sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Santa Justina, virgem e mártir - 26 de setembro


     Vivia em Antioquia, região situada entre a Síria e a Arábia, pertencente ao governo da Fenícia, a bela e rica donzela Justina. Seu pai Edeso, sacerdote dos ídolos, e sua mãe Cledônia a educaram nas tradições pagãs. Ela “sentava-se todos os dias à janela a ouvir o diácono Prélio ler o Evangelho, até que, por fim, foi convertida por ele”(*) ao Cristianismo, dedicando sua vida às orações, consagrando e preservando sua virgindade.
     Um jovem rico chamado Acládio apaixonou-se por Justina. Os pais da donzela, agora já convertidos à fé cristã, concederam-na a ele por esposa, mas Justina não aceitou casar-se. Acládio recorreu a Cipriano, o feiticeiro, para que este usasse seu poder para que a donzela abandonasse a Fé e se entregasse ao matrimônio.
     Cipriano de Antioquia, o feiticeiro, assim denominado para distinguir-se de Cipriano de Cartago, era filho de pais pagãos muito ricos. Desde menino foi induzido aos estudos da feitiçaria e das ciências ocultas como a alquimia, astrologia, adivinhação e as diversas modalidades de magia.
     Após muito tempo viajando pelo Egito, Grécia e outros países aperfeiçoando seus conhecimentos, aos trinta anos de idade Cipriano foi à Babilônia a fim de conhecer a cultura ocultista dos Caldeus. Encontrou a Bruxa Évora e intensificou seus estudos e aprimorou a técnica da premonição. Évora morreu em avançada idade deixando seus manuscritos para Cipriano, o que foi de grande proveito para ele. O feiticeiro logo se tornou conhecido, respeitado e temido por onde passava.
     Cipriano iniciou o ataque contra Justina: usou um pó que despertaria a luxúria, ofereceu sacrifícios aos demônios e empregou diversas obras malignas. Mas Justina se defendia redobrando as orações a Deus e fazendo o Sinal da Cruz a cada novo ataque do demônio, e as magias não obtinham resultado.
     A ineficácia dos feitiços fez com que Cipriano caísse em si e se desiludisse profundamente de sua fé pagã e se voltasse contra o demônio. Ele foi ter com o bispo contando-lhe tudo o que havia acontecido, protestando sincero arrependimento e pedindo-lhe que o batizasse. Assim, o bruxo se converteu ao Cristianismo, queimou seus manuscritos de feitiçaria e distribuiu seus bens entre os pobres.
     Cipriano avançou tanto no conhecimento da doutrina como na vida cristã que foi ordenado bispo após a morte do titular. Ele então pôs Justina à frente de um grupo de muitas virgens. São Cipriano enviava muitas cartas aos mártires fortalecendo-os no combate.
     Chegou ao conhecimento do governador romano daquela região a fama de Cipriano e de Justina. Baseando-se no decreto do imperador Diocleciano, que perseguia os cristãos, ordenou que fossem presos, torturados e forçados a negar a Fé Cristã.
     Diante do governador Justina foi chicoteada e Cipriano açoitado com pentes de ferro, mas não cederam. Irritado com esta resistência, o governador ordenou que Cipriano e Justina fossem lançados numa caldeira cheia de banha e cera ferventes. Eles não só não renunciaram à Fé, como sentiam muito frescor em vez de qualquer suplício.
     O sacerdote dos ídolos supôs que as torturas não produziam resultado devido a algum feitiço lançado por Cipriano. Desafiando-o, ele invocou os demônios e atirou-se na caldeira. Em poucos segundos seu corpo foi destruído.
     O governador então ordenou que Justina, Cipriano e outro cristão de nome Teoctisto fossem decapitados. Era o ano 302. Os seus corpos ficaram expostos aos cães por seis dias, mas estes não os tocaram; foram depois recolhidos pelos cristãos e trasladados para Roma.
     Estes santos foram introduzidos por São Beda em seu Martirológio, e por meio dos martirológios históricos passaram para o Martirológio Romano, onde são comemorados no dia 26 de setembro.
     Obs.: Justina vem de justitia, “justiça”.
 
(*) Fonte: Legenda Áurea, Tiago de Voragine.

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