terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Santa Sotera, Virgem e Mártir - 11 de fevereiro


Via Appia Antica, Roma
 

     Santo Ambrósio, o célebre pastor da Igreja de Milão, que era sobrinho-neto desta Santa, felicitava sua família por ter produzido esta ilustre mártir e a considerava o seu mais belo ornamento. Ele celebrava o martírio de sua parente que descendia como ele da gens Aurelia (1)
     Sotera contava entre seus ancestrais com uma longa linhagem de cônsules, prefeitos e governadores de províncias. Mas sua verdadeira glória consiste em ter desprezado, por amor de Jesus Cristo, a nobreza de nascimento, o brilho de sua beleza, as vantagens da fortuna, enfim, todos os seus bens, que atraem os desejos dos mundanos.
     Ela fez o sacrifício de sua virgindade a Deus e, como sua grande beleza a expunha a grandes perigos, ela negligenciava o cuidado de sua aparência e dispensava o uso de todo ornamento criado para atrair a atenção. Foi assim que ela se preparou para dar um glorioso testemunho da divindade de Jesus Cristo.
     A ocasião se apresentou imediatamente após a publicação dos editos bárbaros que Diocleciano e Maximiano promulgaram contra os fieis. Sotera foi aprisionada, conduzida diante dos magistrados, que fizeram com que ela fosse rudemente golpeada no rosto. Ela se alegrou por ser tratada como seu Salvador e recebeu com paciência admirável os golpes que lhe foram dados na face. “O perseguidor esperava que ao menos a vergonha a fizesse ceder, mas ela se alegrava em perder a beleza perecível, a fim de colocar seu pudor ao abrigo do perigo. Podiam ferir seu rosto; a beleza interior permaneceu intacta” (2).
     Assim”, continua Santo Ambrósio, “por causa de tratamentos injuriosos reservados aos escravos, ela atingiu o cume de sua paixão, tão corajosa e tão doce que o verdugo se cansou de bater em sua face antes que a mártir se fatigasse de sofrer seus ultrajes. Não a viram baixar a cabeça, nem virar a fronte; ela não deu um gemido, não verteu uma lágrima. Enfim, após sofrer todos os tormentos, ela recebeu da espada o golpe desejado”. (3)
     O juiz, vendo que o suplício não produzia o efeito desejado, ordenou novos golpes que não foram mais eficazes. Santa Sotera os sofreu sem sequer dar o menor suspiro e sem deixar correr uma só lágrima.
     Esta constância tão heroica em uma frágil virgem cobriu o magistrado de confusão. E porque não podia mais suportar sua vergonha e raiva, ordenou que ela fosse decapitada. Seu martírio ocorreu por volta do ano 304.
     Sotera foi sepultada no cemitério que leva o seu nome, vizinho ao cemitério de Calisto. Esta área não foi confiscada provavelmente porque era de direito privado, não tendo ainda sido dada a Igreja quando a perseguição eclodiu. (4)
     O Martirológio Jeronimiano menciona que Sotera foi sepultada inicialmente na Via Ápia e somente depois o Papa Sérgio II trasladou suas relíquias para a igreja de São Martino ai Monti.
     Esta ilustre mártir é mencionada em antigos martirológios.
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(1) Sobre a família e a nobreza de Santa Sotera, Roma sotterranea, p. 23-29.
(2) Santo Ambrósio, De Exhortatio virginis, 12.
(3) Santo Ambrósio, De Virginibus, III, 6

(4) Roma sotterranea, t. III, p. 36
 
Fontes : Vies des pères, des martyrs, et des autres principaux saints, volume 2, par Alban Butler, Jean François Godescard, Charles Butler, Lactantius, 1828. et Histoire universelle de l'Église catholique, tome 3, par René François Rohrbacher, 1866.
 
Etimologia: Sotero (a), do grego Sotér: "salvador".

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