quarta-feira, 11 de maio de 2016

Beata Imelda Lambertini, Devota da Eucaristia - 12 de maio

    
     Imelda Lambertini pertencia a uma nobre família da Bolonha, Itália. Nasceu provavelmente no ano de 1320. Era filha do Conde Egano Lambertini e de sua segunda esposa, Castora Galluzzi; no batismo a menina recebeu o nome de Maria Madalena.
      Seus pais eram muito piedosos e amavam sua filha mais do que tudo no mundo. Eles percebiam que embora a menina lhes devotasse também um grande afeto, não era feita para este mundo. Frequentemente sua mãe a encontrava ajoelhada em algum canto do palácio em profunda oração. Toda vez que as pessoas falavam de Deus seus olhos brilhavam. E seus pais notaram que várias vezes, quando se mencionava Jesus no Santíssimo Sacramento, sua face se tornava quase transparente. Ela desejava ardentemente fazer a Primeira Comunhão, mas ela não tinha ainda a idade exigida na época.
     Apesar de sua pouca idade, após insistência contínua dela, os pais a deixaram ficar com as monjas de um convento próximo. Era comum, na época, as meninas serem educadas por religiosas em seus mosteiros.
     Ela entrou no mosteiro das dominicanas de Santa Maria Madalena do Val di Pietra, onde hoje existe o convento dos capuchinhos, e deram-lhe o nome de Imelda. A comunidade era composta das Cônegas Regulares de Santo Agostinho, que no fim do século passaram para a Regra Dominicana.
     No convento, a pequena Imelda era como um peixe dentro d’água. Ela amava o silêncio, os longos corredores de pedra com seus belos arcos, os hábitos branco e preto das monjas, os cânticos, as orações, o trabalho. Mais do que tudo, ela amava o tabernáculo. Finalmente ela estava sob o mesmo teto com o seu Jesus. Sempre que os horários do mosteiro o permitiam, lá estava ela de joelhos no coro observando do alto a capela do convento, seus olhos fixos no tabernáculo.
     Na vida comunitária ela era como um raio de sol no meio de tantas irmãs adultas. Devido a sua tenra idade, a Reverenda Madre também não queria que Imelda participasse de todos os atos da comunidade.
     Dois anos se passaram.  Somente uma coisa a entristecia na sua vida no convento: ela ainda não tinha conseguido receber a Primeira Comunhão. Quando ela via as irmãs comungando sua alma ardia de desejo de estar entre elas. Às vezes ela não conseguia conter suas lágrimas. Então, ela suplicava aos céus para terem misericórdia dela e encontrar uma maneira de fazê-la comungar.
     Na Vigília da Ascensão, dia 12 de maio de 1333, Imelda assistiu a Santa Missa na capela, junto com outras educandas e as Irmãs. Ao chegar a hora da Comunhão, ajoelhada, Imelda rezava com fervor desejando receber Jesus.
     No fim da Missa, quando as monjas saíram do coro em fila, a última virou-se para olhar a pequena figura branca ainda de joelhos em oração. Imelda normalmente permanecia mais tempo lá, sem se mexer e absorvida na oração. A comunidade, acostumada com este seu hábito, deixava-a ficar.
     Foi quase que automaticamente que a irmã olhou para trás para dar uma olhada e para se encantar com aquela pequena maravilha de piedade Eucarística. A respeitosa irmã parou espantada, e ficou como que pregada ao solo. Lá estava a menina ajoelhada, com a cabeça baixa, como sempre, mas pairando sobre ela havia uma Hóstia branca, brilhando no meio de uma suave luminosidade.
     Avisada pela irmã, a comunidade toda se apressou em voltar para o coro e caiu de joelhos diante do incrível sinal. A Madre Superiora entendeu. Não havia dúvida que Nosso Senhor queria que aquela menina O recebesse. Ela chamou o capelão que rapidamente se aproximou com uma patena de ouro. Assim que ele chegou perto da menina ajoelhada, a Hóstia desceu sobre a patena.
     Neste momento, Imelda, que o tempo todo tinha permanecido com a cabeça baixa e os olhos fechados, vagarosamente levantou sua face radiante e abriu seus lábios. Tomando a Hóstia, o padre capelão deu-lhe a Comunhão. Ela abaixou a cabeça uma vez mais e permaneceu imóvel.
     Após um longo tempo, a Madre Superiora se aproximou dela. Tomando gentilmente Imelda pelos ombros, a boa monja tentou fazê-la erguer-se, mas Imelda caiu em seus braços. Sua face tinha uma expressão de inexprimível beleza.
     Imelda tinha dito certa vez, "Eu não sei como se pode receber Nosso Senhor e não morrer!" Agora, ela O tinha recebido e o seu primeiro encontro com Jesus Eucarístico fora demais para seu pequeno coração ardente. Ela se fora com Ele.
     Em 1582, as dominicanas se transferiram para o interior dos muros de Bolonha, obtendo da Cúria a transladação das relíquias da Beata, que hoje se encontram na igreja de São Segismundo. Desde então o seu nome foi inserido no catálogo dos Santos e Beatos da Igreja da Bolonha.
     Sob o pontificado de Bento XIV (1740-1758), que a recordou em uma obra sobre canonizações dos Servos de Deus, o culto da beata foi confirmado. Porém, a beatificação somente foi concretizada com o Papa Leão XII em 20 de dezembro de 1826. A canonização foi retomada em 1921 prosseguindo até 1942, quando foi paralisada por dificuldades de caráter histórico.
     O pequeno corpo de Imelda repousa incorrupto num belo relicário na Igreja de São Segismundo, em Bolonha. Sua bela face é iluminada pelas luzes de um êxtase e parece dizer: "Meu Jesus, Ele é minha recompensa imensamente grande!"
     A pequena Imelda Lambertini é festejada no dia 12 de maio. Em 1908, São Pio X declarou-a patrona das crianças que fazem sua Primeira Comunhão. Naquele mesmo ano ele decretara que as crianças menores de 12 anos podiam ser recebidas à Primeira Comunhão.
     O culto à pequena Imelda se difundiu com a crescente devoção eucarística no mundo todo. É a patrona venerada dos Pequenos Devotos do Rosário e Benjamins da Ação Católica.
     Na França, o mosteiro de Prouilles fundou em sua honra uma Confraria, aprovada pelo Sumo Pontífice, e colocada sob a direção da Ordem Dominicana.
     Finalmente, o Servo de Deus Padre Joaquim Pio Lorgna (1870-1928), dominicano, colocou sob sua proteção a Congregação que fundou, as Irmãs Dominicanas da Beata Imelda, hoje presente na Itália, Brasil, Albânia, Filipinas, Camarões, Bolívia. 

Etimologia: Imelda = do alemão antigo, Himilhilde: “guerreira (hilde) do céu (himil)” ou “guerreira celeste”.

Nenhum comentário:

Postar um comentário