segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Beata Clara Agolanti de Rimini, Clarissa penitente - 10 de fevereiro

    
     Clara nasceu em 1280, foi educada por seu pai, Onosdeo, no cultivo de um carácter forte, quase masculino, e intolerante a qualquer submissão Passou sua adolescência entre cavalos e torneios, rebelde nas práticas religiosas que sua mãe Gaudiana tentava inculcar-lhe. Morta a mãe quando ela contava apenas sete anos de idade, seu pai tornou a se casar e ela ficou ainda mais independente.
     Bem jovem casou-se com o filho de sua madrasta, porém ficou viúva três anos depois, herdando uma imensa fortuna. Durante oito anos continuou se entregando a festas, justas de cavalaria, banquetes, com uma vida frívola e mundana, dando lugar a escândalos e péssimos falatórios na cidade.
     Seu pai e seu irmão morreram no mesmo dia, enquanto estavam em guerra com os Malatesta, rivais pelo domínio na zona de Rimini. Deste modo todas as riquezas da família Agolanti se concentraram nas mãos da jovem viúva. Nem mesmo esse duplo luto a tirou da vida dissipada. Foi pedida em casamento por um nobre que levava uma vida relaxada e ela aceitou com a condição de que pudesse manter o mesmo estilo de vida.
     Aos 34 anos, um fato insólito: um dia, uma força misteriosa, mas irresistível, a obriga a entrar na igreja dos Padres Conventuais, Santa Maria em Trivio, e a rezar um Pai Nosso, que tem o poder de mudar-lhe a vida: pela primeira vez ela se sentiu perturbada e agitada. Voltou para casa, se fechou em seu quarto, onde caiu no chão num mar de lágrimas de arrependimento, e decidiu mudar de vida.
     No dia seguinte, depois de uma noite insone, foi à mesma igreja, onde fez uma confissão geral, e a partir desse momento começou uma vida de piedade, boas obras e penitência, convertendo inclusive o marido, que morreu dois anos depois de modo cristão.
     Então Clara não pôs limites às suas penitências, que se tornaram terríveis, animada de um desejo de expiação que a devorava. Com suas imensas riquezas começou a ajudar a todas as misérias materiais e morais; deu dote e apoio a todas as jovens pobres que desejavam se casar.
     Algumas mulheres de grande fervor se reuniram a ela dispostas a levar uma vida de reclusão e penitência. Clara então fundou um pequeno mosteiro chamado Santa Maria dos Anjos – mais tarde conhecido como de Santa Clara. Obteve a bênção do Bispo de Rimini, Guido Abasi, indo em seguida à Catedral para emitir os votos religiosos, de acordo com a Regra de Santa Clara de Assis.
     Viveu uma dezena de anos como superiora, intensificando os sacrifícios e a contemplação da Paixão de Cristo. O Senhor lhe concedeu o dom de graças místicas elevadíssimas, com êxtases tão profundos, que nenhuma força humana podia deter, e só se recuperava se era levada diante do Santíssimo Sacramento.
     No dia 10 de fevereiro de 1326, Clara morreu aos 46 anos, consumida pela penitência e pela contemplação, e seu corpo descansa na igreja do mosteiro. Seu culto “de tempo imemorial” foi confirmado pelo papa Pio VI em 1784.
     Sua vida é contada em um manuscrito em italiano vulgar, tingido de formas dialetais da Romagna do final do século XV, ainda preservado em Rimini. A legenda foi captada nas suas dobras mais sutis por Jacques Dalarun em um livro de uma força narrativa cativante, Santa e rebelde, que desmonta e monta tempos, espaços, eventos da jornada terrena da Beata.
 
Fonte: www.santiebeati/it

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