domingo, 31 de agosto de 2014

Santa Dulcelina, patrona de Hyères - 1 de setembro

    
     Nascida em Digne (Alpes de Provença) por volta de 1214-1215, Dulcelina era filha de Bérenger e de Huguette. Após a morte de seu pai, ela foi para Hyères para ficar junto de seu irmão o futuro Bem-aventurado Hugo de Barjols. 
     A jovenzinha se tornou dona de casa exemplar e se impregnou do espírito franciscano que começara a soprar na cidade onde os Irmãos Cordeliers implantaram uma pequena comunidade. Ela dormia sobre palhas, visitava doentes, recebia e servia os pobres.
     Hugo, ele também edificado pelo ensino e pelo exemplo dos irmãos franciscanos, decidiu se colocar a serviço da Igreja. Para se tornar digno disto, ele seguiu o ensinamento dos mestres mais respeitados na Itália, em Lyon, em Paris, forjando uma sólida cultura religiosa que fez dele um conselheiro de almas reputado em toda região de Provença após ter tomado o hábito dos cordeliers em 1236. Ele se tornou o célebre Hugo de Digne (ou Hugo de Barjols) que pregou diante de São Luís IX em 1254 (cf. Chroniques de Joinville) e era venerado por aquele Rei santo. Ele faleceu em 1256.
     Dulcelina consagrou toda sua vida aos pobres e aos doentes se cercou de outras mulheres devotadas à caridade. Aconselhada por Hugo, ela adotou o hábito de beguina, e foi assim que se formou em Hyères uma comunidade de beguinas que os habitantes da cidade chamaram de “Damas de Roubaud”, do nome de um pequeno rio perto do qual elas tinham o local de reunião e de oração.
     Em 1240, sempre dirigida pelo irmão, ela fez os votos de virgindade e de pobreza, que foi também emitido pelas outras Damas; estas lhe deram o nome de “Santa Madre”, pois ela dirigia as orações, os trabalhos e as atividades desta comunidade exemplar.
     Em 1250, Hugo optou pelo convento de Marselha e convidou a irmã para ir criar outra “Casa de Roubaud” próximo da atual Igreja São Teodoro.
     A nova comunidade marselhesa cresceu rapidamente e em toda Provença Dulcelina era considerada santa. Foi assim que Beatriz, esposa de Carlos, Duque de Anjou, Conde de Provença, chamou-a para perto de si quanto ficou grávida. Amiga e protetora dos mais pobres, Dulcelina era também conselheira da Corte, cujos cortesãos solicitavam seus conselhos judiciosos.
     Além de suas penitências, ela passava muito tempo em oração e com frequência caia em êxtase. Seus êxtases durante as orações contribuíram para atrair aqueles que tinham confiança em seu poder de intercessão e muitos milagres foram atribuídos a Dulcelina.
     No dia 1º de setembro de 1274, a Santa faleceu na idade de 60 anos, extenuada por se consagrar muito à oração e ao devotamento aos outros, cercada pelas irmãs de sua ordem e dos irmãos cordeliers, que sempre a consideraram como franciscana. O Bispo de Orange pronunciou o seu panegírico.
     Desde 1275, os restos mortais de Dulcelina repousam na igreja marselhesa dos franciscanos, ao lado de seu irmão São Hugo. Sua grande virtude levou-a à beatificação.
     Por testamento, São Luís de Anjou, bispo franciscano de Toulouse, falecido em Brignoles em 1297, pediu para ser sepultado junto de Hugo e de Dulcelina. O túmulo de Santa Dulcelina foi o local de numerosos milagres.
     A igreja dos Frades Menores que guardava as relíquias de Dulcelina e de Hugo foi demolida em 1524. As relíquias foram transportadas para a igreja chamada hoje "Velha Maior". Esta foi parcialmente destruída em 1857 para a construção da nova catedral. Sabe-se que os restos mortais dos bispos do passado foram então recolhidos e distribuídos nos túmulos dos altares; acreditamos que aí se encontram as relíquias de Dulcelina.
     A vida de Santa Dulcelina chegou-nos por um manuscrito redigido em 1297 por Filipina de Porcelet ("La Vida de la benaurada sancta Dulcelina"), uma discípula do beguinato originário de Arles. Intitulada Vie de la Bienheureuse Mère, esta obra escrita em linga provençal, falada em Marselha no século XIII, foi elogiada como uma obra-prima entre outros por Ernest Renan.
     “Permanecei unidas”, dizia ela à suas filhas, “no amor do Senhor, porque vós estais aqui reunidas no amor de Cristo e Cristo vos ligou em sua Caridade. Todas as outras santas ordens têm um liame muito forte, a Regra, mas o vosso liame é a Caridade. Este pobre cordãozinho vos mantêm unidas em Cristo”.
 
Fonte: Histoire du diocèse de Marseille
 
Etimologia: Dulcelina deve ser uma variante de Dulce, do latim Dulcis: “doce, suave, agradável”. Em francês, Douceline pode derivar de douce: “doce, suave, brando (a)”. 

Santa Verena de Zurzach - 1 de setembro

    
     Há duas Vite que narram a trajetória terrena de Santa Verana: uma escrita por volta de 888 e outra de 1005. Há também o Miracula s. Verenæ de 1010, que descreve a veneração dedicada a Santa Verena no século X, com peregrinações ao seu túmulo de Zurzach.
     Segundo a narrativa contida no capítulo 3º da Vita prior, Verena nasceu em uma estimada família de Tebas, no Egito. Os pais devem tê-la confiado, para ser batizada e para sua formação cristã, ao idoso bispo Queremone de Nilópolis. Este bispo devia ser conhecido do autor da Vita prior, o abade da Abadia de Reichenau, Hatto I (cerca do ano 888), uma vez que fora citado por Eusébio de Cesareia.
     Após a morte do Queremone, Verena foi transferida com outros cristãos para o Baixo Egito, onde os imperadores Diocleciano e Maximiano procuravam por novos soldados e haviam fundado com eles uma nova legião tebana.
     No capítulo 4º da Vita prior é dito que ela chegou à Milão acompanhando esta legião. Ali ela permaneceu por algum tempo procurando pelo cárcere dos legionários. Assim que soube da morte dos legionários, se pôs a caminho de Agaunum (atual Saint-Maurice, na Suíça). Em várias legendas hagiográficas é relatado que Verena deu sepultura aos mártires da Legião Tebana (a famosa legião de São Maurício).
     Segundo o 4º capítulo da Vita prior ela teria chegado a Solodorum, estabelecendo-se perto de um varão santo. Naquele local passava os dias em jejuns, orações e recitando os Salmos. Em uma parte deste capítulo o autor descreve que ela se comportava como uma verdadeira virgem cristã. Este capítulo termina com a informação de que Verena se fez enclausurar em um local augusto.
     A sua ligação com a Legião Tebana, cuja existência histórica é controvertida, pode ter sido obra do autor da Vita, devido ao grande culto dedicado naquele tempo àquela Legião. Era uso no tempo dos romanos que as esposas e os filhos dos militares fossem acompanhando as legiões. Segundo Speidel há sinais de uma legião, cujo nome era Tebas, já antes do ano 300, como também há noticias da existência de casas para virgens cristãs já no século III.
     Em uma gruta, chamada por ela mesma “Cova de Verena”, a jovem provia sua subsistência vendendo objetos feitos por ela manualmente. Segundo a legenda, Verena curava cegos e possuídos. Por isso os alemães se converteram ao Cristianismo e se fizeram batizar por um padre vindo da Itália. No capítulo VIII da Vita lemos que Verena atraiu para junto de si outras virgens. Em outro texto o autor descreve ainda mais detalhadamente a vida cristã de uma virgem dedicada a Deus.
     Como Venera atraia muita gente, ela foi aprisionada por um tirano romano. No capítulo IX, lemos que uma noite lhe apareceu um jovem que se revelou ser São Mauricio e a consolou. Quando o tirano romano foi acometido por uma febre, a fez chamar para que o curasse. Após curá-lo, Verena foi libertada e pode voltar para junto de suas amigas. O aprisionamento de Verena pode ter ocorrido durante a vigência do edito de perseguição de 303 expedido por Diocleciano e Maximiano.
     No capítulo XI está descrito o primeiro milagre: quando faltou o pão, Verena se voltou para Deus para pedir ajuda; inesperadamente, 40 sacos de farinha foram encontrados na cela.
    No início da Vita Posterior está escrito que a fama de Verena cresceu mais, o que a fez se transferir para uma ilha.
     Na ilha do Reno também chegaram numerosos doentes, cegos e estropiados para serem curados por Verena. No capítulo III da Vita Posterior vem descrito como uma mulher procurou ajuda com seu filho cego e estropiado. Verena se deitou sobre o solo com os braços em cruz e pediu o auxílio de Deus. O filho voltou curado para casa. A descrição da oração de Verena lembra muito a forma medieval de rezar.
     Escavações arqueológicas e fontes escritas provam que desde o século V se recorria a Santa Verena para obter graças. Ainda hoje a cripta do Mosteiro de Santa Verena de Zurzach é um local visitado por peregrinos. Por volta do ano 1010, um monge de Zurzach escreveu um livro sobre os milagres de Santa Verena ocorridos durante as peregrinações (o Miracula s. Verenæ).
     Em 1795, um incêndio atingiu Coblenza e muitas casas e igrejas foram danificadas. Somente uma imagem de Verena em madeira ficou intacta. Até hoje há muitas histórias e relatos de milagres, como o da fonte termal com que Santa Verena presenteou os habitantes de Zurzach e a intercessão da Santa pelas pessoas doentes.
     A popularidade de Santa Verena se manifesta também pelas numerosas representações artísticas. Ela é frequentemente representada com o avental e o cântaro.
    Santa Venera é celebrada no dia 1º de setembro, dia em que é grande a afluência de peregrinos a Zurzach para participar da Santa Missa em honra de Verena.
 
Etimologia: Verena, do latim verenna, em vez de verenda: “que é digna de veneração”. Ou do germânico Verana, talvez cognato do latim vera: “verdadeira”.

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Beata Teresa Bracco, Mártir da pureza - 29 de agosto

    
      Nasceu em 24 de fevereiro de 1924, penúltima de sete filhos, em Santa Giulia, no Piemonte, Itália. Mãe e pai – Ângela e Jacobo Bracco - foram para ela um exemplo de fé e fortaleza cristã: em 1927 sepultaram em apenas três dias dois filhos de nove e quinze anos. Uma fé submetida ao cadinho da prova. No fim do dia, o próprio Jacobo dirigia a reza do Rosário em família. O nome de Teresa ela recebera em honra da “pequena santa” de Lisieux, beatificada em 1923.

     Teresa só pôde frequentar até o quarto ano do primeiro grau, pois com o seu trabalho de pastorinha procurou contribuir para o sustento da família. Trazia o Terço sempre consigo e no campo nunca parava de rezar.
     Teresa era uma jovem extremamente reservada, modesta, delicada no relacionamento com as pessoas, sempre pronta a dar a sua ajuda. E bela: dois grandes olhos escuros e aveludados sobressaíam num rosto sereno e pensativo, emoldurado por grandes tranças castanhas. Bela, mas sem qualquer vaidade. Sabia atrair a admiração respeitosa dos conterrâneos: “Uma garota assim, eu nunca tinha visto antes e jamais vi depois”, afirmou um deles. “Havia nela algo de diferente das demais garotas”, recorda uma amiga. “Era a melhor de nós todas”, confia sua irmã Ana.
     Ginin – como era chamada – sacrificava de boa vontade preciosas horas de sono desde que pudesse comungar. A igreja não ficava tão perto de sua casa, e a missa era ali celebrada ao alvorecer. Mesmo assim, Teresa jamais renunciava à Santa Missa, por nada no mundo. A Eucaristia, a devoção a Nossa Senhora e a espiritualidade das obrigações, eis o segredo da sua santidade.
     Na casa da família Bracco chegava regularmente o Boletim Salesiano. Do número de agosto de 1933, Teresa cortou a terceira página que trazia a figura de Domingos Sávio, filho de camponeses como ela, que havia sido declarado venerável há pouco, e que tinha feito o seguinte propósito: “A morte, mas não o pecado”. A pequena – tinha apenas nove anos – ficou fascinada por ele, e colocou a página na cabeceira da cama. Desde então, o mote de Domingos foi também seu. Declarou guerra ao pecado: “Antes, eu me deixo matar”, escreveu. E manteve o propósito.
     Em 28 de agosto de 1944, uma feroz investida alemã chega a Santa Giulia e Teresa, assim como outras mulheres e crianças da região, foi tomada como refém de guerra por soldados alemães. Entendendo as intenções não benevolentes dos oficiais, Teresa tentou fugir indo em direção à floresta, mas foi alcançada por um oficial que, tomado pela raiva, a estrangulou e disparou um tiro de pistola no coração. O soldado ainda chutou o corpo já sem vida de Teresa, provocando a quebra do crânio.
     O corpo da jovem foi encontrado na floresta dois dias depois. Teresa tentara inicialmente fugir às atitudes brutais do soldado; depois, vendo a inutilidade de seus esforços, preferiu renunciar à vida a perder a virtude tão ciosamente conservada. O seu sacrifício não foi senão o último de uma vida inteiramente vivida pelo Evangelho. Toda a dinâmica do assassinato foi esclarecida pelo exame dos restos feitos em 10 de maio de 1989, sob a ordem do tribunal eclesiástico.
     João Paulo II beatificou-a em Turim no dia 24 de maio de 1998, memória de Maria Auxiliadora, durante sua peregrinação ao Santo Sudário.
 
Fontes: santiebeati e Bollettino Salesiano, Março, 2004

terça-feira, 26 de agosto de 2014

Beata Maria Pilar Izquierdo Albero, Fundadora - 27 de agosto

    
      Maria Pilar Izquierdo Albero, terceira de cinco irmãos, nasceu em Zaragoza, Espanha, no dia 27 de julho de 1906. Na festa de Santa Maria das Neves, dia 5 de agosto, ela foi batizada. Mais tarde ela diria que esse fora o maior dia da sua vida, porque começara a ser filha da Igreja.

     Seus pais, pobres de bens materiais, mas ricos em virtudes, inculcaram na criança o espírito de piedade, o amor aos pobres e uma terna devoção à Virgem do Pilar. Desde muito criança brilhou nela um grande amor a Deus e aos pobres. Privava-se às vezes do seu lanche e das suas coisas para ajudar a quem considerava mais necessitado do que ela. Como nunca foi à escola, não sabia escrever nem quase ler, por isso considerava-se “uma tolinha” que não sabia senão “sofrer e amar, amar e sofrer”.
     Cedo Maria Pilar experimentou a dor e compreendeu o valor redentor do sofrimento. Aos 12 anos foi vítima de uma doença misteriosa que nenhum médico soube diagnosticar. Depois de quatro anos vividos, por motivos de saúde, em Alfamén, regressou a Zaragoza, onde começou a trabalhar numa fábrica de calçado.
     Era muito querida por todos por sua simplicidade, sua natural simpatia, sua bondade e sua laboriosidade. Mas o Senhor queria levá-la por outros caminhos e assim a foi adentrando no mistério da Cruz. De tal maneira Maria Pilar amou o sofrimento, que costumava dizer: “Encontro neste sofrer um amor tão grande a nosso Jesus, que morro e não morro... porque esse amor é o que me faz viver”.
     Em 1926, enquanto voltava do trabalho, fraturou a pélvis e em 1929 ficou paraplégica e cega por causa dos inúmeros quistos. Por mais de doze anos peregrinou pelos hospitais de Zaragoza, vivendo na água-furtada da Rua Cerdán, 24. Esta se converteu numa escola de espiritualidade e num lugar de luz, de paz e de alegria para quantos a visitavam, especialmente durante os três anos da guerra civil espanhola.
     As orações e a caridade mútua que imperavam ali faziam com que as almas discernissem a vocação a que Deus as chamava. Maria Pilar começou a falar da “Obra de Jesus” em 1936; ela dizia que esta obra haveria de aparecer na Igreja, que teria como finalidade “reproduzir a vida ativa do Senhor na terra através das obras de misericórdia”.
     No dia 8 de dezembro de 1939, festa da Imaculada Conceição, de quem era devotíssima, Maria Pilar ficou milagrosamente curada da paralisia que a havia prostrado por mais de dez anos no leito. Os quistos também desapareceram e ela recobrou instantaneamente a visão. Uma vez curada, pôs em marcha sua obra, deslocando-se, junto com várias jovens, a Madrid, onde já tinha sido aprovada a Fundação com o nome de “Missionárias de Jesus e Maria”.
     Logo apareceram os que procuram burlar os planos de Deus: ela foi proibida de exercer qualquer apostolado. Em 1942, porém, o Bispo de Madrid erigiu canonicamente a Obra como “Pia União de Missionárias de Jesus, Maria e José”.
     Após dois anos de fecundo apostolado entre pobres, crianças e doentes, Deus a fez caminhar novamente pelas vias da Cruz: reapareceram quistos no ventre. A este sofrimento físico se somaram os sofrimentos morais que Deus permite para purificar as almas: calúnias, intrigas, incompreensões, desacreditaram sua obra e afastaram várias jovens que haviam sido fieis.
     Aconselhada pelo seu confessor, Maria Pilar se retirou de sua própria obra em novembro de 1944, sendo seguida por nove das suas filhas. Em 9 de dezembro viajou até São Sebastião. Durante a viagem, numa noite gélida e por caminhos cobertos de neve, fraturou uma perna num acidente. Um tumor maligno se manifestou e a feriu de morte, mas não conseguiu apagar a luz da sua fé nem a sua firme convicção de que a obra voltaria a ressurgir.
     Abandonada das criaturas, prostrada no leito, alentava suas filhas: “Sinto deixá-las, porque as amo muito, mas lá do céu serei mais útil. Voltarei a terra para estar com os que sofrem, com os pobres, os doentes. Quanto mais sozinhas estiverem, mais perto de vocês estarei”.
     Morreu em São Sebastião, aos 39 anos, no dia 27 de agosto de 1945, oferecendo a sua vida pelas Filhas que se tinham separado, e que recordava com dor e com carinho: “Amo-as tanto, que não as posso esquecer; embora me batessem, me arrastassem, quisera tê-las aqui. Não quero lembrar-me do mal que me fazem, mas do bem que me fizeram. Bem sabe nosso amado Jesus que mais, muito mais do que me fazem sofrer quero que lhes dê o céu”.
     Confiantes nas palavras da Madre, suas filhas permaneceram unidas sob a direção do Pe. Daniel Diez Garcia, que a tinha ajudado e assistido nos últimos anos de sua vida. Em maio de 1948, o bispo D. Fidel Garcia Martines aprovou a obra canonicamente com o nome de “Obra Missionária de Jesus e Maria”.
     Em 1961 foram aprovadas como Congregação de Direito Diocesano e 1981 de Direito Pontifício. A Congregação conta na atualidade com 230 religiosas em diversos pontos da Espanha, Colômbia, Equador, Venezuela, Itália, México e Moçambique.
     A fama de santidade de Madre Pilar Izquierdo cresceu de tal forma, que o bispo D. Francisco Álvarez Martínez achou oportuno iniciar a Causa de Beatificação e Canonização. O Processo diocesano realizou-se de 1983-1988.
     No dia 18 de dezembro de 2000 foi declarada a heroicidade das suas virtudes e a 7 de julho de 2001 foi aprovado o milagre atribuído à sua intercessão. No dia 4 de novembro de 2001, Madre Maria Pilar foi beatificada por João Paulo II em solene cerimônia.
 
Fonte: Santa Sé

sábado, 23 de agosto de 2014

Sta. Maria Micaela do Ssmo. Sacramento, Fundadora - 24 de agosto

    
     Micaela Desmaissières y López de Dicastillo era filha de um opulento aristocrata e valente militar espanhol que em 1809 combatia as tropas de Napoleão que tinham invadido a Espanha. Sua mãe, Bernarda, era camareira da rainha Maria Luiza de Parma e tinha um irmão — Diego, depois conde de la Veja del Pozo — que foi embaixador do governo espanhol em Bruxelas e Paris, tendo falecido prematuramente aos 49 anos de idade.

     Austera, Bernarda educou os filhos à maneira das grandes famílias de antanho. Por isso quis que a filha, apesar de aristocrata, aprendesse a cozinhar, passar, e ocupar-se de todos os afazeres domésticos. Dizia que isso era “para o que possa suceder”. Micaela aprendeu também a tocar vários instrumentos musicais. Bernarda legou também à filha o hábito de passar de duas a três horas na igreja, o que Micaela fazia “embevecida em ternos afetos”.
     Em sua juventude Micaela costumava visitar os doentes e costurar para vestir os pobres. Reunia também em casa meninas pobres para ensinar-lhes a doutrina católica.
     Absorta em suas devoções e obras de caridade, Micaela chegou aos trinta anos sem pensar em casamento. Falecendo então a mãe, à qual era muito unida, ela herdou o título de Viscondessa de Jorbalán.
     Como encontrasse nos hospitais de Madrid muitas mulheres que, depois de levar vida devassa, sofriam as consequências de seus desmandos, veio-lhe a ideia de fundar uma casa de refúgio para a redenção dessas pecadoras. Foi o que fez com seus próprios recursos. Mesmo quando estava no exterior, a viscondessa não deixava de favorecer essa fundação com conselhos e dinheiro.
     Diz um seu biógrafo: “Seu irmão, o embaixador, apreciava tanto suas requintadas qualidades de gentileza no trato, sua discrição no falar e seu senso de oportunidade em tudo, que não podia separar-se de sua companhia. Para comprazer-lhe, a viscondessa aceitava aquela vida de sociedade, procurando harmonizá-la com uma intensa vida interior”. (1) Desse modo viveu vários anos nas principais capitais europeias.
     Ela mesma nos conta como passava seus dias: “De manhã, em obras de caridade; o resto do dia em visitas, passeios a cavalo ou de carro; e, à noite, no teatro, em reuniões e baile. Acrescente-se a isto o excessivo luxo e o primor na mesa”. (2) Isso, que poderia ser uma vida de dissipação, para ela era ocasião de sacrifícios. Pois, sob os ricos vestidos de seda, levava rudes cilícios e no teatro assistia à cena usando óculos sem vidros.
     Ela revela também a luta que tinha que enfrentar para vencer seu orgulho e caráter impetuoso e demasiado ativo. (4)
     Em 1848 ela voltou à Espanha, disposta a seguir o caminho que a Providência Divina lhe indicasse. Continuou enquanto isso a se vestir com muito luxo. Um dia ela foi assim toda ataviada se confessar. O sacerdote, ouvindo o frufru das sedas, disse-lhe bem espanholamente: “A Senhora vem demasiado oca para pedir perdão a Deus”. Ela desculpou-se: “São as saias”. O sacerdote retrucou: “Pois arranje outras”.
     No dia seguinte a santa apresentou-se no extremo oposto; tão desajeitada que chamava a atenção de toda a igreja. O sacerdote increpou-a novamente: “Como vem tão ridícula? Tire as sedas, mas se vista como essas senhoras virtuosas que vê na igreja”. Santa Micaela mandou fazer então um vestido simples de lã.
     Entretanto, sua obra para a regeneração de mulheres de má vida ia progredindo. O local se ampliava e o número de moças recolhidas crescia. Em 1850, Santa Micaela decide mudar-se para junto delas. “Seu talento organizador, sua penetração psicológica, seus dotes de mando e sua arte para dominar os espíritos mais rebeldes se revelam subitamente, com estupefação de todos que seguem o desenvolvimento da obra”. (6) No princípio tem que fazer de tudo: cozinhar, varrer, costurar, ensinar.
     A família fica chocada ao vê-la entre gente tão desclassificada, os círculos da aristocracia fazem vazio em torno dela, e seu irmão cai desmaiado ao ver a pobreza de seu quarto. Ao palácio real chega a notícia de que ela “endoideceu”. A rainha Isabel II deseja vê-la. E aí nasce entre ambas uma amizade profunda, muito aprovada pelo confessor da rainha, Santo Antônio Maria Claret.
     Aos poucos, entrementes a obra da santa começou a se impor aos olhos do público como força moralizadora e de grande significado religioso e social. Algumas moças da sociedade se uniram a Santa Micaela, surgindo assim, em 1858, a congregação das Adoradoras, Escravas do Santíssimo Sacramento e da Caridade, para a adoração perpétua do Sacramento do Altar e regeneração das mulheres perdidas ou moças com risco de se perderem.
     Santa Micaela soube unir a bondade à energia no trato com as desgraçadas. Um dia pergunta a uma delas, que desejava ir embora, para onde iria. Esta lhe responde descaradamente que ia voltar para o bordel. Ao ouvir isso, a Santa indignada desfere-lhe sonora bofetada no rosto. A jovem lançou-se então a seus pés e disse: “Só minha mãe me castigou assim. Eu vou obedecer à senhora como a ela. Se ela não tivesse morrido, eu não me teria perdido”.
     O demônio aparecia-lhe sob diversas formas, atormentava-a com estrondos e empurrões e mais de uma vez a lançou escada abaixo.
     Aprovada pela Santa Sé em 1861, sua congregação religiosa continuava a crescer de maneira a possibilitar a fundação de outras casas em diversas cidades da Espanha.
     No verão de 1865, chegou à casa-mãe de Madrid a notícia de que várias monjas da casa de Valência haviam sido atacadas pela cólera. Santa Micaela comentou: “Saio para Valência, pois aquelas filhas que tenho lá não são valentes, e temo que se acovardem ao ver tanta mortandade”.
     Alguns dias depois de chegar a Valência, sentiu os primeiros sintomas da peste e compreendeu que sua vida chegava ao fim. No dia 24 de agosto comentou: “Vou padecer um pouco; mas às doze horas tudo terá passado”. Efetivamente, à meia-noite ela entregou sua valorosa alma a Deus.
     Os biógrafos descrevem Santa Micaela como sendo severa e maternal, não muito afetuosa, mas nem por demais esquiva, disposta a rir quando se contava algo engraçado; cheia de espírito e de agradáveis comentários de muito propósito, inimiga das lágrimas, mesmo no momento dos maiores transes, tranquila nas dificuldades, e contente em ver as demais contentes. Fisicamente não era muito bonita, mas impunha-se por sua graça e simpatia, bem como pelo seu atrativo sem igual. Tinha o aspecto majestoso e cheio de uma distinção aristocrática. Em suma, por muitos traços de seu corpo, bem como por sua psicologia, Santa Micaela lembrava muito Santa Joana de Chantal, a cofundadora das visitandinas.
     Santa Maria Micaela do Santíssimo Sacramento foi beatificada em 1925 e canonizada em 1934. Sua festa é celebrada no dia 24 de agosto.
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Notas:
1. Fr. Justo Perez de Urbel, O.S.B., Santa Micaela, o la Madre Sacramento, Ediciones Fax, Madri, 1945, tomo III, p. 422. 2. Pe. José Leite, Santa Micaela, Santos de Cada Dia, Editorial A.O., Braga, 1987, tomo II, p. 584. 3. Urbel, p. 422. 4. Id. Ib. 5. Leite, p. 584. 6. Urbel, pp. 423-424. 7. Id., p. 427.
Fonte: Plinio Maria Solimeo, www.catolicismo.com.br (excertos)

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Nossa Senhora Rainha - 22 de agosto

 

     Instituída pelo Papa Pio XII em 1955, celebramos hoje a Festa de Nossa Senhora Rainha, que anteriormente ocorria no dia 31 de maio.
     A liturgia sagrada já invoca a Mãe de Deus com os títulos de Rainha dos Anjos, dos Patriarcas, dos Profetas, dos Apóstolos, dos Mártires, dos Confessores, das Virgens, de todos os Santos, Rainha Imaculada, Rainha do Santíssimo Rosário, Rainha da Paz e Rainha Assunta ao Céu.
     Paralela ao reconhecimento de Cristo Rei, encontramos a realeza da Virgem a qual foi Assunta ao Céu. Mãe da Cabeça, dos membros do Corpo místico e Mãe da Igreja, Nossa Senhora é aquela que do Céu reina sobre as almas cristãs, a fim de que haja a salvação: “É impossível que se perca quem se dirige com confiança a Maria e a quem Ela acolher” (Santo Anselmo).
     Nossa Senhora Rainha, desde a Encarnação do Filho de Deus, buscou participar dos Mistérios de sua vida como discípula, porém sem nunca renunciar sua maternidade divina, por isso o evangelista São Lucas a identifica entre os primeiros cristãos: “Maria, a mãe de Jesus” (Atos 1,14).
     Diante desta realidade de se ter uma Rainha no Céu que influencia a Terra, podemos com toda a Igreja saudá-la: “Salve Rainha” e repetir com o Papa Pio XII que instituiu e escreveu a Carta Encíclica Ad Caeli Reginam (à Rainha do Céu): “A Jesus por Maria. Não há outro caminho”.
 
A Encíclica do Papa Pio XII sobre a Festa de Nossa Senhora Rainha
     O Papa Pio XII, na encíclica dirigida aos membros do episcopado a respeito da Realeza de Maria, recorda que o povo cristão sempre se dirigiu à Rainha do céu nas circunstâncias felizes e sobretudo nos períodos graves da história da Igreja.
     Antes de anunciar a sua decisão de instituir a festa litúrgica da “Santa Virgem Maria Rainha”, assinalou o Papa: “Não queremos propor com isso ao povo cristão uma nova verdade a acreditar, porque o próprio título e os argumentos que justificam a dignidade real de Maria já foram abundantemente formulados em todos os tempos e encontram nos documentos antigos da Igreja e nos livros litúrgicos. Tencionamos apenas chamá-lo com esta encíclica a renovar os louvores à nossa Mãe do céu, para reanimar em todos os espíritos uma devoção mais ardente e contribuir assim para o seu bem espiritual”.
     Pio XII cita em seguida as palavras dos doutores e santos que desde a origem do Novo Testamento até os nossos dias salientaram o caráter soberano, real, da Mãe de Deus, corredentora: Santo Efrem, São Gregório de Nazianzo, Orígenes, Epifânio, Bispo de Constantinopla, São Germano, São João Damasceno, até Santo Afonso Maria de Ligório.
     Acentua o Santo Padre que o povo cristão através das idades, tanto no Oriente quanto no Ocidente, nas mais diversas liturgias, cantou os louvores de Maria, Rainha dos Céus.
     A iconografia, disse o Papa, para traduzir a dignidade real da Bem-aventurada Virgem Maria, enriqueceu-se em todas as épocas com obras de arte do maior valor. Ela chegou mesmo a representar o divino Redentor cingindo a fronte de sua Mãe com uma coroa refulgente”.
     Na última parte do documento, o Papa declara que tendo adquirido, após longas e maduras reflexões, a convicção de que decorrerão para a Igreja grandes vantagens dessa verdade solidamente demonstrada, “decreta e institui a festa de Maria Rainha, e ordena que nesse dia se renove a consagração do gênero humano do Coração Imaculado na Bem-Aventurada Virgem Maria ‘porque nessa consagração repousa uma viva esperança de ver surgir uma era de felicidade que a paz cristã e o triunfo da religião alegrarão’”. 
 
* Referências bibliográficas:
- Na luz Perpétua, 5ª. ed., Pe. João Batista Lehmann, Editora Lar Católico - Juiz de Fora - Minas Gerais, 1959. http://www.paginaoriente.com/titulos/nsrainha2208.htm

terça-feira, 19 de agosto de 2014

Beatas Elvira da Natividade de Na. Sra. e 8 comp., Mártires - 19 de agosto

 
     A comunidade da escola de Cullerà (Valença) e da Casa de Misericórdia daquela cidade estava preparada há tempo para a eventualidade do martírio. A superiora e as outras irmãs eram religiosas de grande estatura espiritual.
     As nove Carmelitas da Caridade foram levadas da casa-escola da Imaculada Conceição da cidadezinha marítima de Cullerà, onde residiam, no dia 15 de agosto de 1936, e conduzidas como prisioneiras. Três dias depois, no amanhecer do dia 19 de agosto de 1936, foram fuziladas pelos membros do comitê anárquico da FAI nas proximidades da salina.
     Madre Elvira da Natividade de Na. Sra. (Elvira Torrentallé Paraire), superiora da comunidade, nasceu em Balsareny Paraire Torrentallé (Barcelona) em 19 de junho de 1889. Em 9 de setembro de 1906 entrou no noviciado de Vic (Barcelona) em 1908 foi designada para a casa de Cullerà, onde ela fez sua profissão perpétua em abril de 1925 e foi designada para a Escola Sagrado Coração em Valença. Em 13 de janeiro de 1933 retornou ao seu primeiro destino, Cullerà, mas desta vez como Superiora da comunidade. Piedosa, modesta e dedicada, um de seus grandes amores era a Eucaristia.
     Em 1936, apesar das pressões da família para ir com eles, ela não deixou a comunidade. No caminho ao local do martírio encorajava as outras irmãs. Escolheu morrer por último; cantando o popular hino eucarístico Cantemos ao Amor dos amores, que entoou até o último suspiro, faleceu nas primeiras horas de 19 de agosto de 1936. A característica fundamental da sua espiritualidade era uma caridade sem limites, o amor de Deus se manifesta no amor aos irmãos.
     Madre Elvira e duas companheiras foram beatificadas, juntamente com outros 232 mártires, pelo Papa João Paulo II em 11 de março de 2001. Suas companheiras são:
 
Maria de Nossa Senhora da Providência Milagre Calaf
     Nasceu em Bonastre (Tarragona) em 18 de dezembro de 1871. Muito boa de caráter, possuía a têmpera dos fortes. Quando seu irmão foi procurá-la para pô-la a salvo junto à família, disse: “O que acontecer com uma, acontecerá com todas nós”.
 
Francisca de Santa Teresa Amezúa Ibaibarriaga
     Nasceu em Abadiano (Biscaia) em 9 de março de 1881. Uma verdadeira ba­sca, de família solidamente cristã, herdou uma fé pura e forte. De caráter afável e alegre, repetia: “A minha cozinha é um pedacinho do Céu, muito melhor que todos os palácios do mundo”. Acompanhou todos os momentos até o martírio com um espírito de alegria sobrenatural que causou a admiração de todos. Indo para o local do martírio repetia com fervor: “Sagrado Coração de Jesus! Nove mártires!”
 
Maria do Santíssimo Sacramento Giner Amparo Lister
     Nascida em Grão Valença em 13 de dezembro de 1877. Ativa, entusiasta, trabalhadeira, dava tudo de si no serviço dos outros. En­trou no noviciado de Vic em 2 de julho de 1902. Reconhecendo um de seus assassinos, lhe disse com serenidade: “Tu me dás a melhor coisa, me dás o Céu!”
 
Teresa da Mãe do Divino Pastor Chambò y Pallets
     Natural de Valença, onde nasceu em 5 de fevereiro de 1881. Entrou no noviciado de Vic em 21 de abril de 1900. Depois de ter feito os primeiros votos religiosos foi destinada a Manresa, depois a Denia e Oliva. Sempre modesta e silenciosa, sentia uma grande atração pelo recolhi­mento e pela oração. Nos seus restos mortais foi encontrado o anel da sua profissão religiosa, símbolo de sua fidelidade eterna ao seu esposo Jesus Cristo.
 
Ágata de Nossa Senhora das Virtudes Hernandez Amorós
     Original de Villena (Alicante), onde nascera no dia 5 de janeiro de 1893, entrou no noviciado de Vic em 27 de novembro de 1918. Cozinheira das alunas, era atenciosa e serviçal com todos. Quando a fúria da perseguição estourou sua família lhe ofereceu um refúgio seguro, mas ela não quis deixar a casa religiosa.
 
Maria das Dores de São Francisco Xavier Vidal Cervera
     Nasceu no dia 31 de janeiro de 1895 em Valença del Cid. Tornando-se religiosa entre as Carmelitas da Caridade, seu primeiro local de trabalho foi Zaragoza. As alunas mais velhas percebiam a riqueza de sua espiritualidade e admiravam sua prudência e compreensão, o que as levava a procurá-la para falar de seus problemas. As próprias alunas procuraram colocá-la a salvo, mas ela recusou a oferta, porque desejava compartilhar a sorte da sua comunidade.
 
Maria das Neves da Santíssima Trindade Crespo Lopez
     Nasceu na Ciudad Rodrigo (Salamanca) em 17 de setembro de 1897, mas se transferiu depois com a família para Valença. Entrou no instituto religioso no dia 11 de setembro de 1922. Na educação das alunas do colégio de Cullerà se distinguia como excelente pedagoga. Entrava na vida das alunas com suavidade e eficácia. Enérgica e firme, respondeu a um miliciano que jamais se separaria da comunidade.
 
Rosa de Nossa Senhora do Bom Conselho Pedret Rull
     Originária de Falset (Tarragona), onde nascera em 5 de dezembro de 1864, en­trou no instituto em 4 de março de 1886. Fez a profissão perpétua em 1881. Após o término da formação foi enviada a Cullerà, onde permaneceu por toda sua vida religiosa. Era a mais velha da comunidade. O responsável pelo comitê da FAI, vendo-a tão idosa e doce, convidou-a a ir embora, mas ela respondeu: “Não, irei aonde for a superiora, ainda que seja para a morte!”. Sua bondade e sua simplicidade eram proverbiais. Ela conhecia todo mundo em Cullerà e se interessava por cada pessoa. Mostrava-se sempre silenciosa e recolhida, totalmente unida a Nosso Senhor Jesus Cristo.
 
Fonte: www.santiebeati.it

sábado, 16 de agosto de 2014

Santa Clara da Cruz de Montefalco, Mística - 17 de agosto

    
     Santa Clara nasceu no ano de 1268 em Montefalco, cidade da Úmbria, na Itália, e morreu em 1308. Eram seus pais Damião e Jacobina Vengente, que tiveram quatro filhos.
     Sua irmã mais velha, Joana, de 20 anos, com a amiga Andréia, estabeleceu uma ermida onde se dedicavam a uma vida de oração e sacrifício. Em 1274, o bispo de Spoleto permitiu que Joana recebesse mais postulantes.
     Aos 5 anos Clara pediu a Joana para admiti-la na pequena comunidade que ela dirigia. E a irmã só atendeu a esse pedido ao cabo de um ano e foi quando Clara entrou na Ordem Terceira de São Francisco.
     Em 1278, a comunidade tinha crescido tanto, que tiveram que construir uma ermida maior fora da cidade. Ergueu-se então uma grande perseguição contra elas, não só por parte dos leigos da cidade, como também pelos Franciscanos do lugar, que diziam que a cidade era muito pequena para ter outra comunidade pedindo esmolas. O Senhor, porém, que é justo, moveu o oficial do ducado a votar por elas e elas ficaram. A ermida estava com o telhado meio por fazer; passando frio e fome, a pequena comunidade era sustentada por sua fé, que era mais forte que as perseguições e as adversidades.
     Em 1290, Clara, sua irmã Joana e suas companheiras decidiram entrar na vida monástica no mais estrito sentido. O bispo indicou o mosteiro de Montefalco que era regido pela regra de Santo Agostinho. Clara faz seus votos de pobreza, castidade e obediência, e se converteu em religiosa agostiniana. Sua irmã foi eleita a primeira abadessa e sua pequena ermida foi dedicada como um mosteiro.
     Joana faleceu em 22 de novembro de 1291 e Clara foi eleita abadessa. Inicialmente Clara não aceitou a posição, porém, depois da intervenção do bispo de Spoleto ela finalmente aceitou por obediência.
     O ano de 1294 foi decisivo para a vida espiritual de Clara. Na celebração da Epifania, depois de fazer uma confissão geral diante de suas filhas, sentiu um êxtase e se manteve assim por várias semanas. Impossibilitada de comer, as religiosas mantinham sua Madre Abadessa dando-lhe água açucarada. Clara reportou depois que teve uma visão na qual se viu sendo julgada diante de Deus.
     Clara também comentou ter tido uma visão de Jesus vestido como um pobre viajante. Ajoelhando-se diante dEle, tratou de detê-Lo e perguntou: “Meu Senhor, aonde vais?” e Jesus respondeu: “Tenho procurado no mundo todo um lugar aonde plantar esta Cruz firmemente e não o encontrei”. Clara olhou a Cruz e tendo manifestado o desejo de ajudá-Lo a carregá-la, Ele disse: “Clara, encontrei o lugar para minha Cruz aqui. Encontrei finalmente alguém a quem posso confiá-la”.
     E Jesus implantou sua Cruz no coração de Clara. A intensa dor que ela sentiu em todo seu ser enquanto recebia a Cruz de Cristo viveu com ela para sempre. O resto de seus dias ela os passou no sofrimento e na dor, e ainda assim continuou servindo suas irmãs com alegria.
     Em 1303 Clara pode construir uma igreja em Montefalco a qual não somente serviu como capela para as religiosas, como também para todas as pessoas da cidade. A primeira pedra foi abençoada em 24 de junho de 1303 pelo bispo de Spoleto e naquele dia a igreja foi dedicada à Santa Cruz.
     Clara exerceu durante 16 anos a função de abadessa, mestra, mãe e diretora espiritual de suas amadas filhas. Enquanto sua reputação de santidade e seus milagres atraiam visitantes ao mosteiro, ela governava-o com sabedoria, zelosa e sem quebrar a harmonia da comunidade.
     Em agosto de 1308, Clara adoeceu gravemente. No dia 15 de agosto pediu para receber a Extrema Unção. Fez sua última confissão no dia 17 de agosto e no dia seguinte faleceu em seu convento de Montefalco.
     O processo de canonização foi iniciado em 1328, mas Clara somente foi beatificada em 13 de abril de 1737 por Clemente XII. Em 8 de dezembro de 1881, Festa da Imaculada Conceição, Leão XIII a canonizou na Basílica de São Pedro, em Roma.
     Santa Clara foi uma grande mística que iluminou com seu esplendor espiritual a Ordem Agostiniana; Deus a dotou de singulares graças místicas, como visões e êxtases, e dons sobrenaturais que se manifestaram dentro e fora do mosteiro. Dotada de ciência infusa, pôde oferecer sábias soluções as mais árduas questões propostas pelos teólogos, filósofos e literatos; e defendeu valentemente a doutrina da fé.
     Deus lhe deu uma tal inteligência das coisas divinas, que ela ousou combater a heresia do “Espírito de liberdade”, seita que difundia erros por toda Úmbria. Ela conhecia o pensamento oculto das pessoas, e por vezes tinha o dom de profecia. Nosso Senhor Jesus Cristo, Ele mesmo, veio uma vez lhe dar a Comunhão.
     Santa Clara distinguiu-se, sobretudo, por seu amor à Paixão do Senhor, reservando um lugar muito principal à devoção à Santa Cruz. Ela também meditou muito sobre o mistério da Santíssima Trindade. Depois de sua morte achou-se no seu fígado três bolinhas iguais. Essas bolinhas tinham esse particular que cada uma delas pesava tanto quanto as três juntas; se se pesasse uma, duas ou três, era sempre o mesmo peso. Uma imagem impressionante da Santíssima Trindade! Tome uma Pessoa divina: a natureza divina está toda nela; tome duas Pessoas divinas: ela está toda nas duas; tome todas as três, ela está toda nas três, mas tanto nas três quanto em uma só, como a bolinha que não pesava mais quando as três juntas ou quando uma só separada.
     Além deste prodígio, as irmãs extraíram o coração do corpo de Santa Clara, que embalsamaram de maneira primitiva; ele apresentava a figura de Cristo crucificado, o flagelo e os cinco estigmas totalmente impressos no músculo do miocárdio, tal como, posteriormente, ocorreu com Santa Verônica Giuliani.
     Seu corpo e seu coração incorruptos são venerados na Igreja de Santa Clara, em Montefalco, Itália. Seu corpo, vestido com o hábito agostiniano, repousa sob o altar mor.