domingo, 24 de setembro de 2017

Beata Ermengarda, Cisterciense - 25 de setembro

    
     Personagem histórico singular devido às diversas características de sua vida: condessa de nascimento, esposa e viúva por duas vezes, mãe afetuosa e pressurosa, regente de ducado, monja, depois envolvida na política, conciliadora de facções em luta, novamente monja cisterciense, peregrina.
     Ermengarda, cujo nome deriva do antigo provençal “Ermenjardis”, trazido do alemão arcaico “Irmingard” e que significa “protegida de Odim”, nasceu na metade do século XI em Angers, filha de Fulque IV, Conde de Anjou.
     Muito jovem, segundo o costume da época, casou-se com Guilherme IX, Conde de Poitiers, que a deixou viúva anos depois. Em 1093, casou-se com Alano IV, Duque da Bretanha. O relacionamento deles foi tempestuoso no início. Ela tentou deixá-lo para entrar para o Convento de Fontevrault, pedindo que seu casamento fosse anulado. Os bispos se recusaram a fazê-lo, mandando-a de volta para seu esposo e exortando-a a aceitar seu lugar como esposa e mãe. O casal deve ter chegado a um entendimento, já que tiveram três filhos: Conan III (m. 17 de setembro de 1148), que sucedeu seu pai no ducado; Edviges, que se casou com o futuro Balduino VII de Flandres; Godofredo (m. 1116).
     No verão de 1096, atendendo ao chamado do Papa Beato Urbano II, Alano partiu em companhia de outros senhores bretões para a Primeira Cruzada. A paz estava consolidada em seu ducado e à sua partida Ermengarda governou a Bretanha como regente por cinco anos e cuidou da educação de seu filho Conan.
     Ao retornar da Cruzada, Alano se interessou cada vez mais por assuntos religiosos. Em 1112, devido à enfermidade, abdicou em favor de seu filho Conan, e se retirou para a Abadia de Saint-Sauveur, em Redon, onde morreu e foi sepultado.
     Ermengarda também desejava segui-lo nessa escolha e retirou-se no mosteiro feminino de Fontevrault, sob a direção de São Roberto d’Arbrissel.
     À morte do seu esposo, Ermengarda saiu do mosteiro para assumir pessoalmente o papel de conciliadora na província da Bretanha agitada por intrigas de corte e pelos interesses dos nobres.
     Na idade de cerca de 45 anos, a Beata encontrou São Bernardo de Claraval (1091-1153), reformador dos cistercienses. O jovem Abade de Claraval seria naquele momento dez anos mais jovem que ela, mas já era um astro na Igreja medieval, com fama de grande pregador e fortemente empenhado em colocar ordem na Igreja abalada por contendas doutrinárias e políticas.
     Uma amizade profunda nasceu entre ambos, Ermengarda encontrou finalmente a paz para seu coração atormentado. Com a direção daquele santo ela aprendeu a orientar seus ímpetos para fins justos. São Bernardo enviou-lhe cartas amigáveis, homenageando-a por seu senso de justiça fundamentado na Fé católica. E foi das mãos deste Santo que, em 1129, ela recebeu o véu de monja cisterciense no priorado de Larrey, próximo de Dijon.
     Convidada por seu irmão Fulque, que se tornara Rei de Jerusalém, Ermengarda fez uma rápida peregrinação à Palestina. Ao retornar para a Bretanha, auxiliou na fundação da Abadia Cisterciense de Buzay, perto de Nantes, da qual Nivardo, irmão de São Bernardo, foi o primeiro abade.
     Ermengarda morreu em Larrey no dia 1º de junho de 1147, e foi sepultada em Redon, onde já fora enterrado seu esposo, Alano.
     O Menológio de Citeaux a comemora no dia 25 de setembro, enquanto que no novo Menológio Cisterciense ela é recordada no dia 31 de maio, mas sem nenhum título.

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

Beata Catarina Aliprandi de Asti, Clarissa - 21 de setembro


    
     Aliprandi é uma antiga família originária de Milão, que uma certa tradição liga aos longobardos. Ricos de feudos em várias zonas da Lombardia, tiveram o predomínio sobre a cidade de Monza em época comunal. Esta nobre família deu à Santa Igreja Católica a Beata Catarina Aliprandi.

     Catarina nasceu por volta de 1466 e os pais a destinaram ao casamento com um rico e nobre jovem. Aos 30 anos, Catarina conseguiu convencer o marido a vestir o hábito franciscano, possibilitando assim que ela pudesse entrar no Mosteiro de Santa Clara em Alexandria.

     Em 1526, com mais cinco coirmãs, foi encarregada de fundar um novo mosteiro em Asti, que tomou o nome de Convento de Jesus. Ali exerceu a função de porteira, mas em breve se tornou famosa pelas profecias e milagres que os devotos começaram a atribuir a ela.

     Como ela mesma havia profetizado, foi vitimada pela peste e morreu no dia 7 de setembro de 1529, cantando louvores a Maria Santíssima, na festa de sua Natividade, enquanto suas companheiras naquele momento também festejavam aquela data.

Fonte: www.santiebeati.it/

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Santa Cândida, Virgem e Mártir – 20 de setembro

    
     A primeira referência sobre Santa Cândida foi encontrada no calendário da Igreja de Córdoba e em alguns documentos da antiga Galícia, ambas na Espanha. Mas foi pela tradição cristã do povo napolitano, na Itália, que se concluiu a história desta santa.
     A vida cristã de Cândida iniciou quando ela foi convertida, segundo esta tradição, pelo próprio apóstolo Pedro, de passagem por Nápoles. Naquela época o apóstolo, com destino a Roma, atravessou Nápoles, onde a primeira pessoa que encontrou na estrada foi a pequena Cândida. Percebeu imediatamente que a pobre criança estava doente. Parou e perguntou-lhe se conhecia a palavra de Jesus Cristo. Diante da negativa e em seu ardor de levar a mensagem do Evangelho, Pedro falou-lhe da Boa-Nova, da fé e da religião dos cristãos; curou-a dos males que sofria e a converteu ao cristianismo.
     Assim, Cândida foi colhida pela luz de Deus e curada do físico e da alma. Chegou em casa falando sobre o cristianismo e contando tudo o que o apóstolo Pedro lhe dissera. Muito intrigado e confuso, Aspreno, um parente que a criava, saiu para procurá-lo. Quando se encontraram, com muito zelo Pedro converteu também Aspreno, que o hospedou em sua modesta casa por alguns dias.
     O apóstolo acabou por catequizar os dois e, em seguida, batizou-os e ministrou-lhes a primeira eucaristia durante a celebração da santa missa. Esse local recebeu o nome de “Ara Petri”, que significa Altar de Pedro. 
     Depois, antes de partir, o apóstolo consagrou Aspreno primeiro bispo de Nápoles e pediu para a pequena Cândida continuar com a evangelização, salvando as almas para Nosso Senhor Jesus Cristo.
     Aquele lugar onde fora celebrada a santa missa por São Pedro tornou-se de grande veneração por Cândida. Ela deixou seu lar com todos os confortos, preferindo passar seus dias numa gruta escura nas proximidades de “Ara Petri”, onde vivia em penitência e oração, catequizando e convertendo muitos pagãos. 
     Após alguns anos, o número de cristãos havia aumentado muito. Por isso, quando o imperador romano ordenou as perseguições contra a Igreja, os convertidos foram obrigados a fugir ou esconder-se.
     Então, o bispo Aspreno embarcou Cândida, junto com outros cristãos, com destino a Cartago, no norte da África, tentando mantê-los a salvo da implacável perseguição, mas não conseguiu. Foram alcançados, presos e torturados. 
     Cândida foi levada a julgamento e condenada à morte porque se negou a renunciar à fé em Cristo.
     No Martirológio Romano encontramos registrado que a virgem e mártir cristã Cândida morreu no Anfiteatro dos martírios de Cartago, no dia 20 de setembro. 
     Suas relíquias, encontradas nas Catacumbas de Priscila, agora estão guardadas na igreja Santa Maria dos Milagres, em Roma.
     Muitos séculos mais tarde, pesquisas arqueológicas feitas na cidade de Nápoles encontraram no local “Ara Petri” um antigo cemitério de cristãos. O fato colocou ainda mais devoção sobre a figura de Santa Cândida, eleita pelos fiéis como padroeira das famílias e dos doentes.
     Ela recebe, no dia 20 de setembro, as tradicionais homenagens litúrgicas confirmadas pela Igreja. Santa Cândida é retratada na área norte da colunata do Vaticano.
     Em Curitiba, há uma igreja dedicada a Santa Cândida, que foi solenemente inaugurada no dia dos Santos Reis (6 de janeiro) de 1877, com uma procissão com cerca de 2.000 fieis, inclusive o próprio presidente da província, conduzindo uma imagem de Santa Cândida, de 80 cm de altura, adquirida em Lisboa e doada pelo imperador D. Pedro II.
 
Santa Cândida em Curitiba PR
Fontes:

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Beata Francisca Cuallado Baixauli, Virgem e mártir - 19 de setembro

Martirológio: Em Benifaió, na província de Valencia, também na Espanha, Beata Francisca Cualladó Baixauli, virgem e mártir, que derramou seu sangue por sua fe em Cristo na mesma perseguição religiosa.


     Francisca Cualladó Baixauli, leiga, nasceu em Molino de San Isidro, no bairro valenciano de Ruzafa, no dia 3 de dezembro de 1890. Foi batizada no dia 5 de dezembro na igreja paroquial de São Valério e São Vicente; crismada em 1906, recebeu a 1ª. Comunhão em 11 de maio de 1909 na igreja paroquial de São Pedro Apóstolo, de Massanassa.
     Educada em um lar católico, ficou órfão do pai muito jovem; com a morte prematura do pai e a doença da mãe, que ficou paralítica, teve que colaborar desde sua adolescência com a economia familiar trabalhando como modista.
     As muitas horas de trabalho não a impediam de se dedicar ao apostolado, fazendo todo o possível como católica atuante. Fundou em sua paroquia os Jovens Eucarísticos, e colaborou na fundação do sindicato católico feminino. Preparava com muito zelo os doentes para receber os Sacramentos. Dava aulas de corte e confecção, e procurava fazer todo o bem para as aprendizes. Recebia a Sagrada Comunhão todos os dias e rezava o Rosário. Se inscreveu na Ação Católica e se dedicou à catequese e à caridade oferecendo esmolas aos necessitados.
     Estas qualidades e outras obras provocaram o ódio dos inimigos da religião. Presa em meados de setembro de 1936, em 19 de setembro de 1936 foi fuzilada em Benifaió, não sem antes terem arrancado sua língua por ter gritado: “Viva Cristo Rei!”
     Foi beatificada em 11 de março de 2001 pelo Papa João Paulo II na cerimônia conjunta dos 233 mártires da perseguição religiosa em Valencia.

Fonte: www.santiebeati.it

sábado, 16 de setembro de 2017

Santas Aubet, Cubet, Guere, virgens - 16 de setembro


     
Paisagem de Maranza
     Da legenda de Karl Hofer (1929): "Diante da ameaçadora invasão dos hunos, três princesas fugiram pelas montanhas; inicialmente pretendiam ficar em Lazfonsdove, mas em troca de suas boas obras em favor dos habitantes elas receberam escárnios e injúrias, então decidiram sair dali. Quando, enfrentavam um sol ardente na subida do planalto de Maranza, sentiram as forças faltarem impedindo-as de continuar a caminhada, então dirigiram uma intensa oração ao bom Deus. De repente, um jato de água fresca saiu da rocha e do solo surgiu uma cerejeira que lhes ofereceu sua sombra e seus saborosos frutos. As Três Virgens foram recebidas cordialmente pelo povo de Maranza, onde viveram por muitos anos e estimadas por suas obras de caridade. Finalmente, deixaram Maranza; parece que foram sepultadas em Colônia".
     A cidadezinha de Maranza venera as Três Santas Virgens no domingo após 16 de setembro com uma grande procissão eucarística; houve tempo que em 16 de setembro os simulacros das Santas Aubet, Cubet e Guere, virgens, eram levados em procissão.
     Maranza é sede da igreja de peregrinação dedicada às virgens Aubet, Cubet e Guere citadas em um documento de 1382, quando a então comuna de Maranza instituiu um fundo para a missa da segunda-feira. Somente em 1500 numa bula papal se tem a versão romanizada dos nomes originais das três jovens: Ampet, Gaupet, Gewerpet (há outra versão: Einbetta, Vorbetta e Vilbetta). As três jovens são protagonistas de uma das sagas do Tirol do Sul.

Saga do Tirol do Sul
     Existem diversas sagas do Tirol do Sul, algumas das quais são conhecidas em todo o território do Tirol do Sul, mas também fora do seu território.
     Estas histórias nasceram da fantasia do povo tirolês e foram transmitidas nas sucessivas gerações com protagonistas fantásticos, como por exemplo, gnomos, fadas e elfos.
     Uma das primeiras remonta ao século XVII, mas a maior parte foram escritas a partir do século XIX e se intensificaram nos séculos seguintes. Muitas delas são conhecidas até fora do território.
     A via dolomitica no. 2 que liga Bressanone a Feltre é chamada “via das legendas” pois atravessa um território cheio de sagas e histórias fantásticas.
     João Batista Alton foi dos primeiríssimos a recolher as sagas dos vales pirineus.
     A coleção de sagas mais famosas provém das legendas tradicionais recolhidas por Karl Felix Wolff no seu trabalho "Dolomitensagen", cuja primeira edição saiu em 1911. Esta obra vem da tradição romântica tardia da escola dos irmãos Grimm, o que significa que núcleos narrativos originais podem ter sido modificados. Wolff queria contar as várias lendas encontradas em diferentes áreas do território do Tirol do Sul, especialmente no domínio dos Fanes, e tentou fazê-las de forma mais consistente. Mas como geralmente uma legenda nunca é contada de uma maneira univoca, ele se valeu da "licença poética" para encontrar uma história única.
    Um passeio cultural por Maranza nos leva à igreja paroquial gótica no centro da cidade. A Fortaleza do Rio Pusteria está localizada no fundo do vale, logo abaixo de Maranza. Durante séculos foi uma encruzilhada de importantes rotas comerciais. A Fortaleza do Rio Pusteria foi construída como uma estação de pedágio e depois serviu como uma pousada de caça. Durante as Guerras Tirolesas de Independência foi transformado em uma fortificação militar. Vários eventos na tradicional cidade proporcionam muito entretenimento ao longo do ano.

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

Nossa Senhora das Dores - 15 de setembro


    
Imagem de Na. Sra, das Dores da Igreja de Porto Alegre RS
     A Igreja Católica celebra neste dia 15 de setembro a festa de Nossa Senhora das Dores.
     A devoção à Mater Dolorosa iniciou-se em 1221, no Mosteiro de Schönau, na Alemanha. Em 1239, a sua veneração no dia 15 de setembro teve início em Florença, na Itália, pela Ordem dos Servos de Maria (Ordem dos Servitas). O Papa Bento XIII introduziu a festa na Liturgia. Quando a festividade se estendeu por toda a Igreja, em 1727, com o nome das Sete Dores, manteve-se a referência original da Missa e do ofício da Crucificação do Senhor.
      A devoção deve o seu nome às Sete Dores da Virgem Maria:

1 - A profecia de Simeão sobre Jesus (Lc 2: 34-35);
2 - A fuga da Sagrada Família para o Egito (Mt 2: 13-21);
3 - O desaparecimento do Menino Jesus durante três dias (Lc 2: 41-51);
4 - O encontro de Maria e Jesus a caminho do Calvário (Lc 23: 27-31);
5 - Maria observando o sofrimento e a morte de Jesus na Cruz – Stabat Mater (Jo 19: 25-27);
6 - Maria recebe o corpo do filho tirado da Cruz (Mt 27: 55-61);
7 - Maria observa o corpo do Filho a ser depositado no Santo Sepulcro (Lc 23: 55-56).

     Apesar de tudo, Maria Santíssima se manteve firme na oração e na confiança na vontade de Deus. Agora a Virgem quer nos ajudar a levar as nossas cruzes diárias porque foi no calvário onde Jesus Cristo nos deixou Maria como nossa Mãe.
     Por duas vezes no ano, a Igreja comemora as dores da Santíssima Virgem: na Semana da Paixão e também hoje, 15 de setembro.
     Na Idade Média, havia uma devoção popular pelos cinco gozos da Virgem Mãe, e pela mesma época se complementou essa devoção com outra festa em honra a suas cinco dores durante a Paixão. Mais adiante, as penas da Virgem Maria aumentaram para sete e não só compreenderam sua marcha para o Calvário, mas também sua vida inteira.
     Aos frades Servitas, que desde sua fundação tiveram particular devoção pelos sofrimentos de Maria, foi autorizado que celebrassem uma festividade em memória das Sete Dores, no terceiro domingo de setembro de todos os anos.
     Santa Brígida da Suécia diz em suas revelações, aprovadas pela Igreja, que Nossa Senhora prometeu conceder sete graças a quem rezar, cada dia, sete Ave-Marias em honra de suas dores e lágrimas, meditando sobre elas.
     As promessas são:
1 - Porei a paz em suas famílias.
2 - Serão iluminados sobre os divinos mistérios.
3 - Consolá-los-ei em suas penas e acompanhá-los-ei em suas aflições.
4 - Conceder-lhes-ei tudo o que me pedirem, contanto que não se oponha a adorável vontade de meu divino Filho e a santificação de suas almas.
5 - Defendê-los-ei nos combates espirituais contra o inimigo infernal e protegê-los-ei em todos os instantes da vida.
6 - Assistir-lhes-ei visivelmente no momento da morte e verão o rosto de Sua Mãe Santíssima.
7 - Obtive de meu Filho, para os que propagarem esta devoção às minhas lágrimas e dores, sejam transladados desta vida terrena à felicidade eterna, diretamente, pois ser-lhes-ão apagados todos seus pecados e meu Filho e eu seremos sua eterna consolação e alegria.

Fontes: wikipedia; http://www.acidigital.com/

Um exemplo de devoção a Na. Sra. das Dores no Brasil:
História interlaçada com a história da cidade
    
Igreja de Na. Sra. das Dores de Porto Alegre
     Em 1752, portugueses vindos dos Açores estabeleceram-se à beira do Guaíba e formaram o primeiro núcleo da futura cidade de Porto Alegre, próximo de onde, mais tarde, construiriam a Igreja Nossa Senhora das Dores. Membros da Irmandade devota a Nossa Senhora das Dores rezavam missas na Igreja Matriz, atual Catedral Metropolitana, até 1807, quando resolveram construir o seu próprio templo, lançando a pedra fundamental em um terreno entre as ruas do Cotovelo e da Praia, às margens do Guaíba. No início, esmolas eram levantadas pela comunidade local para construir e decorar a igreja.
     Em 1813, inaugurada a Capela-Mor, foi realizado o translado da imagem de Nossa Senhora das Dores; a partir de então, as energias e esmolas se voltaram para a construção do interior da igreja.
     No período inicial da construção, um negro forro conhecido como preto José, era o responsável pelas medidas da obra, levando a crer que escravos participaram da construção da igreja, embora em minoria se comparados aos operários contratados.
     Porto Alegre, capital da província que foi palco de inúmeros conflitos, passou por períodos nos quais careceu de verbas para investir na cidade, quando nem mesmo para esmola havia dinheiro circulando. A Igreja das Dores, mesmo com as obras paralisadas, permaneceu com suas portas abertas.
     Em 1857, com a cidade entrando em um novo período de crescimento, foi retomada a construção da Igreja, com espaço para um hospital, que atenderia os membros necessitados da Ordem. Provavelmente por falta de verbas, esse espaço nunca foi utilizado. O governo da Província chegou a solicitar à Irmandade, em 1865, que os enfermos da guerra contra o Paraguai fossem tratados ali, porém não foram encontradas notícias sobre o uso do espaço do hospital pelos soldados feridos.
     Na década de 1860, foi colocado o madeiramento do telhado e a abóbada da nave sob a coordenação do Mestre João Couto e Silva. Em 1866, após a pintura do teto, realizada pelo artista Germano Traub, o corpo da igreja foi inaugurado. Nos anos seguintes, foi construída a escadaria para a Rua da Praia.
     No início do século XX, Porto Alegre contava com arquitetos e engenheiros de origem germânica, e o ecletismo em voga na Alemanha foi apresentado e aprovado pela Irmandade para o projeto da igreja, sob a responsabilidade do arquiteto Júlio Weise. A construção seguiu até 1903 quando a igreja foi finalmente inaugurada, apresentando corpo em estilo colonial português com fachada eclética: frontispício e altas torres, ornamentados com esculturas em gesso.
     Em 1938, a pedido da comunidade, A Igreja Nossa Senhora das Dores foi tombada pelo IPHAN Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional por seu valor artístico e arquitetônico, na categoria de Sítio Histórico Urbano Nacional.
Interior da Igreja de Na. Sra. das Dores de Porto Alegre, RS

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Quinta Aparição de Nossa Senhora de Fátima - 13 de setembro de 1917


    

     Na Quinta aparição de Nossa Senhora, como das outras vezes, uma série de fenômenos atmosféricos foram observados pelas pessoas que tinham ido à Cova da Iria.
     Calculou-se que estavam presentes entre 15 e 20 mil pessoas.
     O súbito refrescar da atmosfera, o empalidecer do sol até o ponto de se verem as estrelas, uma espécie de chuva como que de pétalas ou flocos de neve, que desapareciam antes de pousarem na terra.
     E desta vez, foi notado um globo luminoso que se movia lenta e majestosamente pelo céu de um para outro. E que, no final da aparição, moveu-se em sentido contrário.
     Os três pastorinhos notaram, como de costume, o reflexo de uma luz e, a seguir, viram Nossa Senhora sobre a azinheira.
     Nossa Senhora: Continuem a rezar o Terço para alcançarem o fim da guerra. Em outubro virá também Nosso Senhor, Nossa Senhora das Dores e do Carmo, São José com o Menino Jesus, para abençoarem o mundo. Deus está contente com os vossos sacrifícios, mas não quer que durmais com a corda, trazei-a só durante o dia”.
     Lúcia: “Têm-me pedido para Lhe pedir muitas coisas: cura de alguns doentes, de um surdo-mudo
     Nossa Senhora: “Sim, alguns curarei, outros não. Em outubro farei um milagre para que todos acreditem”.
    E, começando a elevar-se, desapareceu como de costume.

Os três pastorinhos, Lúcia, Francisco e Jacinta no dia 13 de setembro de 2017

domingo, 10 de setembro de 2017

Beata Maria Celeste Crostarosa, Monja, Fundadora - 11 de setembro

    
     A Beata Maria Celeste Crostarosa transformou em realidade o projeto contemplativo redentorista. Uma mulher ao mesmo tempo forte e terna, devorada pelo fogo do Espírito Santo. Contemplar a ação de Deus em sua vida é uma verdadeira parábola de sabedoria
     Ela nasceu em Nápoles no dia 31 de outubro de 1696, décima dos doze filhos de José Crostarosa, magistrado e descendente de uma nobre família de Abruzzo, e de Paula Battistini Caldari. Foi batizada no dia 1º de novembro na igreja de São José Maior, com o nome de Júlia Marcela Santa.
     Precoce em inteligência e capacidade de raciocinar, dotada de um caráter decidido e extrovertido, a infância e adolescência de Júlia transcorreu na serenidade abastada de sua casa. Iniciou o aprofundamento de sua vida espiritual, mas não foi isenta de crise; aconselhada pelo Pe. Bartolomeu Cacace conseguiu superar aquela fase.
     Em 1716, aos 20 anos, acompanhou com sua mãe a irmã, Úrsula, ao mosteiro carmelita, recentemente fundado, de Santa Maria das 7 Dores em Marigliano, na província de Nápoles. Decidiu também ficar naquele mosteiro, já que há 3 anos fizera voto de castidade. Em 21 de novembro de 1718 as duas irmãs vestiram o hábito carmelita e iniciaram o noviciado, terminado no ano seguinte. Júlia tomou o nome de Irmã Cândida do Céu.
     Quando o mosteiro foi fechado por causas de força maior, as duas irmãs foram obrigadas a deixar Marigliano, em 16 de outubro de 1723. Depois de uma breve permanência na família, aceitaram o convite do Pe. Tomás Falcoia, das Obras Pias, que havia fundado dois anos antes o mosteiro da Santíssima Conceição em Scala, província de Salermo, ao qual dera a regra da Visitação. Elas se transferiram para lá em janeiro de 1724; Júlia assumiu o nome de Irmã Maria Celeste do Santo Deserto e foi seguida em breve por outra irmã, Joana.
     Em 25 de abril de 1725, depois da Comunhão, ocorreu o primeiro dos acontecimentos extraordinários dos quais seria protagonista. Foi revelado a ela como, por seu intermédio, o Senhor introduziria no mundo um novo instituto religioso. Por obediência à mestra de noviças redigiu o texto “Instituto e Regras do Santíssimo Salvador contidos nos Santos Evangelhos”.
     A aprovação foi alcançada depois de um atento exame por parte de um conselho de teólogos napolitanos, solicitado pelo Pe. Falcoia, e em seguida a não poucas dificuldades por parte dos superiores e de algumas coirmãs. Foi determinante, para a solução da contenda, a contribuição de um sacerdote napolitano, Pe. Afonso Maria de Liguori (futuro santo e doutor da Igreja).
     Em 13 de janeiro de 1731 teve início a Ordem do Santíssimo Salvador, que com a aprovação pontifícia, em 1750, mudará o título para “do Santíssimo Redentor”. Os religiosos são geralmente conhecidos como “Redentoristas”.
     A tantas graças logo sucederam momentos difíceis para Irmã Maria Celeste. Não poucas incompreensões surgiram entre ela, o Pe. Falcoia e a comunidade religiosa. A questão tornou-se mais complicada quando o novo bispo de Scala impôs à fundadora firmar uma nova versão da Regra, não ter mais como diretor espiritual o Pe. Falcoia e não se relacionar com um leigo, Tosquez. De fato, ela foi isolada da comunidade e privada da Eucaristia.
     Devido ao clima pesado que se criara, no mês de maio sua irmã Joana escreveu ao pai: desejava deixar o mosteiro. O Pe. Jorge Crostarosa, jesuíta, foi então para Scala e sugeriu que ela interrompesse seu relacionamento com Tosquez, mas não assinasse as Regras remanejadas, e se contentasse com o confessor ordinário do mosteiro. A conclusão do dissídio chegou no dia 14 de maio de 1733: Irmã Maria Celeste foi expulsa e com ela, voluntariamente, saíram as suas duas irmãs.
     Por 10 dias, de 26 de maio em diante, elas foram hóspedes do mosteiro beneditino da Santíssima Trindade de Amalfi. No mês de junho se retiraram no conservatório dominicano da Santíssima Anunciada em Pareti di Nocera (hoje Nocera Inferior, província de Salermo). Irmã Maria Celeste se tornou superiora e o reformou, exercendo o bem seja dentro como fora dos muros do claustro. O seu novo diretor espiritual, depois de 5 anos, foi Pe. Bernardino Sommantico.
     A pedido do Duque Ravaschieri de Roccapiemonte, em 7 de novembro de 1735 partiu novamente para uma tentativa de fundação. A sua comunidade se transferiu para o novo conservatório do Santíssimo Salvador em 4 de outubro de 1739, onde, em 26 de março de 1742, ocorreu a vestição de oito jovens. Finalmente Irmã Maria Celeste podia atuar segundo o que lhe fora inspirado, guiando as coirmãs, mas também as jovens que vinham ser educadas no mosteiro com equilíbrio e responsabilidade.
     Para ela a vida das monjas devia ser uma perfeita imitação da vida de Cristo; em consequência, a comunidade religiosa era concebida como “viva memória” de Seu amor redentor. O critério fundamental que as devia inspirar era a essência bebida na familiaridade com o Evangelho e concretizada no doar-se sem reserva ao próximo, como escrito na Regra.
     Além da estima de Santo Afonso Maria de Liguori, Irmã Maria Celeste gozava da amizade do jovem irmão redentorista Gerardo Maiella (ele também canonizado, conhecido entre nós como São Geraldo Magela) e de todo o povo de Foggia, que a chamava “a santa priora”. Por volta de 1750, aconselhada por seu diretor espiritual escreveu sua autobiografia, fonte de numerosos detalhes sobre sua história pessoal.
     Sua existência terrena se encerrou em 14 de setembro de 1755 no mosteiro de Foggia, enquanto o sacerdote que a assistia, lendo a Paixão segundo São João, chegara às palavras “Consummatum est” – “Está consumado”.
     Além da autobiografia, Madre Maria Celeste deixou um substancioso epistolário que completa o quadro de sua personalidade e permite observar sua vida interior. Como resultado de suas 14 obras ascéticas é considerada uma das maiores místicas italianas do século XVII.
     Na realidade, Madre Maria Celeste é uma grande desconhecida, entretanto, por sua obra e seus escritos merece um lugar de destaque na história da espiritualidade católica. Fundadora da Ordem do Santíssimo Redentor (Comunidades Contemplativas Redentoristas) em 1731, e inspiradora da Congregação do Santíssimo Redentor (Missionários Redentoristas) fundada por Santo Afonso Maria de Liguori em 1732, as comunidades redentoristas se expandiram pelo mundo todo, levando seu canto, louvor e serviço.
     A Beata dava uma importância extraordinária ao Evangelho como fonte primeira de inspiração tanto para o Instituto como para sua vida espiritual. Meditações sobre o Advento, Natal e Quaresma são valiosa ajuda para nos aproximar do Mistério de Cristo através da contemplação dos mistérios de Sua vida. Madre Maria Celeste vai percorrendo os textos do Evangelho e comentando os parágrafos para nos ajudar a aprofunda-lo e a nos encontrarmos com Deus, o Deus encarnado em Jesus Cristo por amor de nós.
     Graças a sua fama de santidade, de 9 de julho de 1879 ao 1º de julho de 1884, foi introduzido um processo informativo, seguido pelo decreto da Congregação dos Ritos em 11 de agosto de 1901. A validade jurídica do processo apostólico foi reconhecida em 21 de maio de 1999.
     Os cardeais e bispos membros da Congregação para a Causa dos Santos, na sessão ordinária de 7 de maio de 2013, reconheceram que a Serva de Deus exerceu em grau heroico as virtudes teologais, cardeais e anexas. Em 3 de junho de 2013 o papa Francisco autorizou a promulgação do decreto sobre a heroicidade das virtudes.
     Em 14 de dezembro de 2015 foi promulgado o decreto sobre o milagre ocorrido pela intercessão de Madre Maria Celeste. A beatificação foi celebrada no dia 18 de junho de 2016, em Foggia, conduzida pelo Cardeal Amato como enviado do papa.
     A memória litúrgica da Beata Maria Celeste Crostarosa, para as monjas redentoristas e os padres redentoristas fundados por Santo Afonso, é o dia 11 de setembro.

Fontes: www.santiebeati/it;
http://es.catholic.net/op/articulos/6078/cat/171/maria-celeste-crostarosa.html

As Filhas da Beata no Brasil
     Duas jovens brasileiras transpuseram os mares para ingressar no Mosteiro Redentorista de Bruges, Bélgica:  Helena Isnard (Irmã Maria Tereza do Menino Jesus) e Irmã Maria Luiza do Coração de Jesus. Elas regressaram ao Brasil no dia 14 de junho de 1921; o grupo das fundadoras desembarcou no Rio de Janeiro:  Madre Maria Clemente, Irmã Maria Verônica, Irmã Maria Tereza do Menino Jesus, Irmã Maria Luiza do Sagrado Coração de Jesus.
     Inicialmente as religiosas se instalaram em Vassouras – RJ e se transladaram para Itu – SP em fevereiro de 1924.
     Em março de 1952, a Irmã Maria Letícia da Virgem Misericordiosa, com outras irmãs oriundas de Itu, fundou o Mosteiro do Imaculado Coração de Maria na cidade de Belo Horizonte – MG.
     Em 22 de maio de 1969, Madre Letícia fundou, com algumas irmãs, o Mosteiro da Santa Face e do Puríssimo e Doloroso Coração de Maria, em Diamantina, que foi transladado em 1970 para Campos, onde chegaram em 26 de julho; por fim, este Mosteiro foi transladado para São Fidélis – RS, onde as Irmãs chegaram no dia 28 de dezembro de 2003.

     Para maiores detalhes sobre Madre Maria Letícia, vide post deste blog em 2 maio 2015.

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

Natividade de Nossa Senhora – 8 de setembro


    
     O nascimento de Nossa Senhora ou a Natividade de Maria é uma festa litúrgica da Igreja Católica, celebrada no dia 8 de setembro, nove meses após a sua Imaculada Conceição, celebrada em 8 de dezembro.
     Esta festa tem sua origem em Jerusalém. Começou a ser celebrada no século V como festa da Basílica Sanctae Mariae ubi nata est, atualmente conhecida como Basílica de Santa Ana. No século VII, já era celebrada pelas igrejas bizantinas e em Roma, como festa do nascimento da Bem-Aventurada Virgem Maria. A festa foi incluída no calendário tridentino em 8 de setembro e permanece, até hoje, nesta data.
     De acordo com a tradição, Maria nasceu de pais já velhos e estéreis, chamados Joaquim e Ana, como resposta às suas preces. A paciência e a resignação com que sofriam a esterilidade levaram-lhes ao prêmio de ter por filha aquela que havia de ser a Mãe de Jesus. Eram residentes em Jerusalém, ao lado da piscina de Betesda, onde hoje se ergue a Basílica de Santa Ana; e aí, num sábado, 8 de setembro do ano 20 a.C., nasceu-lhes uma filha que recebeu o nome de Miriam, que em hebraico significa "Senhora da Luz", passado para o latim como Maria. Maria foi oferecida ao Templo de Jerusalém aos três anos, tendo lá permanecido até os doze anos.
     Visivelmente, nenhum acontecimento extraordinário acompanhou o nascimento de Maria e os Evangelhos nada dizem sobre sua natividade. Nenhum relato de profecia, nem aparições de anjos, nem sinais extraordinários são narrados pelos evangelistas. No entanto, São João Damasceno afirma que o nascimento a partir de uma mãe estéril já era um sinal das bênçãos especiais que recaem sobre Maria. Ainda, em sua Homilia sobre a Natividade de Maria diz: "Hoje é o começo da salvação do mundo, porque na Santa Probática foi-nos gerada a Mãe de Deus através de quem o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo, nos foi gerado".
     No século IV, e posteriormente, no século XV, surgiu a crença que Maria também teria sido concebida por uma virgem, pelo poder do Espírito Santo. Esta crença foi condenada como um erro pela Igreja Católica em 1677. A Igreja ensina que Maria foi concebida de maneira natural, mas foi miraculosamente preservada do pecado original para ser a mãe de Cristo. Esta concepção livre do pecado original é chamada de Imaculada Conceição.
     Assim se exprimiu o Padre Antônio Vieira sobre essa celebração:
     "Quereis saber quão feliz, quão alto é e quão digno de ser festejado o Nascimento de Maria? Vede o para que nasceu. Nasceu para que dEla nascesse Deus. (...) Perguntai aos enfermos para que nasce esta celestial Menina, dir-vos-ão que nasce para Senhora da Saúde; perguntai aos pobres, dirão que nasce para Senhora dos Remédios; perguntai aos desamparados, dirão que nasce para Senhora do Amparo; perguntai aos desconsolados, dirão que nasce para Senhora da Consolação; perguntai aos tristes, dirão que nasce para Senhora dos Prazeres; perguntai aos desesperados, dirão que nasce para Senhora da Esperança. Os cegos dirão que nasce para Senhora da Luz; os discordes, para Senhora da Paz; os desencaminhados, para Senhora da Guia; os cativos, para Senhora do Livramento; os cercados, para Senhora da Vitória. Dirão os pleiteantes que nasce para Senhora do Bom Despacho; os navegantes, para Senhora da Boa Viagem; os temerosos da sua fortuna, para Senhora do Bom Sucesso; os desconfiados da vida, para Senhora da Boa Morte; os pecadores todos, para Senhora da Graça; e todos os seus devotos, para Senhora da Glória. E se todas estas vozes se unirem em uma só voz, dirão que nasce para ser Maria e Mãe de Jesus" (Sermão do Nascimento da Mãe de Deus)”.



NATIVIDADE de Maria
Homilia de São João Damasceno
[...]
     Eu te saúdo, Maria, filha dulcíssima de Ana. De novo para ti o amor me impele. Como descrever o teu caminhar cheio de seriedade, os teus vestidos, a graça de teu rosto, a maturidade do discernimento num corpo juvenil? A tua forma de estar foi modesta, distante de todo o luxo e de toda a indolência; o teu caminhar era grave, sem precipitação, sem preguiça; o teu carácter era sério, temperado de júbilo, de uma perfeita reserva a propósito dos homens ? disto é testemunho a inquietação que te surgiu aquando da proposta inesperada do anjo. A teus pais dócil e obediente, tinhas humildes sentimentos nas mais altas contemplações, palavra amável, provinda de uma alma pacífica. Em resumo: que outra digna morada senão tu para Deus? Com razão todas as gerações te proclamam bem-aventurada, oh glória insigne da humanidade! Tu és a honra do sacerdócio, a esperança dos cristãos, a planta fecunda da virgindade, porque é através de ti que o renome da virgindade se estendeu aos confins do mundo. «Bendita és tu entre as mulheres, e bendito o Fruto do teu ventre». Aqueles que confessam a tua maternidade divina são benditos, e malditos aqueles que a negam.
     12. Joaquim e Ana, casal abençoado, recebei de mim estas palavras de aniversário. Oh filha de Joaquim e de Ana, oh Soberana, acolhe a palavra deste teu servo pecador, mas inflamada pelo amor, e para quem tu és a única esperança de alegria, a protetora da vida e, junto de teu Filho, a reconciliadora e firme garantia da salvação. Possa tu aliviar-me do fardo dos meus pecados, dissipar a névoa que obscurece o meu espírito e o peso que me agarra à matéria. Possas tu deter as tentações, governar felizmente a minha vida e conduzir-me pela mão até à felicidade do Alto. Concede ao mundo a paz, e a todos os habitantes ortodoxos desta cidade uma alegria perfeita e a salvação eterna, pelas orações de teus pais e de todo o Corpo da Igreja. Assim seja, assim seja! «Salve, oh cheia de graça, o Senhor está contigo! Bendita és tu entre as mulheres, e bendito o fruto de teu ventre», Jesus Cristo, o Filho de Deus. A Ele a Glória, com o Pai e o Espírito Santo, pelos séculos dos séculos. Amém.

Por São João Damasceno
Tradução: Seminário de Sintra (Portugal)

http://alexandrinabalasar.free.fr/natividade_de_maria.htm

Santa Regina, virgem e mártir – 7 de setembro


     Regina ou Reine, seu nome no idioma natal, viveu no século III, em Alise, na antiga Gália, França. Seu nascimento foi marcado por uma tragédia familiar, sua mãe morreu durante o parto. Por essa razão a criança precisou de uma ama de leite, e providencialmente esta era uma cristã. Foi ela que a inspirou nos caminhos da verdadeira fé e da virtude. Na adolescência, a própria Regina pediu para ser batizada, embora o ambiente em sua casa fosse pagão. 
     A cada dia tornava-se mais piedosa e crescia a convicção de que queria ser esposa de Cristo. Não aceitava o cortejo dos rapazes que queriam desposá-la, tanto por sua beleza física como por suas virtudes exemplares. Ela simplesmente se afastava de todos, preferindo passar a maior parte do seu tempo reclusa em oração e penitência. 
     Entretanto, o real martírio de Regina começou muito cedo e em sua própria casa. O seu pai, um servidor do Império Romano chamado Olíbrio, exigia que ela reverenciasse os deuses, até que um dia recebeu a denúncia de que Regina era uma cristã. No início não acreditou, mas resolveu investigar e quando percebeu que era verdade, denunciou a própria filha ao imperador Décio, que tentou seduzi-la com promessas vantajosas caso renegasse Cristo. Constatando que nada conseguiria com a bela jovem, muito menos demovê-la de sua fé, ele friamente mandou-a para o suplício. Regina sofreu torturas e foi decapitada. 
     Seu corpo foi transferido para fora da cidade de Alise, e uma basílica foi construída sobre seu túmulo. Rapidamente se desenvolveu um culto em sua honra, resultado de milagres ocorridos por sua intercessão. Entre os milagres consta a cura de uma criança de nome Heriboldo, que sofria de uma febre muito forte; um homem de Réome curou-se pela aplicação de um pedaço de madeira do sarcófago da santa; a cura de um irmão atingido pela doença da pedra e a cura parcial de um cego.
     O culto desta santa foi garantido pela descoberta, em 1909, do “serviço eucarístico” de Alise. A descoberta consistia de um conjunto constando de um prato e três cálices que se supõe eram utilizados para a celebração da Eucaristia. O prato tem a gravura de um peixe (ichtus) e o nome de “Regina”. O conjunto datado do século IV não deixa dúvidas quanto à existência da jovem mártir.
     A cidade Alise-Sainte-Reine, que se desenvolveu aos pés do Monte Auxois, a tem por padroeira, e a cada ano os habitantes organizam a representação de um ‘mistério’ em sua memória e em sua honra. A tradição é atestada desde 866 e continua ainda hoje. Esta é a mais antiga celebração de um mistério sem interrupção na França. Em 1271, ela foi precedida de um busto relicário de prata com as armas da França, de Castela e da antiga Borgonha.
     A Confraria de Santa Regina data de 1544, criada pelos religiosos de Flavigny e, em 1644, com a reforma dos beneditinos de Saint-Maur, a peregrinação recebeu uma nova vitalidade, e em 1659 os membros da Confraria foram dotados pelo Mons. Luís Doni d’Attichy, bispo de Autum, de 40 dias de indulgência.
     No século XVI, os monges passavam as correntes de Santa Regina em torno do pescoço dos peregrinos. Hoje estas correntes são conservadas na igreja paroquial de Flavigny-sur-Ozerain e expostas à veneração dos peregrinos no dia de sua festa, 7 de setembro.
     Suas relíquias são conservadas na Abadia de Flavigny-sur-Ozerain desde a metade do século IX. A cripta foi ordenada para receber o corpo da santa. No século XVII, suas relíquias foram colocadas em um armário atrás do altar mor e sua exposição acontecia no dia de sua festa.
     As semelhanças existentes com a vida de Santa Margarida da Antioquia levam autores a considerar que a narração da história de Santa Regina é apócrifa, esta tradição poderia ser a lembrança de um fato local.
     Além de Flavigy-sur-Ozerain e Alise-Sainte-Reine, há outros locais consagrados a Santa Regina: 1. Voisines, em Yonne, encontramos a capela de Santa Regina datando de 1827 e construída pelos habitantes após a realização de um voto feito em uma peregrinação à Alise-Sainte-Reine; 2. Drensteinfurt, Alemanha; 3. Osnabrück, Vestefália.
Imagem de Sta. Regina em Drensteinfurt, Alemanha