sexta-feira, 1 de maio de 2015

Madre Maria Letícia da Virgem Misericordiosa, Fundadora - 2 de maio

    
     Duas jovens brasileiras transpuseram os mares para ingressar no Mosteiro Redentorista de Bruges, Bélgica:  Helena Isnard (Ir. Maria Tereza do Menino Jesus) e Ir. Maria Luiza do Coração de Jesus. Elas regressaram ao Brasil no dia 14 de junho de 1921; o grupo das fundadoras desembarcou no Rio de Janeiro:  Madre Maria Clemente, Ir. Maria Verônica, Ir. Maria Tereza do Menino Jesus, Ir. Maria Luiza do Sagrado Coração de Jesus.
     Inicialmente as religiosas se instalaram em Vassouras – RJ e se transladaram para Itu – SP em fevereiro de 1924.
     Em março de 1952, a Ir. Maria Letícia da Virgem Misericordiosa, com outras irmãs oriundas de Itu, fundou o Mosteiro do Imaculado Coração de Maria na cidade de Belo Horizonte – MG.
     Em 22 de maio de 1969, Madre Letícia fundou, com algumas irmãs, o Mosteiro da Santa Face e do Puríssimo e Doloroso Coração de Maria em Diamantina, que foi transladado em 1970 para Campos, onde chegaram em 26 de julho; por fim, este Mosteiro foi transladado para São Fidélis – RS, onde as Irmãs chegaram no dia 28 de dezembro de 2003.
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     Maria Julieta da Gama Cerqueira era descendente de ilustre e tradicional estirpe mineira. Nasceu em Belo Horizonte no dia 10 de março de 1900; consagrou-se desde cedo à vida religiosa, ingressando na Congre­gação das Servas do Espírito Santo, em Juiz de Fora. Naquela cidade dedicou-se à forma­ção da juventude feminina, tendo depois atuado em Belo Horizonte, São Paulo e Rio de Janeiro.
     Desejosa de uma vida mais contemplativa, a então Irmã Maria Letícia da Virgem Misericordiosa transfe­riu-se para o Mosteiro das Irmãs Redentoristas, em Itu. Desta cidade, dirigiu-se a Belo Horizonte, onde fundou o Mosteiro do Imaculado Co­ração de Maria, daquela Congrega­ção.
     Em 1969 trasladou-se da capital mineira para Diamantina (MG) e, posterior­mente, para Campos (RJ). Nesta im­portante cidade fluminense, Madre Letícia fundou o Mosteiro do Coração Doloroso e Imaculado de Maria, no qual foi Superiora até seu falecimento.
     Dotada de excecional inteligência e rara firmeza de vontade, Madre Letícia discerniu, desde seus primórdios, a crise progressista que hoje assola a Igreja. Assim, por seus conselhos, seus exemplos, sua extra­ordinária influência pessoal, consti­tuiu-se, desde logo, num dos baluar­tes da defesa da sã doutrina.
     Principalmente por suas orações e por seus sacrifícios, Madre Letícia, dotada de profunda piedade eucarística, devoção a Nossa Senho­ra e à Santa Igreja, tudo fez para ob­ter da divina clemência que abrevias­se a tormenta que hoje se abate sobre o mundo católico. Neste sentido, ofe­receu com resignação e constância edificantes os longos padecimentos da moléstia que acabou por vitimá-la.
     Madre Letícia foi ardorosa simpatizante da TFP, dispensando àquela entidade seu contínuo apoio, preces e sacrifícios.
     Quando sobre ela caiu o veredicto terrível do câncer, permaneceu firme, decidida, olhava para a morte com tranquilidade, não desejando deixar de batalhar pela glória de Deus e salvação das almas, mas disposta a fazer a vontade de Deus. Após alguns meses de intenso sofrimento, ela morreu rezando. Duas pessoas que a assistiam, a amparavam; ela estava sentada na cama, às vezes parava um pouco de rezar devido à falta de ar; depois, refeita, retomava as orações. Em determinado momento a religiosa que a acompanhava disse para o sacerdote presente: “Padre, a Madre morreu!” A Providência a tinha chamado.
     Seu faleci­mento ocorreu no dia 2 de maio de 1974, aos 74 anos de idade. Atendendo ao seu pedido, o corpo foi sepultado no jazigo da TFP no Cemitério da Consolação, na capital de São Paulo.
Uma alma calorosa, ardorosa
     Madre Leticia era muito decidida. Estando para entrar no convento, dirigiu-se para lá de trem. Entretanto, havia hora para entrar. Como o trem estivesse passando perto do convento muito lentamente, e ao ver que não daria tempo para esperar que ele chegasse à estação, ela não teve dúvidas: jogou sua mala e pulou do trem, para espanto geral dos passageiros.
     Uma de suas grandes alegrias foi ter feito uma peregrinação a Fátima, Portugal. Ela contava cenas tocantes da devoção do povo português por Nossa Senhora. Dizia que as promessas de Nossa Senhora em Fátima iam cumprir-se muito brevemente.
     Ela era muito alegre, possuía a verdadeira alegria que não se abate mesmo no meio das adversidades. Durante sua doença ela procurava animar as Irmãs dizendo coisas engraçadas para distraí-las. Em Portugal, divertia-se imitando o sotaque português, o que fazia de modo tão perfeito, que a Irmã que a acompanhava não podia conter o riso.
     Em carta de 1971 a uma de suas dirigidas leigas, Madre Letícia recomendava: “No vendaval tremendo por que está passando a Santa Igreja, é preciso não só proteger a Fé, mas ainda guerrear para mantê-la, e ainda torná-la cada vez mais intensa, brilhante”. ... “A mulher hoje perdeu completamente a noção de dignidade, do pudor; tornou-se escrava da moda por mais indecorosa que seja. Você precisa velar com especial cuidado sobre esta tentação terrível que vem arrebanhando meninas, moças e senhoras”.
     Em 27 de dezembro de 1973, antes de uma cirurgia, Madre Letícia escreveu uma pungente carta aos seus irmãos, da qual é este edificante trecho: “Minha vida e minha morte estão nas mãos de Nossa Senhora, Ela que é sempre a ‘Causa da minha Alegria”. A Ela me consagrou nossa mãe, como aliás consagrou todos os filhos. Embora cheia de infidelidades, procurei sempre a Ela me dar. Como temer neste momento? Estou em Seus braços. Se continuar a viver, vou esforçar-me por servi-La melhor e amá-La mais; se morrer, banhando minha alma no mar infinito da misericórdia de Deus, irei vê-La no Céu!
       No hospital, após a cirurgia, conversando com uma visitante, disse a certa altura: “Daqui a pouco virá a visita mais importante!” A pessoa perguntou quem era e ela respondeu muito séria, mas afetuosamente: “Jesus!” É que iam levar a Santa Comunhão para ela...
Frases
     “Vamos falar de grandes coisas, das dores da Igreja”.
     “Se formos esperar que os outros nos tratem mal, então poucas vezes faremos atos de humildade. O melhor ato de humildade é nos considerarmos diante de Deus: nós não somos nada, Deus é tudo! Fazer isto muitas vezes”.
     “Sim, meu Deus, nada Vos recusarei!”

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