quinta-feira, 6 de fevereiro de 2020

Santa Colete Boylet de Corbie, Reformadora – 7 de fevereiro

     
     A vida e a obra de Santa Colete se situam numa época extremamente tormentosa: a Guerra dos Cem Anos, gerada pelas rivalidades sangrentas entre duas famílias principescas da França; e o Cisma do Ocidente que dividia a Cristandade. Na Ordem franciscana, as dissensões - nascidas já em vida de São Francisco - entre os partidários da regra estrita e os que desejavam mitigações, terminaram com a vitória destes últimos.
     Quanto ao ramo feminino da Ordem, o direito de possuir bens, concedido por Alexandre IV ao mosteiro de Longchamps, próximo de Paris, fundado pela Beata Isabel de França, irmã de São Luís IX, começou a enfraquecer seriamente o "privilégio da pobreza" arduamente defendido por Santa Clara.
     Em 1263, Urbano IV estendeu a regra mitigada a todos os conventos de Clarissas e só raras comunidades guardaram a estrita observância primitiva. Autorização de possuir bens e tolerâncias relativas à clausura levaram à tibieza os conventos "urbanistas".
     É neste contexto que devemos compreender a missão de Santa Colete.
A vocação
     Nicolette Boylet ou Boëllet nasceu em Corbie, diocese de Amiens, França, em 13 de janeiro de 1381. Seus pais, Roberto Boylet e Marguerite Moyon, quase sexagenários, colocaram este nome na menina em sinal de reconhecimento a São Nicolau de Bari pelo seu nascimento. O pai era artista carpinteiro, caridoso e virtuoso; a mãe confessava-se e comungava toda semana, coisa rara naquela época.
     A menina cresceu em um ambiente acolhedor e muito religioso. Aos quatro anos já tinha uma vida de oração; aos sete, fazia uma hora de oração diária e assistia clandestinamente as Matinas cantadas nos beneditinos. Ela dirá mais tarde que aos nove anos recebeu plena e inteira revelação do espírito da Ordem franciscana e da necessidade de sua reforma.
     Em 1399, seus pais faleceram com alguns meses de intervalo um do outro. O pai confiara a filha aos cuidados de D. Raoul de Roye, abade do mosteiro beneditino de Corbie. Este desejava que ela se casasse. Colete recusou-se e acabou obtendo sua permissão para doar seus bens aos pobres e para entrar para a beguinaria (*) de Amiens, onde ficou apenas um ano por achar muito suave a disciplina ali vigente.
     Pelo mesmo motivo fez tentativas frustradas junto às beneditinas de Corbie e no Convento de Moncel, que seguia a regra de Urbano IV.
     Colete retornou a Corbie e seus concidadãos, que anteriormente a admiravam, passaram a desprezá-la porque a consideravam uma instável. Seu tutor começava a se impacientar com seus "caprichos".
     Neste isolamento moral, a Providência colocou o Padre João Pinet em seu caminho. Ele era guardião do convento de Hesdin, fervoroso religioso de São Francisco, intensamente desejoso de fazer reviver a observância primitiva da Ordem. Este religioso aconselhou-a a se fazer reclusa da Terceira da Ordem de São Francisco.
     Em 17 de setembro de 1402, festa dos Estigmas de São Francisco, ela pronunciou o voto de clausura, e passou a viver numa pequena ermida próxima da igreja paroquial de Nossa Senhora, em Corbie. Emparedaram-na entre dois contrafortes da igreja, numa pequeníssima cela que recebia a luz através de uma grade de ferro que dava para a igreja. Ali permaneceu por três anos, jejuando durante a Quaresma a pão e água, dormindo sobre um punhado de gravetos espalhados no chão.
A reformadora
     Em sua reclusão as visões se multiplicaram: por determinação de São Francisco e de Santa Clara, que lhe apareceram, ela devia reformar a Ordem segunda franciscana. Colete temia que tais visões fossem causadas "pelo inimigo do inferno". Ela consultou clérigos de seu meio e todos concordam em que ela devia agir. Após muita relutância, fruto de sua humildade, empreendeu a reforma inspirada por Deus.
     Ela precisava de alguém que a aconselhasse e mais uma vez a Providência vem em seu auxílio: o Padre Henrique de Baume, religioso franciscano de grande virtude, que sofria com a decadência da sua Ordem, tornou-se seu diretor espiritual e seu colaborador zeloso. Ele obtém a adesão da Condessa Branca de Genebra para a causa de Colete. Em Besançon, ele se encontra com Isabeau de Rochechouard, viúva do Barão de Brissay, que o acompanha a Corbie.
     Durante o Cisma havia três papas ao mesmo tempo: um em Roma, outro em Avinhão e o terceiro em Pisa. A França - bem como a Espanha e a Escócia - prestava obediência ao papa de Avinhão, que então era Bento XIII.
     Em 1406, obtida a dispensa do voto de reclusão perpétua, Colete dirigiu-se a Nice, acompanhada do Padre Baume e da Baronesa de Brissay, para se encontrar com Bento XIII. Expõe-lhe detalhadamente seu propósito restaurador.
     Depois de profunda reflexão, Bento XIII impôs-lhe o véu e o cordão seráfico e nomeou-a Superiora Geral de todos os conventos de Clarissas que viesse a fundar ou reformar. Autorizava Colete a transferir para o convento que fosse fundar as religiosas de mosteiros estrangeiros, e acolher eventualmente membros da Ordem Terceira franciscana. Bento XIII expediu a bula autorizando a reforma no dia 16 de outubro de 1406.
     Os católicos viviam na perplexidade e na boa vontade durante esses tormentosos anos do Cisma; estavam do lado que tinham por autêntico, ou que lhes indicavam suas autoridades. Santa Catarina de Siena e Santa Catarina da Suécia estavam com o papa de Roma, enquanto São Vicente Ferrer e Santa Colete estavam com o de Avinhão, concretamente com Bento XIII.
     Não foi fácil para Colete dar andamento aos seus projetos imediatamente. Durante alguns anos suas tentativas de reforma fracassaram. Seu empenho teve o apoio de personagens tão relevantes como a Condessa de Genebra e das duquesas de Borgonha e da Baviera.
     No Franche-Comté, com mais três amigas, que se tornaram suas primeiras filhas, ela se instalou. A comunidade logo cresceu e foi preciso procurar um lugar mais espaçoso. Em 1410, conseguiu finalmente autorização para ocupar o convento de urbanistas de Besançon, onde viviam apenas duas irmãs. A reforma estava assegurada. Àquele convento logo seguiram outros até um total de 17, reformados ou novas fundações.
     Como norma, cada convento devia ter quatro frades a seu serviço. Assim, a dinâmica reformadora sempre mantinha contato com os Gerais Franciscanos. Os Gerais da Ordem, principalmente Antônio de Massa e Guilherme de Casal, aceitaram e confirmaram a bula de 1406. O espírito da reforma coletina se infiltrava sutilmente na Ordem primeira.
     Colete precisava criar as Constituições para reger tão numerosas fundações. Em 1430, ela redigiu um texto - conhecido como Sentimentos de Santa Colete - que foi remanejado em 1432 e aprovado em 28 de setembro de 1434 por Frei Guilherme de Casal. Este havia submetido o texto a dois cardeais e alguns outros teólogos, que deram sua aprovação.
     Quanto ao ramo masculino, Santa Colete não tinha evidentemente jurisdição sobre a Ordem primeira, mas ela exerceu uma forte influência espiritual nela e conseguiu a adesão de alguns conventos masculinos à sua reforma. Segundo uma estimativa mais provável, em 1447, data da morte da Santa, a sua reforma contava com 17 conventos femininos e 7 masculinos.
     A reforma coletina estendeu-se rapidamente pela França, Espanha, Flandres e Saboia. Sob o impulso renovador de Santa Colete, os franciscanos voltaram a praticar aquilo que São Francisco havia querido para sua Ordem: vida de pobreza sem mitigações, vida austera, intensa oração pessoal e comunitária, e muita oração e penitência pela unidade da Igreja, então dividida pelo Cisma.
     Nos dias atuais, os conventos de "coletinas" são cerca de 140, a maior parte na Europa, embora haja alguns também na América, Ásia e África.
     A piedade de Colete, notável desde a infância, cresceu e a conduziu a um tal grau de união com Deus, que os êxtases tornaram-se contínuos. Por vezes, eles duravam vários dias. Ao redor dessa intensa vida mística, que a ação não obstava, gravitavam fenômenos tais como: levitação; eflúvios odoríferos que emanavam não somente da pessoa de Colete, mas das coisas que ela tocava; conhecimento das consciências; o estado das almas do Purgatório; dons de profecia.
     Santa Colete era de uma pureza requintada, e seu amor por esta virtude se manifestava por seu pendor irresistível pelas almas puras, as crianças também a atraiam, e mesmo os animais cuja aparência simbolizavam a pureza, como as rolas e os cordeiros.
     Ela protagonizou inúmeros milagres que favoreciam suas fundações: na reforma de Hesdin, recebeu uma soma de quinhentos escudos de ouro, de origem celeste; em Poligny, descoberta de água potável; a provisão de trigo de Auxonne não diminuía e possibilitava as religiosas reparti-lo com os frades de Dôle; um tonel de vinho encheu-se sob a ação das preces de Colete, e muitos outros fatos relatados em seu processo de canonização.
     Verdadeira filha da Igreja, ele sofria com o Cisma que dilacerava sua unidade, e trabalhou denodadamente com São Vicente Ferrer pela extinção do Cisma.
     Coleta era também filha da França. As nobres casas conflitantes, Armagnacs (partido do Duque d'Orleans) e Bourguignons (partido do Duque de Bourgogne), a chamaram para fundar conventos em seus domínios. Segundo depoimentos, ela certa vez conseguiu dissuadi-los de lutar. Apesar das tensões, Colete foi respeitada por ambas e pode continuar sua obra.
     Santa Colete viajou muito, operou numerosos milagres, suportou sofrimentos de toda a espécie. Ela foi uma mulher extraordinária que soube obter a colaboração de papas, frades, príncipes, duques para a sua obra. Santa Colete morreu em Gand, Bélgica, no dia 6 de março de 1447. As marcas de sua própria doença e do sofrimento desapareceram. Seu corpo tornou-se belo, com uma pele branca como a neve, membros flexíveis e exalando um celestial perfume. Como era seu desejo, o corpo foi sepultado direto na terra. Numeroso foi o público que compareceu às suas exéquias, atraídos por sua fama de virtude e pelos fatos maravilhosos que narravam sobre ela.
     O processo de sua canonização iniciou poucos anos após sua morte, em 1472, mas somente se tornaria realidade anos depois. O processo relata, além dos fatos mencionados, curas operadas em pessoas de suas comunidades e cinco casos de ressurreição. Colete foi beatificada em 23 de janeiro de 1740. Porém, ela só foi canonizada em 24 de maio de 1807, sob o pontificado de Pio VII.
     No Martirológio Romano Santa Coleta é festejada no dia 6 de março; os Franciscanos Capuchinhos a celebram no dia 7 de fevereiro.
 
Túmulo de Santa Colete em Gand, Bélgica
(*) Beguinaria: convento onde vivem religiosas sem pronunciar votos, cada qual ocupando o seu aposento à parte. Beguina é o nome dado a essas religiosas nos Países Baixos e na Bélgica.

Etimologia: Colete, ou Colette, abreviação de Nicolette, feminino de Nicolet, em português Nicolau, do grego Nikólaos: “vencedor (niko) do povo (laos)”.

Fontes:
http://www.santiebeati.it/dettaglio/44050
“Santos Franciscanos para cada dia”, Ed. Porziuncola.

Postado neste blog em 6 de março de 2015

terça-feira, 4 de fevereiro de 2020

Santa Ágata (ou Águeda), Virgem e Mártir – 5 de fevereiro

    
     A legenda escrita de Ágata compreende “relatos diretos do interrogatório, tortura, resistência e triunfo que constituem alguns dos mais antigos da literatura hagiográfica”, e estão refletidos nas recensões posteriores, o mais antigo deles sendo uma paixão ilustrada do final do século X, provavelmente originária de Autun, na Borgonha, que constitui um volume compósito, atualmente preservado na Biblioteca Nacional da França. Suas ilustrações marginais, como relatado pela historiadora Magdalena Carrasco, pertencem às tradições iconográficas carolíngias ou antigas tardias.
     O principal relato escrito sobre seu martírio é a Legenda Áurea, de 1288, de Tiago de Voragine, porém há também Uma Lenda de Mulheres Santas de Osbern Bokenham, que foi escrita na década de 1440 e oferece alguns detalhes complementares.
Martírio
     Embora o martírio de Ágata seja autêntico, e sua veneração como santa tenha se espalhado para além de sua terra natal ainda na Antiguidade, não há informação fiável concernente aos detalhes de sua morte. Tanto Catânia quanto Palermo, ambas na Sicília, reclamam a honra de serem sua cidade natal, porém foi em Catânia que seu martírio ocorreu. É incerta a data de seu nascimento, com os historiadores dividindo opiniões; Sarah Gallick, por exemplo, sugeriu o ano 235.
     Seus "atos", existentes em grego e latim, não são considerados como fontes fiáveis. Segundo a Legenda Áurea, ela pertencia a uma família rica e ilustre siciliana e aos 15 dedicou sua virgindade a Deus, conseguindo triunfar a muitas investidas contra sua pureza. Quinciano, um romano de nascimento humilde que foi nomeado oficial em Catânia, aproveitando-se do decreto emitido pelo imperador Décio (r. 249–251) em 250 ou 251, convocou-a e planejou pôr em prática seus planos malignos para enriquecer. Ao ver-se nas mãos de seus algozes, Ágata teria rezado: “Jesus Cristo, Senhor de todos, tu vês o meu coração, tu sabes os meus desejos. Apenas tu possuis tudo o que sou. Sou tua ovelha: faz-me digna de superar o Diabo”.
     De início, Quinciano ordenou-lhe que fizesse sacrifícios aos ídolos, comando que não acatou numa demonstração de fé resoluta. Em seguida, foi entregue à Afrodísia, uma mulher perversa que administrava, com suas seis filhas, uma casa dita de má-fama. Nesse lugar, Ágata sofreu investidas contra sua honra mais terríveis que tortura ou morte, mas permaneceu firme, alegando: “Minha coragem e minha mente estão tão firmemente fundadas sobre a pedra firme de Jesus Cristo, que por dor alguma podem ser mudadas; suas palavras [não] são mais que vento, suas promessas [não] são mais que chuva, e suas ameaças [não] são mais que ameaças como rios que passam, e mesmo que todas estas coisas choquem a base da minha coragem, ainda assim ela não se move”.
     Depois de um mês, Afrodísia contatou Quinciano e lhe disse que, apesar de enormes esforços, fracassou em convencê-la a abjurar sua fé cristã. Ao ouvir isso, Quinciano convocou Ágata para ser julgada e tentou convencê-la a sacrificar aos ídolos mediante ameaças, mas ela retrucou que eles não eram deuses e sim demônios dourados feitos de mármore e madeira. Após um longo diálogo no qual Quinciano ameaçou-a inúmeras vezes, ela foi espancada e jogada na prisão. No dia seguinte tentou convencê-la novamente, mas ela se recusou, o que fez o oficial ordenar que fosse esticada numa cremalheira, um aparelho de tortura cheio de barras e ganchos de ferro nas laterais onde a vítima era queimada com tochas.
     Ele ordenou que os seios dela fossem esmagados e cortados. Quinciano então enviou-a para a prisão, onde permaneceu sem comida e auxílio médico. Ali a virgem recebeu uma visão de São Pedro que a reconfortou com uma luz divina e a curou de seus ferimentos.
     Quatro dias depois, Quinciano obrigou-a a se enrolar nua em brasas misturadas com cacos de tigelas quebradas, porém esta tortura foi interrompida em decorrência dum grande tremor que destruiu vários edifícios e matou Silvano e Fastião, respectivamente o conselheiro e amigo Quinciano. Temeroso que a população poderia voltar-se contra ele após o incidente, o oficial ordenou que Ágata fosse novamente colocada em sua cela.
Sepultamento e rescaldo
     Após a morte de Ágata, seu corpo foi recolhido e sepultado pelos cristãos. Enquanto eles preparavam-no com pomadas para o embalsamamento, teria surgido um jovem vestido em seda acompanhado por uma multidão ricamente vestida que nunca foi vista na cidade. O jovem acompanhou a procissão que carregava Ágata e prostrou-se próximo aonde o corpo seria depositado. Quando a falecida foi depositada no túmulo, ele colocou, na cabeça do corpo, uma pequena tábua de mármore na qual estava escrito em latim: Mentem sanctam, spontaneam, honorem deo dedit et patriæ liberationem fecit.
     Segundo a Legenda Áurea, algum tempo depois Quinciano faleceria de uma morte terrível, embora não seja mencionada a causa do óbito. Um ano após estes eventos, no começo de fevereiro, um grande incêndio irrompeu das montanhas em direção a Catânia queimando tudo em seu caminho. Desesperados, os catanenses foram ao sepulcro de Santa Ágata e recolheram o véu que estava em sua tumba e seguraram-no em direção das chamas, que se extinguiram: era o dia 5 de fevereiro, dia de sua celebração. Com o fim do perigo, o véu foi devolvido ao túmulo e passou a ser venerado como uma das relíquias da santa.
Culto
Iluminura do martírio c. 1170-1200
     Ágata é celebrada como santa pela Igreja Católica e sua festa litúrgica ocorre dia 5 de fevereiro. Há evidências que seu culto surgiu desde a Antiguidade. Ela está listada numa cópia do Martirológio de Jerônimo do século VI e no Calendário de Cartago (Sinaxário) de ca. 530. Também aparece num hino de autor anônimo preservado na obra do Papa São Dâmaso I (r. 366–384), em um dos poemas de Venâncio Fortunato do século VI, bem como é descrita numa procissão de santas na Basílica de Santo Apolinário Novo em Ravena, na Itália. Existe panegíricos dedicados a ela da autoria de São Isidoro de Sevilha (século VI), São Adelmo (século VII) e do patriarca do século IX Metódio I (r. 843–847).
     Duas igrejas do fim da Antiguidade Tardia em Roma lhe foram dedicadas, uma edificada pelo Papa Símaco (r. 498–514) na Via Ápia ca. 500 e que atualmente encontra-se em ruínas, e outra, chamada Santa Ágata dos Godos, que foi adornada e entregue aos godos arianos ca. 460/470 pelo oficial romano Ricímero. O Papa Gelásio I (r. 492–496) numa carta endereçada a certo bispo Vitor, faz menção a uma “Basílica de Santa Ágata” e durante o pontificado do Papa Gregório I (r. 590–604) vários santuários foram edificados para abrigar algumas das relíquias de Ágata, que ali permaneceram até serem transladadas para o Mosteiro de São Estêvão em Capri. Ainda há outra igreja, Santa Ágata em Trastevere que, segundo o Livro dos Pontífices, teria sido fundada na casa do Papa Gregório II (r. 715–731).
     Ágata está entre as sete mulheres que, junto com a Virgem Maria, são celebradas pelo nome no Cânone da Missa. No sul da Alemanha e na Áustria, pães são cozidos na forma de seios pequenos e são abençoados no dia 5, ou na véspera, para que sejam eficazes contra doenças nas mamas, febre e queimaduras; as mães e o gado os comem para garantir o fluxo do leite e suas migalhas são espalhadas pelas residências para prevenir incêndios.
     Em Catânia, entre 3 e 5 de fevereiro, um festival anual celebra a vida de Santa Ágata. Nele, 5.000 pessoas carregam carruagens contendo as relíquias da mártir, enquanto centenas de milhares acompanham a procissão. Em Zamarramala, na Espanha, no dia 5 de fevereiro as mulheres tornam-se mestres da cidade. No Norte da Espanha (La Rioja, Navarra e País Basco), nos dias 4 e 5, muitos corais compostos de crianças e adultos reúnem-se nas ruas para celebrá-la com canções. Nas vilas, os locais vestem-se com roupas típicas e portam varetas de madeira para controlar o ritmo da música. Eles receberem comidas dos vizinhos, ou mesmo dinheiro para o preparo dum banquete compartilhado.
     Na Sicília, associam-lhe o poder de interromper as erupções do Monte Etna, terremotos e incêndios. Ela é padroeira de fundidores de sinos, pacientes de câncer de mama, enfermeiras, bombeiros, vítimas de tortura e estupro, joalheiros, mártires, padeiros, amas de leite e leigas solteiras. Crê-se que em 1551 Malta foi salva duma invasão otomana após Santa Ágata interceder através duma aparição a uma freira beneditina, motivo pelo qual é aclamada padroeira da ilha. Na ilha há igualmente uma edificação militar, chamada Torre de Santa Agata, que foi construída no século XVII pelos Cavaleiros Hospitalários.
     Além de Malta, inúmeras localidades na França, Itália, Espanha, Alemanha, Países Baixos, Portugal, Bélgica, Canadá e São Marinho consideram-na como patrona.
     Além daquelas relíquias abrigadas em Roma, parte das relíquias de Santa Ágata permaneceram sob tutela da Catedral de Catânia por séculos após sua morte. Em 1038, contudo, o general bizantino Jorge Maniaces, durante uma expedição contra o Emirado da Sicília, as capturou e transportou para Constantinopla como sinal de vitória sobre os árabes. Elas permaneceram em Constantinopla até 1126, quando o mercenário franco Gilberto e seu companheiro latino Joscelino da Calábria roubaram-nas e as transladaram para Catânia.
Pão de Santa Ágata

Etimologia: Ágata, significa “boa”, “bondosa”. Ágata tem origem a partir do grego Agathe, derivado da palavra agathós, que quer dizer “bom”. Águeda tem também sua origem a partir do grego Agathe e é uma variante do nome Agda.

https://pt.wikipedia.org/wiki/Águeda_de_Catânia

domingo, 2 de fevereiro de 2020

Santa Veridiana (ou Verdiana) de Castelfiorentino – 2 de fevereiro

Martirológio Romano: Próximo de Castelfiorentino na Toscana, Santa Verdiana, virgem, que viveu numa clausura desde a juventude até a velhice.

     Nascida na Toscana, consagrou desde muito jovem sua virgindade a Deus. Peregrinou a Santiago de Compostela e a Roma, retornando depois à terra natal, onde voluntariamente viveu murada numa cela, durante 34 anos, em meio a rigorosas penitências e recebendo graças místicas extraordinárias.
    
     Em 1155, a Ordem do Carmelo foi fundada. Em 1220, São Francisco de Assis estabeleceu a Ordem dos Franciscanos. Em 1212, a jovem Clara de Assis seguiu o exemplo de São Francisco de Assis e viveu, dentro da clausura e na contemplação, o ideal de pobreza evangélica. Surgiu, assim, a Ordem das Clarissas, ou a Segunda Ordem Franciscana.
     A Ordem de Santa Clara fundada no Convento de São Damião, sob a orientação de Santa Clara e de São Francisco de Assis e que teve sempre o apoio dos Frades Menores, depressa se estendeu por toda a Europa e tem hoje cerca de 1500 mosteiros em todos os continentes, a Ordem de Clausura mais numerosa em toda a Igreja.
     Era, portanto, uma época em que se enaltecia o ideal da pobreza e do recolhimento. Foi dentro desse período que viveu a santa que homenageamos hoje, Santa Veridiana.
*
     No primeiro dia de fevereiro de 1242, de repente todos os sinos de Castelfiorentino em Florença, Itália, começaram a repicar simultaneamente. Quando os moradores constataram que tocavam sozinhos, sem que ninguém os manuseassem, tudo ficou claro: eles anunciavam a morte de Veridiana.
     Veridiana nasceu em 1182, nos arredores daquela cidade que amou e aonde viveu quase toda sua existência, só que enclausurada numa minúscula cela, de livre e espontânea vontade.
     Pertencendo a uma família nobre e rica, os Attavanti, Veridiana levou uma vida santa, que ficou conhecida muito além das fronteiras de sua terra e que lhe valeu inclusive a visita em pessoa de seu contemporâneo Francisco de Assis, que a abençoou e admitiu na Ordem Terceira, em 1221.
     A fortuna da família, embora em certa decadência, Veridiana sempre utilizou em favor dos pobres. Um dos prodígios atribuídos a ela mostra bem o tamanho de sua caridade. Consta que certa vez um dos seus tios, muito rico, deixou aos seus cuidados grande parte de seus bens, que eram as colheitas de suas terras.
     A cidade atravessava uma época terrível de carestia e fome, seu tio nem pensou em auxiliar os necessitados, era um mercador e procurou vender grande parte desses víveres, o que conseguiu por um preço elevado, obtendo grande lucro. Mas, ao levar o comprador para retirar o material vendido, levou um susto, suas despensas estavam completamente vazias: Veridiana tinha distribuído tudo aos pobres
     O tio ficou furioso, pediu um prazo de 24 horas ao comprador e ordenou a Veridiana que solucionasse o problema, já que fora a causadora dele. No dia seguinte, na hora marcada, as despensas estavam novamente cheias, e o negócio pode se concretizar.
     Após uma peregrinação ao túmulo do Apóstolo São Tiago em Compostela, Espanha, um centro de peregrinação tão requisitado quanto Roma o é pelos túmulos de São Pedro e São Paulo, ao retornar Veridiana se decidiu pela vida religiosa e reclusa. Para que não se afastasse da cidade, seus amigos e parentes construíram então uma pequena cela, próxima ao Oratório de Santo Antão, onde ela viveu 34 anos de penitência e solidão. A cela possuía uma única e mínima janela por onde ela assistia à Missa e recebia suas raras visitas, e também minúsculas refeições, suficientes apenas para que não morresse de fome.
     O Senhor glorificou-a com milagres tanto em vida como após a morte. O culto a Santa Veridiana foi aprovado pelo papa Clemente VII no ano de 1533. Ela também se tornou protetora do presídio feminino de Florença por associação aos seus 34 anos de prisão voluntária. Sua devoção ainda é muito popular na região da Toscana, na Itália, onde é venerada como sua padroeira.
Santuário construido sobre sua cela
     No local do antigo Oratório de Santo Antão, onde ela passara sua vida de eremita, foi construída uma bela igreja em sua homenagem, e lá foram depositadas suas relíquias no ano de 1939. Lá se venera uma antiga imagem sua ladeada de duas serpentes. Segundo a legenda, os dois repteis teriam entrado na cela e ali teriam ficado para atormentarem a devota reclusa e porem à prova sua virtude.
     Veridiana ligou seu coração ao Sagrado Coração de Jesus em profundas meditações e contemplações. Nesses colóquios ela encontrou a verdadeira sabedoria, a verdadeira paz, a verdadeira força que a fez viver assim por 34 anos. Aprendamos com Santa Veridiana a mergulhar na imensidão do amor divino! Pensemos no que disse São Francisco de Assis: “o homem vale o que é diante de Deus e nada mais”.

Etimologia: Viridiana, do latim viridiana, “verdejante”. Outras formas: Veridiana, Verdiana.

Fonte: www.santiebeati.it/; “Santos Franciscanos para cada dia”, Ed. Porziuncola.
Postado neste blog em 2 de fevereiro de 2017

Nossa Senhora do Bom Sucesso e A Profetiza dos séculos XX e XXI: Madre Mariana de Jesus Torres – 2 de fevereiro

Comemoração dos 385 anos de falecimento
Alma privilegiada que se dedicou especialmente a amar a Deus e expiar pelos pecados do Equador

     A Madre Mariana de Jesus Torres, uma das fundadoras do Mosteiro Real da Imaculada Conceição de Quito, foi uma grande mística que abraçou o estado da perfeição evangélica de acordo com os ensinamentos de Nosso Senhor Jesus Cristo, levando-o ao grau de heroísmo.
     Deus a escolheu para ser a guardiã de uma série de revelações sobre o século em que viveu e também os séculos futuros e, por sua vez, a exemplo de Nosso Senhor Jesus Cristo, como vítima expiatório pelos pecados da humanidade impenitente.
     Nascida na Espanha, na província de Vizcaya, no ano do Senhor de 1593, Mariana sentiu desde muito cedo a vocação religiosa. Sua vida, a partir dos 13 anos, foi uma comunicação contínua com o sobrenatural. Com a permissão do Rei Felipe II, ela deixou seu país acompanhando sua tia, Madre Maria de Jesus Taboada, prima do próprio Rei, e outras religiosas, a caminho de Quito, a fim de estabelecer o primeiro mosteiro das Américas em honra à Imaculada Conceição.
     Em 13 de janeiro de 1577, foi fundado o Mosteiro Real da Limpa e Imaculada Conceição de Quito, o primeiro convento de freiras clausuradas no Equador e o primeiro dos Conceptas na América Latina. A menina Mariana Torres não professou os votos nesta cerimônia por ter apenas 13 anos, ela o faria dois anos depois, aos 15 anos, recebendo o nome de Mariana de Jesus.
     Neste recinto abençoado, nos 58 anos subsequentes, desenrolou-se a longa Via Crucis desta grande religiosa, formada à sombra da Cruz e transformada em vítima da justiça divina.
     A vida da Madre Mariana esteve cheia de grandes sofrimentos e penitências, mas, por sua vez, de muitos consolos divinos que a sustentavam e a faziam se entregar ainda mais ao seu esposo místico Nosso Senhor Jesus Cristo.
     Ele mesmo a escolheria para ser portadora das mensagens e profecias de sua Mãe Santíssima em sua Invocação do Bom Sucesso, confortadora invocação que seria "a sustentação e a salvaguarda da Fé diante da corrupção total dos séculos XX e XXI". 
    Entre os pontos mais relevantes da história desta heroica religiosa ressaltam fatos extraordinários que demonstram a vida de santidade que ela levava, como suas três mortes e duas ressurreições; os cinco anos no inferno em vida que teve que padecer para salvar a alma de sua maior perseguidora dentro do convento, chamada nas revelações como “a Capitã”; o “chá de anis do país” que ela fazia com suas próprias mãos e que distribuía aos doentes de corpo e de alma, os quais se o tomassem com Fé ficavam curados de todas suas aflições e enfermidades; e o milagre que ainda perdura no convento da Imaculado Conceição: seu corpo incorrupto que repousa em uma bela urna para a veneração dos fiéis.
     Milagres extraordinários que nos falam de uma realidade que muitas vezes passa despercebida ao longo do frenesi em que o cotidiano do homem moderno se desenvolve, que fala diretamente à alma e a tira do materialismo prático em que as mentalidades estão imbuídas e as leva ao propósito final para o qual o ser humano foi criado: conhecer, amar e servir a Deus nesta terra e dar-lhe glória por toda a eternidade. Termos a certeza absoluta de que estamos em um vale de lágrimas e que nosso belo objetivo é o céu e para alcançá-lo temos que fazer nossas as palavras de São Paulo: "Combati o bom combate, terminei a corrida, guardei a Fé. Desde agora a coroa da justiça me está reservada, a qual o Senhor, justo juiz, me dará naquele dia" (2 Tim. 4: 7-8).
     É assim que o grande ideal da vida do cristão é delineado: alcançar a santidade. Por isso, peçamos à Madre Mariana de Jesus Torres especialmente hoje, 16 de janeiro, ao comemorarmos 385 anos de sua partida para o céu, que por sua intersecção ela nos obtenha a graça, diante daquela que é Mãe da Misericórdia, de alcançar a santidade na Terra e de desfrutar das bem-aventuranças eternas.
"Sou Maria do Bom Sucesso, Rainha do Céu e da Terra"
     Foi a 2 de fevereiro de 1594 que a Santíssima Virgem apareceu pela primeira vez à Madre Mariana, então Priora das Concepcionistas na capital equatoriana. Comemora-se, pois, a 2 de fevereiro a festa litúrgica dessa admirável invocação mariana.
     Madre Mariana, com a fronte em terra, com lágrimas e suspiros, suplicava à Divina Majestade remédio para os muitos males que afligiam aquela colônia e seu convento.
     Ouviu então uma voz celestial que a chamava pelo nome. Viu à sua frente Nossa Senhora refulgindo em meio a imensa claridade. Trazia o Menino Jesus no braço esquerdo, e um báculo de ouro na mão direita.
     - "Sou Maria do Bom Sucesso, Rainha dos Céus e da Terra", declarou-lhe a Mãe de Deus. "Tuas orações, lágrimas e penitências são muito agradáveis a nosso Pai celestial. Quero que fortaleças teu coração e que o sofrimento não te abata. Tua vida será longa para glória de Deus e de sua Mãe, que te fala. Meu Filho Santíssimo te presenteia com a dor em todas as suas formas. E, para infundir-te o valor que necessitas, toma-O de meus braços nos teus".
     Ao tomar o Menino Jesus nos braços, Madre Mariana sentiu um desejo maior de sofrer e de se consumir como vítima para aplacar a Justiça Divina, se possível, até o fim do mundo.
     Na seguinte aparição, em 16 de janeiro de 1599, Nossa Senhora deu-lhe conhecimento de vários fatos futuros. E declarou a Madre Mariana de Jesus:
     - "É vontade de meu Filho Santíssimo que tu mandes executar uma estátua minha tal qual me vês, e a coloques sobre a cátedra da Priora para que daí governe meu Mosteiro. Que os mortais entendam que Eu sou poderosa para aplacar a Justiça Divina e alcançar piedade e perdão a toda alma pecadora que a mim recorra com coração contrito. Porque eu sou a Mãe de Misericórdia, e em mim não há senão bondade e amor".
     Foi somente em 5 de fevereiro de 1610 que um escultor foi chamado para atender ao pedido de Nossa Senhora. Francisco del Castilho, espanhol de nobre linhagem, vivia santamente em Quito com a esposa e três filhos. Recebeu a encomenda como uma graça do Céu. E a 9 de janeiro seguinte declarou que a imagem estava praticamente pronta. Faltava a última demão de pintura. Ele iria procurar as melhores tintas existentes na Colônia, e voltaria no dia 16 para concluir o trabalho.
     Na madrugada desse dia, quando as religiosas se dirigiram ao Coro para rezar o Ofício, encontraram-no todo iluminado por luz sobrenatural, e ouviram vozes angélicas que cantavam o "Salve Sancta Parens".
     Da Imagem inacabada saíam raios vivíssimos. A pintura-base aplicada por Del Castilho caía ao solo junto com aparas de madeira, os traços da Imagem tornavam-se mais suaves e sua fisionomia mais celeste. Mas somente Madre Mariana via que, como pedira, São Francisco e os três Arcanjos refaziam a Imagem.
     Francisco del Castilho não se limitou a dizer que a Imagem não era obra sua, mas de Anjos. Lavrou um documento no qual repetia tal afirmação sob juramento, declarando ainda que a encontrara terminada de maneira diferente da que deixara. Entregou o documento às religiosas para perpetuar a prova do milagre.
     - "É vontade de Deus reservar esta invocação e tua vida", disse Nossa Senhora em outra ocasião, "para aquele século, quando a corrupção de costumes será quase geral e a luz preciosa da Fé estará quase extinta" (II, 193) (2).
E em uma aparição de Nossa Senhora a 8 de dezembro de 1634, a Rainha do Céu e da Terra assim profetizou a Madre Mariana: "O meu culto sob a consoladora invocação do Bom Sucesso ... será a sustentação e salvaguarda da Fé na quase total corrupção do século XX" (II, 190).
Profecias já realizadas
     No caso de Madre Mariana de Jesus Torres, é historicamente comprovado que a maior parte das revelações que Nossa Senhora lhe fez se cumpriram. E com tanta exatidão, que não seria prudente pôr em dúvida o que ainda está por se realizar.
-- Independência do Equador
-- "Presidente verdadeiramente cristão" que receberá a palma do martírio - A Virgem profetiza a vinda do heroico Presidente equatoriano Garcia Moreno e de seu martírio.
-- Proclamação dos dogmas da Imaculada Conceição e da Assunção de Nossa Senhora - Na aparição de 2 de fevereiro de 1634, Nossa Senhora do Bom Sucesso entregou o Menino Jesus a Madre Mariana. Este revelou-lhe: "O dogma de fé da Imaculada Conceição de Minha Mãe será proclamado quando mais combatida estiver a Igreja e encontrar-se cativo meu Vigário. Do mesmo modo [será proclamado] o Dogma de fé do Trânsito e Assunção em corpo e alma aos Céus de minha Mãe Santíssima" (II, 87).
-- O Santo Cura d'Ars - Em 8 de dezembro de 1634, ao falar da decadência do Clero no século XX, Nossa Senhora anunciou também a presença do Cura D'Ars nestes termos: "Os sacerdotes, a partir do século XIX, deverão amar com toda a alma João Maria Vianney, um servo meu que a Bondade Divina prepara para com ele agraciar aqueles séculos como modelo exemplar do sacerdote abnegado" (II, 191).
-- Canonização de Madre Beatriz Silva
-- Profecias que se estão cumprindo ou por se cumprir
     Para indicar o agente da crise tão catastrófica que descreve em suas profecias sobre os séculos XIX e XX, Nossa Senhora do Bom Sucesso se refere às heresias em geral e às seitas, ou simplesmente à seita. Essas heresias ou seitas teriam poder para estender suas garras desde o recinto sagrado do Templo até o lar, influenciando perniciosamente todos os campos da atividade humana.
-- Libertinagem, impureza, corrupção das mulheres e crianças
-- A virgindade praticamente desaparecerá
-- Porta aberta para o divórcio, concubinato, filhos ilegítimos, educação laica...
-- Dar-se-á pouco valor à Extrema-Unção
-- A Sagrada Eucaristia será profanada e calcada aos pés
     Noutra aparição Nossa Senhora também fala do triunfo da Igreja, e menciona um filho eleito. Mas não se refere a um Prelado, como também não diz se é a mesma pessoa. O que é certo é que ele surgirá quando o mal parecer triunfante e "a autoridade" prevaricar.
     "Mas quando parecerem triunfantes e quando a autoridade abusar de seu poder cometendo injustiças e oprimindo os débeis, próxima está sua ruína, cairão por terra estatelados. E a Igreja, qual terna menina, ressurgirá alegre e triunfante, e adormecerá brandamente, embalada em mãos de hábil coração maternal do meu filho eleito, muito querido, daqueles tempos. Fá-lo-emos grande na Terra e muito maior no Céu, onde lhe temos reservado um assento muito precioso. Porque, sem temor dos homens, combateu pela verdade e defendeu impertérrito os direitos de sua Igreja, pelo que bem o poderão chamar mártir".


Fontes:

sábado, 1 de fevereiro de 2020

Santa Brígida de Kildare, Padroeira da Irlanda – 1º de fevereiro

    
     Provavelmente a mais antiga vida de Santa Brígida (Brighid ou Brigit em irlandês antigo) é a que Santo Ultan, bispo-abade de Ardbraccan, escreveu para seu discípulo São Brogan Cloen de Rostruirc, falecido no ano de 650. Ela é escrita em versos. (1) São Donato, que viveu no século IX na Irlanda, refere-se também a outra biografia escrita por Santo Aileran (século VII). No século VIII, um monge de Kildare, Cogitosus, reescreveu a vida de Santa Brígida em um bom latim. Este trabalho é conhecido como a "Segunda Vida", e é um excelente exemplo da literatura irlandesa daquele século. Talvez a mais interessante informação do trabalho de Cogitosus seja a descrição da Catedral de Kildare em seu tempo.
     A futura santa nasceu pelo ano 451 na cidade de Gaughart, condado de Louth, que corresponde hoje à Irlanda. Seu pai, Dubtbach, grande senhor, comprara uma escrava de muito boa aparência, de nome Brocca, da qual se enamorou, cometendo com ela adultério. Sua esposa conseguiu que ele a afastasse, apesar de alguns servos de Deus predizerem que a escrava daria à luz uma menina que seria grande aos olhos de Deus. Como o pai de Brígida era pagão, deu à filha o nome da deusa pagã do fogo, uma das mais poderosas do seu culto. Alguns dos biógrafos da santa afirmam que tanto ela quanto a mãe foram convertidas por São Patrício, o Apóstolo da Irlanda. Brígida tinha ouvido ainda criança as pregações de São Patrício e nunca as esqueceu.
     Quando Brígida entrou na adolescência, como era muito formosa, o pai trouxe-a para casa, a fim de casá-la com um dos muitos pretendentes. A filha, no entanto, queria consagrar-se inteiramente a Deus. Segundo seus biógrafos, dando-se ela conta de que era sua beleza que atraía os pretendentes, pediu a Deus que a tornasse feia, de modo a afastá-los. Uma súbita moléstia na face provocou-lhe então a cegueira de um olho, deixando-a tão disforme que ninguém mais quis saber dela. O pai consentiu então que ela entrasse num convento.
     Naquele tempo não havia ainda mosteiros na Irlanda, e as virgens consagradas viviam em suas próprias casas. Brígida recebeu o véu de consagração das mãos de São Maccaille, e fez sua profissão religiosa com São Mel de Ardagh, discípulo de São Patrício, que lhe conferiu poderes de abadessa para reunir virgens sob sua direção como no continente. Por volta de 468 ela se estabeleceu por algum tempo nas faldas do Monte Croghan com sete outras virgens, mas mudou-se para Druin Criadh, nas planícies de Magh Life, onde, sob um enorme carvalho, fez erigir o seu famoso Convento de Cill-Dhara, isto é, 'a igreja do carvalho'.
     O convento de Santa Brígida em Cill-Dhara tornou-se centro de religiosidade e aprendizado, e desenvolveu-se na importante cidade e diocese de Kildare. Ela fundou dois conventos - um para homens e outro para mulheres -, e designou São Conleth como diretor espiritual deles. Por indicação de Brígida, São Conleth foi eleito para a Sé episcopal de Kildare. Segundo seus biógrafos, Santa Brígida escolheu São Conleth “para governar o convento de Kildare junto com ela” [...] “Desse modo, por séculos, Kildare foi regido por uma dupla linha de abades-bispos e abadessas. A Abadessa de Kildare era considerada Superiora Geral de todos os conventos da Irlanda”. (2) Como resultado, durante séculos Kildare foi dirigida por uma dupla linhagem de bispos abades e de abadessas, e a abadessa de Kildare era tida como a superiora geral dos conventos da Irlanda.
     Santa Brígida fundou também uma escola de artes presidida por São Conleth, em que se executavam trabalhos em metal e iluminuras. Kildare foi o berço do "Livro dos Evangelhos", ou o "Livro de Kildare", que foi comentado por Giraldus Cambrensis. Infelizmente esta preciosidade desapareceu durante a Pseudo-Reforma Protestante.
     De acordo com os eclesiásticos do século XII, nada era comparável ao "Livro de Kildare", cujas páginas repletas de iluminuras maravilhosas, cheias de harmonia e de cores, deixavam a impressão de que "todo o trabalho era de qualidades mais angélicas do que humanas". Gerald Barry dizia ter a impressão de que o livro fora escrito noite após noite: enquanto Santa Brígida rezava, "um anjo fornecia os desenhos, copiados pelo copista". (2)
     Mesmo admitindo que os numerosos biógrafos de Santa Brígida exageravam nos detalhes, o que é certo é que ela ocupa um lugar de destaque entre as mais famosas mulheres irlandesas do século V, e é a Patrona da Irlanda. Santa Brígida morreu deixando uma diocese e uma escola que se tornaram famosas em toda a Europa. Em sua honra São Ultan escreveu um hino que começa assim:
Na nossa ilha de Hibernia, Cristo tornou-se conhecido através dos grandes milagres que Ele realizou por meio da feliz virgem de vida celestial, famosa por seus méritos no mundo inteiro.
     Santa Brígida foi assistida por São Ninnidh em sua morte, que ocorreu em 1° de fevereiro de 525, em Kildare. Ela foi enterrada à direita do altar principal da Catedral de Kildare. Durante anos seu túmulo foi objeto da veneração dos peregrinos, especialmente no dia de sua festa, 1° de fevereiro. 
    Por volta do ano 878, as relíquias de Santa Brígida foram levadas para Downpatrick, onde foram enterradas junto às de São Patrício e São Columbano. As relíquias dos três santos foram descobertas em 1185, e em 9 de junho do ano seguinte foram transladadas solenemente para a Catedral de Downpatrick, na presença do Cardeal Vivian, de quinze bispos, de numerosos abades e eclesiásticos.
     Aconteceu então que, depois da apostasia da Inglaterra, por ordem de Henrique VIII, a igreja que conservava os restos mortais da santa foi destruída, e suas cinzas lançadas ao vento. Da profanação salvou-se, entretanto o crânio de Santa Brígida, que se encontrava em Neustadt, na Áustria. Conservado na capela do palácio imperial austríaco até 1587, Rodolfo II presenteou-o ao embaixador da Espanha, João de Borgia. Este o doou à igreja de São João Batista, dos jesuítas, em Lisboa, onde é atualmente venerado. (3)
     Vários breviários anteriores à Pseudo-Reforma comemoravam Santa Brígida e o seu nome foi incluído na ladainha do Missal de Stowe.
     Após 1500 anos, a memória de Santa Brígida continua tão venerada na Irlanda quanto antes, e Brígida é o nome muito usado pelas mulheres católicas irlandesas. Além disso, pelo país todo centenas de locais têm o nome em sua honra: Kilbride, Brideswel, Tubbersbride, Templebride, etc.
     A relíquia de Santa Brígida está preservada em Portugal desde 1587, e há uma outra relíquia sua na Igreja de São Martinho, em Colônia, Alemanha. O antigo poço de Santa Brígida, próximo da igreja em ruínas, é um local dos mais venerados da Irlanda e ainda hoje atrai peregrinos.
     A amizade de Santa Brígida com São Patrício é atestada pelo seguinte parágrafo do "Livro de Armagh", um precioso manuscrito do século VIII, cuja autenticidade é fora de questão:
"Entre São Patrício e Santa Brígida, as colunas da Irlanda, havia tão grande amizade baseada na caridade, que eles tinham um só coração e uma só cogitação. Por meio dele e dela Cristo realizou muitos milagres".
     Em Armagh havia um "Templum Brigidis", pequena igreja abacial conhecida como "Regles Brigid", que continha algumas relíquias da Santa, e que foi destruída em 1179, por William Fitz Aldelm. Os manuscritos originais da 'Vida de Brígida' de Cogitosus, ou a "Segunda Vida", se encontra hoje com os frades dominicanos de Eichstätt, na Bavária.
     Santa Brígida é chamada pelos irlandeses a “Rainha do Sul”, ou “Maria de Gael”, nome cujo significado desconhecemos. (4) Algumas vezes ela é também chamada de “Santa Brígida da Escócia”, como o fez, no século XVI, Pedro de Ribadeneira, discípulo de Santo Inácio de Loyola. Isso se explica, segundo os “Pequenos Bolandistas”, pelo fato de que os Escotos, que deram nome à parte setentrional da Grã-Bretanha, habitavam no século V a região que veio a ser a Irlanda, que era chamada indiferentemente de Escócia ou Hibérnia. (5)

Legenda de Santa Brígida
Miniatura de um milagre da Santa
     Ainda criança Brígida mostrava grande amor os pobres, e certa vez foi dar água a um menino que queria leite e a água se transformou em leite.
     Em outra ocasião, um barril de leite enviado por ela a um vilarejo próximo não esvaziava e somente após todas as crianças se fartarem com o leite, dele passou a jorrar cerveja, e somente após todos se fartarem ele esvaziou-se.
     Várias outras histórias a relacionam com a transformação de água em leite e água em cerveja. A tradição diz que as vacas de Brígida davam leite três vezes ao dia para prover leite para os pobres.
     Sua túnica teria sido dada a Gunhilda, irmã do Rei Harold II e estaria no Santuário de São Donatian em Gruges, Bélgica. Uma relíquia do seu sapato está no museu de Dublin.
     Na arte litúrgica da Igreja ela é usualmente mostrada: 1) com uma vaca ao seu lado; 2) segurando uma cruz; 3) expulsando o demônio. Às vezes ela é mostrada com uma chama como véu, ou perto de um celeiro, ou perto de um curral, ou restaurando a mão de um homem (um dos seus vários milagres foi recolocar no lugar a mão cortada de um homem). A legenda conta que ela fez a cruz e colocou-a no chão ao lado de um homem a morrer a fim de convertê-lo.
     É interessante notar que essa legenda não aparece em nenhuma das fontes mais antigas, mas até hoje sua origem continua perdida na tradição oral. A cruz continua sendo costume em muitas casas na Irlanda, em honra à Santa.
A Cruz de Santa Brígida
Notas:
1. Cfr. W.H. Grattan-Flood, The Catholic Encyclopedia, CD Roon edition,Saint Ultan of Ardbraccan.
2. W.H. Grattan-Flood, St. Brigid of Ireland, The Catholic Encyclopedia, CD Roo edition.
3. Cfr. Mgr. Paul Guérin, Sainte Brigitte, surnommée La thaumaturge, Les Petits Bollandistes, Vies des Saints, ‘Bloud ET Barral, Libraires-Éditeurs, Paris, 1882, tomo 2., p.186.
4. Cfr. W.H. Grattan-Flood, St. Brigid of Ireland, op. cit.
5. Mgr. Paul Guérin, op. cit. p. 185, nota 1.

Fontes:

Postado neste blog em 1º de fevereiro de 2012