quarta-feira, 3 de abril de 2013

Santa Catarina de Palma, Virgem - 5 de abril

    
Catarina Thomas, que nasceu no povoado de Valdemuzza e morreu em Palma, passou toda sua vida na Ilha de Mayorca (Baleares). Ela veio à luz no dia 1 de maio de 1531; seu pai, de nome Joaquim, era um modesto camponês, mas em sua casa se respirava uma fé simples e profunda.

     Como não tinha a coroa do Rosário, aprendeu a rezar a Ave-Maria contando as folhas de um raminho de oliveira. Estava habituada a andar descalça mesmo sobre os cardos espinhosos, pois a tinham ensinado que dos pequenos ferimentos se podia aprender o significado do sofrimento. Tinha como protetora especial a santa virgem e mártir que tinha seu nome. Seus pais morreram quando a menina tinha somente sete anos, sem deixar-lhe nada de herança. Contam-se coisas muito tristes sobre os maus tratos que ela sofria na casa de um tio paterno, aos cuidados de quem tinha ficado. Era praticamente uma escrava, pois até mesmo os criados a sobrecarregavam de trabalhos. Catarina tudo suportou com paciência invencível e mansidão.
     Como a igreja ficava distante, ela só a podia frequentá-la aos domingos e por isso construía pequenos altares aos pés das oliveiras e assim, na solidão dos campos, enquanto apascentava os animais, as suas orações eram intensas.
     Quando tinha uns quinze anos, as aparições de Santo Antônio e de sua patrona Santa Catarina despertaram nela a vocação religiosa. A jovem confiou seus desejos a um santo ermitão, o Pe. Antônio Castañeda (1507-1583), do Colégio de Miramar. Era um ótimo sacerdote, que viveu por quarenta anos no Eremitério da Ssma. Trindade de Mayorca. Para provar sua vocação, o ermitão lhe disse que continuasse encomendando o assunto a Deus, e que ele o faria também até obter a resposta do céu. Catarina obedeceu, porém teve que esperar muito tempo; a espera se tornou maior quando o tio, receoso de se privar de seus serviços, passou a maltratá-la mais do que antes.
     O Pe. Antônio, entretanto, não a esquecera, apesar de ser difícil encontrar em um convento um lugar para uma jovem sem dote. Inicialmente, o Pe. Antônio conseguiu que Catarina fosse trabalhar em casa de  uma família de Palma, onde sua vida espiritual não encontraria nenhuma oposição. A filha da casa a ensinou a ler e a escrever; mas em questões de vida espiritual se converteu em discípula de Catarina, pois esta havia avançado muito no caminho da perfeição.
     Vários conventos abriram suas portas para Catarina e a jovem decidiu ingressar no mosteiro de Santa Maria Madalena de Palma, das Cônegas Regulares de Santo Agostinho, que a acolheram em 1553 como religiosa do coro. Tinha então vinte anos. Desde o primeiro momento, ganhou o respeito de todos por sua santidade, humildade e seu desejo de ser útil aos demais.
     Professou os votos religiosos em 24 de agosto de 1555. Durante algum tempo Catarina não se distinguia em nada das outras fervorosas noviças, porém logo foi objeto de uma série de fenômenos extraordinários que são relatados em sua vida.
     Todos os anos, algumas semanas antes da festa de Santa Catarina de Alexandria, ela entrava em um profundo êxtase. Imediatamente depois de comungar, lhe sobrevinha uma espécie de êxtase que durava boa parte do dia, e às vezes vários dias e até semanas.  Outras vezes, era um estado em que desaparecia todo sinal de vida. A santa também tinha o dom de profecia.
     A santa sofreu provas tremendas e assaltos do demônio. O demônio lhe sugeria maus pensamentos, alarmantes alucinações e ataques materiais. Em tais ocasiões, as Irmãs ouviam gritos e ruídos horríveis e observavam os efeitos dos ataques na santa, porém não viam o demônio e tinham que se contentar em aliviar os sofrimentos de Catarina. A santa procurou sempre que isto não a impedisse de cumprir os seus deveres.
     A fama dos fenômenos ultrapassaram os muros do mosteiro. Começaram a visitá-la, inclusive o Bispo de Mayorca, Mons. João Batista Campeggio, que muitas vezes pedia seus conselhos. Diante da popularidade que começava a circundá-la, Irmã Catarina apesar de não querer se apresentar aos visitantes, o fazia por obediência.
     Tinha grande devoção pela Paixão de Cristo e não podia meditá-la sem derramar lágrimas onde estivesse: na cela, no coro, no refeitório. Grande amor também tinha pela Eucaristia e sempre que podia ia visitar o Tabernáculo.
     A fama de sua santidade se difundiu por toda ilha e também na Espanha, porque Irmã Catarina tinha o dom dos milagres. Além de rezar pelos pecadores e pelos defuntos, seus pensamentos eram pela Igreja, então passando pela cisão protestante e a Cristandade enfrentava o perigo da invasão turca.
     Sua morte, que ela mesma havia predito, ocorreu quando tinha somente 41 anos de idade. Foi beatificada em 1792 e canonizada em 1930.  O corpo de Santa Rina, como é chamada popularmente, repousa na capela do Mosteiro de Palma de Mayorca.

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