segunda-feira, 12 de setembro de 2022

Beata Maria de Jesus López de Rivas, Carmelita Descalça -13 de setembro

 
    A Reforma Teresiana do Carmelo se difundiu da Espanha para toda a Europa e depois para o mundo todo, graças a numerosas personalidades, algumas injustamente pouco conhecidas. É o caso da Beata Maria de Jesus, que Santa Teresa definiu como o seu "pequeno teólogo".
     Durante os oitenta anos de sua longa vida, a Espanha conheceu poder e esplendor, mas também a decadência. Maria, do convento de Toledo, do qual não se afastou, viveu os vários acontecimentos à luz da Fé, que olha além da realidade terrena. Algumas autobiografias falam dela, bem como de seus escritos, e o testemunho de contemporâneos e de santos que mantiveram com ela relacionamento, bem como a própria Santa Teresa de Jesus.
     Maria López de Rivas nasceu numa nobre família de Tartanedo (Guadalajara) no dia 18 de agosto de 1560. Seu pai morreu quando ela tinha somente quatro anos e como era a única filha, herdou um patrimônio considerável. A mãe muito jovem tornou a se casar e a pequena ficou com os avós e tios paternos em Molina de Argon, onde foi educada nos princípios católicos.
     De "rara beleza", dos catorze aos dezessete anos travou uma luta consigo mesma e com os familiares por causa do desejo que sentia de consagrar-se ao Senhor na Ordem Carmelita, há pouco reformada.
     Deixando bem-estar e riqueza, entrou no convento de Toledo, introduzida pelo jesuíta Padre Castro, em 12 de agosto de 1577. Ela foi recebida por Santa Teresa, que nove anos antes havia fundado aquele convento. A Madre prognosticou a futura santidade da postulante e às hesitações em aceitá-la devido à saúde precária respondeu: "Deixemo-la professar, ainda que tivesse que ficar de cama todos os dias da sua vida. Esta é a vontade de Deus".
     Santa Teresa propunha uma doação total de si ao Senhor o que correspondia ao desejo de Maria, apesar de sua timidez se manifestar às vezes de modo "sanguíneo e colérico".
     Professou dia 8 de setembro de 1578. Os primeiros anos foram dedicados principalmente à oração, começando a se manifestar os dons místicos como os estigmas nas mãos, nos pés e na cabeça.
     Com 24 anos foi nomeada mestra de noviças, cargo que ocupou por oito vezes, alternado com o de sacristã, enfermeira e sub-priora. Ausentou-se de Toledo por cinco meses em 1585, para a fundação de um novo convento em Cuerva. Pela primeira vez, aos 31 anos, foi nomeada priora.
     Em 1600, quando faltava um ano para o término do segundo triênio de priorado, durante uma visita canônica, o superior, dando crédito às acusações infundadas de uma religiosa, depôs a Beata do cargo. Irmã Maria aceitou a prova sem ressentimento, conservando o bom humor inalterado. Por 20 anos suportou humildemente as calúnias, algumas doenças e aflições espirituais com as quais o Senhor provou a sua santidade.
     Um ano depois da morte da acusadora, pela qual Maria rezou intensamente para obter uma morte serena, foi publicamente reabilitada pelo mesmo superior, que diante da comunidade lhe pediu perdão. Foi unanimemente reeleita priora em 25 de junho de 1624. Por causa da saúde ruim, pediu e obteve autorização para ser apenas conselheira e mestra de noviças, cargo que exerceu até a morte.
     No dia da Epifania de 1629, o Senhor lhe disse: "Maria, tu me pedes para ser libertada da prisão do corpo; saibas que ainda não é hora, porque se até agora tu viveste para ti, agora deves viver para outros; para o teu repouso uma eternidade se espera". E ela verdadeiramente se deu toda para o bem da comunidade e do próximo.
     Naqueles anos a nova capela do convento estava sendo construída e ela se dedicou ao bom êxito da obra, valendo-se até das boas amizades para recolher os fundos necessários. Apesar de muito idosa e com diversas enfermidades causadas em parte pelas penitências, participava da vida de oração da comunidade, causando admiração dos fiéis que frequentavam a igreja aos quais ela acolhia no parlatório.
     No dia 13 de setembro de 1640, no extremo das forças, pediu à superiora a permissão para morrer. Após ter recebido Jesus Eucarístico, expirou. Eram as 10 h da manhã; tinha oitenta anos, dos quais sessenta e três consagrados ao Senhor. Circundava-a uma aura de santidade. Irmã Maria tinha respondido plenamente ao que o Senhor havia pedido: "Filha, o teu amor é tão veemente, que ninguém o merece além de Mim".
     O melhor elogio é dado a ela por Santa Madre Teresa, que a teve por colaboradora também na feitura dos seus escritos. Maria, por sua vez, foi importante testemunha no processo de canonização de Teresa, que aconteceu, para sua grande alegria, em 1622.
     A Beata conheceu São João da Cruz (o primeiro encontro foi em 17 de agosto de 1578) e quando o Santo escapou da prisão e se refugiou no convento de Toledo, Maria foi uma das suas mais atentas ouvintes. A confiança entre os dois durou muitos anos e o místico doutor teve sempre por ela uma grande consideração
     O primeiro Provincial do Carmelo Reformado, Padre Jerônimo Gracian da Mãe de Deus, refere haver constatado os estigmas da Paixão do Senhor em Maria, misticamente impressos em seu corpo. 
     Ela manteve relacionamento com a Beata Ana de São Bartolomeu e com o Venerável Domingos de Jesus e encontrou o Rei da Espanha, Felipe III, que lhe pediu orações. Como todas as grandes místicas, Maria tinha os pés no chão. Compreendia bem as necessidades do próximo sofredor e eram muitas as pessoas que a procuravam para serem confortadas, tanto no parlatório como por meio de carta.
     Suas grandes devoções eram: o Menino Jesus, que definia "doutor da enfermidade de amor"; o Sagrado Coração de Jesus, Maria Santíssima e a Eucaristia. Repetia para as Irmãs: "Só aquele que tem a grande sorte de tornar Cristo senhor do seu próprio ser sabe conhecer a Deus Divino e Humano; só ele envereda por caminho seguro".
     Às suas religiosas repetia com um tom que tocava o coração: "Filhas, sabem que somos de casa com o Ssmo. Sacramento, que vivemos com sua Majestade sob o mesmo teto? Se os religiosos fossem conscientes de tal privilégio, nenhum julgaria adquiri-lo a preço demasiado caro, ainda que fosse à custa de lágrimas e de sangue".
     Beatificada no dia 14 de novembro de 1976 por Paulo VI, a sua festa é celebrada dia 13 de setembro.
 
Fonte:http://www.carmelitasmensageiras.com.br/index.php/2013-05-03-00-58-34/especiais/santa-teresa-de-jesus?layout=edit&id=284

Postado neste blog em 12 de setembro de 2011

quinta-feira, 8 de setembro de 2022

Beata Lúcia de Omura, Mártir japonesa - 8 de setembro

     
     O xogunato e governo imperial tolerou inicialmente o estabelecimento de missões católicas e dos missionários, pensando aproveitar o fato de a presença dos cristãos vir a enfraquecer o poder dos monges budistas e ajudar no comércio com Espanha e Portugal. Porém, vendo que as Filipinas tinham sido tomadas pelos espanhóis após a conversão da população, o governo xogum viu o cristianismo como uma ameaça e começou a perseguir os cristãos. A religião foi banida e os que recusassem renegá-la eram executados.
     Lúcia de Freitas ou Fletes nasceu em Nagasaki em 1542 de família nobre, e contraiu matrimônio com o rico comerciante português Felipe de Fletes. Dela disse o Pe. Diego de São Francisco, missionário do Japão naquele tempo: “O Senhor a havia dotado de muitas virtudes e devoção, e particularmente luziram nela a hospitalidade e o desejo do martírio”.
     Viúva, terceira dominicana, quando em 1614, o fundador da dinastia de Tokugawa, promulgou um decreto que proibia praticar a religião católica e ordenava, sob pena de morte, que os missionários abandonassem o país, hospedou generosamente o Padre dominicano Beato Domingos Castellet.
     Porém, foram descobertos em 15 de julho de 1628 e conduzidos junto com alguns catequistas ao cárcere de Omura. Depois de alguns meses de prisão, no dia 8 de setembro de 1628, foi conduzida a Nagasaki. Ali a condenaram a morrer queimada viva. Tinha oitenta anos.
     Naquele dia vinte e dois cristãos, japoneses e europeus, receberam a glória de morrer dando testemunho da sua fé e de seu amor a Jesus Cristo.
     Lúcia de Omura foi beatificada junto com os Beatos Mártires do Japão, grupo que engloba 205 mártires que deram a vida pela fé entre 1617 e 1632, na terrível perseguição movida por Hidetada e Iemitsu, em Nagasaki e Tóquio. Esta perseguição durou 15 anos. Foram beatificados por Pio IX a 7 de julho de 1867. Ao todo são 166 cristãos leigos (quase todos japoneses) e 39 sacerdotes. Dentre os sacerdotes, treze são jesuítas, doze são dominicanos, oito franciscanos, cinco agostinianos e um sacerdote diocesano japonês.
     Não se deve confundir estes beatos mártires com os Santos Mártires do Japão, que foram já canonizados e são 26, que sofreram o martírio todos no mesmo dia: 6 de fevereiro de 1597.
     Há ainda os 188 mártires beatificados no dia 24 de novembro de 2008, que foram martirizados em 1603, quando o governo de Tokugawa começou uma forte perseguição contra os cristãos custando a vida de milhares deles, entre eles 4 sacerdotes e 184 leigos, mulheres, crianças, samurais, servos e inclusive pessoas deficientes.
 
http://vidas-santas.blogspot.com/2013/09/beata-lucia-de-freitas-martir-en-japon.html

domingo, 4 de setembro de 2022

Santa Rosália de Palermo, Virgem e eremita - 4 de agosto

 
   
Rosália Sinibaldi viveu no período feliz de renovamento católico que se restabelecera na Sicília após a expulsão dos árabes, que haviam permanecido na região de 827 a 1072. Foi possível então a difusão dos mosteiros Basilianos e Beneditinos. Naquela atmosfera de fervor e renovação religiosa se inseriu a vocação eremítica desta Santa.
     Rosália nasceu no ano 1125 em Palermo, na Sicília, Itália. O nome Rosália resulta da contração dos nomes "Rosa" e "Lilia" (Lilium). Era filha de Sinibaldo, rico senhor de Quisquinia e das Rosas, na província de Agrigento, então chamada Girgenti, e de Maria Guiscarda, sobrinha do rei normando Rogério II. Segundo a tradição, ela pertencia a uma nobre família normanda descendente de Carlos Magno.
     Durante a adolescência foi dama da corte da Rainha Margarida, esposa do Rei Guilherme I da Sicília, que apreciava sua companhia amável e generosa. Porém, ela não se sentia atraída por nada disso, pois sabia que sua vocação era servir a Deus e ansiava pela vida monástica.
     Aos catorze anos, levando consigo apenas um crucifixo, Rosália abandonou de vez a corte e se refugiou numa gruta que pertencia ao feudo paterno e era um local ideal para a reclusão monástica, pois ficava próximo do convento dos beneditinos que possuía uma pequena igreja anexa. Mesmo vivendo isolada, Rosália podia receber orientação espiritual e seguir as funções litúrgicas.
     Mais tarde a ermitã se transferiu para uma gruta no alto do Monte Pelegrino, que lhe fora doada pela amiga a Rainha Margarida. Ali já existia uma pequena capela bizantina e nos arredores outro convento de beneditinos. Eles acompanharam, testemunharam e documentaram a vida eremítica de Rosália, que viveu em oração, solidão e penitência. Atraídos pela fama de santidade da ermitã, os habitantes do povoado subiam o monte para vê-la.
2 anjos conduzem 
Sta Rosália à gruta
     Rosália faleceu no dia 4 de setembro de 1160 na sua gruta no Monte Pellegrino, em Palermo.
     No início de 1600, o seu culto havia caído quase no esquecimento, sendo ela, entretanto, ainda venerada; no Monte Pelegrino, em grutas vizinhas a que ela, segundo a tradição, habitara, alguns ermitões viviam e eram conhecidos como os “solitários de Santa Rosália”.
     Em 26 de maio de 1624, Jeronima Gatto, uma doente terminal, viu em sonho uma jovem vestida de branco que lhe prometia a cura se fosse ao Monte Pelegrino para agradecê-la. A mulher, ardendo de febre, foi ao monte acompanhada de duas amigas. Após beber a água que escorria da gruta se sentiu curada e caiu em um torpor repousante. A jovem de branco apareceu-lhe de novo dizendo-se ser Santa Rosália e lhe indicou o local onde estavam sepultadas as suas relíquias.
     O fato foi referido aos frades franciscanos do convento vizinho, cujo superior deles, São Benedito (1526-1589), já havia tentado encontrar as relíquias, sem sucesso. Eles então retomaram as buscas, e em 15 de julho de 1624 encontraram, a quatro metros de profundidade, uma urna de cristal de rocha de seis palmos de comprimento por três de largura, na qual estavam aderidos ossos.
     Levada para a cidade, a urna foi examinada por teólogos e médicos que chegaram à conclusão de que os ossos podiam pertencer a mais de uma pessoa. Não convencido, uma segunda comissão foi nomeada pelo Cardeal Arcebispo de Palermo, Giannettino Doria.
     Entrementes uma terrível epidemia grassou na cidade de Palermo fazendo milhares de vítimas. O Cardeal reuniu na catedral povo e autoridades, e todos juntos pediram a ajuda de Nossa Senhora, fazendo voto de defender o privilégio da Imaculada Conceição, tema de debates na Igreja de então, e de declarar Santa Rosália padroeira principal de Palermo, venerando suas relíquias quando elas fossem reconhecidas. Após a promessa, a epidemia cessou.
     Em 25 de agosto de 1624, quarenta dias após a descoberta dos ossos, dois pedreiros, que executavam trabalhos no convento dos dominicanos de Santo Estêvão de Quisquinia, acharam numa gruta uma inscrição latina muito antiga que dizia: Eu, Rosália Sinibaldi, filha das rosas do Senhor, pelo amor de meu Senhor Jesus Cristo, decidi morar nesta gruta de Quisquinia. Confirmando, assim, as tradições orais da época. Um santuário foi edificado na gruta onde seus restos mortais foram encontrados.
     Em 11 de fevereiro de 1625 uma comissão científica comprovou a autenticidade das relíquias e da inscrição, e em 1630 o Papa Urbano VIII incluiu as duas datas no Martirológio Romano. Estes fatos reacenderam o culto à Santa Rosália.
Túmulo da Santa no
Monte Pelegrino
(1841)
     Santa Rosália é festejada em 15 de julho, data que suas relíquias foram encontradas, e em 4 de setembro, data de seu falecimento. Anualmente acontece em Palermo, na noite de 14 para 15 de julho, uma grande festa religiosa denominada Festino di Santa Rusulia. A procissão das relíquias da Santa, de pompa extraordinária, percorre as ruas da cidade entre orações, cânticos e aclamações. E a cada ano, no dia 4 de setembro, renova-se a tradição de caminhar, com os pés descalços, de Palermo até o Monte Pelegrino.
     A urna contendo os restos mortais de Santa Rosália pode ser venerada no Duomo de Palermo. Os palermitanos a chamam de "a Santuzza" (a santinha). Santa Rosália é venerada como padroeira de Palermo desde 1666 e é tida como protetora contra doenças infecciosas.
 
Postado neste blog em 3 de setembro de 2012
 
http://www.santosebeatoscatolicos.com/2015/09/santa-rosalia-de-palermo-virgem-e.html
https://pt.wikipedia.org/wiki/Ros%C3%A1lia_de_Palermo
 
 

quarta-feira, 31 de agosto de 2022

Beata Ingrid Elofsdotter de Skänninge - 2 de setembro

     
Ingrid, da nobre família Elofsdotter, nasceu em meados do século XIII, c. 1235. Por parte de sua mãe, era neta do Rei Canuto da Suécia. Ela recebeu uma educação condizente com sua condição social, sobretudo profundamente cristã. Alma de cândidos ideais, viveu desde os primeiros anos de vida em fervorosa piedade. As virtudes mais heroicas pareciam conaturais nela. Quando muito jovem foi obrigada por seus pais a contrair um riquíssimo casamento, mas todo aquele esplendor do mundo não a deslumbrou, continuando a viver no mundo sem ser do mundo.
     Ficou viúva em pouco tempo. Com uma irmã e um devoto séquito de damas de honra, empreendeu uma longa peregrinação à Terra Santa, onde seu coração se acendeu ainda mais de terno amor pelo Salvador. Da Palestina ela foi para Roma e depois para Santiago de Compostela. Em Roma, pediu ao Papa autorização para fundar um mosteiro de religiosas contemplativas em seu país.
     Retornando ao seu país, um único desejo a dominava: se dedicar para sempre a uma vida de oração e penitência. Mas o demônio, furioso, engendrou uma trama terrível, tentando ofuscar sua reputação entre os seus concidadãos. Tudo, entretanto, foi esclarecido e a santa peregrina, recebida com alegre veneração, pode logo realizar seus votos e, auxiliada por generosos benfeitores – entre eles seu irmão, João Elovson, cavaleiro teutônico.
     Em contato com o dominicano Frei Pedro de Dacia (1230-1289), e com a autorização do provincial dominicano e do bispo de Linkping construiu o Mosteiro de São Martinho em Skänninge, Suécia, observando a regra de São Domingos de Gusmão, onde, juntamente com um bom número de virgens, se dedicou inteiramente a contemplação e as santas austeridades.
     O mosteiro foi inaugurado em 15 de agosto de 1281, na presença do Rei Magnus Ladulas, e do Padre Pedro de Dacia, que dava assistência espiritual às religiosas, com a autorização do Bispo de Linkping e do Provincial da Ordem.
Igreja em honra de Beata
em Skänninge
     A Beata faleceu no dia 2 de setembro de 1282, quando era Priora daquele mosteiro, com tanta fama de santidade e obtendo milagres prodigiosos, que logo o seu culto se espalhou para os povos vizinhos.
     Suas relíquias foram solenemente transladadas em 29 de julho de 1507, com a autorização do Papa Alexandre VI, estando o rei presente, uma grande multidão, todos os bispos da Suécia e os Irmãos Pregadores daquela região.
     Em 1414, o Bispo de Linkoping, Canuto Bosson, antes do Concílio de Constança, pedira à Santa Sé autorização para abrir o processo de sua canonização. Devido a Pseudo Reforma protestante, o processo não teve continuidade. Durante os eventos da reforma, o Mosteiro de São Martinho foi destruído, bem como as relíquias da Beata, e sua causa de canonização nunca chegou a uma formalização. Mas, ela foi inserida no Martirológio Romano e sua memória é celebrada no dia de seu falecimento.
 
Fontes:  http://www.es.catholic.net/santoralwww.santiebeati/it
 
Postado neste blog em 1º de setembro de 2012

segunda-feira, 29 de agosto de 2022

Beata Maria dos Anjos Ginard Martí, Virgem e Mártir – 30 de agosto

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Poucos dias depois do martírio de Josep Tápies Sirvant e seis companheiros, também a Irmã Maria dos Anjos Ginard Martí rematou a sua consagração a Jesus Cristo oferecendo a sua vida, ceifada pelas balas, em Dehesa de la Villa, perto de Madrid. A Beata Maria dos Anjos foi uma religiosa exemplar, destacando-se entre as suas numerosas virtudes o amor à Santíssima Eucaristia e ao Rosário, assim como a sua particular devoção aos primeiros cristãos, cujo martírio venerava.
Cardeal José Saraiva Martins – Homilia de Beatificação 29/10/2005
 
     A Irmã Maria dos Anjos Ginard Martí, religiosa da Congregação das Irmãs Zeladoras do Culto Eucarístico, nasceu no dia 3 de abril de 1894 em Llucmajor (Baleares). Era a terceira de nove filhos do casal Sebastián e Margarita, e passou a sua infância nas Canárias, para onde o seu pai tinha sido transferido.
     Desde menina sentiu-se inclinada a uma profunda piedade, fruto da educação recebida de seus pais, e logo desejou se consagrar ao Senhor na vida religiosa, seguindo o exemplo das duas irmãs de sua mãe. Após o regresso da sua família a Maiorca, embora tivesse o desejo de tornar-se religiosa, teve que esperar.
     Por necessidade aprendeu a confeccionar chapéus e a bordar a fim de, com o seu esforço pessoal, contribuir e suprir as carências de uma família tão numerosa. Não obstante isso, todas as manhãs levantava-se de madrugada para assistir à missa e o seu trabalho não a impedia de recitar o Rosário, por sua devoção a Maria Santíssima, visitar o Santíssimo e transcorrer longos períodos em adoração na igreja das Irmãs Zeladoras do Culto Eucarístico, de Palma de Maiorca.
     Seu profundo amor à Eucaristia a levaria a escolher aquela congregação, fundada pelo sacerdote maiorquino, o Servo de Deus Miguel Maura Montaner, com a finalidade de adorar, desagravar e servir a Jesus Sacramentado, presente por amor entre nós.
     Entrou naquela Congregação em 1921. Terminado o noviciado e emitida a primeira profissão religiosa, viveu e trabalhou na casa das Irmãs em Madrid de 1926 a 1929. Colocou-se imediatamente em contato com a comunidade orante e soube estar disponível aos muitos fiéis que vinham à capela da casa para adorar o Santíssimo Sacramento.
     O clima eucarístico em que viveu, perfilou sua vida de consagrada, e foi uma religiosa bondosa, serviçal, sempre com anelos de santidade e de completa entrega a Deu, até a ponto de manifestar abertamente que sua maior alegria seria dar a vida por Jesus Cristo no martírio.
     Transferiu-se para Barcelona, regressando à casa de Madrid no ano de 1932, após ter renunciado ser conselheira-geral. Nesta casa viveu os quatro anos precedentes à sua morte, experimentando a perseguição religiosa típica daquela época. Atualmente os seus despojos repousam na igreja desta casa em Madrid.
     Ela sabia aproveitar todos os momentos livres para adorar silenciosamente a Eucaristia, além do tempo habitual do seu horário religioso. Rezava incessantemente diante de Jesus Cristo Ressuscitado, presente na Eucaristia, pelos muitos problemas da Espanha, agitada naquele período por tantos conflitos sociais. Desejava levar Cristo a toda a humanidade, através do fascínio eucarístico.
     No mês de março de 1936, uma explosão de violência antirreligiosa provocou o incêndio de diversas igrejas, cobrindo toda Madrid de fumaça. Não obstante tudo, as Zeladoras do Culto Eucarístico não interromperam o seu ritmo de adoração. Contudo, os incêndios continuavam a aumentar e também os assassinatos de sacerdotes, pessoas consagradas e leigos cristãos.
     No dia 20 de julho de 1936, as religiosas tiveram que sair do convento vestidas de seculares. A Irmã Maria dos Anjos Ginard Martí foi acolhida por um casal católico e piedoso, os Medina-Ariza, que viviam na rua Monte Esquinza em Madrid, de frente para o convento. Deste refúgio, pode observar com dor, como os milicianos do ateísmo organizado (anarquistas e comunistas) saqueavam e pilhavam o convento, destruindo todas as imagens religiosas e outros objetos da capela.
     Nesta situação viveu até ao dia 25 de agosto de 1936, quando uns milicianos da FAI (organização anarquista espanhola) entraram na casa, por denúncia do porteiro do prédio, e a prenderam. Ao prenderem-na, detiveram também uma irmã da dona da casa, e a Irmã Maria dos Anjos, cheia de serenidade e de caridade para com os seus perseguidores, afirmou: "Esta senhora não é religiosa. Deixem-na, pois a única religiosa aqui sou eu". E assim, salvou a vida àquela mulher, mas, ao mesmo tempo, identificou-se como religiosa, fato que a levou ao martírio.
     Conduzida à prisão das Belas Artes, na noite de 26 de agosto, foi fuzilada na localidade de Dehesa de la Villa, em Madrid. Não foi submetida a qualquer processo; era religiosa, e este fato era suficiente.
     Na manhã do dia 27 de agosto de 1936, após o reconhecimento e a remoção do cadáver desta cristã martirizada, foi sepultada no dia seguinte no cemitério de La Almudena, em Madrid. Maria dos Anjos morreu sorrindo, como demonstram as fotografias. Finalmente era mártir de Jesus Cristo, como tinha desejado.
     Terminada a Guerra, foi identificada a sepultura, e no ano de 1941 os seus restos foram transladados para o panteão da Irmãs Zeladoras do Culto Eucarístico, no mesmo cemitério, onde permaneceram até 19 de dezembro de 1985, e depois foram transladados para o convento onde ela viveu, situado na Rua Blanca de Navarra, em Madrid.
     Foi beatificada na Basílica de São Pedro, no Vaticano, em 29 de outubro de 2005. Sua festa é celebrada no dia 30 de agosto.
 


Fontes:
http://coisasdesantos.blogspot.com/2016/08/beata-maria-de-los-angeles-ginard-marti.html
http://martiresdeespanha.blogspot.com/2012/05/

quinta-feira, 25 de agosto de 2022

Santa Maria de Jesus Crucificado Baouardy, Carmelita Descalça - 26 de agosto

     
     A Santa nasceu em Abellin, pequeno povoado a meio caminho entre Haifa e Nazaré, a 5 de janeiro de 1846. Era filha do casal Jorge Baouardy e Mariam Chahyn, fervorosos católicos palestinos. Eles haviam obtido a graça de seu nascimento após uma peregrinação a pé, percorrendo uma distância de 170 km até Belém, ao local onde nasceu o Menino Jesus. A menina foi batizada e crismada no mesmo dia, segundo o rito católico melquita, recebendo o nome de Mariam. Um ano depois nasceu-lhes um menino, Baulos (Paulo).
     Em 1848, os pais de Mariam morrem um após o outro. Segundo o costume oriental, as crianças foram repartidas entre os parentes. Baulos foi adotado por uma tia materna de um povoado vizinho, e ela acolhida por um tio paterno abastado. Aos 8 anos fez sua primeira comunhão. Alguns anos depois o tio se mudou para Alexandria, Egito, levando-a consigo.
     Conforme o uso oriental, seu casamento foi ajustado e quando completou 13 anos lhe disseram que chegara o momento do casamento. Porém, Mariam já sentia um chamado de Deus e não desejava se casar, e comunicou isto aos tios. Nem as humilhações, nem os maus tratos puderam fazê-la mudar sua decisão.
     Após três meses, ela visitou um velho criado da casa de seu tio para que este enviasse uma carta a seu irmão, que vivia na Galileia, para que viesse ajudá-la. Ouvindo a narração de seus sofrimentos, o criado, que era muçulmano, exortou-a a converter-se ao Islã. Mariam respondeu com ênfase: "Muçulmana eu? Jamais! Sou filha da Igreja Católica e espero permanecer assim por toda vida!" Enfurecido, o homem deu-lhe um violento pontapé que a derrubou ao chão, e, com uma cimitarra, deu-lhe um golpe na garganta. Crendo que ela estava morta, envolveu-a num lençol e abandonou-a em uma rua escura. Era o dia 8 de setembro.
     A própria Mariam contaria muitos anos mais tarde que, como num sonho, lhe parecia ter entrado no Paraíso onde viu a Virgem, os Santos e também os pais, e a Gloriosa Trindade. Ouviu então uma voz que lhe disse: "O teu livro ainda não está todo escrito".
     Acordando, se encontrava numa gruta onde passou vários dias com febre, sendo assistida por uma jovem senhora que parecia ser uma religiosa e que vestia um véu azul. Esta a atendia, alimentava e fazia dormir. Depois de quatro semanas, aquela senhora conduziu-a a igreja dos Franciscanos, deixando-a lá.
     Curada, mas só, pois não poderia voltar para sua família adotiva, com o ajuda de um franciscano Mariam se colocou como doméstica a serviço de famílias não abastadas em Alexandria, Beirute, Jerusalém. Nesta cidade fez o voto de castidade perpétua no Santo Sepulcro. Em 1863, a família Nadjar, para a qual trabalhava, se transferiu para Marselha, França, levando-a consigo.
     Em 1865, Mariam entrou em contato com as Irmãs de São José de Marselha. Tinha 19 anos, mas só parecia ter 12 ou 13. Falava mal o francês e possuía uma saúde frágil, mas foi admitida no noviciado.
     Sempre disposta aos trabalhos mais pesados, ela passava a maior parte do tempo lavando ou na cozinha. Mas, dois dias por semanas revivia a Paixão de Jesus: Mariam recebia os estigmas (que na sua simplicidade acreditava ser uma enfermidade) e toda classe de graças extraordinárias começaram a manifestar-se. Algumas irmãs ficaram desconcertadas com o que se passava com ela, e, ao final de dois anos de noviciado, não é admitida na Congregação.
Carmelo de Pau
     Em 14 de junho de 1867, Mariam entrou no Carmelo de Pau (Baixo Pirineus), apresentada por sua antiga mestra de noviciado, Irmã Verônica da Paixão, que declarou: "esta pequena árabe é um milagre de obediência".
     Em 27 de julho de 1867 tomou o hábito carmelitano adotando o nome de Maria de Jesus Crucificado. A sua condição de analfabeta a colocava entre as conversas e para ela, que aspirava somente servir, assim estava bem. Mas foi decidido colocá-la entre as coristas, e a obrigaram a aprender a ler e a escrever, porém sem sucesso. Em 1870 voltou a ser conversa.
     Em 1870, com um pequeno grupo de Irmãs, Mariam parte para a Índia, para fundar o primeiro mosteiro de carmelitas daquele país, em Mangalore. A viagem de barco foi uma aventura e três religiosas morreram antes de chegarem. Reforços são enviados e no final de 1870 a vida claustral pode ser iniciada.
     Os fenômenos extraordinários, que ela procurava esconder, continuaram na terra de missão. Ao mesmo tempo ela era a alma da fundação, enfrentando todos os trabalhos pesados e dando atenção aos problemas inerentes a uma nova fundação. Durante seus êxtases, as irmãs às vezes podiam ver seu rosto resplandecente na cozinha ou em outro local. Mariam participava em espírito dos acontecimentos da Igreja, por exemplo, nas perseguições na China. Parecia estar possuída exteriormente pelo demônio, que a fazia viver terríveis tormentos e combates.
     A superiora e o bispo, porém, começam a duvidar da autenticidade das manifestações extraordinárias, acusando-a de visionária, de ter uma imaginação oriental muito ardente etc. Apesar das tensões, ela emitiu os votos no término de seu noviciado, em 21 de novembro de 1871. Como as tensões continuassem, ela foi enviada de volta ao Carmelo de Pau em setembro de 1872. As Irmãs que a perseguiram reconheceram mais tarde o seu erro e expressaram o seu arrependimento.
     Em Pau ela retomou sua vida simples de Irmã conversa, feita de muito trabalho entremeado de episódios prodigiosos. Dom de profecia, ataques do demônio ou êxtases, entre todas essas graças divinas ela sabe, de maneira muito profunda, ser ‘nada’ diante de Deus, e quando fala dela mesma se chama "o pequeno nada", é realmente a expressão profunda de seu ser.
     Iletrada como era, encantada com a natureza, compunha belíssimas poesias e inventava melodias para cantá-las. É bom frisar que todos os fatos extraordinários são vividos por Irmã Maria com grande humildade e simplicidade. Muitas pessoas a procuravam para serem reconfortadas, aconselhadas, e pedir orações.
     Em 28 de junho de 1873, pela manhã, a Priora a encontrou sentada em um pequeno banco diante de uma janela aberta: "Madre - ela disse - todos dormem. E Deus, tão cheio de bondade, tão grande, tão digno de louvores, é esquecido!... Ninguém pensa nEle!... Vede, a natureza O louva; o céu, as estrelas, as árvores, as ervas, todas as criaturas O louvam; porém o homem, que conhece seus benefícios, que deveria louvá-Lo, dorme!... Vamos, vamos, despertemos o universo! Jesus não é conhecido, Jesus não é amado!”
A fundação do Carmelo de Belém
     Nossa Senhora havia predito que Irmã Maria seria a alma propulsora da fundação de Carmelos na Palestina. A fundação em Belém era algo muito complicado por motivos políticos. O Bispo de Biarritz escreveu uma carta ao Papa Beato Pio IX expondo o projeto das religiosas do Carmelo de Pau e pedindo sua autorização para concretizar a fundação. O Papa apoiava o projeto e aprovou-o.
     Depois de uma peregrinação a Lourdes, no dia 20 de agosto de 1875, um pequeno grupo de carmelitas embarcou para esta aventura. Irmã Maria de Jesus Crucificado zarpou com elas para o Oriente Médio.
     Os locais sagrados já estavam nas mãos de muçulmanos e cismáticos. A alegria de estar na Terra Santa foi totalmente ofuscada por esse fato. A alegria de Irmã Maria esvaiu-se. Escreve seu biógrafo, o Pe. Estrate. “Visitando o Cenáculo, onde os muçulmanos fizeram uma mesquita, o rosto de Sóror Maria, que resplandecia de alegria celeste, ficou pálido e abatido; seus olhos tinham uma expressão de dor infindável: “Eu digo a Jesus, contou ela mais tarde: Como, Senhor podeis permitir coisas semelhantes, posto que Vós sois Deus? Ah! Isto é forte demais! Se eu fosse Jesus, jamais suportaria uma tal profanação! Mas logo pedi perdão a Jesus, acrescentando: ‘Senhor, tende piedade de mim, escusai minha ousadia, é meu amor por Vós que me fez soltar esse brado. Se eu fosse Jesus, faria como Vós, eu teria paciência, porque teria em meu coração vossa bondade infinita’. Oh! Senhor, em quantas almas ainda mais abomináveis que esse Cenáculo Vós sois obrigado a descer! Eu compreendo a profanação desse lugar santo pensando em todas as Comunhões indignas e sacrílegas em vossa Santa Igreja!" (op.cit. p. 282)
     O Senhor mesmo guiava Irmã Maria na escolha do local e na forma de construção do novo Carmelo. Como ela era a única que falava árabe, encarregava-se particularmente de seguir os trabalhos “imersa na areia e na cal”. A comunidade instalou-se no dia 21 de novembro de 1876, enquanto certos trabalhos continuaram.
     Irmã Maria preparou também a fundação de um Carmelo em Nazaré, viajando até lá para comprar o terreno, em agosto de 1878. Durante essa viagem Deus revelou a ela o lugar de Emaús, o qual foi adquirido.
     De volta a Belém, retomou a vigilância dos trabalhos sob um calor sufocante. Quando levava aos trabalhadores algo para beber, Irmã Maria caiu de uma escada e partiu um braço. A gangrena avançou muito rapidamente e ela morreu poucos dias depois, em 26 de agosto de 1878, aos 32 anos.
O dom de Profecia
     A Irmã Maria recebeu o dom de profecia. Em 1868, a piedosa carmelita anunciava a guerra franco-prussiana que viria em 1870, cobrindo de luto e vergonha a França e dando azo à explosão comunista da Comuna de Paris. Durante um longo êxtase em que ela falou do nada da vida, da cegueira dos pecadores, da perda das almas e dos males da Igreja, disse chorando: “Senhor, tende piedade de nós! Santa Virgem, afastai as desgraças que nos ameaçam. Rezai pela Igreja. A guerra chegará logo, como eu vou rezar pela Igreja!” (Pe. Estrate, op. cit., p. 81) Em 6 de julho de 1870, Nosso Senhor lhe mostrou a trama das forças secretas que querem aniquilar Roma enquanto cabeça da Cristandade e destruir a Igreja.
     Seu biógrafo, Pe. Estrate acrescenta sobre a narração do martírio do venerável M. Baptifault, sacerdote missionário em Yun-nan, na China, publicada no jornal de Paris l'Univers, em 21 de janeiro de 1875: “Nós já o tínhamos escrito, ditado pela pessoa que o senhor sabe, no dia 17 de setembro de 1874, às 8 horas da manhã, apenas algumas horas após a realização desse drama sangrento, tão longe de nós, em Yun-nan, na China, e sem que nada de humano possa explicar a exatidão do fato e dos detalhes os mais minuciosos aqui ditados a tão grande distância por nossa piedosa vidente” (op. cit., p. 298-299).
     Na primeira semana da Quaresma de 1876, a santa carmelita teve uma visão que, além de concordar com La Salette, insiste no pedido de penitência feito pela Mãe de Deus em Lourdes e Fátima: “Nosso Senhor tinha em suas mãos um monte de fogo; Ele olhava para a França com uma espécie de compaixão e amor; o fogo escorria e caía entre seus dedos, estava prestes a cair por inteiro, mas o Senhor dizia e repetia: ‘Pede perdão, pede perdão!’ Pobre França, acrescentava ela, pobre França, se ela soubesse, se ela compreendesse, e sobretudo, se ela quisesse! Deus a ama tanto!” (Pe. Estrate, op. cit., p. 291)
Relacionamento especial com Santo Elias
     A bem-aventurada carmelita tinha uma relação mística especial com Santo Elias, fundador do Carmelo, que lhe aparecia e lhe dava conselhos. Durante a possessão mencionada anteriormente, ela não podia comer nada, mas “em diversas ocasiões, várias freiras viram frutos misteriosos na boca da noviça. Duas ou três delas tiveram o privilégio de comer deles” (Pe. Estrate, op. cit. p.180-181). Nas anotações do Carmelo ficou registrada esta observação: “Esses frutos tinham a aparência de uma grande amêndoa, seu odor era de incenso e tinham o gosto de plantas aromáticas. Interrogada sobre a proveniência desses frutos, a noviça respondeu: ‘Eles vêm do local onde estavam Adão e Eva: é o fruto de que se alimenta Elias’ (Notas do Carmelo)” (Pe. Estrate, op. cit., p. 181, nota 1).
     Ela foi beatificada pelo Papa João Paulo II a 13 de novembro de 1983, e foi canonizada a 17 de maio de 2015, em Roma.
 
Postado neste blog em 25 de agosto de 2011
 
http://www.santosebeatoscatolicos.com/2015/01/beata-maria-de-jesus-crucificado-mariam.html
https://pt.wikipedia.org/wiki/Mariam_Baouardy
http://www.carmelitas.pt/site/santos/santos_ver.php?cod_santo=29

segunda-feira, 22 de agosto de 2022

Santa Tydfil, Mártir de Gales - 23 de agosto

 
     
Tydfil (Tudful), filha do Rei Brychan, foi morta pelos pagãos em Merthyr Tydfil, no Glamorganshire, cerca do ano 480. Ela é patrona não apenas da igreja de Merthyr Tydfil, mas também de Llysronydd (hoje Lisworney) e de Port Talbot, na mesma região de Glamorganshire.
     Tydfil casou-se com um líder do oeste do País de Gales, na região hoje conhecida como Pembrokeshire. Quando seu marido morreu, ou foi assassinado, abraçou uma vida de castidade.
     Tydfil escolheu para sua morada o vale do Rio Taff povoado por agricultores celtas e suas famílias. Ela ficou conhecida por sua compaixão e sua habilidade no cuidado dos doentes tanto humanos como dos animais.
     Ela estabeleceu uma das primeiras comunidades monásticas britânicas, liderando um pequeno grupo de homens e mulheres. Ela construiu um recinto em torno de uma igreja de madeira, prática comum então. Seu convento incluía um hospital e demais dependências necessárias para a vida em comum. Ela vivia ali discretamente, levando esperança e apoio ao povo do vale o Rio Taff.
A vida em um convento Galês dos primeiros tempos
     Tydfil e as mulheres que a seguiam, como muitas religiosas nos séculos posteriores, ofereciam sua experiência em ajudar as mulheres no parto. Elas se dedicavam também em alimentar os famintos, vestir os nus, cuidar dos doentes e as outras obras de misericórdia. A Virgem Maria era a sua Padroeira, a Mãe de Misericórdia e a inspiração para seguir os ensinamentos de Nosso Senhor Jesus Cristo, pois Ela sempre aponta para o seu Filho.
     Elas aprenderam a tosquiar e a fiar a lã, a tecer e a tricotar. Alguns empregados do sexo masculino faziam as tarefas mais árduas da criação de animais. Sabemos que São Maches, filho de Santa Gwynlliw havia trabalhado como pastor.
     Tydfil era muito venerada por toda região. Ela gostava da vida que tinha e era grande sua alegria em trabalhar para o Reino do Céu. Há um vitral que mostra Tydfil com seu filho Teilo criança, que pode até ter sido criado durante algum tempo com a sua mãe em seu mosteiro, até que foi mandado para a escola em Ty Gwyn.
     Com a ajuda de alguns dos servos de seu pai Brychan, Tydfil construiu uma igreja e fortes muralhas, o que constituiu um pequeno povoado que se tornou um centro cristão onde a população local podia assistir a Santa Missa.
     Em sua velhice o Rei Brychan decidiu visitar seus filhos pela última vez. Ele levou com ele seu filho Rhun Dremrudd, seu neto Nefydd e o filho do próprio Nefydd, juntamente com funcionários e guerreiros.
     Eles visitaram sua terceira filha, Tanglwstl, em sua comunidade religiosa em Hafod Tanglwstl, que hoje é conhecida como a cidade de Aberfan, ao sul de Merthyr Tydfil. O rei passou pelo convento de Tydfil, enquanto o filho e Nefydd ainda estavam em Hafod Tanglwstl.
     O País de Gales estava então sofrendo ataques dos pagãos celtas, que estavam livres para vaguear por ali, após os romanos terem desaparecido. Alguns tinham inclusive se estabelecido em Radnorshire, perto do reino de Brychan. Eles decidiram tirar proveito da vulnerabilidade do rei. O rei e seus seguidores tiveram suas jóias, dinheiro e roupas roubados. Servidores e familiares foram todos assassinados. Enquanto os outros corriam ou lutavam, ou entravam em pânico, Tydfil ajoelhou-se e rezou calmamente antes de ser também brutalmente assassinada.

Panorama atual do Vale do Rio Taff

     
Tydfil foi sepultada dentro da igreja que fundou, entre as pessoas que ela tão bem havia cuidado. A cruz celta foi colocada em uma clareira perto do Taff e se tornou um ponto de encontro das pessoas do vale. No século XIII a cruz e a igreja de madeira foram substituidas por uma construção de pedra dedicada a Santa Tydfil Mártir, tendo ela própria sido substituída, em 1807, e reconstruída em 1894. A igreja ainda está de pé, perto do Rio Taff, e é uma das primeiras coisas que o turista vê quando entra no centro da cidade a partir do lado sul.
     A palavra galesa para 'Mártir' é ‘Merthyr’ e ‘Merthyr Tydfil’ significa 'A Mártir Tydfil’. Ela continua importante na cidade de Merthyr Tydfil. Ela foi enterrada no local onde a Igreja de Santa Tydfil está agora. A Igreja Católica e o Priorado restabelecidos no século XIX também foram dedicados a esta mulher notável.
     Merthyr Tydfil não é hoje uma cidade muito bonita (população atual c. 55 mil ha.). Não foi planejada e se tornou, durante a revolução industrial, um importante centro de mineração de carvão e ficou ainda mais desfigurada pelas feias propriedades do conselho dos anos 1960s. O colapso da indústria de mineração trouxe difíceis consequências, mas a cidade se orgulha de sua princesa mártir.
     As paisagens são maravilhosas e dirigir um pouco para o norte, em direção a Brecon, nos leva pelos mais surpreendentes campos onde há uma solidão semelhante a que Santa Tydfil deveria ter gostado. Ela deu à luz a um dos maiores santos galeses, São Teilo, que fundou o Colégio em Llandaff após ter visitado o Patriarca de Jerusalém e de ser consagrado bispo por ele. Assim sendo, ela enriqueceu a vida católica de todo o País de Gales.
     
O que contribuiu para a veneração de Tydfil como santa? Em primeiro lugar, seu testemunho silencioso. Tydfil não era uma abadessa, embora liderasse uma comunidade de homens e mulheres cristãos que provavelmente viviam sob algum tipo de regra semimonástica. Tydfil certamente viveu em tempos sombrios, mas suas 'boas ações' e as de sua comunidade atraíram as pessoas como mariposas para uma chama. E embora sua 'luz' individual tenha sido extinta pela morte, ela acendeu um fogo que ardeu durante aqueles tempos difíceis, mostrando aos outros o caminho para Deus.
     Além disso, ela deu o exemplo de sua grande fé e dignidade diante da morte. Ela não resistiu nem fugiu, mas 'dando a outra face' esperou sua morte com calma coragem e uma crença sincera de que iria estar com Jesus no lugar preparado para ela.
     Em terceiro lugar, seu amor e compaixão para com os outros - humanos e animais. O cristianismo ainda estava tentando vencer o paganismo dos celtas, saxões, jutos, pictos e outros. Havia muito pouca lei no tempo de Tydfil além da sobrevivência do mais apto. O amor e a compaixão, sem dúvida, eram vistos como um sinal de fraqueza em uma sociedade desordenada e fragmentada, aonde o poder ia para o mais forte. Tydfil viveu essas qualidades em uma sociedade faminta de amor e compaixão, e seu exemplo é mais necessário do que nunca hoje, à medida que mais e mais pessoas estão se distanciando de seu passado cristão.
Igreja de Santa Tydfil
 
Fonte:  http://go.microsoft.com/fwlink/?LinkId=72682
http://www.oodegr.com/english/biographies/arxaioi/Tydfil_wales.htm
 
Postado neste blog em 22 de agosto de 2012