quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Beata Inês de Jesus de Langeac, Dominicana - 19 de outubro

    
     Inês de Jesus Galand nasceu em 17 de novembro de 1602 e teve uma vida curta, faleceu em 19 de outubro de 1634. Em Le Puy-en-Velay, França, seu pai, Pedro Galand, tinha uma pequena loja de facas; sua mãe chamava-se Guilhermina Massiote.
    Desde a Idade Média Puy era um centro de peregrinações marianas entre as principais da França. Já no século XIII os religiosos dominicanos estavam presentes em Puy. A igreja de seu convento, São Tiago, ficava próxima da residência de Inês, que a frequentava para rezar e encontrava os religiosos. Um deles, o Padre Panassière, tornou-se seu diretor espiritual.
     Aos sete anos Inês se consagrou a Maria Santíssima como escrava de amor. Aos oito anos, constatando sua profunda piedade, ela foi autorizada a comungar, o que era excepcional para a época. Ela rezava longamente, a conselho de seu confessor. Aos nove anos começou a recitar o Ofício diariamente em honra ao Espírito Santo.
     Inês tinha o hábito de dar esmolas a todos os mendigos com quem cruzasse pelas ruas de Puy. Adolescente, ela reunia suas amigas para estudarem a doutrina católica e rezarem em conjunto. Ela também tinha um cuidado especial em ajudar as mulheres grávidas antes, durante e depois do parto.
     Em abril de 1621 se tornou religiosa terceira da Ordem de São Domingos e em 1623 foi aceita como freira conversa no Mosteiro de São Catarina de Siena, que fora construído naquele mesmo ano na cidade de Langeac, que fica ao longo do Rio Allier. Este mosteiro pertencia, com outros trinta, ao movimento de reforma inaugurado no sul da França pelo Padre Sebastian Michaelis. Em 1625, na Festa da Purificação da Santíssima Virgem Maria, fez a sua Profissão Solene como monja corista. Foi Mestra de Noviças e duas vezes priora.
     À imitação da mística mestra de Siena viveu apaixonada por Cristo e pela Igreja. Em 1631, Jesus e Maria convidaram interiormente Inês a interceder e rezar por um sacerdote a quem ela não conhecia. Três anos depois, no parlatório do mosteiro ela se encontrou com o Abade de Prebac, Jean-Jacques Olier, fundador do Seminário Maior de São Sulpício e ela compreendeu que ele era o sacerdote por quem ela estava oferecendo sua vida de oração e sacrifício.
     A fama de sua santidade e as funções delicadas que ela executou não só atrairam elogios, mas também a calúnia e a inveja, por isso, em 1631, ela foi demitida das suas funções como priora. Aceitou com grande serenidade todos estes sofrimentos injustos, oferecendo-os a Deus para que na França fossem aplicados os decretos do Concílio de Trento para a formação do clero, e pela futura Congregação dos Sacerdotes de São Sulpício, instituída pelo Abade Olier.
     Madre Inês mantinha um relacionamento diário com seu Anjo da Guarda. Ela deixou como herança para suas coirmãs sua vocação particular de rezar pelos sacerdotes.
     Madre Inês de Jesus morreu em 19 de outubro de 1634. Seu corpo é mantido no Mosteiro de Langeac. Em 20 de novembro de 1994, foi beatificada por João Paulo II, juntamente com o Padre Jacinto Cormier, Superior Geral de 1832 a 1916, que reconheceu que devia sua vocação às orações de Madre Inês de Jesus de Langeac.
Milagres e tradição
     Durante sua vida terrena, Inês amara especialmente estar junto às mães no momento do parto. Assim, em 1952, em Langeac, após rezarem para ela interceder num nascimento que poderia colocar a vida da mãe e da criança em perigo, o parto aconteceu muito naturalmente. Este milagre foi o ponto de partida para a sua beatificação.
     Diz-se que certa vez, quando ela ia assistir a Missa, um pobre veio até ela e pediu uma esmola. Inês lhe disse que infelizmente não tinha nada para lhe dar. "Olhe no seu bolso" - disse o pobre - "que você vai encontrar algo bom para mim". Ela obedeceu e encontrou uma moeda que ela ia entregar ao pobre, mas ele tinha desaparecido.
     Pouco depois de entrar no mosteiro Langeac, à Inês foi confiado o cuidado da cozinha. Ora, era preciso ir muito longe para buscar a água; ela precisava fazer viagens longas e árduas. Ela confidenciou seu sofrimento a Deus, que imediatamente atendeu seu desejo: Ele fez surgir na cozinha mesmo uma fonte de água muito clara e abundante. Esta fonte, organizada mais tarde, foi o foco de muitos milagres.
     Madre Inês de Jesus portava os estigmas sem que estes fossem visíveis externamente. Ela era tida como mística ainda em vida. São Luís Maria Grignion de Montfort a menciona em seu Tratado da Verdadeira Devoção a Santíssima Virgem, parágrafo 170:
     "Contento-me simplesmente de citar uma passagem histórica que li na vida da Madre Inês de Jesus, religiosa jacobina (*) do convento de Langeac, em Auvergne, a qual morreu em odor de santidade nesse mesmo lugar, em 1634. Não tinha ela ainda sete anos, quando, uma ocasião, sofrendo tormentos de espírito, ouviu uma voz que lhe disse que, se ela quisesse livrar-se de todos os seus sofrimentos e ser protegida contra todos os seus inimigos, se fizesse quanto antes escrava de Jesus e de sua Mãe Santíssima. Mal chegou em casa, entregou-se inteiramente a Jesus e Maria, como lhe aconselhara a voz, embora não soubesse em que consistia esta devoção; e, tendo encontrado uma corrente de ferro, cingiu com ela os rins e a usou até a morte. Depois desse ato todas as suas penas e escrúpulos cessaram, e ela se achou numa grande paz e bem-estar de coração, e isto a levou a ensinar esta devoção a muitas outras pessoas, que fizeram grandes progressos, entre outros, a M. Olier, que instituiu o Seminário de São Sulpício, e a muitos outros padres e eclesiásticos do mesmo seminário. Um dia a Santíssima Virgem lhe apareceu e lhe pôs ao pescoço uma cadeia de ouro para lhe testemunhar a alegria de tê-la como escrava de seu Filho e sua; e Santa Cecília, que acompanhava a Santíssima Virgem, lhe disse: 'Felizes os fiéis escravos da Rainha do céu, pois gozarão da verdadeira liberdade: Tibi servire libertas'".

(*) Até a Revolução Francesa os religiosos da Ordem de São Domingos eram chamados jacobinos, do nome da Igreja de Saint-Jacques (São Tiago) em Paris, perto da qual a Ordem se estabeleceu.                                                                                       

Fonte: www.santiebeati.it e outras diversas.


Le Puy-en-Velay, França

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Santa Margarida Maria Alacoque – 17 de outubro


Apóstola da Devoção ao Sagrado Coração de Jesus

     Margarida Maria Alacoque nasceu no dia 22 de julho de 1647, na Borgonha, França. Seu pai, Claude Alacoque, era escrivão real; sua mãe, Philiberte Lamyn, era filha do também escrivão real François Lamyn. Sua família de posses, religiosa, com reputação de seriedade e honra, sofreu duro golpe após a morte do pai. Margarida teve uma juventude difícil: enfermidades, sua e da mãe, a resistência dos parentes para que abraçasse a vida religiosa. Finalmente, aos 24 anos, entrou no convento da Visitação de Santa Maria, em Paray-le-Monial, Ordem fundada por São Francisco de Sales e Santa Joana de Chantal.
     Ela permaneceu entre as Visitandinas por 20 anos, e desde o princípio se ofereceu como “vítima ao Coração de Jesus”. Foi incompreendida pelas religiosas, mal julgada pelos superiores; até os diretores espirituais desconfiaram dela julgando-a uma visionária.
     Finalmente, São Cláudio La Colombière tornou-se o guia precioso desta mística Visitandina, ordenando-lhe narrar, numa autobiografia, as suas experiências místicas. Por inspiração desta Santa a festa do Sagrado Coração de Jesus nasceu, e a ela se deve a prática das Nove Primeiras Sextas-feiras do mês.
     Santa Margarida Maria faleceu no dia 17 de outubro de 1690, em Paray-le-Monial, na França. Em março de 1824, Leão XIII a declarou Venerável, e em 18 de setembro de 1864, Pio IX a beatificou. Santa Margarida Maria foi canonizada por Bento XV em 1920.
     Quando seu túmulo foi aberto canonicamente, em julho de 1830, ocorreram duas curas instantâneas. Seu corpo repousa sob o altar da capela em Paray, e muitos favores são obtidos por peregrinos atraídos a este lugar de todas as partes do mundo.
*
     A humilde visitandina, à qual o Sagrado Coração de Jesus fez suas confidências, viveu no tempo em que reinava na França Luís XIV, consagrado universalmente com o título de Roi-Soleile, epíteto que correspondia à realidade, diziam que havia nele estofo para cinco reis. Luís XIV representava o tipo clássico daqueles reis de contos de fada que costumam deslumbrar a imaginação das crianças.
     Com uma alma privilegiada chamada a grandes realizações, cheio de predicados físicos e de grande personalidade, se aquele Rei tivesse seguido o exemplo de São Luis, talvez ele tivesse podido impedir a explosão da Revolução Francesa, a pseudo-reforma protestante sofresse desastres irreparáveis, e a História teria tomado um outro rumo.
     A vida de Luis XIV teve altos e baixos. Ávido de prazeres, ambicioso e vaidoso, sacrificou os recursos e prestígio que Deus lhe havia dado à sua sede de prazeres e à sua própria glória. Provocou guerras com o intuito de dilatar seus Estados, desuniu as potências católicas ameaçadas pelo protestantismo; aliou-se aos próprios muçulmanos contra o Santo Império, enfim, mereceu a censura de todos os franceses verdadeiramente católicos, mesmo os seus mais fieis súditos.
     Entretanto, ele prestou assinalados serviços para a Igreja, entre os quais figura com destaque a revogação do Edito de Nantes. Além disso, grandes foram os avanços em todos os campos da vida temporal, impulsionados por sua inteligência e bom gosto.
     O certo é que o Rei não desempenhava aquela missão providencial à qual fora chamado por Deus.
     Em determinado momento, a humilde Visitandina intervém. Entre as revelações que o Divino Redentor lhe fazia, certa feita mandou que ela dissesse ao Rei para consagrar a si próprio e o Reino ao Sagrado Coração. Nosso Senhor usou de um tom imperativo, e deixava claro que a sua recusa acarretaria para ele e para a França os mais severos sofrimentos. O Sagrado Coração de Jesus desejava uma consagração autêntica, que implicava na renúncia a todos os pecados e a todos os erros do Rei.
     Santa Margarida Maria fez chegar a comunicação a Luis XIV por meio de uma pessoa da nobreza com quem tinha relações. O Rei, porém, não lhe deu importância e a consagração não foi efetuada.
     Resultado: o Reino foi caindo mais e mais nos abismos da impiedade e da libertinagem, até que a Revolução Francesa lançou por terra o trono dos Bourbons, e espalhou pelo mundo inteiro o espírito de rebeldia e de ódio a Deus e a Religião Católica.
     Tempos mais tarde, entre os papéis do Rei Luis XVI, encontrados em sua prisão do Templo, se achou uma nota em que este soberano prometia se consagrar, e toda a França, solenemente, ao Coração de Jesus, caso fosse libertado, o que desde logo, em forma privada, ele o fazia no cárcere. Ele esperava com isto que o Coração de Jesus arrancasse a França aos horrores da Revolução. Mas, este ato piedoso valeu apenas para que ele enfrentasse com dignidade a guilhotina, e muitos o consideram como mártir.
*
     A devoção ao Sagrado Coração de Jesus enfrentou muitas peripécias na sua expansão, mas atingiu o seu auge na Santa Igreja Católica no século XIX e no período que vai mais ou menos até meados do reinado de Pio XI, já no século XX.
     Esta devoção foi muito estudada, ela teve grandes doutores, entre os quais São João Eudes, ela foi bem recebida pelos papas, Leão XIII fez uma consagração do mundo ao Sagrado Coração de Jesus. Um pouco por toda parte encontramos igrejas consagradas ao Sagrado Coração de Jesus nas cidades construídas em fins do século XIX, ou no começo do século XX no Brasil, por exemplo. Era uma devoção que realmente fazia muito bem às almas.
     Esta devoção começou a ser objeto de uma campanha a partir do momento em que a heresia modernista, condenada por São Pio X, começou a levantar a cabeça com o rótulo de Ação Católica e Movimento Litúrgico.
     No reinado de Pio XI e até o reinado de Pio XII, inclusive, o modernismo não fez senão se desenvolver sorrateiramente dentro da Igreja e começou a combater a devoção ao Sagrado Coração de Jesus numa manobra a mais perigosa: o silêncio! Deixou-se de impulsionar esta devoção; deixou-se de falar a respeito dela; fez-se caso omisso disto.
A Grande Revelação (entre 13 e 20 de junho de 1675)
     Eis o Coração que tanto amou os homens, que nada poupou, até se esgotar e se consumir para lhes testemunhar seu amor. Como reconhecimento, não recebo da maior parte deles senão ingratidões, pelas suas irreverências, sacrilégios, e pela tibieza e desprezo que têm para comigo na Eucaristia. Entretanto, o que Me é mais sensível é que há corações consagrados que agem assim. Por isto te peço que a primeira sexta-feira após a oitava do Santíssimo Sacramento seja dedicada a uma festa particular para honrar Meu Coração, comungando neste dia, e O reparando pelos insultos que recebeu durante o tempo em que foi exposto sobre os altares”.
     Prometo-te que Meu Coração se dilatará para derramar os influxos de Seu amor divino sobre aqueles que Lhe prestarem esta honra” (¹).

(¹) Cf. Vida e Obras de Santa Margarida Maria, publicação da Visitação de Paray, 1920.

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Beata Filipa de Chantemilan – 15 de outubro

    
Catedral de São Maurício, Vienne, França
     Contemporânea de Santa Joana d’Arc, ela teve uma vida mais calma e menos trágica. "Ao mesmo tempo", disse o Sr. Chevalier, "que Deus suscitava a virgem Lorena para livrar Orleans e a França do jugo dos ingleses, enviou à Vienne, outrora chamada cidade santa, uma virgem de Forez (*) para edificar com seus exemplos, e trazer de volta a piedade por suas virtudes e para embalsamar depois com o perfume de sua memória”. Estas palavras caracterizam bem a vida de Filipa de Chantemilan.
     Filipa nasceu por volta de 1412 no Castelo de Changy, Forez (Loire), na diocese de Clermont. Seu pai João de Chantemilan (Campteliman, Champ de Milan; italiano da Campo Milano) morreu pouco tempo depois de seu nascimento, e sua mãe Joana de Vernay a educou com sábia firmeza, assumindo temporariamente a função de governadora de Changy. Ao completar 15 anos, Filipa também perdeu a mãe. Muito bela e elegante, atraia a atenção dos homens; vários jovens pediram-na em casamento, mas eram recusados; outros procuraram corrompê-la recorrendo a astúcia de uma velha sem escrúpulos, mas sem resultado.
     Ela então deixou Changy e foi para Notre-Dame de Puy, e dali vai para Vienne, no vale do Ródano, onde vai se hospedar na casa da irmã da Sra. de Espinasse, que se mantém próxima de seu irmão arcebispo, e onde ela encontrou seu irmão e a cunhada ligados, um ao arcebispo, a outra a Ana de Norry, Senhora de Ghastel.  Filipa também encontrou ali um ótimo diretor espiritual, fez voto de virgindade, e iniciou uma vida sóbria e austera, frequentando assiduamente os ofícios diários e noturnos da Catedral de Saint-Maurice, cuidando dos doentes e visitando os pobres. Passava algumas semanas em Lyon para prestar assistência nos hospitais e cárceres.
     Quando Ana de Norry saiu de Vienne, provavelmente no final do episcopado de Jean de Norry, Filipa permaneceu lá, e fez uma viagem a Roma em 1450, no grande jubileu. No ano seguinte, quando ocorreu uma epidemia em Vienne, foi uma das primeiras vítimas e morreu em 14 de outubro de 1451.
     Filipa foi enterrada pelos Cônegos de Saint-Maurice perto da capela de Nossa Senhora no pequeno claustro da catedral.
     Seu túmulo logo se tornou local de peregrinação devido aos numerosos milagres ocorridos entre 1453 e 1480, entre outros, o milagre temporário de retorno à vida de uma criança recém-nascida para que se pudesse batizá-la.
     Seu túmulo foi profanado pelos calvinistas em 1562 (ou 1567).
     A partir de 10 de fevereiro de 1453 o capítulo da Catedral de Vienne iniciou uma ação para serem recolhidos por um notário os testemunhos sobre os milagres atribuídos à Beata Filipa.
     Em 1454, o Delfim Luís II, futuro Rei Luís XI, que disputava com o Duque de Saboia a vassalagem do Marques de Saluces, se lançou improvisadamente sobre Petit Bugey e tomou Pont-de-Beauvoisin, do Castelo de Verel e de Saint-Genix. Foi um desastre para a pequena cidade: pilhagens e incêndios se sucederam e dizem que ela teria sido totalmente devorada pelas chamas sem a intervenção milagrosa da Beata Filipa de Chantemilan.
     Todo ano uma missa com o canto da Salve Regina é celebrada no dia 15 de outubro.
     Em 1629 os moradores de Vienne imploraram sua intercessão para fazer cessar uma epidemia de peste. Em seguida construíram um altar sobre o seu túmulo. O culto a Beata ainda não foi confirmado.

Fontes : - Vie et miracles de la bienheureuse Philippe de Chantemilan, par le chanoine Ulysse Chevalier - Pages 179 & 180 et Une sainte forézienne: la bienheureuse Philippe de Chantemilan - abbé Reure – 1896;
http://museedudiocesedelyon.com/MUSEEduDIOCESEdeLYONphilippechantemilan.htm

(*) Forez (em arpitano Forêz) é uma antiga província da França, que corresponde aproximadamente à parte central do departamento de Loire e uma parte do departamento de Haute-Loire. Forez é o cenário de uma obra mestra da literatura francesa, L’Astrée de Honoré d’Urfé; por isso esta região é às vezes denominada Comarca de Astrée (pays d'Astrée).

Beata Ana Maria Aranda Riera, virgem e mártir – 14 de outubro

Martirológio Romano: Em Picadero de Paterna, na região espanhola de Valencia, Beata Ana Maria Aranda Riera, virgem e mártir, que durante a perseguição contra a fé derramou seu sangue por Cristo.

     Ana Maria nasceu em Denia, na província de Alicante, em 24 de janeiro de 1888, no seio de uma família abastada que cuidou muito de sua educação. Estudou no colégio das Irmãs Carmelitas. Piedosa desde muito jovem, atuou com muito zelo nas Filhas de Maria, na Ação Católica e na associação de São Vicente de Paula.
     Era muito devota da Eucaristia e da Virgem Maria; assistia diariamente a Santa Missa e Comungava.
     Nunca fizera mal a ninguém, nem dera motivo de que alguém a odiasse; por causa de seu catolicismo profundo e de sua decidida defesa dos direitos da Igreja foi levada para a prisão de mulheres de Valencia quando chegou a revolução de 1936.
     Sofreu com grande paciência e humildade na prisão, e se dedicou à oração e ao consolo de suas companheiras de cárcere, com as quais rezava diariamente o santo Rosário. Foi fuzilada em Picadero de Paterna no dia 14 de outubro de 1936.
     Em 11 de março de 2001 foi beatificada pelo papa João Paulo II.

Fonte: «Año Cristiano» - AAVV, BAC, 2003
http://www.eltestigofiel.orgindex.php?idu=sn_3760

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

Duas memoráveis invocações de Nossa Senhora

Há 300 anos Nossa Senhora Aparecida se tornava Rainha e Protetora do Brasil



Há 100 anos Nossa Senhora em Fátima deixou-nos um aviso profético que pedia oração, penitência e conversão.


E realizou, no dia 13 de outubro de 1917, o maior milagre já visto: o Milagre do Sol, visto por milhares de português.






terça-feira, 10 de outubro de 2017

Santos Eulampio e Eulampia, mártires – 10 de outubro


Martirológio Romano: Na Nicomédia, de Bitinia, Santo Eulampio e sua irmã Santa Eulampia, mártires durante a perseguição desencadeada por Diocleciano.

     Santos Eulampio e Eulampia são dois irmãos oriundos de Nicomédia que foram martirizados por volta de 310 d.C., durante o reinado de Maximiliano Dava.
     Santo Eulampio era um jovem cristão que fugiu da cidade durante a perseguição e se refugiou numa caverna nos arredores da cidade de Nicomédia. Vários cristãos também estavam escondidos ali e seus companheiros o enviaram a Nicomédia em busca de alimentos.
     Eulampio se deteve numa rua a ler o edito de perseguição contra os cristãos; quando um soldado o viu e chamou a atenção dos demais para a sua presença, ele começou a correr. Naturalmente, sua atitude despertou suspeita e Eulampio foi perseguido, capturado e levado à presença do juiz.
     O magistrado repreendeu aos guardas por haver apreendido o jovem e, ordenando que desatassem suas mãos, começou a interrogá-lo. Depois que tomou conhecimento do nome e profissão de Eulampio, mandou que oferecesse sacrifícios a algum dos deuses. O jovem negou-se a fazê-lo, contestando que aqueles eram tão somente ídolos de barro. Enfurecido, o magistrado mandou que fosse açoitado. Como Eulampio permanecesse inamovível, ordenou que fosse amarrado e arrastado por um potro.
     Sua irmã Eulampia correu ao seu encontro para abraçá-lo e consolá-lo, e também foi detida e presa. Ambos foram submetidos a diversas formas de tortura, saindo ilesos.
     Segundo a tradição, ao vê-los sair rejuvenescidos de um banho de azeite fervente, cerca de duzentos soldados que presenciaram o fato se converteram à fé cristã e foram decapitados juntamente com os dois mártires de Nicomédia.
     Na Acta Sanctorum, oct., vol. v, se encontra o texto grego das atas discutido a fundo. Há outra referência em Migne, Patrologia Grega, vol. CXV, cc. 1053-1065.

Fonte: «Vidas de los santos de A. Butler», Herbert Thurston, SI
http://www.eltestigofiel.orgindex.php?idu=sn_369

sábado, 7 de outubro de 2017

Santa Maria Francisca das Cinco Chagas de Jesus - 6 de outubro


    
     Ana Maria Gallo nasceu no dia 25 de março de 1714, em Nápoles, e morreu nessa cidade no dia 6 de outubro de 1791. Francisco Gallo, seu pai, pertencia à classe média, era tecelão, homem severo, avarento, de temperamento apaixonado, muito fez sofrer a filha. Bárbara Basinsin, sua mãe, entretanto, era uma mulher muito piedosa que suportou pacientemente a conduta brutal do esposo.
     Ana Maria nasceu e cresceu nos famosos "quarteirões espanhóis" de Nápoles. Esses quarteirões tiveram sua origem nos anos 1600, quando tropas espanholas ali se alojaram a poucos passos do Palácio Real, prontos para intervir à primeira chamada. Após a ocupação espanhola, as construções permaneceram e se estenderam; a população aumentou e ao mesmo tempo a promiscuidade e a violência propagaram-se naqueles "quarteirões".
     Na época desta Santa, não só aqueles perigos aumentavam: o fervor de obras religiosas, com conventos e igrejas, se estabelecia também ali, a fim de dar ajuda espiritual e material aos fiéis.
     Ana Maria era muito pequenina quando foi obrigada pelo pai a trabalhar em sua tecelagem. A mãe, por outro lado, aproveitava todo momento livre para ler livros piedosos para ela e a levava à igreja para rezar. Admirado com a piedade da criança, e vendo que ela sabia de cor o catecismo, o pároco permitiu que ela fizesse a Primeira Comunhão aos oito anos, e no ano seguinte a encarregou de preparar várias crianças.
     As operárias de seu pai comentavam que Ana Maria trabalhava as mesmas horas que elas e, entretanto, fazia o dobro que elas. "Será que ela recebe ajuda de seu Anjo da Guarda?", se perguntavam. E logo correu a notícia que ela recebia ajuda especial do céu.
     Um domingo à tarde, quando preparava as crianças para a Primeira Comunhão, de repente ficou calada, com o olhar distante, e disse: "José, Zezinho, corre para tua casa, pois tua mãe está precisando de ti. Vá para lá agora!" O menino saiu correndo e encontrou sua mãe desmaiada. Ao cair, ela entornara uma lamparina acesa sobre umas roupas e um incêndio se iniciara. O menino conseguiu apagar as chamas e salvar a vida da mãe. O fato logo se propagou pelo bairro e as pessoas começaram a comentar que Deus enviava mensagens extraordinárias para aquela jovenzinha.
     Ana Maria frequentava a igreja do Convento de São Pedro Alcântara e ali conheceu e se fez dirigir pelo futuro São João José da Cruz.
     Uma senhora convidou-a certa vez para visitar um doente, porém a levou a uma casa onde estava acontecendo um baile imoral. Maria Francisca fugiu imediatamente, livrando-se da corrupção.
     Francisco Gallo conseguiu um noivo de boa situação financeira para Ana Maria. Ela, porém, lhe disse que já havia prometido a Deus que se conservaria solteira, para dedicar-se a vida espiritual e para rezar pela salvação das almas. Seu pai se encolerizou e a açoitou violentamente. Fechou-a em um quarto a pão e água por vários dias. A jovem aproveitou para jejuar e dedicar-se a oração e a meditação. A mãe conseguiu que um frade menor, Padre Teófilo, viesse a sua casa e convencesse o pai a deixá-la em liberdade para seguir sua vocação.
     Assim, aos dezesseis anos, no dia 8 de setembro de 1731, Ana Maria recebeu o hábito da Ordem da Reforma de São Pedro de Alcântara, formulando os votos prescritos e mudando o nome de batismo para o de Maria Francisca das Cinco Chagas, pois era muito devota da Paixão e Morte de Jesus, de Maria Santíssima e de São Francisco de Assis.
     Seu diretor espiritual era o Padre João Pessiri, que a colocou em contato com uma Terceira Professa Alcantarina, Maria Felícia. Ambas passaram a viver numa casa do piedoso Padre Pessiri; Maria Francisca ali permaneceu por 38 anos, até a sua morte. Ela viveu no mundo secular, comportando-se como religiosa.
     O edifício logo tomou o nome de convento por ser a casa das Irmãs Terceiras, mas a moradia não tinha sido construída com esta finalidade, e ainda hoje mantém a característica de uma cômoda habitação de três andares para uma família, alguns dos quais foram modificados em Capela e obras anexas. Aquela casa tornou-se meta continua de fiéis, entre os quais São Francisco Xavier Bianchi, de quem ela predisse a santidade.
Dons sobrenaturais
     Maria Francisca tinha frequentes êxtases quando estava em oração. A Santíssima Virgem lhe aparecia e lhe trazia mensagens. O demônio também se apresentava em forma de um cão raivoso que a aterrorizava. Ela descobriu que ao fazer o Sinal da Cruz e ao pronunciar os nomes de Jesus, Maria e José o demônio fugia. Este foi o conselho que ouviu um dia de um crucifixo: "Quando os ataques do inimigo das almas te assaltarem, faça o Sinal da Cruz e, além de invocar as três Pessoas Divinas da Santíssima Trindade, deves dizer várias vezes: 'Jesus, José e Maria'".
     Um dia em que varria a sacristia, ouviu uma voz que lhe dizia: "Maria Francisca, fuja, saia rápido daqui!" Ela saiu correndo e minutos depois o teto da sacristia desabou!...
     Ao rezar a Via Sacra, ela sofria algumas dores parecidas com as que Jesus sofreu no Horto das Oliveiras, na Flagelação, na Coroação de Espinhos, ao levar a Cruz e ao ser crucificado. A cada Sexta-feira Santa entrava em agonia como se estivesse morrendo na Cruz. Tudo isto Maria Francisca oferecia pela conversão dos pecadores e pelo descanso das almas do Purgatório. As pessoas diziam: "Maria Francisca livra sozinha mais almas do Purgatório com seus sofrimentos que todos nós com nossas orações".
     Um dos fenômenos mais extraordinários desta Santa acontecia durante a Comunhão. Três vezes a Santa Hóstia voou e pousou em seus lábios! Uma vez, quando o sacerdote disse "este é o Cordeiro de Deus", a Hóstia que ele tinha nas mãos saiu voando e foi colocar-se na boca da Santa. Outra vez, voou do Cálice, e uma terceira vez, quando o sacerdote partia a Hóstia grande, um pedaço dela voou até a fervorosa Santa, que aguardava ajoelhada o momento de comungar.
     No Natal de 1741, o Menino Jesus lhe falou: "Quero que sejamos amigos para sempre". Foi tão grande a emoção dela ao ouvir Nosso Senhor, que ficou cega por 24 horas. Recobrou a visão e dedicou-se a amar a Jesus e a fazê-Lo amar pelos outros.
     As Cinco Chagas de Jesus apareceram em seu corpo, mas, a seu pedido, Deus as tornou invisíveis, mantendo as dores que causavam. Sua saúde era frágil e as doenças a faziam sofrer enormemente. Quando seu pai estava moribundo, ela pediu que Deus passasse para ela as dores que o pobre homem padecia, o que aconteceu. Com estes sofrimentos ela alcançou a conversão de seu pai e de muitos pecadores. Em sonhos ela via várias almas do Purgatório que lhe suplicavam que oferecesse seus sofrimentos por elas e a Santa assim fazia.
     Sacerdotes, pessoas religiosas e piedosas procuravam-na em busca de conselho. Sua caridade e compaixão, sobretudo com os aflitos e miseráveis, não teve limites. Como São Francisco de Assis, Santa Maria Francisca tinha uma terna devoção ao Menino Jesus, a Santa Eucaristia e a Virgem Maria.
     Muitas pessoas a tratavam mal e ela oferecia com paciência estes maus tratos rezando por aqueles que a ofendiam e tratando bem aqueles que a tratavam mal. As pessoas murmuravam contra ela, que, porém, calava para assemelhar-se a Jesus que calou em Sua Paixão. A Santa sofreu muita incompreensão por parte do pai, das irmãs e, inclusive seus confessores a fizeram sofrer, pois, para provar sua santidade a tratavam com severidade na direção espiritual.
     Maria Francisca disse um dia ao seu confessor: "Sofri em minha vida tudo o que uma pessoa pode sofrer. Porém, tudo foi por amor de Deus". E acrescentou: "Padre, sejam muito bondosos com as pessoas que vêm vos consultar. Não sejam duros com ninguém".
     Anunciou que em breve viriam sofrimentos terríveis para a Igreja Católica. E realmente as ferozes perseguições da Revolução Francesa em breve ceifariam milhares de vidas de católicos. Ela pediu a Deus que não permitisse que ela presenciasse aqueles desastres. E ela morreu santamente quando eles estavam começando, no dia 6 de outubro de 1791.
     Uma grande multidão participou de seu funeral e seu corpo repousa no Santuário - Casa da Santa, em Vico Tre Re. Foi beatificada em 12 de novembro de 1843 por Gregório XVI e canonizada em 29 de junho de 1867 pelo Beato Pio IX. Foi a primeira Santa napolitana. Sua festa é observada pelos Frades Menores e pelos Capuchinhos.
     Há dois séculos o povo acorre pedindo-lhe graças, como atestam duas lápides no exterior da capela. A segunda diz respeito à 2ª Guerra Mundial, durante a qual Nápoles foi bombardeada 105 vezes, mas os "quarteirões" e sua densa população foram poupados. Na capela há ainda uma cadeira usada pela Santa, procurada pelas senhoras, especialmente aquelas que devotamente desejam um filho, que nela sentam-se pedindo graças (*).
           
Fontes:
Ferdinand Heckmann,
http://ec.aciprensa.com/m/mariafrances.htm; Antonio Borrelli, www.santiebeati.it;
Ciclo Santoral, ar.geocities.com/misa_tridentina.


(*)
05 de dezembro, 2007 - 12h23 GMT (10h23 Brasília)
Cadeira na Itália 'ajuda mulheres a ter filhos'; assista.
     Uma cadeira que pertenceu a Santa Maria Francisca está atraindo mulheres de todo o mundo para a cidade italiana de Nápoles.
     As fiéis acreditam que o objeto é capaz do milagre de ajudá-las a ter filhos.
     Em um ritual, elas se sentam na cadeira e são tocadas na barriga por uma freira com um objeto que carrega uma costela e um cacho de cabelo da santa. A freira, Madre Giuliana, diz que é a fé que dá às mulheres a capacidade de conceber um bebê.