quarta-feira, 27 de julho de 2016

Beata Maria Pierina de Michelli e a Sagrada Face de Jesus - 26 de julho

    
      Madre Maria Pierina de Michelli nasceu em Milão, Itália, em 11 de setembro de 1890 e faleceu em 26 de julho de 1945 aos 55 anos. Foi privilegiada com muitas visões da Virgem Maria e do próprio Jesus para espalhar a devoção à Sagrada Face, em reparação dos muitos insultos que Ele sofreu em Sua Paixão, e sofre ainda nos dias de hoje. Desde criança Irmã Pierina praticava atos de reparação, os quais aos poucos a levaram a uma imolação completa de si mesma.
     Seus restos mortais estão no Instituto Espírito Santo, em Roma. Sua morte não teve as características da morte dos homens em geral, foi uma passagem de amor, como ela mesma escreveu em seu diário no dia 19 de julho de 1941: "Sinto um desejo profundo de viver sempre unida a Jesus, para amá-lo intensamente, porque a minha morte só pode ser um transporte de amor ao meu esposo, Jesus”.
     Maria Pierina tomou o hábito das filhas da Imaculada Conceição no dia 14 de maio de 1914. Quando noviça ainda obteve licença para fazer a adoração noturna, e quando na noite de Quinta-Feira Santa estava rezando diante do Crucificado, escutou as palavras: “Beija-Me!” Irmã Maria Pierina obedeceu sem demora, e seus lábios, em vez de pousar sobre uma face de gesso, sentiram viva a Face de Jesus.
     A noite inteira passou na igreja, pois quando a Madre Superiora ali a encontrou já era de manhã. O coração abalado com o sofrimento de Jesus sentiu o desejo de reparar os ultrajes que Ele recebera na Sagrada Face e continua há receber a cada dia no Santíssimo Sacramento.
     Em 1919, a Irmã Maria Pierina foi enviada para a Casa Mãe, em Buenos Aires. No dia 12 de abril de 1920, quando ela reclamou a Jesus sobre a dor que sentia, Ele se apresentou a ela coberto de sangue e com uma expressão de ternura e de dor "que eu nunca vou esquecer", escreveu ela, Ele disse: "E eu, o que Eu fiz?"
     Com o passar dos anos, Jesus se lhe manifestava de vez em quando, ora triste, ora ensanguentado, pedindo sempre reparação. E foi por isso que o desejo de sofrer e de se sacrificar pelas almas cresceu mais e mais no coração de Irmã Pierina.
     Em carta ao Papa Pio XII, em 1943, por ocasião de uma visita ao trono de Pedro, Irmã Maria Pierina escreve: “Eu tinha doze anos quando, na Sexta-Feira Santa, esperava em minha paróquia a minha vez de beijar o crucifixo, e ouço uma voz distinta que diz: ‘Ninguém me dá um beijo de amor no rosto, para reparar o beijo de Judas?’Acreditei, na minha inocência de menina, que todos ouvissem a voz, e fiquei com muita pena vendo que continuavam a beijar as chagas e que ninguém pensava em beijá-lo no Rosto. Eu darei o beijo de amor, Jesus, tenha paciência. Na minha vez, apliquei-lhe um forte beijo no Rosto, com todo o ardor do meu coração. Eu estava feliz, acreditando que Jesus, agora contente, não sofreria mais aquela pena”.
     Assim ela conta, na carta a Pio XII: “Em 31 de maio de 1938, quando rezava na capelinha de meu noviciado, uma Bela Senhora se apresentou a mim; tinha nas mãos um escapulário formado por duas flanelinhas brancas, unidas por um cordão. Em uma estava a ‘imagem’ da Sagrada Face de Jesus e a frase: ‘Ilumina Domine Vultum Tuum super nos’ (Fazei resplandecer sua Face sobre nós) e na outra uma hóstia circundada por raios e com a frase: ‘Mane nobiscum Domine’ (Fica conosco, Senhor)”.
     Irmã Maria Pierina encontrou muita dificuldade em conseguir que seus superiores atendessem ao pedido de Maria Santíssima em fazer este escapulário. Não só se negaram a fazê-lo como também a proibiram de fazê-lo. Tinham-na por louca, desiquilibrada e não acreditavam nestas Aparições.
     Até que um dia a Madre Superiora do convento foi substituída. Irmã Maria Pierina então foi relatar a nova superiora as Mensagens e o pedido de Nossa Senhora em fazer o Escapulário. A princípio ela não acreditou, mas, depois, tocada pela vida e santidade da Irmã Maria Pierina, convenceu-se da veracidade das Aparições e concordou em ajudar.
     Contudo, disse à Irmã Maria Pierina: "Diga a Nossa Senhora que não posso fazer o Escapulário, mas, se Ela aceitar, farei uma Medalha da Sagrada Face com as inscrições que Ela pediu". Irmã Pierina então perguntou a Santíssima Virgem se Ela aceitaria a Medalha. Nossa Senhora aceitou.
     No dia 7 de abril de 1943 a santíssima Virgem lhe apareceu e disse: Minha filha, não se preocupe, pois o escapulário é substituído pela Medalha, com as mesmas promessas e favores. Só resta difundi-las mais ainda. Ora, interessa-me muito a festa da Sagrada Face de meu  Divino Filho. Diga-o ao Papa que esta festa tanto me interessa”. Em seguida abençoou-a e desapareceu.
     Após grandes dificuldades, obteve permissão para cunhar a medalha.  As despesas de encomenda  das medalhas foi um milagre: Irmã Pierina encontrou em sua mesa um envelope com a quantia exata de 11.200 liras, dinheiro necessário para cunhar as primeiras Medalhas.
     O demônio mostrou seu desgosto, ódio e raiva em ver as Medalhas prontas. Este infernal inimigo de Deus derrubou as Medalhas no chão, pelos corredores e pelas escadas, quebrou imagens e queimou as imagens da Sagrada Face e bateu na Irmã Pierina. Em vão, as Medalhas seguiram seu destino: os pecadores necessitados da Face do Senhor!
     Durante a Segunda Guerra Mundial, o mundo estava em turbulência. Neste período, na Itália, viu-se uma ampla distribuição desta medalha. A primeira medalha foi enviada ao Santo Padre e depois começou a distribuição e logo reconhecida como miraculosa.
     Parentes e amigos dos combatentes enviaram aos soldados, marinheiros e aviadores a réplica da Sagrada Face de Jesus. Homens, mulheres, crianças, jovens, velhos, sãos, enfermos, cristãos, bêbados e prisioneiros de guerra: todos  experimentaram seu prodigioso efeito.  Desde então, a medalha tornou-se famosa por seus milagres e grandes favores espirituais e temporais.
 “Quem Me contempla, Me consola”
     Durante a oração noturna da primeira sexta-feira da quaresma em 1936, Jesus, depois de havê-la feito participante das dores da agonia do Getsêmani, disse-lhe, mostrando sua Face coberta de sangue e tomada de grande tristeza: “Quero que Minha Face, que reflete a Minha íntima aflição de meu ânimo, a dor de Meu coração, seja mais honrada”. Jesus tornou a dizer-lhe: “Cada vez que se contemplar Minha Face, derramarei Meu Amor nos corações, e por meio de minha Sagrada Face obter-se-á a salvação de muitas almas”.
     Na primeira terça-feira (da paixão de 1937) depois de ter sido instruída na devoção da Sagrada Face, conforme ela escreveu, Jesus lhe disse: “Pode ser que algumas almas receiem que a devoção e o culto da Minha Face venha a diminuir a do Meu Coração. Diga-lhes que, ao contrário, será completada e aumentada. Contemplando a Minha Face, as almas participarão das Minhas dores e sentirão a necessidade de amar e reparar. Pois não é esta a verdadeira devoção ao Meu Coração?
     Madre Pierina de Micheli morreu no dia 26 de julho de 1945 na Casa da Santa Face em Centonara d’Artò (Novara). Foi beatificada na Basílica de Santa Maria Maior, em Roma, no dia 30 de maio de 2010.
     No dia 10 de janeiro de 1959, a Congregação dos Ritos em Roma, com a aprovação de João XXIII, concedeu aos Bispos e Sacerdotes do Brasil a aprovação para a festa da Sagrada Face, a ser comemorada na 3ª Feira de Carnaval, aprovando o texto da Missa. Podemos dizer que esta devoção já está espalhada pelo mundo inteiro. Ela é muito antiga, cheia de contemplação, de oração e intercessão.


2 comentários:

  1. pena que muitos padres e fiéis ainda ignoram essa festa...

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  2. Sr. Edson, é mesmo uma pena! Inclusive, quem se lembra dos sofrimentos do Redentor na 3a. feira de carnaval? Como temos que pedir que Ele renove a face da Terra... e a torne mais semelhante a Sua Santa Face!

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