quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Beata Ângela de Foligno, Mística - 4 de janeiro

     Ângela nasceu no ano de 1248, na cidade de Foligno, na região da Úmbria, próxima de Assis, onde nasceu e viveu São Francisco. Filha de pais ricos e não cristãos, casou-se cedo e teve vários filhos. Até os trinta e sete anos levou uma vida mundana, cheia de prazeres, sem medida e às vezes sacrí­lega.
     O ano de 1285 marca uma reviravol­ta em sua vida. Num curto espaço de tempo ela perdeu os pais, o marido e todos os numerosos filhos. Esta tragédia teve um forte impacto em sua vida.
     O comportamento do Beato Pedro Crisci, nobre de Foligno, que vendeu suas propriedades e se dedicou à penitência na Ordem Terceira de São Francisco, também a impressionou e fez com que se decidisse a pedir a São Francisco de Assis para encontrar um bom confessor e iniciar uma vida nova. Em sonho teve uma visão do Santo que lhe comunicava que atendia seu pedido. No dia seguinte, tendo ido a catedral de Foligno para se confessar, encontrou Frei Arnaldo, franciscano, seu parente e capelão do bispo. Confessou-se com ele e iniciou sob sua direção uma mudança de vida.
     Seis anos depois, em 1291, Ângela fez os votos religio­sos e como lhe ensinara o Pai Francisco, doou todos os seus bens aos pobres, en­trando para a Ordem Terceira de São Francisco, hoje Ordem Franciscana Secular. Trocou a vida de prazeres e mundana por uma vida austera de peni­tências e orações. Teve visões e êxtases místicos e dons que começaram a se manifestar quando ela recebeu em sonho a orientação de São Francisco para que fizesse uma peregrina­ção a Assis.
     Todas as experiências místicas de Ângela de Foligno foram relatadas pelo seu biógrafo e diretor espiritual, Padre Arnaldo de Foligno. Ela deixou inúmeros escritos de natureza mística, inclusive uma autobiografia. A devoção à sagrada Paixão e Morte de Nosso Senhor tomou posse de sua alma e de todas as suas aspirações. Jesus distin­guiu-a com aparições e fê-la participar da cruz. Grandes eram os seus sofrimentos corporais e espirituais; o maior de todos era uma contínua perseguição diabólica.
     O demônio, apresentando-lhe continua­mente ao espírito a vida pecaminosa de outrora, queria arrancar-lhe a fé na miseri­córdia divina, no valor de suas obras de penitência e importunava-a com tenta­ções as mais terríveis contra a santa pureza, tanto que Ângela mesma confes­sa: "Seria mais tolerável para mim sofrer todas as dores, suportar as torturas mais horrorosas dos mártires, que me ver exposta às tentações diabólicas contra a pureza".
      A oração e as obras de caridade foram as armas com que Ângela de Foligno ven­ceu nesta luta tremenda. Visitava todos os dias os pobres doen­tes no hospital, aos quais, além da esmola espiritual, levava também o socorro material. Muitas passa­gens de sua vida mística foram editadas com o título "Experiên­cias espirituais, revelações e con­solações da Bem-Aventurada Ângela de Foligno", livro que pas­sou a ser básico para a formação de religiosos e rendeu-lhe o título de "Mestra dos Teólogos". Alguns teólogos a comparam às Santas Teresa de Ávila e Catarina de Sena.
     Ângela de Foligno chegou a dizer de si mes­ma que ela teve que atravessar muitas etapas no caminho da penitência e conversão. A primeira foi se convencer de como o pecado é grave e danoso. A segunda foi sentir arrependi­mento e vergonha por ter ofendido a bondade de Deus. A terceira se confessar de todos os seus pecados. A quarta se convencer da grande misericórdia que Deus tem para com os pecadores que desejam ser perdoados. A quinta adquirir um grande amor e reconhecimento por tudo o que Cristo sofreu por todos nós. A sexta sentir um profundo amor por Jesus Eucarístico. A sétima aprender a orar, especialmente rezar com amor e atenção o Pai Nosso. A oitava tratar de viver em contínua e afetuosa comunhão com Deus.
     Em outro lugar costumava dizer: "Se você estiver no caminho da perfeição e quiser que esta luz aumente em você, reze; se você já alcançou a perfeição e quer mais luz para poder nela perseverar, reze; se você quiser a fé, reze; se quiser a esperança, reze; se quiser a caridade, reze; se quiser a po­breza, reze; se quiser a obediência, a cas­tidade, a humildade, a mansidão, a for­taleza, reze. Qualquer virtude que você queira, reze".
     Em torno de sua pessoa se constituiu um grupo espiritual que se denominou Cenáculo. Exerceu também um papel pacificador entre os franciscanos espirituais e os franciscanos conventuais, as duas correntes em que se dividiu a Ordem franciscana, devido diferentes interpretações dos ideais franciscanos. Um papel mais duro tomou a respeito da seita dos Irmãos do Livre Espírito, aos quais se opôs diretamente.
     No dia 4 de janeiro de 1309, Ângela de Foligno morreu na mesma cidade em que nasceu e foi enterrada na Igreja de São Francisco de Assis, em Foligno. Na arte litúrgica da Igreja ela é mostrada com Jesus convidando-a para a Sagrada Comunhão. Sua festa é celebrada no dia 4 de janeiro.
     O Papa Inocêncio XII inseriu seu nome no catálogo dos Santos da Igreja. Há quem a trate por "Santa".
Urna contendo o corpo incorrupto da Beata
 
Fontes: Santos de cada dia, Pe. José Leite, S.J.; www.capuchinhosprsc.org.br

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