terça-feira, 31 de julho de 2012

Santas do mês de agosto


ago 01  Beata Clara, venerada em Orleans, Monja cistercense
ago 01  Beatas Ma.Estela do SS.Sacram. Mardosewicz e 10 comp. Mártires  MR
ago 02  Beata Joana d'Aza, Mãe de S. Domingos  MR
ago 02  Santa Alfreda (Etelreda) de Crowland, Monja Beneditina
ago 02  Santa Centola, Martir  MR
ago 03  Santas Licínia, Leôncia, Ampélia e Flávia, Virgens de Vercelli
ago 04  Beata Cecília Cesarini, Virgem  MR
ago 04  Santa Ia, Mártir na Pérsia   MR
ago 05  Santa Margarida de Cesolo (la Picena)  MR
ago 05  Santa Nonna, Esposa  MR
ago 06  Beata Maria Francisca de Jesus (Ana Maria Rubatto), Fundadora  MR
ago 07  Beata Berta, Abadessa de Cavriglia, 1º domingo de agosto 
ago 07  Santa Afra, Mártir  MR
ago 08  Beata Bonifácia Rodriguez Castro  MR
ago 08  Beata Maria Margarida Caiani, Religiosa  MR
ago 08  Beatas Ma.do Menino Jesus Badillou y Bullit e 4 comp.Márt Escolopias  MR
ago 08  Santa Maria Helena MacKillop (Maria da Cruz), Fundadora  MR
ago 09  Beata Mariana Cope de Molokai, Religiosa
ago 09  Santa Cândida Maria de Jesus Cipitria, Fundadora  MR
ago 09  Santa Teresa Benedita da Cruz (Edith Stein), Mártir   MR
ago 10  Santa Pletrudes VII-VIII século
ago 11  Santa Attratta, Abadessa  MR
ago 11  Santa Clara, Virgem e Fundadora  MR
ago 11  Santa Degna, Venerada em Todi
ago 11  Santa Filomena de Roma, Mártir 
ago 11  Santa Rustícula de Arles, Abadessa  MR
ago 11  Santa Susana de Roma, Mártir  MR
ago 12  Beata Vitória Diez y Bustos de Molina, Virgem e mártir  MR
ago 12  Santa Cecília de Remiremont, Abadessa
ago 12  Santa Joana Francisca de Chantal, Religiosa   MR
ago 12  Santa Lélia, Virgem  MR
ago 13  Beata Gertrudes de Altenberg, Abadessa premostratense  MR
ago 13  Santa Concórdia, Mártir  
ago 13  Santa Irene da Hungria, Imperatriz
ago 13  Santa Radegunda, Rainha da França  MR
ago 14  Beata Elisabete Renzi, Virgem e Fundadora  MR
ago 15  Beata Juliana Puricelli de Busto Arsizio, Religiosa  MR
ago 15  Beata Maria Sacrário de S. Luis M. Cantarero, Carmelita descalça, mártir  MR
ago 15  Beatas Elisabete e Maria do Paraíso, Virgens mercedárias
ago 16  Beata Pietra de S. Jose Pérez Florido (Ana Josefa) Fundadora  MR
ago 16  Santa Hugolina de Vercelli, Virgem e eremita  
ago 16  Santa Rosa Fan Hui, Mártir  MR
ago 16  Santa Serena de Roma, Imperatriz
ago 17  Santa Beatriz da Silva Meneses, Fundadora  MR
ago 17  Santa Clara de Montefalco  MR
ago 17  Santa Joana da Cruz (Jeanne Delanoue), Fundadora  MR
ago 18  Beata Paula Montaldi, Virgem   MR
ago 18  Santa Helena, Mãe de Constantino  MR
ago 19  Beatas Elvira da Natividade de Na. Sra. e 8 comp. mártires  MR
ago 20  Beata Maria Climent Mateu, Virgem e mártir  MR
ago 20  Santa Maria de Matias, Fundadora  MR
ago 21  Beata Beatriz de Roelas, Virgem mercedária
ago 21  Beata Vitória Rasoamanarivo, Viúva e princesa de Madagascar  MR
ago 21  Santa Ciríaca de Roma  MR
ago 21  Sta. Bassa e 3 filhos Teonho/Agapio/Pisto Mártires  MR
ago 23  Beatas Rosária Quintana Argos e Serafina Fernandez Ibero, V e mártires  MR
ago 23  Santa Rosa de Lima, Virgem  MR
ago 23  Santa Tydfil, Virgem e mártir
ago 24  Beata Maria Encarnação Rosal, Fundadora   MR
ago 24  Santa Emília de Vialar  MR
ago 24  Santa Joana Antida Thouret, Virgem   MR
ago 24  Santa Maria Micaela do SS. Sacramento, Fundadora  MR
ago 25  Beata Maria do Trânsito de Jesus Sacramentado  MR
ago 25  Santa Ebba de Coldingham, Princesa, Abadessa
ago 25  Santa Ermínia (Ermina) Venerada em Reims
ago 25  Santa Patrícia de Constantinopla, Virgem
ago 26  Beata Lourença (Leukadia) Harasymiv, Virgem e mártir  MR
ago 26  Beata Maria de Jesus Crucificado (Mariam Baouardy) Carmelita  MR
ago 26  Beata Maria dos Anjos Ginard Martì, Virgem e mártir
ago 26  Santa Joana Elisabete Bichier des Ages  MR
ago 26  Santa Teresa de Jesus Jornet e Ibars, Fundadora  MR
ago 27  Beata Francisca Pinzokere, Mártir
ago 27  Beata Maria Pilar Izquierdo Albero  MR
ago 27  Santa Mônica, Mãe de Sto. Agostinho  MR
ago 28  Beata Zélia Guerin, Mãe de S. Teresa do Menino Jesus
ago 28  Santa Adelina de Poulangy, Abadessa
ago 28  Santa Florentina, Virgem  MR
ago 28  Santa Joaquina De Vedruna, Viúva e fundadora  MR
ago 29  Beata Bronislava de Kamien, Religiosa  MR
ago 29  Beata Eufrásia do Sagrado Coração de Jesus, Carmelita
ago 29  Beata Filipa Guidoni, Monja 
ago 29  Beata Sancha Szymkowiak  MR
ago 29  Beata Teresa Bracco, Virgem e mártir  MR
ago 29  Santa Basila, Mártir em Sírio  MR
ago 29  Santa Beatriz de Nazaré
ago 29  Santa Maria da Cruz, Fundadora das Peq. Irmãs dos Pobres  MR
ago 29  Santa Sabina, Mártir  MR
ago 29  Santa Verona de Magonza
ago 30  Beata Maria Rafols, Fundadora  MR
ago 30  Santa Gaudência, Virgem e mártir
ago 30  Santa Margarida Ward, Mártir na Inglaterra  MR
ago 30  Beata Bronislava da Polônia

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Santa Helena (Elin) de Skövde, Viúva e Mártir - Festa 31 de julho

     Mártir da primeira metade do século XII. Sua festa se celebra no dia 31 de julho.     Sua vida (Acta SS., Julio, VII, 340) é atribuída a São Brynolph, Bispo de Skara, na Suécia (+ 1317). E' chamada também de Santa Elin de Vastergotland, do nome da província sueca onde se encontra Skövde.
     Era de origem aristocrática, era filha de Jarl Guthorm. Tendo ficado viúva muito jovem, vivia piedosamente dando esmolas e contribuindo com generosidade na construção da igreja da sua cidade. As portas de sua casa estavam sempre abertas para os necessitados.
     O marido de sua filha era um homem muito cruel, e foi assassinado por seus próprios empregados. Seus familiares, desejando vingar sua morte, interrogaram os empregados, que admitiram o crime, mas afirmaram falsamente que haviam agido instigados por Helena.
     Para evitar uma vingança, Helena fez uma peregrinação a Terra Santa, permanecendo ausente quase um ano. Retornando à pátria por ocasião da festa de consagração da igreja de Gotene, foi surpreendida numa emboscada e morta pelos familiares de seu genro, no dia 31 de julho de 1160.
     Seu corpo foi levado para Skövde para ser enterrado, e muitas curas maravilhosas aconteceram por sua intercessão.
     Conta-se que na tarde de sua morte um cego, acompanhado de uma criança, passou perto do lugar do assassinato e o menino descobriu num arbusto iluminado por uma luz muito viva um dedo decepado de Helena, no qual estava um anel que ela trouxera da Terra Santa. Quando o cego curvou-se, com a ajuda do menino, pode tocar o sangue de Helena e esfregá-lo nos olhos, ficando curado.
     No local onde a Santa caiu ferida de morte, cerca de dois quilômetros de Skövde, surgiu uma fonte de água que foi chamada de Elins Kalla.
     Estes milagres foram reportados a Roma pelo bispo de Upsala, Estevão, e este, por ordem do Papa Alexandre III, inscreveu o nome de Helena na lista dos santos canonizados (Benedicto XIV, "De canonizatione sanctorum", I, 85). Grande era a veneração a suas relíquias, inclusive depois que a Reforma se expandiu na Suécia. São Lene Kild, muito conhecido no tempo de Santa Helena, esteve em sua igreja.
     As autoridades luteranas censuraram várias vezes o que eles chamavam de superstição papal e anticristã. Especialmente zeloso neste sentido foi o arcebispo luterano Angermannus, que em 1596 ordenou que enchessem a fonte de água com pedras e escombros, mas a água continuou a brotar (Baring-Gould, "Lives of the Saints", July, II, 698). Próximo da nascente existia também uma capela dedicada a Santa. Em 1759 a igreja de Skövde, devorada por um incêndio, foi reconstruída.
     Helena também era muito venerada na Dinamarca. De fato, nas vizinhanças de Tiisvilde, já então um vilarejo pesqueiro no Kattegat, e que posteriormente se tornou uma estação balneária, existia uma localidade chamada Helenes Kilde que era visitada especialmente na vigília de São João, porque ela restituía a saúde aos doentes. Os peregrinos, principalmente os doentes, permaneciam toda a noite junto à sepultura, levavam consigo bolsas com terra do local, e com frequência deixavam seus bastões em sinal de agradecimento.
     Em 1658, o jesuíta Lindanus enviou de Copenhague estas informações aos Bollandistas. Informação semelhante foi feita por Werlaiff, em 1858, em seu "Hist. Antegnelser". A legenda dizia que o corpo de Santa Helena flutuou até Tiisvilde em seu ataúde de pedra, e que uma fonte brotou no local onde o ataúde tocou. Os Bollandistas (loc. cit.) dão como uma possível razão para a veneração de Santa Helena em Tiisvilde que talvez ela tenha visitado o lugar, ou que alguma de suas relíquias tenham sido levadas para lá.

Martirológio Romano Em Skövde, Suécia, Santa Helena, viúva, considerada mártir por ter sido injustamente assassinada (c. 1160). 
Fontes:
Igreja de Santa Helena em Skövde, Suécia

domingo, 29 de julho de 2012

Santa Marta da Betânia - Festejada 29 de julho

As Escrituras contam que em seus poucos momentos de descanso Jesus procurava a casa de amigos em Betânia, local muito agradável há cerca de apenas quatro quilômetros de Jerusalém. Marta, Lázaro e Maria, três irmãos provavelmente filhos de Simão, o leproso, eram os seus solícitos hospedeiros. Poucas, mas importantíssimas são as referências a Santa Marta nas Sagradas Escrituras.
     É muito conhecido o episódio da primeira visita de Jesus a sua casa. Marta era a mais velha dos irmãos. Jesus conversava com eles e Maria estava aos seus pés ouvindo sua pregação. Marta, trabalhadora e responsável, se queixou da atitude da irmã, que nada fazia, apenas ouvindo o Mestre.
     Ela se queixa que Maria, “sentada aos pés do Senhor, escutava a sua palavra”, em vez de preparar a comida: “Senhor, não se Te dá que a minha irmã me deixe só a servir? Diz-lhe que me venha ajudar”. “Marta, Marta, respondeu Ele, andas inquieta e perturbada com muitas coisas; uma só é necessária. Maria escolheu a melhor parte, que lhe não será tirada”. (Lc. 10, 40-41).
     Os estudiosos das Escrituras veem nestas palavras do Divino Salvador um ensinamento dEle quanto à precedência da vida contemplativa à vida ativa.
     Quando da ressurreição de Lázaro, é ela quem mais fala com Jesus naquele momento tão comovente, que inclusive arrancou lágrimas do Salvador. Marta diz a Jesus: "Senhor, se tivesses estado aqui, o meu irmão não teria morrido. Mas mesmo agora, eu sei que tudo o que pedires a Deus, Deus dará". Jesus, que ressuscitaria Lázaro em seguida, responde: «Eu sou a Ressurreição e a Vida; quem crê em Mim, ainda que esteja morto, viverá» (Jo 11,21-25).
     A segunda resposta do Salvador como que suprime em nós o medo da morte e satisfaz todas as aspirações do nosso coração. E o milagre de reviver Lázaro, já morto e sepultado, solicitado com tamanha simplicidade por Marta, exemplifica a plena fé na omnipotência do Senhor.
     Outra passagem é a ceia de Betânia, com a presença de Lázaro ressuscitado, uma pré-figura da última ceia, pois ali Marta serve a mesa e Maria lava os pés de Jesus, gesto que Ele vai imitar em seu último encontro com os doze apóstolos na noite em que Ele instituiu a Sagrada Eucaristia e em que seria aprisionado.
     A devoção a Santa Marta nasceu na época das Cruzadas, na França, quando nela principiou a divulgar-se que toda a família da Betânia tinha vindo terminar os seus dias na Provença, Santa Marta mais precisamente na cidade de Tarascon, onde lhe foi atribuído estrangular a Tarasca, dragão fêmea que devorava os animais domésticos e as crianças. Foi o que levou os Tarasconenses de então a procurar as relíquias dela. E, julgando tê-las encontrado (1187), construíram uma igreja para guardá-las (1197) e tomaram a benfeitora dos seus antepassados como padroeira.
     Santa Marta é patrona das donas-de-casa e das cozinheiras.
     Os primeiros a dedicarem uma festa litúrgica a Santa Marta foram os frades franciscanos, em 1262, e escolheram o dia 29 de julho para sua celebração, dia que ainda hoje é guardado pela Santa Igreja em sua honra.
Betânia, Israel

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Beata Maria Madalena Martinengo, Abadessa Capuchinha - Festa 27 de julho

     A nossa Beata nasceu em 1687, dos Condes de Barco, em Brescia, na Lombardia. Nasceu muito fraca, tanto que imediatamente a batizaram. A mãe morreu cinco meses mais tarde. Passado pouco tempo, o pai casou-se de novo.
     Aos cinco anos andava ela bem vestida, chamava as atenções e com isso envaidecia-se, mas não gostava de brincar e apreciava o estudo. Aos sete anos já lia o breviário romano, em latim com certeza. Tornara-se piedosa; aparecia com o oficio de Nossa Senhora ou o terço na mão.
     Aos dez anos entrou como interna na casa das ursulinas de Santa Maria dos Anjos. “Deixei de boa vontade a casa paterna, escreveu ela nas suas notas autobiográficas, para me dar toda a Deus no santo claustro”. Ao receber a primeira comunhão, a hóstia caiu no chão, entre ela e a grade; apanhou-a logo, mas pareceu-lhe que o Senhor não queria vir ao seu coração.
     Começou bem cedo a oferecer grandes penitências: orações prolongadas de noite, no maior frio; enxergão com pedaços de madeira, pedras e espinhos; caminhar descalça sobre cascalho e urtigas, até deitar sangue.
     Impressionava-se com as imundices que às vezes via no mosteiro; para se vencer, tudo isso beijava. Pedia às companheiras que lhe batessem muito, pois o merecia. Nessa altura, não julgava a obediência necessária, em matéria de penitência; e sendo pequena a vigilância sobre ela, seguia a inclinação, julgando fazer bem. O crucifixo servia-lhe de modelo, animador e juiz. “Tudo o que ouvia ler na Vida dos santos, propunha-me copiá-lo na minha”. Mais tarde, para reproduzir um ponto da paixão dos santos Crispim e Crispiniano, espetou agulhas entre a carne e as unhas das mãos e dos pés, e conservou estas vinte torturas, durante três horas.
     Passados dois anos, foi para o convento do Espírito Santo, onde lhe começaram a chamar Santinha (Santarella). Ao cabo de três anos de internato, voltou à casa da família. Os irmãos procuraram-lhe romances e foi obrigada a vestir-se com elegância. Pensava-se em lhe encontrar noivo, mas ela queria conservar-se virgem por amor de Deus, e o pai teve de capitular diante de tal firmeza.
     Viu um dia Santa Teresa e Santa Clara discutirem, diante de Nossa Senhora, a respeito da sua vocação. Mas o cinzento de Santa Clara venceu o branco de Santa Teresa: a nossa donzela tomaria o duro hábito das pobres Clarissas. Fez experiências nos fins de 1704 e princípios de 1705; mas era austeridade demasiada. Finalmente, a 8 de setembro de 1705, tomou em Brescia o hábito das capuchinhas, ficando a chamar-se Irmã Madalena.
     A saúde mantinha-se fraca, dormia mal: “Levantava-me mais cansada do que me deitava na véspera”. Caiu gravemente doente, mas curou-se. Os seus escrúpulos de consciência persistiam. Por fim, viu Nosso Senhor, em vestes pontifícias, que lhe dizia: “Absolvo-te completamente de todos os teus pecados”. Fez um tríplice voto: de procurar o mais perfeito, o mais custoso e o mais intensamente “capuchinho”. Esta contemplativa não desestimava, por outro lado, rezar cem Ave-Marias com genuflexões, todos os sábados. E mais rezava nas grandes circunstâncias.
     Não compreendia que se temesse a morte. No caso de vir a falecer dentro de poucas horas, dizia ela: “Pôr-me-ia como criança nos braços do meu Deus e absolutamente nada temeria”. Gostava de meditar sobre a sua padroeira Madalena, que, segundo a liturgia romana, confundia com a pecadora perdoada, de S. Lucas (cap. 7). ...
     A sua piedade tomava-se cada vez mais profunda. Soma ao ver um padre celebrar o santo sacrifício apressadamente, atrapalhando as palavras. O Senhor disse-lhe um dia: “Esquece-te, como se realmente não existisses”.
     Era terrivelmente engenhosa para encontrar sofrimentos; mas, desde que religiosa, não prescindia da licença. De noite rezava, por horas a fio, com os braços estendidos. ... O que é certo é que ela soma cruelmente com estas torturas inventadas, como testemunho de amor a Cristo crucificado.
     Mas o grande empenho era a obediência, a morte da vontade própria. Dizia que a profissão a decapitara; tinha entrado no mosteiro com a cabeça nas mãos, como se representa São Dinis. Gostava de obedecer a todas, de se fazer menina (bambina).
     Quem escolhera ser a humilde serva das suas Irmãs foi nomeada três vezes mestra das noviças, abadessa em 1732 e de novo em 1736, embora estivesse doente. Exerceu também o cargo de porteira e de vigária. Embora dissesse “O nada não faz nada”, era julgada utilizável! Servia de proteção ao mosteiro; se era anunciada a peste para breve, vinha-lhe uma dor tremenda de dentes, e a peste afastava-se.
     Às noviças mandava ler e reler a Regra, as Constituições, o Legendário franciscano e os Anais dos irmãos menores capuchinhos. Pedia a união de todos os corações, para amarem a Deus: “Amá-lo com um só coração é pouquíssimo, é pouquíssimo!”
     Para 15 de fevereiro (santos Faustino e Jovita, patronos de Brescia), os “filósofos” do local quiseram inaugurar um cassino. Durante a manifestação, o animador da ímpia iniciativa caiu moribundo; converteu-se, porém, antes de expirar. Entretanto, a Irmã Maria Madalena orava. De repente parou, com uma alegria radiosa, dizendo: “A graça está concedida!”. A graça era a festa sacrílega interrompida e o filósofo reconduzido a Deus.
     Gostava do “silêncio alegre, afável, bom; das palavras humildes, doces e santas”. Antes de falar era preciso, segundo ela, fazer a pergunta se as palavras se podiam escrever, a seguir à letra N do dicionário: “necessidade”.
     Já doente, foi reeleita abadessa, e 15 dias mais tarde faleceu, a 27 de julho de 1736, aos quarenta e nove anos, e trinta e dois de vida religiosa. Em 1738 apareceu uma dissertação dum médico que lhe tinha examinado o cadáver. É admirável, escrevia ele, que as agulhas no corpo não tenham dado nem inflamação, nem úlceras nem gangrena.
     Maria Madalena Martinengo foi beatificada por Leão XIII, a 3 de junho de 1900.
Fonte: Pe. José Leite, S.J., Santos de cada dia

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Santa Bartolomea Capitanio, Fundadora - Festejada 26 de julho

     Bartolomea Capitanio nasceu em Lovere, Bérgamo, na região da Lombardia no norte da Itália, no dia 13 de janeiro de 1807, filha de Modesto e de Catarina Canossi.
     Desde menina, Santa Bartolomea se mostrou precoce e esperta, e com grande interesse por ensinar. Com todo seu afã por aprender, aos 11 anos ingressou no Mosteiro das Clarissas de Lovere, e em 1822 obteve o diploma de educadora. Naquele educandário, graças à direção de uma superiora culta e piedosa, Irmã Francisca Parpani, Bartolomea fez grandes progressos nos estudos e na via da perfeição. Dois anos depois voltou para casa, onde abriu uma pequena escola para meninas pobres.
     Rica de dons e naturalmente expansiva, Bartolomea não tardou a voltar sua atenção para outro campo de apostolado: a juventude feminina, na qual as ideias péssimas da Revolução Francesa tinham deixado sinais de ruína e falta de orientação moral.
     Devido sua atividade pedagógica manteve contato com outra pessoa também original de Lovere, e que como ela atingiria a santidade. De fato, Santa Bartolomea Capitanio entrou em contato com Santa Vicência Gerosa (1784-1847) (28 de junho), a qual seria sua amiga, companheira e com quem executaria seus planos. Em 1829, Santa Bartolomea começou a trabalhar como diretora no hospital para pobres que tinha sido fundado pelas irmãs Gerosa na mesma cidade de Lovere.
     Durante os exercícios espirituais feitos em Sellere, em 1829, Bartolomea escreveu a Regra de uma nova Instituição, para a qual havia conquistado a adesão de Vicência Gerosa. Quando estas duas amigas se conhecem mais intimamente e trocam ideias, ambas contemplam a grandiosa possibilidade de trabalharem juntas pela juventude, principalmente pelas jovens.
     Assim, fundam a Congregação das Irmãs de Maria Menina, em 1832, instalando-se em um antigo edifício abandonado que tinha o nome de Casa Gaya, e que as pessoas começaram a chamar "o Conventinho".
     Após terem feito os votos solenes de pobreza, obediência e caridade, ofereceram a si mesmas ao serviço dos pobres. Na nova casa se concentraram as obras já iniciadas por Bartolomea: a escola gratuita para as filhas do povo, o orfanato com dez alunas, as reuniões festivas, as pias uniões e a assistência a quantos buscassem ajuda moral e material.
     Em 22 de junho de 1833, Bartolomea e Vicência apresentam o Capítulo Jurídico em catorze artigos, declarando unir-se em sociedade legal, que foi reconhecida pelo governo austríaco (a região então fora anexada a Áustria).
     A obra de ambas foi crescendo com uma rapidez assombrosa, acolhendo cada vez mais discípulas. Entretanto, Bartolomea somente pode dedicar-se à sua fundação por pouco tempo: no dia 26 de julho de 1833, a morte interrompia sua existência breve de anos, mas rica de obras.
     Santa Bartolomea Capitanio destacou-se na perfeição do serviço ao próximo. Foi canonizada junto com Santa Vicência Gerosa em 1950 pelo Papa Pio XII.
     Com a morte de Bartolomea o Instituto parecia que iria naufragar, mas foi se desenvolvendo lentamente, e sem interrupção. Em 21 de novembro de 1835 teve lugar a vestição solene das primeiras Irmãs e a eleição de Vicência Gerosa como superiora. Em 21 de maio de 1837 fundou-se o orfanato de Santa Clara em Bérgamo; em 29 de junho de 1840 o Instituto recebeu a aprovação da Santa Sé e em fevereiro de 1841 a aprovação definitiva da Corte de Viena. Em 12 de março de 1842 foi criada a primeira fundação em Milão; em 7 de fevereiro de 1860 as quatro primeiras Irmãs missionárias partiram para a Índia (Bengala), chamadas por Mons. Marinoni. As Irmãs de Maria Menina são hoje cerca de dez mil, compreendendo setecentas casas.

Martirologio Romano: Em Lovere, da Lombardía, Santa Bartolomea Capitanio, virgem, fundadora junto com Santa Vicência Gerosa do Instituto das Irmãs da Caridade de Maria Menina. Morreu aos vinte e sete anos, atacada pela tuberculose ou melhor consumida por sua caridade (1833).


Lápide comemorativa afixada na casa em que a Santa nasceu em Lovere



segunda-feira, 23 de julho de 2012

Santa Cunegundes ou Kinga, Rainha da Polônia - Festa 24 de julho

     O esplendor da sua santidade não só não se extinguiu, como brilha ainda mais: não foi esquecida esta filha do rei húngaro, a Princesa de Malopolska, Fundadora e Monja do convento de Stary Sacz (Sandeck).
     Cunegundes ou Kinga nasceu na família real húngara da dinastia dos Arpádios. Era filha de Bela IV, Rei da Hungria, e de Teodora Laskarysa. Era irmã da Beata Iolanda e de Santa Margarida da Hungria.
     Desta estirpe real fervorosa nasceram grandes santos. Dela provêm Santo Estevão, o Padroeiro principal da Hungria, e seu filho Santo Américo. A família dos Arpádios conta também com santas mulheres: Santa Ladislava, Santa Isabel da Turíngia, sua tia, Santa Edviges da Silésia, Santa Inês de Praga.
     Cunegundes foi educada cristãmente na corte. Aos 16 anos casou-se com Boleslau IV, Rei da Polônia (1221-1279). A semente de santidade lançada no coração de Kinga na casa paterna encontrou na Polônia um terreno fértil onde se desenvolver.
     Em 1239, ela chegou a Wojnicz, e foi depois para Sandomierz. Kinga teve um vínculo cordial com a mãe do seu futuro esposo, Grzymislawa, e com a sua filha Salomé. Ambas distinguiam-se por uma profunda religiosidade, por uma vida ascética e pelo amor à oração, pela leitura da Sagrada Escritura e das vidas dos santos. A companhia cordial destas damas, especialmente nos primeiros e difíceis anos da sua permanência na Polônia, teve uma grande influência sobre Kinga. O ideal da santidade amadureceu sempre mais no seu coração.
     Buscando modelos a imitar, escolheu como especial padroeira sua santa parente, a princesa Santa Edviges da Silésia. Desejando dar à Polônia um santo que pudesse tornar-se um exemplo de amor à Pátria e à Igreja, juntamente com o Bispo de Cracóvia, Prandota de Bialaczew, e com o marido, empenhou-se na canonização do mártir da Cracóvia, D. Estanislau de Szczepanów, bispo assassinado em 1079, alcançando seu objetivo em 1253.
     Exerceram grande influência na sua espiritualidade São Jacinto, seu contemporâneo, o Beato Sadok, a Beata Bronislawa, a Beata Salomé, e todos aqueles que formaram um particular ambiente de fé na Cracóvia de então.
     Ela desejava consagrar-se a Deus de todo o coração mediante o voto de virgindade. Por isso, ao se casar com o príncipe Boleslau convenceu-o à participar de sua escolha por uma vida virginal para a glória de Deus e, depois de uma prova de dois anos, os esposos confiaram ao Bispo Prandota o voto de castidade perpétua. Boleslau mereceu assim o epíteto de o Casto.
     Este modo de vida, hoje difícil de ser compreendido, era profundamente arraigado na tradição da Igreja primitiva. Santa Kinga é um exemplo de que tanto o matrimônio como a virgindade vivida em união com Cristo, podem tornar-se uma via de santidade. O matrimônio é a via da santidade, até mesmo quando se torna o caminho da cruz.
     A santa rainha levava uma vida penitente e mortificada: visitava as igrejas desde a madrugada, a pé, enfrentando as intempéries; atendia os enfermos nos hospitais; usava cilício sob as vestes principescas. Ela fez-se terceira franciscana e usou publicamente o hábito da instituição.
     O convento de Clarissas de Stary Sacz, ao qual Santa Kinga deu início e onde concluiu a sua vida após o falecimento de seu esposo em 1279, testemunham ainda hoje como ela apreciava a castidade e a virgindade.
     Há ainda outra característica que a identifica: como princesa, ela soube ocupar-se das coisas de Deus também neste mundo. Ao lado do esposo participou no governo, demonstrando firmeza e coragem, generosidade e solicitude pelo bem do país e dos súditos. Durante as insurreições, na luta pelo poder num reino dividido em regiões e as devastadoras invasões dos Tártaros, Santa Kinga soube enfrentar as necessidades do momento.
     Esforçou-se zelosamente pela unidade da herança dos Piast e para reconstruir o país das ruínas não hesitou em doar tudo o que recebera em dote de seu pai para atingir esse objetivo. A ela se deve também o prodigioso descobrimento de sal-gema em Bochnia e de Wieliczka nos arredores de Cracóvia, resultado de sua preocupação pelas necessidades dos seus súditos.
     As suas antigas biografias testemunham que o povo a chamava de consoladora, médica, santa mãe. Renunciando à maternidade natural, tornou-se verdadeira mãe de muitos. O desenvolvimento cultural da nação também lhe é devedor: à sua pessoa e ao convento local está ligado o nascimento de verdadeiros monumentos da literatura, como o primeiro livro escrito em língua polaca: Zoltarz Dawidów - Saltério de David.
     Quando seu esposo faleceu, em 1279, foi-lhe pedido que tomasse o poder. Ela recusou e recolheu-se em Stary Sacz, onde viveu ainda 13 anos. "Venho para servir. Esquecei quem fui: só há de novo contar a comunidade uma irmã a mais", dissera ela ao entrar para o convento.
     Ela costumava lavar a louça, tratar das enfermas e varrer. Foi escolhida abadessa, pois dera bom exemplo em tudo: tratara a louça com benignidade, as enfermas com caridade e o pó com severidade. Atribuiu-se às suas orações a descoberta de água no interior do mosteiro, que antes devia ser trazida de fora. A sua bondade transpôs os muros do convento: ela construiu edifícios piedosos, foi benfeitora dos franciscanos e resgatou prisioneiros na Turquia.
     Em 1287 a Polônia foi invadida pelos tártaros. Cunegundes e as setenta Irmãs precisaram abandonar o mosteiro e refugiar-se no castelo de Pyiemin. Mas, os tártaros chegaram ao seu refúgio e as irmãs, assustadas, se lançaram aos pés de sua madre. Tal qual o milagre de Santa Clara em Assis, aqui também os invasores foram detidos por uma força invisível. Passado o perigo, algum tempo depois as irmãs voltaram ao mosteiro.
     Depois de um ano de enfermidade, confortada com aparição de São Francisco, Cunegundes morreu aos 68 anos a 24 de julho de 1292.
     A primeira biografia de Cunegundes, de autor anônimo, foi compilada na Cracóvia em 1401 e novamente elaborada em 1474. O Papa Alexandre VIII aprovou o seu culto em 1690.
     Santa Cunegundes, que iniciou com dedicação a unidade espiritual da Hungria, da República Tcheca, da Eslováquia e da Ucrânia, por um decreto da Sagrada Congregação dos Ritos de 1715, confirmado por Clemente XI, foi nomeada Patrona da Polônia e do Grão-ducado da Lituânia.
     Em 3 de julho de 1998 um milagre obtido por sua intercessão foi reconhecido, o que possibilitou a sua canonização. Em 16 de junho de 1999 João Paulo II a canonizou em Stary Sacz.


domingo, 22 de julho de 2012

Santa Brígida da Suécia, Fundadora - Festejada 23 de julho

     Brígida Birgersdotter, escritora, teóloga, fundadora de Ordem religiosa, padroeira da Suécia e copadroeira da Europa. Era filha do aristocrata Birger Persson de Finsta e de Ingeborg Bengtsdotter. Por intermédio de seus pais e de seu esposo, pertenceu aos círculos políticos mais influentes da Suécia medieval.
     Seu pai era o governador da Uplândia. Com a idade de sete anos, afirmou ter tido uma visão de Nossa Senhora e, aos dez, como resultado de um sermão sobre a Paixão e Morte de Nosso Senhor, sonhou com Jesus Cristo, convertendo a Paixão de Cristo em centro de sua vida espiritual. Antes de completar quatorze anos, contraiu matrimônio com Ulf, com quem teve vida feliz por vinte e oito anos, e com quem teve quatro filhos e quatro filhas, uma das quais é venerada com o nome da Santa Catarina da Suécia. Em 1355, foi chamada pela corte do rei Magno II para converter-se em dama de honra da rainha Branca de Namur.
     Uma penosa doença deixou seu marido de cama por longo período. Após as orações de Brígida, ele recobrou a saúde, por isso ambos prometeram consagrar-se a Deus na vida religiosa. Conforme parece, Ulf morreu em 1344, no mosteiro Cistercense de Alvastra, antes de pôr em obra seu propósito. Brígida, por sua vez, ficou quatro anos mais neste convento, dedicada à penitência e à oração.
     As visões e revelações de Santa Brígida se referiam aos assuntos mais polêmicos de sua época e muitos reconhecem que, graças a essas visões, obtiveram alguns acordos de paz e estabeleceram relações políticas entre os estados, dentre outras coisas. Essas visões foram escritas em latim pelo prior do mosteiro, Pedro de Skninge, que foi o único a quem a Brígida confiava com exatidão suas visões divinas, em qualidade de confessor.
     Segundo Brígida, por revelação divina, fundou-se em Vadstena um mosteiro e, mais adiante, a Ordem do Santíssimo Salvador. Seu ministério apostólico compreendeu sua austeridade, sua devoção e peregrinação aos santuários, sua severidade consigo e sua bondade com o próximo e sua entrega total aos cuidados dos pobres e doentes.
     Em 23 de julho de 1373, Santa Brígida faleceu aos setenta e um anos, em mãos de seu fiel confessor. Foi canonizada a 7 de outubro de 1391 por Bonifácio IX. É venerada como a padroeira da Suécia. Sua festa litúrgica é comemorada em 23 de julho.
Infância
     Santa Brígida nasceu por volta de 1303, segundo uma tradição antiga, em Norrtälje, na província de Uppland. Finsta era a residência da família Finsta, e pertenceu durante certo tempo (porém não na época do nascimento de Brígida) a seu pai Birger Persson. Seu pai era juiz de Uppland, e seu avô paterno, seu avô materno e seu irmão também exerceram essa profissão. Seu esposo também viria a ser juiz, tendo um filho que passaria a exercer a mesma atividade. Seu avô materno era primo de Magnus Ladulás, de modo que Brígida tinha parentesco com a família real sueca.
     A "gruta das orações" (construída no século XX) está sempre aberta a visitantes. Segundo a tradição, foi lá em que apareceu pela primeira vez Santa Brígida. Nas proximidades de Finsta, se encontra a igreja de Skederid (do século XIII), o templo frequentado por Brígida na infância.
Vida
     Desde criança Brígida tinha visões. Uma vez viu a Virgem Maria colocar em sua cabeça uma coroa. Em outra ocasião, viu diante dela Jesus Cristo torturado e morto na cruz. Esses dois temas, a profunda devoção a Maria e as meditações sobre o sofrimento de Cristo, marcariam toda a vida de Santa Brígida.
     Brígida ficou órfã de mãe quando tinha cerca de 10 anos de idade. Seu pai, se considerando incapaz de prover educação compatível com a de uma menina de sua condição social, a enviou para a casa da cunhada Catarina Bengtsdotter, em Aspanäs, próxima ao Lago Sommen, em Östergötland.
     Alguns anos mais tarde, quando Brígida tinha 13 anos, foi dada em matrimônio contra sua vontade a Ulf Gudmarsson. Foi mãe de oito crianças, entre elas Santa Catarina da Suécia.
     A devoção de Brígida também influenciou seu marido. Entre outras viagens, o casal realizou peregrinações a Nídaros (atual Trondheim) e a Santiago de Compostela. A caminho da Espanha, na cidade francesa de Arras, Ulf adoeceu. Quando se temia o pior, o santo francês São Dionísio apareceu ante Brígida e lhe prometeu que seu marido não morreria nessa ocasião. De volta a Suécia, Brígida e o marido se estabeleceram junto ao convento de Alvastra, onde Ulf faleceu em 1344, aproximadamente.
     Após a morte de Ulf, Brígida repartiu seus bens entre os herdeiros e os pobres, passando a viver de maneira simples nas imediações do convento de Alvastra. Nessa época, suas visões se tornaram mais numerosas, formando a maior parte das aparições que Brígida vivenciou até sua partida para Roma. Foi durante elas que Brígida recebeu a missão de levar mensagens a políticos e líderes religiosos.
     Brígida viajou a Roma no ano de 1349 com o propósito de tomar parte na celebração do jubileu de 1350, e para obter permissão do Papa para fundar uma nova Ordem religiosa. Entretanto, na ocasião o Papa residia em Avignon e, além disso, a Igreja havia proibido o estabelecimento de mais ordens. A ausência do Papa desanimou Brígida, que havia tido uma visão na qual encontraria o Papa e o Imperador quando chegasse a Roma.
     Em Roma, residiu primeiramente próximo da Basílica de São Lourenço. Foi testemunha do decaimento espiritual da cidade após a partida do Papa. Durante sua estadia na cidade, escreveu cartas ao Papa, onde lhe suplicava que regressasse a Roma, e se dedicou a visitar as igrejas que continham túmulos de santos. Nas Igreja de São Lourenço de Panisperna, na colina de Viminale, pediu aos transeuntes esmolas para os necessitados. Também aproveitou para viajar em peregrinação aos santuários de Assis, à Nápoles e ao sul da Itália.
     Em 1368, o Papa Urbano V regressou a Roma e, em 21 de outubro recebeu o Imperador Carlos IV. Então Brígida pôde entregar as regras de sua ordem ao Papa, que se encarregaria de examiná-las. As regras foram aceitas com várias revisões e grandes mudanças com as quais Brígida provavelmente não concordava. Além disso, o Papa tomou a decisão de deixar novamente a Itália por motivos de segurança, situação com a qual Brígida também não estava de acordo. Ela profetizou que o Papa receberia um forte golpe de Deus e após dois meses do regresso a Avignon Urbano faleceu.
     Em 1371, quando tinha aproximadamente 68 anos, Brígida realizou uma viagem à Terra Santa, com um itinerário que passaria por Nápoles e Chipre. Em Nápoles, faleceu seu filho Carlos Ulvsson, o que lhe acarretou grandes preocupações. Brígida teve, então, outra aparição que lhe garantiu o perdão divino a seu filho, que agradeceu as orações e lágrimas de sua mãe.
     Quando voltou à Roma, no verão de 1373, uma enfermidade a debilitou e Brígida faleceu no que é hoje a Praça Farnese. De acordo com sua própria vontade, seus restos mortais foram transladados para a Suécia, especificamente para o convento de Vadstena, após haverem sido enterrados na igreja romana de São Lourenço em Panisperna.
     Em 1377, por ordem do Bispo Alfonso Pecha de Vadaterra, amigo e confessor de Brígida, saiu à luz a primeira edição de suas Aparições celestiais. Em 1378, foi ao fim outra aprovação sobre as regras da ordem religiosa de Brígida, e em 1384 se consagrou o convento de Vadstena.
     O processo de canonização de Brígida começou em 1377 e terminou em 1391. Em 1999, Santa Brígida foi elevada, junto com Santa Catarina de Siena e Santa Teresa Benedita da Cruz, à copatrona da Europa.
     A ordem de Santa Brígida perdura até nossos dias, sob o nome de Ordem do Santo Salvador (Ordo Sancti Salvatoris), chamada comumente de Ordem Brigidina. Os restos de Santa Brígida se encontram no convento de Vadstena. O edifício onde a Santa viveu em Roma, a Casa de Santa Brígida, contém um templo, um convento e um albergue.