sábado, 16 de julho de 2011

Santa Maria Madalena Postel, Fundadora - Festejada 16 de julho

Santa Maria Madalena Postel estudava com suas Irmãs, a vida e a personalidade dos grandes Santos da Igreja, colocando-os como exemplos de doação e mística de vida interior. Pouquíssimo falou de si mesma.
Para ela "o silêncio era a custódia de todas as virtudes". Queria "fazer o bem, tanto quanto pudesse, mas, o mais ocultamente possível".
 
     No dia 28 de novembro de 1756, nasceu a filha primogênita do casal Postel, em Barfleur, uma vila de pescadores da Normandia, França. A criança foi batizada com o nome de Júlia Francisca Catarina.
     Júlia Postel foi aluna interna do colégio da Abadia Real das Irmãs Beneditinas, em Valognes, onde se formou professora. No início, não pensou na vida religiosa, sua preocupação era com a grande quantidade de jovens que devido à pobreza estavam condenadas à ignorância.
     De volta à sua aldeia natal, com determinação e dificuldade, ela abriu uma escola em 1774. As alunas afluem ao seu pensionato. Era solicitada sempre pelos mais infelizes: pobres, órfãos, enfermos, idosos, viúvas, que a viam como uma mãe zelosa, protetora, que não os abandonava, sempre cheia de fé em Cristo. Aos ricos pedia ajuda financeira e, quando não tinha o suficiente, ia pedir esmolas, pois a escola e as obras não podiam parar.
     Em 1789, a Revolução Francesa declarou guerra de ódio ao trono e à Igreja, dispersando o clero e reduzindo tudo a ruínas. A escola de Júlia Postel foi fechada, mas, a pedido do bispo, ela escondeu em sua casa os livros sagrados e o Santíssimo Sacramento. Ela usou o edifício para refúgio de padres fugitivos. Sob a escada da escola, ela criou uma capela secreta onde os padres “refratários” podiam dizer Missa para aqueles que recusavam reconhecer o clero “constitucional” imposto pelo Estado.
     Ela ajudava os padres e organizava as missas clandestinas. Ela mesma foi autorizada a distribuir a comunhão aos doentes. Durante os horrores da Revolução ela hospedou sacerdotes perseguidos e os ajudou a fugir para a Inglaterra.
     Após a concordata entre o Papa e Napoleão, em 1801, a paz foi restabelecida. Em 1805 ela abriu uma escola em Cherbourg com três companheiras e com a ajuda do Abade Cabart. Finalmente, em 8 de setembro de 1807, dia da festa de Nossa Senhora da Misericórdia, o bispo acolheu os seus votos religiosos, dando origem à Congregação das Filhas da Misericórdia. As religiosas pronunciaram seus votos na capela do Hospital de Cherbourg.
     No início são quatro religiosas guiadas por Júlia, que tomou o nome de Madre Maria Madalena. Esta foi a primeira de numerosas outras obras que deram origem a gerações de meninas de fé profunda e militante. Em três anos, duzentas meninas foram educadas.
     Durante algum tempo, Madre Postel e suas nove companheiras professoras enfrentaram grande pobreza, vivendo em um estábulo próximo à escola. Os primeiros anos foram de grande provação, mas ela não desistia. Várias vezes a comunidade foi forçada a se mudar, antes de se instalar em Tamerville, em 1815.
     Desde Cherbourg, as Irmãs foram expandindo para Octeville-l'Avenel, Tamerville, Valognes... O périplo terminou nas ruínas da antiga abadia beneditina de Saint-Sauveur-le-Vicomte, adquirida por Madre Postel em 1832.
     Madre Maria Madalena, junto com suas irmãs, estabeleceu-se nas ruínas de Saint-Sauveur-le-Vicomte. A mesma foi reconstruída com dificuldade e tornou-se a Casa-mãe da Congregação.
     O Instituto logo se propagou no oeste da França, e depois na Alemanha e nos Paises Baixo. E foi oficialmente aprovado em 1837.
     A formação das religiosas era voltada para o ensino escolar e baseava-se nos mesmos princípios dos Irmãos das Escolas Cristãs, já que na época era grande essa necessidade. Depois, a pedido de Roma, passaram também a servir como enfermeiras.
     Madre Maria Madalena velava pela formação de suas filhas e pela propagação de sua Congregação, insistindo sobre “a obediência até a morte”, a caridade e a vida de oração. Bem antes de sua morte ela já era venerada como santa.
     Restauradora de conventos e igrejas, sua obra-prima foram as Irmãs formadas por ela com a pedagogia do sorriso ainda quando exaustas pelos jejuns e pelas poucas horas de sono.
     Nem na morte, aos 90 anos, ela abandonou seu sorriso. Faleceu no dia 16 de julho de 1846. A fama de sua santidade logo se espalhou pelo mundo cristão.
     Foi beatificada em 1908 e canonizada pelo papa Pio XI em 1925. Está sepultada em Saint-Sauveur-le-Vicomte. Sua obra chama-se atualmente Congregação das Irmãs de Santa Maria Madalena Postel.
     Em 1937, a Congregação de Madre Postel chegou ao Brasil, onde as Irmãs assumiram trabalhos em várias regiões do país, tendo como Sede da Congregação no Brasil a Cidade de Leme, no Estado de São Paulo.
     Hoje a Congregação se encontra em quatro continentes.

A Abadia de Saint-Sauveur-le-Vicomte
 
     Abandonada pelos monges antes da Revolução Francesa, vendida como bem nacional após 1792, a abadia ficou num estado lamentável no século XIX. As gravuras mostram a abadia totalmente abandonada, privada de uma boa parte da fachada e da integridade da parede norte da nave.
     A abadia provavelmente desapareceria se Santa Maria Madalena Postel não tivesse decidido estabelecer sua comunidade nela em 1832. A restauração, impulsionada por ela a partir de 1838, foi obra do arquiteto François Halley.

Nenhum comentário:

Postar um comentário