quinta-feira, 16 de janeiro de 2020

Santa Mildgita (Mildgyth ou Mildgyð), Princesa e Abadessa – 17 de janeiro

    
     Mildgita era uma princesa e abadessa que viveu no século VII. Era a filha mais nova de Merewald, o rei dos Magonsete, que governava um sub-reino do reino anglo-saxão de Mércia e de Santa Ermenburga (também chamada Domne Eafe).
     Santa Mildgita e suas irmãs Santa Mildburga e Santa Mildred, que pertenciam à dinastia do rei São Etelberto de Kent, são mencionadas na coleção medieval de textos, chamada "Kentish Royal Legend" e conhecida como "Royal Legend of Kent".
     No texto, as três irmãs foram associadas às três virtudes teológicas: Mildgita à esperança, Mildburga à fé e Mildred à caridade.
     Sabemos que Mildgita, pouco mais que uma adolescente, tornou-se freira beneditina recebendo o véu de sua mãe em Minster, na ilha de Thanet, e depois se tornou abadessa em um convento do Reino da Nortúmbria, no norte da Inglaterra, onde morreu muito jovem. E, precisamente por causa de sua morte prematura em 676, sabemos muito pouco sobre sua vida no mosteiro.
     A tradição declarou que Mildgita era uma monja cujos "poderes milagrosos frequentemente se manifestavam em seu túmulo" no Reino da Nortúmbria.
     Santa Mildgita é comemorada no dia 17 de janeiro

* * *
      
     Uma cópia da 'The Translation of St Mildgyth' faz parte de um manuscrito que foi usado para leitura durante as orações diárias (ofício divino) dos monges em Santo Agostinho, Cantuária. Santa Mildgyth, que morreu em 676, era importante na Cantuária, porque em 1085 o Arcebispo Lanfranc transladou suas relíquias para o hospital de São Gregório. Embora os detalhes de sua vida sejam nebulosos, ela era filha de Ermenburga de Kent e de Merewald, e tornou-se a abadessa de um mosteiro, frequentemente considerado o Mosteiro de Eastry, Ilha de Thanet. Suas irmãs eram Milburga e Mildred.
     No século IX, quando da invasão dos dinamarqueses, suas relíquias foram transferidas para Lyming, onde permaneceram até 1085. As relíquias de santos anglo-saxões como Mildgytha ofereceram a oportunidade de os bispos e arcebispos normandos de se conectarem com a história da igreja inglesa.
     Ler em voz alta a sua história teria sido um elemento importante na comemoração do mosteiro. A primeira página fornece o título em pequenas letras vermelhas na parte superior da primeira coluna. Depois de uma bênção para o mosteiro, a história segue, dividida em seções curtas, cada uma começando com uma grande letra colorida. As seções são numeradas consecutivamente, presumivelmente para dividir a história para leitura diária.

Etimologia: Mildgita deriva do nome do alto alemão antigo “Mildgyth”, composto de dois elementos: do protogermânico “mildijaz” (suave, suave, terno, gentil, gentil, misericordioso, generoso, manso) e do germânico antigo “guntho/gunþiz" (batalha, luta, ato de matar, golpe, golpe).

https://it.wikipedia.org/wiki/Mildgita

terça-feira, 14 de janeiro de 2020

Venerável Ana de Guigné - 14 de janeiro

A Venerável algumas semanas antes de seu falecimento
Uma tão grande alma para uma tão pequena menina

     Em 1915, um ano após o início da primeira guerra mundial, enquanto os combates se atolam nas trincheiras, todas as famílias de França sabem que uma visita de oficiais do estado civil num lar significa o anúncio de uma morte na frente de batalha. Assim, quando a 29 de julho de 1915, a Senhora de Guigné vê o presidente da câmara de Annecy-le-Vieux chegar à porta da sua residência, ela percebe que o seu marido, ferido já em três ocasiões, não regressará mais.
     “Ana, se me queres consolar, tens de ser boazinha”, diz a mãe à sua filha de tão somente quatro anos de idade, a mais velha dos seus quatro filhos. A partir desse momento, a criança até aí voluntariosamente desobediente, orgulhosa e invejosa, vai realizar, com tenacidade e continuidade, um combate de cada instante a fim de se tornar boa, o combate da sua transformação interior que ela vencerá graças à sua vontade, obviamente, mas sobretudo – e é ela a dizê-lo – através da oração e de sacrifícios que ela se impõe.
     Veem-na ficar vermelha, serrando os seus pequenos punhos para controlar o seu forte caráter perante as contrariedades que enfrenta; depois, pouco a pouco, as crises diminuem até ao ponto dos seus familiares e conhecidos ficarem com a impressão que tudo se lhe tornou agradável. O amor pela sua mãe que ela quer consolar vai assim tornar-se o seu caminho para o seu Deus.
     Este caminho encontra-se balizado pelas numerosas reflexões de Ana que nos revelam a intensidade da sua vida espiritual e pelos numerosos testemunhos dos seus próximos que recordam os esforços contínuos que ela fazia para progredir na sua conversão. Para Ana de Guigné, o farol que ilumina o seu caminho de conversão é a sua primeira comunhão à qual aspira com todo o seu ser e toda a sua alma e que ela prepara com alegria. Chegado o momento, a sua tenra idade necessitando uma licença especial, o bispo impõe-lhe um exame que ela ultrapassará com uma facilidade desconcertante. “Desejo que estejamos sempre ao nível de instrução religiosa desta criança”, dirá o seu examinador.
     A continuação da sua curta vida traduz a paz de uma grande felicidade íntima alimentada pelo amor ao seu Deus que se aplica, à medida que cresce, a um círculo de pessoa cada vez mais vasto: seus parentes e familiares, pessoas com quem vai contatando, os doentes, os pobres, os não crentes.
     Ela vive, reza, sofre pelos outros. Atingida precocemente pelo reumatismo, ela sabe o que é o sofrimento e corresponde-lhe com uma oferta: “Jesus, eu vo-lo ofereço”, ou ainda “Ó, eu não sofro; aprendo a sofrer!”
Inocência: Ana aos 9 anos
     Mas em dezembro de 1921, é afetada por uma doença cerebral – sem dúvida uma meningite – que a força a permanecer acamada. Ela repete incessantemente: “Meu Deus, eu quero tudo o que quiserdes”, e acrescenta sistematicamente às orações que são feitas pelas suas melhoras: “e curai também todos os outros doentes”.
     Ana de Guigné morre na madrugada de 14 de janeiro de 1922 após este último diálogo com a religiosa que vela por ela: “Irmã, posso ir com os anjos?” - “Sim, minha bela pequena menina”. - “Obrigada, Irmã! Ó obrigada!”.
     Esta menina é uma “santa”, tal é então o veredito geral. Os testemunhos abundam, artigos são publicados e o Bispo de Annecy inicia em 1932 o processo de beatificação. Mas então a Igreja não tinha tido ainda a necessidade de ajuizar sobre a santidade de uma criança que não fosse mártir. Os estudos conduzidos em Roma sobre a possibilidade da heroicidade das virtudes da infância foram concluídos positivamente em 1981 e a 3 de março de 1990 o decreto reconhecendo a heroicidade das virtudes de Ana de Guigné e declarando-a “venerável” era assinado pelo papa João Paulo II. 

Notas escritas e bilhetes
     “Meu pequeno Jesus, eu vos amo e para vos agradar tomo a resolução de obedecer sempre.” (Bilhete deixado sobre o altar quando da sua primeira comunhão)
     “O pequeno Jesus parece-me que me respondeu no meu coração. Eu dizia-Lhe que queria ser muito obediente e pareceu-me ouvir: sim, sê-o.” (bilhete à mãe 1917)
     “Eu quero que o meu coração seja puro como um lírio”.
     “Quero que Jesus viva e cresça em mim. Que meios tomar para isso?” (Notas de retiro 1920)
     “Bem podemos sofrer por Jesus pois Jesus sofreu por nós”.

     Numa imagem do Calvário que ela tinha feito, Ana escreve: “De pé diante da Cruz sobre a qual o seu Filho estava suspenso, a Mãe das dores chorava com resignação. Dai-me a graça de chorar convosco”. Ela acrescentava: “Porque Jesus não é suficientemente amado”.
     Emprestai-m’O, Oh Maria minha boa Mãe
     Emprestai-me o vosso filho, apenas um segundo,
     Colocai-o nos meus humildes braços.
     Permiti-me, Maria
     De beijar os pés do vosso querido Filho
     Que me deu tantas graças.
     Como eu desejo, ó Maria
     Receber nos meus braços o vosso Filho,
     Dai-m’O, dai-m’O!
     Que feliz eu sou agora
     Pois tenho-O comigo!
(Canto composto por Ana para a comunhão)
Primeira Comunhão antes dos 6 anos completos
     À sua mãe que lhe pergunta por que razão deixou de usar o seu missal, ela responde: “Porque sei de cor as suas orações e distraio-me facilmente ao lê-lo. Pelo contrário, quando falo ao pequeno Jesus nunca me distraio. É como quando falamos com alguém, Mãezinha, sabemos muito bem o que dizemos”. (dezembro de 1919)

Alguns de seus "bilhetes"
Fonte: http://www.annedeguigne.fr/

Postado neste blog em 14 de janeiro de 2015

sexta-feira, 10 de janeiro de 2020

Santa Liberata, Virgem e mártir - 11 de janeiro

    
     A antiga Balchagian, hoje Bayona (Baiona), bela região da costa galega, era sede de Lucio Catelo, régulo da Galícia e Portugal. Sua esposa se chamava Calcia e ambos eram idó­latras e inimigos dos cristãos.
     Calcia teve em um só parto nove filhas, e pensando que este fato extraordinário poderia despertar suspeitas de seu esposo, e já que ele estava ausente, em segredo mandou que as nove meninas fossem lançadas no Rio de Ramallosa, distante dois quilômetros de Bayona.
     A parteira tomou as recém-nascidas e dirigiu-se para o local onde deveria cumprir a ordem de sua ama; entretanto, na metade do caminho, movida de compaixão por aquelas infelizes criaturas, pensou em salvá-las e, mudando de rumo, se dirigiu a um povoado próximo. Ali deixou as meninas aos cuidados de umas mulheres cristãs que se encarregaram de cria-las. Elas foram batizadas, educadas na fé cristã e no temor de Deus, e as nove irmãs ofereceram sua virgindade ao Senhor.
     No século II uma funesta perseguição ameaçava os cristãos estendendo-se até Balchagiarn. Os idólatras denunciaram as santas virgens que foram detidas e levadas à presença de Catelo. Este as ameaçou com o suplício se continuassem no cristianismo, mas elas não vacilaram diante de suas ameaças e responderam com firmeza que preferiam mil vezes a morte a abandonar a fé de Cristo.
     Impressionado com a fortaleza das meninas e notando serem elas parecidas com sua esposa, Catelo perguntou sua origem, e chamando Calcia, esta as reconheceu como suas filhas. Catelo então se viu diante de uma luta interna entre o amor de pai e a autoridade de juiz; tinha o maior empenho em convencê-las e suplicou com todo carinho que sacrificassem aos deuses. Calcia também tentou, entre lágrimas, persuadi-las, mas nada conseguiram. O pai enfurecido renovou as ameaças, concedendo-lhes um dia de prazo para decidirem-se a adorar os ídolos ou a morrer.
     As nove irmãs decidiram evitar o crime de seu próprio pai e fugiram da cidade cada uma por um caminho diferente. Catelo mandou persegui-las e oito delas foram martirizadas em diferentes locais. Liberata se retirou em um ermo e ali se entregou à oração e à penitência, alimentando-se de raízes e ervas, macerando seu corpo com todo tipo de rigor. Entretanto, como suas irmãs, foi descoberta pelos gentios que, atraídos por sua beleza, a instigaram ao pecado carnal, sendo sempre rechaçados por ela.
     Após ser capturada, a obrigaram a adorar aos deuses, saindo triunfante também desta prova. Para intimidá-la, mencionaram o martírio de suas oito irmãs, o que a levou a amar ainda mais a Deus e com alegria se entregou a seus verdugos. Foi submetida a vários tormentos e por último crucificada em Castraleuca, Lusitânia, no ano 139.
     Seu corpo existia na Catedral de Siguenza e alguns dos ossos de sua cabeça constavam em um sumário da Câmara Santa de Oviedo.
Culto e relíquias
     Ocorreram muitas confusões com o culto de Santa Liberata. Em 1568, com a reforma de Trento e a revisão dos cultos e breviários locais, o ofício próprio de Santa Liberata foi suprimido junto com todo o breviário de Siguenza, por conter muitos dados apócrifos de vários santos, não apenas de Liberata. Embora o culto à santa não tivesse sido suprimido, começou-se a rezar o ofício comum de virgens mártires.
     Em 1585 foram iniciadas gestões para que se tornasse a aprovar o antigo ofício e lições. Em 1599, nova insistência, porém havia uma polêmica nada pequena sobre o corpo que se venera em Siguenza. Se dizia que em 1300 o bispo Dom Simão havia trazido o corpo verdadeiro de Como, Itália. O corpo havia chegado ali após passar por um mosteiro de monges e outro de monjas, e repousar na Itália mais de oito séculos. Não esqueçamos de um detalhe: em Como, efetivamente, se venera uma Santa Liberata (16 de fevereiro), uma monja muito posterior à nossa Liberata.
     No século XIX isto foi refutado, demonstrando que o que o Bispo Simão fizera fora uma invenção das relíquias dentro da mesma igreja catedral de Siguenza, colocando umas relíquias dentro de uma urna de prata. Por uma bula de Inocêncio IV se pode afirmar que o mencionado corpo já era venerado em 1251. Esta Bula concede indulgências aos devotos da santa, o que leva a concluir que o santo corpo já era suficientemente venerado naquele local antes de 1300.
     Barônio acrescentou o nome de Santa Liberata no Martirológio Romano, com a anotação: “In verbo Liberatae, de hac tabula Ecclesiae Comensis, ubi acta ejus asservari dicuntur”. Uma parte destas relíquias foram dadas a Las Tablas, Panamá, onde há muita devoção à Santa Liberata.
     A capela de Santa Liberata consagrada em honra da mártir filha de Baiona e primeira mulher crucificada no mundo é de estilo italiano e a sua construção foi iniciada em 1695 por subscrição popular. A fachada do templo possui duas elegantes torres; no centro, sobre o lintel e escoltada por um antigo escudo de Baiona e outro do reino da Galiza, um nicho com a imagem da santa crucificada.


Fontes:
http://www.santiebeati.it/dettaglio/37200

quarta-feira, 8 de janeiro de 2020

Santa Gúdula, padroeira de Bruxelas - Festejada 8 de janeiro

     
     A Catedral de Bruxelas é visitada por todos que vão àquela cidade por causa de seu grande valor histórico e arquitetônico. Ela é dedicada a Santa Gúdula, virgem, padroeira de Bruxelas, muito pouco conhecida fora da Bélgica. Para muitos o seu nome soa estranho e bárbaro, como a longínqua época em que ela viveu.
     Segundo uma biografia escrita em 1047, Santa Gúdula nasceu numa aristocrática família franca. Seu pai era Viterico, duque da Lorena, e sua mãe, Santa Amalberga.
     Gúdula veio ao mundo no ano de 650, no Brabante, região central da atual Bélgica. É uma das estrelas de uma constelação de santos: filha de Santa Amalberga, afilhada de Santa Gertrudes de Nivelles e irmã de São Aldeberto e Santa Reinalda.
     Gúdula foi educada no Convento de Nivelles sob a tutela de sua santa madrinha. Por ocasião da morte de Santa Gertrudes, em 659, retornou à casa de seus pais. De acordo com alguns historiadores, Gúdula viveu reclusa no oratório de São Salvador de Moorsel, distante poucas milhas de sua casa paterna. Segundo outros, ela passou a viver em casa, levando uma vida extraordinária de piedade e de recolhimento.
     Narra a tradição que todas as manhãs, antes da aurora, Santa Gúdula se dirigia à capela de madeira dedicada a São Salvador, em Moorsel. Certa manhã, o demônio, furioso por vê-la tão devota, apagou a lanterna que ela levava. Gúdula ajoelhou-se no chão lamacento, se pôs a rezar e a lanterna acendeu milagrosamente. Este fato deu origem à iconografia da Santa: uma lanterna às vezes substituída por uma vela que a Santa tem na mão, enquanto o demônio, iracundo, jaz a seus pés e um anjo acende de novo o círio.
     Outra versão, conta que toda vez que Gúdula buscava chegar até a capela, o demônio enviava diabinhos para que estes, perturbassem sua concentração e com isso, conseguissem apagar a chama da lanterna. Vendo isto, Gúdula intensificava sua oração e um anjo do Senhor aparecia ao seu lado, afastando o mal. Cansado e vencido, o mal partia e Gúdula chegava protegida até a capela.
     Isto nos faz refletir sobre a força e o poder da oração, que é uma luz que nos conduz e nos protege em nosso caminho, afastando o mal que tenta nos prejudicar.
     A ação do anjo (protegendo e guiando Santa Gúdula) nos mostra como estas criaturas divinas colaboram na obra do Senhor e velam por nós, nos protegendo, mas também nos orientando em direção à Luz Divina. Nos momentos difíceis, somos guiados e protegidos pelos anjos do Senhor (por isso, a devoção aos anjos e, sobretudo, ao anjo da guarda é importante em nossa caminhada espiritual).
     Humberto, o antigo cronista de Lobbes, apresenta Santa Gúdula como uma mulher consagrada de corpo e alma ao socorro do próximo. Voltando um dia da capela de Moorsel, encontrou uma pobre mulher que levava nos braços um menino de dez anos, paralítico de pés e mãos. Gúdula tomou-o em suas mãos, acariciou-o e rezou com fervor Àquele que disse: "Tudo o que pedirdes a meu Pai em meu nome vos será concedido". O menino se sentiu curado imediatamente e começou a dar saltos de alegria.
     Em outra ocasião, uma leprosa chamada Emenfreda foi ao seu encontro. A Santa examinou suas chagas, consolou-a com pensamentos sublimes e em seguida a curou. Estes fatos prodigiosos rapidamente se tornaram conhecidos na região e uma multidão de sofredores procuravam-na em busca de alívio para os seus males.
     Após breve enfermidade Gúdula morreu, provavelmente em 8 de março de 712. O cronista Humberto descreve a desolação da pobre gente da comarca, que estava acostumada a vê-la como a uma espécie de fada protetora, e relata os grandes louvores que dela fizeram. Nunca se tinha visto tantas muletas e sacolas numa missa de funeral, que foi rezada na igreja de Ham (Alost, Bélgica). Gúdula foi enterrada em Vilvoorde.

Catedral S. Miguel e Sta. Gúdula, Bruxelas 
    Tempos depois, o corpo de Santa Gúdula foi transladado para Moorsel, e junto ao seu túmulo construiu-se um mosteiro que durou pouco tempo.
     Mais tarde, provavelmente em 977, seus despojos foram confiados a Carlos de França, filho de Luis, duque da Lorena. Durante uns sessenta anos Santa Gúdula repousou na Igreja de São Géry de Bruxelas.
     Finalmente, em 1047, o Conde de Lovaina, Lamberto II, transladou a preciosa relíquia para a Igreja de Molemberg, dedicada a São Miguel, a primeira paróquia de Bruxelas, mudando o seu nome para o de Santa Gúdula. O Conde erigiu ali uma colegiada. Nos Arquivos Gerais do Reino de Bruxelas encontramos um relato da história desta fundação. A partir de então, Bruxelas tomou-a como sua padroeira.
     O Martirológio Romano celebra a festa de Santa Gúdula em 8 de janeiro; a arquidiocese de Malinas e a diocese de Gante a celebram no dia 19 do mesmo mês.


https://en.wikipedia.org/wiki/Gudula
http://catholic.net/op/articles/1648/cat/1205/saint-gudule-of-brussels-.html

Relicário contendo fragmentos do rânio de Santa Gúdula (Catedral de
São Miguel e Santa Gúdula)


Postado neste blog em 5 de janeiro de 2012

sexta-feira, 3 de janeiro de 2020

Santa Genoveva, Virgem, Padroeira de Paris – 3 de janeiro

O que podemos aprender da maravilhosa história de Santa Genoveva

     Vivendo entre dois mundos — o da Gália romana, que se extinguia, e de cujo desmoronamento foi testemunha, e o da Gália franca, que nascia de suas cinzas e em cuja conversão trabalhou denodadamente — Santa Genoveva serviu de ponto de união entre romanos e bárbaros. E recebeu de Deus a missão de transmitir a fé católica dos vencidos aos vencedores, preparando assim as sementes daquela que seria a nação cognominada Filha Primogênita da Igreja, a França.

     3 de janeiro é a festa de Santa Genoveva, virgem (422-500). Vamos ler um breve relato biográfico de alguns episódios de sua vida extraordinária:
     Genoveva era famosa em todo o mundo. Enquanto ainda vivia sua fama e virtudes já eram conhecidas mesmo no Oriente. No topo de sua coluna, São Simeão Estilita teve uma visão dessa irmã espiritual e se correspondeu com ela.
     A capital da França foi confiada a ela. Ela era uma simples pastora protegendo o destino de Paris, assim como um pobre fazendeiro, São Isidoro, vigiou a capital espanhola.
     No século V, um dos maiores bispos da Gália relatou como essa jovem de Nanterre se tornou a esposa de Cristo.
     Por volta do ano 430, São Germano de Auxerre estava indo para a Grã-Bretanha para combater a heresia pelagiana. Acompanhados por São Lobo, bispo de Troyes, cuja missão ele deveria compartilhar, eles pararam na vila de Nanterre. Os dois prelados se dirigem à igreja, onde queriam rezar pelo sucesso de sua jornada. As pessoas fiéis os cercaram com piedosa curiosidade.
     Iluminado por inspiração divina, São Germano percebeu uma menina de sete anos no meio da multidão. Ele percebeu que o Senhor a escolhera de uma maneira singular. Ele perguntou o nome da criança e a trazem à presença dele. Ela se aproxima com os pais:
     "Esta é sua filha?", pergunta a eles Germano.
     "Sim, senhor", eles respondem.
     "Pais felizes de uma tal filha!", responde o bispo. “Quando esta criança nasceu, saibam que os anjos celebraram com grande alegria no céu. Esta criança será grande diante do Senhor e, pela santidade de sua vida, libertará muitas almas do jugo do pecado”.
     Então, voltando-se para a criança, ele disse:
     "Genoveva, minha filha".
     "Santo Padre", ela responde, "sua serva escuta".
     Germano diz:
     “Fale comigo sem medo. Você se consagraria a Cristo como seu esposo em uma pureza sem mancha?
     Ela responde: “Bendito sejais, meu pai! O que me pedis é o desejo mais querido do meu coração. É tudo o que eu quero. Por favor, dignai-vos pedir ao Senhor que me conceda isto”.
     "Tenha confiança, minha filha", responde São Germano, "seja firme em sua resolução, que suas obras sejam consistentes com sua fé, e o Senhor combinará suas forças com sua beleza".
     Após estas profecias, ela se tornou a grande Santa Genoveva que salvou Paris de um ataque dos bárbaros com o Santíssimo Sacramento. Assim, ela se tornou uma das maiores figuras da história da época. Agora vou comentar esta relato.
     A primeira coisa que se destaca é o admirável florescimento de almas santas na Idade Média. Olhem para as pessoas nesta história. Primeiro, há o Papa São Celestino I. Ele envia São Germano de Auxerre para defender a Inglaterra contra os hereges pelagianos. São Germano escolhe outro santo, São Lobo, bispo de Troyes, como seu companheiro de viagem. Assim, existem dois bispos santos enviados por um Papa santo para defender um país ameaçado pela heresia.
     Nesta cena, podemos sentir o calor da santidade e a intensidade da vida espiritual daqueles tempos. De fato, a Idade Média foi gradualmente construída sobre uma enorme coleção de santos, cujos relatos enchem volumes.
     Enquanto viajam, eles param em uma pequena cidade chamada Nanterre. Eles não procuram um hotel, albergue ou lugar para se divertir. O primeiro passo nesta parada de sua viagem estressante é ir a uma igreja para rezar. Estas figuras santas são tão ilustres e celebradas que atraem a atenção das pessoas da cidade quando entram na igreja. As pessoas os cercam enquanto rezam. Assim, os fiéis camponeses, não muito diferentes dos da época de Santa Joana d'Arc, alguns séculos depois, cercam os dois bispos, ajoelhados muito recolhidos diante do Santíssimo Sacramento em uma pequena capela. As pessoas olham e se maravilham com os bispos que estão intensamente absorvidos na oração.
     Quão raramente vemos hoje dois bispos santos rezando em uma capela do Santíssimo Sacramento com as pessoas olhando e maravilhando-se!
     Naquela atmosfera de fervor, uma graça visível do céu desce repentinamente sobre um dos bispos. Não é visível com os olhos, mas discernido pelas almas. Estes dois santos, enviados por um terceiro santo, percebem pela graça a presença de outro grande santo: uma menina de sete anos de idade. Diante da multidão espantada, São Germano profetiza sobre a menina dizendo que "quando essa criança nasceu, saibam que os anjos celebraram com grande alegria no céu".
     Imagine o espanto de toda a vila. A população já está empolgada com o fato sensacional de os bispos chegarem à sua pequena vila. De repente, o bispo fala sobre a menininha que sempre viram correndo descalça pela rua. Dizem que havia uma grande alegria no céu quando ela nasceu! No entanto, ninguém duvida ou pede provas do bispo. Todo mundo acredita nele porque, naqueles tempos abençoados, as pessoas tinham fé.
     Assim, todos, incluindo a menina e seus pais, acreditam. De fato, é tão natural que haja alegria no céu quando uma menina santa nasce! Houve tempos em que os santos eram frequentes e numerosos. Os santos têm um contato tão contínuo com o Céu que sabem o que está acontecendo lá. Com uma comunicação tão regular entre o Céu e a Terra, é natural que eles saibam!
     Quão diferente é isto do nosso tempo! Existe uma grande distância que nos separa do sobrenatural e do céu. Hoje, nossos contemporâneos se armam até os dentes para não admitir que algo vem do céu. Ocasionalmente, eles são relutantemente forçados a reconhecer, sem muito entusiasmo, que algumas coisas vêm do céu.
     Vemos o contrário no caso de nosso santo, que imediatamente percebe a vocação da menina e a ajuda a corresponder ao chamado divino.
     "Menina, você quer se consagrar a Deus?" "Meu pai, é o desejo mais querido do meu coração!", ela responde.
     O santo facilita sua entrada posterior em um convento. Assim, um sulco de luz se abre naquela cidade. A partir daquele momento a cidade nasceu na história, porque um grande evento sobrenatural aconteceu ali.
     Quando mais tarde ela foi recebida na vida religiosa, podemos imaginar sua chegada a um convento diante de uma abadessa santa. Ao ser informada de que ela deve ser recebida como freira, a abadessa não comenta como ela é bonita ou outra trivialidade, mas, em vez disso, poderia ter dito: "Esta jovem parece ter o espírito de Deus!"
     Santa Genoveva poderia ter dito: "Sim, eu tenho”, sem a menor nota de orgulho. No entanto, a abadessa poderia ter perguntado à mãe ou à outra que a acompanhava: "Por que está trazendo esta jovem?"
     "Porque São Germano de Auxerre e São Lobo de Troyes disseram que ela tem uma vocação", seria a resposta. Nesta resposta, a abadessa não precisava de mais nada - nenhuma carta certificada ou outros requisitos. Ela tem fé nos santos e recebe a jovem no convento, onde ela se santifica.
     A jovem entra e cresce como um cedro do Líbano. Ela enche a paisagem com sua presença e maneiras. Ela floresce como uma flor no centro do jardim espiritual do Ocidente. Oh, que felicidade! Embora não haja imprensa, rádio ou televisão, as notícias de sua fama se espalham por toda parte.
     De fato, na Ásia Menor, do outro lado do mundo cristão, São Simeão Estilita a ouve. Ele era o santo famoso que viveu no topo de uma coluna por anos e nunca desceu dela. Ele orava lá o tempo todo e era um verdadeiro eremita. Ele tem uma visão dela. Ele ouve suas virtudes e, com aqueles radares que os santos devem sentir um ao outro, ele percebeu que ela era sua irmã espiritual. De longe, no alto de sua coluna, ele se corresponde com esta flor nascida na doce terra da França.
     Tais contatos viajam sobre oceanos, ilhas, cadeias de montanhas, desertos e extensões povoadas. Dessa maneira, estes dois santos formaram uma espécie de arco voltaico de santidade na época. Esta história nos ensina a beleza daqueles tempos em que os santos andavam na Terra.

Este artigo foi retirado de uma palestra informal proferida pelo professor Plinio Corrêa de Oliveira em 3 de janeiro de 1966. Foi traduzida e adaptada para publicação sem sua revisão.

Fonte: https://www.tfp.org/ 

Milagrosa atuação post mortem
     No ano 887, do Céu, novamente Santa Genoveva salvou sua cidade de Paris, sitiada pelos terríveis normandos. Pela primeira vez sua urna, cinzelada pelo famoso Santo Elói, foi levada pelo Clero e Magistrados, o que fez levantar milagrosamente o cerco, no momento em que o inimigo se preparava para o assalto final.
     E, em 1129, quando a epidemia chamada “dos ardentes” – porque provocava alta temperatura e fazia inúmeras vítimas em Paris – grassava na cidade, sua intercessão foi decisiva. Outra vez, a urna contendo seus restos percorreu a cidade, curando-se repentinamente 14 mil enfermos.

Santíssimo Nome de Jesus – 3 de janeiro


     Todos os meses, a Igreja Católica tem um tema devocional. Janeiro, por exemplo, é o mês do Santíssimo Nome de Jesus, um momento ideal para fortalecer nossa conexão com o belo nome de Nosso Senhor.
     A Invocação ao Nome de Jesus é antiquíssima, sua divulgação contou com a grande influência dos Padres do Deserto. Uma primeira forma de uma oração com este nome foi mencionada por São Diádoco de Foticeia, monge asceta da Grécia no início do século V. A mesma prece foi depois inserida na coletânea de textos espirituais conhecida como Filocalia (ou Philokalia), que veio a se tornar um livro básico da tradição cristã oriental.
     A devoção ao Santíssimo Nome de Jesus já existia na Igreja desde o seu início, contudo, ela teve uma maior propagação como uma comemoração litúrgica no século XIV. Nessa ocasião ela foi difundida sobretudo por São Bernardino de Sena, que ensinava: "Este é aquele santíssimo nome desejado pelos patriarcas, esperado com ansiedade, suplicado com gemidos, invocado com suspiros, requerido com lágrimas, dado ao chegar à plenitude da graça".
     A festa do Santíssimo Nome de Jesus começou a ser celebrada em Camaiore di Luca, na Itália, logo depois de aprovada para a Ordem dos Franciscanos (1530). Sob o pontificado de Inocêncio XIII (1721) a devoção foi estendida para toda a Igreja.
Devoção com profundas raízes bíblicas.
     O próprio Deus revelou o Nome JESUS a ser imposto ao Verbo Encarnado, para significar a sua missão de Salvador do gênero humano. Já na Anunciação Nossa Senhora ouviu do Anjo: "Não temas Maria, pois encontraste graça diante de DEUS. Eis que conceberás e darás a luz um filho, e lhe porás o nome de JESUS. Ele será grande e chamar-se-á FILHO DO ALTÍSSIMO, e o Senhor DEUS lhe dará o trono de seu pai Davi; e reinará eternamente na casa de Jacó e o seu reino não terá fim". (Lc 1, 30-34)
     São Paulo recomendava: “Ao Nome de JESUS todo joelho se dobre no céu, na terra e nos abismos; e toda língua proclame, para glória de DEUS PAI, que JESUS CRISTO é Senhor!” (Fl 2,10s) Ainda vemos nos Evangelhos: "Estes milagres acompanharão os que crerem: expulsarão os demônios em MEU NOME, falarão novas línguas, manusearão serpentes e, se beberem algum veneno mortal, não lhes fará mal; imporão as mãos aos enfermos e eles ficarão curados" (Mc 16,17-18). "O que pedirdes ao Pai em meu nome, ele vo-lo dará" (Jo 16,23). Em nome de Jesus, os Apóstolos deram força aos aleijados (At 3,6; 9,34) e vida aos mortos (At 9,40). A Igreja costuma terminar as suas orações com as palavras "Por Jesus Cristo, nosso Senhor", cumprindo assim o que escreveu São Paulo: "Para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho no céu, na terra e nos infernos" (Fl 2,10).
O nome JESUS
     O nome "Jesus" vem do latim "Iésus", procedente do grego "Iesous", que, por sua vez, se origina do hebraico "Jeshua" ou "Joshua", duas variantes da expressão "Jehoshua", que quer dizer "Deus é Salvação". O monograma grego IHS que traz três letras do nome Jesus tornou-se uma interpretação piedosa que não mais considerava IHS como sendo as três letras iniciais do Nome de Jesus, mas as entendia como sendo uma sigla latina assim interpretada: "I" como Iésus (Jesus); "H" como Hóminum (dos homens) e "S" como Salvátor (Salvador), ou seja, "Iésus Hóminum Salvátor", "Jesus Salvador dos Homens".
     Este monograma acabou sendo adotado por Santo Inácio de Loyola como emblema dos padres jesuítas por ele fundados.
Invocações
     Uma simples e riquíssima tradição, focada em Jesus e na Sua misericórdia mostra algumas das várias formas diferentes de invocar o Santo Nome de Jesus:
     Senhor Jesus Cristo, tende piedade de mim! Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus, tende piedade de mim, pecador! Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus, tende piedade de nós, pecadores! Jesus Cristo, Filho de Deus, Senhor, tende piedade de nós, pecadores! Senhor Jesus, misericórdia!
     O Santíssimo Nome de Jesus exprime da maneira mais sublime o que pôde encontrar a sabedoria e a misericórdia divinas para salvar a humanidade decaída. É um nome grande e eterno, poderoso e terrível, vitorioso e misericordioso, o único que nos pode salvar. É melodia para o ouvido, cântico para os lábios e alegria para o coração... "Ilumina, conforta e nutre; é luz, remédio e alimento" (S. Bernardo).
Terno amor por este nome
     Tenhamos o mais terno amor pelo Nome de Jesus. Tenhamos nele a mais total confiança, por ele o mais profundo respeito, para ele o canto mais sublime. Invoquemo-lo nas tentações, nas provas e nos perigos e pronunciemo-lo frequentemente durante o dia. Ao lado do Nome de Maria, seja a primeira palavra da manhã e a derradeira da tarde. (JSG)
     Vamos, portanto, dar grande honra a esse nome! Seguem formas de como podemos honrar o Santíssimo Nome de Jesus, em especial no mês de janeiro, mas que sempre nos devemos lembrar.

1 Nunca tomar o nome de Jesus em vão
     Jure nunca tomar o nome do Senhor em vão (soa como uma perfeita resolução de Ano Novo!) e corrija imediatamente se você acidentalmente o fizer ou se ouvir alguém fazer isso. Como você pode reparar? Uma maneira é saber de cor esta curta oração: “Admirável é o nome de Deus”. Essa oração de louvor pelo Santíssimo Nome de Deus também é uma oração de reparação por blasfêmia.
2 Curve a cabeça quando ouvir o nome Jesus
     As escrituras nos dizem: “para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho no céu, na terra e nos infernos” (Filipenses 2,10). O Concílio de Lyon, em 1274, declarou: “Cada um deve cumprir em si mesmo o que está escrito para todos, que ao Nome de Jesus todo joelho deve dobrar; sempre que esse nome glorioso é lembrado, especialmente durante os sagrados mistérios da Missa, todos devem dobrar os joelhos de seu coração, o que ele pode fazer mesmo com um arco de sua cabeça”.
3 Celebre a festa do Santíssimo Nome de Jesus
     Vá à Missa do dia 3 de janeiro e, ao rezar, tente prestar atenção especial a essas palavras do Pai Nosso, “santificado seja o Vosso Nome” e tenha o propósito de viver de acordo com esse ensinamento: ajudando a santificar o nome de Deus.
4 Adore o Menino Jesus como os Reis Magos
     Assim Jesus Menino foi adorado pelos três Reis Magos, vamos adorá-lo também. Para a Festa da Epifania, é tradição em alguns lugares abençoar sua casa, escrevendo as iniciais dos nomes dos Reis Magos com giz na porta de entrada. Quando a bênção da casa estiver concluída, por que não desfrutar de um Bolo Epifania, que também é uma tradição em vários países? Na internet, é possível pegar várias receitas.
5 Peça diariamente as bênçãos de Maria e José
     O nome de Jesus foi revelado a José em sonho e à Nossa Senhora na Anunciação. Peça que José e Maria aumentem seu amor por Jesus, juntamente com sua reverência pelo Seu Santíssimo Nome
6 Adicione preces especiais na rotina de oração
     Uma oração de quase 600 anos ao Santíssimo Nome de Jesus. A Ladainha ao Santíssimo Nome de Jesus foi composta por São João de Capistrano (1386-1456) e por São Bernardino de Sena (1380-1444) e aprovada para uso privado pelo Papa Sixto V em 1585. O Papa Leão XIII a aprovou para uso público na Igreja em 1866. Quem a recitar poderá receber indulgência parcial se cumprir o requisito básico para toda indulgência: estar em graça e com a disposição de abandonar todo tipo de pecado, inclusive o venial.


Fonte (excertos): Annabelle Moseley | Jan 02, 2020 - https://pt.aleteia.org

sábado, 28 de dezembro de 2019

Os Santos Inocentes são Mártires devido à Bondade de Deus – 28 de dezembro

    
O massacre dos Santos Inocentes, Notre-Dame de Paris

     O notável abade Prosper Guéranger comenta uma passagem do Sermão de São Bernardo na Festa dos Santos Inocentes. São Bernardo observa:
     “Em Santo Estêvão temos o ato e o desejo do martírio; em São João, temos apenas o desejo; nos santos inocentes, temos apenas o ato..."
     Este comentário é um pouco complexo, mas pode ser facilmente entendido. Santo Estêvão queria ser um mártir e se tornou um por sua morte. São João queria ser um mártir, mas não foi morto pela fé. Os Santos Inocentes, que eram as crianças mortas por Herodes para ver se ele poderia matar o Messias, não queriam se tornar mártires e foram martirizados por uma força externa. De fato, em sua pouca idade, eles não tinham vontade nem entendimento do que estava acontecendo. No entanto, eles se tornaram mártires involuntários.
Eles são verdadeiros mártires?
     Assim, São Bernardo levanta o problema de saber se essas crianças devem ser reconhecidas como mártires:
     “Alguém duvidará se uma coroa [de martírio] foi dada a esses inocentes?... Se você me perguntar que méritos eles poderiam ter para que Deus os coroasse? Deixe-me perguntar-lhe qual foi a culpa pela qual Herodes os matou? O que! A misericórdia de Jesus é menor que a crueldade de Herodes? E, embora Herodes pudesse matar esses bebês, quem não lhe haviam causado ferimentos, Jesus não podia coroá-los por morrer por ele?”
     Este é um argumento bem disputado e triunfante.
     “Estêvão, portanto, é um mártir de um martírio que os homens podem julgar, pois ele deu essa prova evidente de que seus sofrimentos eram sentidos e aceitos, que no momento de sua morte sua solicitude tanto por sua própria alma quanto pela dos de seus perseguidores aumentaram; as dores de sua paixão corporal eram menos intensas do que o afeto da compaixão de sua alma, o que o fez chorar mais por seus pecados do que por suas próprias feridas.
      “João foi um mártir, por um martírio que apenas os anjos podiam ver, pois, como as provas de seu sacrifício eram espirituais, somente criaturas espirituais podiam conhecê-los.
     “Mas os inocentes foram mártires, para nenhum outro olho exceto o vosso, ó Deus! O homem não encontrou mérito; o anjo não encontrou mérito; a extraordinária prerrogativa de vossa Graça é a mais ousada”.
Eles são mártires devido à bondade de Deus
     Assim, os homens viram o martírio de Santo Estêvão, mas não o de São João, porque era um desejo interior que somente os anjos podiam ver. Onde está o mérito dos Santos Inocentes, que nem mesmo os anjos podiam ver, pois nenhum ato existia da parte deles? Anjos não podem ver o que não existe.
     O mérito é encontrado em um ato puro da bondade de Deus. Foi Sua bondade gratuita, pela qual Ele lhes concedeu a condição de mártires, porque eles morreram por Ele. São Bernardo diz isso em linguagem poética que é muito bem analisada e muito bonita.
Paz também para homens sem vontade
     São Bernardo continua:
     "Da boca das crianças e dos pequeninos sai um louvor" (Sl 8: 3). O louvor que os anjos te dão é: 'Glória a Deus nas alturas, e paz na terra aos homens de boa vontade’ (Lc 2:14). É um louvor magnífico, mas me atrevo a dizer que não é perfeito até que venha quem dirá: ‘Deixem vir a mim as crianças e não as impeçam, pois o Reino dos céus pertence aos que são semelhantes a elas". (Mt. 19:14), e no mistério da minha misericórdia, haverá paz para os homens que não podem sequer usar sua vontade”.
     É um pensamento muito bonito que a paz dos homens de boa vontade se estenda até aos homens sem vontades. Isso mostra a exuberância da misericórdia de Deus, pela qual os Santos Inocentes são santos.
     Assim, uma legião de inocentes está no céu e reza continuamente por nós.
O plano salvífico de Deus para a Humanidade
     Essa perspectiva nos ajuda a entender um pouco melhor como o mundo se encaixa no plano salvífico de Deus para a humanidade. Apesar do grande número de pecadores que morrem sem arrependimento, ainda há um grande número de crianças que morrem batizadas e sem culpa e vão direto para o céu. Assim, em grandes cidades do Brasil, como São Paulo, onde pessoas muito más morrem continuamente, muitas almas também vão para o céu diariamente. À medida que a população cresce, também cresce o número de santos inocentes que são batizados e vão para o céu.
     Assim, os tronos deixados vazios pelos anjos que pecaram continuam sendo preenchidos de acordo com o plano de Deus. Considerando esse plano em escala global, podemos imaginar um grande número de almas justas indo para o céu.
     Felizmente, as campanhas maciças contra a mortalidade infantil resultaram em menos mortes desse tipo. No entanto, tal é nosso tempo, que mesmo essa possibilidade de almas justas irem para o céu é significativamente reduzida. Ataques contra inocentes aumentaram com pessoas matando-os por meio do aborto. Muitas outras almas inocentes crescerão e serão corrompidas pela imoralidade e pecados que provavelmente as enviarão para o inferno. Fora do castigo previsto em Fátima, não vejo remédio para esse problema.
Rezem aos santos padroeiros naturais de suas famílias
     Nesta ocasião, devemos nos lembrar que aqueles que tenham santos canonizados em suas famílias devem ser muito devotados a eles. No entanto, nem todas as famílias têm santos canonizados. Em quase todas as famílias - senão entre irmãos, pelo menos entre primos ou parentes um pouco distantes - houve crianças batizadas pouco antes de morrer que estão no céu. No céu, essas crianças desfrutam da lucidez total de uma alma salva que vive com Deus face a face. Podemos ter certeza absoluta de sua salvação e devemos orar e nos recomendar às suas orações.
     Quando tivermos dificuldades, lembremo-nos das crianças que nasceram em nossas famílias e morreram logo após o batismo. Elas são os santos padroeiros naturais de nossas famílias. É muito razoável, útil e vale a pena rezar a essas crianças para proteger-nos. Esta é uma sugestão oportuna na festa dos Santos Inocentes.
O massacre dos inocentes, Frá Angélico
O artigo foi retirado de uma palestra informal proferida pelo Prof. Plinio Corrêa de Oliveira em 28 de dezembro de 1965. Foi traduzida e adaptada para publicação sem sua revisão. - Ed.
Fonte: tfp@tfp.org