domingo, 18 de junho de 2017

Beata Elena Aiello, Mística e Fundadora – 19 de junho

   
     Elena Aiello, a fundadora das Irmãs Mínimas da Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo, nasceu em Montalto Uffugo (Cosenza), Itália, em 16 de abril de 1895 e morreu em Roma em 19 de junho de 1961. Mística, estigmatizada, alma vítima, vidente e fundadora, foi consultada com frequência pelo Papa Pio XII; foi tida em grande estima pelo Sumo Pontífice que reconheceu nela dons de abnegação, caridade e profecia. Suas revelações ou mensagens sobrenaturais começaram em 1923, mas não foram transcritas até 1937; a partir de 1938 até 1961 (ano de sua morte), passaram a ser transcritas.
     Elena era a quarta de oito filhos. Seus pais, Pasqual e Teresa, geriam uma alfaiataria e eram bons e honestos, sempre dispostos a ajudar os oito filhos. Aos quatro anos de idade Elena repetia as fórmulas do Catecismo e foi enviada às Irmãs do Preciosíssimo Sangue para frequentar a escola e seguir o curso de catequese. Educada na fé por pais profundamente religiosos, revelou muito cedo uma particular inclinação à oração e à penitência. Aprendia com tanta alegria a palavra de Deus, que aos oito anos as Irmãs deixavam-na ensinar a doutrina aos menores. 
     Após a morte da mãe, ocorrida em 1905, Elena passou a ajudar o pai na alfaiataria, fazia os trabalhos domésticos e socorria os pobres e os doentes. Dois anos mais tarde, após problemas na traqueia, fez votos a Nossa Senhora de Pompéia de abraçar a vida religiosa. Todavia, teve que adiar o seu propósito por alguns anos por causa das dúvidas paternas e do início da 1ª. Grande Guerra.
     Em agosto de 1920 ingressou nas Irmãs da Caridade do Preciosíssimo Sangue em Nocera dei Pagani (Salerno), mas permaneceu poucos meses por causa de um grave acidente enquanto transportava uma caixa. Uma operação de emergência realizada sem anestesia, que suportou com fé heroica, causou-lhe lesões nos nervos, complicadas por uma febre persistente, o que resultou na sua expulsou da congregação para morrer em casa. Numa revelação Jesus lhe diz que ela será curada, mas que toda Sexta-feira Santa de cada ano haveria de sofrer as penas da Cruz. O que aconteceu. Elena suava sangue e estigmas se formavam em seu corpo que desapareciam milagrosamente no Sábado Santo.
    Nos anos seguintes tiveram início fenômenos místicos, em particular visões de Cristo e de Nossa Senhora, que lhe pediam para participar do mistério da Paixão para o bem da humanidade, tendo sido escolhida pela Providência como alma vítima pela conversão dos pecadores e para aplacar a Justiça divina.

     Em 1928, ajudada por uma amiga, Luigia Mazza, que também desejava tornar-se religiosa, fundou a sua obra para a acolhida de meninas órfãs. As duas se transferiram para Cosenza e fundaram o Instituto das Irmãs Mínimas da Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo. Elena escolheu para si e para suas filhas como modelo de vida a Paixão de Jesus e o primado da caridade testemunhada por São Francisco de Paula.
     Após a 2ª. Guerra Mundial deu-se início à criação canônica da Congregação das Mínimas da Paixão de Nosso Senhor Jesus. Após a aprovação da Congregação em 1949, Elena e as primeiras companheiras emitiram os votos perpétuos.
     Humildade, caridade e sacrifício são as bases em que Madre Elena edificou sua família religiosa. Esta se inseriu na missão da Igreja de socorrer os irmãos mais débeis e necessitados, de modo específico a infância. Madre Elena fundou para os órfãos algumas instituições e um instituto para garantir um futuro às jovens que deviam abandonar o orfanato.
     Ao dirigir-se à Roma para a abertura de uma nova casa, na rua Dei Baldassini, faleceu no dia 19 de junho de 1961. Milagres e conversões veem se verificando a partir do dia de sua morte até hoje. Madre Elena repousa na capela da Casa Mãe, na rua dei Martiri 9, em Cosenza.
     Madre Elena Aiello foi beatificada em 14 de setembro de 2011, sob o pontificado de Bento XVI. A sua Congregação conta atualmente com mais de 100 religiosas e está presente na Itália, com numerosas casas na Suíça, Canadá, Colômbia e Brasil.

As revelações
     As revelações e aparições à Beata Elena Aiello foram aprovadas pela Igreja. Elas estão relatadas no livro Suor Elena Aiello “La monaca santa” de Mons. Francisco Spadafora, que foi o seu diretor espiritual.
     Estas revelações são uma “atualização do segredo de Fátima”, como escreve o mesmo Spadafora [1] — e, portanto, da luta perene entre a Virgem e a serpente (Gn., III, 5), a cidade de Deus e a cidade de Satanás (Santo Agostinho, De Civitate Dei), com a periódica e aparente, mas efêmera prevalência das forças do mal [2].
     O primeiro exemplo de mensagem profética de Madre Aiello é a carta que escreveu em 23 de abril de 1940 à irmã de Benito Mussolini, Edvige Mancini Mussolini:
          “[Mussolini] deve manter a Itália fora da guerra. Se o fizer obterá favores extraordinários. Pelo contrário, ele decidiu declarar guerra [o que aconteceu em 10 de junho de 1940, cerca de dois meses após a carta da Beato Aiello, nota do editor], mas sabemos que, se não a evitar, será punido por minha Justiça [v. em 25/7/1943 e 28/4/1945, nota do editor]” [3].
     Em uma carta posterior, de 15 de maio 1943, a Edvige Mancini Mussolini, ela escreve:
          “Dizei a Duce [apelido de Mussolini] que este é o último aviso que o Senhor lhe envia. Ainda podes ser salvo, colocando tudo nas mãos do Santo Padre [Pio XII, nota do editor], se não o fizer a Justiça divina sobrevirá repentinamente sobre ele... em breve cairá [em 25 de julho de 1943, dois meses depois, nota do editor]” [4].
     Em outra carta, de 1942, a “santa monja” prediz as circunstâncias exatas que sinalizariam o fim da 2ª. Guerra Mundial:
          “Haverá um fogo jamais visto e, em seguida, a guerra terminará”. Mons. Spadafora comenta: “Quando os americanos lançaram a bomba atômica [6 e 9 de agosto de 1945, nota do editor] sobre Hiroshima e Nagasaki” [5], o céu foi inflamado e sinistramente iluminado pelo grande cogumelo atômico que queimou mais de 100.000 homens das duas cidades japonesas”.
     Em 8 de dezembro de 1956, a Beata recebeu uma mensagem muito atual como complemento das de Fátima:
          “Os homens ofendem demasiado a Deus [6]. O mundo está totalmente devastado, porque se tornou pior do que nos tempos de dilúvio universal ... todas as nações serão punidas porque são muitos os pecados que, como uma maré de lodo, a tudo cobrem. Muito sangue será derramado e a Igreja sofrerá muito. A Itália será humilhada, purificada no sangue e deverá sofrer muito porque são muitos os pecados desta nação. Não podeis imaginar o que sucederá! As ruas estarão encharcadas de sangue. O Papa sofrerá muito. Mas não tardará o castigo dos ímpios. Aquele dia será terrível”.
     Mons. Francisco Spadafora conclui assim: “Jesus serviu-se desta escolhida para transmitir-nos o anúncio profético sobre o tremendo castigo que ameaça a humanidade, conforme descrito no terceiro segredo de Fátima; Irmã Elena nos comunica, além disso, o que se refere à Itália”.
     Madre Elena revelou também que: um povo avançará a partir do Oriente para a Europa, invadindo a Itália até Roma e que “os sacerdotes, religiosos e outras pessoas inocentes serão assassinados barbaramente, as igrejas destruídas” (p 69); o pecado manchará até mesmo as almas das crianças [7]; que a Igreja é perseguida, não só exteriormente, mas no seu interior: “falsos profetas circundam a Cristo na terra. O demônio desencadeou a mais terrível batalha contra Deus e a Igreja” (p 72.); “o pecado de impureza, convertido em arte sedutora e diabólica, atingiu o cume: a maioria dos homens vive na lama [7]. Não há esperança para uma era de paz: o mundo inteiro estará em guerra” (p 73); “a inocência das crianças é minada. [8] Olhai: Os anjos, tendo em suas mãos recipientes cheios de fogo, estão prestes a despejá-los sobre o mundo. Este terrível flagelo virá nas primeiras horas da manhã. O céu se tingirá de vermelho, a tempestade será de fogo, várias nações devem desaparecer” (pp 75-76.); “o leão que ruge [o Diabo, nota do editor] avançará sobre a cátedra de Pedro para difundir os seus erros” (22 de agosto de 1960). O mundo caiu muito baixo, tem necessidade de castigos para ser purificado (pp. 79-80).

Mensagem de Nossa Senhora - Sexta-feira, 23 de março de 1961.
     “Nossa Senhora disse: Minha filha, o castigo está próximo. Fala-se muito de paz, mas o mundo inteiro caminha para a guerra, e as ruas ficarão cobertas de sangue! Não se vê um raio de luz no mundo, porque os homens vivem nas trevas do pecado, e o enorme peso desses pecados clama pela Justiça de Deus. Todas as nações serão castigadas, porque o pecado espalhou-se por todo o mundo! Os castigos serão tremendos, porque o homem tornou-se numa afronta insuportável contra o seu Deus e Pai, e já exasperou a Sua Infinita Bondade! [...] O Meu Coração de Mãe e Mediadora dos homens, próxima da Misericórdia de Deus, convida, com muitas manifestações e muitos sinais, os homens à penitência e ao perdão. Mas eles respondem com uma tormenta de ódio, blasfémias e profanações sacrílegas, cegos pela ira infernal. Peço oração e penitência, para que possa obter de novo a misericórdia e a salvação para muitas almas; de outro modo irão se perder”.

Notas
[1] Fatima e la peste del socialismo, Roma, Giovanni Volpe Editore, 1974, p. 25.
[2] Essas divulgações estão de acordo com aquelas dadas a Bruno Cornacchiola (1947-2001) pela Madonna della rivelazione delle Tre Fontane (cfr S. Gaeta, Il Veggente Il Segreto delle Tre Fontane, Milano, Salani, 2016; F. Spadafora, Tre Fontane, Roma, Volpe, 1984) e da Madonna de Civitavecchia a mons. Girolamo Grillo († agosto 2016) e a família Gregori em 1995 (cfr. G. Grillo, La storia di vera dolorosa dramma d’amore. La Madonnina de Civitavecchia, Camerata Picena di Ancona, Shalom Editrice, 2013).
[3 - 4] F. Spadafora, Fatima e la peste del socialismo, cit., pp. 28-30.
[5] Ibidem, p. 32.
[6] Ibidem, p. 35.
[7] Já em 2 de março de 1923, irmã Elena faz referência explícita aos pecados contra a pureza e argumenta que a razão de ser, a força e a proteção da castidade é o amor sobrenatural a Deus e ao próximo, sem o qual castidade é posta em grave perigo (cf. Fatima e la peste del socialismo, pp. 58 e 63).
[8] Cfr. a assim chamada educação de “gênero” que é imposta às crianças desde os 5 anos nas escolas da Europa.

Fontes:

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