
Um outro nobre franco, Adalbaldo, Duque de
Douai, chegou também àquela região, ganhando logo o favor do Rei Clóvis II, e,
apesar da oposição dos nobres bascos, obteve a mão de Rictrude em casamento.
O casal foi viver em Ostrevant, nas
Flandres, e tiveram quatro filhos, todos eles venerados como santos: Adalsinda,
Closinda, Mauroncio e Eusébia.
Amando os visitava com frequência; o casal
levava uma vida “devota e feliz”, como descreve o seu biógrafo, Hucbaldo, em Vita Rictrudis , escrita em 907, a pedido da Abadia de
Marchiennes.
Infelizmente a felicidade de
dezesseis anos teve um fim trágico quando Adalbaldo foi assassinado
presumivelmente como resultado ainda das hostilidades contra o matrimônio com
Rictrude. Ele é honrado como mártir, embora a sua comemoração tradicional em 2
de fevereiro não seja relatada no Martirológio Romano.
Devido à trágica perda do esposo, Rictrude
expressou o desejo de se tornar monja, mas Amando aconselhou-a a aguardar que
seu filho Mauroncio fosse grande o bastante para ser introduzido na vida da
corte.
Clóvis II tinha entretanto outros projetos
para ela, desejando que desposasse um de seus protegidos. Santo Amando
conseguiu persuadi-lo a deixá-la livre e ela pode assim recolher-se em
Marchiennes, onde havia fundado um mosteiro masculino e feminino.
Em 648 tornou-se abadessa daquele
mosteiro, cargo que ocupou até sua morte, e as suas duas filhas mais velhas,
Adalsinda e Closinda, se juntaram a ela. Mais tarde também o filho, Mauroncio,
que estivera a ponto de casar-se, deixou a corte e ingressou na abadia.
Posteriormente, São Mauroncio foi abade de Bruel.
A primeira filha morreu jovem, mas a
segunda sucedeu a mãe como abadessa de Marchiennes quando Rictrude faleceu, em 678. A última filha, Santa
Eusébia, que fora enviada para a Abadia de Hamage após o assassinato do pai,
onde sua avó era abadessa, mais tarde também foi eleita abadessa de Hamage.
Venerada como santa pouco depois de sua
morte, muitos milagres são atribuídos à intercessão de Santa Rictrude.
Foi sepultada na Abadia de Marchiennes, e
em sua lápide foi inscrito "Virtutis ager, pietatis imago" - campo
da virtude, imagem da piedade. O túmulo foi refeito por diversas vezes. As
relíquias foram transladadas para Paris, onde foram perdidas durante a terrível
Revolução Francesa, em 1793. Algumas fontes referem que parte das relíquias foi
levada para Douai.
Esta família, quase toda ela elevada à
honra dos altares, não é senão um dos muitos casos semelhantes que aconteceram
nos dois mil anos de Cristianismo.
O Martirológio Romano comemora Santa
Rictrude no dia 12 de maio.
Abadia de Marchiennes
Esta Abadia foi fundada cerca de 630 por Santo
Adalbaldo, Duque de Douai, e monges irlandeses, discípulos de São Columbano,
sob a direção de Santo Amando. Santa Rictrude tornou-a mosteiro duplo em 643,
sendo ela mesma abadessa durante anos.
Por volta de 1024, tornou-se mosteiro
masculino novamente e a Regra beneditina foi adotada. No nascimento da cidade
de Marchiennes, a Abadia tornou-se seu motor econômico até sua supressão em
1791, durante a nefasta Revolução Francesa. Em 1814 foi demolida. Suas ruínas
foram inscritas no inventário de monumentos históricos em 17 de maio de 1974.
Nenhum comentário:
Postar um comentário