quarta-feira, 6 de julho de 2011

Beata Maria Teresa Ledòchowska, Fundadora - Festejada 6 de julho

Fundadora das Missionárias de São Pedro Claver em 1894. Percorreu a Europa inteira e foi capaz de comprometer e sensibilizar para nesta obra a ricos e pobres, livre pen­sadores e fieis, autorida­des religiosas e civis. Sua palavra e sua pena não se detiveram nem diante dos fracassos nem dos triunfos.
 
A Beata aos 16 anos
     Nasceu no dia 29 de abril de 1863 em Loosdorf, Áustria, filha primogênita do Conde polonês Anto­nio Ledóchowski e da Condessa suíça Josefina Salis-Zizers. Teve uma educação muito esmerada e aristocrática. Seu am­biente familiar foi piedoso. A irmã mais nova, Julia, conhecida com o nome de Úrsula († 1939) anos mais tarde, em 1921, fundou as Ursulinas do Sagrado Coração de Jesus Agonizante, e depois foi canonizada pela Igreja. Outro seu irmão, o Padre Vladimir († 1942) foi o vigésimo sexto Geral da Companhia de Jesus.
     Maria Teresa se tornou uma requintada fidalga, muito culta e fluente em vários idiomas. Em 1882 se transladou com seus pais para Lipnica, próximo de Cracóvia (Polônia) onde continuou a cultivar as belas artes e a letras, tendo estudado com as Damas Inglesas.
     Inscreveu-se na Congregação Mariana e por um certo tempo ajudou o pai doente na administração do patrimônio. Seu pai faleceu em 1885 vitimado pela varíola, que também a acometeu, causando-lhe muito sofrimento. Deus permitia tais sofrimentos para que ela pudesse refletir sobre a vida frívola que levava e a vaidade das coisas. Segundo a irmã, Júlia, naquele tempo se consagrou a Deus com o voto de virgindade.
     Aos vinte e dois anos, em 1885, para não ser um peso para a família, que enfrentava dificuldades econômicas, com o consentimento do tio, o Cardeal Miecislao Ledóchowski († 1902), obteve ser nomeada dama de honra da Grã-duquesa da Toscana, Alicia de Bourbon e Parma, que tinha residência na corte austríaca, no palácio imperial de Salzburg. A grã-duquesa não dispensava sua presença alegre e brilhante, e a estimava muito.
     Todo o tempo que permaneceu na corte, embora tendo que tomar parte em festas, bailes e caçadas, manteve um comportamento sério, freqüentava a missa diariamente e comungava com freqüência. Sob a orientação do Padre Ralf, o.f.m., confessor da grã-duquesa e seu, se inscreveu na Ordem Terceira Franciscana e, dentro do espírito da Ordem, cultivou uma devoção especial pela Paixão do Senhor e lia livros devotos.
     Certa ocasião foi apresentada às Irmãs Missionárias Franciscanas de Maria, que tinham encontro com a grã-duquesa. Logo em seguida recebeu um impresso de uma conferência do Cardeal Lavigèrie, narrando seu árduo trabalho para libertar os escravos da África e pedindo missionárias para ajudá-lo na evangelização. Penalizada com a situação dos escravos, Maria Teresa sentiu o chamado de Deus e abraçou aquela causa.
     Em 1888 conheceu o Cardeal Lavigèrie, Arcebispo de Argel, que fundara, em 1868, a Sociedade dos Padres Brancos, para a evangelização da África e, em 1890, a Sociedade anti-escravagista. Desde então se dedicou à luta contra a escravidão na África.
     Em 1889, influenciada por Lavigèrie, fundou a revista "O Eco da África" e organizou uma imprensa para editar publi­cações religiosas missionárias.
     Em 1891 abandonou a corte, apesar da desaprovação de quase todos os amigos, e ingressou para a vida religiosa, sob a direção espiritual dos Jesuítas. Depois a ela se juntaram Melania von Ernest e outras religiosas corajosas.
     Durante alguns anos sofreu dificuldades econômicas, mas as suportou pacientemente por amor de Deus. Para viver se servia de uma exígua prebenda concedida pela imperatriz em 1890. Seu finíssimo enxoval doou-o para as missões; suas roupas de seda foram transformadas em paramentos sagrados; colocou no dedo um simples anel de ferro.
     Em 29 de abril de 1894, Leão XIII a recebeu em audiên­cia e abençoou sua idéia de fundar um Institu­to missionário para lutar contra a escra­vidão na África. Entregou-se totalmente a esta obra. Assim, fundou o Instituto das Irmãs Missionárias de São Pedro Claver, ou melhor, das Irmãs Claverianas, para dar apoio e orientação às missões africanas. Concebeu um núcleo de Irmãs consagradas, outro de membros externos com promessa de serviço às missões de África e outro de zeladores dispostos a colaborar em tudo que a obra das missionárias precisasse.
     Seu Instituto foi aprovado em 8 de abril de 1897 pelo bispo de Salzburg, o Cardeal João Haller.
     Recrutou adeptas em Viena, Estalingrado e em diversos lugares. Realizou viagens promovendo a obra: Viena, Paris, Cracóvia, Breslava, Praga, Ins­bruck, Bolzano, Trieste... Sua mensagem entusiasmada cativava as pessoas que a escutavam.
     Ela estava tão convencida de cumprir a vontade de Deus, que um dia confidenciou a Mons. Ugo Mioni († 1935), seu colaborador por trinta anos em Trieste: “Se a Igreja julgasse oportuno dissolver o meu Instituto, eu me resignaria no mesmo instante, mas suplicaria ao Santo Padre que me permitisse começar de novo”.
     Em 1899, a Beata obteve o decreto da Sagrada Congregação de Propaganda da Fé; em 10 de junho de 1904, obteve de São Pio X que Nossa Senhora do Bom Conselho e São Pedro Claver, apóstolo dos negros, fossem proclamados patronos do Instituto. No dia 7 de março de 1910, obteve a aprovação definitiva do Instituto e das constituições elaboradas por ela com a ajuda de um jesuíta da Sagrada Congregação dos Religiosos.
     Em 1901 adoeceu e teve que se transladar para Roma, na casa adquirida como sede central do Instituto. Sua vida ficou centralizada em dirigir as obras missionárias que iam surgindo.
     Maria Teresa, sempre brilhante e ativa, sabia que precisava divulgar muito mais aquela obra. Rezou muito e, inspirada pela Mãe de Deus, fundou em 1908 uma tipografia e passou a publicar dois boletins missionários mensais: o "Eco da África", direcionado para os adultos, e o "Juventude Africana", especial para os jovens, ambos editados em nove idiomas europeus. Ela mesma escrevia os artigos e apelos para difundir a idéia missionária. Logo passou a participar conferências em diversas línguas e paises. Foram centenas e centenas até sua morte.
     Em 1909 iniciou o Almanaque missionário, que pratica­mente circulava por toda a Europa. O Instituto se tornava cada vez mais inter­na­cional e a Fundadora animava as diver­sas ativida­des para promo­ver o amor às missões e para recolher do­nativos.
     Sua incansável dedicação frutificou e pode enviar aos missionários da África milhões em dinheiro, numerosos objetos sagrados, além de milhares de livros impressos em línguas indígenas africanas, utilizados para a catequização e alfabetização dos nativos.
     De toda parte vinham elogios a sua obra, mas ela dizia a Mons. Mioni: “Sou um instrumento inútil nas mãos do Senhor; não admirem a granada que estoura bem”. A Beata confidenciava as suas colaboradoras: “Oh, como Deus me ajuda!”
     No processo canônico, Mons. Mioni atestou: "Embora tendo uma alma de artista, nas longas viagens não mais podia ela visitar um monumento, uma obra de arte, nem museus, nem artísticas igrejas. Nestas ela entrava somente para rezar”. Toda a vida de Madre Teresa não foi senão trabalho e oração. Antes mesmo do decreto de São Paio X sobre a comunhão diária (1905), ela comungava diariamente e exortava suas filhas a fazer o mesmo. Era fiel à confissão semanal.
     Ao aceitar e admitir postulantes e noviças, a Beata reparava se elas demonstravam zelo pelas missões e tinham espírito de humildade. Nas suas casas o ócio era desconhecido, mas a nenhuma Irmã eram impostos trabalhos excessivos que fossem danosos a saúde. Ela dizia: “Preferiria que a casa queimasse a vê-la na discórdia”. Ao contrário das penitências corporais, recomendava o espírito de pobreza e outras mortificações da alma.
     Por ocasião do 25º aniversário da fundação do Instituto, declarou a comunidade reunida: “Se por qualquer motivo o nosso Instituto tivesse que se dissolver, o que eu faria? Eu, com a graça de Deus, começaria de novo, porque não conheço nada de mais belo e que valha a pena de ser vivido quanto trabalhar com Deus pela salvação das almas”.
     O Padre Eligio da Penne, capuchinho, confessor da comunidade afirmou: "Estou certo, pelo meu conhecimento, que ela rezava quase continuamente, apesar de suas múltiplas ocupações".
     A Beata deixou 8.000 cartas em polonês, italiano, francês, inglês e alemão, as quais atestam sua solicitude viril pelo bem espiritual das suas filhas e pelo seu progresso principalmente na virtude da obediência.
     Madre Teresa dirigiu o Instituto por vinte e oito anos, em meio às turbulências do tempo e do sacrifício pessoal, até morrer no dia 6 de julho de 1922 em Roma, na Itália. Poucos dias antes de morrer, disse a quem a assistia: “Não sei se isto é presunção, mas eu não temo a morte”. Na câmara ardente onde foi velada, o irmão, Padre Vladimir Ledóchowski, celebrou a primeira missa em seu sufrágio. Desde então, Maria Teresa, passou a ser invocada para interceder por graças e milagres, principalmente nos paises africanos, aos quais dedicou toda a sua vida de missionária.
     Paulo VI beatificou aquela que era conhecida em todo o mundo católico como a "Mãe dos Africanos" em 19 de outubro de 1975, e a declarou padroeira da Cooperação Missionária da Igreja na Polônia.
     Alem de seus artigos de revista e notas de con­ferên­cias, deixou também alguns escritos: "Minha Polônia", "Zaida, Drama missionário". Desde 1934, as suas relíquias são veneradas em Roma, na capela da casa generalícia das Missionárias de São Pedro Claver.

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