sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

Santa Priscila de Roma, Matrona - 16 de janeiro

Martirológio Romano: Em Roma, comemoração de Santa Prisca (ou Priscila), nome sob o qual foi dedicada a basílica edificada na colina do Aventino (antes de 499).

Etimologicamente Prisca significa “antiga”, no latim. Priscila, diminutivo de Prisca.

     Numa Passio datada do século X, que não tem verdadeiro valor histórico, nos relata que Prisca era uma menina de 13 anos, que para a lei romana já era uma adulta, que foi detida entre um numeroso grupo de cristãos durante a perseguição do imperador Cláudio II (ano 269).
     O seu martírio é descrito com todas as torturas próprias a demover uma cristã de manter sua Fé e termina fora de Roma, na Via Ostia, sendo decapitada ali. Foi sepultada nas catacumbas desta zona da cidade romana, que passaram a chamarem-se catacumbas de Santa Priscila.
As evidências históricas
     Deixando de lado o relato do martírio, os documentos antigos criam confusões, chegando-se ao fato de haver três pessoas diferentes chamadas Prisca (ou Priscila): uma, titular de uma igreja no Aventino, como diz um epígrafe funerário do século V: “Adeodatus presb. Tit. Priscae” (Adeodato, presbítero do título de Prisca). A esta se chama de “fundadora” segundo os sínodos romanos de 499 e 595. Seria uma matrona romana?
     No século VIII, esta Priscila passa a ser confundida com a mulher de Áquila, a quem São Paulo menciona em várias de suas epístolas. A este casal também era dedicada uma igreja em Roma.
     E uma terceira Prisca (ou Priscila) é lembrada nos Itinerários do século VIII, situada nas catacumbas de Santa Priscila. O Sacramentário Gregoriano também a recorda no dia 18 de janeiro.
     Quanto a esta, na mencionada igreja do Aventino se encontra a urna de madeira com seus restos e sob a igreja foi encontrada uma casa romana. A legenda diz que nela se hospedou São Pedro e se conserva uma antiga pia batismal onde Prisca teria sido batizada. De fato, há ali uma pintura onde São Pedro aparece batizando Santa Prisca, a matrona romana, confundida com a mártir, porém sem nenhum fundamento histórico.
     Áquila e Prisca (ou Priscila) tinham ido para Roma após a expulsão dos judeus locais decretada pelo imperador Cláudio no ano 49. Eles haviam oferecido hospedagem a São Paulo em Acaia e mais tarde viajaram com ele, estabelecendo-se em Éfeso. No tempo da Epístola aos Romanos (58) se encontravam em Roma, como prova a afetuosa e grata saudação a eles dirigida pelo Apóstolo (16, 3-5). Uma notícia posterior, na Segunda Carta a Timóteo (4, 19) se refere ao retorno a Éfeso. A atribuição aos cônjuges da qualidade de “apóstolos e mártires” presente no Sinassário de Constantinopla, na data de 13 de fevereiro, não tem fundamento e é uma amplificação da alusão de São Paulo aos riscos que eles enfrentaram para alcançarem sua salvação (Rm 16,3).
     A origem romana do casal, a grafia grega do nome Áquila (Acylas), que remeteria à gens Acylia, bem como o cemitério na Via Salaria, e a presença epigraficamente atestada no mesmo local de uma Priscila (que não aquela Prisca recordada nos Itinerários do século VII), certamente contribuíram para se acreditar na identificação e a provocar a confusão de personagens e de épocas.
     Além disto, também a legenda que colocava Priscila (ou Prisca) relacionada com a atividade de São Pedro em Roma contribuía para a contaminação com o ciclo hagiográfico relativo às Santas Pudenciana e Praxede, filhas do senador Pudente (segundo a tradição) e sobrinhas de uma Priscila, todas sepultadas no cemitério da Via Salaria.
     Uma Priscila, matrona romana, aparece também na Vita de São Marcelo, de Anastásio Bibliotecário (século IX), como aquela a quem o papa recomendou a construção do cemitério depois lembrado com o seu nome. A notícia e a identificação com a fundadora são evidentemente fruto da fantasia do hagiógrafo. Em todo caso, é interessante notar que o dia 16 de janeiro, dedicado a Santa Priscila, é também a data tradicional da depositio no cemitério da Via Salaria do Papa Marcelo (Lib. pont., I, 164).
     Barônio inscreveu Priscila, esposa de Áquila, no Martirológio Romano no dia 16 de janeiro, baseando-se no Martirológio Jeronimiano. Porém esta Priscila, esposa de Áquila, é confundida constantemente com a matrona romana “fundadora” das catacumbas que levam seu nome em Roma. Este é um problema sem solução até os dias atuais.
     O que é evidente é que, apesar do infundado de sua Passio, Santa Prisca Mártir tem sua igreja e tem suas relíquias, bem como um culto muito antigo.

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