sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Beata Maria Ana Sala, Religiosa Marcelina - 24 de novembro

     Em Brivio, às margens do Rio Adda, no território de Lecco, no dia 21 de abril de 1829, nasceu Maria Ana, a quinta de 8 filhos de João Maria Sala e Joana Comi. Mariana foi batizada na paróquia vizinha no dia do seu nascimento.
     Seu pai, homem de grande fé e trabalhador, comerciante de madeira, possuía no centro da cidade urna casa cômoda, com entrada ampla, um pátio vasto e barulhento. Nesta casa Mariana nasceu e cresceu como seus irmãos no afeto do lar, num clima de paz e serenidade.
     Na sua infância pura e simples alimentou sua profunda piedade com assíduo estudo das verdades da fé, sempre presentes em sua lúcida inteligência. Particularmente caro à devoção de Mariana quando criança foi um pequeno santuário, oratório de São Leonardo, um pouco fora da cidade, onde se venerava urna imagem de Nossa Senhora.
     Diante desta imagem Mariana e uma de suas irmãs se prostraram numa ardente prece num momento de grande dor para o seu coração de criança: a enfermidade da mãe. Enquanto as crianças rezavam – como mostra um quadro votivo da família Sala – a enferma se sentiu curada, com intima certeza de haver visto junto a si a Virgem Maria abençoando-a.
     Corria em Brivio a fama da recente fundação de um Instituto feminino, o das Marcelinas, aberto em Cernusco sul Naviglio (Milão), em 1838, pelo diretor espiritual do Seminário, o Beato Luiz Biraghi. O objetivo do Instituto era educar as jovens à luz da fé cristã, segundo programas sólidos de ensino, sem deixar de lado as atividades domésticas.
     As Marcelinas abriram, em 1841, um segundo Colégio em Vimercate, na baixa Brianza. Neste Colégio João Maria Sala quis que suas filhas, Mariana (1842), em seguida Genoveva e Lúcia, completassem seus estudos. Mariana distinguiu-se como aluna exemplar e em 1846 conseguiu, com ótimos resultados, o diploma de professora primária.
     No ativo recolhimento do Colégio, encontrou um tesouro superior àquele que os títulos de estudo lhe asseguravam: acolhera no coração o chamado de Cristo à vida consagrada, apostólica e evangelizadora, como suas educadoras, das quais admirara o zelo e a piedade, sob a orientação da Madre Videmari, fervorosa colaboradora do Fundador.
     Ao chamado de Cristo, Mariana respondeu com o seu «sim» de total devotamento, tendo, porém, que esperar dois anos antes de realizar seu desejo. No dia 13 de fevereiro de 1848, Mariana voltou ao Colégio de Vimercate como aspirante à vida religiosa. Após o noviciado, pronunciou os votos por ocasião da aprovação canônica da Congregação: 13 de setembro de 1852.
     Começou então a vida da Irmã educadora, heroica na monótona fadiga do dia a dia, na observância regular que a levou, através de um exercício humilde e ininterrupto das virtudes cristãs, à única e verdadeira realização da existência humana: a santidade. O campo de seu fecundo apostolado foram os Colégios de Cernusco, Milão; Via Amedei, Genova e, durante as férias de outono, Chambéry, na Savoia. Por fim Milão, na então casa geral de Via Quadronno.
     A perfeita obediência de Irmã Mariana Sala não se manifestou só no acolhimento dócil dessas transferências, mas também na total obediência às Superioras e às coirmãs; “parecia haver feito voto de obediência a todas as Irmãs”, disse uma testemunha, e era disponível às alunas e aos que dela se aproximavam. Tinha sempre consigo o Senhor: vivia sempre da presença de Deus, como do ar que se respira.
     Irmã Mariana dedicava-se incansavelmente às suas alunas para que se tornassem não só cultas, mas, como a mulher forte elogiada na Sagrada Escritura, também fortes na fé e em todas as virtudes cristãs. E as encorajava nas dificuldades da vida. Uma aluna declarou no processo: Na educação das alunas tinha como único fim formar verdadeiras cristãs que pudessem formar cristãmente as próprias famílias, difundindo o Reino de Deus.
     Sem dúvida, foram-lhe causa de grandes sofrimentos não só as misérias humanas, diárias e inevitáveis da comunidade, sobre as quais passou sempre com inalterável paz, mas também as repreensões frequentes da Madre Marina Videmari, de caráter forte e impulsivo, convencida, em boa fé, de que os santos devem ser provados.
     Não lhe faltou o sofrimento físico. Uns oito anos antes da morte, quando Irmã Mariana estava na casa de Via Quadronno, em Milão, manifestou-se nela o mal que a levaria à morte: um tumor na garganta, externamente visível. Uma echarpe preta, usada com desenvoltura, disfarçava as aparências, enquanto o sorriso imperturbável de seu rosto, após crises agudas de dor que a constrangiam a interromper as aulas, fazia esquecer a quem dela se avizinhasse o quanto havia sofrido. Aliás, numa maravilhosa superação de si, ela se habituara a chamar, jocosamente, a horrível deformação do pescoço seu colar de pérolas.
     Nunca revelou angústia pelo mal, nem mesmo nos últimos meses de vida. Vivia o que afirmara, anos antes, com a lógica dos apaixonados pela Cruz: Sirvamos o Senhor com coragem, minha boa Genoveva, ainda quando nos pede algum sacrifício, se assim se podem chamar as pequenas dificuldades que encontramos no caminho da virtude. Realmente, o que é o que sofremos nós em confronto com o que por nosso amor sofreu nosso amado Esposo? Aliás, não deveríamos antes alegrar-nos e agradecer-lhe, quando nos envia alguma ocasião de provar-lhe nosso amor e nossa fidelidade? Entreguemo-nos ao Senhor em tudo e por tudo, e Ele nos ajudará a nos tornarmos santos. (a Ir. Genoveva, 16-10-1874).
     No outono de 1891, Irmã Mariana retomara suas numerosas e absorventes atividades e o ensino nas classes das maiores. Mas, após os primeiros dias de aula foi obrigada a interromper o trabalho, recolhendo-se na enfermaria do colégio. A doença venceu sua resistência física e moral. Passou quinze dias de sofrimento atroz.
     Em 24 de novembro, enquanto as coirmãs rezavam na Capela a Ladainha de Nossa Senhora, ela sentiu o esplendor da invocação «Regina Virginum» e no leito de morte uma beleza nova resplandecia em sua fisionomia, havendo desaparecido qualquer sinal do tumor.
     O encontro casual de seus despojos intactos, em 1920, fez com que se voltasse a falar na já esquecida Irmã Mariana Sala. As ex-alunas se uniram às Marcelinas para pedirem a introdução da causa de beatificação e muitas testemunharam no processo informativo a heroicidade das suas virtudes.
     A Irmã Maria Ana Sala foi beatificada aos 26 de outubro de 1980, em Roma, na Praça do Vaticano 
Brivio, cidade natal da Beata

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