colina em convento. Partindo dela, prometer, lutar e conseguir não era surpresa alguma para ninguém. A surpresa foi ter conseguido ir além do prometido, tanto influenciou as mulheres, que as pecadoras se converteram e a casa se transformou num convento exemplar na ordem e na virtude.
     Por 20 anos Inês viveu em Procena. Era uma Superiora cuidadosa e às vezes fazia milagres para aumentar o suprimento de pão quando este era pouco no convento. Ela orava e a despensa milagrosamente ficava repleta de pães.
     A disciplina desta abadessa era legendária. Ela viveu de pão e água por 15 anos. Dormia no chão, com uma pedra como travesseiro. É dito que em suas visões os anjos lhe traziam a Sagrada Comunhão; quando ela se ajoelhava para orar, os lírios ou rosas por perto desabrochavam imediatamente.
     Quando suas visões ficaram conhecidas, os cidadãos de Montepulciano a chamaram de volta para uma pequena estadia. Ela foi sem muita vontade, porque não gostava de deixar sua clausura. Mas logo que chegou ficou sabendo que eles a haviam chamado para construir um novo convento. Em uma visão foi-lhe dito para deixar os Franciscanos e que ela seria no futuro uma Dominicana.
     Em 1306 Inês retornou a Montepulciano e iniciou a construção do convento no local do antigo bordel. Tudo o que ela tinha eram as três pedras dadas pela Virgem Maria e como tinha sido tesoureira, ela conhecia um pouco o que fazer. Após uma discussão com os moradores da colina, onde ela queria a fundação, a terra foi finalmente obtida e o Prior servita colocou a primeira pedra. Inês terminou a construção do convento e da igreja, a que deu o nome de Santa Maria Novella, bem antes do tempo normal e com várias aspirantes para o novo convento.
     Inês estava convencida que a nova comunidade precisava ser ancorada em uma Constituição ou Regras bem estabelecidas para obter de Roma a licença permanente. Ela explicou que as Regras deveriam ser as Dominicanas. O novo convento foi aprovado e ela foi indicada como Abadessa e os Dominicanos concordaram em providenciar os capelães e as diretrizes para a nova comunidade.
     Com a idade de 49 anos a saúde da Santa começou a decair rapidamente. Santa Inês veio a falecer logo depois, em 20 de abril de 1317, e disse às irmãs que estavam com ela: Vocês descobrirão que eu não as abandonarei. Eu estarei com vocês para sempre.
     Os frades e as irmãs dominicanas queriam embalsamar o corpo de Inês e para tanto iam enviar pessoas a Genova para comprar bálsamo. Mas, isso não foi necessário: das mãos e dos pés da Santa pingava um líquido de cheiro doce que embebia o papel com que cobriram o seu corpo. O eco do milagre fez com que muitos doentes acorressem desejando ser ungidos pelo óleo milagroso.
     São Raimundo de Cápua, o biografo de Santa Inês, relatou que 50 anos após a morte dela seu corpo ainda estava intacto como se ela tivesse acabado de morrer, e muitos foram os milagres de cura que tiveram lugar na igreja, atualmente conhecida como Igreja de Santa Inês. Esses milagres foram registrados por um notário público, já poucos meses após a morte da Santa.
     Ela foi enterrada em Montepulciano e seu túmulo logo se tornou local de peregrinação. Uma das mais famosas peregrinas a visitar seu Santuário foi Santa Catarina de Sena que foi venerá-la e também visitar uma sobrinha de nome Eugênia que era freira no convento. Quando ela se inclinou para beijar os pés de Inês ficou maravilhada ao ver que ela levantava seu pé suavemente de encontro aos seus lábios.
     Em 1435 seu corpo incorrupto foi levado para um lindo Santuário em uma igreja Dominicana em Orvieto, onde está até hoje. O Papa São Clemente VIII aprovou um Oficio para uso na Ordem de São Domingos e inseriu seu nome no Martirológio Romano.
     Ela foi canonizada pelo Papa Bendito XIII em 1726. É padroeira de Montepulciano.

Fontes: http://alexandrinabalasar.free.fr

Corpo incorrupto de Sta. Inês de Montepulciano


Este texto apareceu pela 1a. vez neste blog em 19/4/2014

quinta-feira, 19 de abril de 2018

Santa Marta da Pérsia, Virgem e mártir – 19 de abril


Sta. Marta, Ss. Mário, Audifax e Ábaco, Mártires




     A Igreja comemora hoje São Mário, Santa Marta, Santo Audifax e Santo Ábaco, que saíram da Pérsia e foram em peregrinação até Roma, para rezar no túmulo dos mártires. Ainda hoje todo o mundo festeja a prova de fé dada por esta família. Há quem afirme que São Mário e Santa Marta eram casados, e Audifax e Ábaco, seus filhos. Não temos nada que possa comprovar historicamente.

     Durante esta viagem São Mário ajudou várias famílias cristãs, dando sepultura digna aos seus entes queridos, mortos pelas perseguições. Foram mais de 260 mártires, cujos corpos jaziam insepultos.  

     Foram apanhados pelos soldados do imperador Cláudio II enquanto cumpriam este dever cristão. Presos, recusaram-se a oferecer sacrifícios aos deuses pagãos e não renunciaram à Fé cristã.  

     São Mário, Audifax e Ábaco foram martirizados e mortos na via Cornélia, e os corpos incinerados para que nenhum fiel pudesse recolher seus restos mortais e celebrar sua memória. Já Santa Marta foi condenada à morte por afogamento. Hoje, no local do ocorrido, ainda existem as ruínas de uma antiga igreja, construída para reverenciar os quatro Santos.


segunda-feira, 16 de abril de 2018

Santa Catarina Tekakwitha, o Lírio dos Mohawks - 17 de abril

    
     O sangue dos mártires é semente de santos. Nove anos depois que os jesuítas Isaac Jogues e Jean de Lelande foram capturados por guerreiros iroqueses, uma menina nasceu perto do local de seu martírio, Auriesville, Nova York.
     No ano de 1655, uma jovem índia foi capturada durante uma invasão dos Iroqueses. Seu nome era Kahenta. Nascera Algonquin e fora convertida pelos padres jesuítas. Levada para o território dos Mohawks, ela se casou com um chefe Mohawk pagão, que a salvara das torturas e morte, destino de muitos cativos. A aldeia dos Mohawks ficava em Ossernenon, ao longo da margem sul do Rio Mohawk, próximo da atual Auriesville, Estado de Nova York.
     No mês de abril de 1656, nasceu a pequena Tekakwitha, “a que põe as coisas em ordem”, e tempos depois seu irmãozinho. Embora sua mãe fosse cristã, seu pai não permitia que ela batizasse seus filhos. Tekakwitha tinha mais ou menos quatro anos quando uma epidemia de varíola exterminou muitos habitantes da aldeia, entre eles seus pais e irmão. A pequena sobreviveu, mas a doença deixou marcas em seu rosto, sua visão foi afetada e sua saúde se ressentiria para sempre. Tendo ficado órfã, seu tio, o novo chefe da aldeia, a adotou.
     Após a epidemia, a aldeia foi abandonada e os sobreviventes construíram um novo povoado chamado Caughnawaga, há umas cinco milhas de distância.
     Embora Tekakwitha não fosse batizada, ela era católica no fundo da alma. Ela sentia muita solidão, em parte devido à sua pouca visão e à sua aparência, mas também porque percebia o que tinha de errado na vida dos Mohawks. Eles mostravam-se ferozes na guerra e frequentemente cruéis na vitória. Praticavam o canibalismo e os costumes primitivos eram agravados pela prática de cultos demoníacos. Ela fugia das danças e orgias pagãs. As torturas brutais de prisioneiros era algo em que toda a aldeia participava com entusiasmo, mas Tekakwitha não podia ver os sofrimentos impingidos às vítimas e permanecia sozinha em sua tenda.
     Ela era uma criança doce e tímida, levava a vida normal de uma menina nativa e foi criada de acordo com os costumes dos Mohawks. Aqueles que a tinha conhecido quando criança disseram que “ela era habilidosa, especialmente ao fazer objetos como os outros nativos”. Ela trabalhava peles de porco-espinho e de alce, e fazia cintos de madeira e contas. Suas ocupações cotidianas eram descascar o milho, fazer o pão nativo, procurar água, carregar madeira e servir a comida.
Aldeia Mohawks nos anos 1600
     Os Iroqueses foram vencidos pelos Franceses quando ela tinha em torno de dez anos. Um tratado de paz foi assinado, que permitia aos padres jesuítas a ida às aldeias Mohawks. Segundo a lei da hospitalidade em vigor entre os índios, os viajantes deviam ser bem recebidos, apesar das hostilidades entre Franceses e Iroqueses.
     Ao chegar aos 17 anos de idade, segundo as tradições dos iroqueses, ela deveria se casar com algum guerreiro da tribo. Competia aos parentes a escolha do noivo, problema, aliás, fácil de resolver em se tratando da família de um cacique. Seus tios, frustrados por suas contínuas recusas ao casamento, decidem enganá-la. Uma noite, eles pedem que ela vista suas melhores roupas, pois receberiam convidados. Eles chegaram: era um jovem e sua família. Os tios fazem-no sentar-se ao lado de Tekakwitha e ordenam que ela sirva sopa ao rapaz. Logo ela percebeu a trama: se ela oferecesse a ele a tigela, isto significaria que ela aceitava o casamento. Ela atirou a sopa no fogo e correu para fora da tenda em lágrimas, escondendo-se na plantação de milho até que os convidados tivessem partido.
     No ano de 1670, a Missão de São Pedro foi estabelecida na aldeia Caughnawaga e uma capela foi construída em uma das tendas. Em 1674, o Padre James de Lamberville, jesuíta missionário, chegou a Caughnawaga para cuidar da Missão de São Pedro.
     Um dia, o Pe. de Lamberville, sabendo embora da hostilidade de seu tio, seguiu um forte impulso e foi visitá-la quando Tekakwitha estava confinada à maloca depois de ferir a perna. Ela nunca havia encontrado esse padre antes, mas quando ele perguntou se havia algo que ele pudesse fazer por ela, ela disse a ele que queria se tornar católica. Há muito ela se sentia atraída pela fé católica, talvez em parte por causa da influência de sua mãe, mas também por observar o comportamento de outros cristãos na aldeia. Ela estava muito preocupada que seu tio desaprovasse, mas quando o Pe. De Lamberville convidou-a a ir rezar na capela, foi o encorajamento de que ela precisava.
      Vendo a sinceridade da jovem, ele concordou em instruí-la. Depois de muita resistência, seu tio finalmente cedeu e deu seu consentimento para que ela se tornasse cristã, contanto que ela não tentasse deixar a aldeia indígena. No dia 5 de abril de 1676, domingo de Páscoa, com a idade de vinte anos, Tekakwitha foi batizada na pequena capela da Missão, recebendo o nome de Catarina (de Sta. Catarina de Siena). Foi uma cerimônia singela, como singela era a alma da recém-batizada. Contudo, o missionário jesuíta francês, emocionou-se: - "Foi o momento mais feliz de meu ministério", recordaria ele anos mais tarde.
     A família de Catarina não aceitou sua escolha e passou a tratá-la como uma escrava. Como ela não trabalhava aos domingos e dias santos, não recebia comida naqueles dias.  Ela se tornou objeto de crueldades por parte de seu povo. Quando ela ia para a capela ou para a fonte, as crianças atiravam lama e pedras nela.
     Apesar das hostilidades, ela humildemente continuou a servir suas tias e era fiel em acompanhar as orações e a missa. Mas quando seu cunhado retornou à vila no outono de 1677 para pedir que ela se juntasse a ele e à sua irmã da missão católica de Sault Saint-Louis (perto de Montreal) - uma jornada de “mais de 200 milhas através de bosques, rios e pântanos” - ela teve que tomar uma decisão. O Pe. De Lamberville a encorajou a aceitar o convite e Catarina conseguiu escapar da aldeia sem ser notada. Quando seu tio descobriu que ela havia fugido, carregou sua arma e saiu em perseguição. Felizmente, ela e seus companheiros conseguiram evitá-lo. Finalmente eles chegaram sãos e salvos na aldeia da Missão de São Francisco Xavier, em Sault St. Louis; Catarina corre para a capela para render graças a Deus.
    A vida em Sault (ou Kahnawake) continuou como em Caughnawaga, mas a vida espiritual dela girava em torno da Igreja. Catarina assistia a missa da madrugada todos os domingos e depois novamente às 8:00 da manhã. Entre as missas, ela permanecia na capela para rezar o seu rosário, que ela levava consigo para todo o lado. “Ela se confessava todos os sábados e se preparava batendo grandes galhos nos ombros como penitência, enquanto chorava por seus pecados. Nos dias de semana, ela assistia às orações matutinas e vespertinas e, depois de trabalhar com os outros durante o dia, ela voltava imediatamente à capela para continuar sua vigília de oração, às vezes permanecendo por várias horas diante do Santíssimo Sacramento. Apesar de dois meses apenas terem passado desde que ela chegara a Kahnawake, decidiram que estaria pronta para receber sua 1ª. Comunhão no dia de Natal, 1677”.
     Foi o dia mais feliz de sua vida. Ela tem então um lema: “Quem pode dizer-me o que mais agrada a Deus, para que eu o faça?” Embora não soubesse nem ler nem escrever, ela se dedica a ajudar os outros. Tem uma vida plena de oração, penitência, devotada a ensinar os mais jovens, a cuidar dos doentes e dos mais idosos.
     Era grande sua devoção a Mãe de Deus. Aprendeu rapidamente a Ladainha Lauretana de cor. Seu Rosário estava sempre à mão e Nossa Senhora era o seu modelo. Sempre discreta, recolhia-se por longos períodos na floresta, onde, junto a uma cruz que ela havia traçado na casca de uma árvore, ficava em oração, sem, entretanto, descuidar-se das funções religiosas, do serviço da comunidade e da família que a hospedava.
     Durante uma visita a Ville-Marie (hoje Montreal), Catarina encontrou pela primeira vez mulheres que eram celibatárias: as Irmãs Hospitaleiras de São José que eram enfermeiras no hospital. Aquela vocação foi uma revelação para ela, e ela e suas companheiras retornaram a Kahnawake, determinadas a fundar sua própria comunidade religiosa. Catarina revelou ao Padre Fremin sua ideia, mas ele descartou-a, sabendo que seria impossível naquele momento.
     A 25 de março de 1679, Catarina tornou-se Esposa de Cristo: após a Sagrada Comunhão ela fez voto de perpétua virgindade. Na mesma ocasião ela se ofereceu a Maria Ssma. como filha. A vida religiosa a atraia, mas os missionários negaram-lhe permissão, pois além de ela só ter três anos de conversão, consideravam sua delicada saúde. 
      Catarina e Maria Teresa (Tegaiaguenta) tornaram-se grandes amigas e nesse ano de 1679 obtêm permissão para começar um pequeno convento na Missão; ela havia expressado o desejo de fundar um convento só para moças indígenas,
     Como resultado de tribulações e austeridades, algum tempo depois de ter feito os votos ela caiu doente. Em breve está tão fraca, que não pode visitar a capela ou deixar o leito. Durante meses ela suportou grandes dores e febre contínua, mas nunca perdeu sua fé em Nosso Senhor Jesus Cristo e em Sua Mãe Ssma. Durante a Quaresma de 1680, alguém lhe perguntou o que ofereceria a Jesus. "Eu entreguei minha alma a Jesus no Santíssimo Sacramento, e meu corpo a Jesus na Cruz", confidenciou ela com candura. 
Antigo retrato de Catarina pintado
pelo Pe. Chauchetière entre 1682-1693
   
Após distribuir suas poucas posses aos pobres, ela se preparou para receber os últimos sacramentos. A aldeia inteira chorava essa inevitável perda.
     Na Quinta-feira da Semana Santa, dia 17 de abril de 1680, por volta das quinze horas, ela expirou pronunciando com grande dificuldade e dor: “Jesus, Maria, eu Vos amo!”
     O Pe. Pierre Cholenec, um dos presentes no instante de sua morte, conta que, “no momento de sua morte, a face de Catarina, tão desfigurada em vida, quinze minutos após seu falecimento subitamente mudou e em instantes tornou-se tão bela, que assim que eu vi isto (eu estava rezando ao seu lado) eu dei um grito, fiquei tão aturdido, e mandei chamar o padre que estava atendendo as cerimônias da Quinta-feira Santa. Ao tomar conhecimento deste prodígio, ele acorreu com algumas pessoas que estavam com ele. Nós pudemos contemplar aquela maravilha até o momento de seu funeral. Eu admito francamente que meu primeiro pensamento, na ocasião, fora que Catarina podia ter entrado no Céu naquele instante e que ela tinha recebido – como por antecipação – em seu corpo virginal uma pequena indicação da glória que sua alma já teria possuído no Paraíso”.
      Contrariando os costumes indígenas, ela foi enterrada em um caixão e seus preciosos restos mortais puderam ser facilmente preservados.
     A devoção por Catarina começou imediatamente. Antes de sua morte ela prometera, tal qual Santa Teresa de Lisieux, que se lembraria dos seus amigos da Terra e que os ajudaria do Céu. Ela logo cumpriu sua promessa: curas aconteciam quando ela era invocada ou quando se usava sua relíquia.
     Catarina foi beatificada por João Paulo II em junho de 1980, foi a primeira americana nativa declarada bem-aventurada. Em 21 de outubro de 2012 foi canonizada pelo Papa Bento XVI.
     Santuários dedicados a Santa Catarina Tekakwitha foram erigidos em São Francisco Xavier, Caughnawaga, em Auriesville e em muitos outros lugares. Milhares de fiéis peregrinam a esses locais até nossos dias.
     Cinquenta anos após a morte de Catarina, o primeiro convento de freiras nativas foi estabelecido no México e elas rezavam diariamente pela canonização de Catarina Tekakwitha, o que finalmente aconteceu.

sexta-feira, 13 de abril de 2018

Santas Berenice, Prosdócima e Domnina, mártires de Antioquia – 14 de abril

Martirológio Romano: Em Antioquia, na Turquia moderna, santas e mártires Berenice e Prosdócima, virgens, e Domnina, sua mãe, que em tempos de perseguição, para escapar das intenções de alguns que estavam tentando minar a sua pureza, enquanto tentavam escapar em fuga, encontraram o martírio nas águas de um rio.

     Berenice, Prosdócima, virgens, e sua mãe Domnina, leigas e mártires de Antioquia, nasceram na Antioquia de Síria no século III e foram martirizadas na mesma cidade nos anos 303/305.
     A Santa Domnina que celebramos hoje (diminutivo carinhoso de Domina, Senhora) é a mesma que no Martirológio anterior era celebrada em 4 de outubro, junto com as suas filhas Berenice e Prosdócima.
     O escasso testemunho que temos de Domnina é uma notícia transmitida pela “História Eclesiástica” de Eusébio de Cesareia, que conta que para escapar das garras vergonhosas dos soldados, a mãe havia aconselhado suas belas e castas filhas a buscar refúgio no rio, com estas palavras: “Nos salvamos pela água (do batismo) e nas águas encontraremos a coroa de glória”.
     A forma especial do martírio torna facilmente identificável as três santas na menção a elas dedicada por Santo Eusébio de Cesaréia em sua obra “História Eclesiástica”, e nos panegíricos pronunciados no dia da sua festa por Eusébio de Emesa e São João Crisóstomo, autores que, entretanto, não dizem os seus nomes.
     Seus nomes aparecem no Breviário Siríaco em 20 de abril: «Prôsdòqas et Berenices...». No Martirológio Jeronimiano o nome de Berenice aparece na forma corrompida Veronicae em 15 de abril, 10 e 11 de julho; o de Prosdócima, nas formas de Prosduci, Prodociae e Prosdociae, aparece nos mesmos dias e no dia 19 de outubro; Domnina, corrompida em Dominae, ocorre nos dias 14, 15 de abril e 10 de julho. O Sinassário Constantinopolitano recorda estas mártires em 4 de outubro.
     A diferença das datas pode ser explicada por uma passagem de São João Crisóstomo (PG, L, col. 629) que coloca seu martírio cerca de vinte dias após a comemoração da Santa Cruz. Assim, os gregos, acreditaram que esta comemoração devesse ser após 14 de setembro, dia da Exaltação da Santa Cruz, e lembra o martírio de Berenice, Prosdócima e Domnina em 4 de outubro, enquanto o Breviário Siríaco coloca o seu martírio em 20 de abril, considerando como o dia da «memória da Santa Cruz» a Sexta-feira Santa. A data do Siríaco é preferível porque na época dos mártires a festa de 14 de setembro ainda não havia sido estabelecida.
     De acordo com a história transmitida por Santo Eusébio de Cesaréia, enriquecida por Eusébio de Emesa e São João Crisóstomo, Berenice e Prosdócima eram filhas de Domnina, patrícia da Antioquia célebre por sua beleza e virtude. Para escapar da perseguição de Diocleciano, as três mulheres se refugiaram em Edessa, mas, tendo sido descobertas com a cumplicidade de seu pai e marido, elas foram chamadas de volta. Os soldados romanos as surpreenderam em Gerapoli. Domnina, temendo pela castidade de suas filhas, pediu-lhes que se lançassem com ela no rio, depois de deixar os sapatos na praia para não comprometer os soldados. Este sacrifício foi celebrado em toda a antiguidade.
     No Martirológio Romano, em 19 de outubro, lemos esta memória: "Antiochiae sanctorum martyrum Beronici Pelagiae virginis, et aliorum quadraginta novem". Este elogio deriva-se da leitura que Floro deu à um manuscrito do Jeronimiano. Outra recordação do grupo reaparece, no mesmo martirológio, no dia 14 de abril. Santo Agostinho diz que as mártires foram objeto de um culto muito difundido e Santo Ambrósio as recorda, no entanto, associando a elas também Santa Pelágia.


Nota: Ver Historia Eclesiástica, VIII,12,3-5 e Acta Sanctorum, outubro, tomo II, pág. 398ss. A homilía de Crisóstomo em Migne, PG L,629-640.

Fonte: www.santiebeati.it/

Etimologia: Berenice, do grego macedônico Berenike, Bernike, Beronike; do grego comum, Pherenike: “a portadora (bere ou phere) da vitória (nike).

Prosdócimo (a), sobrenome italiano, do grego Prosdókimos: “o (a) esperado (a), o (a) aguardado (a)

quarta-feira, 11 de abril de 2018

Santa Gema Galgani: há 115 anos falecia esta vítima expiatória (11 de abril de 1903)

    
Santa Gema em êxtase
 Santa Gema Galgani em sua breve peregrinação por esta terra deixou-nos um exemplo de sua intensa vida espiritual se oferecendo a Deus como vítima de expiação pelos pecados dos homens. No participar da paixão ela deseja ajudar Jesus nas suas dores. Se cria assim um pacto de amor em modo tal que Jesus a possa oferecer ao Pai como vítima de amor por todos os pecadores.
     Foi assim favorecida por toda sorte de carismas, como os estigmas da Paixão, a coroa de espinhos, a flagelação e o suor de sangue. Teve frequentes êxtases, espírito de profecia, discernimento dos espíritos e visões de Nosso Senhor, de sua Mãe Santíssima, de São Gabriel e da Virgem Dolorosa, e uma incrível familiaridade com o Anjo da Guarda.
     Foi constantemente atacada pelo demônio, que lhe aparecia em forma humana ou de animais. Enfim, teve o matrimônio místico com Nosso Senhor Jesus Cristo e morreu como vítima expiatória pelos pecados do mundo.
*
     Não procuro nada, não quero nada, senão aquilo que Deus quer” – Santa Gema Galgani (Itália, 12/03/1878 – 11/04/1903)
     Que ninguém me faça mal, pois eu levo as marcas do Senhor Jesus no meu corpo”, essa é a frase que resume a vida da joia de Cristo – uma Santa bem próxima dos nossos tempos, que viveu profundamente a Paixão. Santa Gema Galgani nasceu em um vilarejo próximo de Lucca, na Itália, e desde a mais tenra idade deu seu testemunho de amor, devoção e entrega à Cruz, pela conversão dos pecadores.
     Gema perdeu sua mãe quando tinha apenas 7 anos e pediu à Nossa Senhora que a substituísse, chamando-a carinhosamente de “mamãe”. A pequena assumiu todos os afazeres da casa e quando completou 18 anos, sofreu mais uma perda: seu pai faleceu, deixando-a com seus 7 irmãos em profunda miséria. De saúde frágil, chegou a ser curada milagrosamente de uma meningite que lhe causava surdez e paralisia nos membros.
     Era constantemente consolada pela Virgem Maria, pelo Anjo Gabriel, pelo seu Anjo da Guarda e, também, por Jesus Cristo, suportando as afrontas do demônio que a atormentou até seus últimos minutos de vida. “Prepara-te, minha filha; por minha ordem o demônio vai declarar-te guerra e dar, por esta forma, o último retoque à obra que realizei em ti”, foram as palavras proferidas por Nosso Senhor à Santa.
     Quando em êxtase, fenômenos supranormais manifestavam-se nela, dentre os quais a mudança do som de sua voz e o falar em linguagem usada na época de Cristo (aramaico), da qual não poderia ter conhecimento.
     “… o Diário de Santa Gema Galgani […] ficou conhecido como o livro que o diabo queimou, temendo o grande bem que a obra faria às almas. Neste diário, Santa Gema Galgani dialoga com Deus e o diabo. De um lado, Deus, buscando salvar sua alma, imprimindo-lhe as dores de seu Filho Jesus; do outro, o diabo, tentando-a para que desistisse dos propósitos de Deus. Nesta árdua luta espiritual entre o bem e o mal, ela escreve esta obra de raro teor espiritual, mostrando quão preciosa é a fé em Deus e no seu Filho crucificado e ressuscitado…”. Pe. José Carlos Pereira, CP – Livro: Santa Gema Galgani – Diário (Galgani, Gema; Editora Paulus)
     A missão de Gema sempre esteve bem clara: salvar os pecadores com a própria vida. Por meio da graça mariana de participar da Paixão de Cristo, descobriu o significado místico da Virgem aos pés da Cruz e doou à Maria a sua própria alma. Da sua parte, Nossa Senhora preparou Gema para a graça da estigmatização: a coroa de espinhos, a flagelação e o suor de sangue.
*
     O Inimigo reforçava sua guerra contra Gema, pois ele sabia que o fim estava próximo. Ele esforçava-se para persuadi-la de que ela tinha sido totalmente abandonada por Deus. Usava suas diabólicas aparições e até mesmo violência física, batendo no frágil corpo de Gema.
     Uma testemunha ocular que cuidava de Gema disse: “Aquela besta abominável vai ser o fim da nossa querida Gema - golpes atordoantes, formas de animais ferozes etc. - eu a deixei com lágrimas nos olhos porque o demônio a está esgotando”.
     Gema clamava incessantemente os nomes Santos de Jesus e Maria, mas a batalha continuava. O seu Diretor Espiritual, o Venerável Germano, vendo o esforço final de Gema, disse: “A pobre sofredora passou dias, semanas e meses desse modo, dando-nos um exemplo de paciência heroica e razões para um medo saudável pelo que pode acontecer conosco, que não temos os méritos de Gema, na terrível hora da morte”.
     Ainda assim, mesmo passando por essas provações, Gema nunca se queixou, ela apenas rezava. Gema estava no fim. Ela era praticamente um esqueleto vivo, mas ainda linda, apesar da devastação da doença. Ela recebeu o “Viático”.
     Em suas últimas palavras, disse: “Eu não procuro mais nada; sacrifiquei tudo e todos a Deus; agora eu me preparo para morrer”. Ela falava com dificuldade. “Agora é mesmo verdade que não me resta mais nada, Jesus. Eu recomendo a minha pobre alma a Ti... Jesus!
     Gema então sorriu um sorriso celestial e deixando pender a cabeça para um lado, deixou de viver.
     Ela morreu aos 25 anos – em intensa doação e sofrimento – e seu corpo permanece incorrupto desde então. Santa Gema nos deixa a mensagem da perseverança na fé em momentos de intenso sofrimento e doenças, da necessidade de uma vida de oração e dedicação ao próximo.

ORAÇÃO (Composta por Santa Gema Galgani)
     Eis-me aqui, Senhor, de joelhos, aos Vossos pés, para Vos manifestar o meu reconhecimento e gratidão pelas contínuas graças que me concedeis. Sempre que Vos invoco, me atendeis. Cada vez que a Vós recorro, me consolais.
     Como Vos exprimir, Senhor, toda a emoção que me vai à alma? Por tudo Vos dou graças, mas, se for do Vosso agrado, Vos peço ainda que me concedais esta particular graça [pede-se a graça que deseja obter].
     Dirijo-Vos esta súplica, Senhor, porque sois Todo-Poderoso. Tende piedade de mim! Que em tudo se faça a Vossa Santíssima Vontade. Amém.
(Pai Nosso, Ave Maria, Glória)

Fontes:
www.obradoespiritosanto.com

terça-feira, 10 de abril de 2018

Santa Teresa de Jesus dos Andes, Carmelita Descalça - 12 de abril

Padroeira da Juventude da América Latina
Alma delicada sem fraqueza e forte sem brutalidade, considerada a Santa Teresinha da América Latina

     Em março de 1993, João Paulo II elevou à honra dos altares a carmelita descalça mais jovem a receber da Igreja o reconhecimento de sua santidade e aquela que viveu menos tempo na vida carmelitana: morreu onze meses depois de ter entrado no Convento do Espírito Santo das Carmelitas Descalças, em Rinconada de Los Andes, Chile.  
Juanita aos 18 meses
    Juanita Fernandez Solar, ou Juana Enriqueta Josefina dos Sagrados Corações (seu nome de Batismo), nasceu a 13 de julho de 1900 em Santiago do Chile.
     Seus pais, Miguel Fernández e Lucia Solar, três irmãos e duas irmãs, avô materno, tios, tias e primos: no seio desta família passou sua infância. A família gozava de muito boa posição econômica e conservava fielmente a fé cristã, vivendo-a com sinceridade e constância.
     Desde cedo, sempre gostou de ouvir falar de Deus e sua terna devoção à Santíssima Virgem levou-a, aos sete anos de idade, a fazer a promessa de rezar diariamente e durante toda a vida o Santo Rosário: promessa fielmente cumprida até o dia de sua morte (12 de abril de 1920)!
     Até 1918, recebeu esmerada formação no Colégio do Sagrado Coração, quer como externa, quer posteriormente como interna.
     Juanita era notável por sua preocupação pelos anciãos e necessitados chegando certa ocasião a rifar seu relógio para socorrer um menino pobre. Suas empregadas, quer na cidade, quer na fazenda da família no interior do Chile, eram tratadas com carinho, delas cuidava pessoalmente quando enfermas.
     No dia 8 de dezembro de 1915, com 15 anos de idade, fez voto de castidade que depois irá renovando periodicamente. Promete "não admitir outro esposo senão a Jesus Cristo". Em abril do ano seguinte, revela à sua irmã Rebeca: "Serei carmelita. Em 8 de dezembro eu me comprometi".
     Como interna no Colégio das Mestras do Sagrado Coração, recebeu em 27 de junho de 1917 o prêmio como melhor aluna de História daquele estabelecimento de ensino. 
     Corria o ano de 1918. A jovem Juanita apresenta três composições literárias que lhe valerão obter o primeiro prêmio da Academia patrocinadora de um concurso. “Sombra e Luz na Idade Moderna - Demolidores e Criadores”, foi o expressivo título da primeira dessas composições.
     Seu conteúdo revela traços admiráveis e pouco conhecidos do pensamento e da personalidade da primeira Santa chilena. Sua visão de conjunto sobre os decisivos acontecimentos históricos dos últimos séculos demonstra até que ponto Santa Teresa dos Andes estava compenetrada da crise que em nossos dias vem destruindo a Civilização Cristã.
     Com 18 anos de idade, a Santa previa o rumo que os acontecimentos atuais iriam tomar e compreendia ao mesmo tempo que a condição de católico fiel supõe grandes batalhas.
     Embora seja verdade que a Santa soube pregar o amor com palavras e exemplos de admirável doçura, é verdade também, entretanto, que soube pregar com magnífica e não menos admirável firmeza o dever da vigilância, da argúcia, da luta aberta e intransigente contra os inimigos da Santa Igreja (*).
Demolidores e Criadores"
     "Há um poder sempre reinante, uma dinastia que não conhece ocaso, uma luz que nunca se extingue, e este poder tem sido sempre combatido, esta dinastia sempre perseguida, esta luz tem estado continuamente circundada de trevas.
     "Eis a eterna história do poder da Igreja; dinastia do Papado; da luz, da verdade. Enquanto tudo passa e fenece a seus pés, a Igreja mantém-se erguida, porque está sustentada pelo poder do alto. Descortinemos o cenário dos povos modernos e veremos que, em cada século, os filhos da Igreja têm que levar em seus lábios o clarim guerreiro.
     "Essa luta não terminará porque é eterno o antagonismo entre a sombra e a luz. Enquanto os filhos da sombra demolem, os filhos da luz regeneram. Daí o título que adotei: Demolidores e Criadores.
Lutero brada contra a autoridade da Igreja
     "Que sucede no século XVI? Os países da Europa se abrasam no fogo de uma guerra fratricida. Na Alemanha, um astro sinistro se interpõe entre as almas e o sol da verdade. Lutero e seus sequazes dão o brado de guerra, o alvo de seus ataques é a autoridade da Igreja... Qual o fruto dessa rebelião? A destruição da comunhão de ideias. As nações se afogam no sangue, as almas se veem envolvidas nas trevas do erro, e a heresia, como rio que transborda, arrasta as massas populares, a nobreza, os tronos e até os ministros do altar. Portanto, os canais através dos quais Deus derrama as graças sobre as almas estão envenenados!
Santo Inácio se levanta como um guerreiro
     "Mas, será possível que o mundo pereça? Não. Um novo astro surge no horizonte: é o ferido de Pamplona, Inácio de Loiola, que cai como soldado de um rei terreno e se levanta como guerreiro do Rei do Céu. Vede-o alistar uma companhia que não manejará o canhão, nem empunhará a espada. Quereis conhecer suas armas? O crucifixo! Sua divisa? A maior glória divina! Seus soldados se espalharão por toda parte e, portadores da luz da verdade, deixarão após si um rastro luminoso; luz espargem eles na Europa, na controvérsia, na pregação, no ensino, luz espargem nas Índias com Francisco Xavier que regenera nas águas do Batismo milhões de almas; luz espargem os soldados da nova milícia em todos os lugares onde passam.
Jansênio lança gelo e sombra
     "Passemos a página do século XVI e veremos no século seguinte o mesmo espetáculo de sombra e luz de demolidores e criadores.
     "No século XVII vemos desta­car-se entre as sombras uma figura de aspecto rígido e severo: Jansênio que lança o gelo e a sombra por onde passa. a chama do amor vacila e acaba por se extinguir com seu brado ímpio: 'Cristo não morreu por todos!' Já não apresenta o Crucifixo com os braços abertos para receber a todos sem exceção, mas sim com os braços entreabertos para receber a uns quantos e rechaçar aos demais...
     "Fugi! Fugi!... clamam os demolidores do século XVII e as almas aterradas fogem... regelam-se e se perdem!
Um sol esplendoroso e vivificante se levanta
     "Deus estava ferido no mais delicado de seu amor... o Verbo pronuncia uma vez mais a palavra criadora que fará brilhar a luz no meio das trevas: em Paray-Le-Monial se levanta um sol esplendoroso e vivificante. Jesus Cristo mostra a uma humilde visitandina seu Coração aberto, abrasado em chamas de amor, queixa-se do esquecimento dos homens e os chama a todos com insistência.
     "A legião jansenista brada: Fugi! Fugi!... A voz de Paray-Le-Monial clama: Vinde! Vinde!... A bandeira negra do terror cederá diante do formoso estandarte do amor. Será tudo? Não. Ali está o grande apóstolo da caridade, São Vicente de Paula que, a imitação do Mestre divino, chama o pobre, o doente, o menino. Para todos há guarida em seu coração. Sua bela legião de Filhas da Caridade arranca do inferno milhares de almas no instante supremo. O amor desterrado reanima as almas, a luz tira os espíritos das sombras. O Coração divino de Jesus e o coração deificado de São Vicente de Paula, falam do amor, do amor infinito um e da compaixão até o heroísmo outro.
Os iluministas, novos demolidores
     "A luta não terminou: o inimigo acossa sempre a Igreja. A tempestade é mais terrível que nunca no século XVIII. Os corifeus da maldade, Voltaire e Rous­seau se mostram, o primeiro com o sorriso burlesco nos lábios e a blasfêmia na pena, o segundo com o sofisma e a confusão nas ideias, e ambos com a corrupção no coração. Os pretensos filósofos querem explicar tudo racionalmente e proclamam diante do mundo que não há Deus, arrancam Cristo do coração de nobres e plebeus, e ainda se atrevem a arrancá-lo do coração do menino. Detende-vos, infames! Está cheia vossa medida, esse santuário de inocência não pode ser transpassado, esses meninos pertencem a Jesus Cristo! Um apóstolo se levanta em nome do Deus da infância: João Batista La Salle, funda as Escolas Cristãs, colocando no coração dos meninos desvalidos a chama da Fé que se extingue por todos os lados.
A Revolução Francesa: obra de ímpia demolição
     "Guerra ao Papa! É o brado da falange mortífera, e em seu frenético entusiasmo diz que já não haverá quem suceda ao mártir da impiedade, a Pio VI. Mas, não bradeis tão alto, Deus disse que as portas do inferno não prevalecerão, e se rirá de vossos desígnios. Vede sentado e estabelecido no trono um novo Papa...
As sombras cobrem novamente o mundo
     "Ó Igreja, teu poder jamais será destruído! As trevas cobriram a face do universo na aurora do Tempo e ao Fiat Lux fogem vencidas. Mais tarde, as sombras da idolatria cobriram o mundo antigo, veio o Verbo e dissipou as trevas, porque o Verbo era a Luz.
     Hoje as sombras cobrem novamente o orbe cristão; mas ali está a palavra de Cristo, Verdade Eterna: 'Aquele que Me segue e cumpre minha palavra não anda nas trevas'.
     "Ó palavra de vida! A Ti amor eterno, a Ti eterna fidelidade!"
*     
Sua vida monástica, de 7 de maio de 1919 até sua morte, foi o último degrau de sua ascensão ao cume da santidade: onze meses foram suficientes para consumar sua vida totalmente transformada em Cristo.
     Na Sexta-feira Santa de 1920, após o Ofício que relembra a morte do Divino Salvador, a Superiora percebeu que Irmã Teresa estava pálida e com dificuldade de seguir as cerimônias. Quando lhe apalpou a fronte, viu que estava ardendo em febre, e mandou-a recolher-se ao leito. Dele não se levantaria mais. Nesse período, fez a profissão religiosa e recebeu os últimos sacramentos.
     Ao entardecer de 12 de abril de 1920, contando vinte anos incompletos e apenas 11 meses no Carmelo, fechou os olhos para esta vida, indo encontrar Aquele que pouco antes ela chamara “Meu Esposo”. Longe dali, em Santiago, nesta mesma hora, a Irmã Mercedes do Coração de Maria teve uma visão: “Subitamente (…) me encontrei na cela de uma carmelita moribunda; vi que era bem jovem e, apesar da palidez de seu rosto, tudo nela refletia uma luz suavíssima e celestial. Ao lado esquerdo da sua cama havia um anjo com um dardo que lhe trespassava o coração, e logo ouvi: morre de amor”.
     Foi canonizada no dia 21 de março de 1993. Nos processos de beatificação e canonização, três dos seus principais confessores sustentaram sob juramento que ela jamais cometera pecado mortal nem venial deliberado.
     Os seus restos são venerados no Santuário de Auco-Rinconada dos Andes por milhares de peregrinos que buscam e encontram nela a consolação, a luz, e o caminho reto para Deus.
     Santa Teresa de Jesus nos Andes é a primeira Santa chilena, a primeira Santa carmelita descalça de além-fronteiras da Europa e a quarta Santa Teresa do Carmelo, após Santa Teresa d’ Ávila, Santa Teresa de Florença e Santa Teresa de Lisieux.
     Festa litúrgica: 13 de julho. 

Obras de Referência:
1. Um lírio del Carmelo: Sor Teresa de Jésus -Juanita Fernandez S. -1900-1920, Imprenta de San José, Santiago do Chile, 1929.
2. Santa Teresa de Los Andes, Deus, alegria infinita, Edições Loyola, São Paulo, 1993.
3. Santa Teresinha da América Latina - Pensamentos, Edições Loyola, São Paulo, 1993.

(*) Os intertítulos nos excertos da composi­ção da Santa são nossos.