quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Beata Eustoquia Bellini, Virgem beneditina - 13 de fevereiro

     Seu nascimento não foi legítimo: Lucrecia Bellini nasceu em Pádua, em 1444, de uma freira do mosteiro beneditino de São Prosdócimo e de Bartolomeu Bellini. Com quatro anos o demônio tomou posse de seu corpo, sem tolher-lhe o uso da razão, atormentando-a praticamente por toda a sua vida.
     Aos sete anos foi confiada aos monges de São Prosdócimo, que administravam no mosteiro uma espécie de internato. A conduta da comunidade não era exatamente exemplar, mas Lucrecia às diversões mundanas preferia o retiro, o trabalho e a oração; era muito devota de Nossa Senhora, de São Jerônimo e de São Lucas.
     Em 1460 o Bispo Jacopo Zeno, após a morte da abadessa, tentou impor uma maior disciplina no mosteiro, mas tanto as monjas como as pensionistas voltaram para suas casas, só permanecendo Lucrecia Bellini. Em substituição, vieram as monjas beneditinas do convento de Santa Maria da Misericórdia, sob a orientação da abadessa Justina de Lazzara.
     Lucrécia, então com 18 anos, pediu para entrar naquela Ordem e, em 15 de janeiro de 1461, recebeu o negro hábito beneditino tomando o nome de Eustoquia.
     O demônio, que por algum tempo a havia deixado em paz, voltou de novo ao seu corpo, obrigando-a a fazer atos contrários à Regra, fazendo-a agir em atos tão barulhentos e violentos, que as Irmãs ficavam aterrorizadas e tiveram que amarrá-la por vários dias a uma coluna.
     Mas a paz durou pouco, depois que Eustoquia foi libertada a abadessa adoeceu de uma doença estranha e ela foi culpada, quase a consideravam uma hipócrita bruxa; foi trancada em uma prisão durante três meses a pão e água.
     Mas todas essas provas não acovardaram a noviça e aos que lhe diziam para voltar ao mundo ou mudar de mosteiro, respondia que todas as tribulações eram bem aceitas e destinadas a expiar a culpa da qual ela nascera, ali mesmo onde foi cometida; em sua solidão se consolava na recitação do Rosário ou da coroa de Salmos e de orações por ela compostas.
     Uma vez libertada, ela voltou a ser atormentado pelo diabo com flagelações, vômitos incontroláveis ​​e outros sofrimentos estranhos que ela suportava com grande paciência, o que convenceu as Irmãs de suas virtudes. Finalmente, em 25 de março de 1465, foi admitida à profissão solene e, como era o costume da época, dois anos depois lhe foi dado o véu negro da Ordem Beneditina.
     Sua vida não foi muito longa. Ela tinha sido muito bonita, mas as possessões diabólicas, as doenças e as penitências a tinham reduzido a um esqueleto vivo; os últimos anos da sua vida foram passados ​​principalmente na cama, doente, absorta em oração e meditação sobre a Paixão de Jesus.
      Morreu no dia 13 de fevereiro de 1469 com a idade de 25 anos; o seu fim foi tão sereno, que seu rosto pode recuperar a sua beleza antiga; algumas horas antes o demônio finalmente a tinha deixado em paz.
     Eustóquia é o único exemplo conhecido de uma fiel que chegou à santidade embora ao longo de sua vida estivesse possuída pelo demônio. Quatro anos após sua morte, seu corpo foi exumado do túmulo original, o qual começou a encher-se de água puríssima e milagrosa, que deixou de surgir apenas quando o mosteiro foi suprimido.
     Em 1475 o corpo foi levado para a igreja, e desde 1720 foi colocado em uma arca de cristal. O mosteiro de São Prosdócimo foi supreso em 1806 e o corpo da Beata beneditina foi transferido para a Igreja de São Pedro, sempre em Pádua. Sobre o altar de mármore que contém o seu corpo, se encontra o retábulo de Guglielmi representando a Beata enquanto pisa o demônio.
     Em 1760, o Papa Clemente XIII, que já fora Bispo de Pádua, confirmou o seu culto na cidade de Pádua e, em seguida, em 1767, estendeu-o a todos os Estados da República Vêneta.
     Sua festa religiosa, ainda hoje comemorada em toda a diocese de Pádua, é no dia 13 de fevereiro.

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