terça-feira, 24 de setembro de 2013

Santa Tecla de Icônio, Virgem e Mártir - 23 de setembro


     Não houve nome mais célebre na Antiguidade cristã; dizer duma mulher que era outra Tecla era reconhecer-lhe as mais elevadas virtudes. Assim se exprimiam São Jerônimo para louvar Santa Melânia e São Gregório Nazianzeno para exaltar a santidade de Santa Macrina, sua irmã.
     As informações que a respeito de Santa Tecla se encontram nos antigos Padres são tiradas das Actas de Paulo e Tecla, documento apócrifo do 2º século, que já Santo Agostinho afirmava ter sido interpolado e falsificado.
     Convertida por São Paulo, Tecla viveu durante algum tempo em Icônio (na atual Turquia). Sofreu muitas tribulações para se conservar fiel à fé e ao voto de virgindade que tinha pronunciado, e acabou tranquilamente a vida em Selêucia, onde o seu túmulo foi venerado desde o século IV.
     Nada mais se sabe ao certo desta virgem ilustre, venerada tanto na Igreja Grega como na Romana, exaltada por Santo Epifânio, São João Crisóstomo, São Metódio de Olimpo e Santo Ambrósio, a qual era invocada pela liturgia, à cabeceira dos moribundos, na seguinte oração:

     “Senhor, que livraste a bem-aventurada Tecla, virgem e mártir, de três tormentos cruéis, nós Vos suplicamos que na vossa bondade Vos digneis libertar esta alma e conceder-lhe a graça de gozar convosco dos bens celestiais. Amém”. 

     Os três tormentos mencionados nesta prece são: a fogueira, os leões, e as serpentes, aos quais, segundo dizem as Actas de Paulo, Tecla foi condenada e que não lhe causaram qualquer mal. Diz-se que a deixaram finalmente morrer em paz ao terminar o século I.
     Santa Tecla é invocada pelos fieis como a padroeira dos agonizantes e é também solicitada para interceder por eles contra os males da vista. A Igreja confirmou o seu culto pela tradição dos fiéis e manteve o dia em que tradicionalmente a sua festa é realizada.
 
Fonte: Santos de cada dia, Pe. José Leite, S.J. Editorial A. O. – Braga.
 
Etimologia: Tecla, do grego Thékla, abreviação de Theókleia: "glória (kleia) de Deus (theós). O nome é ainda muito usado principalmente nos países de língua alemã.
 
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O Estado de S. Paulo, domingo, 8 de setembro de 2013
Forças leais a Assad e insurgentes disputam enclave cristão            Lourival Santanna

Beirute — Três dias depois de uma ousada incursão conjunta do Exército Sírio Livre (ESL) e do Movimento Islâmico Homens Livres do Levante (Harakat Ahrar ash-Sham al-Islami) no vilarejo cristão de Maaloula, 50 quilômetros a nordeste de Damasco, tropas leais ao governo e insurgentes travavam ontem intensa batalha na área, de acordo com o Observatório Sírio de Direitos Humanos, ligado à oposição.
Uma freira do Convento de Santa Tecla, em Maaloula, onde ainda se fala o aramaico, a língua de Jesus, disse pelo telefone à Associated Press que os invasores andaram na quarta-feira pelas ruas da cidade gritando em um megafone: “Aqueles que quiserem continuar vivos, convertam-se ao Islã”. Ela contou que a população estava aterrorizada: “É a primeira vez que nos atacam”.
As particularidades dessa incursão podem dificultar a campanha de Obama para angariar apoio no Congresso americano e entre países aliados para uma ação militar contra o regime Assad. A dificuldade de distinguir extremistas islâmicos dos combatentes seculares tem sido um argumento, no Ocidente, contra a ajuda aos insurgentes sírios.
Alguns observadores da guerra civil na Síria afirmam que o Ahrat ash-Sham tem se tornado um dos maiores e mais fortes grupos combatentes no país. Em seus primeiros comunicados, o grupo afirmou que seu objetivo de longo prazo é a imposição dos preceitos islâmicos no país, mas que entendia que a população síria não estava “preparada para isso”.
Maaloula é um local de peregrinação cristã. Nela estão, segundo a tradição, os restos de Santa Tecla, discípula de São Paulo e considerada uma das primeiras mártires do cristianismo. Condenada à fogueira por aderir ao cristianismo e ao celibato pregado por São Paulo, ela chegou ao local fugindo de soldados romanos. Segundo a tradição, Tecla se viu encurralada pela montanha, e Deus abriu o desfiladeiro, para facilitar sua fuga. Ironicamente, muitos dos 5 mil moradores cristãos de Maaloula têm fugido do vale, temendo a perseguição dos radicais islâmicos.
Na ocupação de Qusair, no oeste da Síria, com participação da Frente Nusra, no primeiro semestre, todas as imagens cristãs foram destruídas, e as paredes das igrejas, pichadas com frases em favor do Islã e contra o cristianismo.
 
 

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