segunda-feira, 25 de março de 2019

Beata Michela Ranzi de Vercelli, Agostiniana – 26 de fevereiro


    

     A Beata Michela Ranzi de Vercelli é uma agostiniana que viveu no século XV. Sabemos que pertencia à família Ranzi, uma família que tinha dado à luz os Beatos Cândido e Demóstenes João, Franciscanos, e as Beatas Isabel e Ângela Bartolomea, também agostinianas.
    Sobre a Beata Michela só sabemos que em 1485 foi eleita priora do mosteiro de Santa Maria das Graças ou da Visitação de Vercelli. O mosteiro, que já existia na segunda metade do século XV, abrigara uma comunidade de Clarissas antes de se tornar um cenáculo agostiniano, que manteve sua fisionomia até 1641.
     Em alguns textos, esta beata era lembrada da seguinte maneira: "famosa pela pureza de costume e pela discrição de espírito, amada em sua pátria, admirada por suas coirmãs, elogiada pelos escritores. Seus restos permanecem terra preciosa".
     Aconselhado pela Beata, o Beato Cândido Ranzi (*) se retirava no Sagrado Monte de Varallo para dedicar-se periodicamente à oração e à solidão.
     No texto de Aldo Ponso: "Dois mil anos de santidade no Piemonte e no Vale d’Aosta", é relatado que ela morreu em 1493.
     A Beata Michela Ranzi de Vercelli é comemorada no dia 26 de fevereiro.

O Santuário do Sagrado Monte de Varallo

(*) Beato Candido Ranzi (1456-1515)

     Candido nasceu em Vercelli, era primo do Beato Demostenes Ranzi. Era doutor em direito. Em 1474, o Papa Sisto IV nomeou-o administrador da catedral, mas em 1476 ele renunciou à cátedra e ingressou no convento franciscano. Pregou na Córsega, na Lombardia, em Vercelli. Depois foi a San Giorgio Canavese para auxiliar na construção do convento local. Aconselhado pela Beata Michela, retirava-se frequentemente no Sagrado Monte de Varallo para dedicar-se à oração e à solidão. Faleceu em Valperga no ano 1515. 

quinta-feira, 21 de março de 2019

O Glorioso Patriarca São José


São Bernardino de Siena: "São José, guarda fiel e providente dos maiores tesouros do Pai eterno: o Filho de Deus e a Virgem Maria".

     É esta a regra geral de todas as graças especiais concedidas a qualquer criatura racional: Quando a Providência Divina escolhe alguém para uma graça particular ou estado superior, também dá à pessoa assim escolhida todos os carismas necessários para o exercício de sua missão.
     Isto verificou-se de forma eminente em São José, pai adotivo de Nosso Senhor Jesus Cristo e verdadeiro esposo da rainha do mundo e senhora dos anjos. Com efeito, ele foi escolhido pelo Pai eterno para ser o guarda fiel e providente dos seus maiores tesouros: o Filho de Deus e a Virgem Maria. E cumpriu com a máxima fidelidade sua missão. Eis por que o Senhor lhe disse: Servo bom e fiel! Vem participar da alegria do teu Senhor! (Mt 25,21).
     Consideremos São José diante de toda a Igreja de Cristo: acaso não é ele o homem especialmente escolhido, por quem e sob cuja proteção se realizou a entrada de Cristo no mundo de modo digno e honesto?
     Se, portanto, toda a santa Igreja tem uma dívida para com a Virgem Mãe, por ter recebido a Cristo por meio dEla, assim também, depois dEla, deve a São José uma singular graça e reverência.
     Ele encerra o Antigo Testamento; nele a dignidade dos patriarcas e dos profetas obtém o fruto prometido. Mas ele foi o único que realmente possuiu aquilo que a bondade divina lhes tinha prometido.
     E não duvidemos que a familiaridade, o respeito e a sublimíssima dignidade que Cristo lhe tributou, enquanto procedeu na terra como um filho para com seu pai, certamente também nada disso lhe negou no céu, mas antes, completou e aperfeiçoou.
     Por isso, não é sem razão que o Senhor lhe declara: Vem participar da alegria do teu Senhor! Embora a alegria da felicidade eterna penetre no coração do homem, o Senhor preferiu dizer: Vem participar da alegria. Quis assim insinuar misteriosamente que a alegria não está só dentro dele, mas o envolve de todos os lados e o absorve e submerge como um abismo sem fim.
     Lembrai-vos de nós, ó beatíssimo São José, e intercedei com vossas orações junto a vosso Filho adotivo; tornai-nos também propícia vossa Esposa, a Santíssima Virgem, Mãe dAquele que vive e reina com o Pai e o Espírito Santo pelos séculos sem fim. Amém.
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Dos Sermões de São Bernardino de Sena, sacerdote franciscano (1380-1444). (Sermo 2, de S.Ioseph:Opera7,16.27-30) (Séc.XV).
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Maria e José: corte e serviço régios
Por: Pe. David Francisquini (*)

     São Pedro Julião Eymard comenta que Deus Pai, ao enviar seu Filho à Terra, quis fazê-lo com honra, pois Ele é digno de toda honra e de todo louvor. Por isso Lhe preparou uma corte e um serviço régios. Deus desejava que seu Filho encontrasse recepção digna e gloriosa, se não aos olhos do mundo, pelo menos aos seus próprios olhos.
     A corte do Filho de Deus compõe-se de Maria e de José. Com efeito, São Bernardino de Siena afirma que Maria foi a mais nobre das criaturas que jamais houve e haverá. São Mateus mostra que Ela é descendente de catorze Patriarcas, catorze Reis e catorze Príncipes. Também em São José desfechou toda a dignidade patriarcal, régia e principesca.
     Jesus, Maria e José constituem o mais luminoso exemplo de vida e de instituição familiar, civil e religiosa. Ao lermos nos Santos Evangelhos e nos escritos dos santos o que a piedade popular convencionou chamar com toda propriedade de Sagrada Família, podemos tirar lições profundas que à maneira de farol nos servem de guia em meio à tempestade.
     Sim, em meio à procela que se abate hoje sobre os verdadeiros seguidores de Jesus Cristo, pois até Ele foi odiado no seu Presépio e ameaçado de morte, a ponto de a Sagrada Família se vir obrigada a buscar refúgio no Egito. “Que José tomasse o Menino e partisse para o Egito”, porque Herodes O procurava para matá-Lo.
     Quando o anjo apareceu, José dormia, distante dos cuidados da Terra e das preocupações mundanas. Somente ele, como chefe da casa, era digno de gozar das visões do alto. O embaixador celeste então lhe diz: “Levanta-te, toma o menino e a Sua Mãe”. Com estas palavras, o anjo reconhece outro título de Maria: Mãe de Jesus, que é Deus.
     Como chefe da família de Nazaré, José se apresenta incumbido de preservar os fundamentos de sua família, e com isto torna-se exemplo para todos os casais.
     Ao levar Jesus e Maria para o Egito, José cumpria o que estava escrito na Escritura: do Egito chamei meu Filho. O próprio Jesus teve de fugir de seu povo para se abrigar junto a outro povo que outrora fora perseguidor dos hebreus. Assim agindo, José levava um remédio para curar os males que afligiram o Egito, como as dez pragas.
     Nosso Senhor levou a luz para esses povos que estavam submersos nas trevas. José, ao partir com Jesus e Maria, saiu durante a noite, no meio das trevas. Ao voltar para a Judéia, ele o fez durante o dia porque aquelas preocupações haviam passado.
     Como pai adotivo e esposo de Maria, competia a São José por direito conduzir o Menino Deus a diversas regiões, prefigurando os Apóstolos que deveriam levá-Lo ao o mundo inteiro por meio da pregação. São Lucas descreve a ida do Menino, aos 12 anos de idade, com os pais a Jerusalém, ocasião em que se manifestou n’Ele a sabedoria.
     Tendo a sabedoria se manifestado no Menino, e com ela a expressão da universalidade das coisas e dos tempos, a luz de Cristo chegou a todos os lugares em todos os tempos. Acabada a festa, o Menino deixou-se ficar em Jerusalém.
     Ele quis assim se ocultar, não para contrariar seus pais e deixá-los preocupados, mas para fazer a vontade do Padre Eterno. Sendo Jesus o Filho de Deus, objeto de tanto cuidado por parte de seus pais, como pôde ter sido esquecido? Cabe, porém, ressaltar o costume existente então entre os judeus, de que os homens e as mulheres podiam ir em comitivas distintas, enquanto os meninos podiam ir com o pai ou com a mãe.
     Após três dias que pareceram uma eternidade, José e Maria encontraram por fim seu Divino Filho. Ele estava no Templo, sentado entre os Doutores da Lei, que ora O escutavam, ora Lhe perguntavam, pasmos com a Sua sabedoria.
     Maria manifesta a dor que sentia em seu coração: “Teu pai e eu te procurávamos aflitos”. E Ele disse: “Não sabias que devo me preocupar com as coisas que são de Meu Pai?” Para dar a entender que há em Jesus duas naturezas distintas: a divina e a humana.
     Buscam e encontram o Menino no Templo, para amá-Lo e seguir os Seus ensinamentos. Saindo do Templo, encontramo-Lo no lar de Nazaré, levando a vida como um filho exemplar, ensinando-nos a humildade e a obediência, pois elas são o fundamento da vida cristã.
     Assim se resume o restante da vida de Jesus na casa de Nazaré: na obediência aos pais, ensinava a todos os homens que aquele que se aperfeiçoa na vida da graça e da virtude deve abraçar a humildade e a obediência como meio infalível de se chegar ao bem. Ele se submeteu humilde e respeitosamente ao trabalho corporal.
     Embora honestos e justos, seus pais eram pobres e tinham de buscar sustento para a vida com o próprio suor. E Jesus tomava parte nos trabalhos de seus pais obedecendo-lhes em tudo. A propósito, disse Santo Agostinho: “O jugo de Nosso Senhor tem asas que nos elevam acima da terra”.
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(*) Sacerdote da Igreja do Imaculado Coração de Maria — Cardoso Moreira (RJ) — é colaborador da Agência Boa Imprensa (ABIM). 
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Nazaré – São José

     A tradição cristã indica que em Nazaré, além da basílica da Anunciação, está a igreja de São José. Este santuário também é chamado “da Nutrição” porque Jesus alí foi criado até a idade adulta, aprendendo a profissão de seu pai adotivo.
     Sabemos pelo relato do peregrino Arculfo (670 d.C), que em Nazaré “foram construídas duas grandes igrejas, uma no meio da cidade, fundada sobre dois arcos, onde estava a casa na qual nosso Salvador foi criado e outra no lugar onde estava construída a casa na qual o Anjo Gabriel saudou a Virgem Maria”.
     No século XVII, o Pe. Francesco Quaresmi faz referência a um lugar “chamado pelos locais: casa e oficina de José... onde havia uma bela igreja dedicada a São José”. O apócrifo História de José o marceneiro, narra a morte e sepultura do pai adotivo de Jesus, descrevendo como o mesmo Jesus o assistiu e confortou no momento de sua passagem desta vida.
     Sabemos também que alguns dos parentes de Jesus ficaram em Nazaré, segundo o relato do historiador judeu-cristão Hegésipo (séc. II d.C), citado na História Eclesiástica de Eusébio de Cesaréia: “Da família do Senhor, restavam ainda os netos de Judas, dito irmão segundo a carne, os quais foram relatados como pertencentes a estirpe de Davi”. Se deve supor que estes “parentes do Senhor” tenham tido uma parte na conservação das memórias cristãs de Nazaré.

Fontes:
https://www.custodia.org/pt-pt/sanctuaries/nazare-sao-jose

quarta-feira, 20 de março de 2019

Santas Alexandra, Cláudia e comp. mártires de Amiso – 20 de março

    
     Segundo um texto do Sinassario Constantinopolitano, no tempo do imperador Maximiano (309 – 313), sete mulheres se apresentaram ao governador de Amiso (moderna Turquia) professando sua fé cristã e reprovando a sua crueldade e injustiça na condenação dos cristãos. Alexandra, Cláudia, Eufrásia, Matrona, Juliana, Eufêmia e Teodósia, estes eram os seus nomes. Elas foram presas imediatamente. Como tivessem resistido às pressões para negar sua fé, foram flageladas e lançadas em uma fornalha ardente.
     Quatro dos nomes acima: Alexandra, Cláudia, Eufrásia e Matrona aparecem em outro grupo, este mais confiável, de São Teodoto de Ancira, como pertencente a um grupo de sete virgens.
     Estudo hagiográficos nos levam a deduzir que o grupo de Alexandra e companheiras de Amiso é uma duplicação do grupo formado por Tecusa e companheiras de Ancira, e erroneamente atribuído a Amiso.
     Entretanto, Santa Claudia é celebrada há muitos séculos no dia 20 de março. Segundo relatos, um cristão também martirizado como estas virgens, Teodoto, era curador de Ancira e foi o responsável pelo sepultamento de Cláudia e Alexandra. Ele evitou que seus restos fossem queimados, como era ordem dos imperadores romanos, que mandavam queimar os corpos para que não fossem sepultados e lembrados.
     Os restos mortais de Santa Cláudia foram recuperados e levados para Malus e suas relíquias foram transladadas para uma capela com o seu nome. Seu túmulo tornou-se local de peregrinação e vários milagres foram creditados à sua intercessão. Ela é muito venerada na Grécia e na Rússia.
     No Martirológio Romano estas Santas mártires são comemoradas no dia 20 de março.

Fonte: www.santiebeati.it/

segunda-feira, 18 de março de 2019

Santa Gertrudes de Nivelles, Abadessa - 17 de março


     Santa Gertrudes nasceu em 626. Era filha caçula de Pepino de Landen, nobre de grande poder no Brabante, prefeito do palácio nos reinados de Clotário II, Dagoberto e Sigeberto, e avoengo de Carlos Magno. A Beata Ida (ou Ita) d'Aquitânia era sua mãe. Sua irmã, Santa Begga, casou-se com o filho mais velho de Arnolfo de Metz, e tornou-se abadessa de Andenne após a morte do esposo.
     Desde cedo Gertrudes devotou-se à oração, afastava-se das festas e dedicava-se ao estudo, sendo muito culta. Quando tinha cerca de 10 anos de idade seu pai convidou o Rei Dagoberto e alguns nobres para um banquete. Naquela ocasião, ela foi pedida em casamento para o filho do Duque da Austrásia. Com decisão ela respondeu que não o desposaria, nem tão pouco qualquer outro homem, pois somente Jesus Cristo seria o seu Esposo.
     Com a morte de Pepino em 639, e seguindo o conselho de Santo Amando, Bispo de Maastrich, Ida transformou seu palácio de Nivelles em um mosteiro, onde ela e sua filha Gertrudes se consagraram a Deus. Gertrudes recebeu o véu de virgem consagrada das mãos do próprio Bispo de Maastrich. O mosteiro seguia a regra de São Columbano, o grande precursor dos monges evangelizadores irlandeses, e tornou-se famoso por sua hospitalidade aos peregrinos.
     Ida e Gertrudes tornaram-se grandes amigas de dois santos irlandeses, os irmãos São Follian e São Ultan, quando eles se hospedaram no mosteiro como peregrinos. Eles estavam indo de Roma a Peronne, onde o irmão deles, São Furseus, estava enterrado. Talvez esses monges as tenham influenciado a acolher uma comunidade masculina ao lado do mosteiro feminino, tornando-o assim um mosteiro duplo submetido à autoridade única da abadessa.
     Alguns autores mencionam que Ida foi abadessa até sua morte (652), sendo eleita Gertrudes, então com vinte anos, para substituí-la. Outros acreditam que Gertrudes foi a primeira abadessa, tendo sido assistida pela mãe, que preferira ser uma simples monja.
     O certo é que Gertrudes delegara a alguns monges virtuosos a administração do mosteiro, pois ela queria se dedicar à oração, às penitências e ao estudo das Sagradas Escrituras, que ela sabia quase de cor. Ela também reservara para si a tarefa de instruir monges e monjas, torná-los mais motivados na Fé e mais preparados para a difusão dos ensinamentos da Santa Igreja.
     Com a aprovação de Grimoaldo, irmão de Gertrudes, terras em Fosses, local não distante de Nivelles, foram doadas aos dois irlandeses para que fundassem um outro mosteiro. A direção do novo mosteiro foi dada a São Ultan. O Brabante foi evangelizado por aquela comunidade.
     Os dois mosteiros - Nivelles e Fosses - tinham uma ligação estreita. São Follian ia regularmente a Nivelles para ali celebrar o Ofício e instruir as duas comunidades. Em 31 de outubro de 655, retornando de uma dessas visitas, ele foi assassinado com seus companheiros. Gertrudes guardou relíquias dele antes que levassem seu corpo para Fosses, gesto que demonstrava seu interesse em promover o culto a São Follian em Nivelles.
     Gertrudes iniciara com vigor um grande processo de reformulação do mosteiro, chamando da Irlanda monges teólogos, os mais versados nas Sagradas Escrituras, e enviando pessoas a Roma para prover a comunidade de livros litúrgicos e culturais, ampliando muito a biblioteca da comunidade. Empregou toda a fortuna deixada pela mãe na construção de igrejas, mosteiros e hospitais. A missão de Gertrudes se tornara uma luta para a difusão da doutrina católica através da instrução. Isto significou um enorme esforço de sua parte, pois era uma época de ignorância e superstições, em que muitos ainda eram pagãos. Um eclipse da lua, por exemplo, era considerado um fenômeno sobrenatural e aterrorizava os camponeses, mesmo os já instruídos na fé cristã.
     Devota de Jesus Crucificado e de Maria Santíssima, ela fazia sacrifícios pelas almas do purgatório, que lhe apareciam durante as orações sob a forma de ratos negros que se tornavam dourados, simbolizando sua salvação pela Misericórdia de Deus. Ela comentava essas visões com as monjas, estimulando as preces por essas almas abandonadas.
     Por causa dessas visões, na arte sacra ela é sempre representada com ratos ao seu redor, como uma abadessa com camundongos a seus pés, como uma abadessa com camundongos correndo em seu manto, ou ainda, segurando o báculo e com um gato junto dela. Os devotos ainda hoje a invocam contra as invasões de ratos e o medo que eles provocam.
     Entretanto, o que mais a destacava era a sua profunda capacidade de compreender os anseios das almas. Gertrudes se revelou uma eficaz pacificadora: usando sua respeitabilidade, por nascimento e por sua crescente fama de santidade, atuava para acabar com as intermináveis guerras locais entre as famílias senhoriais. Suas palavras, dotadas de sabedoria e de autoridade, as persuadiam à conciliação. As guerras pacificadas representavam alívio para o povo exposto aos saques, incêndios, sequestro de reféns, tudo seguido de anos de miséria.
     Devido aos contínuos jejuns e penitências, aos 32 anos Gertrudes sentia-se tão fraca, que resolveu abdicar de seu cargo. Após consultar monges e monjas, ela indicou sua sobrinha, Santa Vilfetrudes, como sua sucessora, em dezembro de 658.
     Um dia antes de sua morte, ela enviou um dos monges à procura de São Ultan para perguntar se Deus lhe havia comunicado a hora de sua morte. O Santo respondeu que ela morreria no dia seguinte, durante a Santa Missa. A profecia se concretizou.
     Santa Gertrudes morreu em Nivelles, no dia 17 de março de 659, aos trinta e três anos. O seu corpo foi sepultado em uma capela. Ela, que já em vida era admirada por sua santidade, foi imediatamente venerada como Santa.
     Inês, a terceira Abadessa de Nivelles, mandou construir uma igreja em sua honra. Ela se tornaria depois basílica, sempre restaurada e reconstruída através dos séculos.
     Alguns anos após a morte de Santa Gertrudes, um monge seu contemporâneo escreveu sua "Vida", cuja autenticidade é reconhecida por todos os historiadores. Há dois textos redigidos - um em 691 e outro após 783 - relatando os milagres que eram obtidos pelo contato de suas relíquias: curas, ressurreição de uma criança afogada, extinção de um incêndio... Santa Gertrudes é mencionada no Martirológio de São Beda.
     Já no século XIII havia uma procissão em que suas relíquias eram transportadas em uma caixa de prata feita em 1296, uma verdadeira joia da ourivesaria francesa. Esse precioso relicário do século XIII foi destruído em 1940, num bombardeio que atingiu a basílica que o guardava e muitas casas de Nivelles.
     As preciosas relíquias, que puderam ser recuperadas, desde 1982 repousam num relicário feito pelo artista Félix Roulin.
     Santa Gertrudes de Nivelles é protetora dos jardineiros e das almas que partiram recentemente. O seu culto é mais popular nos Países Baixos (Holanda, Bélgica e Suíça), na Inglaterra e na Escócia, principalmente no dia 17 de março, quando faz parte da tradição plantar rosas nesse dia em sua homenagem. 

Vista do centro da cidade de Nivelles, Bélgica
Igreja da Colegiada de Santa Gertrudes de Nivelles

Postado pela 1ª vez em 17 de março de 2013

terça-feira, 12 de março de 2019

Beata Angela (Aniela) Salawa, Empregada Doméstica – 12 de março

    
     Ao longo dos séculos, muitas Beatas e Santas da Igreja Católica exerceram a profissão de empregada doméstica durante um tempo mais ou menos longo. Elas levaram às famílias em que trabalhavam, e aos fiéis em geral, o exemplo das virtudes católicas. Muitas delas deixaram sua ocupação para entrar em alguma Congregação religiosa, algumas se tornaram fundadoras de Institutos, ou ainda membro de alguma Ordem Terceira.
     Entretanto, algumas permaneceram em sua profissão até o fim da vida, santificando-se nas provações inerentes ao cargo, aceitando com alegria a posição que ocupavam dentro das casas em que trabalhavam, atraindo a admiração de seus patrões, e, em muitos casos, levando-os à conversão, fazendo também um apostolado intenso junto aos mais necessitados.
     Tais foram: Santa Zita (1218-1278), empregada doméstica de Lucca (Itália), patrona da cidade e nomeada patrona das domésticas por Pio XII em 26 de setembro de 1953, festejada no dia 27 de abril, e a Beata Ângela (Aniela) Salawa, cuja vida veremos em seguida.
*

     A décima primeira dos doze filhos de Bartolomeu Salawa e de Eva Bochenek nasceu em Siepraw, próximo de Cracóvia, Polônia, no dia 9 de setembro de 1881. Recebeu no Batismo o nome de Ângela (Aniela). O pai era artesão e a mãe inteiramente dedicada aos numerosos filhos, aos quais ensinava a piedade, a modéstia e a operosidade. Foi sob a direção da mãe que Ângela se preparou para a Primeira Comunhão, que segundo o costume da época, aconteceu aos seus 12 anos.
     Aos 15 anos trabalhava para uma família de Siepraw cuidando das crianças, ordenhando as vacas e realizando outros pequenos trabalhos. Em 1897 voltou para casa e resistia aos insistentes conselhos do pai para que ela constituísse sua própria família. Há muito Ângela se sentia inclinada ao celibato.
     Transferiu-se para Cracóvia onde trabalharia como empregada doméstica. Nos primeiros dias ficou hospedada na casa da irmã mais velha, Teresa – também ela empregada doméstica – que sabia que Ângela não se sentia chamada ao matrimônio.
     Fiel às inspirações do Espírito Santo e aos conselhos dos diretores espirituais, a jovem progredia rapidamente na santidade. Cumpria com perfeição todos os seus deveres de estado e empregava o tempo livre em leituras espirituais para unir-se cada vez mais a Nossa Senhora e a compreender os mistérios de Nosso Senhor Jesus Cristo.
     Em Cracóvia trabalhou inicialmente para a família Kloc, deixando-a pouco tempo depois por causa do assédio do patrão. Trabalhou depois para algumas famílias da região e retornou para Cracóvia para assistir a morte de Teresa, em 25 de janeiro de 1899, perda que lhe causou muito sofrimento, pois tinha grande afeto pela irmã. Encontrou forças para enfrentar a perda prolongando o tempo de orações na igreja.
     Sob a direção do padre jesuíta Estanislau Mieloch se consagrou a Deus com o voto de castidade perpétua, voto que já fizera na adolescência. Em 1900, inscreveu-se na Associação de Santa Zita de Cracóvia, entidade que promovia a assistência às domésticas. Dedicava-se a um apostolado obscuro, mas fecundo, junto às domésticas de Cracóvia. Ela as reunia, aconselhava, dirigia. Apesar da saúde precária, estava sempre alegre e sociável, se vestia bem, não para o mundo, mas para Deus.
     Amo meu trabalho – dizia – porque nele encontro uma excelente ocasião de sofrer muito, de trabalhar muito e de rezar muito; e fora disto nada mais desejo no mundo”.
     Em 1911, sofreu dolorosa moléstia, seguida da perda da mãe e da jovem senhora a quem servia com afeto e dedicação. Além destas provações, vê-se abandonada por algumas companheiras. Naquele período de grandes sofrimentos, confiando somente em Deus, unindo-se a Ele mais ainda na oração e na meditação, foi agraciada com fenômenos místicos.
     Em 1912 descobriu que seu espírito de humildade e pobreza tinha uma grande afinidade com São Francisco de Assis, o que a fez professar, no dia 15 de maio de 1912, na Ordem Terceira Secular de São Francisco, recebendo o hábito na igreja conventual dos Franciscanos; no dia 6 de agosto de 1913 fez sua profissão.
     Durante a 1ª Guerra Mundial, não sem incômodos voluntariamente assumidos, prestava dedicado e zeloso auxílio aos feridos, doentes e prisioneiros de guerra no Hospital de Cracóvia, onde respeitosamente era chamada “a santa senhorita”.
     Em 1916, por haver censurado a amante de seu patrão, o advogado Fischer, foi despedida daquela casa aonde trabalhava desde 1905. Seguiram-se alguns anos sem trabalho e com a doença progredindo, mas com o consolo dos fenômenos místicos.
A Beata em 1921
     Em 1917, com as forças debilitadas, deixou também os trabalhos voluntários e recolheu-se a uma cela paupérrima, onde durante cinco anos viveu em íntima contemplação dos mistérios divinos, sustentada por Maria Santíssima e pela Comunhão Eucarística. Esta era levada diariamente pelo seu confessor. Algumas companheiras, inconsoláveis, se alternavam em seu tugúrio para assisti-la.
     Ela oferecia todos os seus sofrimentos pela conversão dos pecadores, pela salvação das almas, pela expansão missionária da Igreja. Em fevereiro de 1922, num último ato de devoção, ofereceu-se a Deus como vítima pela propagação do Seu Reino na Polônia e no mundo. Anotou em seu Diário: “Pensando em minha vida, creio estar na vocação, no local e no estado para os quais Deus me havia chamado desde a infância”.
     Por fim Ângela consentiu em deixar aquela cela e foi levada para a enfermaria de Santa Zita, onde, após ter recebido os Sacramentos, faleceu serenamente no dia 12 de março de 1922, em extrema pobreza e com a fama de santidade.
     No dia 13 de maio de 1949, ao ser aberto o processo diocesano para a sua beatificação, seus despojos foram transladados do cemitério para a Basílica de São Francisco de Cracóvia.
     João Paulo II proclamou-a Beata no dia 13 de agosto de 1991, em Cracóvia, e sua festa é celebrada no dia 12 de março.
     Duas figuras femininas polonesas nos causam admiração: a Beata Edwiges, rainha, que viveu na Idade Média, e a nova beata. A rainha e a empregada! Acaso não se expressa toda a história da santidade cristã e da espiritualidade edificada segundo o modelo evangélico nesta simples frase: "Servir a Deus é reinar"? (cf. Lumen Gentium 36). A mesma verdade encontra expressão na vida de uma grande rainha e de uma humilde empregada.
Interior da Basílica de S Francisco, Cracovia
 
Túmulo da Beata na Basílica de S Francisco na Cracóvia


Fontes:
L'Osservatore Romano, edición semanal en lengua española, del 12 de julio y 23 de agosto de 1991 

Postado pela 1ª vez neste blog em 10 de março de 2011

segunda-feira, 11 de março de 2019

A última e a mais pobre conversa do convento – 11 de março


O meu sacerdócio e uma desconhecida

O Barão Wilhelm Emmanuel Ketteler (1811-1877)

Todos nós devemos o que somos e a nossa vocação às preces e aos sacrifícios dos outros. No caso do famoso bispo Ketteler, excelente personagem do episcopado alemão do século XIX e figura de destaque entre os fundadores da sociologia católica, a benfeitora foi uma religiosa conversa, a última e a mais pobre freira de seu convento.

     Em 1869 estavam juntos o bispo de uma diocese na Alemanha e seu hóspede, o bispo Ketteler de Mainz. Durante a conversa o bispo diocesano elogiava as tantas obras benéficas de seu hóspede. Mas o bispo Ketteler explicou ao seu interlocutor: “Tudo o que alcancei com a ajuda de Deus, o devo às preces e ao sacrifício de uma pessoa que não conheço. Posso somente dizer que alguém ofereceu a Deus sua vida em sacrifício para mim e graças a isso tornei-me sacerdote”.
     E continuou: “Antes eu não me sentia destinado ao sacerdócio. Eu havia prestado alguns exames na faculdade de direito e desejava fazer uma rápida carreira que me permitisse ter um lugar de prestígio no mundo, ser respeitado e ganhar muito dinheiro. Um evento extraordinário, porém, impediu-me tudo isso e conduziu minha vida em outras direções. Uma noite, enquanto eu estava sozinho no meu quarto, abandonei-me aos meus sonhos de ambição e aos planos para o futuro. Não sei o que me aconteceu, não sei se estava acordado ou não. O que eu via era a realidade ou um sonho? Só uma coisa sei com certeza: vi aquilo que sucessivamente provocou a virada da minha vida. Claro e límpido, Cristo estava por encima de mim numa nuvem de luz e mostrava-me seu Sagrado Coração. Frente a Ele estava uma freira ajoelhada com as mãos erguidas em posição de imploração.
     “Da boca de Jesus ouvi as seguintes palavras: ‘Ela reza ininterruptamente por ti!’. Eu via com clareza a figura da irmã, e sua fisionomia me impressionou de maneira tão forte, que ainda hoje a tenho frente aos meus olhos. Ela me parecia uma simples conversa. Sua roupa era pobre e rude, suas mãos avermelhadas e calosas pelo trabalho pesado. Qualquer coisa tenha sido, um sonho ou não, para mim foi extraordinário pois fui atingido no íntimo e a partir daquele momento resolvi me consagrar inteiramente a Deus no serviço sacerdotal. Recolhi-me num mosteiro para os exercícios espirituais e conversei sobre tudo isso com meu confessor. Comecei os estudos de teologia aos trinta anos. O resto o senhor já conhece. Se agora o senhor acredita que algo de bom foi feito com minha intermediação, saiba de quem é o mérito: daquela irmã que rezou por mim, talvez sem sequer me conhecer. Tenho certeza que por mim rezou e ainda reza em segredo e que sem aquela prece eu não poderia alcançar a meta à qual Deus me destinou”.
     “Tem ideia de quem reza pelo senhor e onde?” perguntou o bispo diocesano. “Não. Posso somente pedir a Deus que a abençoe, se ainda vive, e que lhe devolva mil vezes o que fez por mim”.
A Irmã do Estábulo
     No dia seguinte o bispo Ketteler foi visitar um convento de freiras na cidade próxima e celebrou para elas a Santa Missa na capela. Quando estava prestes a terminar a distribuição da Santa Comunhão, já na última fileira, seu olhar deteve-se sobre uma irmã. Seu rosto empalideceu e ele ficou imóvel, mas logo retomou-se e deu a comunhão à freira que não percebera nada e estava devotadamente ajoelhada. Então concluiu serenamente a liturgia.
     Para o café da manhã chegou ao convento também o bispo diocesano do dia anterior. O bispo Ketteler pediu à madre superiora que lhe apresentasse todas as irmãs e elas chegaram imediatamente. Os dois bispos se aproximaram e Ketteler as cumprimentava observando-as, mas via-se com clareza que não encontrava o que estava procurando. Em voz baixa dirigiu-se à madre superiora: “Estão todas aqui as irmãs?” Ela olhando o grupo respondeu: “Excelência, mandei chamá-las todas, mas de fato falta uma!”. “E porque não veio?” A madre respondeu: “Ela cuida do estábulo, e de maneira tão exemplar que às vezes no seu zelo esquece das outras coisas”.  “Desejo conhecer esta irmã”, disse o bispo.
     Pouco depois a freira chegou. Ele empalideceu e após ter dirigido algumas palavras a todas as freiras pediu para ficar a sós com ela.  “Você me conhece?” perguntou. “Excelência, eu nunca o vi!”. “Mas você rezou e ofereceu boas obras por mim?” queria saber Ketteler. “Não tenho consciência disto, pois não sabia da existência de Vossa Excelência”.
     O bispo ficou alguns instantes imóvel em silêncio, depois continuou com outras perguntas. “Quais devoções você ama mais e pratica com maior frequência?” - “A veneração ao Sagrado Coração”, respondeu a irmã. “Parece que você tem o trabalho mais pesado de todo o convento!” continuou. “Ah não, Excelência! Certamente não posso negar que às vezes me repugna”. “Então o que você faz quando é atormentada pela tentação?” - “Acostumei-me a enfrentar, por amor a Deus, com zelo e alegria todas as tarefas que me custam muito e depois oferecê-las por uma alma no mundo. Será o bom Deus a escolher a quem dar a Sua graça, eu não quero saber. Também ofereço a hora de adoração da noite, das vinte às vinte e uma horas, para essa intenção”.
     “E como teve a ideia de oferecer tudo isso por uma alma?” - “E’ um costume que eu já tinha quando ainda vivia no mundo. Na escola o pároco nos ensinou que devíamos rezar pelos outros como se faz para os próprios parentes. E também acrescentava: ‘Seria necessário rezar muito para aqueles que correm o risco de se perderem para a eternidade. Mas visto que só Deus sabe quem tem mais necessidade, a coisa melhor seria oferecer as orações ao Sagrado Coração de Jesus, confiantes na sua sabedoria e onisciência’. E assim eu fiz, e sempre acreditei que Deus encontra a alma certa”.
Dia do aniversário e dia da conversão
     “Quantos anos você tem?” Perguntou Ketteler. - “Trinta e três anos, Excelência”. O bispo, impressionado, interrompeu-se um instante e depois perguntou: “Quando você nasceu?”  A irmã disse o dia de seu nascimento. O bispo então fez uma exclamação: tratava-se exatamente do dia de sua conversão! Ele a vira exatamente assim, à sua frente como estava naquele momento. “Você não sabe se as suas preces e os seus sacrifícios tiveram sucesso?” - “Não, Excelência”. “E não gostaria de saber?”. - “O bom Deus sabe quando fazemos algo de bom, isso me basta”, foi a simples resposta. O bispo estava abalado: “Então, pelo amor de Deus, continue com essa obra!”. A irmã ajoelhou-se à sua frente e pediu a bênção. O bispo levantou solenemente as mãos e com profunda comoção disse: “Com os meus poderes episcopais, abençoo sua alma, suas mãos e o trabalho que elas cumprem, abençoo suas orações e seus sacrifícios, seu domínio de si e sua obediência. A abençoo principalmente para sua última hora e peço a Deus que a assista com Sua consolação”. - “Amém”, respondeu pacata a irmã e se afastou.
Um Ensinamento para a vida inteira
     O bispo estava abalado em seu íntimo, aproximou-se da janela para olhar para fora, tentando reconquistar seu equilíbrio. Mais tarde despediu-se da madre superiora e voltou à casa de seu amigo e coirmão. E a ele confidenciou: “Agora encontrei aquela à qual devo minha vocação. É a última e a mais pobre conversa do convento. Não poderei nunca agradecer a Deus o bastante pela Sua misericórdia, porque aquela freira reza por mim há quase vinte anos. Deus, porém, já havia aceito sua prece e também tinha previsto que o dia de seu nascimento coincidisse com o dia de minha conversão; depois, Deus acolheu as orações e as boas obras daquela irmã.
     Que ensinamento e que advertência para mim! Se um dia cair na tentação de orgulhar-me pelos eventuais sucessos e pelas minhas obras frente aos homens, devo sempre lembrar que tudo me vem da graça e da oração e do sacrifício de uma pobre serva que está no estábulo de um convento. E se um trabalho insignificante me parecer de pouco valor, devo refletir sobre isto: o que aquela serva faz com humilde obediência a Deus e oferece em sacrifício com domínio de si, tem um valor tão grande perante Deus que suas obras criaram um bispo para a Igreja!”.

*  *  *

Wilhelm M. Von Ketteler, nobreza de sangue e cruz

     O Barão von Ketteler nasceu em 1811 em Harkotten, localidade da Vestefália, e faleceu em Burhausen na Baviera, depois de vinte e sete anos como um dos bispos mais carismáticos de Mogúncia. Foi um dos instauradores do catolicismo social na Alemanha, e seu exemplo se estendeu até a França.
     Estudou teologia na Universidade de Gotinga, em Berlim; em Heidelberg e Munique estudou ainda direito e ciência política. Foi ordenado padre em Münster, em 1º de julho de 1844 e bispo de Mogúncia em 27 de julho de 1850, permanecendo à frente da diocese de 1850 a 1877. Decidiu consagrar a sua vida à causa da liberdade da Igreja em relação ao controle do Estado. Isto fez com que colidisse com o poder civil, atitude que manteve por toda uma vida tempestuosa e agitada. Fundou o seminário de sua diocese.
     Como aristocrata, foi herdeiro das tradições do Ancien Régime, defensor da subsidiariedade da família e das instituições municipais, frente ao protagonismo do Estado, e por isto, como bom tradicionalista, um firme anti-absolutista.
     Como bispo de Mogúncia, foi o paladino do catolicismo social ao observar a mudança profunda da sociedade alemã pela industrialização. A proletarização das classes populares, católicas nessa parte do império prussiano, gerou a imediata sensibilização de seu bispo, obrigado como pastor a proteger a sua grei do liberalismo imperante na Prússia e o nascente socialismo de ideologia ateia.
     Von Ketteler desenvolveu os grandes temas do Cristianismo social, tendo sido apelidado de Bispo Social. A ele é atribuída importante influência nas posições futuras da Igreja manifestadas na encíclica Rerum Novarum, de Leão XIII. O Papa Bento XVI o menciona na encíclica Deus caritas est como sendo um dos principais pioneiros da Doutrina Social da Igreja ("Deus caritas est" nº.27).
     Fundou as ordens religiosas dos Irmãos e Irmãs da escola, para trabalhar nos estabelecimentos educativos que tinha criado, trabalhou para instituir orfanatos e para resgatar lares. Em 1851 fundou a Congregação das Irmãs da Divina Providência, juntamente com Stephanie Amélia Starkenfels de La Roche..
     Em 1863, em parte, adotou alguns pontos de vista de "Lassalle" e editou o seu "Die Arbeitfrage und das Christenthum".
     Wilhelm von Ketteler defendeu os trabalhadores alemães, atuou reivindicando aumento de salários, férias, redução da carga horária de trabalho e na eliminação do trabalho infantil. Fundou o KAB, Movimento dos trabalhadores católicos.
     Foi um dos principais e mais calorosos opositores da Kulturkampf levada a efeito pelo Príncipe Otto von Bismarck. Esteve sempre muito decidido a consagrar a sua vida à liberdade da Igreja frente ao Estado. Foi em grande parte o instrumento que compeliu aquele homem de Estado a reconsiderar a frase que havia dito "não iremos jamais a Canossa". A sua oposição à Kulturkampf e a Bismarck foi até o ponto de em 1874 proibir aos clérigos da sua diocese de participar das celebrações da Batalha de Sedan e declarar o Reno um "rio católico".

http://es.catholic.net/op/articulos/46723/wilhelm-m-von-ketteler-nobleza-de-sangre-y-cruz.html#modal

sábado, 9 de março de 2019

Nossa Senhora da Piedade de Sielenbach – 9 de março

  


     Nossa Senhora da Piedade, entalhada em 1600, foi colocada em uma capela. No ano de 1632, durante a guerra dos 30 anos, soldados suecos protestantes queimaram a capela e jogaram a imagem no pântano.
     Um pastor do vilarejo de Sielenbach (Alemanha) a encontrou parcialmente queimada e deteriorada. Ele a colocou na parte oca de uma pereira. A peregrinação mariana teve início após duas curas milagrosas em 1659 e 1660, ocorridas diante da Pietà colocada no oco da pereira. Muitos ex votos fornecem informações sobre graças recebidas ali desde então. Ainda hoje uma parte do tronco da pereira pode ser vista no altar-mor.

Igreja e Mosteiro de Maria Birnbaum
     Para dar a esta imagem milagrosa um cenário digno, Philipp Jakob von Kaltenthal, comandante da Ordem Teutônica no vizinho distrito de Blumenthal, ergueu, entre 1661 e 1668, o antigo edifício barroco em torno da pereira, que lembra uma igreja russa, projetado por Constantin Pader. A igreja foi dedicada às Sete Dores de Maria Santíssima. A imagem está localizada no altar-mor.
     A igreja de peregrinação de “Nossa Senhora na pereira" (Maria Birnbaum) é a primeira igreja no norte dos Alpes com cúpula lembrando edifícios bizantinos, mas a influência italiana na construção do santuário e do mosteiro teve um papel importante.
     Inicialmente, a igreja era cuidada pelos pastores de Sielenbach e Klingen. De 1670 até a sua secularização a Ordem Teutônica assumiu o cuidado pastoral.
     No século 18 começou um declínio na peregrinação. A fim de proteger a igreja da demolição, em 1803 os agricultores da região pagaram os custos de manutenção até a comunidade de Sielenbach comprar a igreja. De 1867 a 1984, um ramo dos capuchinhos supervisionou a peregrinação no mosteiro de Maria Birnbaum.
     Após 14 anos sob administração da paróquia, em 1998 a Ordem Teutônica retornou a Maria Birnbaum. O edifício do convento foi restaurado e construiu-se um restaurante para os peregrinos e uma loja do mosteiro para reavivar novamente a peregrinação. Em 2001 o noviciado da província dos irmãos alemães foi transferido para Maria Birnbaum.
Parte do tronco da pereira que abrigou a imagem

Altar mor