segunda-feira, 14 de julho de 2014

Beata Angelina de Montegiove, Fundadora - 14 de julho

    
     Angelina nasceu em 1377 no ancestral Castelo de Montegiove, cerca de 40 k de Orvieto, na Úmbria, então parte dos Estados Papais. Era filha de Tiago Angioballi, Conde de Marsciano, e de Ana, filha do Conde de Corbara (por isso a Beata às vezes é referida como Angelina de Corbara).
     Quando tinha doze anos ficou órfã de mãe. Angelina consagrou a Deus sua virgindade, correspondendo às graças que recebia desde a infância. Mas, três anos depois seu pai decidiu casá-la com o Conde de Civitella, senhor de Abruzos. Em vão a jovem implorou que o pai a deixasse consagrar-se a Deus; foi ameaçada de morte se não consentisse no casamento no prazo de oito dias.
     Nessa aflição, Angelina recorreu ao Senhor que lhe recomendou cumprir a vontade do pai. Ela desposou então o conde, decorrendo a cerimônia em meio a grandes festejos tradicionais. Ao aproximar-se a noite, a jovem refugiou-se no quarto, e, cheia de angústia, ajoelhou-se aos pés do Crucifixo pedindo a Deus que a protegesse. Deus lhe mandou então o seu Anjo da Guarda para protegê-la.
     Surpreendida por seu esposo em conversa com o Anjo, o conde perguntou-lhe o motivo de suas lágrimas. Ao saber do voto que fizera, tocado pela graça quis imitá-la. Ajoelhou-se e prometeu, com sua jovem esposa, guardar a castidade e considerá-la como irmã. E ambos agradeceram a Deus a grande graça recebida.
     Aos 17 anos, com a morte do marido, Angelina voltou aos seus queridos projetos de vida inteiramente dedicada a Deus. Distribuiu todos os seus bens aos pobres e vestiu o humilde hábito de São Francisco, tornando-se promotora da virgindade e da pureza de costumes.
     Tornou-se famosa por causa de seus milagres e muitas jovens da nobreza vieram juntar-se a ela. Com elas iniciou uma missão apostólica pregando os valores do arrependimento e da virgindade, bem como o empenho em aliviar os necessitados.
     Logo começaram a acusar Angelina de sedução, de encantamento: a feiticeira tinha algo de magia para arrastar a juventude! E de heresia, devido a uma suposta oposição maniqueísta ao casamento. Angelina se defendeu pessoalmente diante de Ladislau, rei de Nápoles, que retirou as acusações, mas expulsou-a do seu reino, bem como as suas companheiras, para evitar mais reclamações.
     Com suas discípulas, partiu no dia 31 de julho de 1395, dirigindo-se a Assis, onde foram venerar os túmulos de São Francisco e Santa Clara. Em Assis, na Igreja de Santa Maria dos Anjos, à luz de Deus, Angelina compreendeu a sua missão: fundar um mosteiro de terceiras claustradas.
     Fixou-se em Foligno e, em 1397, Angelina e suas seguidoras emitiram os três votos. Ela se juntou ao Mosteiro de Santa Ana, uma pequena comunidade de mulheres terceiras franciscanas fundada em 1388 pelo Beato Paoluccio Trinci (+ 1390), um frade franciscano. Conhecido como o “Mosteiro das Condessas”, devido ao nível social de muitas das ingressas, ele o havia estabelecido como resultado de sua visão de ter mulheres nobres da cidade como uma força evangelizadora na sociedade. Essas mulheres tinham vida ascética no mosteiro, mas, não sendo monjas, seguiam uma estrutura informal, livres para ir e vir, o que possibilitava a elas cuidarem dos pobres e dos doentes da região.
     Angelina tomou um papel de liderança no pequeno grupo e começou a organizar suas vidas numa forma mais regular e foi aclamada superiora. Em 1403 ela obteve uma bula papal do Papa Bonifácio IX, que reconhecia formalmente o mosteiro.
     A reputação da comunidade de Foligno era tão grande, que rapidamente seu exemplo foi imitado em outras cidades, tendo Angelina como superiora geral destes mosteiros: Florença, Spoleto, Assis e Viterbo, bem como outras onze, antes da morte de sua morte em 1435.
    As diversas comunidades foram reconhecidas como Congregação pelo Papa Martinho V, em 1428. Este decreto também permitia que elas elegessem uma Geral que teria o direito de visitar canonicamente as outras comunidades. A Congregação teve sua primeira eleição geral em 1430, na qual Angelina foi eleita a primeira Geral. Neste cargo, ela desenvolveu os Estatutos a serem obedecidos por todas as casas.
     Esta independência não foi bem recebida pelos Frades Menores, aos quais havia sido dada total autoridade sobre as terceiras naquele mesmo ano. O Geral dos frades, Guilherme de Casala, ordenou que as Irmãs da Ordem Terceira da Congregação confirmassem a obediência a ele. Angelina submeteu-se e numa cerimônia pública, ocorrida na igreja dos frades em Foligno, no dia 5 de novembro de 1430, jurou obediência ao Provincial local.
     Este ato de obediência, entretanto, foi repudiado pelo capítulo da comunidade no Mosteiro de Santa Ana, dizendo que ele era inválido por que fora obtido sob pressão e sem sua aprovação. A Santa Sé confirmou sua autonomia no ano seguinte. Para evitar futuros conflitos, a Congregação colocou-se sob a obediência de seus bispos locais, sob a direção espiritual dos frades da Ordem Terceira Regular de São Francisco da Penitência.
     Angelina faleceu aos 58 anos, em 14 de julho de 1435 e foi enterrada na Igreja de São Francisco, em Foligno. Em 1492, após um milagre, o seu corpo foi encontrado intacto. Após a exumação, foi encerrado em uma urna preciosa e colocado num altar em frente ao túmulo da Beata Ângela de Foligno.
     A Congregação de Angelina tornou-se muito popular nos séculos 15 e 16 devido à regra de que suas comunidades deviam ser pequenas e simples. Em 1428, o Papa Martinho V dera um mandato específico para elas se dedicarem à educação e instrução das meninas. O trabalho das irmãs foi apostólico até que se tornaram, em 1617, uma ordem de enclaustradas, tomando votos solenes de estrita exclusão de contato com o mundo exterior, limitando-se à educação das meninas dentro do claustro.
     No século XVII, havia cento e trinta e cinco mosteiros destas terceiras na Itália e na França. Já no tempo de Pio II cada Superiora havia se tornado independente. Em 1903, o apostolado exterior foi novamente permitido e a Congregação passou a ser conhecida como Irmãs Franciscanas da Beata Angelina. Desde 2000, elas têm casas no Brasil, Madagascar e Suíça, bem como na Itália.
     Em 8 de março de 1825 o Papa Leão XII aprovou o seu culto, e a sua festa litúrgica é celebrada no dia 14 de julho.
 
Etimologia: Angelina, diminutivo de Ângela = do latim Angelus: “anjo”; do grego Ággelos, derivado de ággelos: “mensageiro”.

2 comentários:

  1. Ótimo site! As biografias são ótimas! Continue com esse grande trabalho ;D

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  2. Arthur, agrademos suas palavras encorajadoras e esperamos contar sempre com sua participação e orações.

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