terça-feira, 27 de setembro de 2011

Santa Lioba, Abadessa - Festejada 28 de setembro

    A participação ativa das religiosas nas missões estrangeiras se desenvolveu tanto nos séculos XIX, XX e atual, que chegamos a considerá-la como uma inovação moderna. Mas tal, entretanto, não é verdadeiro, pois apesar de algumas diferenças de métodos, devidas ao aparecimento de congregações ativas sem clausura, o mesmo sistema de missões era praticado no início da evangelização dos bárbaros na Europa.
     Como exemplo, basta citar a solicitude missionária de São Bonifácio a qual corresponderam Santas Lioba, Tecla, Valburga e muitas outras que, deixando sua tranqüila Abadia de Wimborne, na Inglaterra, transladaram-se para as terras selvagens dos pagãos alemães.
     Lioba pertencia a uma boa família de Wessex e sua mãe, Ebba, era aparentada com São Bonifácio. Embora a data de seu nascimento não seja conhecida, este é considerado um milagre, pois seus pais não tinham filhos e eram já idosos.
     Sua mãe teve um sonho no qual lhe foi dito que ela conceberia “uma criança escolhida e amada por Cristo”. No sonho também era indicado que a criança teria uma vida espiritual exemplar e serviria a Igreja. Assim, bem pequena foi consagrada e entregue aos cuidados da abadessa do Mosteiro de Wimborne, Santa Tetta.
     A criança fora batizada com o nome de Thruthgeba, logo modificado para Liobgetha (Leofgyth) e abreviado para Lioba (ou Leoba), que significa “a bem amada”.
     Quando chegou a maioridade, Lioba decidiu permanecer no mosteiro, fez sua profissão religiosa e progrediu rapidamente na virtude e na sabedoria. Sua inocência servia de exemplo para as monjas mais velhas. Ela se deleitava nas leituras sacras e nas devoções.
     Em 722, São Bonifácio foi sagrado bispo pelo papa São Gregório Magno, que o enviou para pregar o Evangelho na Saxônia, na Turíngia e no Hesse. Quando as notícias de seu trabalho chegaram aos ouvidos das monjas de Wimborne, sua jovem parente, Lioba, se atreveu a escrever-lhe uma carta (conservada em arquivo) assim endereçada:
     “Ao muito reverendo Bonifácio, portador da mais alta dignidade e bem-amado de Cristo, eu, Liobgetha, a quem ele está vinculado pelo sangue, a menor das servas de Cristo envia saudações pela salvação eterna”. Nesta carta Lioba pede orações pela alma do pai, há oito anos falecido, por sua mãe, Ebba, que ainda vivia, e para si própria. Além disso, ela envia uma pequena poesia composta em latim.
     São Bonifácio comoveu-se com sua carta e manteve uma longa correspondência com as monjas de Wimborne, até o ano de 748, quando escreveu para Santa Tetta pedindo-lhe que enviasse Lioba com outras companheiras para estabelecer um mosteiro e centros de religião para mulheres na nascente Igreja da Alemanha.
     A abadessa enviou umas 30 monjas, entre as quais as Santas Lioba, Tecla e Valburga. Todas se reuniram a São Bonifácio em Mainz, e Lioba foi colocada na direção da comunidade que se instalou em um mosteiro chamado Bischofsheim, isto é, “Casa do Bispo”, o que faz supor que São Bonifácio tenha cedido sua residência para as monjas.
     Sob a direção de Lioba o convento rapidamente atraiu mais vocações e dele saíram as monjas que ocupariam outras casas que a própria Lioba fundou na Alemanha, em Kitzingen e Ochsenfurt.
     Um monge de Fulda chamado Rodolfo, que escreveu a vida da Santa antes de transcorrerem sessenta anos de sua morte, relata que segundo o testemunho de quatro das monjas de seu convento, todas as casas religiosas naquela parte da Alemanha solicitavam uma monja de Bischofsheim para guiá-las.
     Segundo essa “Vida”, a beleza de Lioba era notável: tinha o rosto “como de um anjo”, sempre sereno e sorridente, embora raramente ela fosse vista rindo. Ninguém jamais a viu de mau humor, nem a ouviram dizer uma palavra dura; sua paciência e sua inteligência eram tão amplas quanto sua bondade.
     Diz-se que o copo em que ela bebia era o menor de todos, dado que nos permite afirmar que ela se entregava a jejuns e austeridades, em uma comunidade sujeita a Regra de São Bento, onde não se comia mais que duas vezes diárias.
     Todas as monjas faziam trabalhos manuais, e além dos afazeres domésticos na cozinha, refeitório, horta, recebiam uma educação intelectual: aprendiam latim e tinha uma sala destinada à escrita.
     Lioba não tolerava as penitências excessivas, como privar-se do sono, e insistia que todas descansassem ao meio-dia, como constava da Regra. Ela mesma se recostava naquele período, enquanto alguma das noviças lia para ela passagens das Escrituras; e se acreditando que a abadessa havia dormido a leitora se descuidava da tarefa, não passava um instante sem que Lioba abrisse os olhos e a boca para corrigi-la.
     A abadessa dedicava duas horas para conversas com qualquer das Irmãs que quisesse falar com ela. Todas essas atividades estavam à margem do dever principal: oração em comum, adoração de Deus e assistência aos sacerdotes que trabalhavam na missão junto com elas.
     A fama de Santa Lioba espalhou-se por toda parte; os vizinhos pediam a ajuda de suas orações quando o perigo de incêndio, as tempestades ou as doenças os ameaçavam, e os homens responsáveis pelos assuntos da Igreja e do Estado lhe pediam conselho.
     No ano de 754, São Bonifácio empreendeu uma viagem missionária à Frísia, onde sofreria o martírio, e recomendou Lioba a seu sucessor na sé episcopal, São Lull, e a todos seus monges de Fulda, pedindo que cuidassem dela com todo respeito e honra. Nessa ocasião, ele pediu também que fosse enterrado com ela, para que juntos eles aguardassem a ressurreição e permanecessem eternamente unidos no Senhor.
     Após o martírio de São Bonifácio, gozando de um privilégio especial, Lioba visitava frequentemente seu túmulo na Abadia de Fulda e assistia as cerimônias em sua honra.
     Depois de ter governado Bischofsheim por 28 anos, estando já bem idosa, Santa Lioba fez visitas de inspeção a todos os conventos que estavam sob seus cuidados, renunciou ao cargo de abadessa e foi residir em Schornsheim, a seis quilômetros de Mainz, numa propriedade dada a ela por Carlos Magno.
     Sua amiga, a Beata Hildegarda, esposa de Carlos Magno, insistentemente a convidou para a corte de Aachen; ela não pode deixar de ir, porém sua estadia foi breve. Ao despedir-se da rainha, disse: “Adeus, parte preciosa de minha alma! Cristo, nosso Criador e Redentor, queira dar-nos a graça de voltar a nos vermos, sem perigo de confundir os rostos, no claro dia do juízo final, porque nesta vida não voltaremos a nos ver”.
     Assim aconteceu, pois Santa Lioba morreu poucos dias depois de ter regressado, a 28 de setembro de 782, e foi sepultada na igreja da Abadia de Fulda, não no mesmo túmulo de São Bonifácio, porque as monjas temiam perturbar suas relíquias, mas junto dele, no lado norte do altar mor.
     Em 838, o abade de Fulda, Rabano Mauro, para proteger suas relíquias, transferiu-as para a Igreja Monte de São Pedro, e encarregou o monge Rodolfo de escrever a vida da Santa, estendendo seus relatos a quatro discípulas dela: Ágata, Tecla, Maria e Eoliba.
     Santa Lioba é mencionada no Martirológio Romano e sua festa se celebra em várias partes da Alemanha no dia 28 de setembro. 

Um comentário:

  1. Conheço uma monja OSB com esse nome.
    Assim, busquei conhecer um pouco dessa santa.
    Santa Lioba, rogai por nós!

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