domingo, 31 de agosto de 2014

Santa Verena de Zurzach - 1 de setembro

    
     Há duas Vite que narram a trajetória terrena de Santa Verana: uma escrita por volta de 888 e outra de 1005. Há também o Miracula s. Verenæ de 1010, que descreve a veneração dedicada a Santa Verena no século X, com peregrinações ao seu túmulo de Zurzach.
     Segundo a narrativa contida no capítulo 3º da Vita prior, Verena nasceu em uma estimada família de Tebas, no Egito. Os pais devem tê-la confiado, para ser batizada e para sua formação cristã, ao idoso bispo Queremone de Nilópolis. Este bispo devia ser conhecido do autor da Vita prior, o abade da Abadia de Reichenau, Hatto I (cerca do ano 888), uma vez que fora citado por Eusébio de Cesareia.
     Após a morte do Queremone, Verena foi transferida com outros cristãos para o Baixo Egito, onde os imperadores Diocleciano e Maximiano procuravam por novos soldados e haviam fundado com eles uma nova legião tebana.
     No capítulo 4º da Vita prior é dito que ela chegou à Milão acompanhando esta legião. Ali ela permaneceu por algum tempo procurando pelo cárcere dos legionários. Assim que soube da morte dos legionários, se pôs a caminho de Agaunum (atual Saint-Maurice, na Suíça). Em várias legendas hagiográficas é relatado que Verena deu sepultura aos mártires da Legião Tebana (a famosa legião de São Maurício).
     Segundo o 4º capítulo da Vita prior ela teria chegado a Solodorum, estabelecendo-se perto de um varão santo. Naquele local passava os dias em jejuns, orações e recitando os Salmos. Em uma parte deste capítulo o autor descreve que ela se comportava como uma verdadeira virgem cristã. Este capítulo termina com a informação de que Verena se fez enclausurar em um local augusto.
     A sua ligação com a Legião Tebana, cuja existência histórica é controvertida, pode ter sido obra do autor da Vita, devido ao grande culto dedicado naquele tempo àquela Legião. Era uso no tempo dos romanos que as esposas e os filhos dos militares fossem acompanhando as legiões. Segundo Speidel há sinais de uma legião, cujo nome era Tebas, já antes do ano 300, como também há noticias da existência de casas para virgens cristãs já no século III.
     Em uma gruta, chamada por ela mesma “Cova de Verena”, a jovem provia sua subsistência vendendo objetos feitos por ela manualmente. Segundo a legenda, Verena curava cegos e possuídos. Por isso os alemães se converteram ao Cristianismo e se fizeram batizar por um padre vindo da Itália. No capítulo VIII da Vita lemos que Verena atraiu para junto de si outras virgens. Em outro texto o autor descreve ainda mais detalhadamente a vida cristã de uma virgem dedicada a Deus.
     Como Venera atraia muita gente, ela foi aprisionada por um tirano romano. No capítulo IX, lemos que uma noite lhe apareceu um jovem que se revelou ser São Mauricio e a consolou. Quando o tirano romano foi acometido por uma febre, a fez chamar para que o curasse. Após curá-lo, Verena foi libertada e pode voltar para junto de suas amigas. O aprisionamento de Verena pode ter ocorrido durante a vigência do edito de perseguição de 303 expedido por Diocleciano e Maximiano.
     No capítulo XI está descrito o primeiro milagre: quando faltou o pão, Verena se voltou para Deus para pedir ajuda; inesperadamente, 40 sacos de farinha foram encontrados na cela.
    No início da Vita Posterior está escrito que a fama de Verena cresceu mais, o que a fez se transferir para uma ilha.
     Na ilha do Reno também chegaram numerosos doentes, cegos e estropiados para serem curados por Verena. No capítulo III da Vita Posterior vem descrito como uma mulher procurou ajuda com seu filho cego e estropiado. Verena se deitou sobre o solo com os braços em cruz e pediu o auxílio de Deus. O filho voltou curado para casa. A descrição da oração de Verena lembra muito a forma medieval de rezar.
     Escavações arqueológicas e fontes escritas provam que desde o século V se recorria a Santa Verena para obter graças. Ainda hoje a cripta do Mosteiro de Santa Verena de Zurzach é um local visitado por peregrinos. Por volta do ano 1010, um monge de Zurzach escreveu um livro sobre os milagres de Santa Verena ocorridos durante as peregrinações (o Miracula s. Verenæ).
     Em 1795, um incêndio atingiu Coblenza e muitas casas e igrejas foram danificadas. Somente uma imagem de Verena em madeira ficou intacta. Até hoje há muitas histórias e relatos de milagres, como o da fonte termal com que Santa Verena presenteou os habitantes de Zurzach e a intercessão da Santa pelas pessoas doentes.
     A popularidade de Santa Verena se manifesta também pelas numerosas representações artísticas. Ela é frequentemente representada com o avental e o cântaro.
    Santa Venera é celebrada no dia 1º de setembro, dia em que é grande a afluência de peregrinos a Zurzach para participar da Santa Missa em honra de Verena.
 
Etimologia: Verena, do latim verenna, em vez de verenda: “que é digna de veneração”. Ou do germânico Verana, talvez cognato do latim vera: “verdadeira”.

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